INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
Pense nisso!

Dê vida a esse Blog. Comente!
Seu comentário é muito importante!

domingo, 26 de setembro de 2021

 



A CARIDADE DA LÍNGUA

Olá, Amigos! Vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se do tema A Caridade da língua. Com base no item 252 de O Livro dos Médiuns. As imperfeições morais do obsidiado constituem, frequentemente, um obstáculo à sua libertação. Aqui vai um exemplo notável, que pode servir para instrução de todos. Conta Allan Kardec que duas irmãs sofriam, há anos, depredações desagradáveis em seu lar. Suas roupas eram incessantemente espalhadas por todos os cantos da casa e até pelos telhados, cortadas, rasgadas e crivadas de buracos, por mais cuidado que tivessem em guardá-las à chave. Essas senhoras, vivendo numa pequena localidade de província, nunca tinham ouvido falar de Espiritismo. A primeira ideia que lhes veio foi, naturalmente, a de que estavam às voltas com brincalhões de mau gosto. Porém, a persistência e as precauções que tomavam lhes tiraram essa ideia. Só muito tempo depois, por algumas indicações, acharam que deviam procurar-nos, para saberem a causa de tais depredações e lhes darem remédio, se fosse possível. Sobre a causa não havia dúvida, o remédio era mais difícil. O espírito que se manifestava por semelhantes atos era evidentemente malfazejo. Evocado, mostrou-se de grande perversidade e inacessível a qualquer sentimento bom. A prece, no entanto, pareceu exercer sobre ele uma influência salutar. Mas, após algum tempo de interrupção, recomeçaram as depredações. Eis o conselho que a propósito nos deu um Espírito superior:

“O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos Espíritos seus protetores que não as abandone. Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o de dizer-lhes que desçam ao fundo de sua consciência, para se confessarem a si mesmas e verificarem se sempre praticaram o amor ao próximo e a caridade.

 Não falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua; pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito de maldizer do próximo e o espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto, em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquise na memória e logo descobrirão quem ele é. Entretanto, se conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiães se aproximarão e a simples presença deles bastará para afastar o mau espírito, que não se agarrou a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar, por efeitos de atos repreensíveis, ou maus pensamentos. O que precisam é fazer preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes impostas por Deus a cada um, de acordo com sua condição. Reflexão: As duas irmãs estavam sofrendo a ação de um espírito perturbador, porque faziam uso da maledicência. Falar mal da vida alheia baixa o padrão vibratório e nos coloca em sintonia com espíritos perturbados e perturbadores. Qual a razão dessa mania de falar mal dos outros? No fundo, é um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade. Em vez da pessoa afirmar-se pelos seus valores, pretende fazê-lo por suposta ausência deles no próximo. Essas pessoas julgam necessário apagar luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.

Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros. Embora os prejuízos causados na vida de uma pessoa ou de uma família sejam idênticos, vamos separar maledicência da difamação. Difamar é afirmar de outrem algo inexistente, ou seja, uma mentira.

Maledicência é dizer algo real mas que não há nenhuma razão para se dizer do próximo. Será que quando afirmamos “Não estou falando mal de fulano. Só estou dizendo a verdade”, na realidade não estamos encobertando nosso prazer de falar mal dos outros? A tendência perniciosa que trazemos de comentar o mal, frequentemente se manifesta nas conversações que costumamos manter nos círculos entre amigos. Quando entra em pauta tecer referências a pessoas, parece ser até irresistível a abordagem dos aspectos mais desabonadores das criaturas. E não fica apenas nisso. O que é muito pior são os acréscimos por conta da imaginação doentia nas calúnias e interpretação malévolas que se fazem. O falar mal, a crítica mordaz, a interpretação pejorativa, o comentário malicioso, o julgamento falso, a suspeita comprometedora, a denúncia caluniosa são facetas pelas quais a maledicência se apresenta. Ao surgir numa conversa comentários sobre um deslize de alguém, você se interessa em ouvir? Qual a sua atitude? Faz perguntas; ouve apenas ou corta a conversa? Precisamos policiar-nos e corrigir-nos. E como podemos fazê-lo? Vigiando nossos pensamentos, para que consigamos cortar esse mal pela raiz, e ocupando nossas mentes e nosso tempo com trabalho útil e pensamentos elevados, em sintonia com o Alto. Não importa há quanto tempo labutamos no mal ou quantas vezes caímos e erramos; com força de vontade e esforço, a qualquer momento poderemos transformar nossos comportamentos e nossas vidas para melhor.

Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas. Evitemos a censura. A maledicência começa na palavra de acusação inoportuna. Este é um bom tema a merecer nossa atenção. Pense nisso!

Muita Paz!

domingo, 12 de setembro de 2021

 

SETEMBRO AMARELO



Suicídio: Tudo o que deve saber sobre o assunto que ninguém fala. Setembro Amarelo é o mês (de 1 a 30 de setembro) dedicado à prevenção do suicídio. Trata-se de uma campanha, que teve início no Brasil em 2015, e que visa conscientizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento. No dia 10 se comemora o dia mundial de prevenção do suicídio. Vamos conversar sobre suicídio e comportamento suicida? O que é o suicídio? A princípio, o suicídio é um fenômeno multifatorial e multideterminado. Ou seja, as causas são diversas, podendo envolver fatores genéticos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais, dentre outros. Um dos maiores estudiosos sobre suicídio, Émile Durkheim  (psicólogo e sociólogo francês, considerado o fundador da sociologia) diz que o suicídio é um ato de desespero de um indivíduo. Logo, este indivíduo não quer mais viver e analisar esse ato não é apenas analisar o indivíduo, mas também a sociedade. Para ilustrar o nosso trabalho, fomos buscar no livro Ideias e Ilustrações, o conto “Por cinco dias”, pelo Espírito Hilário Silva. Conta-nos assim o autor espiritual: Mais de seis lustros passaram. Francisco Teodoro, o industrial suicida, experimentava pavorosos suplícios nas trevas. Defrontado por crise financeira esmagadora, havia aniquilado a existência. Tivera vida próspera. À custa de ingente esforço, construíra uma fábrica. Importando fios, conseguira tecer casimiras notáveis. E o trabalho se desdobrava, promissor. Operários e máquinas eficientes, armazéns e lucros firmes. Surgira, porém, a retração dos negócios. Humilhavam-no cobranças e advertências, a lhe invadirem a casa. Frases vexatórias espancavam-lhe os ouvidos. Coronel Francisco, trago-lhe as promissórias vencidas. Sr. Francisco, nossa firma não pode esperar. O capitão do serviço pedia mais tempo; apresentava desculpas; falava de novas esperanças e comentava as dificuldades de todos. Meses passaram pesadamente. Cartas vinagrosas chegavam-lhe à caixa postal. Devia aos credores diversos o montante de oitocentos contos de réis. A produção, abundante, descansava no depósito, sem compradores. Procurava consolo na fé religiosa. Por toda parte, lia e ouvia referências à Divina Bondade. Deus não desampara as criaturas – pensava. Ainda assim, tentava a oração, sem abandonar a tensão. E porque alguém o ameaçava de escândalos na imprensa, com protestos públicos, em que seria indicado por negociante desonesto, escreveu pequena carta, anunciando-se insolvável, e disparou um tiro no crânio. Com imenso pesar, descobriu que a vida continuava carregando, em zonas sombrias de purgação, a cabeça em frangalhos. Palavra alguma na Terra conseguiria descrever-lhe o martírio. Sentia-se um louco encarcerado na gaiola do sofrimento. Depois de trinta anos, pode recuperar-se, internando-se em casa de reajuste, reavendo afeições e reconhecendo amigos. E agora que retornava à cidade que lhe fora ribalta ao desespero, notava, surpreendido, o progresso enorme da fábrica que lhe saíra das mãos.  Embora invisível aos olhos físicos dos velhos companheiros de luta, abraçou, chorando de alegria, os filhos e os netos reunidos no trabalho vitorioso. E após reconhecer o seu próprio retrato, reverenciado pelos descendentes no grande escritório, veio, a saber, que acontecimento importante sucedera cinco dias depois dos funerais em que a família lhe pranteara o gesto terrível. À face de alteração na balança comercial do País, ante a grande guerra de 1.914, o estoque de casimiras, que acumulara zelosamente, produziu importância que superou de muito a quatro mil contos de reis. Mostrando melancólico sorriso, o visitante espiritual compreendeu, então, que a Bondade de Deus não falhara. Ele apenas não soubera esperar.

REFLEXÃO:

Há momentos na vida em que muitas criaturas perdem a coragem de seguir em frente. Essa situação é mais frequente do que se imagina. Em casos extremos, o desânimo, a melancolia ou a depressão podem precipitar a ideia do suicídio. O silêncio em torno do assunto, o torna reconhecidamente um abominável tabu, e só agrava a situação. O dicionário diz que tabu significa um tema, um assunto sobre o qual preferimos não falar, e o suicídio é um tabu. É um assunto que achamos desagradável comentar. Entretanto, nunca foi tão importante falar sobre esse tema, com a intenção de reduzir os números das estatísticas divulgadas no mundo e no Brasil. Segundo dados de 2015 da Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio mata mais jovens entre 15 e 29 anos que o HIV. Fica atrás apenas dos acidentes de trânsito.  São dados alarmantes. Infelizmente, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. Desta forma, aproximadamente um milhão de mortes por este motivo, acontecem por ano. Logo, a cada ano, as mortes por suicídio, constituem 50% das mortes violentas entre homens e 71% entre mulheres. Em síntese, os índices mais altos estão nos países da Europa Oriental, América Central e América do Sul. No entanto, é importante analisar também as tentativas deste ato. Estas têm um intervalo de tempo ainda menor, a cada três segundos alguém tenta se matar. Apesar dessa estimativa, ressalta-se que as tentativas de suicídio podem ser de 10 a 20 vezes mais frequentes que o suicídio. Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 15% a 25% das pessoas que tentam suicídio, irão repetir.

Estatísticas no Brasil

No Brasil, em um intervalo de 45 minutos, acontece um suicídio. A taxa é de 6,1 por 100 mil habitantes, totalizando cerca de 13 467 suicídios por ano. Isso faz com que o Brasil seja o oitavo país com mais suicídio em todo o mundo. No entendimento dos técnicos do Ministério da Saúde, o suicídio já é considerado um problema de saúde pública epidemiologicamente relevante e complexo, para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. O suicídio acontece e com pessoas que sequer imaginávamos. O mundo interno de uma pessoa é um mundo a ser explorado. Muitos fatores podem aumentar os riscos de alguém cometer suicídio, como problemas de relacionamento, financeiros ou profissionais. O abuso de substâncias químicas (drogas, bebidas, medicamentos), declínio da saúde física ou mental, como a depressão, também podem estar associados. Entre os jovens, perda da autoestima. As razões podem ser bem diferentes, porém muito mais gente do que se imagina já teve uma intenção em comum. Na maioria das vezes, no entanto, é possível evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade. A primeira medida preventiva é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde hoje 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto

1 - COMO PODEMOS DEFINIR O SUICÍDIO? Suicídio é um gesto de autodestruição, realização do desejo de morrer ou de dar fim à própria vida. É uma escolha ou ação que tem graves implicações sociais. Pessoas de todas as idades e classes sociais cometem suicídio.

2.- O QUE LEVA UMA PESSOA A SE MATAR? Vários motivos podem levar alguém ao suicídio. Normalmente, a pessoa tem necessidade de aliviar pressões externas como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação etc.

3 - COMO SE SENTE QUEM QUER SE MATAR? No momento em que tem ideias suicidas, a pessoa combina dois ou mais sentimentos ou ideias conflituosos. É um estado interior chamado de ambivalência. Ela busca atenção por se sentir esquecida ou ignorada e tem a sensação de estar só. Outras pessoas sentem vontade de desaparecer, fugir ou de ir para um lugar ou situação melhor. Quase sempre, sentem uma necessidade de alcançar paz, descanso ou um final imediato aos tormentos que não terminam.

4 - O SENTIMENTO E O IMPULSO SUICIDAS SÃO NORMAIS? Pensar em suicídio é uma coisa que faz parte da natureza humana, e é estimulada pela possibilidade de escolha. O impulso também é uma reação natural, porém é mais comum nas pessoas que estão exaustas por dentro e emocionalmente fragilizadas diante de situações que despertam possibilidade de suicídio.

5 - QUEM SE MATA MAIS: MENINOS OU MENINAS? Os meninos normalmente se matam mais, embora elas tentem mais vezes do que os meninos. Essa tendência também acompanha os adultos, por causas culturais relacionadas a costumes e preconceitos sociais.

6 - O SUICÍDIO ESTÁ VINCULADO A ALGUMA DOENÇA MENTAL? O suicídio resulta de uma crise de duração maior ou menor, que varia de pessoa para pessoa. Não está necessariamente ligado a uma doença mental, mas sim a um momento crítico que pode ser superado. As pessoas correm menos risco de se matar quando aceitam ajuda.

7 - PESSOAS QUE AMEAÇAM SE MATAR PODEM DESISTIR DA IDEIA? Sim, podem. Ao receber ajuda preventiva ou oferta de socorro diante de uma crise, elas podem reverter a situação ao colocar para fora seus sentimentos, ideias e valores, alterando, assim, seu estado interior. Essa ajuda pode vir de pessoas comuns, ligadas a organizações voluntárias como o CVV, que se dedicam à prevenção do suicídio – são voluntários que têm um papel importante ao ouvir quem estiver passando por um momento de desespero. O apoio pode vir também de profissionais, contribuição muitas vezes indispensável, especialmente nos casos de descontrole. Essas duas possibilidades de ajuda são reconhecidas no mundo inteiro, pois apresentam bons resultados.

8 - AS PESSOAS QUE TENTAM SUICÍDIO PEDEM SOCORRO? Sim, é frequente pedir ajuda em momentos críticos, quando o suicídio parece uma saída. A vontade de viver aparece sempre, resistindo ao desejo de se autodestruir. De forma inesperada, as pessoas se veem diante de sentimentos opostos, o que faz com que considerem a possibilidade de lutar para continuar vivendo. Encontrar alguém que tenha disponibilidade para ouvir e compreender os sentimentos suicidas fortalece as intenções de viver.

9 - QUEM ESTÁ POR PERTO PODE AJUDAR? COMO? É preciso perder o medo de se aproximar das pessoas e oferecer ajuda. A pessoa que está numa crise suicida se percebe sozinha e isolada. Se um amigo se aproximar e perguntar “tem algo que eu possa fazer para te ajudar?”, a pessoa pode sentir abertura para desabafar. Nessa hora, ter alguém para ouvi-la pode fazer toda a diferença. E qualquer um pode ser esse “ombro amigo”, que ouve sem fazer críticas ou dar conselhos. Quem decide ajudar não deve se preocupar com o que vai falar. O importante é estar preparado para ouvir.

10.- COMO O SUICÍDIO É VISTO PELA SOCIEDADE? O suicídio foi e continua sendo um tabu entre a maioria das pessoas. É um assunto proibido e que agride várias crenças religiosas. O tabu também se sustenta porque muitos veem o suicida como um fracassado. Por outro lado, os homens, por natureza, não se sentem confortáveis para falar da morte, pois isso expõe seus limites e suas fraquezas. Esse tabu piora a situação de muitos. Muitas vezes, mesmo aqueles que seguem religiões que condenam o suicídio não conseguem respeitar suas crenças e acabam dando fim à própria vida.

11 - O MUNDO ATUAL TEM INFLUÊNCIA NO NÚMERO DE SUICÍDIOS? As estatísticas mostram que o suicídio cresce não somente por questões demográficas e populacionais, mas também por problemas sociais que prejudicam o bem-estar de cada um e que estimulam a autodestruição. Nossa sociedade vive com diversas situações de agressão, competição e insensibilidade. Campo fértil para que transtornos emocionais se desenvolvam. O antídoto para combater essa situação limita-se, no momento, ao sentimento humanitário que algumas pessoas têm.

12 - QUAIS AS ESTATÍSTICAS SOBRE SUICÍDIO NO BRASIL? A média brasileira é de 6 a 7 mortes por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial – entre 13 e 14 mortes por 100 mil pessoas. Mas o que preocupa é que, enquanto a média mundial permanece estável, esse número tem crescido no Brasil. E a maior porcentagem de suicídios é registrada entre jovens.

13- O SUICÍDIO PODE SER PREVENIDO? Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV – rede voluntária de prevenção, atua nesse sentido há mais de 50 anos. Recentemente, foi iniciado um movimento de políticas públicas para traçar planos integrados de prevenção.

14- QUEM OFERECE AJUDA PARA PESSOAS COM INTENÇÃO DE SE MATAR? As pessoas que precisam de ajuda podem recorrer ao CVV, grupo de voluntários que oferecem apoio emocional gratuito. E já existem programas de saúde pública que oferecem esse serviço em algumas regiões do país. Há, portanto, uma ampla rede de apoio voluntário por meio de telefonia, internet e atendimento presencial. O CVV atende por telefone, chat, Skype, e-mail e pessoalmente, além de realizar atendimentos especiais em casos de eventos e catástrofes. É um grupo de 2.200 voluntários treinados para ouvir e compreender pessoas que estão abaladas emocionalmente e que correm sério risco de vida.

Alerta aos pais. Jogos perigosos que tem levado jovens ao suicídio. Baleia Azul é o nome atribuído a um conjunto de 50 desafios diários e autodestrutivos. Ganhou repercussão midiática ao fazer vítimas fatais. Em todo o mundo, jovens e adolescentes se envolveram com o sinistro convite ao suicídio (última etapa do “jogo”). Toda a dinâmica de participação envolvia o uso de redes sociais, como o Facebook, onde grupos secretos determinavam as ações e cobravam provas de que os desafios haviam sido cumpridos. Twitter e WhatsApp também foram usados com esse intuito, disseminando a prática macabra e “selecionando” novos participantes. Empregamos o termo “selecionar” porque, para integrar o desafio, era preciso que um curador ou administrador, como se denominavam os instrutores do jogo, escolhesse a quem dirigiria o convite. E, uma vez que o jovem aceitasse o chamado, não poderia voltar atrás, sofrendo ameaças, caso insinuasse desistência. Aparentemente, o Baleia Azul saiu de “moda”. Mas outros jogos, com características similares, similares, continuam sendo notícias. Você já notou como, de tempos em tempos, uma brincadeira viraliza nas redes sociais? Por vezes, elas usam o lúdico como forma de apoio a causas nobres, como ocorreu com o desafio do Balde de Gelo. O desafio da Baleia Azul Baleia Azul foi mais um dos desafios que viralizaram. Hoje sabemos que não se tratava de um jogo inocente e sem consequências. Porém, por falta de informação adequada, quantos pais deixaram de perceber indícios de que seus filhos estavam correndo riscos? Portanto, mantenha-se alerta. Entenda que a convivência não se restringe aos amigos e conhecidos “reais”. Por meio de diversos aplicativos, conversas e vínculos com estranhos podem, e tendem, a ocorrer. Em certos casos, inclusive, as redes virtuais são os principais meios de socialização de adolescentes. Assim como você busca se atualizar sobre o que acontece no mundo, consuma notícias que falem sobre o que se passa na internet. É uma forma de prevenção.  Não pense que tudo é bobagem; e, muito menos, tenha essa postura com seu filho. Mantenha o interesse e o diálogo sobre o conteúdo online. Quanto mais natural e legítima for essa conversa, mais o adolescente irá revelar, pois se sentirá confortável para partilhar suas descobertas. A prevenção do suicídio requer o esforço de todos: família, amigos, colegas de trabalho, membros da comunidade, educadores, líderes religiosos, profissionais de saúde, funcionários políticos e governos e requer estratégias integrativas que englobem o trabalho no nível individual, de sistemas e da comunidade. O comportamento suicida é universal, não conhece fronteiras e por isso afeta a todos. Suas experiências são inestimáveis ​​para basear as medidas de prevenção do suicídio e o fornecimento de suporte para pessoas suicidas e aqueles ao seu redor. O envolvimento de pessoas com experiência nessa temática, em pesquisas, avaliação e intervenção, deve ser central para o trabalho de todas as organizações que abordam o comportamento suicida. As tentativas de suicídio ou sua prática efetiva envolvem sempre uma grande dose de sofrimento, tensão, angústia e desespero. Essas criaturas, por não se sentirem com força e coragem para suportarem tais situações, acabam desistindo de suas jornadas terrenas, acreditando mesmo que, se tirar a própria vida, o sofrimento acabará. Mas será que acaba mesmo? Ledo engano. O sofrimento continua lá no outro lado da vida. E a grande frustração do suicida é saber que não morreu e que ainda ficou com um agravante. O Espírito encarnado que desiste de sua existência terrena, atentando contra a própria vida, cria um ambiente turvo, onde suas lembranças e agonias criam uma atmosfera desagradável. Logo, o suicídio é o maior, o mais trágico e lamentável equívoco que o ser humano pode cometer. Vamos procurar mostrar como se origina esse sofrimento do suicida. Nós sabemos que o espírito está ligado ao corpo físico pelo perispírito, e o Fluido Vital é que mantém essa ligação. O Fluido Vital é uma energia que nós recebemos por ocasião da nossa reencarnação. E quanto de Fluido Vital o Espírito recebe para realizar o seu aperfeiçoamento espiritual? Cada espírito tem um tempo determinado para viver; 5, 20, 40, 70, 80, 90 anos, por exemplo, e, consequentemente, recebe uma carga de Fluido Vital compatível. O suicida, ao sair da vida física antes do tempo determinado, quebra todo o processo estabelecido para a sua jornada terrena, causando problemas sérios no seu perispírito. Até aqui, eu falei de suicídio direto. Agora, vou falar do indireto. Fazendo uma analogia, vou dar um exemplo: a criatura programa uma viagem de férias. Então, ela abastece o carro de acordo com a quilometragem que vai percorrer, certo? Agora, se ela começar a desviar do caminho traçado, gastando mais combustível, não vai conseguir atingir o seu objetivo, e isso acontece com muitas pessoas. Quando a criatura queima o Fluido Vital com outras coisas, ela diminui o seu tempo de permanência aqui na Terra; e, isso é denominado de suicídio indireto. Isto ocorre quando ela é desregrada, quando perde noites de sono, quando faz extravagâncias das mais variadas, ou seja, ela está utilizando o seu Fluido Vital de maneira equivocada. Já, no suicídio direto, a criatura está no mundo espiritual com o tanque cheio do Fluido Vital. Mas, por que o tanque está cheio? Simplesmente porque ela saiu do palco da vida antes do tempo que havia programado. Se existe algo que não faz parte da programação do Espírito, esse algo é o suicídio. Claro que ela usou o seu livre-arbítrio, mas isso não estava previsto. Não é o Fluido Vital que mantém o Espírito ligado à matéria? Ora, se o suicida está com tanto Fluido Vital assim, o que vai acontecer? Ele vai se sentir ligado à matéria. Esse Fluido Vital vai continuar mantendo essa estreita ligação entre o Espírito e a matéria. Mas a matéria não vai entrar em decomposição? Vai! E o Espírito vai sentir isso. Ele vai sentir a decomposição como se fosse nele mesmo. Ele vai sentir os odores fétidos? Vai! Ele agora tem a lei da repercussão. É a lei das consequências. É a lei de causa e efeito, por isso ele experimenta esse sofrimento. Finalizando, a observação mostra que as consequências do suicídio realmente não são sempre as mesmas. Porém, algumas dessas consequências são comuns a todos os casos de morte violenta, isto é, aquela em que acontece a interrupção brusca da vida. De início observa-se a persistência mais prolongada e firme do laço que une o espírito ao corpo. Isto acontece porque este laço está, quase sempre, na plenitude de sua força no momento em que se parte, ao passo que, quando se trata de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e, às vezes, chega até a se desfazer antes de a vida se extinguir totalmente no corpo. As consequências advindas desse estado de coisas são o prolongamento da perturbação do espírito, seguida da ilusão que o faz acreditar, por um tempo mais ou menos longo, que ele ainda faz parte do mundo dos vivos. Informam as pessoas que se suicidaram, através de médiuns espíritas pelos quais se comunicam, que não existem palavras para descrever os sofrimentos (inenarráveis) por que passa um suicida no mundo espiritual, não por castigo divino, mas por frustração, sentimento de culpa, colhendo o que semeou. Sofrem pelo constrangimento em que se encontram por verem verdadeiro tudo aquilo que negava. Outros se sentem como num braseiro, terrivelmente atormentados. Essa expressão como num braseiro, aqui usada, não nos remete à fantasias medievais das chamas do inferno, mas exprime bem o estado de angústia e dores do suicida. Afirmam ainda que a fome, a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por mais angustiosa que seja, sobre a Terra, ainda seria excelente condição comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio. O homem não tem o direito de dispor da própria vida, somente Deus tem este direito. Por isso, o suicídio é uma transgressão da lei natural. Portanto, é importante que saibamos que tirar a própria vida é sempre um ato condenável. Em O Livro dos Espíritos, nas questões 944, 945, 950 e 957, Kardec nos esclarece sobre o suicídio. A Doutrina Espírita é um dos maiores preservativos contra o suicídio. A sua compreensão e estudo têm contribuído para evitar muitas mortes. As provas da imortalidade do Espírito tiram, de vez, a intenção de quem pretende fugir dos problemas por esta via. Os bons Espíritos ensinam que vale a pena viver, por mais difícil que o transe existencial afigure, na certeza de que nenhum de nós se encontra sozinho no palco da vida. Compreender a imortalidade da alma e a reencarnação como leis naturais oferece um novo entendimento da vida, demonstrando que o suicídio não resolve coisa alguma. É nosso dever evitá-lo e dele afastar os incautos, prestes a cair num abismo de dores, recorrendo à prece, ao tratamento espiritual nos Centros Espíritas, ao tratamento médico, ao trabalho em benefício do próximo, onde, doando de nós mesmos aos mais necessitados, afastamos Espíritos obsessores e higienizamos a mente. Somos Espíritos imortais, criados por Deus para a plenitude de nossas expressões e inteligência e emotividade.  Vivemos transitoriamente encarnados em um corpo físico. Ao deixarmos de viver neste mundo, atravessaremos a fronteira, tênue, que nos separa do outro mundo, o espiritual, que é a nossa pátria de origem. As diversas experiências pelas quais passamos fazem parte do nosso aprendizado e das correções de rumo necessárias. Daí, a ideia de um Deus justo e misericordioso, que sempre nos fornece oportunidades para prosseguirmos em novas tentativas de superação dos nossos equívocos; o corpo físico não nos pertence, como um objeto de que podemos dispor a nosso bel-prazer, mas antes é uma concessão temporária de que deveremos prestar contas;  A vida é uma sucessão de desafios que, uma vez enfrentados, nos amadurecem, promovendo-nos a novas etapas de aprendizado; A dor, o sofrimento são elementos naturais que nos alertam e convidam a nos corrigirmos, portanto, podemos abandonar o hábito de culparmos a Deus por nossos infortúnios.  Há grupos espíritas que se dedicam exclusivamente ao trabalho de assistência aos suicidas, seja por meio de reuniões mediúnicas destinadas a atendê-los, seja por meio de preces em seu favor e de todos aqueles que podem ser afetados por este ato. O tratamento de desobsessão, quando essa causa estiver envolvida, é uma terapêutica eficaz e fundamental para afastar os efeitos da ação invisível do Espírito obsessor. Kardec orienta essa prática com detalhe e clareza em O Livro dos Médiuns. Esse singelo trabalho tem a intenção de chamar a atenção daqueles que passam por difíceis provações no plano físico e que porventura pensam ou pensaram em algum momento atentar contra a própria vida. A vida terrena deve ser compreendida como o bem mais valioso conquistado pelo Espírito errante, pois é através dela que temos a oportunidade de adiantamento moral e intelectual. Pensar que acabaremos com nossos problemas, os quais nos parecem sem solução, constitui pura ingenuidade de nossa parte, além de demonstrar falta de fé e confiança no Criador que sempre está junto de nós. Por piores que sejam os nossos problemas, devemos sempre agradecer a Deus a oportunidade que nos é concedida de resgatar os débitos do pretérito. Se a sua vida está difícil, vale a pena acabar com ela? Claro que não! Afinal, quem hoje em dia não sofre ou não tem problemas sérios a resolver? Ora, se tanta gente que carrega uma cruz pesada consegue vencer suas dificuldades, por que você não vai conseguir também? Por isso, nem pensar em desertar da vida pela porta falsa do suicídio. Aliás, o melhor a fazer é parar para pensar. Guardando a certeza de que todos os problemas da vida têm solução. Finalizando o estudo, repito: A morte buscada intencionalmente não é a solução, e nunca será, pois, na verdade, a vida prossegue e continua após a morte. É exatamente por essa razão que o Espírito do suicida se defronta com a dura realidade, isto é, de que continua vivo, levando consigo todos os seus problemas, aumentados pelas lembranças das cenas trágicas da destruição do próprio corpo. Você já imaginou como sofrem a família e os amigos de um suicida? Portanto, reflita. Você que já aguentou muita coisa, por que não vai aguentar mais decepções. Faça uma prece a Deus pedindo ajuda, e siga em frente para a luta. Deus não abandona nenhum de Seus filhos, por mais pecador que ele seja. Falar de suicídio, portanto, pode salvar vidas. E, é isso que desejamos. Nenhum sofrimento é eterno e todo esforço será recompensado, portanto, meditemos nessas reflexões. O suicídio não resolve o problema de ninguém. Portanto, valorize a vida.  OBS: O Ministério da Saúde celebrou uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma organização que oferece apoio emocional, pelo telefone 188, à pessoas com pensamentos suicidas.

Muita Paz!


domingo, 5 de setembro de 2021

 


ENSINO ESPÍRITA - O DEVER

“O dever é o resumo prático de todas as especulações morais. É uma intrepidez, ou seja, uma audácia da alma, que enfrenta as angústias da luta. É austero e dócil, pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, mas permanecendo inflexível diante de suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais que as criaturas, e as criaturas mais que a si mesmo; é a um só tempo, juiz e escravo na sua própria causa.” Nesse estudo, vamos tentar conceituar o dever segundo a Doutrina Espírita. Para ilustrar esse estudo, vamos reproduzir uma estória de autoria não revelada, cuja narrativa se segue: Três filhos se reuniram com o pai, um sábio, para questioná-lo qual seria o caminho mais curto para a plenitude da vida. E o pai, aproveitando aquele momento, disse para eles: - Antes de responder a pergunta, eu vou lhes dar uma incumbência. O rei gosta muito de ser presenteado, e eu tenho aqui três presentes para dar ao nosso soberano. E de tal forma, eu preciso muito da ajuda de vocês. Você, que é o mais velho, mais experiente, vai levar um vaso muito bonito, e de muito valor. Mas tome muito cuidado, porque ele é extremamente frágil, um manuseio em falso pode quebrá-lo, e será um desastre. Sei também que ele gosta muito de corça, e eu criei uma especial para sua majestade. Mas, cuidado, ela é ágil e tem uma energia muito grande, de tal forma que você, meu filho do meio, tome muito cuidado com ela para que não fuja. Como o rei gosta muito de bolo, a sua mãe preparou um bolo delicioso para ele, disse ao filho mais novo. Então, é preciso muito cuidado para que esse bolo não venha a ficar despedaçado. Depois que vocês voltarem, eu darei a resposta da pergunta que me foi feita. Andem! Façam o que eu estou pedindo. Os rapazes saíram em direção ao palácio, levando os presentes para o rei. Começaram a caminhada. Logo o do meio disse ao mais velho para que tomasse muito cuidado com o vaso: - segure-o bem; proteja-o com seu corpo. Aí, o de trás disse para o do meio: - você está preocupado com o vaso do nosso irmão mais velho, mas cuidado com a corça, porque se você não segurá-la muito bem ela vai escapar. O mais velho aproveitou a ocasião para repreender o mais novo: Você fica falando aí, mas cuidado com o bolo. Volta e meia, sempre um lembrava ao outro: - Cuidado com o vaso; cuidado com a corça; cuidado com o bolo. E, assim, foram seguindo. No fato de um se preocupar com a responsabilidade do outro, a corça foge. Foi aquele alvoroço. O irmão mais velho, para ajudar na captura da corça, colocou o vaso no chão para sair correndo. Só, que, o vaso bateu numa pedra e se estilhaçou. O irmão mais jovem, querendo também ajudar, colocou o bolo no chão, e também saiu correndo. Não conseguiram pegar a corça. Quando o irmão mais novo voltou para pegar o bolo, este já havia sido consumido pelas formigas. Foi uma situação muito dramática para aqueles três jovens. Não conseguiram objetivar o intento, e voltaram à casa do pai para relatar o acontecido. O pai aproveitou o ensejo para responder à pergunta dos filhos. Vocês me perguntaram qual o caminho mais curto para a plenitude da vida. E eu vou dizer que é exatamente o que vocês não fizeram, que é o cumprimento do dever. O seu dever era levar o vaso, disse ao mais velho; o seu era levar a corça, disse ao do meio; e o seu era levar o bolo, disse ao mais novo. Mas, no entanto, muito antes de se preocuparem com os seus deveres, vocês se preocuparam com os deveres dos outros, e não cumpriram os seus.

Reflexão:

O dever (o substantivo, não o verbo) constitui-se então, um aliado importantíssimo. Segundo o dicionário, dever é “o conjunto das obrigações de alguém em absoluto ou em determinada situação. Dever de: obrigação ou preceito de. Deveres para com alguém: os serviços ou as provas de respeito e afeição que há obrigação de lhe prestar ou dar.” Na vida moderna, esta palavra, parece-nos pouco usada, talvez por significar obrigação de ou para com, que fere nosso orgulho, nossa vaidade, nossa ânsia de liberdade.  Todavia, em todo lugar onde haja pessoas relacionando-se, partilhando de algo em comum ou, simplesmente próximas, existem deveres de uns para com os outros. É a conscientização desse dever de e para com que consideramos fundamental para quem está iniciando, e a maioria de nós está, sua transformação íntima. Dever é o princípio da ação e estriba-se na razão. Muitas vezes, o dever é usado como sinônimo de obrigação. Enquanto obrigação designaria a necessidade moral que vincula a pessoa a proceder de determinado modo. Dever significaria esse procedimento a que ela está obrigada.  O dever, na sua origem, e segundo os estoicos (aqueles que seguem o estoicismo), pertencia a uma ética fundada na norma do viver segundo a Natureza, isto é, conformar-se à ordem racional do todo.  Os estoicos não se referiam à felicidade, ao prazer ou à conquista de virtudes, simplesmente alimentavam a crença que, havendo uma lei natural, a conduta humana nela seria alicerçada. Isso já era suficiente para pautar o comportamento de cada ser humano. O dever está presente em todos os aspectos de nossa vida de relação. Refletir sobre os nossos deveres e obrigações é muito útil para o nosso aperfeiçoamento moral e intelectual. Sócrates, Platão e Aristóteles, filósofos gregos, deram outro verniz ao dever: embora aceitassem a conformação com a ordem racional do todo, procuraram relacioná-lo com a felicidade e a prática das virtudes.

Dever e o Evangelho Segundo o Espiritismo

O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros. O dever é a lei da vida, é a regra pela qual o homem deve conduzir-se nas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. O dever encontra-se tanto nos mais ínfimos como nos mais elevados detalhes da vida. O dever “De” e o dever “Para com” são conquistas do homem espiritualizado. É o reconhecimento de que somos todos iguais perante a lei de Deus. Estamos todos envolvidos em um mesmo processo de evolução individual e coletiva, e o dever (o substantivo, não o verbo) constitui-se então, um aliado importantíssimo. Há várias formas de dever, descritos por Léon Denis, no livro “Depois da Morte”: O dever para com Deus, na busca do conhecimento de Suas leis e no esforço de sua prática; dever para consigo mesmo, que consiste no respeito a si próprio em governar-se com sabedoria e em querer sempre o que for útil, bom e belo; o dever profissional, que exige o cumprimento consciencioso das obrigações, das funções exercidas; os deveres familiares, que quanto melhor compreendidos e cumpridos, concorrem para que a família seja de fato, um núcleo facilitador do desenvolvimento do amor entre seus membros, irradiando-se para a comunidade. O dever não é idêntico para todos; varia segundo a condição e saber. Quanto mais nos elevamos tanto mais a nossos olhos ele adquire grandeza, majestade, extensão. O dever é a regra pela qual o homem deve conduzir-se nas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever paira acima da Humanidade. O dever inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os grandes entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, inflexível sempre, ergue-se perante nós, apontando a escadaria do progresso, cujos degraus se perdem em alturas incomensuráveis. O culto do dever é sempre agradável ao virtuoso e a submissão às suas leis é fértil em alegrias íntimas, inigualáveis. O dever íntimo do homem está entregue ao seu livre-arbítrio, o aguilhão da consciência. Esse guardião da probidade interior, o adverte e sustenta, mas ele se mostra frequentemente impotente diante dos sofismas da paixão. Mas como precisar esse dever? Onde ele começa? Onde acaba?  “O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo, termina no limite que não gostaríeis de ser ultrapassado em relação a vós mesmos”. Por mais obscura que seja a condição do homem, por mais humilde que pareça a sua sorte, o dever domina-lhe e enobrece a vida, esclarece a razão, fortifica a alma. Ele nos traz essa calma interior, essa serenidade de espírito, mais preciosa que todos os bens da Terra e que podemos experimentar no próprio seio das provações e dos reveses. Não depende de nós desviarmos os acontecimentos, porque o nosso destino deve seguir os seus trâmites rigorosos; mas sempre podemos, mesmo através de tempestades, firmar essa paz de consciência. Esse contentamento íntimo que o cumprimento do dever acarreta. Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforços que seguem a própria rota. É por uma tendência natural, resultante dos progressos adquiridos, que se afastam das coisas vis e orientam os impulsos do ser para o bem. O dever torna-se, então, uma obrigação de todos os momentos, a condição imprescindível da existência, um poder ao qual nos sentimos indissoluvelmente ligados para a vida e para a morte. A prática constante do dever leva-nos ao aperfeiçoamento. Para apressá-lo, convém que estudemos primeiramente a nós mesmos, com atenção, e submetamos os nossos atos a um exame escrupuloso, porque ninguém pode remediar o mal sem antes o conhecer. Você é único na vida. Seus deveres são somente seus, e são Em verdade escolhas do seu espírito no curso educativo que segue para a perfeição. O cumprimento do dever depende das circunstâncias, ou seja, implica em contrariar e ser contrariado. Por isso, ao estarmos livres para escolher esta ou aquela ação, tornamo-nos responsáveis pelo que praticarmos. Em Paris, no ano de 1863, o Benfeitor Espiritual Lázaro ditou uma orientação intitulada ‘O Dever’, que posteriormente foi inserida por Allan Kardec no livro ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’. E ele diz: “O dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros. O dever é a lei da vida: encontramo-lo nos mínimos detalhes, como nos atos mais elevados”. “Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da paixão”. “O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo, e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos” Muitas pessoas se perguntam quais são os deveres que temos com as pessoas. O Evangelho Segundo O Espiritismo nos ensina que o dever é a obrigação moral que temos conosco e com os outros. Por que, algumas vezes, o dever com o próximo é tão difícil de se fazer? O Evangelho nos apresenta uma visão plural sobre o mundo que vivemos. Muitas vezes, ficamos tão atribulados de desafios que não sabemos como prosseguir cumprindo nosso dever consigo mesmo e, em seguida com os outros. Todos nós sofremos e sentimos dores grandes ou pequenas.  Mesmo assim, o Evangelho diz que são exatamente elas que nos elevam a patamares mais altos. Ninguém cresce sem dor e persistência. Dever é o guardião da razão. O dever cumprido é a forma de usar a nossa razão para cumprir nosso dever com as pessoas e criarmos um mundo cada vez mais elevado na escala evolutiva. Façamos o bem visando a coletividade e a nós mesmos. Não é à toa que o capítulo O dever vem logo após a Parábola do Semeador. Nela, Jesus nos conta uma parábola sobre semear em terra boa, o que nos dará bons frutos. Ou seja, as “sementes” descritas pelo mestre Jesus seriam as suas palavras. Isto significa que muitas pessoas recebem os ensinamentos de Cristo em palestras, reuniões de centros espíritas, entre outros locais, e não aplicam na sua própria vida o que foi aprendido. Muitos ainda ficam curiosos pelo bem a princípio, mas indiferentes após passar um período de tempo. Reflitamos que todas as sementes que plantarmos terão frutos, sejam eles bons ou ruins. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Se nós quisermos ser felizes devemos cumprir o nosso dever e o primeiro que devemos cumprir é conosco mesmo. É um dever para com a nossa própria pessoa. Ajamos sempre de acordo com o interesse geral. Esta ação várias vezes repetida, amplia-nos a visão de mundo, colocando-nos no devido lugar para o cumprimento de nossos deveres.

Muita Paz!


domingo, 29 de agosto de 2021

 


ENSINO ESPÍRITA - VIGIAI E ORAI

Você já ouviu a expressão “Vigiai e Orai”? Essa é uma velha conhecida mensagem bíblica. E, embora seja antiga, ainda continua atual. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” Mateus 26.41; também encontrada em Marcos 14:37-38 e Lucas 22:46. Essa frase de Jesus tem subjacente, ou seja, está implícita uma sabedoria extraordinária, já não representa um simples preceito moral ou religioso, mas passa com a doutrina espírita a ser entendido como lei. Sobre esse tema, que nos induz a refletir sobre a precipitação diante das circunstâncias, fomos buscar no livro “Almas em Desfile”, do Espírito Hilário Silva, uma estória intitulada Quinze Minutos. Conta-nos assim o autor espiritual: Aristeu Leite era antigo lidador da Doutrina Espírita; assíduo cliente das sessões; dono de belas palestras; edificava maravilhosamente os ouvintes; mantinha com veemência o culto do Evangelho no lar; visitava, cada fim de semana, vários núcleos beneficentes. Naquela sexta-feira foi para casa, exultante. Vivera um dia pleno de trabalho, coroado à noite pela oração ao pé dos amigos. Entrou. Serviu-se de pequena porção de leite e, logo após, dirigiu-se ao quarto de dormir, onde a esposa e as filhinhas repousavam. Preparou-se para o sono. Sentia, porém, necessidade de meditação e volitou à sala adjacente. Abriu pequeno volume e releu este trecho “O cristão é testado, a cada instante, em sua fé, pelos acontecimentos naturais do caminho. Por isso mesmo, a oração e a vigilância, recomendada pelo Divino Mestre, constituem elementos indispensáveis para que estejamos serenos e valorosos nas menores ações da vida. Em razão disso, confie na Providência Maior, busque a benignidade e seja otimista. A caridade, acima de tudo, é infatigável amor para todos os infelizes. Por ela encontraremos a porta de nossa renovação espiritual. Acalme-se, pois, sejam quais forem as circunstâncias e ajude os seres da Criação, na certeza de que estará ajudando a si mesmo”. Aristeu fechou o livro, confortado, e refletiu: - Estou satisfeito; vivi bem o meu dia; continuarei imperturbável; auxiliarei a todos; estou firme. Louvado seja Deus! Sem dívida, sentia-se mais senhor de si; realizava-se. E, em voo mais alto de superestimação do próprio valor, acreditou-se em elevado grau de ascensão íntima. Nesse estado d'alma, proferiu breve oração e consultou o despertador; uma e quinze da madrugada. Apagou a luz e recolheu-se. Penetrava de leve os domínios do sono, quando acordou sobre-excitado. Alguém pressionava de manso a porta. A esposa despertou trêmula. Aterrada, não conseguia sequer falar. Aristeu, descontrolado, pode apenas balbuciar: Psiu! Psiu! Ladrão em casa. Lembrou-se, num átimo, de antigo revolver carregado, em gaveta de seu exclusivo conhecimento. Deslizou, à feição de gato. E porque o rumor aumentasse, disparou dois tiros contra o suposto intruso. Dispunha-se a continuar, quando voz carinhosa exclamou assustadiça: - Meu filho! Meu filho! Sou eu, seu pai. Desfez-se o tremendo engano. O genitor do chefe da casa viera de residência contigua. Possuindo as chaves domésticas, não vacilara, aflito, em vir rogar ao filho socorro médico para a esposa acamada, com febre alta. Algazarra; vizinhos em cena; meninas em choro de grande grito. Aristeu, envergonhado, abraçava o pai, saído incólume, e explicava aos circunstantes o acontecido. Enquanto revirava pequena farmácia familiar, procurando um calmante, deu uma olhadela no relógio; uma e meia da manhã. Entre os votos solenes e a ação intempestiva que praticara, havia somente o espaço de quinze minutos.

Diante de tal texto, podemos fazer uma reflexão. O objetivo deste estudo é buscar e manter o equilíbrio espiritual. Para tanto devemos fazer uso dos verbos no imperativo, que se traduzem por uma ordem na mudança de nossas atitudes e comportamentos. Vigilância, na sua expressão correta, como nos ensina Jesus com o “vigiai e orai”, não é fiscalizarmos as atitudes alheias, mas objetiva, acima de tudo, nos prevenir acerca de nossas próprias imperfeições e falhas. As nossas fraquezas nos prendem à retaguarda espiritual, induzindo-nos a ações menos edificantes que nos dificultam a marcha evolutiva. Como espíritas, conhecedores do Evangelho à luz da Terceira Revelação, grande é a nossa responsabilidade e, por isso, precisamos estar vigilantes com relação aos nossos próprios atos, palavras e pensamentos, para que externem sempre o que de melhor temos aprendido na doutrina. Vigiar os pensamentos quer dizer mentalizar sempre o bem para todos os que nos cercam e para toda a humanidade, evitando assim colaborar para o acréscimo das ansiedades que envolvem tantas pessoas nos dias atuais. Vigiar ações, afim de que sejamos sempre instrumentos úteis nas mãos da espiritualidade maior, no auxílio aos necessitados. Vigiar será finalmente estarmos atentos para que não venhamos a ser escravos de ilusões e imperfeições, transformando-nos em verdadeiros espíritas que veem na existência terrena uma oportunidade gloriosa de aprender, amar, ajudar e servir sempre, em nome de Jesus, em favor de nossa própria felicidade espiritual.

Pelo desconhecimento de nossos sentimentos, tomamos, algumas vezes, atitudes equivocadas que nos fazem sofrer muito.

Quantas vezes já não nos arrependemos por agirmos sem pensar? Por falar sem querer? E estas situações ainda são as mais brandas. Complicado fica controlar a tempestade de pensamentos que povoam nossa mente, por todo o dia. Está aqui uma lição para todos nós; afinal de contas, nós, muitas vezes, somos levados a proceder como o Aristeu da nossa estória, porque estamos tão confiantes que não apercebemos de que muitas ciladas podem ser interpostas em nosso caminho. Vigiai e orai! Podemos observar que Jesus colocou o verbo VIGIAR antes do verbo ORAR , e tal ênfase indica que somente a oração não basta, pois, também é a vigilância algo muito necessário em nossas vidas. Vigiai e orai! Podemos dizer com muita certeza que esses dois imperativos nos convoca permanentemente a demorada reflexão. O alerta do Cristo há milênios ainda hoje ecoa de maneira atualíssima em nossa caminhada. Realmente, necessitamos vigiar e, então, depois, orar. Precisamos estar atentos a essas situações que nos desequilibram, e que nos levam, muitas vezes, a ter atitudes que irão nos comprometer em várias existências, por muitas encarnações. Vigiai e orai, para não cairdes em tentação! Para que melhor possamos compreender o profundo alcance trazido pelo meigo Rabi da Galileia, vamos analisar essa expressão por partes.

Por que devemos vigiar? Vigiar é praticar a auto-observação de instante em instante, prestar a atenção nos pensamentos, sentimentos e atitudes. Existem dois tipos de vicissitude; a de ordem material e a de ordem espiritual.

Com relação à matéria, devemos procurar identificar as nossas tendências no sentido de eliminarmos o que há em nós de instintos inferiores que acalentamos em nosso íntimo (orgulho, egoísmo, ira, mágoa, culpa, vingança, etc.). Pois devemos ter presente que somos espíritos em evolução, portadores de defeitos e virtudes que revelam a nossa essência. A vigilância faz-se necessária, pois o quotidiano apresenta-nos constantemente situações que nos sugestionam e condicionam. Não devemos esquecer que pelo ato de pensar permutamos ideias, influenciamos e somos influenciados por mentes afins, que tanto podem ser encarnados como desencarnados, que nos sugestionam a fim de que lhes possamos satisfazer às suas vontades. Kardec ao desenvolver a explicação da oração dominical, no capítulo XXVIII do Evangelho Segundo o Espiritismo esclarece: “A causa do mal está em nós mesmos, e os maus espíritos apenas se aproveitam de nossas tendências viciosas, nas quais nos entretém, para nos tentarem. Cada imperfeição é uma porta aberta às suas influências, enquanto eles são impotentes e renunciam a qualquer tentativa contra os seres perfeitos. Tudo o que possamos fazer para afastá-los será inútil, se não lhes opusermos uma vontade inquebrantável na prática do bem, com absoluta renúncia ao mal. É, pois, contra nós mesmos que devemos dirigir os nossos esforço, e então os maus espíritos se afastarão naturalmente, porque o mal é o que os atrai, enquanto o bem os repele”.

Como podemos verificar, as tendências inferiores que fazem parte do nosso patrimônio evolutivo, manifestam-se naturalmente, daí a nossa necessidade da vigilância permanente das nossas tendências. Da mesma forma como nosso grupo de amigos encarnados é formado por afinidades, nossos companheiros espirituais também o são. Por isto, a importância do Vigiar. Se a influência dos espíritos sobre nós é tão grande como descrita em O Livro dos Espíritos, é melhor que estejamos cercados por aqueles capazes de nos das bons conselhos e instruções.

Por que devemos orar?

Depois de feita a observação daquelas  tendências inferiores em nós, que nos trazem sofrimentos, façamos a segunda prática. No momento em que percebemos a atuação dos “defeitos”, devemos orar para que seja retirado de nossa personalidade a imperfeição observada. A oração é um ato através do qual nos colocamos em sintonia permutando energias com as esferas superiores da vida, com entidades do bem, sublimando sentimentos. Essa permuta de energias aproxima os benfeitores espirituais que nos aconselham e ajudam a superar as nossas fraquezas e, como sabemos, onde há espíritos do bem os espíritos maliciosos se afastam, não podendo atuar sobre nós, uma vez que não lhes estamos dando campo de sintonia para a sua influenciação. Conforme nos explica Kardec, no capítulo XXVII do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 7, o que Deus nos concederá sempre, se pedirmos com fé é: A coragem, a paciência e a resignação. Também nos concederá os meios de nos livrarmos, por nós mesmos, das dificuldades, mediante ideias que nos serão sugeridas pelos bons Espíritos, de maneira que nos restará o mérito da ação. Deus assiste aos que ajudam a si mesmo segundo a máxima: “Ajuda-te e o céu te ajudará”, e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades. Como verificamos, somos regidos por leis de sintonia; permutamos energias com os encarnados e desencarnados. De acordo com os nossos sentimentos e com as nossas aspirações teremos ao nosso redor entidades que nutrem os mesmos valores. A cada momento da vida vamos nos deparar com situações que ensinam, que testam, que colocam à prova nossa constância de propósitos e a nossa fé. Jesus, orientando os Seus seguidores, conhecedor profundo da natureza de cada um, recomendava vigilância e oração como elementos indispensáveis na batalha entre o homem velho e o homem novo. Recomendava fé, confiança na Providência divina, otimismo na caminhada, como postura essencial para aqueles que O seguiam, passes obrigatórios no pedágio da estrada de iluminação espiritual. Recomendava calma diante das circunstâncias; discernimento das situações vividas, uma vez que toda precipitação é danosa, e escurece as opções do caminho. Que Jesus nos auxilie a vigiar e a orar, para que possamos corrigir o nosso comportamento danoso, em virtude da nossa visão estreita, ao nosso semelhante, e para que possamos, cada vez mais, crescermos espiritualmente, cumprindo com nossos compromissos assumidos de forma voluntária.

Muita Paz!


domingo, 22 de agosto de 2021

 


CÓLERA, SENTIMENTO DESTRUTIVO.

Todas as virtudes e todos os vícios são próprios da natureza do Espírito. Daí a necessidade de se educar. Do contrário, onde estaria o mérito e a responsabilidade por nosso aperfeiçoamento moral? O homem só pode modificar o que é do Espírito, quando tem uma vontade firme. A experiência não vem provando isso, até onde vai o poder da vontade pela transformação verdadeira? Convença-se portanto de que o homem só permanece violento e colérico porque assim o quer; mas aquele que quer se corrigir sempre tem a oportunidade e o apoio de Deus através de seus Enviados Celestes. De outra forma, a lei do progresso não existiria para o homem. Para ilustrar este estudo nós fomos buscar no livro Alvorada Cristã, o conto “O Grito de cólera”, ditado pelo Espírito Neio Lúcio. Conta-nos assim o autor espiritual: Lembra-se do instante em que gritou fortemente, antes do almoço? Por insignificante questão de vestuário, você pronunciou palavras feias em voz alta, desrespeitando a paz doméstica. Ah! Meu filho, quantos males foram atraídos por seu gesto de cólera! A mamãe, muito aflita, correu para o interior, arrastando atenções de toda a casa. Voltou-lhe a dor de cabeça e o coração tornou a descompassar-se. As duas irmãs, que cuidavam da refeição, dirigiram-se precipitadamente para o quarto, a fim de socorrê-la, e duas terças partes do almoço ficaram inutilizadas. Em razão das circunstâncias provocadas por sua irreflexão, o papai, muito contrariado, foi compelido a esperar mais tempo em casa, chegando ao serviço com grande atraso. Seu chefe não estava disposto a tolerar-lhe a falta e recebeu-o com repreensão áspera. Quem o visse, ereto e digno, a sofrer essa pena, em virtude da sua leviandade, sentiria compaixão, porque você não passa de um jovem necessitado de disciplina, e ele é um homem de bem, idoso e correto, que já venceu muitas tempestades para amparar a família e defendê-la. Humilhado, suportou as consequências de seu gesto impulsivo, por vários dias, observado na oficina qual se fora um menino vadio e imprudente. Os resultados de sua gritaria foram, porém, mais vastos. A mãezinha piorou e o médico foi chamado. Medicamentos de alto preço, trazidos à pressa, impuseram vertiginosa subida às despesas, e o papai não conseguiu pagar todas as contas de armazém, farmácia e aluguel de casa. Durante seis meses, toda a sua família lutou e solidarizou-se para recompor a harmonia quebrada, desastradamente, por sua ira infantil. Cento e oitenta dias de preocupações e trabalhos árduos, sacrifícios e lágrimas! Tudo porque você, incapaz de compreender a cooperação alheia, se pôs a berrar, inconscientemente, recusando a roupa que lhe não agradava. Pense na lição, meu filho, e não repita a experiência. Todos estamos unidos, reciprocamente, através de laços que procedem dos desígnios divinos. Ninguém se reúne ao acaso. Forças superiores impelem-nos uns para os outros, de modo a aprendermos a ciência da felicidade, no amor e no respeito mútuos. O golpe do machado derruba a árvore de vez. A ventania destrói um ninho de momento para outro. A ação impensada de um homem, todavia, é muito pior. O grito de cólera é um raio mortífero, que penetra o círculo de pessoas em que foi pronunciado e aí se demora, indefinidamente, provocando moléstias, dificuldades e desgostos. Por que não aprendemos a falar e a calar, a benefício de todos? Ajude em vez de reclamar. A cólera é força infernal que nos distancia da paz divina. A própria guerra, que extermina milhões de criaturas, não é senão a ira venenosa de alguns homens que se alastra, por muito tempo, ameaçando o mundo inteiro.

REFLEXÃO:

No Sermão da Montanha, Jesus dá uma receita de vida para todos aqueles que buscam a evolução espiritual. Nele, o Cristo nos fala que Bem-aventurados são os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. A harmonia com o Universo é a missão de todo homem, e ela está inserida na lei do amor e da caridade. Harmonia com o Universo requer humildade, que eleva e auxilia o aprendizado, e aquisição da sabedoria divina. Mas só há harmonia quando existe paz, não só no mundo exterior que nos envolve mas, sobretudo, no mundo interior de cada um de nós. A ira, a cólera, a exaltação, são agentes perturbadores da harmonia universal e os causadores das dores do homem, e são filhas diletas do egoísmo, que ainda habita o coração do ser. A cólera atua como estilete lançado, que prende agressor e agredido através de um fio muito tênue, mas extremamente resistente, feito de ressentimento, de desamor e, até, de ódio. Agressor e agredido passam a vibrar no mesmo diapasão de desarmonia, tornando-se sujeitos a toda sorte de desequilíbrios físicos e psíquicos. Este fio é um laço que contém energias vibratórias desarmonizadas e que acarreta dor e sofrimento para aqueles que gravitam em torno delas. A ira desestabiliza o organismo perispiritual envenenando o ser com fluidos nocivos à sua saúde física e mental; a ira contraria frontalmente a humildade e a caridade, ferindo, portanto, a lei de Deus. E se a inveja é o único pecado que todo mundo esconde a sete chaves, a ira, ao contrário, fica à mostra. A raiva fica exposta nas expressões faciais. Antes mesmo de Sêneca, Aristóteles já dizia que a ira começava com uma irritação. Só o amor é capaz de quebrar os elos vibratórios desarmonizados gerados pela intempestividade dos estados coléricos. A desarmonia não pode ser causada apenas pela palavra mal pronunciada ou pela energia oral exacerbada, mas também, mas também pela palavra escrita, que igualmente fere, magoa, perturba e desequilibra. Quando irados, falamos ou escrevemos o que não desejamos; o que pensamos e o que não pensamos, nos tornando julgadores, rotuladores e agressores, apenas para atender aos imperativos do orgulho ferido ou da ilusão da maior valia. A hierarquia espiritual não se baseia em convencionalismos, como na Terra. Ela é baseada em valores morais adquiridos e incorporados em cada ser. A ascendência moral é irresistível, sendo identificada com facilidade pela luz que cada um consegue irradiar, em função da capacidade de amor e de desprendimento que possui. O poder terrestre, portanto, não tem significado no mundo espiritual, onde não existe títulos ou honrarias, apenas graus de evolução diferenciados. No plano espiritual, humildade é luz, é amor, é autoridade, é energia criadora e, por isto, Jesus, nosso mestre maior, nos lembrou: Que se quisermos ser o maior entre todos, que sejamos aquele que mais serve. O orgulho exacerbado e a ilusão do poder cegam os homens para a sua verdadeira posição, levando-os a sofrimentos imensos no plano espiritual, onde defrontam-se por sua realidade e percebem-se diante da hierarquia do amor. Na espiritualidade, os espíritos desencarnados agrupam-se segundo a lei da afinidade, conforme o grau de elevação que tenham atingido. Quando encarnado, entretanto, presos ao pesado fardo da matéria, todos os espíritos aparentam ser iguais, sendo obrigados a conviver uns com os outros, independente do grau de evolução que já tenham atingido. Pela lei de amor, cabe àqueles que já possuem luz em seus espíritos, dividi-la com os seus semelhantes, ajudando-os a aprender suas lições e a galgar estágios renovados de compreensão e percepção, que os permita evoluir em espiritualidade, isto é, em humildade e em amor. Vigilância e oração são os caminhos para superação dessa fraqueza que ainda habita em nós. Vigilância para perceber a presença da visitadora inconveniente, a cólera, que prepara seu bote para nos dominar; oração para nos ligar com as forças sublimes, que nos ajudam a harmonizar o universo à nossa volta. Virtude não é uma voz que se levanta ou que se exalta, cobrando atendimento e obediência; mas uma luz que se estabelece e se irradia pelo poder do exemplo da resignação e da obediência, confiante nos designíos de Deus. Aquele que se exalta será rebaixado, e aquele que se humilha será elevado, disse o Cristo. Essa é a consequência da aplicação da lei do amor e da caridade.

Muita Paz!


domingo, 15 de agosto de 2021

 



LEI DE CAUSA E EFEITO

Com base no conto “O Merecimento”, do livro A Vida Conta, pelo Espírito Hilário Silva. (Momento de Paz Maria da Luz).

É a estória de alguém que adotou a Lei de Talião para resgate das suas faltas.

Conta-nos assim o autor:

Saturnino Pereira era francamente dos melhores homens. Amoroso mordomo familiar. Companheiro dos humildes. A caridade em pessoa. Onde houvesse dor a consolar, aí estava de plantão. Não só isso. No trabalho, era o amigo fiel do horário e do otimismo. Nas maiores dificuldades, era um sorriso generoso, parecendo raio de sol dissipando as sombras.

Por isso mesmo, quando foi visto de mão a sangrar, junto à máquina de que era condutor, todas as atenções se voltaram para ele, entre pasmos e a amargura. Saturnino ferido! Logo Saturnino, o amigo de todos. Suas colegas de fábrica rasgaram peças de roupa, a fim de estancar o sangue a correr em bica, O chefe da tecelagem, solícito, conduziu-o ao automóvel, internando-o de pronto em magnífico hospital. Operação feliz. O cirurgião informou, sorrindo: - Felizmente, nosso amigo perderá simplesmente o polegar. Todo o braço direito está ferido, traumatizado, mas será reconstituído em tempo breve. Longe desse quadro, porém, o caso merecia apontamentos diversos: - Por que um desastre desses com um homem tão bom? Murmurava uma companheira.

- Tenho visto tantas mãos criminosas saírem ilesas, até mesmo de aviões projetados ao solo, e justamente Saturnino, que nos ajuda a todos, vem de ser vítima! Comentava um amigo. – Devemos ajudar Saturnino. – Cotizemo-nos todos para ajudá-lo. Não faltou quem dissesse: - Que adianta a religião, tão bem observada? Saturnino é espírita convicto e leva a sério o seu ideal. Vive para ou outros. Na caridade é um herói anônimo. Por que o infausto acontecimento? Expressava-se um colega materialista. E à tarde, quando o acidentado apareceu muito pálido, com o braço direito em tipoia, carinho e respeito rodearam-no por todos os lados. Saturnino agradeceu a generosidade de que fora objeto.

Sorriu, resignado. Proferiu palavras de agradecimento a Deus. Contudo, estava triste. À noite, em companhia da esposa, compareceu à reunião habitual do templo espírita que frequentava. Sessão íntima. Apenas dez pessoas habituadas ao trato com os sofredores. Consagrado ao serviço da prece, o operário, em sua cadeira humilde, esperava o encerramento, quando Macário, o orientador espiritual das tarefas, após traçar diretrizes, dirigiu-se a ele, bondoso: - Saturnino, meu filho, não se creia desamparado, nem entregue a tristeza inútil. O Pai não deseja o sofrimento dos filhos. Todas as dores decretadas pela Justiça Divina são aliviadas pela Divina Misericórdia, toda vez que nos apresentamos em condições para o desagravo.

Você hoje demonstra indiscutível abatimento. Entretanto não tem motivo. Quando você se preparava ao mergulho no berço terrestre, programou a excursão presente. Excursão de trabalho, de reajuste. Acontece, porém, que formulou uma sentença contra você mesmo. Há oitenta anos, era você poderoso sitiante no litoral brasileiro e, certo dia, porque pobre empregado enfermo não lhe pudesse obedecer às determinações, você, com as próprias mãos, obrigou-o a triturar o braço direito no engenho rústico. Por muito tempo, no Plano Espiritual, você andou perturbado, contemplando mentalmente o caldo de cana enrubescido pelo sangue da vítima, cujos gritos lhe ecoavam no coração.

Por muito tempo, por muito tempo. E continuou: - E você implorou existência humilde em que viesse a perder no trabalho o braço mais útil. Mas, você, Saturnino, desde a primeira mocidade, ao conhecer a Doutrina Espírita, tem os pés no caminho do bem aos outros. Você tem trabalhado, esmerando-se no dever. Não estamos aqui para elogiar, porque você continua lutando, lutando, e o plantio disso ou daquilo só pode ser avaliado em definitivo por ocasião da colheita. Sei, porém, que hoje, por débito legítimo, alijaria você todo o braço, mas perdeu só um dedo. Regozije-se, meu amigo! Você está pagando, em amor, seu empenho à justiça. De cabeça baixa, Saturnino derramava grossas lágrimas.

Lágrimas de conforto, de apaziguamento e alegria. Na manhã seguinte, mostrando no rosto amorável sorriso, compareceu, pontual, ao serviço. E porque o fiscal do relógio lhe estranhasse o procedimento, quando o médico o licenciara por trinta dias, respondeu simplesmente: - O senhor está enganado. Não estou doente. Fui apenas acidentado e posso servir para alguma coisa. E caminhando, fábrica a dentro, falou alto, como se todos devesse ouvi-lo: - Graças a Deus.

REFLEXÃO:

Hoje em dia, ainda ouvimos algum espírita falar em “débito kármico”, quando alguém passa por determinado sofrimento. E o que é o Karma? Esta expressão não consta da Codificação.

Ela pertence ao hinduísmo e ao budismo. Essa palavra define as consequências de nossas ações, boas ou más, que geram reações que nos atingem na mesma intensidade, nesta encarnação ou nas próximas. A palavra Karma tem um sentido passivo. A pessoa deve sujeitar-se aos males que lhe são impostos, sem reagir, para fazer jus a algo melhor no futuro. A partir daí, temos situações lamentáveis, como o sistema de castas que vige na Índia, a consagrar a discriminação, principalmente dos párias, a casta inferior. Essa lei do Karma é muito mais uma lei de reação do que de ação.

O objetivo deste estudo é mostrar que o acaso não existe. E o futuro promissor depende das boas ações praticadas no presente.

Em nossas vidas há, entre outras, certa lei funcionando constantemente: a “Lei de Causa e Efeito”. Ela é muito semelhante à Lei da Física descoberta por Isaac Newton, que diz que toda ação causa uma reação e que a ação e a reação são iguais e opostas. E qual é a relação entre essas duas leis? Tais leis têm um princípio semelhante; entretanto, são leis diferentes. A semelhança entre elas baseia-se no fundamento de que, para cada ação, existirá uma reação; e, para cada causa, tem-se um efeito. Esse fundamento é algo lógico, para tudo na vida; entretanto, as maneiras como a “Lei de Causa e Efeito” e a Lei de Ação e Reação se processam são completamente diferentes.

A “Lei de Causa e Efeito” não foi descoberta, mas revelada para todos nós, de forma verossímil, através da Doutrina Espírita, no século XIX. Allan Kardec adotou o princípio de causa e efeito e não de ação e reação para estudar e explicar as razões da dor e das aflições. Conhecia, sem sombra de dúvida, a Terceira Lei de Newton, mas não a usou na apreciação das coisas espirituais. Através desta lei (causa e efeito), Deus nos torna responsáveis por todos os atos livremente cometidos. Na prática, tudo o que fazemos retorna a nós mesmos, e retorna de maneira automática. O alcance desta lei é muito maior. Ela não se limita às ações praticadas na encarnação presente. A “Lei de Causa e Efeito” liga fatos separados por séculos, por milênios, entre as inúmera reencarnações do Espírito, de acordo com o mais perfeito princípio de justiça.

Certa circunstância que cria um sofrimento em nossa vida presente, cuja causa não identificamos nela mesma, pode ter sido gerada no passado remoto. Os sofrimentos por causas anteriores são, frequentemente, como os das faltas atuais, a consequência natural da falta cometida; quer dizer, por uma justiça distributiva rigorosa, o homem suporta o que fez os outros suportarem; se foi duro e desumano, ele poderá ser, a seu turno, tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em uma condição humilhante; se foi avaro, egoísta, ou se fez mau uso de suas riquezas, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de seus filhos, etc.

Devemos estar compenetrados do seguinte: perante a Lei de Deus, somos sempre responsáveis; pelo mal que fizemos; pelo bem que deixamos de fazer, quando podíamos; pelas consequências de termos deixado de fazer esse bem. Isto quer dizer que, tudo de bom ou ruim que nós fizermos hoje, algo de força equivalente amanhã irá nos beneficiar ou prejudicar, seja nesta ou em outra vida. “A cada um será dado de acordo com suas obras”. Não existe escapatória ou subterfúgios perante às Leis de Deus. Existe, sim, ainda que se trate de uma medida disciplinar, envolvendo comprometimentos do passado, uma possível amenização da falta. Através da conscientização, da prática do bem e da caridade, um espírito pode diminuir sua dívida.

O conhecimento da “Lei de Causa e Efeito” é bastante importante para que possamos compreender o amor de Deus. Este termo “Lei de Causa e Efeito”, nós não vamos encontrá-lo assim destacado na obra da Codificação, mas podemos entender que se trata de uma lei que surge em cima de vários capítulos unidos em uma única colocação. Essa lei é bem discutida nos livros: O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno.  Em verdade, o entendimento claro e racional dessa lei tem o potencial de fazer com que nós ajamos em concordância com o amor. Em outras palavras, a compreensão dessa lei pode nos ajudar a tomarmos decisões sábias em nossas existências, e, consequentemente, a evoluirmos de forma mais eficiente.

Esta “Lei de Causa e Efeito” tem por objetivo o bem da criatura. Ela não tem, como muitos pensam, um caráter punitivo, mas sim uma ação educadora, no sentido de fazer o ser reconhecer o seu erro, e indicar-lhe o caminho mais curto do acerto. Quando o apóstolo Pedro diz em sua epístola “O amor cobre a multidão de pecados”, quer nos ensinar que não é preciso sofrer para resgatarmos uma “dívida”, mas através do amor, podemos atingir o mesmo alvo de uma forma mais ampla e sem dor. Isto porque, como já disse, o objetivo da lei não é punir. Se pela exemplificação dos ensinamentos cristãos o ser se redime, então não é preciso sofrer. A ação da lei, do ponto de vista espiritual, não tem uma forma absoluta de se manifestar.

Pode o homem pelo seu livre-arbítrio acrescentar novas forças no sentido de abrandá-la ou de agravá-la. Assim é a “Lei de Causa e Efeito”: justa e sábia como o próprio Criador.

Sócrates, um dos filósofos mais conhecidos da Humanidade, ao dizer:  “A justiça conduz aos nossos lábios a taça que nós mesmos envenenamos”, sintetizou o que hoje entendemos como causa e efeito. Aqui ele se referiu apenas aos atos infelizes do ser humano, mas nós podemos acrescentar que a justiça também nos devolve em forma de bênçãos todas as boas ações que praticamos.

Deus está na consciência de todos, permitindo discernir entre o bem e o mal. Somente o bem agrega valor na evolução do homem, porque representa a conformidade com a Lei de Deus e seu cumprimento na sua forma mais pura. Todo desvio do caminho que foi previamente apontado, gera aquela relação de causa e efeito, a necessidade de refazimento. A dor serve como indicador para reajuste do rumo que cada um escolheu, e o amor serve como terapia e bálsamo para todas as dores. Esta é lei. Os desajustes morais, provenientes do descuido no cumprimento da lei, trazem sofrimentos muito mais intensos e muito mais difíceis de serem superados, do que as dores físicas, porque se estabelecem na essência do ser, em seu espírito imortal.

Quando atingimos certo grau de esclarecimento, e já podemos, conscientemente, separar o bem do mal, Deus nos concede a misericórdia de escolher nossas provas, a fim de satisfazer nossas necessidades de aprendizado, e de permitir resgatar pela vivência, as dores que fomos capazes de causar no passado. O espírito livre, entre o espaço de duas encarnações, afastado da influência da matéria, é capaz de vislumbrar melhor a natureza de seus atos. Como somos juízes de nós mesmos, escolhemos nessas oportunidades as provas que desejamos ser submetidos. Nessas ocasiões costumamos adotar a Lei de Talião, a do olho por olho, dente por dente, como forma de resgate das faltas do pretérito.

A dor, proveniente da “Lei de Causa e Efeito”, é o instrumento de reparação das faltas. Mas a misericórdia do Pai é maior do que podemos imaginar e se distribui em função do merecimento que tenhamos obtido, como fruto de um trabalho no amor e na caridade. O que importa a Deus é a certeza da superação das fraquezas e das paixões interiores que ainda habitam o ser humano. Deus não nos criou para a dor, mas para o  amor, e sempre provê misericórdia de acréscimo para aquele que sofre. É como se abríssemos uma conta corrente no céu; para cada falta um débito correspondente à gravidade; a cada ação meritória um crédito proporcional ao seu efeito, mesmo que tenhamos escolhido vivenciar provas e sofrer expiações e dificuldades.

Deus reavalia e atualiza a cada instante a nossa conta corrente e permite amenizar ou agravar as nossas vicissitudes, em função daquilo que se faz necessário para o nosso aprendizado. Saturnino era um homem de bem e, apesar da dor moral que carregava em sua consciência, vivia exemplificando tolerância, amor e caridade. Dava demonstrações claras de ter superado suas tendências egocêntricas e orgulhosas de outros tempos. Assim, apesar de ter escolhido perder o braço como reparação de suas faltas, Deus quitou seu débito com consequência bem mais amena, demonstrando com  Sua misericórdia o reconhecimento do mérito adquirido por aquele homem.

Aos olhos de Deus, todas as coisas estão certas, e só o amor é capaz de cobrir a multidão dos nossos pecados.

Muita Paz!