INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
Pense nisso!

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domingo, 29 de maio de 2022

 


Reclamar das circunstâncias da vida

Com base na página “A Resposta Celeste”, do livro Jesus no Lar, pelo Espírito Neio Lúcio. Conta-nos assim o autor da página. Solicitando Bartolomeu esclarecimentos quanto às respostas do Alto às súplicas dos homens, respondeu Jesus para elucidação geral: Antigo instrutor dos Mandamentos Divinos ia em missão da Verdade Celeste, de uma aldeia para outra, muito distanciadas entre si, fazendo-se acompanhar de um cão amigo, quando anoiteceu, sem que lhe fosse possível prever o número de milhas que o separavam do destino. Reparando que a solidão em plena Natureza era medonha, orou, implorou a proteção do Pai Eterno, e seguiu. Noite fechada e sem luar, percebeu a existência de confortadora cova. Acariciando o animal que o seguia, dispôs-se a deitar-se e dormir. Começou a instalar-se, mas espessa nuvem de moscas o atacou, obrigando-o a retomar o caminho. Quando se lhe deparou volumoso riacho, uma ponte rústica oferecia passagem pela via principal. O santo pregador pretendia ganhar a outra margem quando a ponte desligou-se das bases destroçando-se por inteiro. Sem recursos, seguiu por outro rumo. Exposto à chuva, o peregrino movimentou-se para diante. Encontrou um casebre rural. Bateu à porta. O homem ríspido que veio atender foi claro na negativa, alegando que não lhe era permitido acolher pessoas estranhas. Acomodou-se como pode, debaixo do temporal, nas cercanias da casa campestre; no entanto, a breve espaço, notou que o cão, aterrorizado pelos relâmpagos sucessivos, fugia a uivar, perdendo-se nas trevas. O velho, agora sozinho, chorou angustiado, acreditando-se esquecido por Deus, passou a noite ao relento. Alta madrugada ouviu gritos, sem poder precisar de onde partiam. Intrigado, esperou o alvorecer e, quando o sol surgiu, saiu do esconderijo, vindo a saber, por intermédio de camponeses, que ladrões pilharam a choupana onde lhe fora negado o asilo, assassinando os moradores. Repentina luz espiritual aflorou-lhe na mente. Compreendeu que a bondade divina o livrara dos malfeitores e que, afastando dele o cão que uivava, lhe garantira a tranquilidade de pouso. Foi informado também por um lavrador de que a terra do outro lado da ponte não passava de pântano, em que muito viajores imprevidentes haviam sucumbido. Soube também que a árvore que, de início, lhe parecia confortadora cova, era conhecido covil de lobos. Nesse ponto da curiosa narrativa, o Mestre fitou Bartolomeu demoradamente e terminou: O Pai ouve sempre as nossas rogativas, mas é preciso discernimento para compreender as respostas dEle e aproveitá-las.

Reflexão:

A misericórdia divina está em toda parte. Deus é soberanamente bom e justo, o que significa dizer que tudo o que acontece na vida está ligado aos Seus desígnios, e sempre ocorre dentro dos limites permitidos por Sua vontade. Nada o que ocorre é inútil, apesar de, para algumas pessoas, assim parecer. Todo fato, toda experiência, traz em si lições a serem aprendidas e incorporadas por aqueles que as vivenciam. Sua lei é regra de justiça e regra de amor. Regra de justiça porque é a referência que delimita as ações e as reações, as causas e seus efeitos. É o padrão pelo qual seremos avaliados a cada passo na jornada terrestre que nos é própria. É regra de amor porque determina que tudo no Universo se harmonize pelo amor, pelo equilíbrio, e pela paz entre as criaturas. O amor que Deus nos determina não é mera indicação emocional. É, antes de tudo, uma necessidade presente na vida universal, como elemento vital para o equilíbrio do homem e para a sua vida. Sentir a presença de Deus dentro de nós é tornar-se capaz de entender Sua justiça. Não existem seres privilegiados no Universo. Todos são igualmente aquinhoados com os recursos necessários, proporcionais a seus méritos e às suas condições de recebê-los e utilizá-los. Alguns ditados conhecidos expressam essa assertiva: “Deus não entrega fardos pesados para ombros fracos”; “Deus não dá pérolas aos porcos”. Existe até uma estorinha que exemplifica bem o que estou dizendo: Alguém foi ao céu reclamar, com muita veemência, da cruz que carregava. Achava a sua cruz muito grande e pesada. Pediu então ao Anjo Guardião para trocar a sua cruz por uma mais leve, mais suave, que fosse capaz de carregar. O Anjo permitiu a troca e levou-o até o depósito das cruzes, solicitando que ali depositasse a sua cruz e escolhesse outra ao seu gosto. Ele perambulou por dentro do depósito, experimentou várias cruzes, mas nada lhe agradava até que, então, depois de muito procurar aquela cruz que desejava carregar, encontrou uma que lhe parecia a mais adequada. Voltou então ao Anjo e disse: já escolhi. Desejo carregar esta aqui. E, surpreso, ouviu o Anjo dizer que aquela era a cruz que levara para trocar. Isto serve para nos mostrar que a cruz que carregamos, todos nós, é aquela que é adequada ao nosso burilamento e à nossa evolução espiritual. Nem mais, nem menos. A falta de fé leva as criaturas a reclamarem de sua sorte, como se a sorte de cada um de nós dependesse apenas do acaso e não fosse a consequência natural de nossa própria escolha. Somos, todos, os únicos responsáveis pelas nossas vicissitudes, pelas nossas dores, e pelas nossas experiências. Pensando bem, podemos perceber até que toda reclamação demonstra, como premissa, alguma fraqueza de espírito, isto porque denota a presença de impaciência ou de intolerância à falta de resignação diante das cenas da vida. Em alguns casos, até a incidência da prepotência e do orgulho. Os desígnios de Deus, portanto, se manifestam a todo instante, em todos os fatos e de formas diferentes, mas sempre alinhados com sua lei de justiça e de amor. Entretanto, nem sempre o homem consegue perceber os recursos que estão sendo disponibilizados ou as oportunidades que estão sendo constantemente oferecidas em sua jornada evolutiva. É preciso ter muita atenção e vigilância para que se possa perceber a resposta de Deus nas nossas rogativas e anseios mais íntimos, sejam eles declarados ou não. Todos os recursos fornecidos pela Criação são úteis e visam proporcionar a aquisição de conhecimento e sabedoria na vida de relação do homem com o mundo em que vive. Costuma-se dizer que Deus escreve certo por linhas aparentemente tortas. Isto significa que, apesar de não conseguirmos identificar que os recursos necessários estão sendo realmente proporcionados, eles estão sempre presentes, e os resultados finais assim os demonstram. Desta forma, se hoje você lamenta a sua sorte, reclama das circunstâncias de sua vida; se hoje não consegue perceber a presença de Deus a lhe oferecer oportunidades e experiências; se hoje mantém a sua fé oscilando entre o crer e o descrer; se hoje ainda não consegue perceber que seus ombros estão preparados para as experiências que vivencia; e, se não acredita que Deus ouve as suas súplicas mais secretas, proporcionando as respostas que lhe são justas e os recursos que necessita, medita sobre esta breve narrativa. Nem sempre a Providência Divina vem da forma que desejamos. Mas, com certeza, sempre vem ao encontro das nossas reais necessidades. O que ocorre na realidade é que imperfeitos que somos não conseguimos alinhar nossas expectativas com as nossas necessidades e, portanto, pecamos ainda por falta de discernimento para compreender as respostas de Deus, e saber aproveitá-las adequadamente. Acredite! Deus está com você e é por você, assim como é por todas as criaturas do Universo.

Momentos de paz, a serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados, cujo objetivo é levar as pessoas a uma reflexão sobre a vida.

Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec!

Muita Paz!

domingo, 22 de maio de 2022

 


Qual é a vantagem em ser espírita?

Todos que aqui estamos, neste planeta de Expiações e Provas, encarnados ou desencarnados, somos viajores a caminho da luz. E para que a luz possa se fazer em nosso Espírito é essencial a vivência nas práticas do bem, e o desapego às coisas materiais. Não há crescimento espiritual, não há iluminação interior sem obras que justifiquem a efetiva modificação vibratória. O Espiritismo, doutrina maravilhosa, que descortina horizontes, abre as mentes para a nossa essência e destinação; consola nossas aflições; forja nosso temperamento ainda imperfeito. É a grande oportunidade que o Pai amoroso nos oferece para que possamos iniciar o caminho da iluminação. Contudo, é necessário perceber que, aqueles que aqui se encontram, ainda são espíritos imperfeitos, que trazem na sua bagagem espiritual vícios e costumes impróprios, dos quais ainda não conseguiram se desvencilhar.

A Natureza não dá saltos e, por conseguinte, ninguém consegue tornar-se perfeito da noite para o dia. Em cada momento da vida, vamos nos deparar com situações que ensinam, que testam, que provam nossa constância de propósitos e a nossa fé na vida futura. Jesus orientando os Seus seguidores, e sendo conhecedor profundo da natureza de cada um, recomendava oração e vigilância, como elementos indispensáveis na batalha entre o homem velho e o homem novo. Recomendava fé na Providência Divina, otimismo na caminhada, desapego às coisas materiais, como posturas essenciais para Seus seguidores, passes obrigatórios no pedágio da estrada de iluminação espiritual. Recomendava calma, diante das circunstâncias mandatórias para o perfeito discernimento das situações vividas, uma vez que, toda precipitação é danosa e escurece as opções do caminho.

O fato de entendermos estas coisas não nos torna imunes às circunstâncias adversas, nem nos asseguram o melhor desempenho diante delas. Uma coisa é a nossa intenção, outra coisa é a nossa atenção, para que tomemos a correta postura, a melhor atitude diante das experiências a que somos submetidos. Sabedor disso, Jesus não recomendava apenas a oração, mas, também, a vigilância, isto é, a atenção a cada passo, para não nos surpreendermos em queda por força da imprevidência ou da precipitação. A atenção permite o foco sobre os instantes vividos e nos permite também encontrar os melhores caminhos. Com certeza, a oração eleva, nos liga com as forças sublimes, nos predispõem ao bem, ao equilíbrio e a harmonia com o Universo. Mas, a oração e o deslumbramento sem a devida atenção pode não nos assegurar o antídoto necessário para impedir a queda diante das circunstâncias adversas.

Erra aquele que pensa que o espírita, pelo simples fato de assim sê-lo, tem privilégios do Pai. A prática das religiões neste planeta não assegura a seus seguidores salvo conduto para eles. O que realmente importa é a prática do amor, que tem na humildade e na caridade seus pilares essenciais. Cristãos, budistas, árabes, judeus, com certeza, todos buscam o aperfeiçoamento moral, e este aperfeiçoamento será avaliado pelo fiel da balança do amor. Cada ser que gravita neste planeta, entre mergulhos na carne e emersão no Plano Espiritual, está em estágio próprio de evolução. Como Espíritos imperfeitos, ainda temos muitas lições a serem aprendidas; muitas experiências a serem vividas; muitos valores a serem adquiridos.

Entre as lições necessárias estão: a pacificação em nosso coração, a resignação diante das provas, a misericórdia em nossas ações, a eliminação do julgamento em nossas palavras e pensamentos, a simplicidade em nossos hábitos e atitudes, a pureza de coração. Todas essas lições foram apontadas pelo divino Mestre como Bem-aventuranças, que só poderão ser aproveitadas quando necessariamente cumpridas. Não há de ser pela crença que temos ou pela fé que professamos que seremos dispensados de aprender as lições necessárias. Isso não significa, entretanto, que ser espírita não nos traga novas oportunidades para lidar com o mundo. Com certeza, a ampliação da visão, a busca da verdade espiritual são fortes alimentos na luta que travamos com nossas imperfeições. Qual é então a vantagem em ser espírita?

O Espiritismo não oferece vantagens. Mas, sim, a verdade. E, como disse Jesus, será esta verdade que haverá de libertar os homens dos grilhões que ainda os mantém presos às coisas materiais. O Espiritismo amplia percepções e facilita a caminhada. Mas o caminho deverá ser trilhado por cada um, independente de crença ou de fé. Ficou claro para nós, que a abertura da visão é misericórdia em acréscimo que o Pai nos oferece. E aqueles que mesmo sendo espíritas padecem suas dores e aflições, com certeza estariam em situações muito piores se já não descortinassem consolo e a verdade. O Espírito de Verdade, no capítulo VI do Evangelho Segundo o Espiritismo nos recomenda: Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.

O conhecimento, a instrução, a reflexão, são facilitadores da evolução. Mas o amor é o fiel da balança que diferencia os homens. Que a reflexão de hoje possa ficar em nossas mentes. Há que se manter a calma, o otimismo, a confiança na Providência Divina. Há que se exercitar a oração, que predispõe vigilância e atenção aos momentos da vida, para que o crescimento espiritual venha como consequência natural de nossas ações, pautadas na humildade e na caridade.

Muita Paz!

domingo, 15 de maio de 2022

 


O Homem de bem e os bons espíritas

O tema “O Homem de Bem” é uma obra para ser lida, refletida e disseminada por todos os cristãos, por resumir as características práticas daquele que deve praticar a caridade naturalmente, demonstrando em suas ações o cumprimento da Lei de Deus. No item 2 do capítulo 20 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, tem uma frase do Espírito Constantino, que diz o seguinte: “Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos trabalhadores da última hora”. Então, não basta ser espírita; é preciso ser um bom espírita! Para Kardec, o Homem de Bem, o homem útil, o homem caridoso, é aquele que é capaz de cumprir a lei de justiça, a lei de amor, e a lei de caridade, na sua maior pureza. É aquele que interroga sempre a sua consciência para avaliar se seus atos foram pautados com todo o bem que ele poderia fazer, com toda utilidade que estivesse ao seu alcance: Fui útil? Estou sendo útil? O Homem de Bem é aquele que se submete à vontade de Deus, por compreender que nada mais é do que simples criatura. Tudo que tem, tudo que é, provém do Criador. O Homem de Bem é aquele que tem fé na vida futura, na vida espiritual, e compreende que ela só será plena de luz se for capaz de vencer o combate que trava constantemente consigo mesmo. É aquele que percebe que as dores do mundo, as decepções, as frustrações, são provas ou expiações necessárias para o seu burilamento. Que os inimigos são colocados junto dele , ao seu lado, a fim de que seja advertido com mais clareza do que faria um amigo, porquanto, aquele adversário nenhum interesse tem em mascarar a verdade. O Homem de Bem sabe que o sofrimento que o visita provém da postura que ele assume diante das dores que, muitas vezes, não consegue suportar com resignação, com coragem. O Homem de Bem sente satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que proporciona, fazendo tudo o que pode, servindo. É aquele que o sentimento de caridade o impulsiona a pensar no semelhante antes de pensar em si próprio. O Homem de Bem é bom e age sem distinção de pessoas; respeita todas as convicções sinceras e não lança anátema e nem combate aqueles que não pensam como ele; não compete; ao contrário, sempre busca agregar valor no que faz, no que diz e no que exemplifica. O Homem de Bem é aquele que recua diante da possibilidade de causar alguma dor no seu semelhante, quando pode evitar; é aquele que não alimenta ódio, nem rancor, e nem desejo de vingança. O Homem de Bem é aquele que perdoa e esquece as ofensas recebidas, e só lembra dos benefícios recebidos; é aquele que tem a postura indulgente, compreensiva com as fraquezas alheias, por saber que ainda aquele ser é carente de indulgência e misericórdia; vive em contato com o mundo, convivendo pacificamente com todos, e colabora para o bem-estar comum; não toma para si a ação da justiça; não julga, não pune, não rotula as pessoas; não é preconcebido; não evidencia fraquezas, males e imperfeições, apenas ampara, ajuda, suporta e consola; é aquele que busca identificar e combater suas próprias fraquezas, com perseverança e determinação; não se deixa abater pelas quedas do caminho. O Homem de Bem vive neste mundo sem pertencer a ele; não se deixa envolver pelos vícios e pelas tentações; sabe tirar lições de todas as situações da vida, entendendo que o uso do livre-arbítrio é a forma mais adequada para o seu aprendizado e sua evolução; é aquele que não abusa dos bens que lhe é concedido; cuida do corpo conforme as normas de saúde e higiene de que dispõe, e cuida do Espírito, segundo o que lhe é dado conhecer; entende que é um depositário de acréscimo de misericórdia, do qual deverá prestar conta; não se sente melhor nem diferente de ninguém, respeitando as eventuais diferenças, que estão nas virtudes que possuímos, pela ótica do amor, da compreensão e da fraternidade. Todas estas características estão relacionadas ao amor em ação, que é a caridade. Único caminho pelo qual se chega à meta primordial, que é a perfeição. Assim, não há como tornar-se um Homem de Bem sem trabalho e sem o exercício da vida e, nela, a sua boa vontade e disposição para o serviço serão sempre alavancadores do progresso espiritual e forças construtivas para um mundo melhor. Se hoje já compreendemos e aceitamos essas verdades, mas lutamos ainda com as dificuldades naturais do caminho do aprendizado que, às vezes, não nos deixa vislumbrar os reais resultados de nossos esforços, e se ainda convivemos com a incompreensão, com a intolerância, com a calúnia, com a intemperança, em todo caminho que escolhemos encontramos sempre espinhos, que nos ferem e nos desanimam. Pensemos nas palavras de Jesus e apresentemo-nos com boa vontade para a batalha interior com as nossas próprias fraquezas e imperfeições, extirpando do nosso coração as raízes do egoísmo e do orgulho. Assim, suportaremos nossas dores, evitando torná-las um sofrimento desnecessário, problemas que só o são para a nossa ótica, e nunca para a ótica do Pai. A doutrina da consolação nos conclama para a integração da paz e da compreensão, para que encontremos o consolo necessário para as nossas lutas que, hoje, nos parecem inglórias. Vamos procurar agir como o Homem de Bem para que, no futuro, passemos pelo bem que fizermos hoje; pelo amor que dermos hoje; pelo consolo que espalharmos hoje e, com certeza, não passaremos por trevas, porque elas se dissiparam hoje, e não teremos feridas a lamentar porque elas já cicatrizaram hoje. Aproveitemos bem as oportunidades que nos forem concedidas e não desperdicemos tempo. Agora, com relação a ser  bom espírita, nós vamos notar que se trata de um tema muito atual. Cada um de nós gostaria de ser considerado bom naquilo que faz: ser um bom médico, ser um bom carpinteiro, um bom advogado, etc. Enfim, é uma aspiração de todas as criaturas, principalmente aquelas que dispõem um pouco de bom senso. É claro que ninguém quer ser mau nas suas atividades, nem quer ser inferior naquilo que é. Nós, seguidores da Doutrina Espírita, gostaríamos muito que o trabalho que executamos em favor do nosso semelhante sempre fosse considerado bom, de boa qualidade. É o ideal de qualquer ser humano, apresentar um bom trabalho. Mas, nem sempre é assim. Quantas vezes nós permitimos que as coisas do mundo interfiram na nossa maneira de ser espírita. Basta num determinado momento das nossas vidas em que haja acontecido algo, deixamos de lado a atitude do espírita, interrompemos uma tarefa na seara do Cristo. E, aí, nós chegamos a uma conclusão um pouco dolorida de que realmente o termo Bons Espíritas não foi devidamente esmiuçado o bastante para que a gente possa aplicá-lo à maioria das pessoas que estudam a Doutrina. A Religião Espírita, a Filosofia Espírita e a Paciência Espírita nos ajudam a pensar melhor, a agir melhor, a raciocinar e a deliberar melhor, mesmo que o estudioso não seja espírita. O Espiritismo bem compreendido mas, sobretudo, bem sentido, conduz forçosamente aos resultados já mencionados nesse estudo que caracteriza o verdadeiro Espírita, o verdadeiro cristão. O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo. O Espiritismo não permite distorções. O verdadeiro espírita tem o coração aberto às dores do mundo. Tem a sua mente iluminada para entender o sofrimento, os erros e as dificuldades de seus irmãos de caminhada, sejam eles quem forem. Não hesita em dar abrigo, alimento, e o que estiver ao seu alcance ao desconhecido. Com toda certeza, precisamos disciplinar os nossos hábitos para sermos melhormente espíritas. O Espiritismo amplia o campo de nossas observações mostrando-nos, como ensinava o apóstolo Paulo, “Que tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. Então, o Homem de Bem é indulgente com as fraquezas alheias; nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios; estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente combatendo-as. Já o verdadeiro Espírita é reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as suas más inclinações. Coloca o Espiritismo a frente de todas as coisas; age como Espírita; procede como Espírita; tem consciência de que é um ser espiritual eterno; que a morte não existe, e sim a vida, sempre; no estudo do Evangelho busca o que Jesus espera de nós. Um dia, todos nós seremos perfeitos.

Muita Paz!

domingo, 8 de maio de 2022

 


Mãe, expoente máximo

Para a mulher participar do milagre da vida, Deus a fez mãe. Ser mãe é missão de grande responsabilidade. É ter o privilégio de trazer ao mundo espíritos e conduzi-los na senda do bem. Ser mãe é não esquecer a emoção do primeiro movimento do bebezinho dentro da barriga; não esquecer o instante maravilhoso em que ele se materializa ante seus olhos. A família tem sido, ao longo da História da Humanidade, a base fundamental para a constituição e organização da sociedade, por isso se faz, em algumas circunstâncias, como que uma analogia, no sentido de qualificar a textura societária, em função das famílias que a integram. É por isso que o papel da mãe é tão importante e como cada vez mais se torna  necessário que ela esteja bem preparada para transmitir aos seus filhos,  não só os bons exemplos de honradez, reputação, dignidade, como também toda uma hierarquia de valores, compatível com uma cultura fortemente humanista. Por vezes afirma-se que “quem não é na família, também não o será na sociedade”, significando tal assertiva que: quem não for educado, correto, respeitador e organizado nos seus relacionamentos, esse comportamento poderá ficar a dever-se ao que vive no contexto familiar, não significando que esta situação seja a regra. Para além das muitas outras funções que a Mulher vem desempenhando na família, no trabalho, na sociedade, nas instituições, é indispensável que esta dimensão materna a eleve a um nível máximo, porque ela, com todas as suas qualidades, que são imensas, é dotada de uma espécie de sexto sentido, de pressentimentos que, muitas vezes, acabam por se confirmar: para o bem ou para o mal, ela é que tem uma capacidade infinita de amar, de sofrer, ela que é única e insubstituível, ela que é o símbolo da proteção, do amor e da felicidade. Quantas Mães vivem em total nostalgia, sofrendo e deplorando a perda de um filho? Esta dimensão, avassaladoramente amorosa de uma Mãe, não é equiparável a nenhuma outra situação, por isso, a obrigação moral de todos os filhos tudo fazerem para dar o melhor às suas mães. A literatura espírita é pródiga em exemplos de mães que se desvelam por seus filhos mesmo além da esfera carnal. O Dia das Mães nos induz a pensar sobre isso. Reencarnamos para aprender a amar. Precisamos aprender a disciplina, adquirir conhecimentos e fortalecer experiências. Mas tudo, no final das contas, se resume no Amor. O Universo foi feito do Amor de Deus. Deus é Amor. Difícil de entender? Para nos facilitar o entendimento é que reencarnamos, para praticar na matéria o Amor de que somos capazes. Nosso estágio evolutivo não permite grandes voos filosóficos. A ideia que fazemos de Deus é o máximo que podemos alcançar. E para lembrarmos que Deus é Amor nascemos da mulher. Se Deus é a ideia mais alta que podemos alcançar, a Mãe é a primeira prova de Amor com que nos deparamos a cada mergulho na matéria. E quando inauguramos nosso diminuto invólucro de carne na reencarnação que se inicia, contamos com a Mãe para nos nutrir, agasalhar, zelar, velar, desvelar. Contamos com o seu amor, mais do que com o simples instinto ou senso de responsabilidade. A Mãe é quem nos recepciona e orienta neste plano de que não temos lembrança quando aqui chegamos. É quem nos passa as primeiras informações de como a coisas funcionam por aqui. E se for uma Mãe como se espera que seja, vai nos lembrar valores que estão adormecidos dentro de nós, e que precisam ser reativados para que possamos utilizá-los. E vai perceber e corrigir desvios de caráter de que ainda não nos livramos, e que trazemos junto com o resto de nossa bagagem milenar. Estranho ser, este, chamado Mãe. Se apega tanto aos seres que reencarnaram por seu intermédio que nem sempre sabe quando é o momento de deixar que eles caminhem com seus próprios pés, e que caiam de vez em quando para que aprendam a se levantar. Leva tão a sério o seu papel de recepcionista e instrutora do ser que brotou dentro dela, que custa a perceber e aceitar que este ser já existia há muito tempo, que não pertence a ela, que é um ser único, individual, um ser de ninguém. Filho de Deus, como todo mundo. Ela, a Mãe Querida que pelos seus filhos é capaz de dar a vida, deve ser amada em todos os seus inúmeros papéis, porque antes de ser Mãe foi, é e será sempre Mulher, com imensas faculdades, as quais coloca ao serviço da família e da construção de uma sociedade e de uma humanidade culta e feliz. Hoje, quem tem uma Mãe, pode-se dizer que tem tudo o que de melhor há neste mundo, porque poucas, muito poucas, serão as pessoas que têm as virtudes de uma Mãe, que é capaz de doar, partilhar, arriscar a vida para salvar o filho. A maternidade é uma dádiva, é uma responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe. De todos os direitos de uma mulher, o maior é ser mãe. Ser mãe é recomeçar a cada dia; é não ter sono nem cansaço, é estar presente em todos os momentos; é ser tão frágil e, ao mesmo tempo, tão resistente; ser mãe é ser tudo, e simplesmente mãe. Todo o pensamento, todo o cuidado se volta para esse serzinho que, tão minúsculo, já provoca emoções tão grandes. A vida nunca mais vai ser a mesma. Mãe sente, mãe adivinha, mãe aprende sofrendo, mãe sofre aprendendo. Mãe é o colo perfeito, onde lágrimas de dor se transformam em consolo, e depois de certo tempo se transformam em aprendizado. Mãe, é onde tudo começa. Mãe, mulher a quem devemos a vida; que merece nosso respeito, nossa gratidão e nosso afeto. Uma mulher grávida é sempre algo sublime. Uma aura invisível que reflete e ilumina seu rosto. Mãe, não importa a distância, sempre está ao nosso lado, torcendo, rezando, pedindo a Deus a nossa felicidade. O amor de mãe pode ser traduzido em uma palavra: doação. Falar desse sentimento é entender que ele é a mais completa forma de amor. Um amor que se doa, coloca em primeiro plano o bem-estar, a segurança de um outro ser. Impossível falar de mãe sem falar da pureza de um amor, que diante de todo o sofrimento disse sim. Por tudo isto, preservemos, respeitemos e amemos as nossas Mães, porque elas são únicas .

Muita Paz!

Feliz dia das Mães!

domingo, 1 de maio de 2022

 


O Credor incompassivo

Nesse estudo da Parábola do credor incompassivo, vamos falar sobre um dos temas mais libertadores do Novo Testamento, e preferido de Jesus: o perdão. O Mestre considera esse tema tão importante que faz dele condição indispensável às celestes Bem-aventuranças. O significado desta parábola revela a importância da misericórdia e do perdão. Esta parábola também é conhecida como a Parábola do Servo Ingrato ou a Parábola do Servo Mau. Ela aparece num contexto em que Jesus trata da disciplina eclesiástica; especialmente com relação ao tratamento que deve ser dispensado a um irmão culpado. Esta parábola é uma resposta do Mestre a Pedro sobre a questão do perdão. Ela mostra duas situações parecidas, porém com desfechos bem diferentes.  Uma, envolve um servo que tinha uma dívida impagável, dez mil talentos. A outra conta a história de um outro servo com uma dívida insignificante, cem denários. Para se ter uma ideia do que significavam esses números, apresentamos os seus valores correspondentes: um talento é igual a seis mil denários. Assim, dez mil talentos representam sessenta milhões de denários. É uma dívida equivalente a 165 mil anos de trabalho. Já a outra, de 100 denários, equivale a 100 dias de trabalho. Eis a parábola: “O reino dos céus é comparável a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos. Ao fazê-lo, apresentou-se um que lhe devia dez mil talentos; mas, como não tivesse com que pagar, ordenou o seu senhor que fossem vendidos ele, sua mulher, seus filhos, e tudo o que lhe pertencesse, para pagamento da dívida. O servo, porém, prostrando-se aos seus pés, suplicou: tem paciência comigo, senhor, eu pagarei tudo. Então o rei, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre, e perdoou-lhe a dívida. O servo deixou feliz o palácio. Na rua, encontrou um de seus companheiros, que lhe devia cem denários. O servo do rei agarrou seu devedor, quase o sufocando, gritando: paga o que me deves! O companheiro, lançando-se aos pés, implorou: tem paciência comigo, que tudo te pagarei. Ele, porém, não o atendeu. Retirou-se e providenciou para que fosse preso e preso ficasse, até a quitação de seu débito. Algumas pessoas que viram o que se passara se admiraram da intransigência do servo e foram contar tudo o que havia acontecido ao rei. Então, este o mandou chamar e disse: servo malvado, eu te perdoei toda aquela dívida, porque me vieste rogar para isso; não devias tu também ter compaixão, como tive de ti? Indignado, o rei mandou prendê-lo, dizendo-lhe que não sairia da prisão até pagar sua dívida. Quando terminou de contar esta parábola, Jesus completou o ensinamento: Assim também, meu Pai que está no céu, vos tratará, se não perdoardes, do fundo do coração, as faltas que vossos irmãos houverem cometido contra cada um de vós”. (Mateus, cap. XVIII, vv. 23 a 35) Esta parábola é uma ilustração daquela frase contida na oração dominical, em que Jesus nos ensina a rogar ao Pai celestial. No Sermão do Monte, a fórmula de oração que Jesus deu a seus discípulos e à multidão, encerra, ao mesmo tempo, pedidos e compromissos que teriam de assumir os suplicantes, e dos quais se destaca o que constitui objeto dos ensinos que se acham contidos nesse estudo: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

Do cumprimento ou não desta obrigação, depende o deferimento ou indeferimento da nossa petição. Daí vem a parábola explicativa da concessão que devemos fazer ao nosso próximo, para podermos receber de Deus o que foi pedido. REFLEXÃO: O primeiro servo era devedor de alta quantia. Esse devedor, vendo-se ameaçado, pediu moratória. Pois bem, mal havia obtido tão generoso atendimento, eis que encontrou um companheiro que lhe devia uma bagatela e, para reaver o seu dinheiro, não titubeou em usar de recursos violentos. Lamentavelmente, esta é, ainda em nossos dias, a norma de conduta de grande parte da Humanidade. Reconhece-se infratora, não nega estar sobrecarregada de dívidas perante Deus, cujas leis transgride a todo instante; mas, ao mesmo tempo em que suplica e espera ser perdoada de todas as suas prevaricações, age, com relação ao próximo, de forma diametralmente oposta, negando-se a desculpar e a tolerar quaisquer ofensas, por mínimas que sejam. O rei, posto a par do que havia acontecido com o segundo servo, mandou vir o primeiro à sua presença e, em nova disposição, determinou aos verdugos que o prendessem e o fizessem trabalhar à força até que pagasse tudo quanto lhe devia. Esse tópico revela, claramente, que há sempre um limite no pagamento das dívidas. Mas, uma vez pago o montante, o devedor fica com direito à quitação. O pagamento de uma dívida alta pode determinar longos períodos de sofrimentos, muitas existências expiatórias, mas, uma vez restabelecido o equilíbrio na balança da Justiça Divina, ninguém pode ficar pagando eternamente aquilo que já está quite. A vontade de Deus é que nos adestremos na prática do perdão e da indulgência, e, para estimular-nos à conquista dessas virtudes, a todos favorece com Sua misericórdia. Aqueles, porém, que se mostram impiedosos e brutais nas atitudes que assumem contra os que os ofendem ou prejudicam, faz que conheçam, a seu turno, o rigor da Providência, a fim de que aprendam, por experiência própria, qual a melhor maneira de tratar seus semelhantes. A moral da história é ressaltar o contraste entre a misericórdia e o amor infinito, demonstrados por Deus em favor dos pecadores, e o comportamento mesquinho e egoísta do ser humano, que sempre se recusa a perdoar, produzindo um mundo de violência, guerras e maldades sem precedentes. Como fica claro, esta parábola ilustra o ensinamento de Jesus acerca de como se deve tratar a um irmão culpado. O significado principal dessa parábola é demonstrar a importância de se ter um espírito generoso que está disposto a demonstrar misericórdia àqueles que o ofende. Então o pecador perdoado deve sempre agir sob a base da misericórdia perdoadora. O mínimo que se espera daquele que foi perdoado é que também demonstre perdão. Na verdade um coração que não perdoa também é um coração não perdoado. Por isso ,nesse ponto deve haver muito cuidado. É verdade que só Deus perdoa de forma infinita; contudo, Ele espera que Seus filhos sigam o Seu exemplo, como ficou claro na parábola. Não agasalhemos mágoas, rancor e ressentimento no coração contra ninguém. O melhor remédio contra aqueles que nos ofenderam é o bálsamo do perdão. Um verdadeiro cristão jamais deve se comportar como o credor incompassivo. Seu exemplo maior de perdão e misericórdia é Cristo. Todos nós somos devedores de Deus. Mas assim como Deus nos perdoa, devemos estar sujeitos a perdoar a todos aqueles que pecam contra nós. Esse perdão deve ser abundante, não apenas sete vezes mais, mas setenta vezes sete!

Muita Paz!

domingo, 24 de abril de 2022

 


A Candeia debaixo do alqueire

A mensagem do Evangelho é aquele refrigério que nós precisamos para a nossa alma. De uma forma ou de outra, são aquelas palavras, aquelas mensagens que nós lemos e que acalmam o nosso coração e acalmam a nossa ansiedade. De todas as formas que nós olhamos para dentro do Evangelho, as lições e as mensagens que dali nós extraímos nos trazem o alento e uma nova visão, e não importa quantas vezes nós façamos essa leitura, nós sempre iremos ver facetas que ainda não tínhamos percebido. O estudo do Evangelho na sua plenitude é um estudo que não tem fim, ele continua durante todo o nosso processo de evolução. O estudo do Evangelho é feito por camadas; primeiro nós vamos absorver as informações básicas que estão na superfície, e, à medida que nós formos evoluindo, nós vamos penetrando na sua profundidade, na magnitude das suas mensagens. A Parábola da Luz do Mundo, também conhecida como a Parábola da Lâmpada Debaixo do Alqueire, é uma das bem conhecidas parábolas de Jesus, aparecendo em três dos evangelhos canônicos do Novo Testamento. As diferenças encontradas em Mateus 5:14-15, Marcos 4:21-25 e Lucas 8:16-18 são pequenas e as três versões podem ser derivadas da mesma fonte. Uma versão abreviada da parábola também aparece no não canônico Evangelho de Tomé. Em Mateus, a parábola é uma continuação do discurso sobre Sal e Luz, proferido pelo Cristo, e que faz parte do conhecido Sermão do Monte. Jesus queria fazê-los entender através dessa parábola, que uma vez iluminados pela luz do evangelho, deveriam eles levar essa luz a todas as pessoas. “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Certa vez, antes de uma palestra sobre esse tema, presentes muitas pessoas de instrução mediana, o orador procedeu a uma ligeira enquete e descobriu que a maioria das pessoas que ali se encontravam não sabia o significado da palavra “candeia” e menos ainda da palavra “alqueire”. O desconhecimento é, no caso, perfeitamente justificável, porque são palavras que as pessoas raramente utilizam e poucos palestrantes têm o cuidado de explicá-las. Então, vamos à explicação: Candeia, pequena peça de iluminação, abastecida com óleo e provida de mecha; usa-se geralmente no alto, pendente de um prego. Alqueire, recipiente que servia de medida de capacidade, usada especialmente para cereais. Quando o Cristo fala que não se acende uma candeia para ocultá-la, Ele convida a todos aqueles que de alguma forma já tem a experiência e o conhecimento da sua mensagem que possamos divulgá-la e ajudar a outras pessoas a conhecê-la também na sua profundidade. Cada um de nós pode ser comparado a um espelho para refletir essa luz de acordo com o nosso conhecimento. Existem espelhos maiores, que são os grandes mensageiros da Humanidade a ampliar a divulgação da mensagem do Cristo. Está claro, neste versículo, que pessoas conscientes sabem que todo o conhecimento destinado à melhoria moral e intelectual do ser humano não deva permanecer oculto, mas ser amplamente divulgado. A candeia simboliza instrumento de iluminação cuja chama, alimentada pelo óleo que a abastece, afasta a escuridão reinante. Do ponto de vista espiritual, a candeia assemelha-se à mente esclarecida e enobrecida de valores morais que afasta as trevas da ignorância existentes na Humanidade. Os Espíritos superiores não mantêm ocultos os conhecimentos que possuem, mas disponibiliza-os a qualquer pessoa. Mantêm-se na retaguarda espiritual quem acredita que conhecimentos superiores, destinados à melhoria humana, devam permanecer ocultos, em círculos fechados, inacessíveis às massas populares. Por força da lei do progresso a verdade chega, à medida que o ser humano evolui. Comentando o tema, Allan Kardec inseriu em sua obra, O Evangelho segundo o Espiritismo, duas informações que vale a pena destacar, dada a sua importância: O poder de Deus se manifesta nas mais pequeninas coisas, como nas maiores. Ele não põe a luz debaixo do alqueire, por isso que a derrama em ondas por toda a parte, de tal sorte que só cegos não a veem. (cap. VII, item 9). Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. É então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé. O tema diz respeito, como é fácil compreender, à necessidade de divulgação das verdades que, ensinadas por Jesus ou pelo Espiritismo, podem concorrer para o aprimoramento moral das pessoas e, por consequência, do mundo em que vivemos. A verdade possível ao homem não está escondida para ser descoberta, apenas exige condições especiais para ser percebida e apreendida. Por isso, essa percepção não é a mesma para todos, dependendo do trabalho de evolução de cada um, dentro de si, pois ver e interpretar são ações individuais, ou seja, cada um interpreta o que vê, o que sente, segundo sua estrutura intelectual e moral. Assim, a luz da Verdade está nas leis divinas que regem todo o universo, que vem sendo percebida conforme a evolução dos homens na Terra. Jesus trouxe a verdade que a humanidade terrena pode perceber, e até hoje, mais de 2000 anos após, muitos e muitos homens estão sem entendê-la. Esse fato prova a sabedoria e a misericórdia divina, ao revelar a verdade possível a seus filhos, e esperar, paciente, que eles a percebam, a entendam, e a aceitem, quando lhes for possível, de acordo com sua vontade, sem imposições, apenas com o funcionamento de Suas leis sábias, justas e misericordiosas. Assim, os que conseguem apreender algo da verdade possível, já têm o dever de auxiliar outros a percebê-la, sem imposições, através das palavras, dos meios de comunicação, mas, principalmente, através da vivência dessa verdade. Não guardá-la para si, não ficar com ela apenas no seu intelecto, como mais um conhecimento, mas divulgá-la, principalmente, através dos seus atos e atitudes, irradiando a luz da verdade que já possui. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. O objetivo desse estudo é estabelecer uma relação entre o ensinamento de Jesus nas expressões acima e o progresso espiritual, que nos possibilita o entendimento das verdades eternas. Este ensinamento tem muito a ver com o esclarecimento do homem, com a sua saída da ignorância, porque, quando ele se esclarece, se ilumina, e seu conhecimento acerca das coisas  sai da obscuridade. Estas palavras de Jesus dão-nos a entender, claramente, que as leis divinas devem ser expostas por aqueles que já tiveram a felicidade de conhecê-las, porque, sem esse conhecimento paralisar-se-ia a marcha da evolução humana. Jesus está falando da importância da divulgação de Seu Evangelho. Ainda esclarece que qualquer pessoa que adquirir conhecimentos em torno de uma verdade, ainda que seja em pequena escala, não deverá guardar a luz desse conhecimento apenas para si, mas procurar divulgá-lo a fim de que todos venham a haurir dos seus benefícios. Na verdade, o que Jesus quer nos dizer com essas palavras é que não devemos esconder a luz e, sim, colocá-la o mais alto possível. Quanto mais alta ela estiver, a sua claridade vai abranger um ângulo maior, iluminando todo o recinto, de modo que, todos os que entrem possam vê-la e serem iluminados. Assim como um ambiente escuro precisa que nós acendamos uma luz para que ele se ilumine, da mesma forma, aquele que possui o conhecimento das leis divinas não pode esconder esse conhecimento dos companheiros de jornada. Terá que repassá-lo, e isso significa, logicamente, uma luz que se acende nas trevas da ignorância daquelas pessoas, com as quais estamos convivendo. É esse o sentido que nós podemos retirar das palavras do Cristo, justamente porque Ele está estabelecendo um paralelo entre a luz da candeia e o conhecimento das leis de Deus pelo homem, dando assim a ideia simbólica de luz àquele que detém esse conhecimento. O detentor de tais conhecimentos sente em seu coração as leis divinas e vai, através de um progresso intelectual, entendendo e absorvendo aquelas verdades de forma cada vez mais profunda e, com certeza, isto significa luz. Luz do conhecimento ético; luz do conhecimento moralizado; luz do conhecimento evangelizado, repassada em palavras e atitudes. Deus deu ao homem a inteligência, para ele compreender e se guiar por entre as coisas da Terra e do Céu. Por este motivo é que não se deve colocar a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão desfalece a fé. O Mestre convida-nos a não escondermos a luz da verdade, mas, sim, deixa-la visível para que outras pessoas possam se orientar por ela. Cada ideia nova, cada progresso, tem que vir na época conveniente. Manda a prudência, entretanto, que se gradue a transmissão de todo e qualquer ensinamento à capacidade de assimilação daquele a quem se quer instruir, de vez que uma luz intensa demais o deslumbraria, ao invés de esclarecê-lo. Seria uma insensatez pregar elevados conceitos morais a quem ainda se encontrasse em estado de selvageria, tanto quanto, querer ministrar regras de álgebra a quem mal dominasse a tabuada. Essa a razão porque Jesus, tão frequentemente, velava seus ensinos, servindo-se de figuras alegóricas, quando falava aos seus seguidores. Já aos discípulos, em particular, explicava o sentido de muitas dessas alegorias, porque sabia estarem eles preparados para isso. Não espalhar os preceitos cristãos, a fim de dissipar as trevas da ignorância que envolve as almas, é esconder egoisticamente a luz espiritual que deve beneficiar a todos. Mas, como frisa a observação de Jesus em tela, "nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente“. À medida que o homem vai adquirindo maior grau de desenvolvimento, procura por si mesmo os conhecimentos que lhe falta, no que é, aliás, auxiliado pela Providência, que se encarrega de guiá-lo em suas pesquisas e lucubrações, projetando luz sobre os pontos obscuros e desconhecidos para cuja inteligência se mostre amadurecido. Os que se acharem mais adiantados, intelectual e moralmente, e forem sendo iniciados no conhecimento das verdades superiores, e que se valham delas, não para a dominação do próximo em proveito próprio, mas para edificar seus irmãos e conduzi-los na senda do aperfeiçoamento, maiores revelações irão tendo, horizontes cada vez mais amplos se lhes descortinarão à vista, pois é da lei que, "aos que já têm, ainda mais se dará”. Quanto aos que, estando de posse de umas tantas verdades, movidos por interesses rasteiros fazem disso um mistério cujo exame proíbem, o que importa "colocar a luz debaixo da cama", nada mais se lhes acrescentará, e "até o pouco que têm lhes será tirado", para que deixem de ser egoístas e aprendam a dar de graça o que de graça hajam, recebido. A vida nos planos espirituais, questão que interessa profundamente os sistemas filosóficos e religiosos, por muitos e muitos séculos permaneceu como um enigma indevassável. Porém, chegou o momento oportuno em que deveria "aparecer publicamente", e daí o advento do Espiritismo. Na verdade, a divulgação espírita não se dá somente através de palestras, nem que repassemos esses conhecimentos na forma de pregação ostensiva, porque no nosso convívio isso seria ferir a liberdade de pensamento religioso que todos merecemos ter. A divulgação também se faz de outras maneiras; em tarefas dentro e fora da Casa Espírita; na evangelização, nas reuniões mediúnicas. Enfim, em todos os momentos em que nós estivermos nos relacionando com alguém. Isto é divulgação da Doutrina; isto é divulgação do Evangelho. É um grande equívoco acharmos que só divulga a Doutrina Espírita aquele que vai às tribunas para oratória. As palestras são a parte teórica do ensino das leis morais. A exteriorização de tudo que nós aprendemos é a parte prática. E esta é a melhor forma de divulgação. Esconder esses conceitos espirituais, é esconder a luz debaixo do alqueire que, como vimos, é a luz que não pode ser escondida, que precisa ser colocada o mais alto possível, para que venha a iluminar o caminho daqueles que estão na retaguarda, e que necessitam de uma referência para o despertar espiritual. Devemos perceber, nesta passagem, uma referência aos bens espirituais: a observância dos preceitos divinos faz com que estes bens, que constituem a verdadeira riqueza do espírito, aumentem incessantemente. Por outro lado, aqueles que se ocupam apenas da vida material, esquecem-se de desenvolver os bens espirituais e o pouco progresso que possuem fica estacionado. Não sabendo conservar nem cultivar a semente das verdades eternas, ela acaba por ser temporariamente ofuscada, dando a sensação de perda. Devemos espalhar os conhecimentos que possuímos em benefício de todos, pois a verdade não é para ser escondida de ninguém. Entretanto, ela pode ser gradualmente percebida por aqueles que se propõem a ir ao seu encontro.

Muita Paz!

quinta-feira, 21 de abril de 2022

 


Reflexões sobre o Carnaval

Este é um tema bastante polêmico para nossa reflexão. Estamos em pleno Carnaval, festa de grande apelo popular aqui no Brasil, voltada unicamente para a materialidade, e esperada com grande animação por muitos. E, como acontece todos os anos, vem à tona o questionamento sobre a conveniência de participar ou não das festividades. De início, devo esclarecer que não sou nenhum moralista, nem sou daqueles que tentam manter as janelas fechadas, a todo custo, para não ouvir o “bumbum paticumbum prugurundum”, muito menos sou contra a alegria. Num tempo em que se perdem as noções de moralidade, não posso deixar de comentar esses desatinos. Apenas constato o que ocorre nesse tipo de festa e informo as orientações espirituais que nos são trazidas pelos benfeitores espirituais. Ninguém tem dúvida de que o carnaval é uma festa de grande apelo popular. Momentos de alegria são desfrutados por aqueles que apreciam o folguedo. Ao longo dos séculos, as comemorações carnavalescas, desde gregos e romanos, entraram pelo calendário cristão, sempre com a característica da licenciosidade e da falta de limites. Principalmente no nosso país, esses festejos, cada vez mais, se adentram pelos descaminhos da luxúria, dos falsos prazeres, da violência, dos vícios, alimentando a falsa ideia da necessidade que as pessoas têm de extravasarem seus contidos desalinhos comportamentais. Quando se fala desse festejo, acendem-se os ânimos, os defensores e os críticos se manifestam. Claro que as opiniões variam. Uns, dizem que é festa perniciosa. Outros, dizem que é alegria, que se trata de uma festa para o povo colocar para fora suas emoções guardadas, as angústias contidas durante o ano que passou, um dia de contos de fadas; dia em que a alma dança, e o coração se enche de euforia. O carnaval é uma dessas festas que costuma ser chamada de folia, que vem do francês folie, que significa loucura ou extravagância sem que tenha existido perda da razão. Hoje, essa festividade adquiriu o conceito de que é lícito ser irresponsável durante a folia. A palavra carnaval significa desvio, anormalidade, fantasia, descontração ou mesmo alegria. Assim, a festa carnavalesca é o momento em que o espírito humano pode observar o que há de mais profundo, de mais primitivo em si mesmo. Infelizmente, os caminhos propostos nada têm a ver com alegria ou alívio de tensões. É preciso não esquecer que comportamentos inadequados devem ser evitados nesses instantes de alegria, que podem ser usufruídos sem que se deixe levar pelo desequilíbrio nem pela euforia exagerada. Além de uma festa popular, o carnaval é também uma manifestação tradicional de cultura, que vem sendo mantida desde longa data. Mas, infelizmente, o tempo e a tolerância da sociedade em geral fizeram com que o que era uma manifestação singela de alegria popular se transformasse num festival de exibicionismo exacerbado, onde tudo é permitido em nome de uma falsa felicidade, que tem data certa para terminar. São atitudes desregradas e impensadas que, muito frequentemente, resultam em tristeza e dor por muito mais tempo que os poucos dias de folia. Na literatura encontramos uma frase da Idade Média, de que “Nada aconteceria se as pessoas enlouquecessem uma vez por ano”. Hoje, estamos próximos dessa frase, só que, não por um dia, mas por muitos. Agora são três dias ou mais de loucuras, sob a denominação de “Tríduo Momesco”, ocasião em que os foliões vão da mais histérica e hilária alegria ao caos total, despertados pela tresloucada folia. Dizem, também, que tudo isso decorre do êxtase atingido na grande festa, quando o símbolo da liberdade, da igualdade, mas, também, da orgia e depravação, levam algumas pessoas a se comportarem fora do seu normal. É a exibição de corpos desnudos, aparentemente felizes por fora, mas, muitas vezes, infelizes por dentro, completando a ilusão da riqueza, do poder e do luxo, em efêmera extravasão de uma fugaz alegria. Muitos jovens e adultos, também, transtornados pela música hipnotizante e frenética, caem nas armadilhas das drogas alucinantes. Será que vale a pena? O Carnaval passou a ser um veículo para desaguar caracteres tortuosos da alma. São atitudes desregradas e impensadas que, muito frequentemente, resultam em tristeza e dor por muito mais tempo que os poucos dias de folia. As pessoas desrespeitam o santuário do corpo, abusando das faculdades que lhes foram dadas. Entregam-se aos prazeres materiais sem a capacidade de perceberem sua essência de Espíritos eternos. O culto à carne evoca tudo o que desperta materialidade, sensualidade, paixão e gozo. E o mais doloroso disso tudo, em razão dos excessos, é o fato de tantos males físicos e morais ocorrerem, atingindo o ser humano no que ele tem de mais sagrado: o respeito a si mesmo. É evidente que muitos vão para o Carnaval sem intenções malévolas. Vão para se distraírem, para relaxarem das tensões, das preocupações que lhes ocupam o dia a dia. E ingenuamente julgam que não há nenhum mal em participarem, pois não fazem nada de errado. O forte apelo do período que antecede, acompanha e sucede o evento ao deus Mamon, guarda íntima relação com o conúbio de energias entre os dois planos da vida, o físico e o extrafísico, alimentado pelos participantes, “vivos de cá e de lá”, que se deleitam em intercâmbio de fluidos materialmente imperceptíveis à maioria dos carnavalescos encarnados. A carne é fraca, dizem alguns, para justificarem seus erros e fraquezas, atribuindo à fragilidade do corpo físico a ausência de disposição para resistirem às tentações que essa festividade pode proporcionar. É claro que esta é uma justificativa inaceitável, que de modo algum legitima os excessos eventualmente cometidos (é o Espírito quem dá à carne as qualidades correspondentes ao seu estado evolutivo e não o contrário. Então, não pode o homem assim escusar-se de seus erros alegando fraqueza da carne). Indiscutivelmente, o Carnaval de hoje se constitui nas mais devassas manifestações, e as consequências desses excessos serão cobradas depois pelo corpo, que, por mais forte e resistente que seja, tem o seu limite que deve ser respeitado, para que possa continuar sendo instrumento para o progresso do indivíduo. Meses depois, a festa ainda traz consequências: gravidez precoce e abortos realizados, frutos de envolvimentos insensatos e o contágio com doenças sexualmente transmissíveis. As consequências cruéis desse grotesco espetáculo se fazem sentir de forma rápida e inexorável. Pergunte a si mesmo: vale a pena pagar o alto preço exigido por alguns dias de loucura? Vale a pena ver seu nome na estatística de horrores que acontece no carnaval? Ninguém pode ser contra a alegria em si, muito menos o Espiritismo, que procura valorizar a felicidade como meta de progresso espiritual, mas a alegria que se vê no Carnaval não é essa, a alegria carnavalesca é movida pelo abuso das sensações físicas, pelo abuso do álcool e das drogas, por um intenso desgaste de energia, pela irresponsabilidade nas atitudes, por violência e tantas outras mazelas. Esse é o lado da festa que podemos observar deste lado de cá da vida. Mas o Carnaval não é somente uma festa de cunho material como se poderia supor.

O CARNAVAL E A INFLUÊNCIA ESPIRITUAL: Esta é uma questão muito importante. E deve ser observada e entendida. A Doutrina Espírita não é impositiva. Ela é uma doutrina esclarecedora, e nos diz o que acontece no Carnaval, a partir do momento em que participamos dessa festa. Diz a música que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. Ledo engano. Os desencarnados também vão atrás, sim, e se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis das preferências que estes trazem escondidas no seu íntimo. O carnaval observado do Além, narram os Mentores espirituais, que a realidade desta festa é muito diferente e lamentavelmente triste e perigosa. A faixa vibratória em que se situa é a dos Espíritos desditosos, que se locupletam com os desejos daqueles outros que, embora encarnados, ajustam-se aos apelos do além infeliz, servindo-lhes de vasos nutrientes, onde as sombras se impõem e triunfam por momentos.  Dezenas, centenas e milhares de entidades vampirescas, abraçam e se desdobram em influenciar os foliões, para juntos beberem, fumarem, se drogarem e cometerem os mais tristes desatinos, transformando a festa em um terrível circo dos horrores de grandes e atemorizantes proporções. O homem vive onde e com quem se sintoniza psiquicamente. E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências existentes na intimidade de cada um, num feio espetáculo. Há nesses momentos de indisciplina sentimental lastimáveis desvios de espíritos fracos, permitindo o largo acesso das forças das trevas influenciá-los negativamente, fomentando desvios de conduta, para juntos cometerem os mais tristes desatinos, evidenciando um verdadeiro processo de obsessão coletiva, afetando o estado espiritual dos incautos. As pessoas se confundem com os obsessores. As duas populações, a física e a espiritual, em perfeita sintonia, misturam-se, sustentando-se em simbiose psíquica. Quantos crimes acontecem nesses dias, quantos acidentes, quanta loucura. Acidentes de carro, violência e até óbitos pelo uso de drogas ou combinações perigosas de medicamentos e bebidas. Algumas pessoas devem pensar: eu brinco, mas não faço nada de errado!  Mas se você atravessar um pântano de lama fétida, local de doenças e outras mazelas, pode até acontecer de você não adoecer, mas que vai sujar-se, não há a menor dúvida. Para atravessar a tempestade de energia negativa que envolve o carnaval, sem ser tocado por ela, só se você for alguém espiritualmente iluminado. Mas se você for tão iluminado, com certeza não estará participando do carnaval. O Carnaval se constitui, sob minha ótica, em um verdadeiro processo de Obsessão Coletiva, afetando profundamente o estado espiritual dos incautos. Mas o grande saldo da festa se resume em duas palavras: ilusão e sensualidade. Referimo-nos à ilusão dos entorpecentes, dos alcoólicos. Nessa época, as vibrações espirituais em torno da Terra se tornam um tanto densas e favorecem a entidades inferiores do mundo espiritual, que se aproximam e procuram atrair para seu campo de influência os mais fracos, que não sabem discernir os limites do gozo. Multidões de Espíritos infelizes também invadem as avenidas num triste espetáculo de grandes proporções. Malfeitores das trevas se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis do pensamento, em razão das preferências que trazem no mundo íntimo. Muitos excessos são cometidos por influência de irmãos ainda presos à esfera dos vícios. É comum nos defrontarmos com situações em que, a pretexto de “aproveitar” a data e os feriados consequentes, alguns se entregam a práticas que desafiam a resistência do corpo, num roteiro de bailes, desfiles dos blocos, dentre outras que põem em risco a saúde. É difícil para qualquer cristão passar incólume pelos ambientes carnavalescos. Por maior que seja a sua fé, os riscos de contrariedade e aborrecimentos são muito grandes. O Carnaval é bem típico da alienação espiritual que a sociedade se permite. E o que é que o Espiritismo acha do Carnaval? Ele não acha nada. A Doutrina Espírita respeita o livre-arbítrio de cada um. Ela apenas esclarece que o pensamento altera o meio, atraindo pensamentos semelhantes e, a partir daí, ficamos todos ligados pelas leis de afinidade psíquicas, indo de simples insinuação à dominação completa da vontade. A Doutrina Espírita também esclarece quais são as consequências dos atos, deixando para nós escolhermos o caminho. O certo é que não se pode servir a Deus e a Mamon. Há sempre a necessidade de situar-se cada coisa em seu próprio lugar. Existe festa de Carnaval menos agressiva, e sempre valerá a pena analisar a situação. Na realidade, o ser humano é um carnavalesco em potencial. Uma hora ele é pierrô, em outra ele é palhaço, e numa outra ele é arlequim. Sempre mascarado no certame da vida, até que um dia a máscara cai, é quando chega a quarta-feira de cinzas da desencarnação, e ele se vê do outro lado da vida, com contas a ajustar, justamente porque não brincou o Carnaval da vida de cara limpa. Ao ver a fantasia rota e maltratada, quantas decepções pelo tempo perdido. Valeu a pena? Quer brincar o Carnaval? Não se esqueça que o “Bloco Escola da Vida” está sempre em evolução com seu enredo: “A vida que liberta”. Agora vá! Mas não fantasiado. Vá pleno de si. Vá para a apoteose maior, para a felicidade de religar-se a Deus. A festa da vida é muito maior, muito mais divertida, ritmada e harmoniosa, quando sabemos escolher um bom enredo para vivenciá-la. E não se esqueça: devemos procurar sempre as melhores notas nos quesitos que nos são delegados por Deus. Vale lembrar os famosos critérios socráticos: bondade, utilidade e verdade. Se nossas atitudes não são aprovadas por tais crivos, nossa consciência espírita não respaldará tais ações, porquanto, submeter-se docilmente a este tipo de subjugação é escolha nossa, pois o livre-arbítrio é alicerce da Lei de Deus. Logo, aproveitar o Carnaval, do ponto de vista espírita, é ocupar esses quatro dias de uma forma prazerosa. O Carnaval se constituiu, sob minha ótica, em um verdadeiro processo de obsessão coletiva, afetando o estado espiritual dos incautos. O grande saldo da festa se resume numa única palavra: ilusão. Se participar do Carnaval é certo ou errado? Essa é a pergunta que não quer calar, mas que somente a sua consciência pode responder. Estejamos, portanto, vigilantes, sabedores de que todos os excessos com que venhamos a nos envolver são de responsabilidade única e exclusiva de nós mesmos, e, que, dessa maneira, repercutirão em nossa vida, sejam eles de que natureza forem. Devemos fazer tudo de conformidade com os valores eternos do Evangelho; limites sem constrangimentos; liberdade sem abuso; permissão sem permissividade. Somente poderemos garantir a vitória do Espírito sobre a matéria se fortalecermos a nossa fé, renovando-nos mentalmente, praticando o bem nos moldes dos códigos evangélicos, propostos por Jesus.

Muita Paz!