INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
Pense nisso!

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domingo, 28 de novembro de 2021

 


Dois Caminhos

Ensino espírita

(Com base em texto extraído da Revista Espírita Allan Kardec, nº 39)

Clássica é a pergunta que Alice (em "Alice no País das Maravilhas") fez quando se viu diante de uma bifurcação: "Para onde vai este caminho, e para onde vai o outro caminho?". Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? Isso depende muito de para onde queres ir, respondeu o gato. Preocupa-me pouco aonde ir, disse Alice. Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas, replicou o gato. A vida é cheia de escolhas e decisões que nos levam por diferentes caminhos. Em toda a nossa existência, vamos andar por trilhas variadas, mudar a direção, fazer curvas, ir, voltar e não tem nada de errado nisso. Somos seres mutáveis e estamos o tempo todo tentando nos descobrir e nos conhecer. Quantas vezes em nossa vida nos deparamos com decisões sobre qual caminho seguir? E quantas vezes você acha que terá que enfrentar a mesma indecisão no próximo ano? Não importa de qual tempo estamos falando, as escolhas sempre farão parte das nossas vidas, desde as mais simples de decidir até aquelas que nos tiram horas preciosas de sono. O que é necessário é o discernimento de dar o melhor de si para seguir por um caminho de forma consciente. As bifurcações estão em nossas vidas o tempo todo. Assim que você acorda, mesmo que de forma inconsciente, provavelmente enfrentará diversas delas: ir tomar banho ou tomar café? Colocar uma calça ou um vestido? Usar o cabelo preso ou solto? Ir trabalhar de transporte público ou pegar o carro? São decisões mundanas e corriqueiras, mas não deixam de ser escolhas de qual caminho seguir! No entanto, as escolhas são mais brandas e não demandam tanta energia. Já em alguns casos maiores, as bifurcações podem parecer intimidadoras e extremamente difíceis. Na realidade, como já foi destacado, na nossa vida, dois são os caminhos que se apresentam para nossa escolha; o caminho da evolução e o caminho da degradação. O caminho da evolução, que é percorrido após a passagem pela porta estreita, é apertado, difícil, e são poucos os que conseguem segui-lo; é grande o número dos que não querem trilha-lo; mas, também, o único que pode salvar a todos que se arrependem. Já o caminho percorrido após a passagem pela porta larga, a da degradação, e, consequentemente leva à perdição, é mais fácil, mais espaçoso, sem regras, sem limitações, faculta os prazeres materiais, sem obediência às leis divinas; ou seja, tudo aquilo que Jesus rejeitou. Nele você encontrará mais amigos; porém, você será apenas mais um a caminhar. Agora, o caminho da evolução, que é o caminho do progresso, nós vemos com os olhos da alma e, por ser mais apertado, exige conhecimento, atenção, critério, raciocínio, para a devida aquisição da felicidade futura. Esse caminho passa pela renúncia e exige arrependimento. A consoladora Doutrina dos Espíritos elucida sobre a existência de duas possíveis condutas, permitindo-nos lentamente edificar os sentimentos nobres que a Divindade deseja que adquiramos: a primeira se dá pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida em si mesma; a segunda, através do estudo. E consta dos Evangelhos que existem duas portas que dão acesso aos caminhos pelos quais os homens podem enveredar, no decurso da vida terrena. É fácil saber se uma pedra foi retirada de um rio ou se foi quebrada em uma pedreira. As pedras de pedreira apresentam muitas quinas, são ásperas e irregulares, agressivas ao tato. As pedras de rio são lisas e roliças, já sofreram um polimento natural. Ao longo do tempo, a correnteza das águas vai se encarregando de atirá-las umas contra as outras, para arredondar-lhes as arestas. Na medida em que vão se tornando polidas, vai sendo reduzido o atrito entre elas, já não se ferem, deslizam harmoniosamente umas entre as outras, como esferas lubrificadas de um rolimã. O processo evolutivo espiritual das criaturas humanas pode ser comparado ao do burilamento das pedras de rio. O Espírito é criado puro e ignorante. Puro, porque não traz qualquer tendência para o mal. Ignorante, porque não adquiriu ainda qualquer conhecimento. Ao longo das reencarnações sucessivas, a correnteza da vida também nos atira uns contra outros; somos levados a conviver entre semelhantes. Em nossa infância espiritual, ainda como pedras brutas, essa convivência é marcada pelo atrito entre nossas arestas. A rusticidade do homem das cavernas nos mostra o que foram nossas primeiras encarnações; o instinto animal predominando sobre a razão e o sentimento, a matéria sobre o Espírito, o estado de guerra como condição permanente. Passaram-se séculos e milênios, abandonamos as cavernas, participamos da construção, do apogeu e da queda de diferentes impérios, vivenciamos diversas culturas. Com as conquistas da ciência, domesticamos a natureza, transformamos a paisagem ao nosso redor, descobrimos como tornar a existência mais confortável. Observando, no entanto, nosso mundo interior, nos deparamos com a presença incômoda e persistente de imperfeições atávicas, paleolíticas. A História nos revela que, mesmo após deixar as cavernas, o homem conservou traços do troglodita em sua intimidade espiritual. Pois foi nossa ignorância rústica que, diante da vacilação de Pilatos, exigiu o martírio do doce Jesus. Foram nosso orgulho e nosso egoísmo que produziram as guerras, os massacres das Cruzadas, as fogueiras da Inquisição e os horrores da Escravatura. Ingênuos os que supõem que não estavam lá. Assim, ao longo desses séculos, avançamos muito mais no progresso material, exterior, do que a jornada ética, íntima, do Espírito. “A evolução espiritual é contínua, não regride nunca, mas pode ser retardada em seu processamento se não aproveitar bem a oportunidade que Deus concede ao Espírito reencarnante”. Viver em sociedade é aspecto essencial desta oportunidade. Frequentemente nos sentimos inconformados por termos de conviver com pessoas que nos aborrecem, nos irritam, nos são antipáticas, mas essa convivência é um dos processos naturais do nosso burilamento. Tais pessoas são indispensáveis: elas nos incomodam exatamente em nossos pontos mais fracos, mais sensíveis, e nos apontam, portanto, quais sãos esses pontos, quais são nossas piores arestas: os que precisam de ajuda incomodam ao nosso egoísmo, os que julgamos melhores que nós nos ferem a vaidade e o orgulho, e assim por diante. Cada conflito é um alerta e um roçar polidor de arestas. Quanto mais ásperos somos, mais dolorosos são os atritos, pois a dor é consequência de nossos atos de desamor para com o próximo, nesta ou em outras existências. Diferentemente das pedras, entretanto, a criatura humana, sendo dotada de inteligência, consciência e livre-arbítrio, pode escolher caminho evolutivo menos doloroso. Jesus nos aponta o rumo: amarmo-nos uns aos outros. Nenhum de nós foi criado para sofrer e o amor pode livrar-nos da dor, pois, “ele nos cobre a multidão dos pecados”. A evolução é lei universal e irrevogável, mas dois caminhos nos são oferecidos para percorrê-la: dor ou amor. A prática do amor proporciona polimento indolor em nossas almas, suaviza-nos as arestas, desenvolve-nos o altruísmo, harmoniza nossa convivência com os semelhantes. A decisão é sempre nossa.

Reflexão:

O objetivo deste estudo é levar as pessoas a uma reflexão sobre a atual situação de inversão de valores que existe na sociedade. Sendo nós criaturas em fase de aperfeiçoamento, oscilamos entre a escolha por uma e outra “porta”, às vezes conseguindo vencer nossos maus pendores, outras vezes cedendo às nossas imperfeições. Nosso trabalho de reforma íntima visa a escolher, em definitivo, a “porta” do Bem. Deus, em Sua sabedoria e em Sua bondade, situa o Espírito encarnado em ambientes nos quais ele é naturalmente convidado à sublimação. Coloca-o em um contexto profissional, familiar e social em que precisa atender uma série de deveres. Se os atende, sacrificando para isso suas fantasias, caprichos e desejos, atravessa a sua porta estreita, a que lhe cabe naquela encarnação. É necessário e urgente que a criatura encarnada se empenhe em ser um profissional honesto e competente, um pai ou mãe presente e dedicado, um filho respeitoso e obediente, um aluno estudioso, um irmão compreensivo, um esposo fiel e afetuoso, um cidadão honesto etc.  Ela precisa atentar para os deveres de cada dia e cumpri-los, sem buscar desculpas para a conduta indigna. Como ensina o Espírito Lázaro, no item 7 do capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Ele também afirma que o dever é o mais belo laurel da razão. Nunca é tarde para mudar de caminho, por piores que tenham sido as estradas do erro percorridas. Esforcemo-nos por vencer as más tendências. Não há outra saída. Somente assim poderemos passar pela porta estreita e criar condições para a salvação de nossa alma imortal.

Muita Paz!

domingo, 21 de novembro de 2021

 


PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

ENSINO ESPÍRITA

Uma parábola é uma pequena história que ajuda a entender uma verdade complexa. Jesus contou esta parábola para explicar o relacionamento de Deus com o pecador. Você conhece a parábola do filho pródigo? O Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. No Evangelho de Lucas no capítulo 15: versículos de 11 a32. Primeiro vamos saber o que significa pródigo. Pródigo é aquele que esbanja, gasta mais do que possui ou necessita. Esbanjador, gastador ou perdulário. Por isso, o filho mais novo é o filho pródigo do homem nesta parábola. O tema deste estudo é a misericórdia. Os séculos passam, mas as grandes lições não envelhecem, pois retratam a eterna luta da alma humana para libertar-se do primarismo evolutivo. Esta parábola é uma dessas lições, e é um solene e formal desmentido às penas eternas. Ela ao mesmo tempo em que é uma amostra do grande amor de Deus por cada um de nós, também nos leva a refletir sobre o grande pecado da rebeldia e do orgulho que está inoculado em nós. Ela é o drama da evolução do Espírito, através de erros humanos, para a verdade divina.

Uma lição de arrependimento: A Parábola conta a história de um pai que possuía dois filhos. Em certa altura da vida, o filho mais novo do homem pede ao pai a sua parte na herança e parte para terras distantes gastando tudo o que tem em pecados e perdições, sem pensar no dia de amanhã. A ideia de viver de modo independente, sem ter que dar satisfações de seus atos, parece ter sido a grande ilusão deste jovem. E foi assim, aproveitando seus bens materiais de forma irresponsável, que acabou na miséria, e começa a passar necessidades, viver como um mendigo. Pra piorar a situação, a região onde estava foi afetada por uma grave crise. Só teve ajuda de um senhor, que o mandou ao campo, cuidar dos porcos. E nesta hora precisamos entender o contexto da época. Os judeus não comiam carne de porco, por considerar o animal impuro. Além disso, cuidar de animais já era visto como uma desonra, já que o serviço exigia a presença do pastor todos os dias, inclusive aos sábados. Desta forma, esses pastores não conseguiam seguir a lei religiosa, que determinava o repouso neste dia, que era dedicado ao Senhor. Para agravar ainda mais esta situação degradante, ele passava fome. Tinha vontade de comer o que era destinado aos porcos, mas nem isso conseguia. Para piorar ele estava em terra estrangeira e ninguém podia socorrê-lo, não tinha mais amigos, não tinha mais status, não tinha mais herança. O desejo mundano é passageiro, é ilusão, ele leva embora a alegria, ele arruína a vida, ele traz solidão. Foi quando chegou ao fundo do poço que se lembrou de seu pai. Na casa dele havia muitos empregados, e todos tinham pão com fartura, enquanto o jovem não tinha o que comer. Nesse momento vemos que ele sentiu saudade de casa. Ele descobriu que os empregados temporários de seu pai eram mais dignos do que ele, de modo que tais empregados diaristas tinha o que comer, e ele morria de fome. Nesta hora ele sentiu o arrependimento por suas atitudes impensadas e teve três atitudes na busca por restaurar sua vida: o arrependimento, a ação e a vontade de pedir perdão. Nesse exato momento aquele filho mais novo já não era mais o mesmo rapaz inconsequente que saiu da casa do pai. Ele havia sido transformado. O primeiro ato foi reconhecer que precisava mudar aquele quadro: “Levantar-me-ei e irei a meu pai”. Em seguida, a decisão de agir: “Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai”. Por fim, o pedido de reconciliação: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.” Seu pai o recebe com muita festa, feliz pelo filho estar de volta, fazendo um banquete para ele. Da parte do pai, observamos que, mesmo com toda a dor que sentia em seu coração, realizou o desejo do filho, ao repartir a herança e permitir que ele partisse. Em todo este tempo, aguardou ansiosamente pela volta do jovem. E isso fica claro quando a narração de Lucas diz que “estava ainda longe quando seu pai o viu, e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.” O pai o abraçou, não olhando para as condições em que seu filho estava se aproximando. O filho estava rasgado, descalço, era a personificação da miséria, mas o pai só olhou o arrependimento, e o acolheu em seus braços. Depois dessa acolhida, disse aos empregados que trouxessem uma túnica nova ao jovem, símbolo de honra; que lhe colocassem o anel no dedo, símbolo de autoridade; e a sandália para os pés, símbolo de que não era um escravo. O pai também manda preparar o bezerro cevado. Esse animal era um novilho guardado para ser usado somente na ocasião mais especial. Para o pai, haveria alguma ocasião mais especial do que essa? Afinal de contas “este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado”. Em nenhum momento na parábola o pai questionou as atitudes do filho, o que tinha feito e porque tinha saído de casa. Pelo contrário, demonstrou um amor que aos olhos humanos parece impossível. A parábola segue contando que o filho mais velho se aproximou da casa e, ao perceber a festa, se recusou a entrar por saber que a comemoração era para celebrar o retorno do irmão. Mas seu irmão mais velho rejeita-o. Não considera justo que o pai o receba com festas depois do que ele fez, uma vez que ele, o mais velho, sempre foi leal e fiel ao pai e nunca recebeu do pai uma festa como aquela. O pai insistiu, e alegou que mesmo estando o tempo todo ao lado do pai, nunca pode festejar com os amigos.

Explicação e significado da Parábola do Filho Pródigo

O segredo para interpretarmos as parábolas de Jesus é nos atentarmos à sua mensagem principal. Não precisamos atribuir significado a todos os elementos de uma parábola, mas devemos direcionar a nossa atenção para o que realmente Jesus estava ensinando.

O pai concede ao filho mais novo a posse de sua herança, mesmo que ele não estivesse próximo da morte. O pai poderia proteger o filho mais novo negando o dinheiro, pois sair gastando a herança era visivelmente um ato irresponsável. Mas ele concedeu, permitiu que ele fizesse aquilo com orgulho e imprudência, pois tinha os seus planos, sabia que aquilo seria necessário para que seu filho se redimisse dos seus atos. Se ele negasse o dinheiro, o filho ficaria revoltado e nunca se redimiria.

Assim como o pai entendeu a imprudência do filho e teve paciência com os seus erros, também Deus tem infinita paciência conosco, seus filhos pecadores. O pai da parábola não estava preocupado com o gasto da herança que ele havia juntado com tanto esforço, ele precisava que seu filho passasse por essa lição para que crescesse como um homem. Ele teve a paciência de esperar que seu filho passasse por isso e se arrependesse dos seus atos. A paciência de Deus tem por objetivo dar-nos tempo para percebermos nossos erros e nos arrependermos. Quando nós nos arrependemos verdadeiramente das nossas falhas, Deus nos acolhe de braços abertos. E foi exatamente isso que o pai da parábola fez, acolheu seu filho arrependido. Ao invés de repreendê-lo pelo seu erro, faz-lhe uma festa com um banquete. O filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e viu as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Então ele diz: “Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. (Lucas 15.32) O irmão mais velho acha-se logo um injustiçado, pois ele sempre teve zelo pelos bens materiais do pai, nunca gastou a sua herança, e o pai nunca havia lhe feito tamanha festa. Ele se achava superior por não ter desperdiçado os bens da herança. Ele era filho, mas se enxergava como um empregado. No original ele diz algo como: “estive trabalhando como escravo para ti”. Ele também tentava se auto justificar dizendo: “nunca desobedeci tuas ordens”. Não conseguia enxergar a conversão do irmão, não via que o sofrimento que ele passou o fez ver os seus erros. “Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado.” (Lucas 15.29-30). Neste caso, para o pai, o dinheiro era o menos importante, o importante era ter o seu filho de volta, convertido e arrependido.

É comum as pessoas acharem que somente quem reza todos os dias, vai à missa aos domingos e segue os mandamentos de Deus é amado por Ele. Isso não é verdade, e essa parábola mostra a grandeza do amor divino. O pai da parábola diz ao filho mais velho: “Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.” (Lucas 15.31). Isso mostra que o pai era profundamente grato ao filho mais velho, que o seu amor por ele era enorme e o que ele fazia pelo filho mais novo não mudava em nada o que ele sentia pelo mais velho. Se tudo que era dele, pertencia ao filho mais velho, o mais novo deveria conquistar os bens que perdeu em sua vida como pródigo. Mas jamais o pai negaria o acolhimento e o amor ao mais novo. Assim que ele apareceu em casa: Como é fácil nos sentirmos “injustiçados” (com inveja) quando outra pessoa “menos digna” é abençoada por Deus! Mas o arrependimento deveria ser motivo de grande alegria para todos nós. Quando largamos a inveja, vemos que Deus também nos dá muitas bênçãos que podemos aproveitar. Não temos motivo para sentir inveja.

Quando Jesus contou a Parábola do Filho Pródigo ele estava cercado por publicanos e pecadores que se reuniram para ouvi-lo. Os publicanos eram os cobradores de impostos; judeus que estavam a serviço do Império Romano. Os publicanos eram vistos pelo povo como traidores que extorquiam os próprios irmãos. Já os pecadores eram as pessoas moralmente marginalizadas e de má reputação na sociedade. Essas pessoas não possuíam um padrão de vida aprovado pelos religiosos da época, e, por isso, elas eram excluídas por eles. Da mesma forma como aquelas pessoas puderam ver a si mesmos enquanto Jesus contava a Parábola do Filho Pródigo, hoje nós também podemos nos identificar como se estivéssemos na frente de um espelho enquanto lemos essas palavras de Jesus. Esses versículos nos revelam algo muito profundo. Aqui entendemos que o controle sempre esteve nas mãos do pai. Perceba que enquanto o filho estava vivendo dissolutamente o pai estava fazendo provisão para o filho que retornaria. Enquanto o filho estava esbanjando, o pai estava cevando o novilho, deixando a roupa, o anel e a sandália preparados para o momento do retorno. Porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se (Lucas 15:24). Este versículo possui um significado muito importante que infelizmente muitas pessoas não percebem. Note os contrastes: morto, vivo; perdido, achado. A explicação dessas palavras é a seguinte: no sentido prático, o filho estava morto pois havia recebido toda sua parte da herança. Ele não fazia mais parte da família. Ele também estava perdido, pois havia sido destruído em suas loucuras, e desperdiçado tudo o que lhe poderia sustentar durante a vida. Com isto, entendemos que a parábola, como um todo, aponta para a soberania de Deus, que busca ativamente pecadores desprezíveis que não estavam procurando por ele.

A reflexão é: com qual dos dois filhos nos identificamos? Uma coisa é certa, não importa a resposta, o amor de Deus por nós é o mesmo, e Ele está sempre de braços abertos, pronto para nos acolher quando O buscamos com o desejo sincero em nossos corações. Quando olhamos para o filho mais novo talvez possamos dizer: esse sou eu. Ou, quando olhamos para o filho mais velho, talvez também possamos dizer: acho que estou me comportando como ele.

Muita Paz!


domingo, 14 de novembro de 2021

 


BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM OS OLHOS FECHADOS.

ENSINO ESPÍRITA

Olá, Amigos! Hoje vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se do tema BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM OS OLHOS FECHADOS. É importante dizer que esta frase não faz parte do maravilhoso Sermão do Monte, proferido por Jesus. Ela foi dita por Jean-Marie Baptiste Vianney, o cura d’Ars,  conhecido por seus dons sobrenaturais, através da imposição das mãos, e que devolvia a visão a cegos. Ela está inserida nas Instruções dos Espíritos, item 20, do Capítulo VIII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Sendo, antes de tudo, uma mensagem de fé e esperança. E que foi ditada com relação a uma pessoa com deficiência visual, a cujo favor se evocara o Espírito. O interessante é que, segundo alguns biógrafos, o padre  combateu com muito ardor as mesas girantes. Em Paris, um grupo de pessoas espíritas se reunia normalmente para o estudo dos ensinamentos dos Espíritos. Em uma noite do ano de 1863, um dos componentes do grupo levou para a reunião uma menina que havia ficado cega, com a intenção de rogar a intercessão dos amigos espirituais, em favor dela. Os demais companheiros do grupo aceitaram a sugestão. E, após os estudos de praxe, ocasião em que tiveram a oportunidade de buscarem o contato com a espiritualidade, através da mediunidade, um dos presentes lembrou-se de um Espírito muito amado na França, e resolveu evocar a presença de Jean-Marie Baptiste Vianney. E, para alegria de todos os presentes, o benfeitor espiritual se manifestou, e, utilizando-se das faculdades mediúnicas de um dos participantes da reunião, falou a todos os presentes, deixando uma mensagem de consolação e de esclarecimento. Eis a mensagem:

“Meus bons amigos, para que me chamastes? Terá sido para que eu imponha as mãos sobre a pobre sofredora que está aqui e a cure? Ah! Que sofrimento, bom Deus! Ela perdeu a vista e as trevas a envolveram. Pobre filha! Que ore e espere. Não sei fazer milagres, eu, sem que Deus o queira. Todas as curas que tenho podido obter e que vos foram assinaladas não as atribuais sendo aquele que é Pai de todos nós. Nas vossas aflições, volvei sempre para o céu o olhar e dizei do fundo do coração: “Meu Pai, cura-me, mas faze que minha alma enferma se cure antes que o meu corpo; que minha carne seja castigada, se necessário, para que minha alma se eleve ao teu seio, com a brancura que possuía quando a criaste”. Após essa prece, meus amigos, que o bom Deus ouvirá sempre, dadas vos serão a força e a coragem e, quiçá, também a cura que apenas timidamente pedistes, Em recompensa da vossa abnegação. Contudo, uma vez que aqui me acho, numa assembleia onde principalmente se trata de estudos, dir-vos-ei que os que são privados da vista deveriam considerar-se os bem-aventurados da expiação. Lembrai-vos de que o Cristo disse convir que arrancásseis o vosso olho se fosse mal, e que mais valeria lançá-lo ao fogo do que deixar se tornasse causa da vossa condenação. Ah! Quantos há no mundo que um dia, nas trevas, maldirão o terem visto a luz! Oh! Sim, como são felizes os que, por expiação, vêm a ser atingidos na vista! Os olhos não lhes serão causa de escândalo e de queda; podem viver inteiramente da vida das almas; podem ver mais do que vós que tendes límpida a visão! Quando Deus me permite descerrar as pálpebras a algum desses pobres sofredores e lhes restituir a luz, digo a mim mesmo: Alma querida, por que não conheces todas as delícias do Espírito que vive de contemplação e de amor?

Não pedirias, então, que se te concedesse ver imagens menos puras e menos suaves, do que as que te é dado entrever na tua cegueira! Oh! Bem-aventurado o cego que quer viver com Deus. Mais ditoso do que vós que aqui estais, ele sente a felicidade, toca-a, vê as almas e pode alçar-se com elas às esferas espirituais que nem mesmo os predestinados da Terra logram divisar. Aberto, os olhos estão sempre prontos a causar a falência da alma; fechados, estão prontos sempre, ao contrário, a fazê-la subir para Deus. Crede-me, bons e caros amigos, a cegueira dos olhos é, muitas vezes, a verdadeira luz do coração, ao passo que a vista é, com frequência, o anjo tenebroso que conduz à morte. Agora, algumas palavras dirigidas a ti, minha pobre sofredora. Espera e tem ânimo! Se eu te dissesse: Minha filha, teus olhos vão abrir-se, quão jubilosa te sentirias! Mas, quem sabe se esse júbilo não ocasionaria a tua perda! Confia no bom Deus, que fez a ventura e permite a tristeza. Farei tudo o que me for consentido a teu favor; mas, a teu turno, ora e, ainda mais, pensa em tudo quanto acabo de te dizer. Antes que me vá, recebei todos vós, que aqui vos achais reunidos, a minha bênção”. Amigos, que bela lição, não é mesmo? Primeiramente porque percebemos a humildade de quem se coloca na posição de um servo do Pai Celestial, dando a Ele todos os méritos da concessão da benção da cura. Ensina a dirigirmo-nos a Ele, e não a nenhum “santo” (lembrem-se, ele foi canonizado), para pedir a cura. Em segundo lugar, porque ele nos ensina que, as limitações encarnatórias são uma consequência da enfermidade no espírito, pois ele diz para orarmos assim: fazei que minha alma enferma se cure antes.

Para o melhor entendimento dessa mensagem, Kardec coloca uma nota de rodapé explicando o motivo dessa comunicação. E essa explicação do Codificador é importante porque ao se manifestar, o Espírito Vianney indaga se ele foi convocado para promover a cura de uma pessoa cega que se encontrava naquele ambiente. Ele demonstra piedade pela menina, mas diz humildemente que não pode curá-la sem que Deus o queira. No caso dessa jovem, Vianney aconselha a resignação e explica que os privados da visão têm a chance de viver a vida espiritual, podendo ver mais do que aquele que tem a boa visão, porque possui a facilidade de olhar para dentro de si e conhecer-se melhor, desenvolvendo assim a sensibilidade. Reflexão: Como ficou patenteado, a criança, embora estivesse amparada, não encontrou a solução para o seu problema. E, por que o Cura de Ars não curou aquela menina? Podemos imaginar: Ele não fez a cura porque não tinha poder para curá-la. Ele não quis curá-la. Ora, Vianney, durante a sua existência na Terra, vivenciou o Evangelho de Jesus. Trabalhava nas hostes do catolicismo, e era um exemplo da vivência cristã. Vianney era um desses espíritos generosos, que vêm à Terra unicamente para trabalhar em favor do semelhante. Durante a sua existência no nosso orbe, naturalmente amparado por benfeitores espirituais, realizou inúmeras curas, inclusive a cura de alguns cegos. Ora, se enquanto encarnado ele havia desenvolvido essa potencialidade capaz de efetuar uma cura, desencarnado também poderia fazê-lo, pois o espírito não perde as suas qualidades.

Então, nós podemos descartar a possibilidade de Vianney não ter poder para realizar aquela cura. Basta estudarmos um pouco a vida do Cura de Ars para sabermos que se tratava de um espírito generoso, fraternal, que se sensibilizava com o sofrimento alheio, e capaz mesmo de se sacrificar para ajudar o semelhante. Por certo, ele queria sim curar aquela criança. O cura de Ars, provavelmente, percebeu que as leis magnânimas do Criador haviam instituído para aquele espírito aquela expiação necessária. Pois, era necessário que a criança vivenciasse aquela dor, ou seja, a cegueira. Naturalmente, quando o benfeitor olhou para aquela menina não viu, como os companheiros do grupo, só o presente. Ele identificou o passado, observou o presente, e vislumbrou o futuro. Ao ver o passado, compreendeu  onde estava a causa do sofrimento presente, onde aquele espírito havia se equivocado. E, agora no presente, ele estava vivenciando a expiação necessária. E, vislumbrando o futuro, compreendeu a justiça de Deus, entendendo que, se aquele espírito Vivenciasse essa expiação necessária sairia da Terra vitorioso, quite com seus equívocos do passado. Por esse motivo, Vianney não pode interferir, em respeito e obediência aos códigos superiores da vida.

Agora, por que Vianney disse que são bem-aventurados os que não podem enxergar? Para nós entendermos essas palavras do Cura de Ars, precisamos compreender que existem dois tipos de cegueira: a cegueira física e a cegueira espiritual. Com relação à cegueira física, narram alguns evangelistas que, certa vez, Jesus, acompanhado por seus discípulos, e passando pelo tanque de Siloé, avistou um homem que era cego, e um dos discípulos, alertando o Mestre, disse que aquele homem era cego de nascença, e perguntou quem havia pecado, ele ou seus pais para que ele nascesse assim, e o Cristo respondeu que nem ele nem os seus pais. Ele nasceu assim para dar testemunho do Reino dos Céus. Jesus deixou os discípulos e caminhou na direção daquele homem cego. Cuspiu na terra, e com a saliva fez uma espécie de pasta e aplicou nos olhos daquele homem, e mandou-o se lavar no tanque. Então, ele lavou os olhos e, a partir daquele momento, estava curado. Então, aquelas pessoas que o conheciam de vista, como cego, perguntaram-lhe: Como te foram abertos os olhos? Respondeu ele: Aquele homem chamado Jesus ungiu-me os olhos e disse: Vai a Siloé e lava-te; então fui, lavei-me e fiquei vendo.

Com relação à cegueira espiritual, vamos acompanhar um jovem doutor da Lei: ele segue com uma pequena comitiva em direção a Damasco. O seu propósito é prender um ancião, de nome Ananias, seguidor de um carpinteiro chamado Jesus. Mas, quando ele está se aproximando da cidade, um fato inusitado acontece. Uma luz esplendorosa brilha no céu. Saulo de Tarso cai de joelhos na areia e percebe que aquela luz magnífica começa a tomar forma. É o Mestre Jesus que estava vindo ao seu encontro. E o Rabi da Galileia faz apenas uma pergunta: Saulo, Saulo! Por que me persegues? Naquele instante, vislumbrando aquele homem vestido de luz e, diante daquela indagação, Saulo compreendeu que estava errado, estava numa profunda escuridão. Aquele ser de luz era o Messias que havia de vir. Então, ele também pergunta: Senhor, o que queres que eu faça? Jesus vai ao encontro daquele homem no tanque de Siloé e o cura da cegueira física; e, igualmente vai ao encontro daquele doutor da Lei e o cura da cegueira espiritual. Agora, já podemos entender porque Vianney disse que são bem-aventurados os que têm os olhos fechados. Porque a cegueira física do presente é a remissão do espírito. E o remédio para o espírito é exatamente a própria dor que ele está enfrentando. É muito importante nós refletirmos sobre isso, porque, muitas vezes, nós chegamos à Casa Espírita, levados por alguém ou levados pela dor, em condições de sofrimento semelhantes a dessa menina da narrativa, e, por certo, os Benfeitores Espirituais irão nos ajudar. Mas, em se tratando da solução do nosso problema, da cura efetiva de nosso mal, nem sempre é possível que os Espíritos intercedam a nosso favor, isso porque, existem causas anteriores para o nosso padecimento atual.

E esse sofrimento que nós enfrentamos é a nossa necessidade, é o nosso remédio para o nosso próprio crescimento espiritual. Deus, que é infinitamente bom e justo, jamais permite uma doença ou qualquer dificuldade se elas não tivessem um objetivo salutar para o espírito. Vamos refletir: Quantos de nós não falimos pela nossa saúde perfeita, não é, mesmo? Fazemos uso do corpo saudável para gerar a dor alheia! Muitas vezes as expiações que vivemos hoje, em nossas vidas, partem desta premissa. Em avaliações para a próxima encarnação, os bons espíritos nos fizeram perceber o que em nós gerou a dor alheia, a nossa queda, obviamente. Então, os que conseguiram ser esclarecidos, até concordam com as limitações físicas, com o fim de impedir-lhe nova queda, e o planejamento reencarnatório traz estas limitações ou doenças, com o aval do próprio Espírito. O véu do esquecimento não nos permite lembrar disso, mas, há nossa participação neste processo de escolha das provas, como vemos na pergunta 258, do Livro dos Espíritos: Kardec pergunta:  Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e revisão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Resposta dos Espíritos: “Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.” Finalizando sua comunicação, Vianney consola a menina sofredora com palavras de ânimo, confiança no Pai Celestial. Recomenda-lhe a oração e a pensar em tudo que lhe foi dito naquela noite! Ou seja, um atendimento fraterno, uma consolação, papel tão precioso que a doutrina espírita tem! Consolar o sofredor, dando-lhe a visão da vida mais ampla, da realidade da pré-existência e pós-existência do espírito; de que em tudo há um porquê.

Sempre com base nos ensinamentos espíritas, esse atendimento fraterno abre amplas perspectivas para quem o procura, mostrando-lhe um roteiro de libertação e de paz, com o entendimento de que o sucesso depende dele, que deve promover, desde logo, o processo de reformulação interior. O trabalho não se propõe a solucionar os problemas que lhes sejam apresentados, mas a sugerir caminhos para a reabilitação. As recomendações que são feitas caminham ao lado das que este bondoso espírito fez à menina sofredora. A oração, seja só ou reunidos em família, no evangelho no lar; o estudo da doutrina, pensando, refletido suas questões à luz da mesma, tanto no lar, quanto na casa espírita; o passe, reequilibrando as energias e fortalecendo a alma; o trabalho no bem. Um benfeitor espiritual nos diz que “saúde é a perfeita harmonia da alma”, então, de um jeito ou de outro, são as nossas imperfeições que provocam desequilíbrios nos corpos sutis que, por influenciarem o corpo físico, este acaba sendo afetado por alguma doença. Assim, é importante pensar na cura e na saúde de maneira integral, envolvendo corpo físico, perispírito e espírito. De nada adiantará os melhores tratamentos médicos e espirituais se o Espírito não se modificar, não se transformar e passar a viver de maneira mais harmônica com as leis de Deus. Pode ser que durante um período a doença “desapareça” nos níveis material e perispiritual, mas, por ter a sua gênese na alma, mais cedo ou mais tarde ela voltará. O que para uma pessoa de “visão curta”, mais imediatista e materialista, pareceria uma falta de bondade de Deus por não conceder a cura, para outra mais espiritualizada a doença é como uma oportunidade de reajuste, de recomeço, em que poderá quitar débitos do passado e planejar um futuro melhor, em outras encarnações.

Assim, o paciente deve assumir uma postura ativa no seu tratamento, fazendo o que estiver em seu alcance para sua melhora, mesmo que não surta efeito no campo físico. Quantas pessoas desencarnam por causa de uma doença, de um câncer, por exemplo, mas chegam no plano espiritual curadas das chagas na sua alma? Portanto, quando uma pessoa adoece, é importante que ela busque a sua cura, sem esquecer de trabalhar a sua alma também. Apesar do sofrimento que a doença provoca, asserenar a mente e o coração, e se questionar: “o que essa doença quer me dizer?”, buscar o aprendizado que está por trás de cada dor e de cada situação difícil, na certeza de que Deus não quer que nenhum de seus filhos e suas filhas tenha um “sofrimento vazio”, um sofrer apenas por sofrer. Isso não condiz com a bondade e a misericórdia infinitas dEle. Quando a doença não é provocada por hábitos negativos que porventura o doente cultive no presente, tais quais os vícios (bebidas, drogas) ou sexo desregrado, ela tem sua causa em outras encarnações nas quais o indivíduo não teve uma conduta saudável, seja na sua conduta moral, seja nos hábitos que possuía e acabaram por danificar de algum modo o perispírito. Dessa forma, o que pode parecer um mal aos nossos olhos, é uma chance de renovação, enquanto o que parece ser algo positivo, nos traria perturbações e lágrimas num futuro distante. Confiemos na sabedoria de Deus e façamos nossa parte para uma vida mais saudável em todos os sentidos. Se formos acometidos por uma doença, é importante fazer o tratamento alopático e seguir as orientações médicas, e, para as pessoas religiosas, se fortalecer na fé e buscar um tratamento espiritual também vai ajudar no processo.

Eu fico por aqui.

Muita paz!

Aguardem na próxima semana, um novo estudo sobre ensino espírita.

Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec!

E não se esqueça: O Amanhã é sempre um dia a ser conquistado! Pense nisso! 

 

domingo, 7 de novembro de 2021

 


ENSINO ESPÍRITA

Olá, Amigos! Hoje vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se do tema BUSCAI E ACHAREIS. “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre”. (Mateus, 7: 7-8.) Com essas palavras, Jesus exortou à oração e à confiança em Deus, na certeza de que Ele não deixará, jamais, de atender às nossas necessidades, sejam elas coisas materiais ou espirituais, desde que façamos a nossa parte, diligenciando por obtê-las. Desta passagem Evangélica, destacamos três ações: pedir, buscar e bater; que apresentam como respostas: obter, achar e abrir. Não à toa, duas ações veem depois do pedir, que exigem esforços individuais de buscar e bater à porta (por ajuda). Assim, não basta pedir, tem que buscar e bater à porta, ou seja, temos que fazer a nossa parte. Esta é a síntese de: “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará”. Para que o céu ajude, o Mestre afirma que “todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre”. Muitos acham, equivocadamente, que Deus tudo fará por nós sem os nossos esforços e sem as nossas súplicas. Demonstram, assim, que não compreenderam as promessas do Evangelho. A razão do “pedir” não é informar a Deus o que necessitamos, tampouco lembrar de algo que tenha esquecido. Ele sabe de tudo a nosso respeito. Com o pedir, confessamos as nossas indigências e fraquezas, colocando-se em ato de humildade e fé, que criam as condições para receber a graça divina. Temos que pedir, buscar e bater! O progresso é filho do trabalho. A evolução espiritual rege-se pelas leis do trabalho e do progresso.

Em todos os estados de angústias física e espiritual, procuramos desesperadamente por Deus. Logo, o “pedir e obter” é reconfortante, porque toda vez que estamos com um problema o que mais queremos é alguém para nos ajudar. Com esta esperança, procuramos o tão almejado auxílio. “Segundo a compreensão moral, essas palavras de Jesus significam o seguinte: Pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos Bons Espíritos, e eles virão ajudar-vos, e como o anjo de Tobias, vos servirão de guias: pedi bons conselhos, e jamais vos serão recusados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta; mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que sofrerdes constituirão a punição do vosso orgulho. Se em tempos remotos algumas leis eram temporais, instituídas para determinada época e povo, o mesmo não ocorre com as lições legadas por Jesus. Elas ultrapassaram as barreiras do tempo, transcendendo povos, voando como verdades incontestáveis pelos séculos. São lições para o cotidiano da Humanidade, perfeitamente aplicáveis dentro e fora do seio das religiões. São ensinamentos de grande profundidade e que devem ser observados, para uma melhor organização da vida em sociedade. Há uma passagem no Capítulo XXV de O Evangelho Segundo o Espiritismo na qual o Mestre afirma: Buscai e achareis. Nesta orientação, o Cristo não nos limita só a busca no sentido espiritual, porque, se o mundo ficasse estagnado, se não houvesse a necessidade do progresso material, nós estaríamos, ainda, na Idade da Pedra.

Não haveria progresso se a Humanidade não tivesse buscado conquistas em todos os sentidos, para que a vida humana adquirisse outras características, nos proporcionando conforto, conhecimento, comodidade, facilidade, tecnologia, toda essa jornada evolutiva que o planeta Terra preenche, através dos homens de bem, de coragem, que lutaram para essas conquistas, nós estaríamos, ainda, naquela idade bem primitiva. Agora, em que consiste essa busca? No mundo em que nos encontramos, mundo este de provas e expiações, são muitas as nossas buscas. Quando nós começamos a nossa vivência terrena, desde o primeiro momento, buscamos o ar, a respiração; depois, vamos buscando a alimentação, e as buscas materiais da nossa vida vão surgindo de maneira automática. Nós, espíritas, que nos reunimos em torno do Evangelho de Jesus, temos como ponto comum essa busca, busca dos recursos espirituais. Essa mensagem traz uma notável máxima que, mesmo após dois mil anos, se aplica tranquilamente ao nosso dia a dia. É interessante notar que a atividade consiste em busca e pressupõe um certo esforço. Quem procura alguma coisa movimenta os recursos de que dispõe para encontrá-la. Buscai e achareis encerra em seu princípio a convocação para que nós façamos a nossa parte. Seria muito fácil para a espiritualidade colocar tudo pronto em nossas mãos, mas a iniciativa de fazer as coisas compete ao homem. É preciso que as pessoas cresçam por si mesmas. É o princípio básico da Lei do trabalho e, por consequência, da Lei do progresso, porque o trabalho deve conduzir e certamente o faz ao progresso, tanto com respeito ao progresso moral como também ao progresso intelectual. Trabalho, como ensina a espiritualidade, é toda ocupação útil.

A leitura edificante, o auxílio em obras sociais, o estudo e as pesquisas, o cuidado que dedicamos ao corpo físico, a conversa fraterna e edificante, enfim, quando bem empregamos o tempo estamos trabalhando, melhorando e, consequentemente evoluindo. A promessa do Cristo é que quem procura, acha. Assim, resta analisar qual é a busca pessoal. Cada ser, fazendo uso do seu livre-arbítrio, decide o caminho que deseja trilhar. Caso a criatura se decida pelas ilusões mundanas, terminará por vivê-las, em alguma medida. O resultado varia conforme os meios de que estiver disposta a lançar mão e o esforço que despender. Tudo tem um custo na vida, inclusive a preguiça e a inércia. Quem opta pelo comodismo arca com o elevado preço das oportunidades desperdiçadas. Considerando a efemeridade da vida humana, convém refletir bem a respeito do que se elege por meta. O que realmente compensa buscar com afinco? O que nós incessantemente buscamos, e com quais objetivos gastamos nossas energias? Buscai e achareis. Com essas palavras, Jesus exortou à oração e à confiança em Deus, na certeza de que Ele não deixará, jamais, de atender às nossas necessidades, sejam elas coisas materiais ou espirituais, desde que façamos a nossa parte, diligenciando por obtê-las. Após fazer aquela tríplice referência à solicitude com que devemos conduzir-nos, para que o céu nos ajude, o Mestre repete-a, afirmando categoricamente, que todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre. Isto é, que nos mexamos, que trabalhemos, até atingirmos o objetivo colimado.

Os Espíritos executores das obras divinas, mensageiros de Deus junto a nós, por sua vez, nos dão as forças de que necessitamos; eles nos inspiram; eles nos dão ideias. O amparo se faz. E nós o recebemos do plano espiritual na dose certa. A dificuldade em nós está em saber aproveitar. Em O Livro dos Espíritos nós temos uma questão que nos ajuda a entender esse princípio, é a de número 479, onde Kardec pergunta aos Espíritos: A prece é um meio eficaz para curar obsessão? E a resposta obtida foi: A prece é um poderoso socorro para todos os casos. Mas, crede que não basta que alguém murmure algumas palavras, para que obtenha o que deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Portanto, cumpre que o obsidiado faça, por sua parte, tudo o que se torne necessário para destruir em si mesmo a causa da atração dos maus espíritos. Quantos de nós pedimos aos Espíritos protetores, a Jesus e a Deus alguma coisa seguindo esse conselho, principalmente nos momentos de aflição? Mas por que nem sempre recebemos? Qual é a dificuldade? Onde está o empecilho? Nós pedimos algo e esse algo não vem, se nos foi dito buscai e achareis. O Cristo nos deu a rota, nos deu o manual, nos falou da lição, mas quem tem que executar somos nós. Buscai e achareis, ou seja, trabalhe. Através do trabalho nós vamos chegar ao progresso. Mas, o que é que eu vou buscar? Milagres? Vida contemplativa? Benesses de Deus? Não! O Pai nos dota de todos os recursos para vencermos em todos os sentidos: No sentido material, no sentido intelectual, no sentido espiritual. Mas essa vitória depende exclusivamente de nós.

Ninguém deliberadamente busca o sofrimento, pelo contrário, a nossa vida resume-se na constante busca da felicidade. Se sofremos e não queremos sofrer, precisamos buscar a causa do sofrimento para podermos evitá-lo. O sofrimento não é outra coisa senão a consequência imediata de uma atitude errada, seja nesta vida ou em vidas pretéritas. Para evitar e cair nas mesmas atitudes, devemos buscar o nosso vínculo com o Criador, por meio da prece. Não podemos projetar a solução dos nossos problemas nos outros, nas coisas e situações. Procuremos dentro de nós mesmos. Depende de cada um de nós a solução dos nossos problemas. Dessa forma, a máxima “buscai e achareis” ou “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará” é o princípio das leis do trabalho e do progresso. O trabalho é uma necessidade. Somos resultado das nossas obras, teremos delas o mérito e seremos recompensados de acordo com o que temos feito. Pela providência Divina, a natureza nos provê a matéria prima e os elementos para sermos transformados pelo uso da inteligência. Não deve ser interpretado como uma espécie de comodismo em que ficamos esperando algo cair do céu. Deus provê os recursos e devemos confiar na sua providência, mas essa confiança não nos eximi do trabalho a ser realizado. Há outra classe de pessoas que nada pedem a Deus. É a dos autossuficientes, que, confiando apenas em si mesmos, julgam tudo poderem conseguir só com os recursos de sua inteligência e operosidade. “Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6: 33). Assim, devemos acumular os tesouros no céu. Os tesouros eternos e imprescindíveis à felicidade do Espírito. A sabedoria está em sabermos utilizar os bens materiais sem nos escravizarmos a eles, priorizando a aquisição dos bens espirituais, pois onde está o “nosso tesouro aí estará o nosso coração”.  As quedas e frustrações que, na certa, virão a sofrer, incumbir-se-ão de abater-lhes o orgulho, fazendo que reconheçam suas limitações e se voltem para o Alto. Não sejamos, portanto, nem dos que se mantêm apáticos, inertes, esperando que Deus preveja e proveja tudo para eles; nem destes outros, arrogantes, presunçosos, que acreditam poderem prescindir do auxílio de Deus. Oremos, confiantes, e trabalhemos, perseverantes; assim procedendo, sempre acharemos quem nos estenda mãos amigas, e todas as portas abrir-se-nos-ão, pois não há obstáculos que não sejam removidos ante o empenho de uma vontade inquebrantável, aliada a uma fé viva e operante.

Eu fico por aqui.

Muita paz!

Aguardem na próxima semana, um novo estudo sobre ensino espírita.

Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec!

E não se esqueça: O Amanhã é sempre um dia a ser conquistado! Pense nisso! 

domingo, 31 de outubro de 2021

 


A VAIDADE HUMANA

Olá amigos! Hoje vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se de um tema que trata da vaidade humana.  A Roupa nova do Imperador ou O Rei está nu é um conto de autoria de Hans Christian Andersen. Autor de inúmeros contos infanto-juvenis, traduzido por todo o mundo. Considerado por muitos com o pai da Literatura Infanto-Juvenil. Numa versão livre, conto à minha maneira. Este conto, como já disse, trata da vaidade humana. E quanto maior a vaidade, mais tolos os seres se tornam, a ponto de alimentarem a vaidade uns dos outros. Há muitos e muitos anos havia um Imperador tão apaixonado pelas roupas novas, que gastava com elas todo o dinheiro que possuía. Pouco se incomodava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pelos bosques, contanto que pudesse vestir seus trajes. Para cada hora do dia, vestia uma roupa diferente. E, ao invés de se dizer dele o que se diz de qualquer imperador: Está na Câmara do Conselho, dizia-se sempre a mesma coisa: 0 Imperador está se vestindo. Na capital em que ele vivia, a vida era muito alegre; todos os dias chegavam multidões de forasteiros para visitá-la, e, entre eles, certa ocasião, chegaram dois vigaristas. Fingiram-se de tecelões, dizendo-se capazes de tecer os tecidos mais maravilhosos do mundo. E não somente as cores e os desenhos eram magníficos como também os trajes que se faziam com aqueles tecidos possuíam a qualidade especial de serem invisíveis para qualquer pessoa que não tivesse as qualidades necessárias para desempenhar suas funções e também que fossem muito tolas e presunçosas.

- Devem ser trajes magníficos, pensou o Rei.

- E se eu vestisse um deles, poderia descobrir todos aqueles que em meu reino carecessem das qualidades necessárias para desempenhar seus cargos.

E também poderei distinguir os tolos dos inteligentes. Sim, estou decidido a mandar tecer uma roupa para mim, a qual me servirá para tais descobertas. Entregou a um dos tecelões uma grande quantia como adiantamento, a fim de que os dois pudessem começar imediatamente com o esperado trabalho. Os dois vigaristas prepararam os teares e fingiram entregar-se ao trabalho de tecer, mas o certo é que no mesmo não havia nenhum fio nas lançadeiras. Antes de começar pediram uma certa quantidade da seda mais fina e fio de ouro da maior pureza e guardaram tudo em seus alforjes e depois começaram a trabalhar, isto é, fingindo fazê-lo, com os teares vazios. Gostaria de saber como vai o trabalho dos tecelões, pensou um dia, o bondoso monarca. Todavia, ficou um tanto aflito ao pensar que alguém que fosse tolo ou não estivesse capacitado para exercer sua função, não pudesse ver o tecido. Temia por si mesmo, mas achou mais prudente enviar uma outra pessoa, para que lhe desse conta daquilo. Todos os habitantes da cidade tomaram conhecimento das maravilhosas qualidades do tecido em questão, e todos, também, desejavam saber, por esse meio, se seu vizinho ou amigo era um tolo. Mandarei meu fiel primeiro ministro visitar os tecelões, pensou o Rei. Será o mais capacitado para ver o tecido, porque é um homem muito hábil e ninguém cumpre seus deveres melhor do que ele. E assim o bom e velho primeiro ministro se dirigiu para o aposento em que os vigaristas trabalhavam nos teares completamente vazios. Deus me proteja, pensou o ancião, abrindo os braços e os olhos. Mas eu não vejo nada! No entanto, evitou dizê-lo.

Os dois vigaristas pediram-lhe que fizesse o favor de aproximar-se um pouco mais e rogaram-lhe que desse a sua opinião a respeito do desenho e do colorido do tecido. Mostraram o tear vazio e o pobre ministro, por mais que se esforçasse para ver, não conseguia enxergar coisa alguma, porque não havia nada para ver.

- Deus meu!  Pensava. Será possível que eu seja tão tolo assim? Nunca me pareceu e é preciso que ninguém o saiba. Talvez eu não esteja capacitado a desempenhar a função que ocupo. O melhor será fingir que estou vendo o tecido.

- Não quer dar a sua opinião, senhor? Perguntou um dos falsos tecelões.

E muito lindo! Faz um efeito encantador, exclamou o velho ministro, fitando através de seus óculos. O que mais me agrada são o desenho e as maravilhosas cores que o compõem. Asseguro-lhes que daremos conta ao Rei do quanto gosto de seu trabalho, muito bem aplicado e lindíssimo.

- Ficamos muito honrados em ouvir tais palavras de vossos lábios, senhor ministro, replicaram os tecelões.

Começaram então a dar-lhe detalhes do complicado desenho e das cores que o formavam. O ministro ouviu-os com a maior atenção, com a ideia de poder repetir suas palavras quando estivesse na presença do Rei. A seguir os dois vigaristas pediram mais dinheiro, mais seda e mais fio de ouro, para que pudessem prosseguir com o trabalho. Porém, assim que receberam o solicitado, guardaram-no como antes. Nem um só fio foi colocado no tear, embora eles fingissem continuar trabalhando apressadamente.

O Rei enviou outro fiel cortesão para dar-se conta dos progressos do trabalho dos falsos tecelões e a fim de saber se eles demorariam muito para entregar o tecido. A este segundo enviado aconteceu a mesma coisa que aconteceu com primeiro ministro, isto é, mirou e remirou o tear vazio, sem ver tecido algum.

- Não acha que é uma fazenda maravilhosa? Perguntaram os vigaristas mostrando e explicando um desenho imaginário e um colorido não menos fantástico, que ninguém conseguia ver.

- Sei que não sou tolo, pensava o cortesão; mas se não vejo o tecido, é porque não devo ser capaz de exercer minha função à altura da mesma.

Isso me parece estranho. Mas é melhor não dar a perceber esse fato. Por esse motivo falou no tecido que não via e manifestou seu entusiasmo pelo colorido maravilhoso e pelos originais desenhos.  Ali está algo realmente encantador, disse mais tarde ao Rei, quando prestou contas de sua visita. Por sua vez, o Monarca achou que devia ir ver o famoso tecido, enquanto ainda estivesse no tear. E assim, acompanhado por um escolhido grupo de cortesãos, entre os quais se encontravam o primeiro ministro e o outro palaciano, que haviam fingido ver o tecido, foi fazer uma visita aos falsos tecelões, que com o maior cuidado trabalhavam no tear vazio, em meio à maior seriedade. E’ magnífico! Exclamaram o primeiro ministro e o palaciano. 

Digne-se Vossa Majestade a olhar para o desenho. Que cores maravilhosas! E apontavam para o tear vazio, pois não tinham dúvidas de que as outras pessoas viam o tecido.

Mas o que é isto? Pensou o Rei. Não estou vendo nada! Isso é terrível! Serei um tolo? Não terei capacidade para ser Rei? Certamente não poderia acontecer-me nada pior. É  realmente uma beleza! Exclamou logo depois. O tecido merece a minha melhor aprovação. Manifestou a sua aprovação por meio de alguns gestos, enquanto olhava para o tear vazio, pois ninguém poderia induzi-lo a dizer que não via coisa alguma. Todos os outros cortesãos olhavam por sua vez. Mas não viam nada. Porém, como nenhum queria dar parte de tolo ou de incapaz, fizeram coro com as palavras de Sua Majestade. É ’uma beleza! Exclamaram em coro. E aconselharam o Rei que mandasse fazer uma roupa com aquele tecido maravilhoso, a fim de estreá-la numa grande procissão que devia realizar-se daí a alguns dias. Os elogios corriam de boca em boca e todos estavam entusiasmados. E o Monarca condecorou os dois vigaristas com a ordem dos cavaleiros, cuja insígnia poderiam usar e concedeu-lhes o título de Cavaleiros Tecelões. Os dois vigaristas ficaram a noite toda trabalhando, à luz de dezesseis velas, na noite anterior ao dia da procissão; desejavam que todos testemunhassem o grande interesse que eles demonstravam em terminar a roupa do soberano. Fingiram tirar a fazenda do tear, cortaram-na com tesouras enormes e costuraram-na com agulhas sem linha de espécie alguma. Finalmente disseram: - Já está pronto o traje de Sua Majestade. 0 Imperador, acompanhado por seus mais nobres cortesãos, foi novamente visitar os vigaristas, e um deles, levantando um braço, como se segurasse uma peca de roupa, disse:

- Aqui estão as calças. Este é o colete. Veja Vossa Majestade o casaco. Finalmente, dignai-vos a examinar o manto.

Estas peças pesam tanto quanto uma teia de aranha. Quem as usar mal sentirá o seu peso. Todos os cortesãos concordaram, mesmo irão vendo coisa alguma, pois na realidade não havia rida para ver, já que nada havia.

- Dignai-vos tirar o traje que leva, disse um dos falsos tecelões, e assim poderá experimentar a roupa nova na frente do espelho. E o Rei tirou a roupa que vestia e os impostores fingiram entregar-lhe sucessivamente e ajudá-lo a vestir cada uma das peças que compõem um traje. Fingiram colocar algo ao redor de sua cintura e o Imperador, nesse meio tempo, virava-se uma vez ou outra para o espelho, a fim de contemplar-se.

Que bem assenta este traje em Sua Majestade. Como está elegante. Que desenho e que colorido! É uma roupa magnífica!

Lá fora está o dossel sob o qual irá Vossa Majestade tomar parte na procissão disse o mestre de cerimônias.

- Ótimo. Já estou pronto, disse o Rei. Acham que esta roupa me assenta bem? E novamente mirou-se no espelho, a fim de fingir que se admirava vestido com a roupa nova.

Os camaristas, que deviam carregar o manto, inclinaram-se fingindo recolhê-lo no chão e logo começaram a andar com as mãos no ar. Também não se atreviam a dizer que não viam coisa alguma. 0 Imperador foi ocupar seu lugar no cortejo da procissão embaixo do luxuoso dossel e todos os que estavam nas ruas e nas janelas exclamaram:

Como está bem vestido o Rei! Que cauda magnífica! A roupa assenta nele como uma luva! Ninguém queria dar a perceber que não podia ver coisa alguma, para não passar por tolo ou por incapaz. O caso é que nunca a roupa do Rei alcançara tanto sucesso.

- Mas eu acho que ele não veste roupa alguma! - exclamou então um menino.

- Ouçam! Ouçam o que diz esta criança inocente! - observou seu pai a quantos o rodeavam. Imediatamente todo mundo se comunicou com as palavras que o menino acabava de pronunciar.

- Não veste roupa alguma. O Rei está nu. Foi isso o que assegurou este menino.

- O Rei esta sem roupa! Começou a gritar o povo.

O Monarca fez um trejeito, pois sabia que aquelas palavras eram a expressão da verdade, mas pensou:

- A procissão tem de continuar.

E, assim, orgulhosamente, continuou mais impassível que nunca e os camaristas continuaram segurando a sua cauda invisível.

REFLEXÃO:

A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós. Dela os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios amigos e familiares. A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito.

A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes, reflete, quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete, satisfaz a sua necessidade de ser observado, comentado.

O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como. De alguma forma e de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certamente válido, até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.

É a nossa vaidade que nos faz acreditar sermos maiores do que realmente somos. Ela é um sentimento que faz o homem querer se destacar. A vaidade é um desejo superlativo de chamar a atenção, ou a presunção de ser aplaudido e reverenciado perante os outros. É a ostentação dos que procuram elogios, ou a ilusão dos que querem ter êxito diante do mundo e não dentro de si mesmo. A vaidade não passa de orgulho que faz o insensato acreditar que possui supostas virtudes. É importante não olvidarmos que a vaidade atinge toda e qualquer classe social, desde as paupérrimas até as que atingiram o cume da independência econômica. O orgulho está incluído entre os tradicionais pecados capitais.

Como a vaidade é uma ideia justaposta ao orgulho, ela também se destaca como um dos mais antigos defeitos serem combatidos na Humanidade. No entanto, somente poderemos nos transformar se conseguirmos ver e perceber em nós mesmos as raízes da vaidade, visto que negá-la de modo obstinado é ficar estritamente vinculado a ela. É oportuno dizer que não estamos nos referindo aqui no esmero na maneira de andar, falar, vestir ou se enfeitar, que, em realidade, são saudáveis e naturais, mas a uma causa mais complexa e profunda. O motivo de nossas análises e observações é o estado íntimo do indivíduo vaidoso, ou seja, o que está por baixo do interesse dessa exibição e dessa necessidade de ser visto, a ponto de falsificar a si mesmo para chamar a atenção.

Por fim, cuidar-se, sentir-se melhor com a própria imagem, dentro do bom senso, é perfeitamente natural. Viver em função da aparência, além de dar-se um valor maior que carrega, exaltando-se e, quase sempre, diminuindo os outros, é atestado da enfermidade moral chamada vaidade. Temos na figura do menino que olha e grita: “O rei está nu!”, o melhor tipo de pessoa de que poderíamos nos cercar.

 

Muita Paz!

domingo, 24 de outubro de 2021

 


REFLEXÕES SOBRE ALLAN KARDEC

Olá, Amigos! Encerrando as comemorações do mês de Kardec, vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se do tema “Reflexões sobre Allan Kardec”. Mais uma vez, revivemos a emoção da comemoração do aniversário da reencarnação do Codificador da Doutrina Espírita. Foi no dia 03 de outubro de 1804, em Lion, na França, que voltou ao mundo terreno um Espírito que recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail e que, mais tarde, ficaria conhecido como Allan Kardec, nome adotado por sugestão do mundo espiritual. A sublime Doutrina Espírita tem sido um farol a iluminar caminhos de todos quantos dela se aproximam em busca de explicações para os “problemas do ser, do destino e da dor”, bem como tem servido de lenitivo para os que buscam os seus ensinamentos nos instantes de sofrimentos físicos, das contrariedades, ou nos aflitivos momentos de perdas de entes queridos que nos precedem no retorno à Pátria Espiritual. A predestinação deste Espírito, plasmado para cumprir a promessa do Cristo em revelar um Consolador para a humanidade, com o claro objetivo de recuperar os padrões primeiros do Cristianismo, quando a palavra luminosa de Jesus estabeleceu a Regra Áurea do relacionamento entre os homens. Que responsabilidade Kardec assumiu! Somente sua interação secular com a terra gaulesa poderia dar a ele a compreensão do Espírito de França e cercar-se de um grupo seleto e comprometido com a restauração cristã. Ele sabia que todos os riscos estariam presentes, mas sabia também que eminentes cientistas de sua época estariam nas trincheiras do seu bom combate. Até na companheira de sua vida, Amélie Boudet, Kardec foi privilegiado porque nela encontrou as condições de paz e serenidade, para montar a estrutura da codificação espírita.

E, mais do que isto, Kardec trouxe para o domínio da razão e da ciência os fenômenos que envolvem o mundo dos espíritos e que até então estavam restritos ao campo das superstições e do sobrenatural. Foi um homem de ciência, na acepção mais rigorosa do termo, pois não descartava nem aceitava qualquer dado novo que lhe chegava sem antes submetê-lo ao crivo da razão e da crítica experimental. Certamente, foi preparado pela Espiritualidade Superior, ao longo da sua trajetória como espírito imortal, para a missão que se lhe estava reservada. Ainda nascente, o Espiritismo já foi alvo das mais pesadas críticas, da mais perversa intolerância e isso, por parte dos descendentes morais dos algozes do Cristo, que pediu ao Pai que os perdoasse. A tradição cristã é rica no histórico dos mártires que pagaram com a vida, a prática de uma fé renovadora e sublime, superando seus próprios receios e abraçando, sem temor, a causa da felicidade. Teve que lidar com os mesmos algozes que empalavam os cristãos, que decapitaram Paulo, que queimaram Joanna D’Arc e Jan Huss, os mesmos e tristes recalcitrantes que destruíram, saquearam, ensanguentaram o mundo, em nome de Deus, durante as trevas medievais da inquisição ou na insana peregrinação das cruzadas. Se para a população parisiense o trabalho de Allan Kardec não mereceu o destaque devido, para os Espíritos foi seu melhor tradutor e representante encarnado. Somente alguém com domínio de métodos científicos de investigação e pesquisa seria capaz de sobrepor as angústias e ansiedades em não saber organizar um texto ou estruturar um pensamento científico mais complexo, como fez Allan Kardec.

Como tudo começou? Paris, rua Grange Batelière, número 18, maio de 1855. Eram oito horas da noite de uma terça-feira quando a sessão na casa da Sra. De Plainemaison começou. Em silêncio absoluto, os convidados tomaram seus lugares à mesa, mãos espalmadas sobre o tampo de carvalho. Entre os mais compenetrados estava o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, 50 anos. Em poucos minutos, se tudo desse certo, ele seria testemunha de um fenômeno que causava espanto e polêmica na Europa e nos Estados Unidos do século XIX: o espetáculo das mesas girantes. Ele já tinha lido as notícias nos jornais e ouvido os relatos das cenas que se repetiam em salões nobres de Paris, Londres, Nova York e São Petersburgo, diante de personalidades tão ilustres quanto perplexas: mesas de todos os pesos e tamanhos se erguiam do chão e se moviam em todas as direções, sem que ninguém as levantasse. Algumas chegavam a atingir o forro do teto e a se espatifar lá embaixo, como se estivessem dominadas por forças ocultas. Outras flutuavam no ar e pousavam diante das testemunhas, como folhas ao vento. Muitas seguiam as ordens e contraordens dos comensais. Direita, esquerda, sobe, desce, para. Assombração? Possessão? Autossugestão? Delírio coletivo? Estudioso, desde os 19 anos, da hipnose, do sonambulismo e do poder curativo dos fluidos magnéticos, o professor Rivail tinha uma tese científica para explicar o que muitos celebravam como manifestações do além: A eletricidade dos corpos reunidos em torno das mesas agiria sobre elas. Era a força magnética dos participantes das sessões, e não os fantasmas, o combustível das mesas. E essa era a melhor das hipóteses. Era, portanto, com um misto de curiosidade e desconfiança que Rivail se preparava para encarar os prováveis fenômenos da noite.

Kardec refletia: A eletricidade dos corpos reunidos em torno das mesas agiria sobre elas. Era a força magnética dos participantes das sessões, e não os fantasmas, o combustível das mesas. E essa era a melhor das hipóteses. Era, portanto, com um misto de curiosidade e desconfiança que Rivail se preparava para encarar os prováveis fenômenos da noite. Será que a mesa se moveria? Será que seguiria as instruções dos anfitriões e convidados, como a obediente mesa do conde, estadista, escritor e orador Agénor de Gasparin? A presença do professor cético na sessão da Sra. De Plainemaison aumentava a tensão e a expectativa dos anfitriões e convidados naquela noite. Quem sabe o professor não encontraria explicações científicas para o sobe e desce das mesas, caso o fenômeno se repetisse na casa da Sra. De Plainemaison? Quem sabe não desvendaria truques secretos por trás de movimentos atribuídos a fantasmas? O professor estava disposto a dar crédito à anfitriã, considerada respeitável e confiável pelos velhos conhecidos, mas só decidiu apostar na sua boa-fé depois de inspecionar, com a devida discrição, o ambiente iluminado por velas e candelabros, em busca de sinais de traquitanas ocultas. Nenhum ímã ou roldana à vista. Concentrem-se, por favor. E que Deus nos abençoe nesta noite.” Uma breve prece antecedeu o longo período de silêncio, só interrompido pela passagem de carruagens do lado de fora, pelo tique-taque dos relógios de bolso e por tosses esporádicas. Rivail já pensava em se retirar, para preparar as aulas do dia seguinte, quando ouviu estalidos sobre os tacos e testemunhou o primeiro movimento da mesa.

Se pudesse erguer as mãos, anotaria, com o máximo de isenção, suas impressões sobre aquela noite, sem tomar partido, ainda, de nenhuma das linhas de investigação dos fenômenos existentes até aquele momento. Ele já conhecia os principais argumentos e interesses em jogo neste território nebuloso, onde fé e ciência mediam forças na então capital cultural do mundo, berço de iluministas consagrados. Mas o palco agora era outro, a sala da Sra. De Plainemaison. E as mesas teriam de exibir prodígios admiráveis para derrotar as desconfianças do professor Rivail. Por mais que lesse os relatos do conde de Gasparin e de Eugène Nus e estudasse os pareceres de Faraday e Chevreul, ele precisava “ver com os próprios olhos e sentir com os próprios dedos” para descartar uma série de suspeitas e possibilidades. Não bastava que as mesas se movessem, esses movimentos poderiam ser provocados, segundo Rivail, pela eletricidade dos corpos reunidos na sessão: Na casa da distinta Sra. Plainemaison, ninguém cobrava ingresso nem pedia doações. O espetáculo era gratuito e estava prestes a começar. Chegou a hora. As mesas giraram na casa da rua Grange Batelière e a cabeça de Rivail girou junto. Os registros sobre o que ele viu naquela noite são bastante concisos: “As mesas giravam, saltavam e corriam em tais condições que não deixavam lugar para qualquer dúvida.” Rivail testemunhou também o que definiu como “alguns ensaios, ainda muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta”. Amparada nas bordas pelas mãos da Sra. Plainemaison, a cesta de vime moveu-se, aos solavancos, sobre uma placa de ardósia, rocha acinzentada usada como lousa na época. Encaixado no fundo do cesto, com a ponta voltada para baixo, um ponteiro da mesma pedra inscreveu frases esparsas na lousa.

Eram respostas a perguntas lançadas ao invisível, escritas, ao que parecia, sem qualquer participação, ou consciência, da anfitriã.  Foi o bastante. Rivail voltou para casa atordoado. Entrevi, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como a revelação de uma nova lei, que tomei a mim investigar a fundo. Havia um fato que necessariamente decorria de uma causa. Qual seria a causa daqueles movimentos inexplicáveis? O que, ou quem, estaria por trás dos giros das mesas e dos ditados do além? Há ou não uma força inteligente? Eis a questão. Se esta força existe, o que é? Qual será sua natureza e sua origem? Está além da humanidade? Rival decidiu buscar respostas, com os devidos cuidados, de acordo com métodos científicos adotados por ele desde os tempos de estudante. A vida de Rivail estava prestes a se transformar radicalmente. O professor, que conciliava a educação com o ofício de contador para sobreviver, passou a dar atenção cada vez maior ao invisível. O professor sentiu na pele, ou melhor, nos próprios olhos, os efeitos do sonambulismo ao enfrentar um problema grave entre 1852 e 1853: a perda de visão, a ponto de já não conseguir ler nem escrever. Após uma série de exames, o médico especialista deu o diagnóstico: amaurose, com comprometimento irreversível do nervo óptico. O paciente deveria se preparar para o pior: a cegueira iminente. Na dúvida, Rivail decidiu ouvir uma segunda opinião. Em vez de recorrer a outro médico, o velho estudioso do magnetismo bateu na porta de uma sonâmbula conhecida em Paris por promover curas milagrosas.

O diagnóstico dela foi bem menos dramático: não era amaurose, mas, sim, uma inflamação nos olhos: “Em quinze dias experimentareis ligeira melhora; em um mês começareis a ver, e, em dois ou três meses, estareis curado.” Em seguida, receitou a aplicação de uma mistura de água e ervas. O cronograma foi cumprido à risca. Era preciso estudar, e Rivail encontrou um campo de estudos mais fértil para suas pesquisas quando foi apresentado a duas meninas na casa da Sra. Plainemaison: Caroline e Julie Baudin, então com 16 e 14 anos, filhas de Emile-Charles e Clementine Baudin. Consolar, essa foi a missão que ele recebeu. Dizer aos homens que nada está perdido, que tudo se reconstrói através da regeneradora engenharia da reencarnação e que somos perfectíveis, que podemos, sim, construir a paz e o amor, com nosso esforço e nossa luta. Desempenhou-se da missão com a altivez e a humildade dos sábios, sempre defendendo, perante aqueles que o combatiam, de forma elegante e respeitosa, as novas ideias de que se fizera propagador. Numa época em que ainda ressoavam os ecos da Inquisição e as doutrinas positivistas e materialistas mostravam-se ao mundo, ante um pensamento religioso que já não atendia aos anseios do homem, coube a Kardec a tarefa de contê-las, não através de um proselitismo fácil, mas de um corpo doutrinário vindo do Alto e para o qual contribuiu com o ordenamento de seus ensinamentos e com toda a parte experimental. Demonstrou a certeza da vida futura, acenando com uma nova era de progresso e esperança. A missão de Allan Kardec começa na sua condição de educador. Síntese das obras espíritas que Kardec publicou:

Livro dos Espíritos em sua primeira edição em 1857 e a segunda edição em 1860 – O segundo livro, pouco conhecido por muitos de nós, Ilustrações práticas sobre as manifestações espíritas editado em 1858. É um opúsculo muito interessante porque faz uma exposição completa das condições necessárias para a comunicação com os Espíritos  – O que é o Espiritismo 1859 – Carta sobre o Espiritismo 1860 – Espiritismo experimental O Livro dos Médiuns 1861 – O Espiritismo na sua expressão mais simples 1862 – Viagem espírita 1862 que traz informações sobre o espiritismo na França – Resposta à mensagem dos espíritas lioneses por ocasião do ano novo em 1862 – Resumo da lei dos fenômenos espíritas em 1864 – Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo em 1864, depois em 1865 a expressão imitação é retirada e o opúsculo fica com o nome que conhecemos hoje, O Evangelho segundo o Espiritismo – Coleção de composições inéditas; são extrações do próprio Evangelho segundo o Espiritismo 1865 – Não menos importante, O Céu e o inferno 1865 – Coleção de preces espíritas 1865 – Estudo acerca da poesia medianímica 1867 -  Caracteres da revelação espírita 1868 – A Gênese, os milagres e a predições segundo o Espiritismo 1868 – Obras póstumas 1890, lançada após o desencarne de Allan Kardec – Revista espírita, que nasce no ano de 1858 e ela se finda no ano de 1869, que é o ano em que Allan Kardec desencarna. sempre é tempo de lembrarmos Kardec e segui-lo nesta moderna e promissora imitação do Cristo, a doutrina Espírita. Dizer-se espírita não basta. Necessário é tornar-se espírita, o que lhe exigirá a conscientização daqueles princípios e não apenas o conhecimento deles. Esquecido o ensinamento espírita, condena-se a Doutrina Espírita à estagnação.

Lamentável: A biografia de Allan Kardec no seu dia a dia, na sua labuta cotidiana para o estabelecimento das balizas do Espiritismo é praticamente desconhecida. Foi preciso Kardec fazer duzentos anos de nascido para que fosse disponibilizado aos espíritas uma versão em português de todos os tomos da Revista Espírita, onde está a história da Doutrina Espírita; onde está o dia a dia de Kardec; onde estão as orientações do Codificador; onde está estabelecido o seu critério ao longo do tempo. Em virtude disso, muitos espíritas não conhecem a obra total do Mestre de Lion e, assim, se equivocam em seus julgamentos, ou, então, não fazem caso do que disseram ou deixaram de dizer o Codificador e seus excelsos orientadores espirituais. A simples leitura da Revista Espírita mostra, com riqueza de detalhes, a força dos argumentos do Codificador para desfazer as críticas, afastar as intrigas, num incessante trabalho de esclarecimentos, estudos e quebra de um paradigma estratificado na imperfeição humana. Pode-se imaginar o que Kardec passou na cética Paris, quando anunciou o Espiritismo. A obra de Kardec é fonte inesgotável; orienta o contato com os desencarnados, porém, o melhor é que ensina, sobretudo, a viver entre os encarnados. Estudemos Kardec sob todos os ângulos e Pensemos nisso!

Eu fico por aqui.

Muita paz!

Aguardem na próxima semana, um novo estudo sobre ensino espírita.

Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec!

E não se esqueça: O Amanhã é sempre um dia a ser conquistado! Pense nisso!