INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
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Artigos

O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
(Marcus de Mario)
A leitura sobre as posições teóricas principais do desenvolvimento da criança revela que a base do pensamento é uma visão estritamente biológica sobre o homem, ou seja, temos até o presente momento uma visão materialista sobre a chamada psicogênese.
A concepção espírita é espiritualista, considerando o homem uma alma imortal e a vida como criação de Deus. E antecipando-se a todas as formulações teóricas do século vinte, no ano de 1857, o Espiritismo assentava as bases do desenvolvimento psicogenético da criança, como podemos verificar na questão 351 de O Livro dos Espíritos:
No intervalo da concepção ao nascimento, o Espírito goza de todas as suas faculdades?
– Mais ou menos, segundo a fase, porque não está ainda encarnado, mas ligado ao corpo. Desde o instante da concepção, a perturbação começa a envolver o Espírito, advertindo-o assim de que chegou o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é mais ou menos de um Espírito encarnado, durante o sono do corpo. À medida que o momento do nascimento se aproxima, suas ideias se apagam, assim como a lembrança do passado se apaga desde que entrou na vida. Mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de espírito.
A concepção espírita visualiza o início do processo de desenvolvimento do homem no instante da concepção, ou seja, quando temos a união da alma com o corpo. Nenhum teórico, nenhum pesquisador sequer, pensou sobre isso. Todos iniciam suas deduções a partir do nascimento, ignorando completamente a fase da gestação. Embora envolvido pela perturbação do processo de preparação e ligação com o embrião, o Espírito conserva suas ideias, nunca perde sua individualidade. No tocante às ideias, aos conhecimentos e à percepção de si mesmo, vai entrando pouco a pouco num estado de sonolência, onde tem dificuldade de manter-se pleno, pois psiquicamente está transferindo o passado para o subconsciente, deixando na consciência apenas as estruturas necessárias para desenvolver a nova personalidade. Lembremos que estamos falando do processo de uma forma geral, pois a individualidade é única, por isso, cada caso é um caso, como se costuma dizer.
A resposta dada à pergunta de Kardec levanta ainda outra questão: nada se perde, pois, se assim acontecesse, já não teríamos a individualidade imortal que preexiste e subsiste, e sim uma nova alma começando do início, o que não sucede, pois o corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito. Na medida em que, após o nascimento, domina o corpo, o Espírito readquire, em seu estado normal, a lembrança de seu passado, sempre de acordo com suas necessidades e sua missão na Terra, sem que isso venha a prejudicar sua atual existência. Esse estado normal é vislumbrado nos sonhos, quando, através do sono, o Espírito se desprende parcialmente do corpo e pode vagar pelo mundo espiritual.
O psiquismo do ser humano é, portanto, complexo, pois é um ser interexistente: é uma alma num corpo. Ao mesmo tempo que inicia a aquisição de novos aprendizados, trabalha com os aprendizados que já traz das suas ulteriores existências, que espocam nas ideias inatas e nas tendências de caráter.
E após o nascimento? Como se dá o desenvolvimento desse ser? A visão espírita tem semelhança com a visão dos teóricos da ciência? A resposta a tudo isso está na questão 352. Vejamos:
No instante do nascimento o Espírito recobra imediatamente a plenitude de suas faculdades?
– Não: elas se desenvolvem gradualmente, com os órgãos. Ele se encontra numa nova existência; é preciso que aprenda a se servir dos seus instrumentos: as ideias lhe voltam pouco a pouco, como um homem que acorda e se encontra numa posição diferente da que ocupava antes de dormir.
Temos em O Livro dos Espíritos a psicogênese da criança explicada muito antes do aparecimento das teorias do desenvolvimento psicológico apresentadas pela Psicologia, e isso numa época, metade do século dezenove, onde ainda se considerava a criança como uma miniatura do adulto. Entendamos o que os Espíritos Superiores responderam a Allan Kardec.
Todos os teóricos falam que a criança passa por determinados estágios de desenvolvimento, e que esses estágios estão intimamente ligados a faixas etárias, de acordo com o natural desenvolvimento dos órgãos. Assim as etapas de crescimento da criança devem ser respeitadas no processo educacional. Entretanto, o Espiritismo já afirmava em 1857 que o Espírito só recobra suas faculdades paulatinamente, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos físicos do novo corpo, ou seja, ele só pode se manifestar – pensar e agir – de acordo com o que lhe permite o corpo. Como este está em formação, em crescimento, durante a infância o Espírito pensará como criança, agirá como criança, elaborando as estruturas mentais de sua nova personalidade. É assim que não poderá elaborar um pensamento lógico-matemático mais complexo quando está na faixa de seus 2 ou 3 anos de idade, mas que isso começa a ocorrer, por etapas, na medida em que o corpo, e neste caso todo o complexo cerebral, vai lhe dando suporte para tais pensamentos.
Com isso logo percebemos que não existe criança “burra”, que “se continuar assim não vai ser nada na vida”, ou que “não tem possibilidade de desenvolvimento”. Pensar dessa maneira é demonstrar preconceito, discriminação e ignorância.
Agora, a gênese psicológica do ser, ainda tão intrigante para os pesquisadores da Psicologia do Desenvolvimento, transforma-se totalmente com a inserção da Alma (Espírito) no processo, pois as ideias, os conhecimentos, os aprendizados, o planejamento reencarnatório, tudo está arquivado nela, nada se perde. Na medida em que controla o corpo com seus instrumentos de manifestação e comunicação, a alma extrai de seu subconsciente tudo o de que precisa para sua nova existência, mas não o faz sozinha, pois necessita dos estímulos da educação que lhe é propiciada no lar e na escola, até que ali pelos sete/oito anos completa esse processo e começa a se revelar tal como realmente é, ou seja, deixa aflorar plenamente suas tendências, mas que então já estarão transformadas (se negativas) ou potencializadas (se positivas), pela educação recebida.
É fantástico esse estudo. Compreender a psicogênese da criança é fundamental para melhor educar, ainda mais com a visão espírita da imortalidade do ser. Passado, presente e futuro pertencem à individualidade humana que desenvolve nova personalidade e é colocada por Deus na dependência daqueles que já passaram pelo processo, já realizaram seus estágios no mundo infantil, e sabem que tudo depende não apenas do respeito a esses estágios, mas dos estímulos e da convivência social que são propiciados a essa alma.
ENQUANTO ESTAMOS A CAMINHO
(Hyerohydes Gonçalves)
“Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. – Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil."(Mateus 5:25 e 26).
Diante dessa recomendação do Mestre Jesus a todos nós, Espíritos em evolução, passando pelas bênçãos das provas e das expiações, nesta oficina Terra, temos de levar em conta alguns detalhes contidos nos versículos em pauta, de suma importância para o nosso entendimento e compreensão.
Observemos que Jesus nos recomenda “reconciliar” com os nossos “adversários” e chamando-nos a atenção para que seja “o mais depressa possível”, e ainda a circunstância: “enquanto estiver com ele a caminho”.
O dicionário online de português traz a definição de que “reconciliar” é instaurar a paz entre; ficar em harmonia com; harmonizar-se.
Em analogia com o entendimento de que para amar o próximo é necessário primeiro amar a si mesmo, logo, para reconciliar com os adversários, é necessário cada qual reconcilie consigo mesmo, em primeiro lugar, pacificando a própria consciência e harmonizando-se com os bons pensamentos, em sintonia com as leis divinas.
Estando em paz consigo mesmo, estará desenvolvendo os quesitos da caridade como a entendia (e entende) Jesus: benevolência (= boa vontade, surgida da voluntariedade, sem esperar nada em troca); indulgência (= doçura por dentro); e perdão (doar-se por completo). (Vide: O Livro dos Espíritos, questão 886.)
Em seguida, estaremos habilitados ao relacionamento com os adversários.
Adversários???
Exatamente, adversários!
Pois bem! Novamente, em consulta ao referido dicionário, observamos que “adversário” significa aquele que entra em combate com outra pessoa; antagonista; que é capaz de se opor; que é contrário a; opositor; que disputa uma competição contra; concorrente; rival; contendor.
Logo, observamos que um adversário não precisa, necessariamente, ser um inimigo. Mas alguém que está a caminho conosco e que pensa e age diferente de nós, expõe as suas opiniões diversas da nossa, conduz a vida de um jeito que nos incomoda, ou pode ser, mesmo, um inimigo, decorrente de entreveros desta e/ou de outras existências e que agora é a oportunidade de ajuste ou reajuste, ou seja, da reconciliação, do acertar dos ponteiros e seguir o caminho desbravando horizontes de amizade e paz.
Que essa reconciliação atenda a recomendação do Mestre Jesus, sendo a mesma o mais depressa possível, porque estamos a caminho.
Estar a caminho tem o sentido de movimento, de estar andando para frente. Muito diferente de estar no caminho, porque estar no caminho tem o sentido estático.
Mas a ideia de Jesus é de evolução. E para evoluir temos de agir e de nos movimentar, ir ao encontro do outro que, muitas das vezes, é nosso adversário e/ou inimigo.
Quando Jesus nos alerta quanto ao “mais depressa possível”, desperta a ideia de “tempo”, de aproveitarmos a oportunidade que temos para nos apaziguarmos uns com os outros, acertando as arestas e desenvolvendo as virtudes morais, sendo caritativos; cada qual se colocando no lugar do outro, com o coração misericordioso removendo e ajudando o outro a remover as pedras do caminho.
É aproveitarmos o tempo, essa ferramenta que temos em mãos para o exercício do livre-arbítrio, para desenvolvermos a maturidade das nossas escolhas, e buscarmos a felicidade juntamente com os companheiros de jornada evolutiva que também estão a caminho.
Mas a caminho de quê? Para onde?
Rumo à felicidade, para a qual todos nascemos e renascemos, que se localiza dentro de cada um de nós em particular, onde está o Reino de Deus, conforme Jesus nos ensinou através do Evangelho de Lucas, capítulo 17, versículo 21.
E, ao fazer essa viagem, rumo à felicidade, no mundo da consciência, muitos, quiçá a maioria, acabarão por concluir que, também, os nossos adversários podem ser nós mesmos, que não nos damos oportunidades de nos ouvir e perceber o que temos de melhorar e que temos de exercer o amor a nós mesmos (o autoamor), não nos culpando de nada, mas nos responsabilizando pelas nossas ações e omissões.
Se estamos a caminho, estamos de passagem de um lugar para o outro, em busca do conhecimento da verdade que liberta da prisão do orgulho e do egoísmo, da ignorância, da intolerância, da falta de perdão.
É preciso, no caminho, o mais depressa possível, aprender a caminhar um com o outro, lado a lado, tantas milhas que forem necessárias, aprendendo um com o outro, com as experiências do outro.
É preciso, no caminho, mostrar a outra face, que é a face da benevolência para com todos, da indulgência para as imperfeições dos outros e do perdão das ofensas.
É preciso, no caminho, entregar a túnica do conhecimento e, se possível, a capa do desprendimento.
É preciso, o mais depressa possível, e, se possível, ainda nesta encarnação, para que evitemos a prisão de nossa consciência nas grades da ignorância, da consciência culpada, do egoísmo e do orgulho e de tantos e demais vícios que nos aprisionam, a fim de evitarmos os pagamentos dolorosos de cada ceitil, de centavo por centavo, na conta da vida.
ORAÇÃO: PEDIR OU AGRADECER
(Wagner Ideali)
“Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis”.
(Marcos, cap. XI:24)
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo XXVII, temos uma passagem de Jesus que afirma: Pedi e obtereis. Ao ler essa passagem ficamos aqui pensando sobre a oração, o que nos levou a uma reflexão sobre orar e a fé.
Aprendemos na Doutrina espírita que Deus é a Inteligência Suprema do Universo e que tudo segue conforme seus desígnios, assim sendo, por que orar pedindo, pois, como o próprio Evangelho nos diz, na passagem de Marcos, Cap. VI: 5 a 8: vosso Pai sabe do que necessitais antes de o pedirdes. Além disso aprendemos na Doutrina espírita sobre a Lei de ação e reação que nos ensina sobre o processo do merecimento em nossas vidas. Também aprendemos que o agradecimento que ocorre nas nossas orações tem um valor espiritual muito profundo, se assim podemos afirmar, pois realiza mudanças em nosso ser sempre que agradecemos, porque nos envolve em um halo energético sem precedentes. O ato de agradecer deveria ser uma constante em nossas vidas. A gratidão nos envolve num halo de energia positiva muito salutar para o nosso equilíbrio. O agradecer não se limita apenas nas palavras proferidas, mas no sentimento profundo que exalamos ao pensar dentro do aspecto da gratidão.
Ficamos naquela bifurcação entre pedir, mas já sabemos que Deus conhece as nossas reais necessidades, ou agradecer, que é um ato de amor com a vida e com Deus.
O que devemos fazer nas nossas orações? Entendemos que a gratidão sentida no fundo do nosso coração é verdadeiramente um ato de humildade. Uma profunda ligação entre a criatura e o Criador e portanto deveria ser trabalhada dentro de nós, e fazer parte de nosso dia a dia. Procurar ter esse sentimento dentro de nossos pensamentos mais assertivos.
O ato de pedir, que num primeiro momento pode até parecer um ato de falta de fé na Providência Divina, também pode demonstrar que acreditamos Nele e nas Suas Potencialidades, pois entendemos que essa atitude denota uma posição de humildade da criatura para com o Criador. Na nossa súplica a Deus mostramos nossa fraqueza e o reconhecimento das nossas limitações frente à vida.
Quando o Mestre Maior, Jesus, nos convida à prece para pedir e nos afirma que iremos obter aquilo que pedimos, não está dizendo que vamos obter da forma que pedimos, mas sim nos serão dadas as condições para a correção, nos serão apresentados, ao longo de nossa vida, caminhos para a solução.
O ato de pedir mostra nossa fé em Deus e não o contrário, pois sabemos que Ele não se esquece dos seus filhos. As dificuldades da vida são lições para o nosso desenvolvimento e não um castigo, como nos ensina a Doutrina espírita, portanto, pedir essa ajuda não tem qualquer ato de falta de fé, mas de busca de coragem e ajuda para a solução dessas dificuldades.
O que nos deixa muitas vezes numa posição de sofrimento é, sem dúvida, o receio de não chegar a cabo da solução, talvez por medo, preguiça ou falta de confiança em nós mesmos.
Na alegria, muitos de nós esquecemos de agradecer, mas é nessa hora que podemos mostrar nosso Amor, reconhecimento e fé em Deus. Assim, precisamos aprender a exercitar a gratidão em tudo à nossa volta.
Na dor, tristeza e momentos de dificuldade, vamos também agradecer o aprendizado, o qual estamos atravessando naquele momento.
Quando oramos, pedindo humildemente a Deus que nos mostre o caminho para que encontremos a solução dos problemas, é sem dúvida importante o ato de estabilidade emocional e espiritual, pois estamos pedindo de coração aberto cheio de fé e esperança. Existe uma frase atribuída ao nosso querido Chico, que sendo dele ou não, encerra uma verdade: Tudo o que é seu encontrará uma maneira de chegar até você...
Vamos orar, mas sempre com muito trabalho, amor e fé.
Pedimos ao Mestre Jesus que continue abençoando a todos nós, hoje e sempre...
ALGUMAS NOTAS SOBRE A SALVAÇÃO
(Rogério Miguez)
Dentro do contexto religioso sempre houve acentuada preocupação sobre a tão desejada salvação. Há inúmeras citações na Bíblia sobre o tema, contudo, assim acreditamos, bem poucos sabem: como de fato salvar-se ou mesmo por que salvar-se?
O tema é de vivaz interesse entre os religiosos, obviamente, afinal, quem não almeja ser salvo para sentar-se à direita do Pai?
Há aqueles preconizando salvação pelo sangue de Jesus, contudo, se assim fosse, todos os cristãos já estariam salvos, em razão do sangue do Justo já ter sido derramado há bom tempo. O sacrifício do Mestre foi inigualável, contudo, apenas o sangue Dele não poderá nos conduzir à salvação.
Se a salvação for certa e inquestionável, após a vida atual, religiosos e mesmo os materialistas serão salvos, mesmo se não o desejarem, portanto, perde-se tempo lidando com a matéria, seria uma questão de lógica: como todos se salvarão, por qual razão se preocupar precocemente com o assunto?
Por outro lado, se a salvação é incerta, precisamos descobrir como a conquistaremos, considerando evidentemente nosso desejo em sermos salvos. E mais, se existe a possibilidade de não nos salvarmos, é possível imaginar alguns sendo salvos enquanto outros não, desta forma, haverá integrantes dentre as famílias separados definitivamente pela eternidade afora, proposta pouco alentadora. Além disso, se almejamos ser salvos, como faremos para alcançar a salvação o mais rápido possível? Como se nota, são muitas as interrogações.
Talvez a questão primeira a nos debruçarmos seja ajuizar se há salvação, pois desta decorrem outras: como, do que, para que salvar-se?
A interpretação espírita da salvação existe, e é voltada a orientar o Espírito a bem se conduzir na vida, do ponto de vista ético e moral, garantindo assim um futuro melhor nas muitas existências vindouras. Não obtendo sucesso nesta empreitada, o Espírito colherá os frutos amargos de suas escolhas, passando por sofrimentos e apreensões intermináveis, do seu ponto de vista, sendo estas, contudo, totalmente dispensáveis, pois só surgem pelo mal proceder.
Entretanto, este conceito espírita não se baseia no entendimento do inferno ou do céu como aceitam algumas tradições religiosas, porquanto, segundo a ótica espírita, o inferno e o céu podem realmente existir, porém, dentro de cada um de nós, em função de como vivemos, não contemplando a existência de um local no Universo onde todos os não salvos seriam enviados, sem direito a de lá sair, e, por oposição, outra localidade no Universo onde todos os salvos permaneceriam, convivendo com Deus pela eternidade afora.
A salvação espírita ocorre quando o Espírito observa os preceitos morais contidos nas leis divinas, assim agindo, não haverá temor no pós-morte, tampouco haverá vergonha, inquietação, nem ranger de dentes. Por outro lado, mesmo se o Espírito não seguir na totalidade os mandamentos morais, ele não será irremediavelmente condenado, sofrerá as temporárias consequências, voltará e prosseguirá a sua jornada até alcançar a perfeição.
A propósito, na nossa faixa evolutiva, não há qualquer Espírito em condições de observar rigorosamente todos os preceitos morais de forma continuada, só Espíritos de elevadíssima evolução podem fazê-lo, como estamos muito distantes desta condição, todos nós ainda oscilaremos entre o cumprimento e o descumprimento dos deveres morais, uns mais, outros menos.
Ainda dentro da visão espírita, como dito anteriormente, ninguém se perderá definitivamente, todos alcançarão uma relativa perfeição, contudo, este trilhar será diverso, uns chegando à meta primeiro, outros mais tarde, mesmo considerando dois Espíritos criados ao mesmo tempo, pois cada qual agirá por si mesmo, acertando e errando em momentos diversos de suas caminhadas. Estes sucessos e insucessos da jornada determinarão o tempo necessário para se conquistar o galardão definitivo de Espírito puro, contudo, é certo, mais cedo ou mais tarde, todos alcançarão esta meta. Conclui-se ser esta proposta eminentemente consoladora, possibilitando a qualquer Espírito terminar a sua jornada evolutiva com aproveitamento e, ao final, “sentarem-se” todos à direita do Pai.
Desta forma, a salvação espírita é uma realidade, mas enquanto não alcançamos a condição de pureza, representa uma salvação provisória. Para um determinado período na longa existência, é necessário sempre agir no bem para sempre se “salvar”, a cada nova existência, não é uma salvação definitiva, esta só ocorrerá ao final da jornada.
Enfatizamos uma vez mais, mesmo trilhando o caminho do mal, não há destinação perpétua de sofrimento, de fato, no próprio texto sagrado, a Bíblia, há pelo menos duas passagens opondo-se por completo à base de sustentação do conceito de inferno eterno, e foi o nosso Maior Mestre quem as formulou:
1. Eu te digo, não sairás de lá antes de pagares o último centavo.Esta passagem confirma sermos nós mesmos a quitar as nossas próprias dívidas, e também ser perfeita a justiça divina, permitindo ao devedor pagar integralmente o seu débito. Observa-se ainda nessa afirmação do Nazareno a certeza de que, ao quitarmos o último centavo, nós estaremos livres das obrigações a pagar, não nos restando mais nada a saldar, derrubando por completo a tese das penas eternas, e quanto mais rápido pagarmos, mais rápido sairemos da “prisão”, pode-se também inferir do texto;
2. Que vos parece? Se um homem possui cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa e nove nos montes e vai à procura da extraviada? Se consegue achá-la, em verdade vos digo, terá maior alegria com ela do que com as noventa e nove que não se extraviaram. Assim, também, não é da vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. Ora, se nenhuma ovelha se desencaminhará para a perdição eterna, pode-se entender “extraviar-se” desta forma, não há também como imaginar um local ou região de sofrimentos perpétuos, abrigando todos os faltosos que não quitaram as suas respectivas dívidas. Ressalta também deste ensino não haver falta irremissível, ou seja, não existem pecados capitais.
Esclarece ainda a Doutrina sobre a existência de um mecanismo sábio e justo viabilizando a caminhada para a salvação plena: a reencarnação. Segundo esta lei, viveremos em mundos materiais até não existir mais nenhum resgate, após estas muitas vidas encarnados, só reencarnaremos em missões significativas em prol do progresso da Humanidade. Esta lei dá plena sustentação na afirmação de Jesus: todas as ovelhas serão salvas, sem exceção.
Por outro lado, a salvação espírita não nos conduzirá a um céu de contemplação, onde passaremos a eternidade escutando melodiosas harpas e saboreando frutas frescas ao lado do Criador; esta concepção é infantil e irreal, nos salvaremos para trabalhar mais junto a Deus, cumprindo as Suas deliberações que, nesta fase das nossas existências, serão perfeitamente entendidas, aceitas e desejadas.
Há muitos outros aspectos a considerar, contudo, terminamos estas ligeiras observações fazendo menção a uma passagem do Dr. Bezerra de Menezes:
O espírita cristão é chamado aos problemas do mundo, a fim de ajudar-lhes a solução; contudo, para atender em semelhante mister, há que silenciar discórdia e censura e alongar entendimento e serviço.
É por essa razão que, interpretando o conceito “salvar” por “livrar da ruína” ou “preservar do perigo”, colocou Allan Kardec, no luminoso portal da Doutrina Espírita, a sua legenda inesquecível:
─ “Fora da caridade não há salvação”.
Sim, fazemos coro com o Médico dos Pobres, a caridade bem observada e principalmente praticada equivale a viver ética e moralmente conforme as leis de Deus.
Cremos ter respondido satisfatoriamente quatro questões fundamentais sobre o assunto:
1. Há salvação? – Sim, não há dúvida.
2. Como promovo a salvação? – Vivendo continuadamente conforme as leis de Deus.
3. Do que desejo me salvar? – Da ruína moral, preservando-me do perigo.
4. Por que quero me salvar? – Para trabalhar ativamente na grandiosa obra divina!
REVELAÇÃO: A PEDRA FUNDAMENTAL
(Édo Mariani)
No Evangelho de Mateus, cap. 16 versículos 16 a 19, após pergunta de Jesus, inquirindo dos apóstolos o que dizia o povo ser Ele, Pedro tomando a palavra respondeu: “Tu És o Cristo, o filho do Deus Vivo”, tendo Jesus afirmado: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foram a carne nem o sangue que to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus.” Jesus continuou afirmando: “Também tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na Terra terá sido ligado nos Céus”. No Evangelho de Marcos, cap. 12, versículos 10 e 11, Jesus, volta falar sobre a importância da pedra afirmando: “Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; Isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos”! (Grifamos,)
Com base nessas afirmações de Jesus, deduzimos que a Religião Dominante tenha criado a figura do Papa que seria, no seu entendimento, o representante de Deus na Terra e o substituto de Pedro, o Apóstolo.
Refletindo no ensinamento de Jesus, retirando da letra, que mata, o espírito que vivifica, compreenderemos que Ele, Espírito sublime, puro e perfeito, não conceberia a possibilidade de colocar sobre um homem, mortal e falível, a responsabilidade de ser o único intermediário direto entre o Céu e a Terra e muito menos o Seu representante. 
Inquirimos então: - Onde está a pedra na qual Jesus edificou a sua Igreja? Temos a certeza de que não está sobre Pedro, que por três vezes O negou junto à prisão.
Os ensinamentos deixados por Jesus são por demais importantes, pois Sua palavra nunca foi dita em vão. Por isso a igreja de Jesus só pode estar assentada na revelação, onde se assentam as bases da ligação entre os homens e os Espíritos desencarnados. Foi o que aconteceu com Pedro, médium inspirado, intuído por um mensageiro celestial lhe revelou ser Jesus, o Cristo, filho de Deus Vivo.
Para nos comunicar usamos da palavra falada ou escrita. A palavra é o veículo pelo qual nos relacionamos. É através da palavra, escrita ou falada, que podemos consertar erros e faltas cometidas contra o nosso próximo ainda na presente existência. Assim procedendo, nos livramos de inimizades e mágoas que dificultam o nosso crescimento espiritual, através do qual nos elevamos, melhorando nossa classificação na escala espírita idealizada por Kardec.
É também imprescindível a nossa comunicação com os Espíritos, pois ela nos propicia a recepção de ensinamentos revelados pelos Espíritos, os quais demorariam incalculável tempo para serem, por nós, descobertos.   
Os Espíritos superiores informaram a Kardec que são eles que nos dirigem. Como poderiam nos dirigir sem que houvesse meios de comunicação recíproca, através das revelações espirituais?
Em todos os tempos, a humanidade foi intuída pelos mensageiros celeste, a respeito do intercâmbio entre os dois mundos.  Deus é amor e a Sua misericórdia jamais nos deixaria ao desamparo.
Perlustrando a história dos povos, mesmo as mais antigas civilizações, constataremos que esse intercâmbio sempre existiu.
Ensina Cairbar Schutel em "Parábolas e Ensinos de Jesus": “A Revelação é a base fundamental da Religião. Toda a moral, toda a filosofia, toda a ciência, tem por base a Revelação. Ela é o fundamento de todo progresso, é a Pedra inamovível sobre a qual se ergue o edifício da verdade, que abriga a Humanidade”.
Estamos convictos de que para o homem manter-se equilibrado e alinhado com as benesses divina que nos são ofertadas, como um chamamento às responsabilidades assumidas na programação da reencarnação, visando o cumprimento do trabalho redentor em favor da evolução espiritual, é imprescindível e de capital importância aprender que só através da prece o conseguiremos. Atentemos para os ensinamentos de Jesus: “Quem busca acha".
Ensina Rodrigues Ferreira, autor do livro O Espiritismo e as Distorções do Ser Humano: “Na visão espírita, a oração corretamente cultivada altera a vibração mental de quem ora e, por isso, coloca a espiritualidade no coração”.
A finalidade da oração não é pedir para receber, mas preparar para merecer. A prece busca proteção; ela promove a alteração vibratória da mente para um nível mais elevado, facilitando, simultaneamente, a fuga das ligações inferiores e a abertura da mente para as superiores. Vemos, assim, que a Lei Divina colocou a proteção dentro do próprio homem.
Nestes tempos em que grandes perturbações assolam a humanidade, o Espiritismo vem-nos trazer as diretrizes eficazes para o equilíbrio espiritual, esse escudo protetor, a oração, imprescindível às ligações com a fonte divina, verdadeiro manancial de orientação para o melhor aproveitamento da existência terrena.
Orar é tão importante para a alma como o pão é para o corpo. Aprendamos a orar como nos ensina o Espiritismo e assim poderemos participar do convívio mental com os amigos espirituais.
Observemos o que nos ensina André Luiz em “Missionários da Luz”: “Toda a prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda a criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se gradativamente, em foco irradiante de energias da divindade”. (Grifo nosso.)
 O CONVERTIDO DE DAMASCO
(Temi Mary Faccio Simionato)
Paulo de Tarso, o Apóstolo dos gentios, foi conhecido como cooperador fiel de Jesus na sua legítima feição de homem transformado, de um coração extraordinário que se levantou das lutas humanas, para seguir os passos do Mestre num esforço incansável e incessante.
É importante recordar que Paulo recebeu a dádiva da visão gloriosa do Mestre às portas de Damasco e, também, a declaração de Jesus relativa ao sofrimento que o aguardava por amor ao Seu nome.
O meigo Rabi, de sua esfera de claridade imortal, chamou-o, e, assim, Paulo, tateando na treva das experiências humanas, respondeu-Lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Assim começa a grande transformação desse homem que surgia renovado, renovando as suas atitudes e avançando com firmeza pela senda da redenção.
Essa caminhada é longa, árdua... É um duelo interior onde o mal ainda prevalece; é o conflito entre o que desejamos ser e o que realmente somos. Muitas vezes, encontraremos obstáculos, desafios, porém Jesus é claro quanto ao convite do aprimoramento interior: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lucas, 9:62).
Podemos, assim, ir transformando progressivamente imperfeições, fraquezas, sentimentos que necessitam ser trabalhados, pelo despertar das virtudes santificantes. O tempo não importa. O que importa é o esforço que fizermos para alcançar nossa renovação interior, modificando gradativamente nossos sentimentos menos elevados e colocando em seu lugar atributos enobrecidos.
Após sua rendição integral a Jesus, Paulo recolheu-se em meditação no deserto por três anos, pois sabia que muito teria de lutar para não cair, novamente, nos mesmos equívocos, como ele mesmo clamou: “Miserável homem sou, que não faço o bem que quero, mas o mal que não quero!” (Romanos, 7:24). Na sua convicção da realidade espiritual do Cristo, com vontade firme de vencer, Paulo triunfou sobre si mesmo na batalha interior.
É preciso aperfeiçoar-nos, acima de tudo, no modelo de Jesus: sentir, pensar, observar, ouvir, ser e agir com acerto na realização da tarefa que o Mestre nos reservou.
O autoconhecimento é fundamental para este caminho de transformação íntima: O “conhece-te a ti mesmo” é comportamento obrigatório para quem pretende superar-se.
A nossa tomada de consciência dos hábitos morais incoerentes com a Lei de Amor leva-nos a questionamentos e reflexões que, através da dedicação, esforço, disciplina, são primordiais para esse processo de reajuste, que promovem nosso crescimento e nos ajudam a trilhar um novo caminho, uma nova realidade de acordo com o que Deus, nosso Pai, espera de cada um de nós.
Entretanto, quanto mais demorarmos em promover essas modificações em nós, mais tempo ficaremos presos nas mesmas situações que tantas angústias e aflições nos trazem.
Em apoio a essa ideia, encontramos na questão 919-A de O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho, um dos orientadores da Codificação espírita realizada por Allan Kardec, esclarecendo-nos que o autoconhecimento é o meio mais prático e eficaz que temos de melhorar e de resistir ao arrastamento do mal. O amigo espiritual, recomenda-nos: “Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra, ao fim do dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e perguntava, a mim mesmo, se não faltava a algum dever, se ninguém tivera motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma”.
Trata-se de um autoexame que nos auxilia a explorar o mundo íntimo com ampla liberdade e sinceridade em benefício da nossa própria melhora, não olvidando que a perfeição não é apostolado de um dia e, sim, de milênios, e que cada mente traz consigo as marcas da própria ação de ontem e de hoje, determinando seu cárcere ou sua libertação.
O benfeitor espiritual Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo/ MG, na casa do Doutor Rômulo Joviano, na fazenda Modelo, em 08/julho/1941, nos traz algumas considerações a respeito de Paulo de Tarso: “Muitos dizem que Paulo recebeu apelo direto, mas, na verdade, todos nós recebemos uma convocação pessoal ao serviço do Cristo; as formas podem variar, mas a essência ao apelo é sempre a mesma. O convite ao ministério chega às vezes de maneira sutil, inesperadamente, a maioria, porém, resiste ao chamado generoso do Senhor.
Paulo negou-se a si mesmo, arrependeu-se, tomou a cruz e seguiu o Cristo até o fim de suas tarefas materiais. Entre perseguições, zombarias, desilusões, pedradas, açoites e encarceramentos, o apóstolo dos Gentios foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas de sua vida. Entre ele e Jesus havia um abismo que o apóstolo soube transpor em decênios de luta redentora e constante. O convertido não poderia chegar a essa possibilidade em ação isolada no mundo; sem Estêvão, não teríamos Paulo, a vida de ambos estava entrelaçada com misteriosa beleza, confirmando a necessidade e a universalidade da lei de Cooperação. Recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares a fim de empreender a renovação do mundo, e sem cooperação não poderia existir amor, que é a força de Deus que equilibra o Universo”.
Chico Xavier sempre lembrava que: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
Deste modo, recordemos que as Leis Divinas ou Naturais estão escritas em nossa consciência, como nos esclarece a questão 621 de O Livro dos Espíritos. Assim, cada um de nós sabe, bem no íntimo, se estamos agindo, ou não, corretamente.
É conveniente também relembrarmos o ensinamento do benfeitor espiritual Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, contida no livro Busca e Acharás, no capítulo Sugestões de Paz: “Quando puderes, como puderes e onde puderes, guardando a consciência tranquila, trabalha sempre servindo. Assim agindo, ainda que não percebas, desde agora, estarás imperturbavelmente nos domínios da paz”.
O Apóstolo Paulo de Tarso, grande missionário, dizia que buscava viver como o próprio Mestre e por isso asseverava: “Já não sou mais eu quem vive, mas o Cristo é que vive em mim; já não sou mais eu quem fala e quem age, mas o Cristo é que age em mim” (Gálatas, 2:20).
Finalizando nossas reflexões, rememoremos que Paulo de Tarso andou em combate, perseguindo cristãos, até o encontro pessoal com o Cristo, quando então passou a viver o bom combate, consigo mesmo, até encontrar novamente, com o Mestre, no final da sua jornada terrena. Até o caminho de Damasco, estivera em função das glórias mundanas, ávido de autoridade transitória, mas, desde o instante em que Ananias, propagador e enviado do Cristo, o recolheu enceguecido e transtornado, entrou em submissão dolorosa; incompreendido, abatido e doente, jamais deixou de servir a causa do bem que abraçara com Jesus.
Ao término da carreira do semeador da verdade, o ex-conselheiro do Sinédrio, aparentemente cansado, abatido e vencido, saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador.
Que o exemplo deste grande convertido, o vaso escolhido por Jesus, se faça mais claro em nossos corações, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer por amor a Jesus.
A FORMIGA E O TIGRE
(Felinto Elízio Duarte Campelo)
Ouvia-se um grande alarido na mata. Levada pela curiosidade, uma saúva, querendo investigar o que ocorria, contornou obstáculos, venceu dificuldades até chegar a uma clareira onde se realizava uma assembleia de bichos.
Em acalorados debates, discutia-se qual o animal mais forte, o mais inteligente e o mais necessário à comunidade. 
Imponente, o leão assomou à tribuna, encrespou a juba dourada e falou com soberba:
– Eu, cognominado o rei dos animais, sou o mais forte e o mais inteligente. Conquisto e domino todo o território ao alcance de minha vista. Imponho minha vontade, meus súditos obedecem.
 O elefante, batendo vigorosamente suas patas contra o solo, em veemente protesto, fez estremecer o chão. O improvisado palanque desmontou-se e, assustadíssimo, o leão rolou por terra.
– Compare, senhor leão, o seu tamanho com o meu e diga qual o mais forte. Com a minha tromba sou capaz de arremessá-lo para fora desta assembleia. Duvida?
– Calma, amigos  –  interveio a raposa  – não é só a força bruta que conta, há de considerar-se também a astúcia. Sagacidade não me falta, posso, então, ser considerada a mais inteligente.
Dentes à mostra em riso sarcástico, a hiena arrogou-se o direito de ser o animal mais necessário, dizendo:
– Alimento-me dos restos de caça em decomposição, saneio o ambiente; em consequência, deixo o ar livre dos miasmas para o bem-estar de todos. Quem presta serviço igual?
– Eu, a girafa, posso prestar um melhor serviço. Alta como uma torre, vejo antes o perigo que se avizinha e dou o alarme para que vocês, os baixinhos, se protejam.
Não concluiu sua autopromoção. O rinoceronte bramiu irônico:
– Torre que eu derrubo na primeira cabeçada. Meu corpo é revestido de uma couraça invulnerável, os chifres que trago no focinho são irresistíveis e minha força pode ser comparada à de três elefantes. Minha única falha está na visão deficiente. Por vezes, mal distingo o adversário; mesmo assim, exijo o título de o mais vigoroso.
Não havia consenso. Cada qual atribuía a si qualidades incomuns, sobravam os autoelogios, pululavam exclamações de desprezo e de escárnio.
Ao tentar expor sua opinião, a pobre formiga sofreu uma saraivada de apupos. Tida como predadora das plantas, ouviu, desolada, o remoque do tigre:
– Cala a boca, cortadeira vagabunda, você só serve para tira-gosto de tamanduá.
Correndo em torno da formiga, rugindo para assustá-la, o inditoso tigre pisou numa armadilha deixada por caçadores e, repentinamente, viu-se dependurado de cabeça para baixo, sem condição de soltar-se.
Contrastando com os desentendimentos ocorridos durante a reunião, a aflição causada pelo incidente e o sentimento de solidariedade estavam patentes na maioria dos animais ali presentes.
Seus companheiros faziam de tudo para libertá-lo, entretanto nenhum conseguia desatar o laço feito com bem urdida fibra vegetal.
O leão bramiu com tristeza, declarando-se impotente. Nas seguidas tentativas, feriu a perna do tigre com suas afiadas unhas.
O elefante, quanto mais usava a tromba, mais apertava a laçada provocando dores insuportáveis ao angustiado felino.
A raposa logo desistiu, faltava-lhe habilidade.
A hiena, destoando da tristeza geral, ria à toa, dizia aguardar a morte do incauto para cumprir sua missão.
A girafa alegava não ter meios de ajudar, era alta demais e meio desengonçada.
O rinoceronte sequer enxergava o cordel que mantinha o tigre preso.
Humilde, sem guardar ressentimento, a formiga ofereceu-se para “cortar” o laço. Foi até o arbusto onde seu ofensor se encontrava em insólita situação. Findos prolongados minutos de tensa expectativa, chamou o elefante e pediu sem afetação:
– Com sua tromba, segure o tigre para evitar que ele caia no chão e se machuque. O laço está para romper-se, faltam poucas mordidas.
No preciso instante da esperada libertação, a formiga foi delirantemente aplaudida.
O tigre, envergonhado, retirou-se após apresentar mil pedidos de desculpas.
A assembleia foi dissolvida com o retorno dos participantes a seus afazeres naturais. Ficou, porém, gravado na lembrança de todos os bichos o exemplo de humildade, de esquecimento das ofensas recebidas e do amor fraterno dado pela formiguinha. Ficou também a extraordinária lição de que cada ser tem uma importante função a desempenhar no grande concerto da vida, independentemente do tamanho, do vigor físico, da cor, da raça, do credo.
Assim, como bichos, comporta-se grande parte da humanidade ainda presa a interesses exclusivamente materiais.
Uns, por orgulho e ambição, conquistam nações, subjugam e oprimem povos, qual prepotente leão. Muitos, tocados em sua vaidade, ameaçam os mais frágeis, como um elefante enfurecido. Alguns usam ardis para empreenderem negócios inescrupulosos em prejuízo de terceiros, à feição de raposa manhosa.
Outros, no intuito de entesourar bens terrenos, roubam viúvas indefesas, ao modo de hiena ridente à espreita de despojos.
Tantos, do alto dos seus castelos, pensam estar vigilantes e menosprezam os que labutam em plano inferior, assemelhando-se à girafa presunçosa.
Muitos, também, sentem-se invulneráveis sem que possam vislumbrar uma réstia da justiça e do bem, tal um rinoceronte de visão imperfeita.
Esquecem-se de que voltarão à Terra, em dolorosas reencarnações expiatórias e de resgate, para repararem com o próprio esforço os danos morais e materiais causados aos outros, até que, saldados todos os débitos, possam iniciar etapas novas de crescimento espiritual.
Poucos, muito poucos, vivem em conformidade com o Evangelho de Jesus, comportam-se como simples formiguinha, despretensiosa, que, na estória, soube exercitar o amor desinteressado e o perdão incondicional, sem limites.
A VENTURA DE NÃO FAZER O MAL É FELICIDADE?
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)
Muitas pessoas acreditam na felicidade plena depois desta vida, simplesmente por não terem feito o mal.
É claro que não praticar atos que desrespeitem a Lei Divina é fundamental para a consciência tranquila de cada um.
Entretanto, entendemos que não basta não fazer o mal – é necessário também fazer o bem, pois, seremos responsáveis pelo mal que advenha do bem que deixarmos de realizar em família, no trabalho e na sociedade como um todo.
Em O Livro dos Espíritos, na questão 657, Allan Kardec indagou: Os homens que se entregam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e só pensando em Deus, têm algum mérito a Seus olhos?
E recebeu a resposta dos Espíritos superiores: Não, pois se não fazem o mal, também não fazem o bem, e são inúteis. Além disso, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que pensemos n’Ele, mas não que pensemos apenas n’Ele, pois deu ao homem deveres a cumprir na Terra. (...)
Não nos equivoquemos em relação à vida. Devemos praticar a caridade em todas as circunstâncias, seja em pensamento, em palavras, em ações; seja em doações intelectuais, profissionais, espirituais, ou em doações materiais e financeiras, que fazem parte do desprendimento material e emocional, quando compreendemos que é somente dando que expandimos nosso eu e vivenciamos o verdadeiro amor cristão.
O desafio a vencer, com as dificuldades e lutas do dia a dia, está na comunhão com Deus, mas principalmente com nosso próximo. Quando criamos o hábito de falar com Deus, acabamos por mudar também o nosso jeito de falar com nossos irmãos. E mesmo diante de provas e ingratidões, daqueles que por vezes querem nos derrubar, tenhamos a firme convicção e fé n’Aquele que nos levanta todos os dias e nos dá força e esperança para vencermos no bem.
Jesus, o emissário de Deus aqui na Terra, diz que “a cada um segundo suas obras” – então, tenhamos em vista que todo o bem que realizamos retorna através de bênçãos em nossa vida; se espalharmos o bem por onde passarmos, ele retornará em forma de saúde, bem-estar, esperança, pois a vida devolve aquilo que damos para ela (Mateus 16:27).
O apóstolo Paulo, numa linda carta endereçada aos Coríntios, ensina sobre o conhecer e o viver, em teoria e prática, em sabedoria e exercício da caridade: Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Coríntios 13:1-7).

OUTROS ASPECTOS DA AUTO-OBSESSÃO
(Anselmo Ferreira Vasconcelos)
O fenômeno da auto-obsessão é tradicionalmente associado a uma “opressão”, conforme descreve o Espírito Hammed, do indivíduo sobre si mesmo.  Nessa condição, “Geralmente, a auto-obsessão vem acompanhada de sentimentos de culpa, de autocensura, de recriminação, de complexos de inferioridade e de irresponsabilidade pelo próprio destino”. Em resumo, as percepções que o indivíduo acalenta tendem a ser carregadas de recriminações, amarguras, infelicidade, emoções descontroladas e, por extensão, altamente autodestrutivas.
Em poucas palavras, na sua casa mental predomina a falta de paz e harmonia, pois não há praticamente a existência de pensamentos atenuadores ou positivos. Em decorrência disso, o ato de viver lhe constitui um fardo insuportável. A sua visão excessivamente negativa da vida, do mundo e, o que é mais preocupante, de si mesma, não lhe permite armazenar forças internas capazes de contrabalançar tal estado vibratório.
Entretanto, existe um outro aspecto pouco explorado na literatura sobre auto-obsessão, e que merece maior atenção de nossa parte. Trata-se da manifestação da egolatria e do comportamento obsessivo-compulsivo. Sob essa forma, o indivíduo não ativa uma espiral descendente tal qual descrito acima. Nessa modalidade, se assim podemos nos expressar, o quadro beira o mais alto grau de narcisismo acoplado à falta de senso, que muitas vezes conduz a situações ridículas ou bizarras, e ao culto excessivo da imagem ou do corpo, entre outras características nocivas.
Para ilustrar, muitas celebridades não raramente abusam do comportamento exibicionista. São tão apaixonadas pelo que veem no espelho que chegam a nutrir uma verdadeira auto-obsessão. Não faz muito tempo que um destacado portal nacional de internet exibiu uma sequência de fotos de determinada artista nacional.
Elas começavam destacando a primeira semana de gravidez da conhecida cantora e iam até o estágio final da sua gestação. Detalhe importante: em todas as fotos a artista aparecia sempre trajando uma lingerie específica de cor preta. Obviamente, só mudava o tamanho da sua silhueta.
Fiquei com aquela dúvida me martelando a mente: mas para que serve tal coisa? Vale a pena se expor assim tão intimamente? Por acaso isso vai alavancar a sua carreira, que, ao que parece, já teve momentos melhores? Outros artistas mais famosos também já utilizaram expediente análogo. A cantora Madona, por exemplo, lançou anos atrás um livro com fotos nada, digamos, edificantes...
Mas muitos poderão argumentar que são apenas artistas se autopromovendo. Não dá para negar que há um fundo de verdade nessa alegação. No entanto, outros artistas seguem firmes em suas carreiras sem tais arroubos, bem como lidando discretamente com as suas vidas particulares. Ainda nesse plano, não podemos também esquecer certos personagens que alimentam com sofreguidão o seu ego.
Refiro-me a certos políticos e empresários que abusam do culto do “eu”. A história humana está repleta de pessoas que assim se portam. Elas tentam dar a impressão de que são diferentes até na composição da matéria de que são constituídas. É evidente que esses indivíduos também abrem portas para as entidades desencarnadas menos ajuizadas. Mas, no geral, comportam-se como se fossem o “centro do mundo”, tamanha a intensidade da paixão que alimentam por si próprios, pelos seus feitos, pelas suas criações e ideias nem sempre dignas. Tais indivíduos deixam não raro um rastro amargo de destruição pelo caminho.
Por fim, há outros que, inspirados pelas ferramentas digitais contemporâneas, não conseguem ficar um dia sequer sem postar uma foto ou vídeo pessoal. Nelas retratam, à exaustão e nos mínimos detalhes, imagens das suas vidas. Dedicam-se com tanta frequência e exagero a essa atividade que caracteriza uma verdadeira obsessão. Em síntese, pode-se cogitar que a auto-obsessão eventualmente abrange um quadro bem mais amplo.
Ao que tudo indica, uma pessoa portadora desse tipo de distúrbio parece ter considerável dificuldade de aplicar um olhar mais profundo, meticuloso e inquiridor sobre o seu interior, sua conduta e atitudes. Ou seja, aquele olhar autoindagador que lhe possibilitaria obter um maior conhecimento sobre as suas fraquezas e atrações a fim de que pudesse se aperfeiçoar e fortalecer para os inevitáveis embates rumo ao progresso do seu espírito. Como bem explica o Espírito Hammed, “Quando nos conscientizamos de nossos processos mentais, passamos a clarear nosso mundo interior e a administrar nossas atitudes psíquicas”.

O JOIO E O TRIGO
(Altamirando Carneiro)
Para conhecer a verdade, é preciso estudar
O monge dominicano Giordano Bruno, filósofo, astrônomo e matemático italiano (1548-1600), foi acusado pelo Tribunal da Inquisição de ter sustentado a afirmação da existência de inúmeros mundos e de que a Terra gira em torno do Sol.
Acusaram-no ainda de acreditar na reencarnação e não no inferno, e de ter afirmado que até os demônios seriam salvos, um dia, conforme a lei de evolução do Espírito; de que a magia (entenda-se a mediunidade) é verdadeira e de que os profetas e apóstolos eram magos (entenda-se médiuns).
Giordano Bruno, uma das figuras mais representativas da Renascença, preferiu ser queimado na fogueira, em 8 de fevereiro de 1600, do que abjurar as suas ideias que, hoje, vemos, não eram fantasias, mas verdades insofismáveis.
Sobre a sua atitude, afirmou: "Por enquanto ficariam felizes com a minha abjuração. Mas viver também significa percorrer um longo caminho que nos afasta Deus!" Em Roma, no local de seu martírio, há uma estátua que eterniza o seu amor à verdade.
O amor à verdade é uma das características do homem de bem. De tal maneira que, como se lê n’ O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, capítulo XVII - O Homem de Bem (...): "Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem o de se queixar dele, se fez aos outros tudo aquilo que queria que os outros fizessem por ele".
Espíritos assim já vêm preparados. Não é fácil caminhar-se para o cadafalso tendo-se a certeza de que poderia escapar-se dele. Mentir, abjurar, que importa, quando está em jogo a vida? - diria um Espírito fraco.
Esses bons cristãos, e, conseguintemente, os bons espíritas, são amantes da verdade, acima de tudo.
Neste mesmo capítulo, diz o Evangelho que: (...) "O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam".
A verdade de cada um está de acordo com a sua evolução espiritual. A verdade dos fracos é frágil; a verdade dos fortes é firme. Assim deve ser a verdade do espírita, uma verdade calcada nos ensinamentos de Jesus à luz da Doutrina espírita.
Muito embora não se diga dono da verdade, o Espiritismo, sem dúvida, tem a chave que abre as portas do conhecimento, pois os seus ensinamentos não se baseiam no pensamento ou interpretação deste ou daquele homem, deste ou daquele fundador, mas na interpretação clara dos Espíritos.
Allan Kardec codificou as Verdades do Evangelho e da Doutrina Espírita, trazidas pelos Espíritos Tutelares, em cinco importantes livros (as Obras básicas da Codificação Espírita):  O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese.
Estudemos Kardec, para que possamos distinguir a verdade da mentira, diante da enxurrada de informações falsas que nos são impostas diariamente, por uma verdadeira plêiade de falsos cristãos e falsos profetas. Se assim fizermos, saberemos separar o joio do trigo.
Amemo-nos e instruamo-nos, como nos pede o Espiritismo. Este chamamento encontra-se na mensagem do Espírito de Verdade, registrada no capítulo VI de O Evangelho segundo o Espiritismo - O Cristo Consolador: "Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: 'Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade'".
O AMOR SOCORRE
(Jane Martins Vilela)
“Pedi e se vos dará: buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá porque todo aquele que pede recebe, quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta.” – Jesus (Mateus, VII: 7-11).
 Esse momento de Jesus no Evangelho é mais um momento em que ele dá esperanças aos corações aflitos.
Sob o ponto de vista moral, diz Allan Kardec em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, o que as palavras de Jesus significam: pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos, e eles virão vos acompanhar e, como o anjo de Tobias, vos servirão de guias; pedi bons conselhos, e não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta, mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança: apresentai-vos com humildade, não com arrogância; sem isso, sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que tereis serão a punição do vosso orgulho.
A prece é sustentáculo. Pedir com amor e humildade dá forças e coragem a quem pede, dá esperanças. Continuemos, pois, a orar pela nossa Terra e por todos nós. Não desistamos de orar. Permaneçamos em oração e trabalho no bem, exemplificando o amor que aprendemos. Acendamos a candeia e a coloquemos no alto. Somos sempre atendidos pelo amor e precisamos retribuir ao amor.
Todos temos o nosso quinhão de sofrimentos a passar, mas o amor sustenta sempre, ampara sempre e na maioria das vezes estamos recebendo mais do que ofertamos. Deus sempre nos socorre.
As reuniões mediúnicas são, para os seus frequentadores, nos centros espíritas, grandes lições. São depoimentos valiosos dos Espíritos comunicantes, na grande maioria em sofrimento, dada a situação do planeta de provas e expiações em que ainda habitamos. Sempre o amor a socorrer aquele que bate à porta e pede com humildade.
À guisa de ilustração, rememoramos um caso, ouvido há pouco tempo, em meio a inumeráveis outros, que a bondade Divina permite vivenciarmos para o nosso aprendizado.
Um Espírito manifestou-se em sofrimento, dizendo que não conseguia respirar. Não conseguia respirar sem os aparelhos. Estava com um câncer na fase terminal. Sou médico, disse, e não consigo ajudar a mim mesmo! Não percebia que já tinha desencarnado. Não precisava mais sofrer. O câncer tinha sido no corpo e não no espírito, mas a lembrança era vívida e isso lhe provocava o mal-estar, como se ainda doente.
Com muito amor, foi ajudado pelo doutrinador da reunião. A falta de ar passou. Conseguia respirar. Disse que era médico dermatologista e que, quando descobriu o câncer, este já estava muito adiantado, com metástases diversas.
Foi orientado sobre a imortalidade da alma. O doutrinador lhe disse que se ele era médico, deveria ter feito muito bem e Deus sempre ampara a quem socorre. O Espírito se acalmou. Tranquilizou-se e foi então orientado de que ele já não estava mais num corpo humano, que já estava no mundo espiritual.
Agradecido por estar sendo ouvido e amparado, ele deu seu depoimento. Disse que quando descobriu seu câncer, estava com cinco anos de casamento. Tinha uma filhinha com dois anos de idade e ela era linda como a luz do sol, loura, de olhos azuis, lhe lembrava um anjo. Era a época mais feliz da vida dele. Tinha projetos, tinha sonhos. Pensava que era um Deus.
Quando viu que estava doente, que seus sonhos desabavam, revoltou-se, não aceitou. Seu orgulho e sua revolta não lhe permitiram perceber o auxílio que lhe era dispensado. Agora, ali, socorrido pelas orientações e pelas preces, via-se tal qual era, um Espírito que necessitava ser humilde. Pediu perdão a Deus pelo seu orgulho e vaidade. Nesse momento, ele viu o avô, que também tinha sido médico na Terra, a socorrê-lo e, grato, saiu emocionado, amparado pelo avô.
Somos sempre amparados, sempre atendidos quando oramos com sinceridade. Jesus, o emissário Divino nos pediu que permanecêssemos nele, que ele permaneceria em nós.
O amor jamais nos desampara. Libertemo-nos do orgulho que nos cega e veremos a ação desses amor continuadamente a agir a nosso favor, mesmo nas horas mais difíceis de nossas vidas. Pensemos nas horas difíceis como degraus de subida em direção à paz, se soubermos ter paciência e resignação.
Peçamos amparo a Deus e forças, e teremos esse amparo e essa força. Permaneçamos em paz. Todos os sofrimentos passam. Mantenhamos a fé e a esperança.
NOSSAS ESCOLHAS
(Temi Mary Faccio Simionato)
“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que entram por ela.” Jesus (Mt, 7:13-14).
No período em que Jesus esteve entre nós, os povos viviam em cidades cercadas por muralhas, situadas sobre colinas e montes, para que o assédio dos inimigos se tornasse difícil. Jerusalém era uma delas, e para alcançá-la era necessário percorrer caminhos íngremes, e, como as portas da cidade eram fechadas ao pôr do sol, aqueles que voltavam para casa galgavam rapidamente os aclives, porque atrasando-se ficariam de fora.
Assim, o Mestre nos traz um quadro impressionante do caminho cristão, ou seja, o das dificuldades que precisamos vencer para conquistar a vida eterna.
Duas são as estradas que se nos apresentam: a da evolução e a da degradação.
Ao passarmos pela estrada da evolução, caminhamos pela porta estreita, apertada, que nos conduz à vida; no entanto, ao caminharmos pela estrada da degradação, atravessamos a porta larga que conduz ao sofrimento e ao infortúnio, por conceder-nos as diversões, a soberba, as facilidades imediatas, a luxúria, a preguiça, a inveja, de qual o mundo está repleto. Eis a porta da perdição, porque são grandes as paixões que trazemos arraigadas em nosso Espírito milenar! Caminhando assim, e assumindo as consequências de nossas escolhas, como asseverado na máxima: “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos” - (Mt, 20:16).
Em todos os empreendimentos humanos, somos convidados para realizações nobres e, no entanto, vestidos pela sombra, facilmente desinteressamo-nos de prosseguir por falta de resposta compensadora ao vazio interior, preocupando-nos em entulhar-nos de inquietações e lutas pela conquista da primazia.
Portanto, ao galgarmos a estrada da evolução, faz-se necessário a prudência, a temperança, a fé, a esperança, a caridade, percorrendo o caminho das lutas, dos obstáculos, dos sacrifícios, esforçando-nos desta forma para a redenção e para a renovação íntima. Assim, estaremos nos preparando para um futuro de alegrias e felicidade. É uma estrada árdua, bem sabemos, pois necessita ser trilhada com cuidado, examinando onde entrar, porque poderemos levar longo tempo para retomar o caminho que nos é próprio, e entendendo, definitivamente, a importância do vigiar e orar tão alertado por Jesus.
Nosso dever é a nossa escola e, por esta razão, a senda estreita a que se refere Jesus é a fidelidade que nos cabe manter constantemente no culto às obrigações assumidas diante do bem eterno. É o resultado da nossa luta interior em favor das virtudes, do equilíbrio, da sensatez, da perseverança nos ideais de enobrecimento, possibilitando-nos permanecer em último lugar na competitividade do mundo, a fim de sermos os primeiros em espírito de paz e de realização do reino dos céus dentro de nós, onde frui bem-estar na conquista interior.
Encontramo-nos envoltos em batalhas iluminativas cada vez mais severas; e enfrentando as lutas adquirimos sabedoria; iluminamo-nos recorrendo à oração que é fonte de energia, abastecendo e renovando-nos, e triunfaremos sobre as dificuldades que já não nos são obstáculos na caminhada, mas a conscientização no processo de evolução.
Através de muitas estações no campo da humanidade, receberemos proveitosas experiências, juntando-as à custa de desenganos terríveis, mas só em Jesus, no clima sagrado, na aplicação dos Seus princípios, será possível encontrarmos a passagem abençoada de definitiva salvação.
Em momento algum, Jesus escolheu a porta larga. Da manjedoura ao calvário, caminhou entre as dificuldades que se transformaram para Ele em degraus para o encontro com o Pai Celestial. Aceitou a cruz como a Sua maior mensagem de amor à humanidade de todos os tempos, deixando-nos, como exemplo vivo, a porta estreita do sacrifício como sendo o mais belo caminho de paz e libertação.
Tomemos, então, a nossa cruz em busca da porta estreita da redenção, colocando-nos acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em nós mesmos.
Longo é o caminho, difícil a jornada e estreita a porta, mas a fé remove os obstáculos da estrada.
Assim como aqueles que caminhavam para Jerusalém, após vencerem o penoso aclive, encontravam descanso e alegria no convívio familiar, também podemos, se quisermos, atingir a meta de nossos destinos, como a perfeição relativa, e libertar-nos da cadeia de renascimento neste vale de lágrimas para ascender à glória da vida espiritual, a fim de usufruir da paz e da felicidade reservadas aos justos.
Jesus é a única porta e o Evangelho é a chave que nos levará à verdadeira libertação para a vida eterna.
EM TEOLOGIA NÃO SEJAMOS UM MOLEQUE, SAIBAMOS, POIS, O QUE É FILIOQUE
(29-06-2017)
(José Reis Chaves)
Os teólogos nunca falam em alguns dogmas em público, por serem polêmicos. E para eles, o zé povinho não precisa conhecer certas doutrinas, que são só para eles, intelectuais e teólogos!
Tudo começou com o polêmico Concílio Ecumênico de Niceia (hoje Isnique, na Turquia). Polêmico, porque os bispos participantes dele foram pressionados pelo imperador Constantino com ameaças de exílio, torturas e morte, para quem não votasse na divinização de Jesus. Os ânimos estavam muito exaltados. Alguns bispos foram acompanhados de seus seguranças armados. E, segundo Helena Blavatsky (“Doutrina Secreta”), um bispo matou outro a chutes. Como se vê, os bispos estavam inspirados, porém, não por um espírito ou espíritos de Deus, mas por Espíritos impuros, atrasados.
Com a vitória de Constantino, ou seja, a divinização de Jesus, foi também dado o primeiro passo para a criação da Santíssima Trindade, que recebeu impulsos nos Concílios de Constantinopla (381), de Éfeso (431), de Calcedônia (451) etc. Mas para os apóstolos e as primeiras gerações de cristãos, Jesus era um homem, o Messias, e não outro Deus. E eles não conheciam também a Santíssima Trindade, que não é doutrina da Bíblia, mas que foi acrescentada a ela, posteriormente.
E foi quase um milênio depois do Concílio de Niceia que o Concílio Ecumênico de Lião (1274), na França, criou mais outro dogma, o Filioque (expressão latina: “e do Filho”), que dá mais poder a Jesus, para enfraquecer os teólogos contrários à sua divinização. E como se sabe, na época, quem fosse contra um dogma, morria na fogueira da Inquisição.
Os teólogos do Filioque defenderam a ideia de que o Espírito Santo procede de Deus, o Pai, e do Filho. Com isso, tentaram mostrar que Jesus é outro Deus Todo-Poderoso como o é o Deus Pai, introduzindo no Cristianismo o politeísmo. E a Bíblia é contra a divinização de Jesus: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um só que é Deus” (São Marcos 10: 18). “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Efésios 4: 5 e 6). “Porquanto, há um só Deus verdadeiro, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” (1 Timóteo 2: 5). E “O Pai é maior do que eu” (João 14: 28).
Jesus é Deus, mas relativo, como todos nós o somos também. (João 10: 34 e 35; e Salmo 82: 6), porém, Deus absoluto, incriado, é só o Pai. Aqueles que acham que Jesus é outro Deus, igual ao Deus Pai, se baseiam na afirmação de que Ele e o Pai são um. Mas Deus e Jesus são um em sintonia. E Jesus até nos convida para sermos também um com Ele e o Pai. (São João 17: 21.)
Muitos católicos, protestantes e evangélicos, em silêncio, não aceitam que Jesus é outro Deus e, portanto, não aceitam também o dogma do Filioque.
E uma prova de que a divinização de Jesus é mesmo polêmica é que, oficialmente, a respeitada Igreja Ortodoxa Oriental (com cerca de 300.000.000 de adeptos), o Espiritismo e as demais religiões não aceitam que Jesus seja outro Deus, a não ser relativo, e, consequentemente, não aceitam também o dogma do Filioque!

SONHOS, PESQUISAS, ENCONTROS
(22-06-2017)
(Guaraci de Lima Silveira)
Bendita humanidade esta que se dedica a crescer. Que busca, o tempo todo, este encontro com a Divindade Superior que tudo cria e mantém. Que se debruça diariamente sobre o novo, o inusitado, para desvendá-lo. Para torná-lo palpável estendendo limites. Há os que se cansam e desistem, há, contudo, os que se aventuram e vão quais águias explorando os céus. Lá ao longe, além da linha do horizonte, nova linha surge. Convidativa umas vezes, misteriosas outras. E, desde a antiguidade, esses elementos, almas livres, buscam desvendar os segredos, as nuances, as efemérides que cercam o mundo interna e externamente. E lá chega o dia em que reais sociedades científicas são criadas e os estudos expostos para avaliação dos pares. E lá vai o dia em que os liceus emergem das profundezas mitológicas e, vencendo o mito, estabelece a lógica. Tantos foram os grandes Espíritos que vieram, voltaram e retornaram cada vez mais sábios para endireitar os caminhos sóbrios da sabedoria neles e em nós.
O fato é que a cada dia somos surpreendidos. Algo de novo surge para nos situar como indivíduos habitantes de um Universo cujo fim e finalidades escapam aos conceitos comuns dos quais nos alimentamos neste presente. Mas é necessário “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. Isto nos anima e nos informa sobre a grandeza que trazemos nos refolhos da mônada divina que todos somos. Se antes caminhávamos feito manadas direcionadas pelos instintos, agora podemos, sobre dois pés, erguer a cabeça e olhar para frente e para o alto, buscando ver, contemplar e entender a natureza que nos cerca. E como ela é pródiga de excelências que nos foge por completo identificar suas práticas.
Eis que nos surge uma notícia nova: O Planeta Nove. E o que vem a ser o Planeta Nove? Dizem os cientistas que é um novo corpo encontrado no Sistema Solar, orbitando nosso sol a uma média de quatro e meio bilhões de quilômetros do astro rei, com uma massa dez vezes superior à da Terra e vinte vezes superior à distância de Netuno, nosso último planeta até então consolidado. Como a distância dele em relação ao Sol é aproximadamente de quinhentas e noventa e sete vezes superior à distância entre a Terra e o Sol, esse novo planeta levaria de dez a vinte mil anos terrestres para realizar uma órbita completa em torno do Sol.
E ainda há os que pensam ser a Terra a única morada da Casa do Pai! Este estudo foi publicado no periódico Astronomical Journal, por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, na sigla em inglês). Eles dizem ter encontrado "evidências sólidas" de um nono planeta, com órbita estranhamente alongada para esse tipo de corpo celeste, na periferia do Sistema Solar. Segundo os autores do estudo, a existência do "Planeta Nove" ajudaria a explicar uma série de fenômenos misteriosos que ocorrem com um conjunto de objetos congelados e destroços localizados além de Netuno, conhecido como Cinturão de Kuiper.
 Sim, sempre novas descobertas surgirão. O que nos compete é estarmos prontos para elas, absorvendo-as sem aqueles preconceitos que tanto dificultaram e ainda dificultam nossos avanços mentais. Sair da caixa escura do ego inferior, avançar além, conhecer, pesquisar, apropriar.
Diz-nos Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, capítulo II – Item 13: “Toda ciência não se adquire senão com tempo e estudo; ora, o Espiritismo, que toca nas mais graves questões da filosofia a todas as ramificações da ordem social, que abarca, ao mesmo tempo, o homem físico e o homem moral, é, ele próprio, toda uma ciência, toda uma filosofia que não pode ser aprendida em algumas horas, como todas as outras ciências; haveria tanta puerilidade em ver todo o Espiritismo em uma mesa girante, como em ver toda a física em certos jogos infantis. Para todo aquele que não quer se deter na superfície, não é preciso horas, mas meses e anos para sondar-lhe todos os arcanos”.
Desta forma estamos e estaremos sempre em constantes aprendizados. Sonhar, pesquisar, encontrar. Boa tríade para consolidar em nós o conhecimento necessário aos avanços espirituais. Nosso Sistema Solar crescerá com a possível descoberta de um novo planeta. E nós, igualmente, cresceremos sempre com novas descobertas que nos compete realizar.
“É quase irônico pensar que, enquanto os astrônomos encontram centenas de exoplanetas a anos-luz do nosso sistema solar, esse tempo todo nós temos um bem aqui no quintal”, afirma o astrônomo Alexander Mustill, que faz parte da equipe de pesquisa.
É mesmo assim, às vezes as coisas estão bem próximas de nós e não as percebemos. Sonhos, Pesquisas e Encontros é o título que demos a esse artigo. Enquanto essa tríade persistir estaremos aptos a crescer. “Sonhar sempre” como nos disse o saudoso poeta Vinícius de Moraes. Pesquisar em laboratórios, campos, bibliotecas e seja lá onde for necessário e encontrar o novo, inusitado, nunca antes visto ou visto de passagem. Isso dá sentido à vida, razão gigantesca para olhar o céu diariamente e agradecer a Deus pela chance de viver não apenas num corpo físico perecível, mas como alma que jamais se extinguirá, avançando sempre.
O HOMEM, A VIOLÊNCIA E A GUERRA
(15-06-2017)
(Altamirando Carneiro)
A violência e a guerra de hoje são a repetição do que o homem fez nas diversas épocas da Humanidade. Isso sem contar as brigas e querelas que, ao longo do tempo, acontecem no dia a dia.
Por que tanta briga, tanta confusão? Por que homens engravatados, que cursaram escolas, faculdades, colocam-se orgulhosamente num pedestal e ordenam a matança desenfreada de seus semelhantes, destruindo seus lares, suas famílias?
Mudam-se os palcos, mas não os atores. As causas das guerras e da violência atuais são exatamente as mesmas que fizeram detonar as guerras e a violência passadas: ódio, intransigência, primitivismo.
E por que não o diálogo?
Allan Kardec, na questão 742 de O Livro dos Espíritos, pergunta: “Qual a causa que leva o homem à guerra?”. Os Espíritos respondem: “Predominância da natureza animal sobre a espiritual; satisfação das paixões”.
Diz ainda O Livro dos Espíritos que a guerra (e, por extensão, a violência) desaparecerá da face da Terra, na medida do progresso do homem, que é muito lento, principalmente o progresso moral.
É lamentável a manifestação da crueldade do espírito humano, pois desrespeita o direito fundamental de cada um, que é o direito de viver. O senso moral, que nasce com o homem, permanece quase nulo em alguns. E a quantidade de Espíritos desse grau evolutivo em nosso meio é bastante grande. São minoria, mas como perturbam!
É importante que nos conscientizemos da nossa responsabilidade na educação dos Espíritos que nos forem confiados, na qualidade de pais, tutores, educadores etc.. Muitos desses Espíritos estão encarnando com tarefas definidas. É preciso que saibamos educá-los devidamente, dentro dos princípios cristãos.
Assim como uma construção, para ser sólida, depende de alicerces firmes, as bases de uma educação sólida são importantes, na formação da criança. É no seio de um lar bem estruturado que encontraremos o terreno propício para essa boa formação.
Como bem disse Pedro de Camargo, “Vinícius”, em palestra proferida no Colégio Piracicabano, durante uma Semana da Criança: “A melhoria da Humanidade está na razão direta da nova orientação que as mães de hoje possam dar aos seus filhos”.
Disse mais que: “O relógio do progresso avança em seu movimento isócrono; e, quando interesses malsãos procuram retardar-lhe a caminhada determinando desacordo com a posição do Sol que determina a trajetória da Vida, dizem que o dono do relógio põe a mão no ponteiro e... acerta as horas”.
RAZÃO E CARIDADE
(01-06-2017)
(Inês Rivera Sernaglia)
Ainda estamos longe da educação racional. Permitimos que as emoções nos governem, sem raciocinar e sempre como resposta às palavras ou atitudes alheias, porque muitas vezes agimos de forma desastrosa, movidos por impulsos primitivos. Dessa forma, só teremos controle da nossa vida com condições de assimilar virtudes, se passarmos a dominar e não ser dominados pelas emoções.
O aprendizado vivenciado na prática diária contribui em grande escala para que nos tornemos fortes. A teoria prepara, é verdade, mas é a prática que capacita em realizações. Não basta, pois, o ensinamento, é preciso que sejamos a lição viva, conforme exemplifica o Cristo, trabalhando em harmonia, aprendendo uns com os outros, conforme assevera Emmanuel, estimado benfeitor espiritual: “a conversação é permuta de almas”.
Doamos e recebemos o tempo todo, e o receber é sempre em proporções maiores, já que intensificam todos os sentimentos dos que se afinam conosco, encarnados ou não. É a lei de ação e reação. Aí também o cuidado em filtrar o que vemos e ouvimos a fim de aproveitar o que nos sirva para a construção no melhor.
Aprender incessantemente é importante porque é por meio do conhecimento que podemos optar pelo correto. A escolha de hoje, não podemos esquecer, é a consequência de amanhã. O Espírito da Verdade foi claro: “amai-vos e instruí-vos”. Kardec foi claro: “fora da caridade não há salvação”.
Jesus em todo seu ministério não mencionou a palavra caridade. No entanto, com base na resposta dada pelos Espíritos iluminados na questão 886, em O Livro dos Espíritos, temos que a caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações com os nossos semelhantes. Está descrita como benevolência para com os outros, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
Esses ensinamentos não são novos, mas precisamos entendê-los todos os dias, porque ainda trazemos sentimentos remanescentes da nossa vida primitiva. Passamos por várias encarnações burilando esses sentimentos, mas ainda não somos capazes de transformá-los, porque o que realmente falta à humanidade é amor. E só ele é capaz de transformar, edificar, elevar.
No livro Mediunidade: Desafios e Bênçãos, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, deparamo-nos com uma história simples sobre o amor, que tomamos a liberdade de transcrever:

“E quando o amor, exausto de sua jornada pelos séculos, parou para fazer um balanço das atividades desenvolvidas, constatou que após tantos e incessantes labores poucos resultados positivos tinha alcançado. O ser humano continuava odiando o outro, a sua fé ainda muito escassa, e até mesmo a fraternidade não era expressiva. O amor se entristeceu. Correu séculos atrás das pessoas mais diversas e, quando conseguia se aproximar, o ser humano trazia de volta seus impulsos e sentimentos primitivos. Aturdido com tantos desencantos, o amor continuou chorando e suplicou ao Pai um urgente socorro para que a tarefa que lhe tinha sido confiada não ruísse no esquecimento. Foi então que escutou a voz suprema dizendo que a partir daquele momento ele receberia ALGUÉM que cobriria suas pegadas. Alguém que, em sua ausência, falaria no seu silêncio através da ação. O amor nunca mais estaria só nas sendas do serviço. Foi ali que o amor se completou com a caridade. E assim podemos dizer que em todo lugar onde brilha a luz encontramos o amor e a caridade unidos, construindo o mundo cristão." Então, sigamos nossa jornada juntos, com benevolência de uns para com os outros, plenos de indulgência para com as imperfeições alheias e com o perdão das ofensas no espírito e na ação. Façamos valer a educação racional com a qual fomos preparados para exercer nossa mais digna função. E como afirma Emmanuel: “Deixemos que a caridade nos ilumine o crivo da razão para que não venhamos a perder os melhores valores do tempo e da vida, por ausência de equilíbrio ou falta de amor”. 
VIVER COM SABEDORIA
(25-05-2017)
(Altamirando Carneiro)
O Evangelho nos orienta sobre a posse dos bens materiais. Muitos são os que os buscam avidamente, tomando por base o seu bem-estar. Aquilo que lhe sobra, não importando o quanto, quase nunca é suficiente para satisfazer. Na sua busca, há os que se desviam por caminhos que só tardiamente compreendem serem despenhadeiros para a alma.
Alguns aceitam corromper e serem corrompidos, na estranha aventura da posse do temporário. Agitam-se, meditam, arquitetam e tecem teias nas quais eles próprios ficarão enredados.
Esquecidos de Deus, por conveniência momentânea, não permitem que a sua consciência lhes ilumine os caminhos e assim, de erro em erro, na esperança de muito possuir, vão perdendo mais do que possam imaginar, terminando um dia em reencarnações de abençoada correção, onde viverão a fome, a sede e a desesperança que a tantos fizeram passar, em virtude da sua invigilância na busca da posse. Ouçamos, entretanto, o Mestre, no ensinamento do óbolo da viúva: "Eu afirmo que a viúva pobre deu mais do que todos, porque os outros deram do que lhes sobrava..."
Deve o Espírito buscar sempre, de forma honesta, o sustento para si e para os seus, todavia, jamais deve se esquecer de que a jornada na Terra é, antes e acima de tudo, oportunidade sagrada para um único enriquecimento, o espiritual.
O necessário não lhe faltará, se tudo fizer corretamente, e para isso precisa entender que a posse desmedida tem raízes fortes no egoísmo, chaga a exigir combate constante pela vida afora.
Deve saber que a fonte do verdadeiro bem se assenta na fraternidade universal. Precisará aprender a conversar a linguagem do amor, única fonte que lhe trará a felicidade.
Se por breves momentos passa pela prova da pobreza, não deverá sucumbir à tentação da apropriação indébita. Trabalhe, ajude, sirva sem resmungos e sairá da Terra mais rico do que possa imaginar. Se passa pela prova da riqueza, coloque-se na condição de administrador divino, pondo os seus bens a benefício de muitos e aceite a certeza de que nada lhe pertence, a não ser as suas ações.
Somos todos moradores transitórios nesta casa de Espíritos reencarnados a que chamamos Terra. Tudo o que seja material a ela pertence e aqui será deixado. Somente as conquistas espirituais são os verdadeiros tesouros, que seguirão com o Espírito, na sua jornada rumo à Luz e à felicidade perene. Somente o amor ilumina.
Reflitamos nestas coisas e, transformados para melhor, enfrentemos, resolutos, as atribulações do dia a dia, administrando com sabedoria esses bens transitórios.          


A VARINHA DE CONDÃO
(18-05-2017)
(Ricardo Orestes Forni)
Na minha época de infância existiam as fadas, criaturas encantadas que deslizavam no ar com as suas varinhas de condão. Essas varinhas eram mágicas. Tinham o poder de tornar realidade o sonho das pessoas protegidas por esses seres. Hoje já não sei mais se existem. Talvez tenham sido substituídas pelos smartphones que encurtam distâncias e afastam as pessoas.
Estou lembrando isso a título de uma exposição de uma página que fiz em um Centro espírita da cidade onde moro. Perguntei para as pessoas presentes se seria bom que na cidade tivesse um Chico Xavier. Creio que não preciso descrever a resposta.
Em seguida perguntei se na cidade de Marília, próxima de onde moro, seria bom se tivesse um doutor Bezerra de Menezes. A resposta foi a mesma.
Tornei a colocar se em Bauru, que faz parte dessa região do Estado de São Paulo, seria excelente se tivesse um Emmanuel. A reação foi semelhante.
Em seguida perguntei por que não havia Espíritos de tal evolução reencarnados assim tão amiúde. Não houve resposta ou elas foram monossilábicas, pouco explicativas.
Perguntei, então, se o brilhante ostentado nas mãos de uma pessoa rica tinha surgido como tal, ou tinha se desenvolvido através dos milênios no interior das camadas terrestres onde o carvão passou a diamante e este, lapidado, transformou-se na milionária pedra? Como concordaram com o raciocínio, continuei explicando que o processo de formação de um Espírito superior sofria um processo semelhante. Esses Espíritos não surgiam através de um plim plim da vara de condão do Criador como se Ele fosse a mais poderosa de todas as fadas. Por isso não era possível existir um Espírito superior em tão curta distância nas cidades citadas. Entretanto, Deus tinha a escola da perfeição aberta dia e noite para todo e qualquer interessado no vestibular das virtudes.
Quando senti que o terreno estava preparado, entrei com os ensinamentos de Emmanuel contidos no livro Palavras De Vida Eterna, no capítulo denominado Chamamento Divino, quando ele ensina o seguinte: Muita gente alega incapacidade de colaborar nos serviços do bem, sob a égide do Cristo, relacionando impedimentos morais.
Continua ele: Há quem se diga errado em excesso; há quem se afirme sob fardos de remorsos e culpas; há quem se declare portador de graves defeitos, e quem assevere haver sofrido lamentáveis acidentes da alma...
Para culminar a lição, pondera o Benfeitor: Se a realidade espiritual te busca, ofertando-te serviço no levantamento das boas obras, não te detenhas, apresentando deformidades e frustrações.
Senti o clima como se costuma dizer e por isso perguntei aos presentes: aqui alguém já se negou a assumir pequenos compromissos no Centro para ajudar em alguma área alegando-se imperfeito para tal?
O silêncio respondeu ruidosamente! Aproveitei esse momento de análise de consciência de cada um para explicar o porquê é difícil ter um Chico Xavier em cidades próximas, ou um doutor Bezerra de Menezes, ou um Emmanuel. Exatamente porque nos negamos a começar, alegando os mais variados defeitos de que somos portadores.
Evidentemente que podemos nos considerar como os átomos de carbono no interior do solo das nossas imperfeições. Precisaremos dos milênios que trabalharão através das provas e expiações o nosso ser para um dia chegarmos ao diamante espiritual e, deste, ao brilhante lapidado que faz justiça à perfeição absoluta do Criador.
O quanto antes começarmos, o planeta Terra e demais orbes habitados do Universo infinito, cada vez mais, poderão apresentar aos viajantes cansados do caminho um coração da grandiosidade de um Chico Xavier, do doutor Bezerra, de Emmanuel, ou de tantos mais que poderíamos ir citando com segurança. O que não devemos é ficar sentados à beira da estrada evolutiva contemplando embevecidos os sacrifícios dos Espíritos missionários que têm abençoado e iluminado a Terra com a sua presença, e quando surgir a menor das oportunidades de trabalho que a Providência Divina tenha a bondade de nos oferecer, nos escondermos atrás de nossas imperfeições para fugirmos constantemente aos compromissos que acenam a todos os homens de boa vontade.
Para culminar o despertar das consciências presentes, deu uma cutucada final: alguém aqui recusaria a ser o ganhador de um carro numa rifa, ou de uma viagem de turismo, ou de um prêmio polpudo da loteria dos números?
Por que, então, quando se trata de ganharmos os valores que as traças não corroem e os ladrões não roubam, através do trabalho em favor dos mais desfavorecidos, escondemo-nos atrás das nossas imperfeições?
O dia das varinhas de condão já se vai longe, se é que um dia existiram!
A VARINHA DE CONDÃO
(Ricardo Orestes Forni)
Na minha época de infância existiam as fadas, criaturas encantadas que deslizavam no ar com as suas varinhas de condão. Essas varinhas eram mágicas. Tinham o poder de tornar realidade o sonho das pessoas protegidas por esses seres. Hoje já não sei mais se existem. Talvez tenham sido substituídas pelos smartphones que encurtam distâncias e afastam as pessoas.
Estou lembrando isso a título de uma exposição de uma página que fiz em um Centro espírita da cidade onde moro. Perguntei para as pessoas presentes se seria bom que na cidade tivesse um Chico Xavier. Creio que não preciso descrever a resposta.
Em seguida perguntei se na cidade de Marília, próxima de onde moro, seria bom se tivesse um doutor Bezerra de Menezes. A resposta foi a mesma.
Tornei a colocar se em Bauru, que faz parte dessa região do Estado de São Paulo, seria excelente se tivesse um Emmanuel. A reação foi semelhante.
Em seguida perguntei por que não havia Espíritos de tal evolução reencarnados assim tão amiúde. Não houve resposta ou elas foram monossilábicas, pouco explicativas.
Perguntei, então, se o brilhante ostentado nas mãos de uma pessoa rica tinha surgido como tal, ou tinha se desenvolvido através dos milênios no interior das camadas terrestres onde o carvão passou a diamante e este, lapidado, transformou-se na milionária pedra? Como concordaram com o raciocínio, continuei explicando que o processo de formação de um Espírito superior sofria um processo semelhante. Esses Espíritos não surgiam através de um plim plim da vara de condão do Criador como se Ele fosse a mais poderosa de todas as fadas. Por isso não era possível existir um Espírito superior em tão curta distância nas cidades citadas. Entretanto, Deus tinha a escola da perfeição aberta dia e noite para todo e qualquer interessado no vestibular das virtudes.
Quando senti que o terreno estava preparado, entrei com os ensinamentos de Emmanuel contidos no livro Palavras De Vida Eterna, no capítulo denominado Chamamento Divino, quando ele ensina o seguinte: Muita gente alega incapacidade de colaborar nos serviços do bem, sob a égide do Cristo, relacionando impedimentos morais.
Continua ele: Há quem se diga errado em excesso; há quem se afirme sob fardos de remorsos e culpas; há quem se declare portador de graves defeitos, e quem assevere haver sofrido lamentáveis acidentes da alma...
Para culminar a lição, pondera o Benfeitor: Se a realidade espiritual te busca, ofertando-te serviço no levantamento das boas obras, não te detenhas, apresentando deformidades e frustrações.
Senti o clima como se costuma dizer e por isso perguntei aos presentes: aqui alguém já se negou a assumir pequenos compromissos no Centro para ajudar em alguma área alegando-se imperfeito para tal?
O silêncio respondeu ruidosamente! Aproveitei esse momento de análise de consciência de cada um para explicar o porquê é difícil ter um Chico Xavier em cidades próximas, ou um doutor Bezerra de Menezes, ou um Emmanuel. Exatamente porque nos negamos a começar, alegando os mais variados defeitos de que somos portadores.
Evidentemente que podemos nos considerar como os átomos de carbono no interior do solo das nossas imperfeições. Precisaremos dos milênios que trabalharão através das provas e expiações o nosso ser para um dia chegarmos ao diamante espiritual e, deste, ao brilhante lapidado que faz justiça à perfeição absoluta do Criador.
O quanto antes começarmos, o planeta Terra e demais orbes habitados do Universo infinito, cada vez mais, poderão apresentar aos viajantes cansados do caminho um coração da grandiosidade de um Chico Xavier, do doutor Bezerra, de Emmanuel, ou de tantos mais que poderíamos ir citando com segurança. O que não devemos é ficar sentados à beira da estrada evolutiva contemplando embevecidos os sacrifícios dos Espíritos missionários que têm abençoado e iluminado a Terra com a sua presença, e quando surgir a menor das oportunidades de trabalho que a Providência Divina tenha a bondade de nos oferecer, nos escondermos atrás de nossas imperfeições para fugirmos constantemente aos compromissos que acenam a todos os homens de boa vontade.
Para culminar o despertar das consciências presentes, deu uma cutucada final: alguém aqui recusaria a ser o ganhador de um carro numa rifa, ou de uma viagem de turismo, ou de um prêmio polpudo da loteria dos números?
Por que, então, quando se trata de ganharmos os valores que as traças não corroem e os ladrões não roubam, através do trabalho em favor dos mais desfavorecidos, escondemo-nos atrás das nossas imperfeições?
O dia das varinhas de condão já se vai longe, se é que um dia existiram!
LAR, PEQUENA PRAIA...
(Leda Maria Flaborea)
Lar, nos dicionários da Língua Portuguesa, é confundido com a ideia de família e, figurativamente, como um local para onde se retorna, seja a casa, a cidade ou o país de origem... A Doutrina Espírita, por sua vez, amplia esse significado na medida em que afirma ser muito mais que uma reunião de pessoas aparentadas, que vivem, em geral, na mesma casa. São criaturas unidas por laços de parentesco, pelo sangue ou por alianças, criando laços sociais.
As questões 205, 205-a e 774 de O Livro dos Espíritos esclarecem que somente através da reencarnação os laços familiares podem ser menos precários, permitindo aumentar os deveres da fraternidade uma vez que essas pessoas já estiveram ligadas, anteriormente, sobre bases da afeição ou da inimizade. É pela necessidade de progresso que esses encontros acontecem. Os laços sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam tais laços.
O cadinho doméstico é constante desafio para cada um de seus membros, tendo em vista que cada um traz uma história de existências pregressas no bojo de seus sentimentos que se manifestam através de suas ações, palavras e pensamentos. Difícil trabalho esse de buscar a harmonia entre indivíduos tão distintos, ligados entre si por passados às vezes escabrosos, permeados de cobranças, vitimizações, abandonos e sofrimentos, com medos e angústias de um futuro desconhecido.
Entretanto, a necessidade desses encontros é fundamental para que a vida, em seu esplendor, prossiga segundo um programa reencarnatório pensado, avaliado e fixado nessas consciências, com a finalidade de se cumprir a lei do progresso, através de ajustes das consequências de escolhas infelizes, feitas em existências anteriores.
Cansados de sofrer, esses Espíritos, ainda na Erraticidade, pedem, imploram muitas vezes, para retornarem à carne ao lado desses comparsas, desafetos, a fim de remirem suas dores morais. E aqui estamos nós mergulhados em águas revoltas do presente, resgatando débitos do passado, com vistas a um futuro mais sereno, ainda que incerto.
Sem lutas não há progresso. E o lar passa a representar, assim, a primeira escola de amor na qual Deus nos matriculou para aprendermos valores espirituais indispensáveis ao nosso crescimento moral, como a paciência, a gratidão e o amor incondicional...
A cada batalha vencida nessa pequena praia, abrem-se, diante de nós, inúmeras oportunidades de navegação em águas mais calmas e mais profundas, em direção a praias mais extensas, a trabalhos com maiores responsabilidades. Aprendemos aqui no restrito, para ensinar e mais aprender no amplo. Do simples para o complexo. Da realidade material para a espiritual. E nesse processo contínuo de aprender, ensinar, mais aprender e mais ensinar iremos todos cumprindo nossa destinação de sermos felizes em plenitude.
Pacientemente ou não, vamos resolvendo nossas mazelas junto a esses irmãos que, como nós, foram colocados como companheiros nossos nessa jornada de aprimoramento.
Se por um lado nos sentimos atados a eles, com vontade de romper esses laços, porque a obrigação nos pesa, por outro lado, eles também se sentem assim muitas vezes. Se com o outro não é fácil a convivência, viver conosco deve ser mais difícil ainda.
Assim, até que aceitemos esses irmãos como instrumentos de nosso aprendizado pela prática da caridade para com todos eles, respeitando-os nas suas diferenças e limitações, retornaremos junto deles para continuarmos nosso curso como alunos rebeldes até a aprovação final.
O EVANGELHO E O “NOVO”
(Hyerohydes Gonçalves)
Constantemente escuto alguns companheiros ou companheiras de jornada espírita, após um seminário ou uma palestra pública, ou outro determinado evento, fazerem o seguinte questionamento:
- O que o facilitador, orador, expositor ou palestrante trouxe “de novo” do Evangelho?
Essa interrogação soa, aos meus abençoados ouvidos, em forma de eco, e me leva a trocar miúdos com os meus botões:
- O que o Evangelho tem “de novo”? Será que foi aumentado ou retirado um til ou um jota da tão devassada fonte de conhecimentos sublimes para a vida eterna?
E, logo após, volto os meus ditos sentidos normais ao chão da fábrica do nosso movimento espírita e percebo que há uma preocupação, até alarmante, de muitos confrades e confreiras, na busca de facilitadores, expositores ou palestrantes ilustres, de oratória cuja eloquência acima do normal, proferindo seminários, exposições ou palestras espetaculosos, e que tragam o “novo” do Evangelho de Jesus.
Por que trazer o “novo” do Evangelho, se o Evangelho é sempre “novo”?
Por que não trazer apenas o Evangelho na sua pura simplicidade?
Se observarmos que o Evangelho é a boa nova, ou se preferir, a boa notícia do reino de Deus, e que é o nosso principal manual de trabalho de aperfeiçoamento moral e espiritual, concluiremos que Ele é sempre “novo”, sempre atual.
Então, caro leitor, com base na lógica, a pergunta que sugiro seja elaborada é o inverso, assim vejamos:
- O que “de novo de mim mesmo” estou extraindo do Evangelho a cada dia, numa perspectiva de evolução de minha visão em relação ao seu conteúdo?
- Em cada contato com o estudo do Evangelho, eu estou me tornando uma pessoa renovada, estou me tornando um “homem novo”?
Logo, a questão é que, se diante dos desafios das sendas evolutivas da vida, estou deixando emergir “o novo de mim mesmo” com base nos ensinamentos evangélicos.
Se eu estou me tornando “novo” a cada instante; se eu estou me tornando “novo” no pensar e no agir, bem como na visão da verdade da vida e de mim mesmo; se eu estou me tornando “novo para mim mesmo”, domando as minhas más inclinações ou más tendências, transformando-as em atos de bondade, de misericórdia; então, nessa perspectiva, o “novo” deve partir de cada um de nós, da maneira como estamos vivenciando o Evangelho nas tarefas do cotidiano, ou seja, na administração do lar, da empresa, da conduta no trabalho profissional, no trânsito, na forma de se expressar e de posicionar-se diante de tal assunto, situação ou acontecimento, dentre outros exemplos...
E assim, não mais preocuparemos com o que “de novo” os oradores, expositores, facilitadores e palestrantes trarão do Evangelho; mas, acima de tudo, o que cada um de nós estará levando “de novo” para uma melhor compreensão do Evangelho, e dessa forma colaborando positivamente, em vibrações fraternais, com os trabalhos dos oradores, facilitadores, expositores e palestrantes em trazer “o novo de si mesmo”, a fim de despertar “o novo” de cada espectador ou telespectador, acerca do Evangelho que é sempre “novo” e sempre a fonte de renovação e de redenção de nós outros, Espíritos imortais, na eternidade do aprendizado constante da vida.
REVISTA ESPÍRITA RETRATA O PAPEL DE KARDEC NA CONSTRUÇÃO DO ESPIRITISMO
(Wellington Balbo)
Ultimamente tenho recomendado, com ênfase, o estudo da Revista Espírita, publicação que Allan Kardec dirigiu de janeiro do ano de 1858 até o momento de seu desencarne, em março de 1869. Ainda desconhecida do público (Revista Espírita), é neste periódico que o estudioso do Espiritismo encontrará, de forma mais veemente, a atuação de Allan Kardec na produção da doutrina, além, é claro, de voltar ao tempo e entrar em contato com a história do Espiritismo.
Há reflexões muito interessantes. Kardec, por exemplo, de forma muito educada e cortês permite-se discordar dos Espíritos e, com maestria, discorrer sobre uma ideia de forma irretocável. É assim que ele faz numa comunicação do Espírito Lázaro, inserida na revista do mês de maio do ano de 1862, sobre o instigante tema “Os instintos”. Ressaltamos que Kardec discordou da posição de Lázaro, porém com total respeito, sem atacá-lo ou diminuí-lo, ao contrário, inicia sua crítica agradecendo-o e elogiando suas constantes contribuições.
Dentre os mais variados temas da revista, destaco, também, uma instrução de Kardec referente à publicidade das mensagens espíritas. A instrução citada está no número de janeiro da revista de 1862.
Kardec aborda a importância de dar publicidade às mensagens espíritas e faz relevantes ponderações, levanta pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades das ainda parcas possibilidades de publicidade da época. Pode-se dizer que ali Kardec fez uma análise SWOT, análise esta que identifica os pontos fortes e fracos, as ameaças e oportunidades que as instituições encontrarão em seus respectivos cenários. Vale lembrar que a análise SWOT só veio ao mundo no século XX, obedecendo às necessidades das organizações de se planejarem.
Ainda no texto pertinente à publicidade das mensagens espíritas, Kardec desculpa-se com o leitor por tratar de coisas puramente materiais, haja vista que toca em pontos financeiros para o sucesso das publicações, num espaço destinado às coisas celestes, todavia, ressalta que o faz por julgar necessário e com o objetivo de divulgação da mensagem espírita.
O tema financeiro, aliás, ainda é um tabu para o espírita. Indubitavelmente Kardec não teria problemas em aplicar grandes somas para que a divulgação espírita se tornasse pujante e atingisse um grande número de pessoas. Aliás, muitos o acusavam de enriquecimento à custa do Espiritismo, o que é sabido não ser verdade. Kardec tinha a ciência de que sem os recursos materiais necessários seria impossível atingir o pleno sucesso na divulgação espírita.
O que se percebe no estudo da Revista Espírita é um Kardec altamente envolvido com a divulgação do Espiritismo, alguém que empenhou todos os seus esforços para o sucesso da doutrina.
Imagino-o nos dias de hoje, com tantas possibilidades à sua disposição para levar o Espiritismo aos mais recônditos rincões deste planeta, certamente os utilizaria em plenitude. As redes sociais, pois, seriam um local em que se encontraria Kardec com muita facilidade. Teria, muito provável, perfis em Facebook, Twitter, Instagram e, fatalmente, espaço em jornais não espíritas.
Kardec foi muito corajoso e a dimensão de sua vinda à Terra ainda estamos distantes de entender.
Por isso, para que compreendamos, mesmo que palidamente, um pouco da importância de sua reencarnação no século XIX, faz-se fundamental debruçar-se nas páginas da Revista Espírita.
Fica, então, registrada a sugestão ao leitor e estudioso do Espiritismo.
A FOGUEIRA DAS VAIDADES
(Altamirando Carneiro)
O homem vive, na Terra, uma luta inglória, na tentativa de quem, entre eles, é o maior, o melhor, o mais poderoso. Como Narciso, ele se contempla diariamente no espelho e, no seu orgulho, surge a pergunta: "Existe alguém mais bonito, mais perfeito, do que eu?"
O amor a nós mesmos é um tema estudado no Espiritismo. É este amor que nos leva a superar todos os obstáculos, para atingir os nossos ideais; é este amor que nos leva ao trabalho, ao estudo, ao aprendizado, enfim, a tudo aquilo que nos coloque sempre na melhor posição possível, com relação aos semelhantes.
Este é o amor a si mesmo do Ser consciente, que exemplifica diariamente a lição de Jesus na Parábola dos Talentos; daquele que procura administrar da melhor maneira o aproveitamento dos talentos, sempre em benefício dos outros. Pois a finalidade maior da nossa encarnação na Terra é servir.
Já o amor do orgulhoso é bem diferente. Ele se acha o máximo, o insuperável, o que não divide nada com ninguém, porque acredita que tudo no mundo foi feito somente para ele ou para a quem a ele se assemelhe e tenha o mesmo grau de soberba e sovinice.
Sócrates disse que "tudo o que eu sei é que nada sei". Esta conscientização só o humilde possui. Jamais o orgulhoso admitirá que, por mais que ele saiba, saberá pouco; que, em relação à verdade universal, nosso conhecimento é relativo, diante do conhecimento absoluto.
Por isso Jesus, diante do entusiasmo dos discípulos na divulgação da Boa Nova, deu graças a Deus por ter revelado tanta grandiosidade aos pequeninos da Terra, ocultando aos orgulhosos, sábios e potentados.
Em Reflexões Doutrinárias - Lúmen Editorial -, diz Antônio Fernandes Rodrigues que "o homem simples (...), não estando prisioneiro das regras ortodoxas da ciência acadêmica, acredita naquilo que não vê, mas aceita porque é coerente, lógico, imprescindível. Ele sente a presença de Deus nas coisas materiais; no vegetal que cresce; na flor que desabrocha; no fruto que alimenta; na chuva que proporciona condições para que o verde cubra o solo, dando alimento a toda criação animal. (...)".
Quando o avanço do progresso intelectual não é acompanhado pelo avanço do progresso moral, o orgulho passa a dominar os sentidos. Contudo, Deus não tira a liberdade de ninguém e aguarda que cada um amadureça, quando então aceitará as leis divinas, que funcionam harmonicamente, sem desequilíbrios.
MULTIPLICAR TALENTOS
(Waldenir Aparecido Cuin)
 “Quantos pães tendes? – Cinco pães e dois peixes, disseram..." (Mateus 14:17.)
O episódio da multiplicação dos pães e peixes, narrado pelo Novo Testamento é, incontestavelmente, uma notável e rica lição que Jesus delegou à humanidade, para servir de norte e bússola às nossas ações quotidianas.
Naquele momento histórico o Cristo não transferiu aos seus discípulos a tarefa de socorrer a multidão faminta, que O buscava sedenta de consolo e alimento. Apenas solicitou que informassem quantos pães e peixes tinham e, após, procedeu à multiplicação dos dois gêneros, permitindo que mais de cinco mil pessoas se alimentassem.
Sem dúvida, um ensinamento profundo e valioso.
É óbvio que ninguém em sã consciência e plena lucidez de raciocínio se proporá a sair pela vida fazendo multiplicações de pães ou outros itens alimentícios, mas de forma alguma estamos impedidos de multiplicar os nossos talentos e recursos, de forma a contribuir para a melhoria do mundo que habitamos.
Multiplicando os pães da paciência conseguiremos conviver com as mais adversas situações e suportar os mais intrincados problemas, aqueles que desafiam o equilíbrio das nossas emoções.
Multiplicando os pães da perseverança haveremos que caminhar com coragem em defesa dos nossos ideais, onde a felicidade e a paz, por certo, figuram como meta e objetivo.
Multiplicando os pães da tolerância seguiremos firmes na compreensão das diferenças que nos cercam, principalmente no âmbito familiar, onde devemos entender que cada criatura traz consigo a própria individualidade pensando e reagindo de modo particular, como nós fazemos também.
Multiplicando os pães do altruísmo teceremos a teia das nossas ações sempre voltadas para o bem, onde o ser humano, em quaisquer situações e momentos, será eleito como a preocupação máxima e interesse maior das nossas realizações.
Multiplicando os pães da fé e da confiança nunca deixaremos que acreditar piamente que não estamos sozinhos, mesmo que aparentemente o mundo nos mantenha isolados, pois do olhar da Providência Divina ninguém está alheio.
Multiplicando os pães do amor veremos todas as criaturas do caminho como irmãos a serem considerados, dignos merecedores da nossa solidariedade e respeito.
Multiplicando os pães da alegria contagiaremos aqueles que seguem conosco, informando a eles que o otimismo e a esperança são conquistas que não podem deixar de residir no íntimo dos nossos corações.
Multiplicando os pães do silêncio, saberemos como conter a palavra descortês e às vezes descuidada que, se lançada, poderá destilar o fiel da crítica ou o azedume do comentário menos feliz, além de evitar, muitas vezes, sérias contendas ou terríveis e inoportunas discussões.
Multiplicando os pães da humildade teremos plenas condições de combater as investidas deletérias do orgulho que tanto sofrimentos causam no seio social, e segurar os ataques perigosos do egoísmo, essa chaga nefasta que aprisiona os nobres sentimentos humanos.
Se fisicamente não temos condições de multiplicar pães e peixes, como fez Jesus Cristo, nada impede que façamos crescer nosso ânimo, coragem, determinação e boa vontade, para, com os recursos de que dispomos, contribuir para a construção de uma sociedade mais fraterna.
Reflitamos.
PARÁBOLAS DE JESUS: O TESOURO ESCONDIDO E A PÉROLA OCULTA
(Leda Maria Flaborea)
O tesouro encontrado e a pérola descoberta representam o ápice do esforço de transformação no bem
 No capítulo 13 do Evangelho de Mateus, encontramos seis parábolas que fazem referência de forma direta ao Reino de Deus. São elas: do joio e do trigo, do grão de mostarda, do fermento, da rede, do tesouro escondido e da pérola oculta ou de grande valor.
No entendimento espírita o Reino dos Céus ou o Reino de Deus, como também é nomeado, indica um estado de alma, um sentimento de plenitude que não é um lugar circunscrito no plano físico ou no plano espiritual.
Nas parábolas, alvo dos nossos comentários, Jesus enfatiza essa felicidade, essa ventura de quem encontra tais riquezas representadas pela pérola e pelo tesouro. E do ponto de vista Dele isso é tão grandioso e tão pleno que leva o homem que os encontra a dispor de todos os bens que possua. Em ambas, encontramos o predomínio da transformação espiritual pela aquisição de virtudes. Trata-se de um momento decisivo na vida de cada um de nós, porque estaremos tratando da modificação íntima, definitiva, no bem, ou a conquista do Reino de Deus.
Trata-se da descoberta da nossa consciência espiritual, da nossa ligação com Deus e das nossas capacidades para vencermos os obstáculos que surgem ao nosso progresso.  O tesouro encontrado e a pérola descoberta representam o ápice do esforço de transformação no bem. E o local onde foram encontrados indica o plano onde desenvolveremos as experiências necessárias para esse crescimento, ou seja, a existência física ou os diferentes planos espirituais. Por isso ambos são comparados, por Jesus, ao Reino dos Céus. Mas, para adquirir o Reino dos Céus o homem precisa se desfazer do Reino do Mundo. Afirma Jesus que o Reino não vem com aparência exterior.
(...) “A realização divina começará no íntimo das criaturas, constituindo gloriosa luz do templo interno”.
Qual o significado, nas parábolas, da expressão vender o que se tem e comprar o campo ou a pérola? Significa a mudança do homem material para o homem espiritual – o apóstolo Paulo de Tarso refere-se a isso como do homem velho para o homem novo. É o desfazer-se dos bens materiais, no sentido de não se dar prioridade a eles, pelos bens espirituais, lembrando que para esse homem materializado, seu tesouro e sua pérola são os bens materiais que conquistou ou que deseja conquistar.
Cairbar Schutel coloca questões interessantes em relação a isso, que precisam ser observadas. Pergunta ele: por que o homem trabalha na Terra? Para que estuda? Por que luta a ponto de matar seus semelhantes? Responde ele: “para possuir tesouros”!  E por essa razão o Mestre foi enfático ao afirmar que o tesouro imperecível é aquele que a ferrugem e a traça não corroem e os ladrões não roubam. Quando o homem terreno morre nada leva consigo; mas, o homem espiritual carrega tudo que conquistou.
O homem materializado não compreende a Doutrina do Cristo, como não aceita abandonar o que conquistou pela aquisição de algo invisível, impalpável... Ele vive para o reino do mundo e não tem interesse, por ora, no Reino dos Céus. Não compreende que aquele desaparece com a morte física e este permanece com quem o possui.
Para Huberto Rohden,³ quando o homem descobre o Reino dos Céus, não se interessa mais pelos reinos da Terra. Assim como a pérola que só revela seu esplendor quando exposta ao sol, a conquista da felicidade plena só é revelada na luz da vida diária. É interessante lembrar o ensinamento de Jesus que nos convida a não conservarmos a luz sob o alqueire, mas colocá-la sobre o velador, iluminando caminhos, dando direções...
O que tudo isso quer dizer?! Quer dizer que o homem, no nível evolutivo em que se encontra presentemente, precisa sair da superfície do ego (ser material) e mergulhar na misteriosa região do Eu Divino (ser espiritual). Essa passagem será, na maioria das vezes, dolorosa, mas o resultado só acontecerá quando e se realizar o autoconhecimento. “Antes de atingir a qualidade do seu Ser, corre o homem atrás da quantidade do ter ou dos teres. Mas, depois de descobrir o seu Ser qualitativo, torna-se indiferente aos seus teres quantitativos. E quando as circunstâncias o obrigam a possuir certos objetos externos, possui-os com estranha leveza e serenidade. Não se fanatiza por eles, nem jamais é possuído por aquilo que possui. Todos os caminhos estritos e todas as portas apertadas desaparecem em face do jugo suave e do peso leve de uma felicidade sem limites.”³
Para o estimado benfeitor espiritual Emmanuel4 “tesouros são talentos que trazemos, independentemente da fortuna terrestre, a fim de ajudarmos aos outros, valorizando a si mesmo.”  Diz ele que cada um de nós, em nossas atividades, mostramos esse tesouro. Por exemplo: um homem e uma mulher tem no amor o tesouro que constrói o santuário do lar; o professor amontoa tesouros da cultura e inteligência para transmitir a quem quer aprender; o escritor respeitável estabelece tesouros no livro nobre que leva consolação e assegura o progresso. Assim também com o compositor que cria um tesouro na melodia que compõem e encanta quem ouve...
Continua dizendo que é preciso saber o que produzimos, a fim de sabermos para onde nos dirigimos. Fica claro, agora, para nós, o porquê da afirmação de Jesus ao dizer: “onde guardardes o vosso tesouro, tereis retido o coração".
Por essa razão, entendemos que para a redenção das criaturas, de todos nós, está na transformação dos sentimentos. Quando são dirigidos para o bem, são bênçãos para a obra de Deus. Mas, quando se voltam para o mal, impedem a concretização dos propósitos divinos, principalmente para nós próprios. Torna-se cada vez mais urgente trabalharmos essa ferrugem, porque Jesus nos espera para nos mostrar os tesouros imperecíveis.
Todos nós temos ouvido ou lido sobre a necessidade de transformação das nossas predisposições íntimas. Mas, como proceder?! O conhecimento de si, já o dissemos, é a chave do processo espiritual. É fundamental o autoconhecimento para sabermos: quem sou eu? Qual é a minha obrigação para comigo e para com a sociedade na qual trabalho?
Encontramos um caminho em O Livro dos Espíritos, questão 919 quando Kardec pergunta aos Espíritos superiores qual é o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e resistir à atração do mal. E eles respondem: “um sábio da Antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo”.
Como conseguir o autoconhecimento? O que fazer? Quando fazer? Como fazer? A questão 919-a ajuda-nos nessa busca. Mas, é necessário, sem preguiça e com vontade real de aprender, tirar da estante o livro basilar da Doutrina Espírita e ler, sem pressa, as respostas de Santo Agostinho. 

O ESPÍRITA NA SOCIEDADE
(Hyerohydes Gonçalves)
Quando escrevemos que o espírita deve manter-se em vigilância e em prece, dar a César o que é de César e posicionar-se com imparcialidade partidária na política e na sociedade, não estamos com a pretensão de nos referir ao conformismo diante das situações de crise política e econômica por que passa o nosso país.
Muito pelo contrário, é neste contexto de divergências de opiniões que o espírita, discípulo sincero do mestre Jesus, deve estar de prontidão, como cidadão do universo, pronto para propor e buscar soluções de pacificação, de libertação, de solidariedade, em favor da justiça e da paz, de uma sociedade equilibrada, pautada no bom senso.
O verdadeiro espírita está inserido na sociedade, assim como qualquer outro cidadão, no exercício dos seus deveres e direitos constitucionais. Não é perfeito, mas está, assim como qualquer pessoa no convívio social, em busca da perfeição moral e espiritual.
A responsabilidade do espírita consciente é aumentada, ainda mais, perante a sociedade e de si mesmo, devido ao conhecimento adquirido sobre a lei de ação e reação ou de causa e efeito, do uso adequado do poder de livre escolha ou livre-arbítrio, das leis de sociedade, do trabalho e do progresso, dentre outras nas áreas do conhecimento espírita.
Temos de entender e compreender que, diante da crise e das injustiças sociais, o verdadeiro espírita, na atitude de discípulo e aprendiz do mestre Jesus, tem de manter-se vigilante e a sua conduta deve ser transformada em prece, para que a crise e as injustiças não se agravem devido à sua falta de vigilância e de sintonia com Aquele que nos fortalece.
Devemos, ainda, esclarecer que dar a César o que é de César não é deitar-se no berço esplêndido do conformismo, nem estar de acordo com as lideranças governamentais contrárias às necessidades do povo.
É, sim, agir de acordo com a ordem social, cumprindo as leis humanas, sem causar qualquer tipo de desordem e prejuízo à sociedade. Mas agir com responsabilidade cidadã, sem partidarismo, buscando, dentro do bom senso, apresentar propostas de melhorias nos setores sociais, tais como exemplos prioritários, a meu ver, aos da saúde e educação, prosseguindo para os demais e assim por diante.
Em relação à conduta de imparcialidade partidária do espírita na política e na sociedade, trata-se de questão de lógica, porque a postura espírita deve ser em favor da coletividade como um todo, atendendo ao bem comum, sem se compactuar com esse ou aquele partido, ou com essa ou aquela organização; pois, a imparcialidade partidária torna-nos libertos de quaisquer tipos de jogos de interesses e de injustiças.
Agindo assim, o verdadeiro espírita terá a sua conduta pautada no Evangelho de Jesus, em sintonia com a espiritualidade benfeitora, atraindo pensamentos positivos, e agindo positivamente, contribuindo com a implantação do reino de Deus (= reinado do bem) neste planeta Terra.
O AMOR É UM ALIMENTO DIVINO
(Hugo Alvarenga Novaes)
Primeiramente, lembremo-nos das sábias palavras de Jesus quando, no deserto, depois de ter jejuado por quarenta dias, disse: “... nem só de pão viverá o homem...” (Mateus 4,4; Lucas 4,4). Com isso, Ele quis mostrar-nos que são mais importantes os alimentos espirituais do que os materiais.
Sem dúvida alguma, o amor encabeça a lista destes nutrientes imateriais.
Tanto o amor é essencial para nós, que o Sublime Messias trouxe-nos o “Mandamento Maior” calcado nesse sentimento. Vejamo-lo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22,37-40).
Reparemos que o Divino Nazareno pede-nos que amemos a Deus, a nós e ao próximo.
Ele também nos recomenda: ”Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (João 13,34). Pensamos ser o amor o maior sustentáculo dos seres humanos. Semelhante aos alimentos sólidos, que são fontes de energia imprescindíveis para a manutenção das funções vitais de todos nós, o amor, indiscutivelmente, é o principal nutriente para o espírito. Quanto mais nos enriquecermos de valores morais, mais próximos estaremos de Deus.
O Divino Rabi não preceituou-nos que “amássemos uns aos outros” (João 13,34), unicamente objetivando a caridade. Recomendava-nos de igual maneira que nos alimentássemos mutuamente de simpatia e fraternidade, que são os grandes patrimônios do “amor profundo”, e que indiscutivelmente sustenta-nos a alma. Este último sentimento é o pão divino, o nutriente sublime dos corações.
Se o “amor ao próximo” é a base da caridade, “amar os inimigos” (Mateus 5,44) é a mais excelsa aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.
O amor é lei da vida. Se não houvesse amor nada faria sentido, pois só existimos porque Deus nos sustenta com o seu amor.
“Busquemos, então, meditar sobre o que temos e o que não temos, sobre quem somos e sobre quem não somos, a respeito do que fazemos e do que não fazemos, guardando a convicção de que sem a presença do amor naquilo que temos, no que fazemos e no que somos, estaremos imensamente pobres, profundamente carentes, desvitalizados. A inteligência sem amor nos faz perversos. A justiça sem amor nos faz insensíveis e vingativos. A diplomacia sem amor nos faz hipócritas. O êxito sem amor nos faz arrogantes. A riqueza sem amor nos faz avaros. A pobreza sem amor nos faz orgulhosos. A beleza sem amor nos faz ridículos. A autoridade sem amor nos faz tiranos. O trabalho sem amor nos faz escravos. A simplicidade sem amor nos deprecia. A oração sem amor nos faz calculistas. A lei sem amor nos escraviza. A política sem amor nos faz egoístas. A fé sem amor nos torna fanáticos. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor... Bem, sem amor a vida não tem sentido...” (Fonte: CD Momento Espírita, volume 7, faixa 3.)
Paulo de Tarso demonstra que compreendera perfeitamente a importância dele, ao dizer:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13, 1-7; 13).
Tendo tudo isto em vista, fartamo-nos de amor.
TEMOR DA MORTE; COMO EVITÁ-LO?
(Wellington Balbo)
Em O Céu e o Inferno, uma das obras da Codificação Espírita, Allan Kardec trata do tema temor da morte. Como estamos em novembro, considero serem interessantes algumas reflexões de tão palpitante tema.
Por que o homem teme a morte? Essa foi uma das indagações que Allan Kardec propôs na citada obra. Embora uma intuição sussurre nos ouvidos do homem de que a vida não se encerra no túmulo, há o medo do que se considera o desconhecido, e a morte, para um bom número de pessoas, é uma mera desconhecida e indesejada. Aliás, é, também, uma passagem para um tempo de dor e sofrimento, ou até mesmo o nada, que o digam os materialistas.
Aliás, muitos afirmam:
Ninguém nunca foi e voltou para contar! Ledo engano, pois diversos médiuns, mesmo antes do advento do Espiritismo, serviram como ponte para que os chamados “mortos” voltassem a fim de dar testemunho de que a vida prossegue além matéria.
Não obstante sermos imortais é preciso que a lei se cumpra, porquanto nosso corpo biológico tem um tempo de vida, é uma máquina e, naturalmente, vence sua validade, o que nos leva a experimentar o fenômeno da morte do corpo físico, mas não do Espírito imortal, pois este é indestrutível.
O temor da morte tem sua utilidade, pois faz com que o homem preserve-se de situações complicadas e não se exponha sem necessidade a perigos que poderiam abreviar sua existência. O instinto de conservação é o responsável por despertar-nos para a importância de manter-nos em segurança e aproveitar os instantes que a vida na Terra oferece para nossa elevação.
Sendo o homem um ser espiritual, certo que, se possível fosse, não mergulharia na carne, pois a vida na matéria, embora necessária, limita as atividades do Espírito, prendendo-o aos bem limitados sentidos da vida corporal. Percebe-se, então, que caso o instinto de conservação não existisse, o homem, certamente, se entregaria de modo muito fácil à destruição de seu invólucro carnal.
Eis, aí, a prova da sabedoria de Deus, que nada faz de inútil.
Quanto mais o homem avança em intelecto e moral, mais aproxima-se do Criador, de modo que sua visão vai ampliando-se e o temor da morte vai perdendo pujança, pois o homem passa a compreender que o nada não existe, e constata que ao deixar o corpo a sua essência continua bem viva.
Ele vislumbra o futuro, mais: sabe que o futuro dependerá de suas ações no presente, por isso trata de trabalhar com mais afinco hoje para que conquiste o equilíbrio que, indubitavelmente, proporcionará a ele condições de encarar as provas e expiações como desafios para seu crescimento, e não, como problemas insolúveis.
Conforme o ser humano vai atingindo a maturidade espiritual, consegue elevar-se além da vida na matéria e, por conseguinte, enxerga, na morte do corpo, não a destruição total, mas a libertação de seu Espírito.
Dar o justo valor ao corpo é uma das formas de libertar-se do temor da morte. Quando se valoriza em demasia a matéria, coloca-se sobre ela uma responsabilidade enorme e, então, quando esta matéria, obedecendo à lei da vida, tem a falência de seus órgãos, o homem, ainda voltado apenas à vida terrena, desespera-se, pois pensa que ali, na desagregação das células, houve, também, a desagregação dos laços de amor, de afeto, de si mesmo e das amizades conquistadas.
O Espiritismo diz que não. Os laços de amor não se extinguem com a morte do corpo físico. O sentimento tem sede no Espírito imortal e não no corpo perecível e, por isso, tal como o Espírito tem vida independente da matéria, os sentimentos também possuem essa independência.
O temor da morte, pois, sofre um revés chamado conhecimento. Quanto mais o Espírito cresce em conhecimento das leis da vida, mais ele afasta de si o cálice amargo do medo da morte.
Com a conquista da maturidade espiritual, a morte já não tem um caráter fúnebre, de perda da identidade, mas, sim, de transformação, de retorno ao mundo espiritual que, diga-se, precede o mundo físico.
As lágrimas de revolta e inconformação cedem lugar ao até logo, repleto de esperança no futuro de bênçãos que aguardam aqueles que já romperam com as incredulidades.
O homem, neste estágio de maturidade espiritual, já não mais necessita tanto do instinto de conservação, pois a consciência empresta-lhe condições para saber que não deve se expor sem necessidade e que o corpo é, em realidade, amigo de seu Espírito na travessia rumo ao infinito.
Apego, um dos motivos de temor da morte - Segundo o médico e tanatólogo Evaldo D’Assumpção, a palavra apego é de origem latina e significa juntar, colar, pegar. É o apego que produz o receio da perda. E quanto mais se receia a perda, mais se apega ao objeto, pessoa, situação ou, como no tema abordado, ao corpo físico.
1 – Apego ao corpo físico: quem leva a vida como se o corpo fosse tudo, esquece o Espírito, esquecendo o espírito esquece de si mesmo, pois brinda apenas o corpo com os prazeres da vida. Então, trabalha apenas para saciar o corpo. Rende culto demasiado à beleza física e a coloca como parte essencial de sua existência. Quando os anos, implacáveis, batem-lhe à porta, tenta, de todas as formas, enganar o tempo. Consegue por um determinado período, porém, por mais técnicas e tecnologias desenvolvidas atualmente prolongando a vida na matéria, não se consegue vencer a morte biológica. Neste atual estágio de evolução do planeta, a morte biológica é invencível. Muitos revoltam-se quando a morte biológica captura alguém ainda jovem, belo e com futuro promissor pela frente. O Espiritismo informa, porém, que se deve treinar o desapego do corpo valorizando a vida do espírito, porque esta modalidade de morte chegará cedo ou tarde. Treinar o desapego do corpo físico é aceitar que não se tem gestão sobre os desígnios de Deus. O Criador estabeleceu leis, e elas hão de se cumprir. Não há objeções quanto ao corpo bonito e torneado, desde que ele não se torne objetivo único do indivíduo. Desapegar-se do destrutível, perecível e temporário é fundamental à sanidade.
2 – Apego às pessoas e/ou objetos: é muito comum proferir a seguinte frase: Meu filho! Meu marido! Meu irmão! Isso no tocante às pessoas. Com relação ao objeto, dá-se o mesmo: Meu carro! Minha empresa! Meu livro!
Frases já consagradas por todos e não haveria problema caso reproduzissem apenas a força da expressão. Todavia, não é assim que ocorre. O sentimento de possuir pessoas ou objetos faz com que se apegue a eles como se fossem parte de nosso ser e não pudessem “descolar” de nós. Mas eles descolam, e, quando descolam, o sofrimento é mais intenso naquele que ainda não aprendeu a dizer adeus. Desapegar-se é compreender que nada nem ninguém nos pertence e que o desapego não é sinônimo de desamor, mas de inteligência emocional. E como conquistar a inteligência emocional que possibilita desapegar-se? O jeito é trabalhar-se intimamente para internalizar que pessoas e coisas chegam e vão embora de nossas vistas a todos os instantes. Viajam para aqui e acolá, e esta viagem acontece independentemente de nossa vontade. É preciso aprender a aceitar as coisas que não se pode modificar e conviver de maneira pacífica com a dor proporcionada pela “perda”.
Ou seja, desapegar-se não é viver sem dor, mas entender que, apesar dos pesares, a vida prossegue e se faz fundamental prosseguir com a vida.
3 – Apego às situações: do mesmo modo que se trabalha o desapego diante do corpo físico, pessoas e objetos, deve-se trabalhar o desapego das situações. É muito comum algumas pessoas ficarem presas ao passado, mortas no presente, contudo vivas num passado distante ou próximo. Ah! Como minha vida era de prazeres quando eu tinha aquele bom emprego! – exclama o sujeito cuja situação anterior já está “morta”. O emprego já acabou, a empresa faliu, a situação financeira pertence a outro tempo, mas ele ainda está apegado ao que passou. Quem vive o passado, quase sempre, mata o presente. Desapego é, pois, forma de viver mais leve.
Medo de enfrentar a dor - Um ponto a considerar na sociedade hodierna é a pouca paciência para com a dor. O temor da morte também é o medo de sentir a dor da partida. É claro que não se prega a valorização da dor, mas, sim, o entendimento de que a dor, no estágio evolutivo da Terra, vez ou outra aparecerá. O conhecimento, neste ponto, situa-se como um analgésico, pois com conhecimento sentimos que a dor ameniza. Todavia, nem mesmo o conhecimento – repito, neste atual estágio – é condição para que a dor seja eliminada. Como pedir para uma mãe não sentir seu coração dolorido ao ver um filho partir? Portanto, o conhecimento ameniza, entretanto, não elimina a dor. Eis por que é prudente deixar de temer a dor. Fortalecer-se a fim de que ela – a dor – não seja insuportável.
E como se fortalece?
1 - Conhecimento
2 - Prece
3 - Trabalho no bem.
O conhecimento faz-nos amadurecer, a prece liga-nos aos bons Espíritos e estes vêm em nosso socorro nos momentos mais complicados e, por fim, o trabalho no bem ocupa nossa mente e dá-nos a saborosa sensação de estarmos sendo úteis.
Esta é a trinca a fortalecer-nos diante de qualquer situação dolorosa.
Por que o espírita não teme a morte? - Kardec, em O Céu e o Inferno, escreveu que os espíritas não temem a morte, a considerar que todos vivenciam plenamente o conceito da imortalidade da alma. Como sempre, Kardec muito generoso. Pode-se adaptar seu pensamento para:
Por que o espírita não deve temer a morte?
Não deve temer porque, como Kardec diz, a alma já não é mais uma abstração. O Espiritismo é a Ciência que desvendou a imortalidade da alma. Com o Espiritismo não há mais a incerteza do futuro e a angústia advinda do nada.
O Espírito imortal é indestrutível e os laços de amor construídos ao longo do tempo também obedecem a esta ordem.
Portanto, nós e nossos afetos vivemos e continuaremos a viver. Esta mensagem já é bastante alentadora e pode servir para que, enfim, percamos o medo da morte, transformando o receio em certeza de que o cumprimento da lei biológica, na questão da morte física, não dilacera o Espírito imortal.
Pensemos nisto.
A TIMIDEZ DOS BONS E A OUSADIA DOS MAUS
(Waldenir Aparecido Cuin)
- Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?  "Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando o quiserem, assumirão a preponderância.” (Questão 932, de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.)
No contexto social em que vivemos, ante os dissabores que a sociedade tem colhido, como decorrência dos desajustes no âmago dos relacionamentos humanos, sugere o Espírito da Verdade, a Allan Kardec, àqueles que já despertaram para os reais valores da vida, que assumam a preponderância, isto é, que deixem a zona de conforto em que vivem, neutralizando a timidez e aguçando a ousadia.
Ser ousado, aguerrido, atrevido mesmo, não significa insuflar a violência, mas ter a coragem e o arrojo de defender, com bravura e interesse, aquilo que é nobre, digno e ético.
Não se pode deixar o mal prosperar nos espaços deixados pela timidez que domina os homens de bem. A criatura humana, além de ser boa, ainda é indispensável que seja justa. Calar quando se deve falar, esconder quando se deve apresentar, omitir quando se deve participar, obviamente são práticas que em nada contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
Os maus são ousados, pois que não temem pela reputação, pela probidade, nem se preocupam com a indignação ou opinião das pessoas, são maus e pronto. Fazem barulho, assustam, destroem, e, no momento da perversidade, anestesiados pelo desequilíbrio,  a consciência de nada os acusam, por isso são atrevidos e atuam nos espaços onde os bons deveriam estar, ostentando a bandeira da decência, da honestidade e da fraternidade.
Os bons precisam estar presentes em todos os segmentos sociais; na escola do filho, na associação de bairro, no grêmio estudantil, na associação filantrópica e assistencial, na política, na organização trabalhista, na organização patronal, nas decisões que interessam à comunidade em que vivem... enfim,  têm que participar, pois se não se apresentarem para a ocupação dos espaços que são seus, sem dúvida, virão os maus e, sem cerimônia, ocuparão as cadeiras vazias e farão o estrago que já é do conhecimento geral.
Então, não basta criticar, reclamar, gritar por um mundo mais decente, ordeiro e próspero, imperioso se torna a participação para que tais conquistas cheguem mais depressa e sem tanto sofrimento.
Para tanto, não será preciso ser expoente da cultura, da força, da intelectualidade, da fortuna, da virtude, do desprendimento, da caridade, mas sim, será preciso, e muito, de boa vontade e uma hercúlea dose de esforços. Isso, obviamente, está ao alcance de todos... basta querer.
Sem nenhuma violência, quando os maus perceberam que os espaços estão sendo preenchidos pela ousadia e coragem dos bons, baterão em retirada, por falta de opção e oportunidade, daí em diante será erguido, com segurança, o edifício da paz e da serenidade que tanto desejamos.
Observemos, então, qual o espaço que nos pertence, na ordem do progresso, e ocupemos a nossa cadeira... para servir, obviamente.
AMOR E SABEDORIA
(Altamirando Carneiro)
Na época de Moisés, quando vigorava o olho por olho, dente por dente, o grande missionário recebeu do Mundo Espiritual os Dez Mandamentos, que pediam ao homem da época o amor a Deus sobre todas as coisas. Moisés também criou as leis civis e disciplinares, para conduzir o seu povo.
Séculos depois, Jesus nos traz os seus ensinamentos e, complementando as leis recebidas por Moisés, pede-nos que amemos a Deus e ao próximo. E as leis civis e disciplinares criadas por Moisés baseadas no olho por olho e no dente por dente, Jesus transformou em leis baseadas na caridade, na humildade e no amor ao próximo.
Os séculos se passaram. E veio o Espiritismo. No capítulo VI (O Cristo Consolador) de O Evangelho segundo o Espiritismo, a mensagem do Espírito de Verdade diz:
“Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: ‘Irmãos, nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade’”.
O amor e a sabedoria são as duas asas do Espírito. O ideal seria que marchassem juntas. Porém, a evolução do homem se faz de maneira muito lenta. Por isso, o progresso científico e intelectual do homem está sempre à frente, e o progresso moral bem atrás.
Castro Alves, através da psicografia de Jorge Rizzini, diz, no poema A Criação Divina:
(...)
“Povo escravo não tem pausa,
No trabalho à luz do archote;
E monumentos, impérios,
São erguidos com o chicote!
Cresce a cultura Imortal,
Mas pouco avança a Moral,
- E da lei, o pedestal,
É a força, a cruz, o garrote!”.
(...)
A Doutrina Espírita tudo explica à luz da razão. Seus ensinamentos recebidos dos Espíritos Superiores e codificados por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, são verdades eternas e, para serem bem compreendidas, é necessário que não apenas as estudemos, mas as compreendamos.
Para tanto, é preciso não somente ler, mas apreender realmente o conteúdo da leitura. Isso demanda tempo, paciência, horas de dedicação. O verdadeiro espírita tem a obrigação de ter um mínimo de conhecimento da Doutrina Espírita. É o que se espera do adepto de qualquer religião.
A literatura espírita é uma das mais vastas, mais completas, com informações seguras e abalizadas. Por isso o sucesso do livro espírita, que não só mata a sede de conhecimentos e de saber, como também suprime a penúria moral.
Na obra Na Escola do Mestre – Edições FEESP, Vinícius diz que “Educar é tirar do interior” e que “a diferença entre o sábio e o ignorante, o justo e o ímpio, o bom e o mau procede de uns serem educados, outros não. O sábio se tornou tal, exercitando com perseverança os seus poderes intelectuais. O Justo alcançou santidade, cultivando com desvelo e carinho sua capacidade de sentir. Foi de si próprios que eles desentranharam e desdobraram, pondo em evidência aquelas propriedades, de acordo com a sentença que o Divino Artífice insculpiu em suas obras: Crescei e multiplicai”.
Por outro lado, o espírita, verdadeiro privilegiado pela obtenção de tantos conhecimentos, não deve guardá-los somente para si, mas levá-lo até o semelhante. E deve colocar em prática esses ensinamentos, cujo teor moral nos conduz ao exercício da caridade e do amor ao próximo. “A fé sem obras é igual às obras sem fé”; ou: “a fé sem obras é morta”; ou, como advertiu Paulo, “se falarmos as línguas dos homens e dos anjos, se tivermos o dom da profecia, se tivermos toda a fé e não tivermos caridade, seremos como o metal que soa e o sino que tine”.
A caridade é a ponte que une a criatura ao Criador. Como diz André Luiz, no capítulo 19 do livro Ação e Reação (FEB), através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, “a evolução para Deus pode ser comparada a uma viagem divina. O bem constitui sinal de passagem livre aos cimos da Vida superior, enquanto o mal significa sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste”.        

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PODEMOS FAZER PROSÉLITOS? O QUE KARDEC FALA A RESPEITO
(Arnaldo Ramos de Oliveira)

Quantas e quantas vezes ouvimos ou falamos isto: - A Doutrina Espírita não faz prosélitos?
Essa ideia passou a povoar as mentes de inúmeros confrades a ponto de até sermos rechaçados quando alguém supõe que o estamos fazendo, quando falamos da Doutrina Espírita; de sua beleza, do conforto que traz ao coração, da compreensão da justiça das aflições, da comunicabilidade para com nossos entes que já partiram para a grande viagem, enfim, quando ao falarmos da boa doutrina e querendo passar uma ideia bem definida e com corpo doutrinário de consolo.
Observamos que muitos por esse mundo afora se encontram em planos maiores de entendimento e se põem a criticar quem de boa mente leva a mensagem espírita com o intuito de divulgá-la, e com a certeza de que pode auxiliar tantos corações desajustados em função das múltiplas e dolorosas aflições que ocupam mente e corpo da humanidade. Vivemos momentos angustiosos. Grassa pelos quatro cantos do planeta Terra a insegurança, a intemperança diante de tantas desgraças e ainda assim enfiam-nos goela abaixo o puritanismo que nada auxilia, coibindo os que de boa-fé querem oferecer um caminho para oferecer a corações amigos, ou não, e por fim exortam-nos os companheiros a não fazer proselitismos. Talvez Allan Kardec também devesse ouvir e ler essas exortações do “não fazer proselitismo", pois no Evangelho, cap. 24, item 10, ele nos recomenda o seguinte:
Essas palavras podem também aplicar-se aos adeptos e aos disseminadores do Espiritismo. Os incrédulos sistemáticos, os zombadores obstinados, os adversários interessados são para eles o que eram os gentios para os apóstolos. Que, pois, a exemplo destes, procurem, primeiramente, fazer prosélitos entre os de boa vontade, entre os que desejam luz, nos quais um gérmen fecundo se encontra e cujo número é grande, sem perderem tempo com os que não querem ver, nem ouvir e tanto mais resistem, por orgulho, quanto maior for a importância que se pareça ligar à sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claro, do que a um só que se compraza na treva, porque, assim procedendo, em maior proporção se aumentará o número dos sustentadores da causa. Deixar tranquilos os outros não é dar mostra de indiferença, mas de boa política. Chegar-lhes-á a vez, quando estiverem dominados pela opinião geral e ouvirem a mesma coisa incessantemente repetida ao seu derredor. Aí, julgarão que aceitam voluntariamente, por impulso próprio, a ideia, e não por pressão de outrem. Depois, há ideias que são como as sementes: não podem germinar fora da estação apropriada, nem em terreno que não tenha sido de antemão preparado, pelo que melhor é se espere o tempo propício e se cultivem primeiro as que germinem, para não acontecer que abortem as outras, em virtude de um cultivo demasiado intenso. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV, item 10.)
Recorrendo a Kardec, fica bastante esclarecido que devemos dar de nosso tempo, sim, àqueles que, desencantados com a vida, em desequilíbrio buscam desesperadamente uma tábua de salvação. Caso não a ofereçamos, em nos dominando a absurda ideia de não fazer proselitismo, caímos no absurdo da avareza – aquele que tem mas não doa – com medo das críticas e dos críticos de plantão que em nome do purismo se arvoram em conselheiros que além de cometer erros, ajuízam que Kardec recomendou o não fazer proselitismo.
Assim nos damos conta que os chavões criados por descuidadosos “espíritas” nada mais é que o medo de “pagar mico” por ainda se deixar levar pelo dito popular – religião, futebol e política não se discutem. Realmente não se discute porque não vale a pena qualquer discussão sem fundamento, porém, levar a mensagem do Espiritismo é obrigação do Espírita bem-intencionado.
Finalizando pergunto: - Será que ainda temos medo de ir para o inferno? Ou ainda nos move a dificuldade de sermos “afrontados” com termos que não faz parte de nossa boa doutrina? Ou será que devemos deixar os outros seguirem seu destino dentro do determinismo que herdaram de suas (nossas) condutas no descaminho do progresso?
Uma coisa é querer enfiar na cabeça dos outros aquilo que os mesmos não estão preparados, outra coisa é fazer prosélitos entre os de boa vontade, afinal – A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina é divulgá-la, não é mesmo?

Portanto, deixemos os orgulhosos incrédulos com suas ideias de duvidável justiça divina que preconizam, e em contraponto, que façamos proselitismo com os prosélitos de boa vontade.
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SETE BELAS LÓGICAS
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)
É vivendo que se aprende, e demora tempo e experiência para aprendermos que felicidade e alegria não estão nas coisas, e sim em nós, em nosso íntimo.
Para alguns a vida parece difícil, não conseguem compreender como é a felicidade e a alegria de viver.
Outros parecem perseguir a felicidade por uma vida inteira, mas não se sentem felizes, parece que não a encontram; por outro lado, uns poucos que parecem nem se preocupar com a felicidade vivem com ela o tempo todo.
A verdadeira felicidade consiste em fazer a felicidade do próximo. Porque somente amando se pode ser amado.
Jesus já ensinava que devemos praticar o amor, da mesma maneira que ele nos amou, doando sua vida como guia e modelo para todos nós.
Você pode e deve ser feliz. Como você é e com aquilo que tem e recebeu por empréstimo de Deus.
O pensador Pascal, que depois de sua morte voltou a escrever através da mediunidade, ditou uma mensagem no ano de 1860, que se encontra no livro O Evangelho segundo o Espiritismo:
“O homem não possui de seu senão aquilo que pode levar deste mundo. O que encontra aqui chegando, e o que deixa partindo, usufrui durante sua estada. Mas, como é forçado a abandoná-lo, resta-lhe apenas o gozo, e não a posse real. Então, o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo, tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais”.
E, dentre as qualidades morais, como humildade, caridade, sabedoria, generosidade, se destaca o amor. Dos sentimentos, o amor é dos mais elevados, que nos aproxima sempre do Criador.
E para nossa reflexão anotei estas sete belas lógicas(1) que falam da serenidade, do desligamento emocional, da confiança em Deus, da alegria de cada dia e da felicidade:
1. Faça as pazes com o seu passado, assim você não estragará o seu presente. O passado é irrecuperável, mas reparável no presente.
2. O que os outros pensam de si não lhe diz respeito. Você é senhor de seu destino e fruto de suas escolhas.
3. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo. Confie em Deus, mas perdoe. Ele é o remédio perfeito.
4. Ninguém é motivo para sua felicidade senão você mesmo. Coloque a felicidade ao alcance do seu coração, viva com simplicidade e cultive o amor como se cultiva a flor.
5. Não queira comparar sua vida com a dos outros. Você não tem ideia de como foram os caminhos deles. Cada um escreve sua história.
6. Não se aflija com os problemas. Você não precisa saber todas as respostas. Você vai encontrar a solução no próprio problema, com calma.
7. Sorria, pois você não tem todos os problemas do mundo. Mas tem a filiação divina e Ele sempre tem respostas e o recurso para você ser melhor.

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MORTE É VIDA
(Altamirando Carneiro)

Conhecia a Humanidade naquele momento um dos mais extraordinários fenômenos jamais vistos. Anunciava-se a ressurreição de Cristo e com ela a confirmação da inexistência da morte. Limitado pela ineficiência dos órgãos físicos da visão, habituou-se o Espírito encarnado a sofrer imensamente perante seus entes queridos que partem, achando que, por não poder vê-los, se ausentavam permanentemente de seu convívio.
“Por que procurais entre os mortos aquele que vive?” (Lucas, 24:5).  Por que procuramos os nossos que nos antecederam na grande viagem para o Além, entre os mortos? Jesus, que disse ser o Caminho, a Verdade e a Vida, não nos mostrou, de forma cabal e irrefutável, que a morte não passa de ilusão? Não nos mostrou que a vida continua e que outro mundo se descerra para além dos nossos sentidos?
Imaginemos uma criança que desde os primeiros momentos de sua vida no corpo físico tivesse o dom da vidência, não havendo para ela a separação entre o mundo de cá e o de lá e mesmo quando alguém morresse ainda assim continuasse a ver o Espírito do que havia partido. Como poderia ela aceitar a existência da morte?
Fora do corpo, o Espírito vibra num diapasão que os nossos olhos físicos não têm capacidade de captar e o que não se vê, muitas vezes é entendido como se não existisse. Há mais vida fora do corpo do que podemos imaginar. As limitações impostas pelo corpo deixam de existir e o Espírito, até mesmo o medianamente evoluído, adquire uma liberdade de movimentos que lhe permitem volitar, ou seja, voar, à velocidade do pensamento. Pode estar ao lado dos que ama num átimo de segundo.
Muitas vezes o Espírito desencarnado está ao nosso lado, quando lamentamos a sua ausência. Extasia-se com a beleza do mundo em que vive e compreende que o planeta Terra é apenas cópia do que de extraordinariamente belo existe em seu novo habitat. Ouve melodias inebriantes espalhadas pelo ar. As cores adquirem vida e as flores irradiam sons e perfumes, frente a tudo o que de belo vê, sente a necessidade de se curvar perante o Artífice do Belo e da Natureza.
Ao querer compartilhar da felicidade que sente no novo mundo, volta a sua atenção para os que ficaram e pede autorização, vem para junto deles, para lhes dizer que não lhe lamentem a morte, porque morto não está. Sabe da eternidade da vida, quer orientá-los para que trabalhem em favor próprio, a fim de conquistarem as condições necessárias para usufruírem de todas as belezas que ele, Espírito desencarnado, encontrou. Usando da intuição, insufla-lhes a ideia de que o caminho é a vivência do Evangelho trazido por Jesus. Que só crescemos quando nos doamos e que, repartindo-nos com os outros, diminuímos os nossos defeitos, que entravam a nossa marcha.
A morte nada mais é que a porta para um mundo que se torna tão mais maravilhoso quanto maiores forem os nossos méritos perante a justiça divina, méritos esses que adquirimos nas lutas diárias e na vivência do amor. A fuga a essas lutas ou mesmo a antecipação do nosso retorno, o que nos transformará em suicidas, nos fazem contrair dívidas maiores e consequentemente retardam a captação de tudo de belo que nos está reservado.

Devemos lutar sempre a boa luta, que é a de aproveitarmos o momento a que chamamos agora, para semearmos o bem à nossa volta. A morte não existe e é belo o que nos está reservado, se bem soubermos viver. 
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A OBSESSÃO NO CENTRO ESPÍRITA
(Wagner Ideali)
Quando se fala em Obsessão, sempre nos lembramos dos assistidos numa casa espírita. Numa primeira análise, pode parecer que os trabalhadores da casa estejam livres dessa problemática espiritual.
O problema da obsessão é muito mais profundo, porque vem de encontro à psique humana, aos nossos sentimentos, comportamentos, e tudo isso nos afeta muito além do corpo físico, atingindo nosso perispírito e, portanto, chegando ao nosso Espírito.
Dona Mercedes procurou uma casa espírita para encontrar uma solução para seus desequilíbrios, conflitos internos, através do conselho de uma amiga. Provavelmente Dona Mercedes estivesse com um problema de obsessão, o que iria provocar algumas mudanças em sua vida.
Ela foi em busca dessa salvação e, através dos tratamentos espirituais, junto com o tratamento médico, procurou assistir às palestras, realizar cursos e tudo o que uma casa espírita bem dirigida tem a oferecer. Por fim, Dona Mercedes conseguiu a pretendida cura.
Estava muito feliz, pois encontrara o caminho que tanto procurara: uma doutrina de paz, amor, muito trabalho, com um ensino lógico e profundo sobre os problemas que se lhe apresentaram. Ela, agora, trabalhando na seara espírita há alguns anos, se sentia muito bem e, por que não dizer, realizada nesse quesito de sua vida.
Um bom período se passou...
Tudo estava perfeito até o momento em que começaram a chegar os testes que a espiritualidade procura realizar nas nossas vidas para avaliar se estamos realmente vivendo os ensinamentos recebidos.
Num determinado trabalho do qual participava, o Sr. Osvaldo, dirigente do trabalho, chamou-lhe a atenção para que corrigisse um comportamento inadequado durante uma atividade executada e sugeriu a ela que fizesse um tratamento espiritual para se equilibrar, pois realmente estava precisando deste tratamento. Dona Mercedes se sentiu “ofendida” com a colocação do companheiro de trabalho: “onde já se viu isso, eu, uma trabalhadora da doutrina, precisar de tratamento? Isso é coisa para assistido e não para mim”. A falta de polidez do companheiro de trabalho, aliada à suscetibilidade ferida de trabalhadora da casa, acabaram por levá-la a um sentimento de revolta.
Começou nesse momento um desiquilíbrio que, se não interrompido pela humildade em reconhecer a necessidade de ocasionais tratamentos e entender ela o seu colega trabalhador, perdoando-o pela forma não muito elegante com que lhe foi colocada a situação, esse desequilíbrio, passo a passo, poderia causar uma perturbação espiritual que, se não tratada, evoluiria para uma obsessão. Não foi o caso de Dona Mercedes, mas, em alguns casos, chega-se à Fascinação, e o trabalhador pode perder o total controle sobre si mesmo, vivendo uma realidade à parte.
No momento, o trabalhador não é capaz de perceber o envolvimento perturbatório dos irmãos inferiores e isso pode transformar-se numa perturbação muito grave. A Fascinação, como nos ensina Kardec, é um estágio muito perigoso para o trabalhador da Doutrina espírita.
O trabalho espiritual fica comprometido, os resultados esperados ficam aquém do que se espera, tanto no mundo físico como no espiritual.
O resultado foi a Dona Mercedes se afastar do trabalho, e, sem perceber, acabou voltando ao ponto de partida, quando se iniciou na casa espírita.
Jesus nos ensina que devemos Orar e Vigiar, e esse ensinamento se aplica a todos nós, trabalhadores e assistidos numa casa espírita. Caridade no falar e caridade no ouvir.
Depois dos desequilíbrios e de alguns sofrimentos, Dona Mercedes foi realizar novamente o tratamento, seguindo toda a caminhada inicial para, então, poder voltar ao trabalho, reconhecendo a necessidade de vencer o orgulho, a vaidade e desenvolver sempre a humildade e a paciência, com muito amor.
Seu Osvaldo também aprendeu a lição da caridade no falar.
Assim, na casa espírita, dia após dia vamos aprendendo as lições de Jesus no fundo do nosso ser, no encontro do trabalho que se nos apresenta como mola propulsora para o desenvolvimento espiritual e, por fim, para a nossa tão almejada evolução.

Estudar sempre é uma lei, mas viver esse estudo, dia após dia, nos ensina o Grande Mestre de Lion, Allan Kardec.
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OS PROBLEMAS RESULTAM DOS DEMÔNIOS
(Marcus Vinicius de Azevedo Braga)
Vá lá, ilustre leitor, desculpe, mas esse foi um título somente para chamar a sua atenção, utilizando-me de um apelativo duplo sentido... Um artifício, dada a aridez do tema. Não, não se trata de um texto evangélico e nem da culpabilização de entidades extracorpóreas voltadas ao mal de nossas mazelas terrenas. Contrariando o senso comum atual, os demônios a que se refere o presente texto são outros...
Falamos aqui dos demônios interiores, que nos consomem dias a fio. Alimentados das nossas tristezas, frustrações, medos e arrependimentos, são filhos dos fantasmas do passado desta e de outra vida, e que arrastamos em nossas mentes, como uma tormenta que nos conduz aos consultórios médicos, às clínicas terapêuticas e às casas espíritas, na busca de uma solução ou, quiçá, de um alívio a esse fardo.
Cada um tem os seus, em maior ou menor lotação e, por vezes, nos vemos dominados por eles, em uma possessão de dentro para fora e que termina por atrair outras consciências que, utilizando dessas nossas sombras, nos fazem sofrer. Um sofrimento oriundo do medo da própria dor, do remorso de decisões e da decepção com a nossa fraqueza diante dos desafios que se colocam em nosso caminho de crescimento espiritual.
Vai o remédio, o tratamento espiritual, a conversa, a reflexão e assim vamos conseguindo domar nossos demônios interiores, à espera de mais uma crise, uma emersão que os traga à superfície, a nos infernizar. Muitos buscam soluções químicas, ou a violência da revolta, outros ainda perseguem santos e gurus, mas eles ainda sim continuam lá, impressos em nossa alma, nos lembrando de sua existência.
Vencê-los? Ignorá-los? Superá-los? Acho melhor entendê-los... dialogar com eles, buscar compreender a sua dimensão, as suas raízes e, contando com a ajuda de amigos, profissionais e dos Espíritos amigos, buscar a sua transcendência. Trazê-los para o seu papel de melhoria, de aguilhão que nos impulsiona na insondável estrada da evolução.
O remorso de algo negativo reclama a reparação... A tristeza demanda o recomeço construtivo... A frustração nos leva a refletir sobre como o orgulho nos faz subestimar a nós mesmos... O medo quando bebe da fé sincera e coerente encontra rachaduras em seus alicerces... De cada fantasma, de cada sombra, temos na encarnação a oportunidade de trabalhá-los, fazendo luz, sem mágicas ou milagres, mas de maneira produtiva, que não os permita vencer, mas que não os extermine, pois são parte de nós e têm seu papel nessa narrativa.
Necessitamos crescer com os nossos demônios interiores, sem que nos consumam. Precisamos entendê-los como uma carta do passado que precisa ser reescrita.  Construídos de fatores de nossa história, esses algozes interiores alimentam e são alimentados por nossa e por outras mentes, chamados erroneamente de demônios, e que são um reflexo dos interiores conhecidos de outros cenários, e que precisam de nossa ação firme e produtiva para também se libertarem, na magia reencarnatória da reconstrução de laços.
Paliativos são válidos... Mas a luta interior, o bom combate no amadurecimento psicológico, este não pode ser abandonado. Afinal, nossos problemas residem nos demônios anteriores, que nada mais, nada menos são do que o homem velho que está lá, oculto, ruminando suas questões e buscando chegar à superfície. E para essas lutas, além das citadas ajudas da clínica, do hospital e do passe, temos outras ferramentas imprescindíveis, como a palavra amiga e o bem desinteressado, todos eles elementos fundamentais nesse processo de reconstrução, a remexer o decantado lodo de nosso ser.

Nosso interior, visto como porão ou como universo, é parte de nós, um local que não vive apenas de lógica positivista, mas também de sentimento, e que interage constantemente com o mundo exterior, pelos sentidos conhecidos ou não, e se reconceitua a cada dia. Quando acabar a romagem terrestre e nos despirmos dessas vestes carnais, será esse interior que sobrará, e nos veremos mais amiúde, de forma inevitável, com os demônios com os quais ignoramos dialogar, nos balanços periódicos entre uma encarnação e outra.
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UM OLHAR ESPÍRITA SOBRE A ADOÇÃO
(José Antônio V. de Paula)
Estou escrevendo este artigo na data em que se celebra o Dia da Adoção. Para nos fundamentarmos para a reflexão sobre o assunto, recordemos o início do diálogo entre Jesus e Nicodemos, registrado no capítulo 3, versículos de 1 a 17, do evangelho de João.
Narra o evangelista que havia um fariseu chamado Nicodemos (nome que significa: homem do povo), que era uma autoridade entre os judeus e que foi ter com Jesus certa noite, quando afirmou: “Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais miraculosos que estás fazendo se Deus não estiver com ele”, e antes que fizesse qualquer pergunta Jesus lhe disse: “Em verdade vos digo que ninguém poderá ver o Reino dos Céus se não nascer de novo”.
Nicodemos estranha aquela informação e, porque tinha compreendido que o mestre lhe falara de voltar à carne, questiona: “Como alguém velho como eu poderia entrar de novo no ventre de sua mãe?”.
O Messias então lhe responde: “O que nasce da carne é carne, o que nasce do espírito é espírito”. E continuam o diálogo...
Hoje é celebrado o Dia da Adoção. Mostrando perfeita sintonia com esse ensinamento do Mestre, os Espíritos superiores responsáveis pela codificação do Espiritismo afirmam a Allan Kardec que não é o Espírito que dá a vida ao corpo físico, mas que apenas o anima, o habita. Quem dá a vida ao corpo é o “fluido vital”.
Assim que um novo corpo é concebido, à medida que suas células vão se multiplicando, essa nova vida vai absorvendo das Energias Cósmicas uma energia específica que manterá a vida desse organismo que se forma, dando, com isso, a condição de um Espírito vir nele habitar, ligação essa, entre espírito e corpo, que já se inicia desde o momento da concepção, conforme nos ensinam os Espíritos superiores. Daí porque o espírita ser completamente contra o aborto.
Da mesma forma, não é porque o Espírito se retira que o corpo morre. Ao contrário, é porque o corpo morre que o Espírito tem de deixá-lo. Confirmando com clareza as palavras de Jesus de que o que é carne é carne, o que é espírito é espírito.
Segundo os Espíritos superiores, o Espírito é criação divina e se dá em outro lugar e não no instante da criação do corpo. O casal que se une apenas gera o organismo físico que servirá ao Espírito que nele vier habitar.
Segundo ainda os orientadores da codificação, quem designa qual Espírito virá habitar o corpo que se forma são entidades espirituais sábias, que trabalham junto aos orbes habitados, colaborando com a obra divina, através de leis específicas. Assim, o Espírito que virá viver na Terra junto a uma família normalmente é alguém que já tem laços anteriores com a mesma, laços esses que podem ser de simpatia ou mesmo de animosidade, vindo com a tarefa da reconciliação. Dizem ainda os benfeitores que é possível que o Espírito que reencarna possa não ter ligações anteriores, mas que venha por necessidades particulares, de maneira que esse primeiro encontro possa ser útil a ambos. Pode ser um Espírito que venha com uma tarefa da qual tenha que desincumbir-se na região onde vive a família que o acolherá.
Voltando ao tema Adoção, a conclusão que podemos tirar com tranquilidade e convicção é de que, independente de qual seja o ventre por onde deva vir a criança, o Espírito que ali reencarna deverá juntar-se à nova família que a adotará, ambos atraídos por leis divinas que tudo provê.

Então, quando estivermos sendo intuídos a adotar uma ou mais crianças, lembremos sempre: O que é carne é carne, o que é espírito é espírito.
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DE MÃOS DADAS COM A RESSURREIÇÃO, A VERDADE BÍBLICA DA REENCARNAÇÃO
(José Reis Chaves)

Ouve-se muito de quem ainda não crê na reencarnação a frase: Eu não creio na reencarnação porque minha religião não permite. Quem diz assim não pensa, deixando que a sua religião e seu líder religioso pensem por ele, estando, pois, encabrestado mentalmente!
Mas será que sua religião e seu líder são infalíveis? Nem a religião mais importante do mundo e seu papa estão conseguindo manter a crença de que eles são infalíveis!
Jesus é salvador do mundo ou só dos adeptos da sua igreja?  Ele disse que não veio para julgar o mundo, mas para salvar o mundo (João 12: 47).  E Ele falou na porta estreita, símbolo da salvação ou libertação, na qual não é fácil passar. Só passa por ela quem merece transpô-la, embora muitos queiram atravessá-la (São Mateus 7: 13). E eu digo que muitos, por enquanto, nem querem passar por ela, mas vai chegar o primeiro momento de eles quererem também transpô-la e não vão conseguir. Porém chegará também o seu momento de vitória no tempo sempiterno de atravessá-la. Realmente, todos, por muitas vezes, vão poder tentar sucesso nessa passagem, e, um dia, o conseguirão, pois a misericórdia divina é infinita, não cessando jamais. Além disso, Deus não quer que nenhum de seus filhos se perca (São Mateus 18: 14). E para que essa vontade de Deus se cumpra só uma coisa é necessária, ou seja, o citado fator tempo sempiterno, para o que o Espírito é também imortal e tem as suas inúmeras reencarnações.
Quem pensa que, com o fim do corpo, seja o fim também da oportunidade da libertação, está agindo como um materialista, para quem a nossa existência termina no túmulo. E está negando também a misericórdia infinita de Deus, pois põe limite nela, e está igualmente indo contra a vontade de Deus que, como dissemos, quer a salvação de todos, já que Ele não faz acepção de pessoas, amando por igual todos os seus filhos, inclusive até os maiores pecadores. E o Nazareno não veio para os sãos, mas para os doentes.
A reencarnação não é contra a ressurreição, pois ela própria é também a ressurreição. Se um aluno toma bomba na escola, ele terá novas chances. E por que Deus, que é infinitamente amoroso, onipotente e sábio, não daria novas chances aos seus filhos que “tomam bomba” na escola do progresso do Espírito, que é neste nosso mundo? E se os Espíritos vieram aqui, pela primeira vez, para começarem a sua evolução em busca da perfeição semelhante à de Deus, com mais razão eles continuarão vindo aqui, outras vezes, até que, um dia, eles possam libertar-se das mazelas da ignorância e do sofrimento.
Cerca de 90% dos católicos já creem na reencarnação. Ela só foi retirada do Cristianismo no ano de 553. (Para saber mais, recomendo meu livro “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 8ª Edição, Ed. EBM, SP.)

A reencarnação e a ressurreição estão mesmo de mãos dadas. O Espírito até ressuscita, muitas vezes, no mundo espiritual (Eclesiastes 12: 7) e também na carne, quando reencarna, até que um dia ele ressuscite definitivamente num mundo ditoso!
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RELIGIÃO É RELIGAR-SE A DEUS?
(Arnaldo Ramos de Oliveira)

“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles.” (Mateus – Cap. 18 v. 20.) (Bíblia de Jerusalém página 1737 – 2011.) – (Optamos por essa tradução porque não existe a condicional de pessoas, isso nos permite ter uma visão espírita, sejam encarnados e/ou desencarnados.)
Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! Sem dúvida, Senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, (...).
Por que, pois, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que não há senão uma palavra para expressar duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; que ela desperta exclusivamente uma ideia de forma, e que o Espiritismo não a tem. Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, querendo-se, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo, e dos abusos contra os quais a opinião frequentemente é levantada.
Em sendo assim, como não temos outra palavra para expressar, podemos, sem problemas maiores, dizer sim, Espiritismo é Religião.
(...) O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria se ornar de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral.
(...) enquanto ficarmos presos às formas da acepção das palavras, das atitudes que na maioria das vezes são inconvenientes; presos ao exterior e, presos a mandatários que de uma ou outra inexorável maneira se impõem e se põem a fazer da Doutrina um trampolim para uso “abusivo” de sua tola vaidade. (Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos, Sociedade de Paris, 1º de novembro de 1868- Revista Espírita de dez.1868.)
Vamos combinar? De ordinário, muito vem acontecendo isso no movimento espírita – O paralelo de hierarquias? Sem falar na tentativa de engessar espíritas com minúsculas apostilas disso ou daquilo. Aí pergunto: – Esta prática não tem induzido o principiante espírita a considerar-se como conhecedor da Doutrina Espírita? Qualquer apostila por mais bem elaborada que seja é o resumo; o resumo de uma doutrina completa pelos seus inegáveis princípios cristãos – Doutrina que deve ser estudada e compreendida analiticamente (no dizer de Kardec: - de forma metódica, longa e séria) e não sinteticamente, e que permite ao homem enriquecer-se de ensinamentos –, pelo dinamismo próprio da codificação na percepção de novos ensinamentos que jorram do alto de forma esplendorosa despida de preconceitos; pois a mesma é a Doutrina dos Espíritos, no dizer de Emmanuel, Religião dos Espíritos. Aliás, Religião dos Espíritos foi o primeiro nome dado a essa obra. Saudades de meu tempo de mocidade: usávamos o método de estudar O Livro dos Espíritos em consonância com outras obras, a saber: A Gênese – 1ª Parte; O Livro dos Médiuns – 2ª Parte; O Evangelho segundo o Espiritismo – 3ª Parte; O Céu e o Inferno – 4ª Parte, complementando com a Revista Espírita.
Esclareço que esse comentário está embasado no esvaziamento dos estudos após essa introdução do principiante no paradigma – Amai-vos e Instruí-vos.
Contudo, voltemos ao foco de nossas reflexões? Expositores há que divulgam que a palavra religião quer dizer religar-se a Deus. Duvido que alguém tenha conseguido essa façanha, desligar-se do Criador. E o tropismo Divino onde fica?
Com essa colocação (estranha no meu entendimento) somos indevidamente remetidos, a retornar à época de Lúcifer, o anjo decaído. Prestando atenção, esse artigo na Revista Espírita, tem como frontispício a mensagem de Mateus: – “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles”.
Busquemos em Kardec o entendimento:
(...) Jesus no-lo indica pelas palavras (...) resultado produzido pela comunhão de pensamentos que se estabelece entre pessoas reunidas com um mesmo objetivo.
Mas compreende-se bem toda a importância desta palavra: Comunhão de pensamentos? Seguramente, até este dia, poucas pessoas dela se fizeram uma ideia completa. O Espiritismo, que tantas coisas nos explica pelas leis que nos revela, vem ainda nos explicar a causa, os efeitos e o poder desta situação do Espírito. Comunhão de pensamento quer dizer pensamento comum, unidade de intenção, de vontade, de desejo, de aspiração. (...)
Existem explicações em dicionários de etimologia de palavras a respeito de religião, contudo, conclui-se que
O termo Religare é utilizado como um ato de “voltar a unir” o humano com o que era considerado divino.
Outrossim, analisemos: voltar a unir o humano com o que era considerado divino; teria melhor forma de fazer isso que “Fora da Caridade não há Salvação”?
Nesse mesmo artigo Kardec aborda o pensamento e a comunhão de pensamentos no sentido de amar ao semelhante conectando-se com a divindade.

 “Religião, como se pode entender pelo que clarificou o codificador, não é religar-se a Deus, mas é a maneira que Deus proporciona ao homem religar-se ao homem”. Religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção larga e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças. “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.” (Qual é a verdadeira religião? - Amar-vos uns aos outros. – Espiritismo em Cadiz – RE Nov. 1868.)
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DEUS É UM PAI ACOLHEDOR
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)

A oração é nosso contato com o Criador, e devemos manter esse diálogo diariamente, não até que Deus nos escute, mas até que possamos ouvir Deus.
Nenhuma oração é esquecida, todas as petições são ouvidas – a resposta de Deus demanda o tempo do nosso merecimento.
Se estamos confiantes em Deus, nunca estaremos sós – é da sua lei que gravitemos em torno de seu amor.
Se é verdade que Deus não escolhe pessoas, pois somos todos filhos de sua criação, tenhamos certeza de que, na prática da caridade e da fraternidade, Ele nos prepara e capacita para o bem.
A fé humana mostra onde podemos chegar – a fé divina nos leva mais próximos de Deus. Não se importe se outros não acreditam; tenha certeza de que Deus acredita em todos nós – Deus entra onde encontra as portas do coração abertas.
Deus sempre dá uma segunda, uma terceira e múltiplas chances para seus filhos – Ele estabeleceu a lei da pluralidade de encarnações corporais, e uma vida espiritual imortal.
A vida e o livre-arbítrio são uma dádiva do Criador – e a forma como vivemos nossa vida e realizamos nossas ações é que pode nos trazer essa dádiva, essa graça e vitória.
Viva com as pessoas como se Deus estivesse não apenas a ver e ouvir você, mas também a partilhar com você e a estimular você, compreendendo que Ele é o legislador perfeito, e que temos suas leis inscritas em nós, em nossa consciência.
Se você pensa em Deus e na manutenção e conquista da sua saúde, desenvolva-se espiritualmente.
O prazer físico pode ser o complemento do sentimento, mas isso não basta para o seu equilíbrio emocional e espiritual – é necessário viver o amor em sua plenitude.
A alegria de se doar é maior que a de receber.
O orgulho e a autossuficiência atrapalham a nossa vida.
Somos todos irmãos, precisamos do próximo e de Deus e não podemos exigir a perfeição de ninguém. Aprendamos a aceitar as pessoas como elas são.
Assim, entendamos que Deus, o Criador de todas as coisas, causa primária de tudo o que existe, não está limitado à humanidade, ao planeta Terra ou à nossa Via Láctea. Ele abrange todas as coisas, todos os seres vivos, inteligentes ou não, do Universo.

Vá com calma, se cuide e use dos recursos da oração e do perdão para viver melhor aqui e com Deus.
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Ingratidão dos filhos. Como superar?
(Wellington Balbo)
Dia desses recebi e-mail de uma mãe alegando sofrer demais com a ingratidão do filho. Estava ela numa cadeira de rodas, com o pé quebrado, e o rapaz, forte e saudável, recusou-se a ajudá-la. Naturalmente que, como mãe e ser humano que é, ficou chateada a indagar:
Que fiz eu, meu Deus, para merecer filho tão ingrato, que em nada ajuda a mãe, mesmo quando ela necessita?
Santo Agostinho, em O Evangelho segundo o Espiritismo, dá-nos sábias lições em mensagem intitulada - A ingratidão dos filhos e os laços de família.
Diz-nos o Espírito de Agostinho que Deus não faz provas superiores às nossas forças, e que podemos vencer o complicado desafio da ingratidão dos filhos.
Indica deixarmos de olhar apenas o presente e voltarmos os olhos ao passado para, com a ideia das múltiplas existências, encontrarmos um consolo e forças para prosseguir.
Pois bem, não é tarefa fácil deixar de esperar reconhecimento, ainda mais de alguém tão ligado a nós pelos laços do coração e do sangue, como os filhos.
O próprio Agostinho reconhece como são complicados os assuntos pertinentes ao coração. Muito mais difícil enfrentar a ingratidão do que a mesa escassa.
Seria mesmo grande ingenuidade considerar que não brotará um mínimo de decepção no indivíduo que recebe a indiferença, quando não a aversão de alguém tão querido.
Entretanto, vale lembrar que estamos no Planeta Terra, orbe de provas e expiações, e, portanto, o impossível é Deus errar. Logo, ingratidão, venha de quem vier é sempre algo possível e até comum de acontecer.
Aliás, eis a vida mostrando isto em todos os instantes.
O grande ponto é aprendermos a lidar com ela, a ingratidão, principalmente dos mais caros a nós.
Ou, melhor, iniciarmos o processo de não esperar nada, absolutamente nada de quem quer que seja.
Como fazer isto?
É um trabalho íntimo que requer muito esforço, porém, é possível realizá-lo.
Evoluir de tal modo que nosso agir seja sempre no bem, independentemente do que outras pessoas irão pensar ou falar, até porque isto não nos diz respeito.
Treinar o desapego do reconhecimento, pois será isto que nos dará a independência do “Obrigado”.
E buscar modificar a visão de caridade.
A caridade que praticamos, o amor que doamos, as provas de renúncia e abnegação, o suor que vertemos em benefício alheio, em realidade, ajuda muito mais a nós do que ao outro, pois somos sempre os primeiros beneficiados pela caridade praticada.
É como consta em O Evangelho segundo o Espiritismo, na mensagem de Lázaro denominada “O dever”. O dever, em primeiro lugar, é para comigo, depois com o outro. Ora, se o dever é para comigo, então, vou estender minha mão ao outro, pois será assim que trabalharei pela minha própria evolução.
Quem acende em si a luz da caridade ilumina quem está ao redor e jamais ficará imerso nas trevas.
Portanto, agradecer é dever de quem recebe, mas nem todos cumprem o dever.
Entretanto, não esperar gratidão, reconhecimento ou mesmo um mero obrigado é o antídoto para livrar-se da decepção.
Tornar a prática do bem um hábito, de tal modo que dia chegará em que agiremos no bem sem perceber, e de forma tão espontânea que agradeceremos quando recebermos e não cobraremos quando beneficiarmos...
Assim, livres de nos sentirmos vítimas da ingratidão alheia, seguiremos nosso caminho sempre fazendo o bem, não por recompensa, mas porque é um hábito que adquirimos com muito treino e vontade de gozar um pouco de liberdade que só o bem nos concede.

Pensemos nisto.
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O PRINCÍPIO DE SERVIR
(Anselmo Ferreira Vasconcelos)

Não é difícil constatar que a gigantesca maioria dos humanos atualmente encarnados enfrenta consideráveis dificuldades para vivenciar o Evangelho de Jesus. Não me refiro aqui aos ainda aparentemente impraticáveis imperativos de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”, tão bem endereçados pelo Messias. As evidências coligidas na experiência do dia a dia nas sociedades humanas demonstram clara dificuldade de se encarar os semelhantes sequer sob os olhares abençoados da empatia, respeito e comiseração.
O princípio de servir, tal como proposto pelo Mestre, denota profunda maturidade espiritual: “E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo” (Mateus 20:27). Note que o Mestre alude ao natural desafio de quem busca muito mais do que as oscilantes e fugidias conquistas humanas. No dicionário Houaiss, a propósito, encontra-se a explicação de que servo expressa a posição de quem “obedece ou serve a alguém” ou aquele “que faz ou presta serviços”, particularmente a Deus no caso sob apreço.
Portanto, entendido na sua acepção mais ampla, a recomendação divina abarca o desejo consciente de acolher, ajudar, amparar, assistir, auxiliar, curar, cooperar, ensinar, elucidar e ouvir os nossos companheiros de jornada, entre outras tantas iniciativas benfazejas. Mais ainda, o convite formulado por Jesus às criaturas humanas permanece intacto, inspirando à mudança de atitudes e conduta na direção do bem, especialmente diante das onipresentes tragédias, dores e dificuldades observáveis na paisagem terrena.
No entanto, é surpreendente observar que as instituições e pessoas igualmente tropeçam ou mesmo desprezam a elevada recomendação de servir dignamente os seus interlocutores – não raro, os responsáveis pelas suas sobrevivências ou razão de existir. Por toda parte se observa um quase solene desprezo pelas necessidades e problemas dos outros. De fato, são criadas dificuldades de toda sorte que acabam quase sempre tornando a vida mais dura e as experiências mais sofríveis.
Lidar com burocracia desmedida, mau humor constante de atendentes/funcionários, má vontade e insensibilidade crônicas, excessiva lentidão no atendimento/providências, sistemas de trabalho inflexíveis (dificilmente alguém poderá fazer uma queixa, por mais justa que seja, a um SAC, sem fornecer o seu número de CPF, RG, telefone celular etc.) são coisas corriqueiras de quem precisa solucionar algum problema. Quem nesse mundo já não passou por alguma situação em que o “espírito de desserviço” não estava claramente presente?
No entanto, o exemplo de Jesus continua a desafiar o escopo e a qualidade do papel por nós desempenhado – seja ele qual for – nesse mundo: “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28). É fascinante que o Mestre tenha assim se posicionado. Logo ele que já havia alcançado a perfeição evolutiva não se furtou ao sacrifício de retornar ao escafandro corpóreo pelo desejo sincero de servir amorosamente à humanidade com todas as suas misérias éticas e morais.
Fez ele, aliás, absoluta questão de vivenciar os seus ensinamentos para que guardássemos no imo de nossas almas os seus exemplos dignificantes. No tópico sob análise, pode-se afirmar que ele nos proporcionou uma das lições mais ricas a respeito do que a espiritualidade espera de nós. Desse modo, podemos inferir que o imperativo de servir à humanidade nos convoca à ação benéfica, produtiva, apaixonada, sincera e desinteressada, praticamente todos os dias de nossas vidas. Afinal, quem está impossibilitado de fornecer uma réstia que seja de boa vontade, atenção, esforço, respeito e empatia nas relações humanas?

O apóstolo Paulo, nesse sentido, foi extremamente feliz ao ressaltar: “Servindo de boa vontade, como sendo ao Senhor, e não aos homens” (Efésios, 6: 7). Mas mesmo devotando as nossas melhores possibilidades em favor do próximo não estamos imunes a colher algumas decepções e frustrações, que não devem diminuir o nosso fervor. Cabe também acrescentar que ao incorporar o princípio de servir, estamos colocando de lado o nosso eu, as nossas necessidades particulares, os nossos problemas, enfim, que normalmente tangenciam o egoísmo, e nos engajando, por extensão, em algo muito maior. É certo também que, em assim procedendo, estamos efetivamente trabalhando para um mundo melhor e cooperando, de fato, na seara divina. 
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CERTEZAS DO POETA E DA LEI
(Fernando Rosenberg Patrocínio)

Quem, dentre nós, nunca ouvira falar de Francisco Otaviano de Almeida Rosa (1825 – 1889), advogado, escritor e brilhante jornalista, que fora também Deputado, Senador e Diplomata? É considerado, com louvor, um dos patronos da Academia Brasileira de Letras. Todavia, se ainda não ouviu falar do eminente letrista, certamente conhece algo de uma sua tocante e célebre poesia do nosso cotidiano de lágrimas:
Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.
E o fato é que a Dor, nas suas mais diversas nuanças, física ou simplesmente consciencial, ou moral, ou espiritual, é companheira assídua dos nossos passos, sobretudo nos ambientes endividados, de consciências sombrias de um Mundo Provacional, de grandes expiações.
Há quem diga que alguns elementos são invulneráveis à Dor; estudos “comprovaram” que sociopatas, indivíduos egoístas, interesseiros e manipuladores, bem como homicidas frios e calculistas, são insensíveis a ela, estando isentos das cobranças de sua consciência que não lhes pede um ajuste de contas, um acerto social. E, dir-se-ia: “felizardos, por imunes que são”. Entretanto, não acredito, de forma cabal, completa e absoluta, em tais “comprovações” e, por isso, minhas aspas.
Óbvio que alguns indivíduos de consciência rastejante, ou seja, de patamares evolutivos mui baixos e mui grosseiros, quiçá, até se sintam mais confortáveis, psicologicamente, diante do que resulte dos seus atos cruéis e violentos; mas chegar ao absurdo de que tais elementos não sentem pesar, de que tais pessoas não sentem a dor consciencial, de que tais indivíduos sejam imunes às cobranças de retificação de seus erros, vai uma distância enorme, pois que todos, do mais alto ao mais baixo nível de espiritualidade e de humanização, sentem algum grau perceptivo da dor, da cobrança consciencial, pois que, do contrário, a Lei de Deus, feita para todos, indistintamente, estaria, de certa forma, sendo derrogada por alguns poucos e aplicada à maioria deste Mundo infernal, feito de lágrimas e de dores, a que nos sujeitamos como filhos da Consciência Maior, que espera do criado a consciência reta, isenta de falhas, rumo à perfeição.
Afirma-se, e não duvido de tal, que a dívida pode até ser transferida no tempo, mas terá de ser quitada sempre, pois que tal é o ditame da Soberana Lei. Entretanto, isto não quer dizer que nossa consciência não faça suas cobranças, que não nos recorde os crimes, que não nos mostre o abismo de nossa criação, pois na consciência se instala o Tribunal do Supremo, que aguarda, com paciência, nosso arrependimento, mas também nos exige o condigno resultado da expiação.
Creio, sim, que o Tribunal de Deus encontra-se instalado em nossa consciência palingenésica, perene e imortal, havendo, pois, diversificados níveis da mesma, não excluindo e não exonerando, em tempo algum, quem quer que seja, pois que a Perfeita Lei não distribui privilégios ou favorecimentos, não promove conluios ou negociatas a benefício de uns e prejuízos de outros, pois que se firma na Ordem, na Justiça e no Merecimento, não se dobrando às dívidas do filho infrator. 

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SETENTA
(Marcus Vinicius de Azevedo Braga)
Perguntado sobre quantas vezes deveria perdoar cada ofensa, na busca da confirmação do adágio que preconizava perdoar apenas sete vezes, Jesus responde que não sete, mas setenta vezes sete. Nos nossos burocratismos, queremos então buscar uma regra matemática do perdão...
A multiplicação é uma operação fundamental que faz um número ser somado a ele muitas vezes, em uma expansão geométrica, de maior amplitude. Multiplicar é aumentar em muito e Jesus ao responder o setenta vezes sete quis dizer algo como por “quantas vezes for necessário”.
E no caso específico do perdão, podemos interpretar que ele respondeu o seguinte: façamos todo esforço possível e imaginável para prevalecer o amor, ali materializado pelo perdão. Ou seja, que sejam setenta vezes sete, ou seja, muitas e muitas vezes, não querendo nessa análise que Jesus naquela época utilizasse conceitos abstratos e concretos como o infinito.
A mensagem do setenta vezes sete é bem maior do que o conceito do perdão. A mensagem é que pelo amor, pelo bem de nosso próximo, pelo crescimento, devemos envidar todos os esforços possíveis, sete, setenta ou quatrocentos e noventa vezes, insistindo na ideia do bem, com fé no ser humano, como obra de Deus na busca da perfeição. Essa lógica se aplica a vários setores da atividade espírita.
Alguns trabalhos assistenciais lidam com a chamada população de rua, pessoas que habitam as vias urbanas e padecem de carências não apenas materiais, mas de problemas de socialização e, por vezes, desilusões com a vida. Nestes, a ideia do setenta vezes sete se faz mais incisiva, na nossa insistência com aquele irmão que já entregou os pontos. Diante das dificuldades, mais amor, e com paciência. Paciência pois os avanços espirituais se fazem de forma tímida.
Da mesma forma, trabalhos envolvendo pessoas com deficiência demandam do trabalhador espírita esse sentimento de que temos que insistir na lição, fazer e refazer até onde for necessário, na ideia do setenta vezes sete. Avanços lentos, dificuldades de compreensão, um cenário que exige dos abnegados trabalhadores essa percepção de que a luta é morosa.
E por fim, para aqueles irmãos que labutam em comunidades carentes, com seus problemas naturais, a lição do “setenta” é fundamental, para enxergar naquela complexa rede de problemas os avanços e possibilidades. Alegria com pequenos progressos, enxergar o facho de luz tênue na escuridão, são características que nos ensinam a lógica do “setenta”, de insistir, com fé na melhora que virá, pequena, mas relevante.

Obviamente que, como tudo, essa lógica tem um lado negativo. A chamada síndrome de burnout (“queimar por completo” na tradução literal), ou síndrome do esgotamento profissional, se refere à dedicação exagerada a atividades laborais de um modo geral e se caracteriza pelo perfeccionismo e pela necessidade de lograr êxito, típicas de pessoas apaixonadas.
Se faltar o equilíbrio e a paciência diante desses desafios, o esgotamento e a depressão rondam o trabalhador, que precisa ajustar suas expectativas à realidade, o que pode ser promovido pelas atividades de avaliação em grupo, reflexão ou uma mera conversa entre amigos.

Apaixonados, confiantes, com a cabeça nas nuvens, mas com o pé no chão. Investindo no bem não setenta, mas setenta vezes sete, mas enxergando com os olhos de ver os pequenos avanços, resistindo à tentação do orgulho de, no que tange a questões sociais e humanas, tentar resolver tudo de uma vez só.
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SOBRE UM CONTO DE TCHEKHOV
(Cláudio Bueno da Silva)

Ao terminar de ler um conto do escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904),  considerado um dos expoentes da literatura russa, admirei-me com a conclusão que deu à história, pois, coincidentemente, responde com precisão à questão 932 de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec pergunta aos Espíritos por que em nosso mundo os maus exercem maior influência sobre os bons.
O conto foi escrito em 1883. Passo a comentá-lo em seus lances principais.
O patrão chama a governanta do seu casal de filhos para acertar as contas: ela será dispensada. Estabelece-se então entre os dois um “diálogo” terrível, em que a sagacidade do patrão se impõe com enorme crueldade.
Ele diz: – “Ficou ajustado entre nós que seriam trinta rublos por mês”...
A governanta responde: – “Quarenta”...
– “Não, trinta”... – ele retruca. – “Eu tenho anotado”...
Embora a mulher tenha informado que trabalhara dois meses e cinco dias, o patrão lhe informa que os números são inexatos e que receberá pelos dois meses, apenas.
Calada, a governanta acompanha os cálculos mesquinhos e injustos do senhor. Vê serem descontados domingos e feriados em que apenas passeara com o menino. O garoto ficara doente, por isso não estudou; a governanta tivera dor de dente, por isso não lecionou. Os pretextos vão se acumulando juntamente com os descontos que o patrão vai impondo à empregada. Menos isto, menos aquilo...
Ainda sem responder, a mulher o vê lembrar-se de uma xícara cara (relíquia) que ela quebrara na noite de Ano Bom: menos dois rublos; o menino rasgou o paletozinho quando subiu numa árvore: menos dez rublos. 
Ao final, sobraram onze rublos, dos sessenta que ele determinara.
– “Queira receber”.
– “Merci”  – murmurou a governanta, depois de enfiar o dinheiro no bolso.
O conto de Tchekhov termina de modo tão imprevisível que eu prefiro transcrever o curto desfecho como ele o concebeu e que responde àquela indagação de Kardec que citei no início deste texto:
– Mas, por que este merci? – perguntei.
– Pelo dinheiro...
– Mas, eu a assaltei, diabos, eu lhe roubei dinheiro! Por que merci?
– Noutras casas, cheguei a não receber nada...
– Não recebeu nada! Compreende-se! Eu caçoei da senhora, dei-lhe uma lição cruel... Vou lhe pagar todos os seus oitenta rublos! Estão preparados para a senhora, neste envelope! Mas, como é que se pode ser moleirona assim? Por que não protesta? Por que fica quieta? Pensa que, neste mundo, pode-se não ser audacioso? Pensa que se pode ser tão pamonha?
Ela esboçou um sorriso azedo e eu li em seu rosto: “Pode-se, sim!”.
Pedi-lhe perdão por aquela lição cruel e dei-lhe, para seu grande espanto, os oitenta rublos. Pôs-se a balbuciar merci com timidez e saiu do escritório. Acompanhei-a com o olhar e pensei:
– É fácil ser forte neste mundo!
O codificador do Espiritismo pergunta aos Espíritos: — “Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?” A resposta que deram aplica-se perfeitamente ao que se acabou de ler: – “Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância”.
Nessa história pode-se tomar a ingênua e subserviente governanta como representando o “bem”. E o patrão, embora sem maldade, fez-se de “mau” enquanto durou a farsa.
Sendo o homem agente do seu destino, dele depende tomar iniciativas que abrandem os seus males ou os evite. Como não pode esperar que o bem surja do nada, precisará trabalhar para a transformação que deseja.
Espera-se que o homem bom assuma o seu papel e aja conforme sua consciência amadurecida; que lute contra o orgulho, o egoísmo e a ambição, abolindo as necessidades artificiais que criou para si mesmo; que denuncie as injustiças, procurando ser mais justo; que desmascare o preconceito para que todos se sintam iguais; que não idealize, apenas, aquilo que julga certo, mas dê o exemplo prático do que lhe cabe fazer. Só assim os homens maus irão recuando, até serem vencidos pelos bons.
Além disso, é preciso contagiar pelo otimismo, pela esperança e fé no futuro!

Essa timidez a que aludiram os Espíritos pode ser interpretada como a falta de ações efetivas no bem. Os bons, “quando quiserem, assumirão a preponderância”, disseram eles. Parece que se trata, então, de querer e assumir.
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HAVERÁ JUSTIFICAÇÃO PARA A INGRATIDÃO?
(Diamantino Lourenço R. de Bártolo)

As causas que, eventualmente, possam estar na origem de atitudes e comportamentos mal-agradecidos, acredita-se que sejam de natureza diversa e que, quaisquer que sejam os motivos, não justificam os procedimentos caraterísticos da ingratidão: insensibilidade para reconhecer valores, sentimentos e atitudes recebidas, como, por exemplo: amabilidades, consideração, estima, amizade, solidariedade, lealdade.
Falta de humildade, em certo tipo de personalidade? Esquecimento, puro e simples, de reconhecer um bem recebido? Ausência do hábito de agradecer àqueles que praticam o bem, em benefício concreto de outros? Falta de delicadeza para agradecer um simples favor? Vergonha de manifestar comportamentos suaves e atos de gratidão?
Possivelmente outros motivos se poderiam invocar para os procedimentos e atitudes ingratos, ou pelo menos de não gratidão, todavia, o fato é que ela, a ingratidão, existe, se manifesta e, quantas vezes, magoa e ofende justamente quem ficaria feliz em receber o reconhecimento, um humilde sorriso generoso e sincero, um simples obrigado.
O mundo atual, na sua dinâmica globalizante, provoca comportamentos individuais e coletivos que, cada vez mais, se afastam dos simples e elementares valores da gentileza, da humildade e da gratidão. Quantas vezes o favor é negociado pela troca por outro favor, por outro benefício ou por um outro valor material concreto!
A troca de favores, de influências, de cargos e posições sócio-estatutárias torna-se uma prática quase corrente e, na constituição dos respectivos intervenientes, muito embora tais costumes não sejam perniciosos quando há benefício para as partes envolvidas. Formação e educação para valores desta natureza, boas práticas na e a partir da família, ou de grupos de amigos e comunidades mais restritas, podem integrar-se numa dinâmica de cooperação institucional, devendo-se implementar, por processos legais e transparentes, os procedimentos que conduzam aos melhores resultados.
Gratidão, gentileza, humildade serão conhecimentos, práticas, princípios, valores, deveres ou quaisquer outras designações que, na mentalidade de quem não os pratica, possivelmente, não se enquadrem num saber-fazer que proporciona lucros, dividendos materiais: em numerário, ou de natureza ainda mais substantiva. Como se chega a esta insensibilidade é uma questão que se compreende com alguma clareza, pelas razões já apontadas, entre outras, eventualmente, ainda mais graves.
Ao acentuar-se esta insensibilidade, face ao sentimento de gratidão, caminha-se para situações que se podem tornar causadoras de maiores desigualdades. Quem não tem poderes, vontade, gentileza e mesmo carinho para retribuir um favor com outro favor recebido, possivelmente, não adquirirá qualquer apoio, benefício e compreensão de quem o possa fornecer se souber que em troca apenas recebe, quando recebe, um quase forçado e indiferente “muito obrigado”.
Agradecer o recebimento de um benefício, uma ajuda, uma solidariedade, apenas com sentimentos de constrangida gratidão, de uma atitude de aparente e respeitoso reconhecimento, pode significar nunca mais se ter apoio daquela pessoa que foi objeto de afetada gratidão, por palavras, por sentimentos e atitudes de admiração e gestos gratos.
A gentileza, a cordialidade, a boa educação traduzidas por palavras e gestos simbólicos, embora significantes, mas tudo como que por autoimposição, parece que já não satisfazem a muitos daqueles que esperam agradecimentos mais concretos e objetivos, suscetíveis de uma determinada veracidade.
São múltiplas, profundas e sofisticadas as causas da ingratidão que se alastra, silenciosamente, na sociedade: múltiplas, porque envolvem vertentes que vão da depreciação de valores essenciais, abstratos e simbólicos à insuficiência da preparação, educação e formação de muitas pessoas; profundas, porque vêm minando os princípios mais elementares que sustentam a solidariedade, a amizade, a lealdade, a confiança e a compreensão.
Parece que se tenta materializar tudo a partir de conceitos e comportamentos que, em muitos casos, são fomentados nas organizações que, num passado recente, mereciam a maior credibilidade e respeito: família, escola, empresas, associações e instituições de diverso cariz.
Sofisticadas, porque, sub-repticiamente, e com a hipocrisia de aparente humildade, se insinua uma prática de troca de favores, influências e até mesmo a compra de tais benefícios e apoios, isto é, diz-se um muito obrigado, mas… fica a insinuação de que isso é muito pouco para agradecer o bem recebido por favor, às vezes com amizade sincera de quem o fornece.
Ao longo da vida de cada pessoa, e quando esta já viveu algumas décadas, ocorrem situações que comprovam tanto os atos de generosidade, de solidariedade, de favores, como os que se lhes seguem de reconhecimento, agradecimento ou ingratidão.
Toda pessoa tem destas experiências, e quando se verificam mais casos de ingratidão, para com a mesma pessoa, esta terá uma tendência natural para se tornar menos sensível a praticar determinadas atitudes que conduzem a boas práticas e à disponibilização para fazer o bem, ouvindo-se, frequentemente, lamentos e críticas no sentido de que, afinal, não é estimulante praticar boas ações, fazer favores, ajudar, porque muitas pessoas não reconhecem nem agradecem nada depois de atingirem os seus objetivos e se instalarem no pedestal que desejavam.
Apesar de situações e comportamentos destes, ainda existe muita solidariedade, principalmente em situações-limite, ou de extrema fragilidade, e quando intervêm órgãos de comunicação social ou instituições de solidariedade social. Nestas circunstâncias, surgem, de fato, os benfeitores que, sem esperarem qualquer ato de gratidão, ajudam, generosamente, quem está a passar por grandes dificuldades.
O humanismo que existe em muitas pessoas pode ser a base de partida para a criação de grandes movimentos e instituições de solidariedade que, simultaneamente, espalham o bem e transmitem a ideia de gratidão para com aqueles que participam nestas instituições, isto é, benfeitores que se solidarizam com uma situação, uma causa, uma iniciativa humanitária e altruísta; se se sentirem alvo de gratidão dessa instituição, os beneficiários que posteriormente vierem a ser contemplados, pela mesma instituição, sentir-se-ão na obrigação de manifestarem gratidão e reconhecimento públicos. Talvez se gere uma cadeia de solidariedades e gratidões que, dentro de algum tempo, todos possam manifestar esse sentimento tão nobre, quanto humilde.

As causas da ingratidão podem, pois, (e devem) ser combatidas a partir da interiorização de princípios e valores, sentimentos e emoções verdadeiras que suportem e justifiquem, precisamente, comportamentos e atitudes gratas. Ensinar, no sentido de adquirir conhecimentos e avaliá-los, esta virtude que é a gratidão não se afigura tarefa fácil; transmitir, por atos, palavras e exemplos concretos, boas práticas de gratidão e sensibilizar crianças, jovens e adultos para o cultivo de permanente atitude de gratidão, afigura-se possível: na família e na escola; na igreja; entre amigos; na pequena comunidade; também no contexto mais amplo da sociedade.
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NÓS PRECISAMOS DO CENTRO ESPÍRITA, NÃO O CONTRÁRIO
(Wellington Balbo)
O título acima é um tema que costumo abordar em palestras.
Ontem vi na porta de um centro espírita a que compareci a seguinte frase:  - O Centro Espírita precisa de sua ajuda!
Coloquei-me a pensar:
O centro espírita precisa de nós, ou nós precisamos do centro espírita?
Será que o centro espírita precisa, realmente, de nós?
Acredito que somos nós quem necessita do centro espírita.
Logo, penso que a frase: “O centro espírita precisa de sua ajuda” está incorreta.
Nós necessitamos e muito do centro espírita, autêntica escola que ensina a viver e emprega-nos no bem, dá-nos a possibilidade de sermos úteis, de encontrarmos algo nobre a realizar nesta efêmera existência.
Calma, não quero menosprezar o seu esforço... Ele – seu empenho – é válido e importante para que as tarefas no centro espírita sejam bem executadas.
Mas... caso você, por uma ou outra razão, queira deixar a labuta alegando dificuldades de relacionamento ou outras, não pense que a instituição fechará as portas.
Contudo, não obstante nossa importância, somos nós que precisamos do centro espírita para ter um pouco de equilíbrio, para ocuparmos nosso tempo de forma digna, e para, enfim, crescermos em direção ao Pai.
Estou sendo repetitivo, entretanto, julgo pertinente bater nesta tecla.
Nós precisamos do centro espírita e não o contrário...
Vejo as grandes dificuldades para encontrar voluntários comprometidos com o ideal e a busca, quase desesperada, de algumas Casas por pessoas que se interessem em trabalhar de forma voluntária.
Fico a indagar:
Será que ainda não percebemos que estamos neste mundo a trabalho?
Um outro ponto:
Será que as lideranças espíritas estão enfatizando aos frequentadores do centro espírita a importância de se tornarem voluntários?
Cabe, também, à liderança espírita o papel de despertar os frequentadores para o trabalho na casa espírita.
O centro espírita, ou as igrejas e instituições que prestam trabalhos de engrandecimento da alma são nossos empregadores. Pagam-nos altos salários; salários estes que nos proporcionam conquistar a paciência, a ter resignação ativa, a trabalhar em equipe, a colaborar na construção de um mundo íntimo melhor.
Naturalmente que não é apenas nas atividades realizadas no centro espírita que crescemos, porquanto a evolução pode ocorrer em todas as áreas de nossa atuação, mas, convenhamos que no centro espírita, no estudo do Espiritismo e nas lides com os companheiros exercitamos e muito nosso Espírito.
Por essas e outras, volto a repetir:
Nós precisamos da Casa Espírita!
Então, que tal algumas instituições substituírem: “A Casa Espírita precisa de sua ajuda” por algo mais adequado, do tipo:
“A Casa Espírita oferta-lhe a oportunidade de crescer, de trabalhar em equipe e de tornar-se alguém melhor”.

Que tal?
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FÉ E OBRA
(Leda Maria Flaborea)

“Um homem tinha dois filhos. Chegando ao primeiro disse: filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele responde: Irei, Senhor; e não foi. O segundo disse: não quero. Mais tarde, tocado pelo arrependimento, foi.”
Esta passagem, narrada na Parábola dos Dois Filhos (Mt, 21: 28-32), mostra Jesus perguntando-nos, através dos discípulos: “Qual dos dois fez a vontade do Pai?” Duas personalidades revelando, sem dúvida, as suas qualidades em palavras e ações.
O interessante nessa questão proposta por Jesus é a possibilidade de desdobramentos no que se refere às atitudes que temos, sem que, necessariamente, apresentemo-nos tão somente como personalidades da luz ou da sombra.
São muitas as nuanças que surgem quando somos defrontados com situações que exigem uma tomada de decisão. A própria parábola mostra essa possibilidade quando, de um lado, temos o filho que aceita a tarefa e não comparece para sua execução, e, de outro, o filho que nega, mas que muda de atitude após pensar melhor.
Com base nisso, podemos observar três situações bastante comuns – os desdobramentos podem ser maiores ainda –, no momento evolutivo no qual nos encontramos, e que nos permite refletir um pouco sobre elas.
Temos, de um lado, o trabalhador que crê, simplesmente, porque lhe disseram que era preciso crer em um ser superior, sem a escolha pela razão; de outro, aquele que crê pelo entendimento e não obra; e, por último, aquele que não crê, mas que, raciocinando com lógica, num grande esforço intelectual, discernindo e refletindo sobre o convite ao trabalho no bem, transforma o “não quero” em ação produtiva.
Na primeira situação, temos aqueles trabalhadores que espalham inquietação e desânimo, pois iniciam um trabalho de caridade – qualquer que seja – e logo o abandonam porque o mundo não presta – por que vou esforçar-me? –; ou porque não nasceram para executar tarefas que não tenham destaque; ou porque não se acham dignos de posição de evidência, e quando chamados a testemunharem essa humildade, logo se revoltam; ou porque, aproximando-se qualquer fé religiosa à espera de benesses imediatas, e não conseguindo, afastam-se alegando que tudo é mentira.
Essas criaturas transitam entre lamentações e queixumes, de um altar para outro, de uma igreja para outra, com tempo suficiente para se sentirem perseguidas e desconsideradas. Nunca terminam a tarefa pela qual se responsabilizaram, lembrando o aluno que estuda continuamente sem aprender a lição.
Na segunda, surgem aquelas criaturas que creem e, ainda assim, vivem em paisagem improdutiva sem nada realizarem de útil a si e ao próximo. É o trabalhador de fé inoperante. Recorda Emmanuel que podem ser comparados a motores preciosos dos quais ninguém se utiliza e que acabam por enferrujarem. Que são fontes que não se movimentam para fertilizar, nem o campo íntimo, nem o que estiver ao seu redor, e, estagnadas, sem utilidade, ficam repletas de lodo. São, enfim, luzes que não se irradiam.
Na verdade, nessa situação, somos sementes guardadas, que sem serem cultivadas não têm qualquer serventia; ou aqueles seres que afirmam ter esperança nas obras que uma tora, que possuem, possa apresentar – móveis, casas, obras de arte etc. – sem que se disponham a usar as ferramentas necessárias para que isso ocorra. Certamente, essa tora ali ficará, indefinidamente, até sua desintegração.
E por fim, na terceira situação, temos os trabalhadores que tardam, que demoram a aceitar o convite ao trabalho no bem, mas, afinal, mudam sua forma de pensar e acabam por se tornarem, na maioria das vezes, grandes obreiros na Seara Divina.
“Qual dos dois fez a vontade do Pai?” – pergunta Jesus. “O segundo, responderam os discípulos, e ele completa o ensinamento, dizendo: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entrarão primeiro que vós no Reino de Deus.”
A fé é sempre o caminho, mesmo que ela não seja ostensiva. A caridade – trabalho no bem – é o fim. A fé na essência é a semente de mostarda do ensinamento evangélico que crescerá na proporção do trabalho de elevação que realizarmos em nós. É a semente transformada em obras, beneficiando a tantos...
Nas palavras de Emmanuel¹, a fé sem obras constitui embriaguez perigosa que nos convida a aguardarmos benesses sem esforço pessoal. É a atitude do assalariado que aguarda o pagamento sem ter trabalhado.
É importante não esquecermos que quando nos dedicamos à ação, colocamos em movimento energias cósmicas que são acrescidas do poder divino. A nossa fé, nesse momento, é em Deus, que nos sustenta a tarefa, e em nossa capacidade de realização.

A fé precisa ser revelada ao mundo através de nossas obras para a felicidade de muitos, pois somos cooperadores do Pai na construção de um mundo melhor. O nosso amor, através do trabalho, estimula o amor do outro. A nossa paz, conquista pessoal e intransferível, constrói a paz entre aqueles que nos cercam. A caridade nos nossos passos, através do exemplo, despertará a caridade no caminhar do outro. E com nossa fé inabalável na providência divina, semearemos a fé ao redor de nós mesmos.
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MODELO PADRÃO
(Claudio Viana Silveira)
 “Somente constrói, sem necessidade de correção ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.” – Emmanuel.
A célebre questão 625 de O Livro dos Espíritos, tão bem formulada e tão laconicamente respondida, nos apresenta Jesus como o Modelo e Guia mais perfeito que Deus tem nos ofertado em todos os tempos. Tanto na primeira versão da obra básica, de 1857, como na definitiva, de 1860, questão e resposta são formuladas e respondidas de forma idêntica.
Todos nós que ainda não elegemos Jesus como o modelo padrão para as nossas vidas, estamos destinados a repetir encarnações e mais encarnações destinadas a correções ou corrigendas de equívocos cometidos a despeito de reiteradas mensagens do Cristo transmitidas por seus missionários em todos os tempos.
Analisando o modus operandi do Mestre ou o seu modo de fazer, constatamos que, passados dois mil anos de sua encarnação missionária e apesar de todas as nossas alternâncias entre vários corpos de carne e a Vida Espiritual, ainda não nos moldamos aos padrões do Mestre. Ainda somos mais individualidade do que coletividade e ‘pecamos’ em questões básicas como:
O desejo de remuneração – Esquecida a importante máxima “dai de graça o que de graça recebestes”, ainda estamos sedentos da valorização dos homens por algo que façamos pelo Cristo. E não estamos aqui nos referindo a uma valorização amoedada, mas à sede que temos das reverências como guias de pagamento.
As nossas exigências – Hábil em tratar os diferentes, Jesus tinha predileção especial pelos mais necessitados do corpo e do Espírito; aliás, disse ter vindo para estes, ou que “estes é que precisavam de médico”. Somos ainda intolerantes no trato com os diferentes patamares evolutivos; ou ainda não os compreendemos. Desejamos, muitas vezes, que pessoas apresentem frutos que ainda não são capazes de produzir.
Evidenciarmo-nos; sermos reconhecidos – O anonimato deveria ser a melhor moldura das obras do cristão. Dizia, certa vez, aos que o seguiam: “Não saiba a vossa mão esquerda o que opera a vossa direita”. Voltamos a repetir, ainda somos mais individualidade do que coletividade. Cultivando a modéstia da manjedoura ao Gólgota, ainda não aprendemos com Jesus questões relacionadas à desambição, humildade, moderação, sobriedade, reserva, compostura…

Desejamos ser superiores – Quem nos promove são nossas atitudes altruísticas, o servir, o importar-nos: E isso é amar verdadeiramente! “Reconhecerão que sois os meus discípulos se vos amardes uns aos outros”, diria, certa vez, aos doze. Emmanuel nos dirá em capítulos seguintes desta mesma obra que “toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras…” (Cap. 15, Fraternidade.)
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A LIÇÃO DO BOM SAMARITANO
(Altamirando Carneiro)

Jesus contou a parábola do bom Samaritano (Lucas, 10: 25 a 37), depois que um doutor da lei levantou-se, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Jesus lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? 
E respondendo, ele disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo, Jesus disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio-morto. 
E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.
– Qual, pois, destes três te parece que foi próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele.
Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira.
Direto ao assunto – No tempo de Jesus, os discursos eram feitos de maneira diferente do que são feitos hoje. O assunto principal era colocado logo no início da fala. Tinha-se como costume falar em parábolas, historinhas com assuntos extraídos dos costumes e da vida da época, que muito facilitava a compreensão do homem daquele tempo.
Ao contrário de hoje, o orador podia ser interrompido a qualquer momento da sua conversação. Por isso, vemos no Evangelho que Jesus foi interrompido inúmeras vezes quando falava e muitas dessas vezes pelos chamados doutores da lei, que faziam perguntas capciosas, com a finalidade de colocar o Mestre em contradição, coisa que jamais conseguiram e isso os deixava furiosos.
Pouca espiritualidade – Os doutores da lei tinham profundo conhecimento das leis de Moisés e demais livros do Velho Testamento. Jesus deixou bem claro que não tinha vindo para derrogar as leis, mas para dar-lhes cumprimento e, naturalmente, nova interpretação: de leis baseadas no olho por olho, dente por dente, para leis baseadas na caridade, na humildade e no amor ao próximo. Essas leis a que eles se apegavam estão contidas nos primeiros cinco livros do Antigo Testamento, atribuídos a Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio - o chamado Pentateuco, ou a Torá.
Como Jesus os classificou, os doutores da lei eram hipócritas e usavam a religião para proveito próprio.
Samaritanos, a “escória” – A Samaria situava-se ao Norte de Israel, entre a Judeia e a Galileia, região de montanhas e montes. Eram malvistos por só admitirem o Pentateuco, que continha as leis de Moisés, e rejeitarem todos os outros livros que foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antiguidade. Para os judeus ortodoxos, os samaritanos eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos.
A fim de não terem que ir a Jerusalém para as celebrações das festas religiosas, os samaritanos construíram imenso templo próprio e adotaram certas reformas. A Samaria tornou-se a capital do reino dissidente do reino de Israel. Os hebreus evitavam cruzar a região.
Caridade e religião – Jesus, o pedagogo por excelência, usou a figura do samaritano para mostrar ao orgulhoso e prepotente doutor da lei o verdadeiro sentido da caridade, que independe da religião.
A parábola do bom samaritano nos mostra que as coisas do Espírito são reveladas aos simples; que não basta memorizar as Escrituras, mas cumprir os seus ensinamentos; que devemos amar indistintamente e perdoar indefinidamente.
Educador por excelência, Jesus nos mostrou, nesta admirável parábola, que o viajante ferido é a Humanidade; o sacerdote e o levita são os ministros religiosos, que pregam, falam bonito, mas agem de acordo com as suas conveniências.
O samaritano é Jesus; o azeite é o símbolo da fé; o vinho, o suco da vida; os dois dinheiros, a caridade e a sabedoria; o mais que o enfermeiro gastar, a abnegação, a vigília, a paciência, a dedicação; o hospedeiro simboliza os que recebem os ensinamentos de Jesus. 
Ensinamentos de Jesus, na Samaria – O sentimento de ódio pelos samaritanos era tão arraigado que mesmo os discípulos de Jesus demonstravam insatisfação quando tinham que atravessar a região da Samaria. O Mestre, modificando os costumes da época, cruzava a região, sem problemas.
Uma das vezes em que Jesus passou pelas montanhas da Samaria, esteve junto ao Poço de Jacó, onde manteve diálogo com a mulher samaritana. (João, 4: 9 a 14)
– Dá-me de beber.
– Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?
– Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
– Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?
– Qualquer que beber dessa água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.
Na sequência do diálogo, uma importante afirmação de Jesus (João, 4: 19 a 24):
Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e tu dizes que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar?
– Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorarás o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e verdade. 

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CONFIAR E ACEITAR; RECONHECENDO O BEM NA DINÂMICA DA VIDA
(Claudia Gelernter)

“Nenhuma emoção em si é perigosa. Disfuncional é ficar ancorado durante muito tempo em algumas delas, já que a qualidade dos sentimentos é ir e vir, irromper e desvanecer-se.” – Joan Garriga Bacardi.
Segundo os Vedas¹, a causa primordial do sofrimento humano é a falta de conhecimento de quem somos, na realidade. O Espiritismo, embora não aponte uma causa específica como sendo a maior de todas, considera as questões do orgulho e do egoísmo² como fonte de sofrimento (conforme dizia Jesus), mas entende também que quando reconhecemos nossa porção sagrada e o real sentido da Vida, tendemos a abandonar vícios antigos, trocando-os por hábitos salutares, tais como a abnegação, o que acaba por corroborar com a primeira ideia.
A questão é que muitos vivem na Terra como se fossem apenas um corpo, com suas necessidades e potencialidades particulares, quando em verdade nossa essência é a parte imortal desta fabulosa combinação chamada Eu. Somos, portanto, alma, com mecanismos mentais específicos, vivendo em relação com o meio, em um tempo histórico, numa determinada cultura, utilizando-nos para isso de um corpo formado por um tipo de matéria mais densa, com seus órgãos e sistemas complexos. Como se vê, aquilo que tomamos por essencial trata-se apenas de veículo. O condutor é a alma, que preexiste e sobrevive à morte física.
Sendo assim, alguns indagam por que vivemos como se fôssemos eternos no campo físico, negando a alma, se ao longo de tantos milênios temos a informação de que a realidade é outra.
Por certo a influência dos sentidos é enorme em nosso psiquismo, podendo nos levar a esta e outras confusões existenciais, mas é preciso refletir a respeito, buscando “ver" muito além das aparências, para então desvelar o que já existia e continuará existindo: nossa Individualidade imortal, potencialmente Crística.
Dentro deste contexto, estas mesmas tradições de Sabedoria afirmam que a Vida  na Terra nada mais é que um campo de experimentações específicas que visam ao aprimoramento desta alma, através de estímulos ideais, de acordo com seu momento evolutivo. Ou seja, a dinâmica da existência possui uma inteligência soberana, capaz de nos impulsionar ao progresso, através de imputs pedagógicos, de acordo com nossa capacidade individual e coletiva. Ela tende ao Bem, portanto.
O que acontece é que tais estímulos nem sempre são bem-vistos ou digeridos por nós, justamente porque evitamos auscultar as situações com os olhos da alma. A dor, por exemplo, é um dos recursos que a vida apresenta, quando outros não foram suficientes para nos fazer mudar as disposições equivocadas. Chega firme, muita vez sem aviso prévio, causando sustos e aborrecimentos. Nunca para nos destruir, embora acreditemos nisso.
Então, como diminuir nossa angústia a fim de conseguirmos perceber as lições que ela nos traz?
Rumi, o famoso poeta da antiga Pérsia, já dizia que o remédio para a dor é a dor.³ Isso significa que quando olhamos para ela com honestidade e boa vontade, podemos aprender aquilo que veio nos ensinar, evitando-a, mais adiante. Afinal a Vida não lança mão de recursos desnecessários. E o que vemos com frequência é um desfilar de muxoxos e revoltas múltiplas. Desesperos, maldições e inconformações que apenas agravam o quadro, transformando a dor em sofrimento amargo, de forte intensidade e longa duração.
Buda, dissertando sobre a questão do sofrimento, comentou acerca da primeira da segunda flechas, numa analogia bastante interessante a respeito da dor causada por alguma questão alheia à nossa vontade e a forma como depreendemos o evento. O que acontece é que, segundo Sidartha Gautama, os desafios que a vida se nos apresenta são como flechas certeiras, causam dores específicas, muita vez passageiras, circunstanciais. Já a segunda flecha representa nossa resistência a estas primeiras. Nós as criamos e nos ferimos de forma desnecessária, quando nos revoltamos, nos irritamos com as demandas, estendendo e potencializando a dor, fazendo reverberar inclusive em outros que convivem conosco.
Joan Garriga Bacardi, psicólogo espanhol, em seu livro “Viver na Alma”, esclarece que o sofrimento se assenta em uma luta contra os fatos, enquanto a dor é uma emoção natural, humana e congruente. Diz ele que “Diante da dor genuína, da presença de pessoas que atravessam  verdadeiros lutos, abre-se espontaneamente nos demais a porta da compaixão, da humanidade e da solidariedade. É algo biológico. Sentimos o impulso natural do caminhar ao lado, acompanhar e apoiar os tristes e os que se consomem de tormento. Sem dúvida, o sofrimento é outro assunto, outro cantar. O sofrimento tem outras conotações e, muitas vezes, desperta nos demais o desejo de distanciamento”. (p. 115)
Isso porque o sofrimento tende a ser manipulador, egoísta por parte de quem o sente e expressa. Trata-se de posição existencial edificada na queixa, no ressentimento, no vitimismo. E quando o sofrimento toma esta forma deletéria, quase nunca desperta a compaixão natural dos demais, senão o incômodo. Aliás, como afirma o próprio Garriga, “já está mais que superada a ideia de que o sofrimento concede direitos”. (pg. 116)
A verdade é que, quem consegue integrar o difícil, atravessar seus lutos, enriquece a vida, se transforma positivamente, elevando-se. Já quem fica preso aos gemidos, olha tanto para si mesmo que seus olhos não percebem os demais e a realidade da vida.
Por certo a vida nos convoca aos desafios com certa frequência, então cabe-nos questionar: Como percebo esta realidade? Que atitude devo tomar diante desta demanda? Como posso fazer para minimizar este impacto em mim e nos outros? Como encontrar o sentido para esta dor que me abala a alma e assim aprender o que me cabe nesta experiência?
Podemos pensar que o desafio talvez seja gostar não apenas do que nos convém, o que nos é agradável ou estimado, mas desenvolver uma confiança na dinâmica da vida, aceitando suas propostas, nem sempre agradáveis, coloridas. Compreender que não há outro remédio, assumindo nossa pequenez diante do Espírito Criador, nos rendendo ao que é, sendo humildes. Jesus dizia: “Ofereça a outra Face”, o que significa: se desfaça de suas armas, confia, entrega e se entregue. Deus se ocupa. Ele sabe mais que você.
Confiar e Aceitar são, portanto, verbos que devem ser trabalhados em nosso campo emocional. Logicamente isso não significa uma postura passiva ou de desistência. Será preciso trabalhar e alterar o possível, usando nosso livre-arbítrio com sabedoria. Falamos aqui de aceitarmos o que não pode ser alterado. O passado, por exemplo. Apegar-se a mágoas, ressentimentos, é reanimar o momento da ofensa, relembrando-o constantemente, como se acabasse de ocorrer, a cada minuto. Nossos corpos sentem os impactos desta ancoragem emocional, ativando o sistema límbico, encharcando todo o córtex cerebral com estes imputs negativos, reverberando nos sistemas endócrino e nervoso autônomo, podendo promover diversas doenças. Nossa imunidade cai, permitindo se alastrem vírus, bactérias, fungos e até mesmo células cancerígenas, caso outras variáveis permitam seu crescimento.
Faz-me recordar querido professor na minha graduação – um médico muito lúcido e didático – que dizia que todos os dias criamos células adoentadas. Permiti-las crescer e tomar nosso corpo depende, também, da forma como entendemos e lidamos com a Vida. Ou seja, nossas mentes são responsáveis por praticamente 85% das doenças que desenvolvemos – explicava.
A questão central é que estes dados todos coincidem exatamente com as lições trazidas pelas Tradições de Sabedoria. Quando aceitamos, quando somos humildes perante a Vida, quando aprendemos a amar o que é, o que somos e os outros como são (assim como comenta Joan Garriga Bacardi na mesma obra), vivemos uma vida mais plena, com relativa paz, em harmonia com o seu fluxo sagrado, pedagógico, evolutivo. Sendo assim, e a partir de nós, conforme ensinava o querido Gandhi, poderemos transformar o mundo, sendo a mudança que queremos ver nele.
Referências:
1. Denominam-se Vedas as quatro obras, compostas em um idioma chamado Sânscrito Védico, de onde se originou posteriormente o Sânscrito Clássico. Inicialmente os Vedas eram transmitidos apenas de forma oral.  Existem dúvidas quanto à época em que foram compostos, mas aceita-se que se trata de pelo menos 2.000 a.C., ou antes.
2. Ler em Obras Póstumas, Allan Kardec, Parte I, o capítulo “O Egoísmo e o Orgulho – Suas Causas, Seus Efeitos e Os Meios de Destruí-los”.
3. Rumi, também conhecido como Jalãl ad-Din Muhammad Balkhi, era um místico, teólogo e poeta persa, do sufismo. Viveu no século XII. Entre outras lições, em suas poesias dizia que nossas almas não pertencem a este mundo, mas apenas o corpo, e que devemos buscar mudar o mundo, mudando a nós mesmos.
4. Ler a respeito no livro “O Cérebro de Buda”, do neurocientista Rick Hanson, editora Alaúde, 2012. Parte I, Capítulo 3.

5. Livro Viver na Alma, editora Saberes, 2011, de Joan Garriga Bacardi.


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OS BONS ESPÍRITAS
(Marcos Paulo de Oliveira Santos)

Na caudalosa obra O Evangelho segundo o Espiritismo, encontra-se insculpida no capítulo XVII, denominado “Sede Perfeitos”, a preciosa lição: “Os bons espíritas”.
Trata-se de uma exortação aos caracteres do verdadeiro espírita. Dizem-nos os imortais: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (KARDEC, 2002, p. 276).
Trecho precioso este dos numes da Codificação, pois, em verdade, a proposta precípua da Doutrina Espírita é a transformação moral do indivíduo, que implica no conhecimento de si mesmo.
Ora, quando o indivíduo está calcado numa consciência profunda, ou seja, quando de fato conhece a si mesmo, ele pode discernir com maior confiança as suas virtudes e os seus defeitos. As primeiras, ele potencializa por meio de suas ações no bem junto aos familiares, amigos, colegas de profissão, enfim, no bojo social. Quanto aos defeitos, ele é capaz de elencá-los e criar uma proposta ou metodologia para a sua corrigenda. Cônscio de que, certamente, não eliminará todos os defeitos numa só existência.
Conhecer a si mesmo não é uma tarefa simples. Requer experiência nas múltiplas situações da vida; exige-se maturidade. Somente somos capazes de entender os nossos sentimentos (bons ou maus) quando estamos imersos numa situação, como se diz popularmente, no olho do furacão. Do contrário, tudo é teoria.
O Espiritismo trouxe os ensinamentos do Mestre Jesus numa linguagem compreensível; fácil; clara. Propicia aos seus estudiosos uma fé inabalável!
É comum se afirmar que a “carne é fraca” e por este motivo o erro seria inevitável. Mas é imperioso se ampliar a lente e considerar que o condutor ou o senhor da matéria é o Espírito. Na condição de encarnado as potencialidades do Espírito são abafados, todavia, na consciência está inscrita a lei divina, logo, não há justificativa para culpar a matéria quando na verdade a ação ou intenção é do Espírito.
Cientes da ontologia humana, os Espíritos disseram que aquele que se esforça para domar suas inclinações más, pode ser rotulado de Espírita.

O verdadeiro espírita-cristão não violenta consciências; é indulgente para com as imperfeições alheias e severo para consigo mesmo; compreende que a prática da caridade se dá em todas as instâncias (de nada adianta ser bonzinho no interior do Centro Espírita e um tirano doméstico); não é maledicente; não compactua com o erro; não julga as imperfeições alheias; não é invejoso; não é egoísta; é, em síntese, um lídimo trabalhador do bem. Porque, ao praticar o bem, ele apara as próprias anfractuosidades, tornando-se melhor a cada dia.
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EMBORA UMA ALA O DEPLORE, AVANÇA O ESPIRITISMO DE MEDIGORE
(José Reis Chaves)
Há uma corrente católica que passou a condenar as aparições de Maria em Medigore, porque ela sabe que se trata de fenômenos mediúnico-espíritas.
E nisso os nossos irmãos evangélicos sempre extrapolaram dizendo que se trata de demônios, que para eles são apenas Espíritos maus. Logo, Deus colabora com os Espíritos maus, pois só permite a manifestação deles; dos bons, nem pensar!
Mas quem estuda mesmo a Bíblia em profundidade, como temos aqui demonstrado, sabe que os demônios (“daimones” em grego) são as almas e não outro tipo de Espíritos. Os padres, bispos e uma pequena porcentagem de pastores e leigos sabem disso, mas preferem deixar o zé-povinho na ignorância, pois demônios à moda medieval dão Ibope!
Faz uns 8 anos que um conhecido teólogo de Belo Horizonte (por respeito a ele, não vou dizer seu nome) pediu-me para eu evitar falar, na minha coluna em O TEMPO, algumas coisas que são verdades, mas que não convém que o povo saiba. Eu, desculpando-me, lhe respondi dizendo que o meu trabalho consiste exatamente em dizer verdades que os líderes religiosos cristãos, há séculos, vêm escondendo do povo.
“Ninguém nunca viu Deus, pois quem O vir não continua vivo.” (Êxodo 33:20). Também Jesus disse: “Ninguém jamais viu a Deus”. (João 1:18; e 1 João 4:12). Ora, se ninguém pode ver Deus, as manifestações de Deus (que denominam de Espírito Santo) não existem. Mas a Mãe de Jesus, por mais que a engrandeçamos, e ela o merece, ela não é Deus, logo ela pode se manifestar e ser, pois, vista por alguém que seja médium vidente, e por qualquer pessoa, se houver materialização do Espírito dela através de seu perispírito ou corpo espiritual, no dizer paulino, e, para os cientistas russos, corpo bioplasmático, descoberto por eles em 1945. E para os que ainda dizem erradamente que esse assunto de vidente é coisa do diabo, digo-lhes que é coisa da Bíblia: “Os profetas eram chamados antigamente de videntes” (1 Samuel 9: 9).
Esta ala da Igreja que está tomando uma posição hostil contra as aparições de Medigore está, como se diz, malhando em ferro frio, pois o Espiritismo é hoje muito forte e conta com o apoio maciço dos segmentos científicos da ciência espiritualista. E quem quer condenar os fenômenos espíritas mediúnicos de Medigore, tem que condenar também os de Lourdes, Fátima e outros, como o fez o padre Quevedo que, por isso, foi condenado pela Igreja!

São milhões de católicos e milhares de autoridades eclesiásticas da Igreja que dão seu aval para esses fenômenos de Medigore, inclusive eles tiveram também o apoio do Papa João Paulo II, pois que ele visitou o local das aparições em Medigore!

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A DOR DA INGRATIDÃO
(Claudia Gelernter)

Vivemos no planeta Terra, e isso significa diversas coisas. Uma delas é que temos muitas mazelas a resolver. Mazelas íntimas, do ego, da personalidade transitória. Alguns Espíritos comparam os habitantes da Terra com pequenos grãos de feijão. Existem uns maiores, outros menores. Uns mais escuros, outros claros, alguns furados, outros feios. Mas, no final das contas, 'somos todos feijões'. Não estamos muito distantes uns dos outros, embora por vezes nos sintamos superiores, devido a pequenas ações, quando, em verdade, ainda temos que batalhar para sermos verdadeiramente melhores - todos nós.
Em O Livro dos Espíritos, aprendemos que existem três categorias principais de Espíritos, de acordo com seu grau de evolução (moral e intelectual): ”na última, aquela que se encontra na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o espírito e pela propensão ao mal. Os da segunda se caracterizam pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo de praticar o bem: são os Espíritos bons. A primeira, enfim, compreende os Espíritos puros, que atingiram o supremo grau de perfeição” (Kardec, 1862).
A má notícia é que nós pertencemos (ainda) à categoria dos imperfeitos. Uns mais, outros menos, mas todos imperfeitos. Entretanto, também temos notícia de que a Terra está alterando seu estado, entrando em nova fase, chamada de Regeneração, onde os habitantes tendem mais ao bem que ao mal. Daí a necessidade de um contínuo empenho nosso para que possamos habitar um Planeta melhor, porque mais justo e bom.
E dentro desta “boa batalha”, chamemos assim – um dos quesitos essenciais a serem desenvolvidos chama-se “resiliência”. Trata-se de um conceito sequestrado da Física, hoje largamente utilizado pela Psicologia e mesmo pela Ecologia. 
Segundo o Wikipédia, no campo da Física, o termo resiliência diz respeito à "propriedade de que são dotados alguns submateriais, de acumular energia, quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material – como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para o alto”.
Já em Psicologia, significa a capacidade de se reequilibrar, após alguma situação de angústia, de conflito psíquico, seja causado por impactos reais ou imaginários. Digo imaginários porque, em geral, costumamos aumentar nosso sofrimento para além do necessário, com fantasmas puramente emocionais, medos irracionais, porque nascidos de uma percepção equivocada sobre os eventos da vida. 
E, quando falamos de dores reais, intensas, profundas, a palavra Ingratidão nos vem à mente, quase que imediatamente. Não é à toa que o Espírito Santo Agostinho, no capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, colocou a questão da ingratidão como ponto nevrálgico para o coração humano, dedicando um texto inteiro (o maior do livro, ditado por um Espírito, aliás), para tratar deste assunto, principalmente com relação aos filhos. Ditou ele que "De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração”. Realmente. E a ingratidão surge como um dardo cheio de veneno, lançado por pessoas geralmente distraídas de sua missão pessoal, de sua essência sagrada. São os cegos espirituais do mundo, que não enxergam o bem que recebem e que mais tarde terão de ser ensinados pela Mestra Divina, chamada Dor. 
Mas mantenhamos o foco naquele que recebe a ingratidão como pagamento de um bem realizado:
Em verdade, primeiramente é preciso recordar que não existem vítimas. Se a prova surge, por certo é para buscar as profundezas psíquicas do aprendiz, avaliando se já consegue dar conta de determinados desafios. E, sendo esta uma enorme demanda quando falamos em ego orgulhoso, será preciso desenvolver a resiliência (que serve para esta questão e todas as outras que envolvem desafios existenciais) – esta capacidade de reorganizar o mundo mental, mesmo com a experiência dolorosa.
Para tanto, considero três passos importantes:
1. Reconheçamos que todos somos imperfeitos: Tal constatação produz alívio imediato em nosso coração, pois nos damos conta de que também nós precisamos, com frequência, do perdão alheio, senão do próprio Pai Celestial, uma vez que somos também ingratos, nas mais variadas situações. (Por exemplo: raramente confiamos na Vida, na dinâmica da existência, com seus altos e baixos; raramente agradecemos pela proteção diária; poucos levam em conta a questão da interdependência planetária, deixando de observar certos cuidados para com o próximo e a natureza, de forma geral, quando, em verdade, deveriam se comportar de outra maneira, demonstrando gratidão à vida etc.).  
2. Busquemos desenvolver a Compaixão: Jesus já alertava que não existe grande mérito em sermos bons e perdoarmos aqueles que já são benevolentes para conosco. Nesta situação estamos apenas realizando uma troca. Porém, quando conseguimos sentir verdadeira compaixão por aqueles que nada têm a nos oferecer ao coração, tornamo-nos realmente grandes. Henry Wadsworth Longfellow certa vez escreveu que “se pudéssemos ler a história secreta de nossos inimigos, encontraríamos em cada vida tristeza e sofrimento suficientes para aplacar qualquer hostilidade de nossa parte”. Além disso, compadecer-se com os problemas dos outros não é ato que se restringe a questões materiais, como, por exemplo, uma perda significativa ou uma doença grave, mas também com relação a questões morais. Nem sempre o outro compreende a dinâmica da vida e o quanto é bom sermos bons. Por ignorância, erra, vindo mais tarde a colher frutos amargos. Compadecer-se deste tipo de semeadura eleva a alma em trânsito pela Terra, denotando grande resiliência e maturidade espiritual. Reflete a capacidade de sentirmos empatia, do quanto já somos conscientes do nosso papel e da necessidade de combatermos sofrimentos voluntários, através do equilíbrio mental, espiritual, físico e social. Estamos, concomitantemente, sendo bons para conosco, portanto.
3. Construamos pontes, sempre que possível: Uma comunicação eficaz busca soluções e nunca culpados. Estejamos em contato com nossos sentimentos, pois quando mantemos um estado de consciência interior, deixamos mais claro nossos objetivos durante um diálogo. Então, se queremos realmente ajudar um irmão ingrato, não será atirando variadas pedras verbais ou mentais, mas expondo a dor causada de forma coerente e madura. Não devemos dar lições de moral com raiva e, por outro lado, devemos manter fé na justiça. Não cabe a nós punirmos os ingratos. A vida fará isso, caso seja necessário. Por fim, se o diálogo pessoal não for possível, que ele seja feito de forma mental, através de uma prece ou irradiações de amor.
Para melhor ilustrarmos este pensamento, vale recordar um dos contos de Jataka [autor de textos sobre as possíveis encarnações de Buda], chamado “O Gorila e o Homem”. Escreveu ele:
“Certo dia, um caçador adentrou a floresta, perdeu-se e caiu em um buraco profundo, do qual não conseguia sair. Ele gritou por socorro durante dias, ficando cada vez mais faminto e fraco. Enfim, o gorila o ouviu e foi até lá. Ao ver as paredes íngremes e escorregadias da cavidade. o gorila disse ao homem: “Para tirá-lo daí com segurança, primeiro vou rolar pedras aí dentro e praticar com elas”. O gorila rolou diversas pedras para dentro do buraco, uma maior que a outra, e tirou todas de lá. Finalmente chegara a vez do homem. Após subir com dificuldade, segurando-se em rochas e trepadeiras, ele tirou o homem de lá, e, com a última força que lhe restava, saiu do buraco. O homem olhou ao redor, muito feliz por ter sido salvo. O gorila, ofegante, deitou-se ao seu lado. O homem disse: “Obrigado, gorila. Você pode me guiar para sair da floresta?” E o gorila respondeu: “Claro, homem, mas primeiro preciso dormir um pouco para recuperar a energia”. Enquanto o gorila dormia, o homem o observava e começou a pensar: “Estou com muita fome. Sou capaz de descobrir como sair da floresta por conta própria. Ele é só um animal. Eu poderia bater uma dessas pedras na cabeça dele, matá-lo e comê-lo. Por que não?”. Então o homem ergueu uma das pedras o mais alto que conseguiu e atirou-a com força na cabeça do gorila. O gorila gritou de dor e sentou-se rapidamente, atordoado com a pancada, com sangue escorrendo pela face. Quando olhou para o homem e percebeu o que havia acontecido, lágrimas brotaram de seus olhos. Ele balançou a cabeça com tristeza e disse: “Pobre homem. Agora você nunca será feliz…”. 
Um conto emocionante que certamente traduz diversas situações vividas na Terra, onde o ingrato não reconhece nem valoriza o bem recebido. 
Percebemos que a má vontade do homem tentou justificar a si mesma: “Ele é só um animal”. Naquele momento, o homem racionalizou, como forma de defesa íntima – isso facilitou a decisão pela ação nefasta. Só mais tarde poderá perceber que enganara a si mesmo…
Por outro lado, a bondade, a compaixão do gorila foram sua própria recompensa. Não fora tomado por raiva ou ódio. A primeira flecha moral atingiu-o na forma de uma pedra; não havia por que acrescentar injúria ao ferimento com uma segunda flecha de rancor, atirada por ele mesmo. Perdoou, tão logo recebera a ofensa. Não viu necessidade de desforra, pois sabia que o homem já não conseguiria ser feliz. Agiu com equanimidade, portanto.
O gorila foi resiliente. Apesar da experiência dolorosa, não se desequilibrou, não se desprendeu da própria essência amorosa. 
E, finalizando este despretensioso artigo, desejo ainda relembrar uma das mais bonitas passagens do Evangelho de Jesus, no qual os evangelistas narram Sua aparição aos discípulos estupefatos, dias após a morte na cruz. Naquela oportunidade, após ter sido abandonado por 11 dos 12 amigos hebreus, durante toda a caminhada de dura prova até o Calvário, sendo por fim erguido na madeira e pregado como um ladrão comum, sorriu aos discípulos, dizendo, apenas: “A Paz de Deus seja convosco!”…
Nada de muxoxos, reclamações ou cara feia. Nada de desapontamentos. Apenas amor nos olhos, na fala e no coração. 
Eis a sublime mensagem do Messias, nesta passagem: Perdão, compaixão, resiliência…, amor…
Aliás, caso não fosse essa a postura do grande Mestre, o que seria do cristianismo?

Vale refletir…
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A DETERMINAÇÃO EM RECOMEÇAR
(Waldenir Aparecido Cuin)

“Levantar-me-ei e irei ter com meu pai...”. (Lucas, 15:18.)
Quando o filho pródigo, descrito na parábola por Jesus, deliberou retornar aos braços paternos, após ter recebido sua herança e a desperdiçado em futilidades e ilusões, criou para nossa reflexão um dos mais significativos símbolos de arrependimento, coragem, determinação e maturidade.
Reconhecendo seus equívocos não vacilou em recomeçar, aceitando a condição de empregado da propriedade do pai, pois tinha consciência de que não merecia ser tratado mais como um filho, embora não esperasse a reação fraterna do genitor, que ao avistá-lo, o acolheu num abraço carinhoso e meigo.
De nossa parte, inúmeras vezes também deliberamos seguir caminhos contrários àqueles que nos asseguram avanço moral, prosperidade intelectual e crescimento espiritual, criando a urgente necessidade de decidir por novos rumos e outras direções, sustentadas pela esteira dos valores da dignidade, da honra e da honestidade.
Se preciso, ergamo-nos da inércia, da apatia e do desânimo e, fortalecidos pela fé, deixemos a rede macia do comodismo em esperar que a vida nos dê tudo de forma gratuita, e busquemos conquistar virtudes, enquanto empreendemos esforços para a extinção dos defeitos que ainda nos mantêm na condição de inferioridade e sofrimento.
Se a tristeza insistir em povoar os nossos pensamentos e derramar insatisfações em nossa vida, levantemos a confiança em Deus e tenhamos a certeza inconteste de que o Pai Celestial, amoroso e bom, justo e perfeito, em circunstância alguma deixará de atender as nossas necessidades.
Se a moléstia insidiosa continuar a nos manter no leito de dor, embora todos os esforços de médicos, hospitais e remédios, levantemos a esperança nos dias do porvir, nos recursos que a tecnologia vem desenvolvendo, pois o amanhã poderá surgir com novas cores e propostas.
Se familiares queridos deixaram o nosso convívio pelos mecanismos da desencarnação, renascendo para a vida espiritual, abrindo enorme lacuna em nossos corações, que se repletam de saudades, levantemos a certeza na imortalidade e prossigamos convictos de que um dia, no futuro, em outras dimensões vibratórias, novamente estaremos com eles.
Se o abandono e a solidão estiverem nos acompanhando com frequência, escurecendo os nossos momentos e amargurando a nossa vida, levantemos a vontade de refletir e meditar, pois, às vezes, diante do nosso comportamento e atitudes, quem sabe estaremos impedindo a aproximação das pessoas ao nosso redor?
Se os recursos financeiros e materiais se escassearam, criando dificuldades e embaraços para que possamos honrar nossos compromissos, levantemos a força e a perseverança e saiamos a trabalhar ainda mais, na confiança de que o labor nos conduzirá a novas perspectivas.
Se os filhos que chegaram ao nosso lar – e para os quais nos empenhamos ao máximo, visando educá-los, mostrando-lhes os caminhos da decência e da dignidade – resolveram não atender aos nossos insistentes apelos de moralidade, levantemos a paciência e esperemos pelas sábias lições da vida, que farão, certamente, aquilo que não conseguimos agora fazer.
O filho pródigo, depois de perceber o equívoco cometido, diante do sofrimento decorrente da escassez de recursos financeiros, por ter gasto a herança recebida de forma inútil, inconsequente e irresponsável, caindo no arrependimento, teve forças para levantar, sacudir a poeira e voltar ao lar paterno, nem que fosse na condição de um empregado do pai, para recomeçar a vida.
Em oportunidades inúmeras, também nós, ao percebermos os erros e os enganos deliberados, temos absoluta necessidade de levantar a nossa vida e buscar o apoio de Deus para recomeçar, e, por certo, Ele também abrirá seus braços para nos acolher num abraço...

Reflitamos...
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NO JUÍZO FINAL, OVELHAS RECEBERÃO DIPLOMAS, MAS CABRITOS TOMARÃO BOMBA
(José Reis Chaves)
Os teólogos antigos ensinavam um Deus antropomórfico. E, ao invés de tomarem o atributo de Deus Todo-Poderoso para o amor e para o bem, tomavam-no para o mal, o ódio e a vingança, longe, pois, do Deus Pai amoroso ensinado por Jesus. 
Os teólogos, quando se deparavam com uma dúvida sobre uma interpretação bíblica, diziam “isso é perigoso”, isto é, tal interpretação poderia trazer o risco de um castigo de Deus ou da Igreja da época da Inquisição, se ela estivesse contra o sentido verdadeiro da Bíblia ou de algum dogma católico.
E, hoje, a Igreja tem duas correntes, a dos teólogos conservadores e a dos inovadores. Os primeiros ainda mantêm as ideias erradas antigas sobre Deus e o destino ameaçador para os Espíritos humanos. Já a corrente dos inovadores prega uma visão otimista sobre um Deus de amor e de um destino incondicional de felicidade perene para todos os Espíritos humanos. Infelizmente, a maioria dos dirigentes religiosos de outras igrejas cristãs mantém ainda aquela antiga teologia cristã errada e amedrontadora da Igreja do passado. Isso, às vezes, lamentavelmente, como meio de explorarem mais facilmente os seus fiéis. E esses dirigentes religiosos são ajudados por outros que são sinceros, mas que se tornam inocentes úteis daqueles dirigentes exploradores mercenários, prejudicando, assim, a marcha do evolutivo e verdadeiro Cristianismo, que é o de um Deus de amor e não de ódio e de vingança.
É muito conhecida a passagem evangélica da separação das ovelhas dos cabritos (Mateus 25: 32 a 41), no final dos tempos. Trata-se de um dos mais importantes textos figurados dos evangelhos. As ovelhas representam as pessoas vitoriosas, enquanto que os cabritos, as fracassadas, pois não passaram no curso das escolas durante as reencarnações. E, usando ainda uma linguagem escolar, diríamos que elas tomaram bomba!
Para uma corrente católica baseada em doutores em teologia, entre eles o holandês Jonh Kông, da Arquidiocese de Belo Horizonte, o inverno na Palestina é muito forte. As ovelhas, protegidas pela sua espessa camada natural de lã, podem passar, tranquilamente no tempo, as noites frias. Já os cabritos, com sua pele fina, à noite, têm que ser recolhidos nos currais, pois, ao relento, poderão morrer de frio. Os cabritos simbolizam os Espíritos humanos frágeis ou doentes da alma que tomaram bomba, precisando, pois, de uma acolhida especial, enquanto que os verdadeiros cristãos, já libertos espiritualmente, representados pelas ovelhas, não precisam dessa acolhida especial. É isso que Jesus quis dizer com a separação dos cabritos das ovelhas.
Essa passagem nos lembra daquela em que Jesus afirma que os doentes é que precisam de médicos (Mateus 9: 12). Realmente, os cabritos, pela sua natureza de pele frágil para enfrentar o rigor do frio, de algum modo, são doentes. E ela nos lembra também daquela em que Jesus diz que o bom pastor procura a sua ovelha perdida “até que ela seja encontrada” (Mateus 18: 12), ou seja, até que seja salva.
Esses ensinamentos estão de acordo com o que o excelso Mestre nos ensinou: Deus quer que todos se salvem (João 6: 39). E eles se igualam aos da Doutrina Espírita, que prega também a salvação, um dia, para todos os Espíritos.

E quem será totalmente vitorioso? O Deus verdadeiro, o “satanás”, ou os pregadores de um Deus falso, antropomórfico e do terror?
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O ARREPENDIMENTO
(Édo Mariani)

Em o livro O Céu e o Inferno, de autoria de Allan Kardec, capítulo VI, tradução de João Teixeira Doria, edição da Livraria Allan Kardec Editora, em comentário à comunicação do Espírito Jaques Latour, Kardec nos ensina: “O arrependimento acarreta o pesar, o remorso, o sentimento doloroso, que é a transição do mal para o bem, da doença moral para a saúde moral. É para se furtarem a isso que os Espíritos perversos se revoltam contra a voz da consciência como doentes que repelem o remédio que os há de curar. E assim procuram iludir-se e persistir no mal”.
Assim aprendemos que o arrependimento é o instrumento necessário ao principio da reparação. Representa para os Espíritos a colocação do pé no primeiro degrau da escada bendita e reparadora, mas não basta por si só: são necessárias as expiações, porque, segundo Jesus: “da lei até o último iota será cumprido”. Isto evidencia-nos que a reparação da falta é imprescindível ao Espírito para libertar-se de todo mal praticado.        
Arrepender-se, segundo os Espíritos instrutores, é muito doloroso e requer muita coragem e bom ânimo para levar a bom termo tão bendito ensejo iniciante de novas oportunidades de recomeço no cruento trabalho de voltar ao crescimento espiritual.
Enquanto isso não acontecer, continua o Espírito a julgar-se sem culpa e muitas vezes maldizer a providência divina e sem coragem para assumir a devida responsabilidade, por se julgar inocente. De fato, se me julgo sem culpa por orgulho em reconhecer que errei, é natural não ver o que reparar.
É imprescindível o arrependimento, que é o reconhecimento do erro praticado para se convencer da necessidade de reparar o mal. Sem ele, permanece o Espírito errando inconscientemente, e por isso não se julga culpado.
É mais fácil colocar a culpa nos outros e esconder-se debaixo da própria ignorância.
Essa lição já é bastante velha. No tempo em que João Batista iniciava a sua pregação no deserto, com o objetivo de apresentar publicamente a Jesus, ele convidava o povo com plena convicção de sua atitude, conclamando: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus cap. 3, versos 2).
Enquanto encarnados temos dificuldades e muitas vezes nos falta coragem para enfrentar o nosso orgulho na admissão das culpas, mas se a conseguirmos, estaremos desde já dando o primeiro passo para o início da caminhada pela estrada da reparação e consequentemente da evolução.
Vejamos o que nos ensina Ermance Dufaux no capítulo 8 do livro de sua autoria: ‘Reforma Íntima sem Martírio’: “Digamos que o arrependimento é uma chave que liberta a consciência dos grilhões do orgulho. Enquanto peregrinamos no erro sem querer admiti-lo, temos o orgulho a nos ‘defender’ através da criação de inúmeros mecanismos para ‘aliviar’ nossas falhas. Sem arrepender-se, o homem é um ser que foge de si mesmo em direção aos pântanos da ilusão, por onde pode permanecer milênios e milênios...”

Portanto, vale muito atentarmos para esses ensinamentos que representam reais chamamentos para iniciarmos, desde já, através do arrependimento de nossas faltas e culpas, a subida para a “Frente e para o Alto”, na feliz expressão do Professor Leopoldo Machado, de saudosa memória. 
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ALGUÉM JÁ VOLTOU PRA DIZER COMO É?
(Cláudio Bueno da Silva)

Uma frase muito ouvida entre frívolos ou indiferentes é a de que “não se sabe o que há depois da morte, já que ninguém voltou pra dizer como é”.
O respeito ao próximo nos impõe a obrigação de sermos condescendentes e indulgentes com aqueles que pensam assim. Não se pode condená-los. O desconhecimento talvez se deva ao fato de não terem tido acesso a informações dessa ordem, não estarem preparados para o entendimento, ou até mesmo ao comodismo e à preguiça intelectual que levam muitos a desconsiderar os temas importantes da vida.
É curioso notar como mostram desinteresse se o assunto vem à tona. A impressão que dão é que não existem Espíritos, não se comunicam, e pronto! Se não dizem isso, sabemos que pensam assim. Desconhecem os fenômenos e as pesquisas psíquicas por completo.
Contudo, os temas espiritualistas sempre foram amplamente comentados na literatura e na imprensa mundiais; a cultura popular e as tradições dos povos estiveram o tempo todo cheias de histórias místicas que as comunidades cuidaram de disseminar. As Artes sempre contribuíram muito para a sugestão da transcendentalidade. Atualmente os veículos de comunicação discutem fartamente essas questões. A literatura espírita enche prateleiras de livrarias, bancas, feiras, displays em redes de mercado e shoppings. O problema da morte, da sobrevivência depois dela, da comunicabilidade entre homens e Espíritos está fartamente estudado e descrito numa quantidade incalculável de obras, em muitos idiomas.
Os Espíritos sempre contaram como é o seu mundo e nos últimos séculos (principalmente XIX e XX), de forma mais organizada, têm descrito em minúcias o que pensam, o que fazem, como vivem no lado “invisível” da vida. Há milhares de páginas falando disso.Desse modo, alguns descrentes, que antes eram refratários, têm se aproximado das ideias espiritualistas que poderão abrir-lhes caminhos importantes para melhor compreensão da vida e de sua superior finalidade. Mas falta muito ainda! A maioria não percebe nada!
Não há maldade neles, antes, ingenuidade e desinteresse. São bons, cumprem seus deveres e vão vivendo, mas estão visceralmente ligados ao corpo, sensíveis apenas àquilo que diz respeito às suas relações vitais com o trabalho, o descanso, a alimentação, os compromissos sociais, a sobrevivência, enfim... O que foge à esfera do pragmático está distante das suas cogitações. Vivem descuidados, esquecidos da alma, onde se “oculta” um mundo real e fascinante de que eles sequer suspeitam.
Não há premeditação nesse modo de ser, e sim instinto, que flui com naturalidade. Absorvidos pela densidade da vida material, com seus problemas e seus atrativos, não conseguem enxergar novos caminhos. Quase não olham para os lados e raramente olham para o alto.
É assim que nos deparamos com irmãos que não ouvem música (a clássica lhes causa sono), não gostam de flores, de vegetação; têm ojeriza aos animais; não leem nem se dispõem a estudar; desprezam programas culturais em favor da agitação ou do ócio; vinculam o prazer ao vício; associam progresso ao acúmulo de bens; não se abalam com o infortúnio alheio...
Não há como julgá-los por não terem acuidade espiritual, sensibilidade estética, preocupações filosóficas, senso crítico. São pessoas como quaisquer outras, humanamente falando. Fazem parte da mesma humanidade heterogênea, inteligente, pobre, sensível, egoísta, civilizada, brutal... São partes de um todo social que, malgrado os pessimistas, avança, progride devagar, mas progride.
Allan Kardec deixou à posteridade um grande ensinamento, inspirado pelo evangelho e baseado na verdadeira caridade: “os fortes devem ajudar os fracos, os que estão na dianteira, auxiliar os retardatários”.
Esse pensamento simples estimula a solidariedade humana e, mostrando que o indivíduo é superior ao que lhe está atrás, mas inferior ao que lhe está à frente, instituía igualdade entre os homens.
Portanto, ninguém é melhor que ninguém nem superior absoluto. Há relatividade em tudo. O senhor Tempo convencerá os indiferentes quanto aos saberes do Espírito que regerão a sociedade humana, aí sim, chamada civilizada.
E, respondendo direta e enfaticamente à pergunta inicial, dizemos: - Sim, muitos já voltaram. Uma legião imensa já veio contar, em detalhes, como é “lá”.
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PARA UNS A REENCARNAÇÃO É MALDITA, MAS NA VERDADE ELA É BENDITA
(José Reis Chaves)
O fundamento de toda religião é a crença em Deus e na imortalidade do Espírito. E, na vida prática do religioso, é essencial a vivência do amor a Deus e ao próximo.
O pecado é uma ofensa ao próximo, e uma desobediência às leis divinas. Mas a ofensa ao próximo não atinge Deus, pois Ele é como que vacinado contra ofensas e males. “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar.” (Jó 37:23).  Aliás, se Deus sofresse com os pecados da Humanidade, Ele seria o ser mais infeliz! Mas isso não acontece, exatamente porque Deus, além de Todo-Poderoso, é também imutável. Já nós, sim, somos prejudicados quando deixamos de amar a Ele e ao nosso próximo. E o nosso amor a Deus passa pelo amor ao nosso semelhante. “Se alguém disser Amo a Deus, e odiar o seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1 João 4: 20). 
A crença na imortalidade do Espírito, como já dissemos, é uma das questões essenciais das religiões. Mas essa imortalidade é vista de vários modos. Sabemos que o espírito de cada um de nós habita o nosso corpo aqui na vida terrena. Mas o Espírito habita também fora deste nosso mundo físico, ou seja, no mundo espiritual. Ele caminha sempre em sua jornada evolutiva sempiterna, pois ela tem começo, mas não tem fim. E assim, os Espíritos humanos vão se tornando, cada vez mais, mais perfeitos, e, pois, mais semelhantes a Deus, mas sem jamais serem perfeitos iguais a Ele, cuja perfeição é infinita.
Essa crença de que o espírito, ora está num corpo humano aqui na Terra, ora no mundo espiritual, depois da crença em Deus e na imortalidade do espírito, é a mais aceita por todos os religiosos do mundo, independente de sua religião. Ela é o que se chama reencarnação, que não é criação do Espiritismo como muitos pensam. E, segundo uma pesquisa da Universidade de Oxford, em 212 países, no ano de 2.000, cerca de ¾ da população mundial creem na reencarnação, que é bíblica e é, hoje, comprovada por vários segmentos da Ciência.
E ela é maldita para os materialistas e para os líderes religiosos fundamentalistas, que não conhecem bem a Bíblia, ou que a conhecem, mas querem manter os seus fiéis amedrontados com a falsa e mitológica existência real do inferno de Dante Alighiere na “Divina Comédia”, quando esse inferno é figurado na Bíblia. Aliás, esse mesmo maior poeta europeu medieval demonstra reservadamente que ele era reencarnacionista. (Mais detalhes em meu livro “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 8ª edição, Ed. EBM, SP, e que está sendo lançado também em inglês nos Estados Unidos, pela Editora “Outskirts Press Inc”.)
A reencarnação continua maldita para uma minoria da Humanidade, mas, como foi mostrado, é bendita para a grande maioria da população do mundo. É que ela nos dá a certeza da imortalidade e de que todos nós estamos mesmo caminhando, uma minoria mais rapidamente e a maioria mais devagar, de acordo com o livre-arbítrio de cada um, para nos encontrarmos, um dia, com Deus, que não quer a perda de nenhuma de suas almas amadas infinitamente por Ele. (João 6: 39).

E terminamos dizendo que, sem a teoria da reencarnação, seria uma mentira a doutrina teológica da misericórdia infinita de Deus!
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A NOVA LITERATURA MEDIÚNICA
(José Passini)
“E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.”– Paulo (I Cor,14:29)
As palavras de Paulo – inegavelmente a maior autoridade em assuntos mediúnicos dos tempos apostólicos – deveriam servir de alerta àqueles que têm a responsabilidade da publicação de obras de origem mediúnica.
A literatura mediúnica tem aumentado de maneira assustadora. Diariamente aparecem novos médiuns, novos livros, alguns bem redigidos, se observados quanto ao aspecto gramatical, mas de conteúdo duvidoso, se analisadas as revelações fantasiosas que iludem muitos novatos, ainda sem conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame criterioso daquilo que leem.
Muitos desses livros se originam de Espíritos ardilosos que, de maneira sutil, se lançam no meio espírita como arautos de novas revelações capazes de encantarem leitores menos preparados, aqueles sem um lastro de conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame lúcido, capaz de os levar a conclusões esclarecedoras.
Muitas pessoas que conheceram recentemente a Doutrina, antes de estudarem Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne e outros autores conceituados; antes de lerem as obras de médiuns como Francisco Cândido Xavier, Yvonne A. Pereira, Divaldo Franco, José Raul Teixeira, estão se deparando com obras fantasiosas, escritas em linguagem vulgar, contendo o que pretendem seus autores – encarnados e desencarnados – sejam novas revelações.
Bezerra de Menezes, Emmanuel, André Luiz, Meimei, Manoel Philomeno de Miranda, Joanna de Ângelis e tantos outros Espíritos se tornaram conhecidos e respeitados pelo conteúdo sério, objetivo, seguro, esclarecedor de suas obras, sempre redigidas em linguagem nobre.
Esses Espíritos conquistaram, pouco a pouco, o respeito, a credibilidade e a admiração do público espírita pelo conteúdo de seus escritos, na forma de mensagens ou de livros, publicados espaçadamente, como que dando tempo a um estudo sereno e criterioso do seu conteúdo.
Nos dias que correm, infelizmente, o quadro se modificou. Muitos médiuns, valendo-se de nomes já conhecidos pelo valor de suas obras, tentam impor-se aos leitores espíritas, não pelo valor das mensagens em si, mas escorados em nomes respeitáveis.
Sabendo-se que nomes pouco importam aos Espíritos esclarecidos, é de se perguntar por que os benfeitores que se notabilizaram através de Francisco Cândido Xavier haveriam de continuar usando seus nomes em mensagens transmitidas através de outros médiuns? Se o importante é servir à causa do Bem, por que essa continuidade na identificação, tão pessoal, tão terrena? Não seria mais consentâneo com a impessoalidade do trabalho dos Servidores do Bem deixar que o valor intrínseco da mensagem se revele, sem estar escorado num nome conhecido? Por que não deixar que a mensagem se imponha pelo valor de seu conteúdo? Por que escudar-se em nomes respeitáveis, quando o texto não resiste a uma comparação, até mesmo superficial, de conteúdo e, às vezes, até mesmo de forma? Por que essa ânsia insofreável de publicar tudo o que se recebe – ou que se imagina ter recebido – dos Espíritos? Onde o critério, a sobriedade tantas vezes recomendada na obra de Kardec? Será que o público espírita já leu, estudou, analisou, entendeu toda a produção mediúnica produzida até agora? Ao dizer isso não se está afirmando que a fase de produção mediúnica está encerrada.
Sabe-se que a Doutrina é dinâmica, que a revelação é progressiva. Progressiva, e não regressiva, pois há obras que estão muito abaixo daquilo que se publicou até hoje, para não dizer que há aquelas que nunca deveriam estar sendo publicadas.
Infelizmente, os periódicos espíritas, de modo geral, não publicam análises dessas obras que estão sendo comercializadas, ostentando indevidamente o nome da Doutrina.
Impera, no meio espírita, um sentimento de falsa caridade, um pieguismo mesmo, que impede se analise uma obra diante do público. Essas atitudes é que encorajam médiuns ávidos de notoriedade à publicação dessa verdadeira avalanche de obras que vão desde aquelas discutíveis a outras verdadeiramente reprováveis.
Nesse particular, é justo se chame a atenção dos dirigentes de núcleos espíritas, sejam centros, sejam livrarias, a fim de que avaliem a responsabilidade que lhes cabe quanto ao que é dado a público em nome do Espiritismo.

O dirigente – ou o grupo responsável pela direção de uma casa espírita – responderá perante o Alto, sem a menor dúvida, pela fidelidade aos princípios doutrinários de tudo o que se divulga em nome do Espiritismo, seja na exposição oral, num livro, ou simplesmente num folheto. O mesmo se diga relativamente àqueles responsáveis pelas associações intituladas “clube do livro”.
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ESTRUTURA FAMILIAR
(Waldenir Aparecido Cuin)
Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família? “Uma recrudescência do egoísmo.” (Questão 775, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.)
A família é, incontestavelmente, uma célula educadora. Nela a criatura aprende a ampliar responsabilidades, a multiplicar sentimentos, a valorizar a fraternidade, a desenvolver o senso de proteção, a pensar em conjunto, a perder a individualidade e a banir a solidão.
Sem qualquer dúvida, trata-se da base social.
Jamais podemos pensar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sem contarmos com a devida, necessária e indispensável estruturação da família. Se registramos, na coletividade, comportamentos nocivos e deletérios, onde seres humanos se apresentam de forma desequilibrada e fora dos padrões da decência e da dignidade que se espera, certamente a origem das distorções, na maioria dos casos, tem o nascedouro na família em desalinho.
Edifica a família aquele que tem plenas convicções da urgência e necessidade de educar os filhos formando-lhes o caráter, não apenas dando-lhes instrução, pois que isso a escola também pode fazer. Educar é tarefa prioritária da família, onde exemplo é a lição mais forte.
Edificam a família os cônjuges que se respeitam sentimentalmente, mantendo-se fiéis aos compromissos de fidelidade. Diferença de opinião não se caracteriza como motivo para desavenças e querelas. Podemos, perfeitamente, ter pensamentos diferentes uns dos outros e caminharmos juntos na mesma direção.
Edificam a família os membros que elegem o trabalho como base de sobrevivência e aprendizado, sem que um seja peso econômico para o outro. Trabalho não é castigo, é sagrada oportunidade de aprendizado e de equilíbrio físico e mental.
Edifica a família quem mantém em seu lar um clima de cortesia, afabilidade, entendimento e solidariedade, onde se vislumbram as qualidades dos componentes e se trabalha em conjunto para a correção dos defeitos naturais que ainda ostentam.
Edifica a família quem carrega para dentro dela noções de religiosidade, pois ninguém conseguirá entender as razões lógicas da vida sem refletir, maduramente, na grandeza, bondade e perfeição das leis divinas.
Edifica a família aquele que permanece dentro dela mesmo carregando grande cota de sacrifício sobre os ombros, pois quem não consegue servir ao próximo mais próximo terá dificuldade em encontrar a paz.
Edifica a família quem sabe perdoar, esquecer e cultivar a resignação, pois que num agrupamento de seres humanos, ante o estágio evolutivo que nos encontramos, ainda são frequentes os momentos de desajustes que exigem paciência e calma.
Estruturar a família não é tarefa fácil, mas indispensável para continuarmos sonhando com a paz e a felicidade, pois tais conquistas somente se fixarão, definitivamente, em nosso âmago, no instante em que conseguirmos plantá-las nos corações alheios, e nada mais justo e lógico do que iniciarmos essa tarefa pelos nossos familiares.
Em verdade, fácil é conquistar algo no mundo, difícil é vencer na família. Muitas criaturas conhecem a aprovação social pelos feitos que apresentam, mas recebem a reprovação dos familiares devido ao descumprimento dos deveres básicos. Ainda, a vitória fora do lar, sem o amparo da família sólida, não terá o sabor que se espera.


Reflitamos.
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CASAMENTO
(Felinto Elízio Duarte Campelo)

O casamento é uma tradição adotada por todos os povos desde a mais remota antiguidade.
O ato de consorciarem-se duas pessoas de sexos opostos sempre se deu por livre união, pelas mais diversas formalidades civis ou diferentes cerimônias e rituais religiosos, variando conforme a época, o país, a crença.
Todos os dias, jovens enamorados unem-se pelos liames afetivos. Querem eles que seja um enlace duradouro, pleno de felicidade.
Um casamento estável, independentemente de haver sido oficializado ou não, lastreia-se no amor puro, sincero, leal, diferente da paixão desvairada que se esvai quando satisfeito o desejo.
Rapazes e moças casadoiras não se iludam com a lenda de almas gêmeas. Elas são apenas Espíritos afins, estagiando no mesmo grau de desenvolvimento, sujeitos às vicissitudes que a vida material oferece. São individualidades diferentes, independentes, com pensamentos próprios.
A vida de casados não é só lua de mel, não é só poesia, não é um mar de rosas ou um lago azul de águas plácidas, cristalinas, transparentes como cantam e decantam os poetas e romancistas; por vezes as rosas tendem a se descolorirem, murcharem, as águas turvam-se, encapelam-se. A vida a dois é um laboratório de experiências onde, ao calor do cadinho, se devem purificar aqueles que optarem pelo matrimônio.
Por isso mesmo, creiam que, sozinho, o amor não é capaz de consolidar um casamento. Há outros componentes imprescindíveis para tornar uma união sólida, durável ou mesmo perpétua.
São ingredientes tais como um pouco de paixão moderada, humildade, compreensão, tolerância, paciência, renúncia.
Aos cônjuges cabe aprenderem a renunciar a determinado costume e gostos a bem da harmonia doméstica; devem eles exercitar a paciência para eliminar áreas de atrito desgastantes; necessitam da tolerância que releva faltas e omissões para manter uma convivência sadia, sem rusgas; carecem de muita compreensão para administrarem diferenças sem quebra da tranquilidade e da paz no lar; precisam ser humildes para reconhecerem suas próprias limitações e aceitarem as do seu parceiro, abafando a vaidade, recalcando o orgulho, extirpando a prepotência, sentimentos inferiores tão comuns aos seres humanos; é importante manterem acesa a chama da paixão recíproca que sustenta a atração física e dá equilíbrio ao relacionamento íntimo, dissipador natural das tensões provocadas pela vida moderna.
A condição humana nos faz dependentes de bens materiais e a pouca evolução espiritual nos leva à busca incessante do deleite em sensações físicas.
A vida a dois envolve nuanças às vezes esquecidas. À esposa não basta ser apenas “a esposa”, é preciso ser mulher, viver o lado feminino; ao esposo não é lícito ser somente “o esposo”, é essencial ser marido atuante que participa, interage, ampara, sabe manter viva a chama da paixão que aquece o coração e estar presente tanto nas horas de alegria como nos momentos de tristeza.
Por fim, queremos falar aos jovens que, lembrando o Evangelho de Jesus, em Mateus, 26:41: não olvidem o ensinamento “VIGIAI E ORAI”.
A oração é o elo luminoso entre criatura e Criador, além do que nos condiciona a vigiar para que aquela paixão, a humildade, a compreensão, a tolerância, a paciência e a renúncia não sejam exauridas e permaneçam vivas como sustentáculo do remanescente amor que nunca deverá ser esvaecido.

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A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DEUS E AS  DIVISÕES DAS CORRENTES CRISTÃS
(José Reis Chaves)
Os espíritas não aceitam os dogmas criados pelos teólogos, mas respeita-os e procuram seguir rigorosamente os preceitos evangélicos. Já os protestantes e evangélicos, ao contrário, estão mais ligados aos dogmas do que ao evangelho, além de, às vezes, se prenderem muito ao Judaísmo do Velho Testamento. Que fique bem claro aqui que não tenho nada contra os judeus, que muito admiro pela sua fervorosa fé monoteísta, e que muito têm também da essência do cristianismo não dogmático, do que é um exemplo os Dez Mandamentos. Além disso, a religião do próprio Jesus era o Judaísmo.
O pensamento religioso é o que mais evolui. Constantemente, ele está em transformação, principalmente o pensamento a respeito de Deus. E cada um de nós tem Deus do tamanho de nós mesmos, ou seja, de nosso nível diferenciado de inteligência e de nossa evolução científico-cultural-filosófico-teológica. Daí as polêmicas teológicas sem fim, que sempre existiram e existirão, e que são a causa de as pessoas mudarem tanto de religiões.
E é por isso que as ideias dos teólogos antigos a respeito de Deus, com todo o respeito a elas e a eles, precisam de uma revisão urgente, pois, às vezes, elas estão tão fora de tempo, que chegam mesmo a favorecer o crescimento daqueles que deixam de crer em Deus ou ficam sem religião.
Essas diferenças milenares de pontos de vista das pessoas, principalmente as dos teólogos, sobre Deus, sobre Jesus e sobre o Espírito Santo, estão também presentes na própria Bíblia e, às vezes, num mesmo autor em épocas eferentes de sua vida. Ademais, como os autores bíblicos receberam influências ou inspirações de Espíritos humanos, deuses (Espíritos desencarnados), ora bons (Espíritos santos), ora maus ou atrasados, a Bíblia tem questões sobre Deus, o bem e o mal, envolvendo ora verdades, ora erros. E essas diferenças acontecem sempre entre os religiosos de todas as religiões, haja vista as divergências entre os cristãos e as da minoria dos islâmicos do Estado Islâmico com a maioria do verdadeiro Islamismo.
E essas divergências são derivadas, em grande parte, das influências ou inspirações de Espíritos de diversos níveis de evolução sobre os teólogos e dirigentes de religiões. “A nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra as potestades.” (Efésios 6: 12). Sim, nós recebemos influência de Espíritos bons e maus, pois Deus respeita o livre-arbítrio de todos os Espíritos encarnados e desencarnados que sempre estão atuando no Universo.
Aqui queremos abrir um parêntesis para abordar um assunto confuso. (Romanos 8: 11): O mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus, e que habita em vós, ressuscitará a vós também. Esse espírito é o de Deus ou o nosso? Tentemos esclarecer essa passagem. “Pneuma” em grego significa espírito, sopro e vento. Veja-se a metáfora “Deus soprou nas narinas de Adão”. (Gênesis 2: 7). Então, “pneuma” significa sopro ou Espírito de Deus, propriedade de Deus, mas que é também um espírito emanado de Deus para cada ser humano.
A Bíblia não é a palavra de Deus. Ela contém a palavra de Deus transmitida para nós através de Espíritos mensageiros ou anjos (“aggelos”), ou seja, Espíritos enviados por Deus ao nosso mundo, confundidos, muitas vezes, com o próprio Deus. E muitas divergências teológicas cristãs existem, exatamente por causa das diferenças de evolução cultural dos teólogos!
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JESUS NÃO É DEUS
(André Luiz Alves Jr)
Pisar neste terreno é o mesmo que andar em um campo minado, pois o assunto contradiz a crença de muitas pessoas, no entanto, nossa intenção é apenas elucidar o tema sob a ótica da Doutrina Espírita sem promover discussões acaloradas.
Certas religiões não reconhecem o Espiritismo como doutrina cristã e utilizam como principal argumento o fato de que os espíritas não admitem a ideia de que Jesus é o próprio Deus. Em parte, eles estão certos. De fato a Doutrina Espírita não interpreta a figura de Jesus como Deus, mas, daí a dizer que o Espiritismo não é cristão, é uma outra história.
À primeira vista, a afirmação de que o Messias não é o Criador pode nos causar uma certa perplexidade, mas para compreender o tema proposto devemos nos libertar da fé cega que nos torna uma máquina de crer, nos tira a ação de questionar e de submeter as ideias ao crivo da razão.
A divindade de Jesus
O Cristianismo tornou-se religião oficial do Império Romano no ano de 380 d.C., por ordem do imperador Teodósio I. Até então o paganismo predominava naquela civilização e qualquer outra forma de manifestação religiosa era considerada uma subversão. Todavia, a doutrina pagã fora oficialmente extinta somente no ano de 392 d.C. Neste período de conversão do Império Romano, o Cristianismo sofreu influências pagãs e incorporou alguns costumes da antiga religião em suas tradições.
O hábito de cultuar imagens, por exemplo, foi herdado do paganismo. Desta maneira, acredita-se que o endeusamento da personalidade de Jesus tenha partido do mesmo princípio, o que acabou tornando-se um dogma, que posteriormente foi fomentado pela institucionalização da Igreja, que acabou criando, através de seu proselitismo, a imagem de um Messias intocável.
Jesus por Ele mesmo
Sabemos que o Mestre de Nazaré não deixou nenhum registro de suas ideias. Os relatos existentes são narrados pelos apóstolos ou até mesmo pelos discípulos dos apóstolos, que sequer tiveram contato com Jesus, o que não confere grande credibilidade aos registros contidos no Novo Testamento. Mas por serem os únicos relatos existentes, mencionaremos determinadas citações bíblicas atribuídas ao Cristo, que demonstram não ser Ele o Criador.
Vejamos:
“Quem quer que me receba, recebe aquele que me enviou, porquanto aquele que for o menor entre todos vós será o maior de todos”. (Lucas, 9:48)
“Jesus lhes disse então: Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, porque foi de Deus que saí e foi de sua parte que vim; pois não vim de mim mesmo, foi Ele que me enviou.” (João, 8:42)
“Jesus então lhes disse: Ainda estou convosco por um pouco de tempo e vou em seguida para aquele que me enviou.” (João, 7:33)
“Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou.” (João, 6:38)
Quem teria enviado Jesus, senão o Criador? As palavras que destacamos em negrito, nos levam a crer que Jesus se refere a outra personalidade, que nada tem a ver com o Nazareno.
Em outras tantas passagens evangélicas, Jesus se dirige a Deus como um filho se reporta a um pai:
“Aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mateus, 10:32)
“Eu me vou e volto a vós. Se me amásseis, rejubilaríeis, pois que vou para meu Pai, porque meu Pai É MAIOR DO QUE EU.” (João, 14:28.)
Certamente Jesus não se referiu a José quando pronunciou "o meu pai", mas sim a Deus, que lhe confiou a mais sublime missão. (Obras Póstumas - Allan Kardec.)
Percebemos nestas citações contidas no Novo Testamento, que são atribuídas ao próprio Cristo, que Ele é um enviado de Deus. Descarta-se, portanto, qualquer possibilidade de o Nazareno ser o Criador.
Por fim, destacaremos uma das mais conhecidas passagens atribuídas a Jesus, que é narrada pelos evangelistas nas escrituras. São as últimas palavras do Cristo enquanto espírito encarnado:
“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lucas, 23, 46)
Ora, aqui nos parece muito claro que Jesus se coloca diante de Deus no ponto alto de seu sofrimento. Allan Kardec destaca seu pensamento sobre o assunto:
“Se Jesus, ao morrer, entrega sua alma às mãos de Deus, é que ele tinha uma alma distinta de Deus, submissa a Deus. Logo, ele não era Deus”. (Obras Póstumas - Allan Kardec.)
Jesus, segundo o Espiritismo
Algumas religiões acusam o Espiritismo de diminuir a figura de Jesus, o que não é verdade. A Doutrina Espírita procura resgatar o cristianismo redivivo, que se perdeu com o passar dos tempos, e por isso rejeita o dogma da divindade de Jesus, tal qual o próprio Cristo o fez, como exemplificamos no tópico anterior.
A Doutrina dos Espíritos nos explica que Jesus é um Espírito criado por Deus, simples e ignorante, como todos nós, mas que já percorreu todo o caminho evolutivo e que por isso é um Espírito perfeito.
625) Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?
–Vede Jesus. (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
Jesus Cristo é um dos prepostos do Criador, que recebeu a missão de conduzir o nosso planeta. Antes mesmo de a Terra existir, Ele já havia alcançado a perfeição e, juntamente com uma plêiade de Espíritos afins, organizou o nosso sistema, os planetas e tudo o que aqui está.
Sua reencarnação na Terra teve o objetivo de complementar a lei anunciada por Moisés e, sobretudo, para nos mostrar que podemos evoluir moralmente e nos aproximar de Deus.
"Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
O Espiritismo não endeusa a figura do Mestre, ao contrário, nos apresenta Jesus de uma maneira real e tangível, desmistificando a ideia do Cristo intocável e distante. Ele é o modelo a ser seguido e, somente colocando em prática seus exemplos e ensinamentos, teremos condições de conquistar a perfeição.
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim."(João, 14)
Deus, segundo o Espiritismo
Não temos a pretensão de definir o que é Deus, até mesmo porque esse assunto foge ao nosso entendimento. Mas recorremos a "O Livro dos Espíritos", em que Allan Kardec, logo na primeira pergunta direcionada aos Espíritos superiores, vai direto ao ponto.
1. Que é Deus?
–“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”(O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
Temos aqui uma ideia superficial do que é Deus, pois a natureza humana, ainda muito limitada, não é capaz de compreender a complexidade do Criador. Mas entendemos que Deus é eterno, não teve princípio e não terá fim; é único e soberanamente justo e bom. É dEle que partem todas as coisas, inclusive o princípio inteligente chamado de espírito.
 81. Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem uns dos outros?
–“Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
"Deus não se mostra, mas se revela por suas obras." Para comprovar sua existência, basta olhar ao redor e contemplar a natureza, o universo, a harmonia de tudo que o homem não criou. Não precisamos nos esforçar muito para compreender que toda esta complexidade nasce de uma inteligência maior, ou nada faria sentido.
Considerações finais
Se todos os Espíritos são criados por Deus e Jesus é um Espírito puro, logo o Cristo não é Deus, mas podemos considerá-lo como seu emissário.
Jesus é parte da obra magnífica e infinita do Criador, trazendo consigo a esperança e a centelha do amor Divino, que nos consola em tempos difíceis e nos reveste de esperança. É a luz que clarifica o caminho para evolução.

–"Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita." (Espírito Emmanuel, no livro "Emmanuel" - Psicografia de Chico Xavier.)
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A DOUTRINA ESPÍRITA E OS ANJOS GUARDIÃES
(Amigos invisíveis)
(Adilton Pugliese)
O labor colaborativo entre homens e Espíritos, entre encarnados e desencarnados, é uma das mais belas e comovedoras expressões do amor e da misericórdia de Deus por seus filhos.
Estabelecendo a reencarnação, o estágio no corpo físico, como mecanismo da Lei de Progresso e de Evolução de cada Espírito e, fixando, ainda, dentro desse contexto e desse processo palingenésico, o esquecimento temporário de sua procedência e dos episódios vivenciados em experiências de vidas anteriores, não deixa a Divindade, contudo, órfãos os Seus filhos, sozinhos no mundo, enfrentando solitários os desafios da sobrevivência e os reflexos do uso bom ou mau do livre-arbítrio e da dinâmica da Lei de Causa e Efeito.
Bondoso e justo, o Criador estabeleceu a Lei de Solidariedade, fazendo com que os que estagiam no Mundo Espiritual ajudem e assessorem, como protetores, aqueles que jornadeiam temporariamente na Terra.
Personalidades que se destacaram na História sentiram essas presenças amigas invisíveis.
Joana d’Arc (1412-1431), cognominada a Donzela de Orléans, no cumprimento de sua missão, ouvia as vozes celestes de Santos da Igreja, que a orientavam, vozes que ela dizia ser dos Espíritos São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e de Santa Margarida de Antioquia, que a exortavam a manter contato com o delfim Carlos VII (1403-1461), e libertar a França, devastada pela invasão inglesa durante a Guerra dos Cem Anos, que perdurou, na Idade Média, entre os anos de 1337 e 1453, envolvendo diversos acontecimentos.
Segundo a médium brasileira Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), em sua obra autobiográfica Recordações da Mediunidade, as entidades espirituais que se comunicavam através de Joana D’Arc e às quais ela atribuía os nomes dos santos por ela venerados, cujas imagens existiam na igrejinha de Domremy, sua terra natal, poderiam também ser os seus próprios guias espirituais, ou os guardiães espirituais da coletividade francesa, a exemplo de Santa Genoveva, São Luís ou Carlos Magno, e que tomariam as aparências daquelas imagens a fim de infundirem respeito e confiança ao coração heroico daquela jovem.
Santo Agostinho (354-430), em instante decisivo do seu chamado, também ouviu no âmago do ser o convite à mudança de atitudes e ofereceu-se, vencido, a serviço do Bem.
 O Codificador do Espiritismo, ainda nos momentos primeiros de sua aproximação dos fenômenos provocados pelos Espíritos, sentiu-lhes a presença, reconhecendo que “uma revolução nas ideias e nas crenças” do mundo se operaria a partir daqueles fatos.
Após um período de observações, tem contato com um amigo espiritual de longa data, que se apresenta como Zéfiro, revelando-lhe amizade e respeito desde convivência na antiga região da Gália nos tempos dos druidas, quando ele, o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, chamava-se Allan Kardec, demonstrando-se afetuoso e conhecedor daquela individualidade que renascera no século XIX na personalidade do famoso pedagogo francês, para destacada missão na Terra. Séculos depois, portanto, voltam a se reencontrar, na mesma França amada, embora em planos diferentes, consolidando uma amizade que os séculos confirmariam cada vez mais.
A missão de Zéfiro era secundar o futuro Codificador na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo.
Mais tarde, conhecendo os primeiros detalhes do labor que o aguardava, na condição de arauto da Terceira Revelação, que é o Espiritismo, Allan Kardec recebe a visita em momento especial do seu guia espiritual, que o envolve em dúlcidas e carinhosas vibrações, dizendo-lhe: “– Para ti, chamar-me-ei A Verdade”.
Foi nesse braço amigo que o devotado Mestre de Lyon deixou-se amparar, mantendo ímpar fidelidade, atitude essa que, certamente, levou-o a concluir com êxito a sua missão.
Nunca estamos a sós. Pode-se dizer que o solilóquio absoluto inexiste.
Todos têm um apostolado no mundo e amigos diligentes nos apoiam, ajudando-nos a concretizar nossos compromissos.
Nos momentos de incertezas e de crises; e nos instantes de realizações positivas, recolhamo-nos em prece e agradeçamos aos anjos guardiães que velam por nós.
Nos dias modernos, muitas pessoas recusam a possibilidade de suas existências, sobretudo os que têm uma visão materialista da vida.
Outros os imaginam como seres angélicos, criados absolutamente puros desde o início dos tempos e posicionados distantes dos seres humanos.
Muitos os cultivam e adoram consoante o imaginário das lendas, dedicando-lhes imagens e rituais conforme as crendices adotadas. Referimo-nos aos chamados Anjos Guardiães.
Desde todos os tempos eles estão presentes na vida da criatura humana. Os povos da Antiguidade percebiam as suas manifestações em a Natureza.
 O horizonte primitivo da Humanidade registra as suas presenças nas expressões da vida mineral, da vida vegetal e nos movimentos e grandiosidade dos astros que se movimentam no espaço sideral, percebendo-os, também, na Mitologia, como “deuses do Olimpo”.
Muitas coletividades e indivíduos, dentro de uma visão politeísta, têm a sua galeria e o seu altar de deuses protetores.
Na Grécia, por exemplo, Sócrates (470-399 a.C.) identifica o anjo guardião na figura do Daimon, a ele referindo-se inúmeras vezes nos seus formosos discursos e diálogos, acompanhados e registrados por seu discípulo Platão (428-348 a.C.) e outros seguidores de sua filosofia.
Enquanto a Humanidade avançava, vencendo os séculos, eles participavam, como num concerto a quatro mãos, da epopeia terrestre, ajudando a escrever as páginas da história das nações.
Homens e mulheres que deram o seu contributo à Ciência, à Filosofia e ao progresso humano, fizeram-no de forma compartilhada com os seus anjos guardiães, consoante as possibilidades evolutivas de cada qual.
Como citamos acima, Allan Kardec, no século XIX, ao dar início aos seus contatos preliminares com os Espíritos, o faz através do seu Espírito Protetor, que se revela em memorável momento do seu apostolado e “cuja superioridade ele estava longe de imaginar” e que delineia para o futuro Codificador o perfil de liderança que lhe seria necessário apresentar para cumprimento da missão. “– Todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui à tua disposição”, diz-lhe a Venerável Entidade.
O suporte espiritual ao Codificador, por parte dos Espíritos guardiães, em contatos sempre fraternos e de especial proteção, certamente foi que o levaram a escrever e a inserir em O Livro dos Espíritos, as belíssimas páginas dedicadas aos Espíritos Protetores ou Anjos da Guarda, apresentando o mecanismo de sua ação junto aos protegidos, exemplificando os casos de vínculos por simpatia ou decorrentes de laços consanguíneos familiares pretéritos.
Em momento de emoção, Allan Kardec recebe dos Espíritos Amigos as orientações acerca da “doutrina dos anjos guardiães a velarem por seus protegidos”, deles recebendo apreço e consideração, declarando ser ela “grandiosa e sublime”.
Divulguemos essas belas páginas espíritas acerca dos Espíritos Protetores. Será uma forma de homenagearmos esses amigos que lutaram, sofreram e venceram as asperezas da Terra, permanecendo ao lado dos seus pupilos, a fim de que eles também possam obter a vitória e a conquista da paz.

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ABORTO É SINÔNIMO DE ASSASSINATO DE UM FILHO PELA PRÓPRIA MÃE
(José Reis Chaves)
O aborto é um assunto polêmico, quando não deveria ser, pois é indiscutivelmente um verdadeiro assassinato.
Toda vida que é eliminada por uma ação violenta, seja ela de um vegetal, de um animal ou de um ser humano, dizemos que o ser vivo foi morto por alguém, por um animal ou por um acidente. E quando se trata da de uma pessoa, dizemos que ela foi assassinada. Por isso, me atrevo a dizer que, se alguém mata um embrião, um feto humano, ele comete um assassinato! 
Toda vida, pelas leis naturais, começa no instante da concepção. Assim, biologicamente, nós começamos a existir no preciso momento de nossa concepção ou fecundação. Assim como a criança tem uma fase bem caracterizada de sua existência, ocorrendo o mesmo com o adulto e com o da terceira idade, todos tiveram também as suas fases de embriões e de fetos, que são tão importantes que, sem essas fases, nós não existiríamos. É como no caso de uma jornada. O primeiro passo dela já é uma jornada. Também um grão de milho debaixo da terra quando brota, buscando a luz solar, ele não é mais um grão de milho, mas um pé de milho. Assim, igualmente, quando um espermatozoide se une a um óvulo, formando o embrião, esse embrião já é uma pessoa, tal qual o primeiro passo de uma jornada já é uma jornada, e o grão de milho brotado já é um pé de milho.
A diferença entre uma criança já nascida e a ainda embrião ou feto é que esta está numa fase ainda muito nova, enquanto que aquela já é uma criança numa segunda fase mais adiantada. Assim, pois, os dois seres, o uterino e o extrauterino, são crianças em fases ou momentos diferentes de suas vidas. Uma criança de apenas um ano está num momento diferente daquela que já está com dois anos. Assim também, pela lógica e o bom senso, tanto aquele que elimina a vida de uma criança extrauterina, ou já nascida, e aquele que elimina a vida de uma ainda na sua fase uterina cometem um assassinato.
Um líder religioso evangélico, fazendo uma interpretação forçada dum texto isolado do evangelho, quer dar a entender que Jesus aceita o aborto em alguns casos, quando se referiu Ele a Judas Iscariotes: “Melhor lhe fora não haver nascido” (Mateus 26:24). Uma foto minha aparece destacada em primeiro lugar na janela de “curtir” do site desse líder religioso, que respeito, mas do qual discordo sobre a sua interpretação do citado texto evangélico (http://bispomacedo.com.br/2010/09/03/jesus-fala-sobre-o-aborto).
Muitas mulheres de Espíritos mais evoluídos nem querem ouvir falar dessa palavra aborto. É que elas, como nós dissemos, consideram-na também como sendo sinônima de assassinato.
E essa questão de assassinato de fetos é muito séria para a mãe que faz aborto. Ela terá graves problemas psicológicos, traumáticos e de sentimentos de culpa pelo resto de sua vida, daí que ela até precisa de uma assistência psiquiátrica e psicológica.
Realmente dói muito a consciência de quem viola uma das leis naturais ou divinas, como o é a do aborto!

E não é para menos, pois é como se a mãe que faz aborto fosse uma juíza que proferisse uma sentença de morte para um ser humano totalmente inocente, indefeso, e que, além disso, é seu próprio filho, e que ela, até por instinto, deveria proteger!
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A DOUTRINA ESPÍRITA E OS ANJOS GUARDIÃES
(Adilton Pugliese)

O labor colaborativo entre homens e Espíritos, entre encarnados e desencarnados, é uma das mais belas e comovedoras expressões do amor e da misericórdia de Deus por seus filhos.
Estabelecendo a reencarnação, o estágio no corpo físico, como mecanismo da Lei de Progresso e de Evolução de cada Espírito e, fixando, ainda, dentro desse contexto e desse processo palingenésico, o esquecimento temporário de sua procedência e dos episódios vivenciados em experiências de vidas anteriores, não deixa a Divindade, contudo, órfãos os Seus filhos, sozinhos no mundo, enfrentando solitários os desafios da sobrevivência e os reflexos do uso bom ou mau do livre-arbítrio e da dinâmica da Lei de Causa e Efeito.
 Bondoso e justo, o Criador estabeleceu a Lei de Solidariedade, fazendo com que os que estagiam no Mundo Espiritual ajudem e assessorem, como protetores, aqueles que jornadeiam temporariamente na Terra.
 Personalidades que se destacaram na História sentiram essas presenças amigas invisíveis.
 Joana d’Arc (1412-1431), cognominada a Donzela de Orléans, no cumprimento de sua missão, ouvia as vozes celestes de Santos da Igreja, que a orientavam, vozes que ela dizia ser dos Espíritos São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e de Santa Margarida de Antioquia, que a exortavam a manter contato com o delfim Carlos VII (1403-1461), e libertar a França, devastada pela invasão inglesa durante a Guerra dos Cem Anos, que perdurou, na Idade Média, entre os anos de 1337 e 1453, envolvendo diversos acontecimentos.
Segundo a médium brasileira Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), em sua obra autobiográfica Recordações da Mediunidade, as entidades espirituais que se comunicavam através de Joana D’Arc e às quais ela atribuía os nomes dos santos por ela venerados, cujas imagens existiam na igrejinha de Domremy, sua terra natal, poderiam também ser os seus próprios guias espirituais, ou os guardiães espirituais da coletividade francesa, a exemplo de Santa Genoveva, São Luís ou Carlos Magno, e que tomariam as aparências daquelas imagens a fim de infundirem respeito e confiança ao coração heroico daquela jovem.
Santo Agostinho (354-430), em instante decisivo do seu chamado, também ouviu no âmago do ser o convite à mudança de atitudes e ofereceu-se, vencido, a serviço do Bem.
 O Codificador do Espiritismo, ainda nos momentos primeiros de sua aproximação dos fenômenos provocados pelos Espíritos, sentiu-lhes a presença, reconhecendo que “uma revolução nas ideias e nas crenças” do mundo se operaria a partir daqueles fatos.
Após um período de observações, tem contato com um amigo espiritual de longa data, que se apresenta como Zéfiro, revelando-lhe amizade e respeito desde convivência na antiga região da Gália nos tempos dos druidas, quando ele, o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, chamava-se Allan Kardec, demonstrando-se afetuoso e conhecedor daquela individualidade que renascera no século XIX na personalidade dofamoso pedagogo francês, para destacada missão na Terra. Séculos depois, portanto, voltam a se reencontrar, na mesma França amada, embora em planos diferentes, consolidando uma amizade que os séculos confirmariam cada vez mais.
A missão de Zéfiro era secundar o futuro Codificador na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo.
Mais tarde, conhecendo os primeiros detalhes do labor que o aguardava, na condição de arauto da Terceira Revelação, que é o Espiritismo, Allan Kardec recebe a visita em momento especial do seu guia espiritual, que o envolve em dúlcidas e carinhosas vibrações, dizendo-lhe: “– Para ti, chamar-me-ei A Verdade”.
Foi nesse braço amigo que o devotado Mestre de Lyon deixou-se amparar, mantendo ímpar fidelidade, atitude essa que, certamente, levou-o a concluir com êxito a sua missão.
Nunca estamos a sós. Pode-se dizer que o solilóquio absoluto inexiste.
Todos têm um apostolado no mundo e amigos diligentes nos apoiam, ajudando-nos a concretizar nossos compromissos.
Nos momentos de incertezas e de crises; e nos instantes de realizações positivas, recolhamo-nos em prece e agradeçamos aos anjos guardiães que velam por nós.
Nos dias modernos, muitas pessoas recusam a possibilidade de suas existências, sobretudo os que têm uma visão materialista da vida.
Outros os imaginam como seres angélicos, criados absolutamente puros desde o início dos tempos e posicionados distantes dos seres humanos.
Muitos os cultivam e adoram consoante o imaginário das lendas, dedicando-lhes imagens e rituais conforme as crendices adotadas. Referimo-nos aos chamados Anjos Guardiães.
Desde todos os tempos eles estão presentes na vida da criatura humana. Os povos da Antiguidade percebiam as suas manifestações em a Natureza.
 O horizonte primitivo da Humanidade registra as suas presenças nas expressões da vida mineral, da vida vegetal e nos movimentos e grandiosidade dos astros que se movimentam no espaço sideral, percebendo-os, também, na Mitologia, como “deuses do Olimpo”.
Muitas coletividades e indivíduos, dentro de uma visão politeísta, têm a sua galeria e o seu altar de deuses protetores.
Na Grécia, por exemplo, Sócrates (470-399 a.C.) identifica o anjo guardião na figura do Daimon, a ele referindo-se inúmeras vezes nos seus formosos discursos e diálogos, acompanhados e registrados por seu discípulo Platão (428-348 a.C.) e outros seguidores de sua filosofia.
Enquanto a Humanidade avançava, vencendo os séculos, eles participavam, como num concerto a quatro mãos, da epopeia terrestre, ajudando a escrever as páginas da história das nações.
Homens e mulheres que deram o seu contributo à Ciência, à Filosofia e ao progresso humano, fizeram-no de forma compartilhada com os seus anjos guardiães, consoante as possibilidades evolutivas de cada qual.
Como citamos acima, Allan Kardec, no século XIX, ao dar início aos seus contatos preliminares com os Espíritos, o faz através do seu Espírito Protetor, que se revela em memorável momento do seu apostolado e “cuja superioridade ele estava longe de imaginar” e que delineia para o futuro Codificador o perfil de liderança que lhe seria necessário apresentar para cumprimento da missão. “– Todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui à tua disposição”, diz-lhe a Venerável Entidade.
O suporte espiritual ao Codificador, por parte dos Espíritos guardiães, em contatos sempre fraternos e de especial proteção, certamente foi que o levaram a escrever e a inserir em O Livro dos Espíritos, as belíssimas páginas dedicadas aos Espíritos Protetores ou Anjos da Guarda, apresentando o mecanismo de sua ação junto aos protegidos, exemplificando os casos de vínculos por simpatia ou decorrentes de laços consanguíneos familiares pretéritos.
Em momento de emoção, Allan Kardec recebe dos Espíritos Amigos as orientações acerca da “doutrina dos anjos guardiães a velarem por seus protegidos”, deles recebendo apreço e consideração, declarando ser ela “grandiosa e sublime”.
Divulguemos essas belas páginas espíritas acerca dos Espíritos Protetores. Será uma forma de homenagearmos esses amigos que lutaram, sofreram e venceram as asperezas da Terra, permanecendo ao lado dos seus pupilos, a fim de que eles também possam obter a vitória e a conquista da paz.

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JESUS DE NAZARÉ, UM PERSONAGEM ESPECIAL
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)
Aconteceu há dois mil anos. Nasceu uma criança diferente que surpreendeu a todos.
Quando aos 13 anos, conversava com os sábios da igreja de então coisas que somente os doutores da lei discutiam, com sabedoria e profundidade.
Aos 30 anos começou uma caminhada que operou a mudança de nossa história, dividindo-a em antes e depois de Cristo. A única referência de Jesus era ele próprio, um personagem especial, nunca visto antes. Filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, que estudou numa espécie de convento da época. Ele nunca escreveu um livro, mas escreveu algumas palavras no chão, diante da mulher acusada de adultério; não comandou um exército, mas foi temido pelo rei Herodes.
Não se preocupou em ocupar um cargo político, mas conquistou muitos seguidores. Jamais teve uma propriedade, os peixes e pães foram doados, o jumento cedido para entrar triunfante na cidade, o barco onde levou suas riquezas – seus ensinamentos – era dos amigos pescadores e, por fim, o seu túmulo foi emprestado por José de Arimateia. O que era dele e fez questão de carregar foi sua cruz, como marco de uma nova maneira de viver, com perdão incondicional e amor até mesmo aos inimigos.
Jesus costumava viajar afastando-se somente alguns quilômetros do seu vilarejo, atraindo multidões impressionadas com suas palavras esclarecedoras, provocativas e misteriosas, usadas nas parábolas. E com seus feitos de curas e recuperação de doentes e doenças, sem nunca usar medicamentos. Sabe-se de uma vez em que teria usado cuspe para molhar a poeira do chão e curar um cego.
Apesar de não sair de seu Estado, a projeção de Jesus de Nazaré extrapolou fronteiras e fez divisão no mundo, entre muitas crenças, pelas suas palavras firmes, pelas críticas mordazes a autoridades dogmáticas, e pela poesia de seu sermão da montanha, cujas mensagens só seriam decifradas posteriormente: "Bem-aventurados os puros de coração porque eles verão a Deus, bem-aventurados os mansos e pacíficos porque herdarão a Terra" – só a reencarnação poderia explicar tais afirmativas positivas do Mestre.

Muitos dos sábios e profetas passaram. Jesus foi o foco de milhares de teses, estudos e livros, muitos numa controvérsia sem-fim. Para mim, entre esses livros, o que melhor definiu as lições do homem que nasceu em Belém é O Evangelho segundo o Espiritismo, conceituando sua moral e explicando os princípios da vida espiritual, a reencarnação, a pluralidade de mundos habitados, a comunicação com os Espíritos, as desigualdades sociais, a justiça e o amor-caridade como salvação das criaturas.
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AMAR-NOS E INSTRUIR-NOS
(Wagner Ideali)
“Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento; e instruí-vos, eis o segundo!”
(Espírito da Verdade.)
Uma pesquisa científica americana mostrou que pessoas que gastam seu dinheiro com experiências gratificantes como vivências de viagens, leituras de livros, visita a museus, ou seja, coisas abstratas acabam sendo, na sua maioria, mais felizes do que as que gastam o dinheiro com objetos e coisas materiais.
Fiquei aqui pensando, como as palavras de Jesus continuam sendo tão atuais.
Mesmo no episódio acima podemos lembrar quando Ele diz “não acumuleis tesouros na Terra, mas no céu”, ou seja, dentro de si, com atuações e objetivos na sua própria evolução. Situações abstratas acabam nos atingindo muitas vezes mais do que as materiais.
O Amor é o ponto alto dos seus ensinamentos, todos nós sabemos disso, mas não o amor na sua expressão vulgar, mas sim na forma profunda de ver e viver a vida.
Todos os nossos atos sendo vividos em amor pleno, no exercício do perdão, da paciência, do ouvir e falar, do trabalho constante são expressões do amor.
Esse Amor vai pouco a pouco provocando mudanças em nós, o que chamamos de evolução. A mudança do planeta – da sociedade, evolução tecnológica e tudo mais – sem o sentido do amor torna-se fria e sem valor. Por isso podemos afirmar que Jesus é e continua sendo o Farol do Mundo.
Num momento da História do nosso planeta aparece o Espiritismo, propondo algo mais na mensagem de Jesus. No capítulo VI, item 5, d’O Evangelho segundo o Espiritismo, o Espírito da Verdade nos ensina que devemos amar e nos instruir. Portanto, não foi Kardec, mas sim o Espírito da Verdade que nos pediu amor e conhecimento.
Não poderíamos esperar menos dessa plêiade de Espíritos que compõe o Espírito da Verdade, pois estamos falando de Sócrates, Platão, Santo Agostinho, Fénelon entre outros grandes vultos de nossa História, que tinham sabedoria, ou seja, vivendo o amor e procurando se instruir sempre.
Disse Jesus: “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará”.
O processo de instrução começa no dia a dia, passando pelas experiências educacionais, livros, palestras, cursos, ou seja, tudo que está à nossa volta, e vamos filtrando e assimilando o que é bom e nos faz melhor.
A vida é muito curta para perder tempo com as futilidades, precisamos nos educar e usar nosso tempo com as coisas que venham somar na nossa evolução, tais como amar, trabalhar e aprender.
Alguém uma vez disse que a evolução é feita por duas asas, a primeira e mais importante, sem a menor dúvida, é a asa da moralidade, baseando-se no Amor maior, e essa é a mais difícil de conquistar, pois é o motivo maior de nossas existências vencer os sentimentos negativos, sair do círculo vicioso e ir para um círculo virtuoso em nossas vidas. A segunda é o conhecimento de si e do meio em que vivemos. Esse exige de nós vontade, persistência, muito suor para aprender. O importante é que o conhecimento sem o Amor se torna algo frio e NÃO é isso que o Espírito da Verdade está nos ensinando no texto do Evangelho.
Toda a doutrina espírita foi concebida com o uso da mediunidade. Isso é fato, não há como duvidar, assim, podemos ver que o estudo dessa faculdade humana, para ser bem praticada, precisa ser buscado, conhecido, para não cairmos no problema do misticismo, charlatanismo, entre outras coisas, como também entendermos as mensagens com toda a sua profundidade.
Conta-nos Yvonne A. Pereira, no livro Devassando o Invisível: O Espírito Dr. Bezerra de Menezes, em 1915, na cidade de São João Del Rei, em Minas Gerais, através do médium Silvestre Lobato, anunciou o advento do Rádio e da televisão, asseverando que esse último invento (ou descoberta) facultaria ao homem, mais tarde, captar panoramas e detalhes da própria vida no mundo invisível, antecipando, assim, que a Ciência, mais do que a própria religião, levaria os Espíritos muito positivos a admitir o mundo dos Espíritos, encaminhando-os para Deus.
O pobre médium foi na época acoimado de invigilante, convidado a orar e se tratar, e o Espírito comunicante “doutrinado” como mistificador. No entanto, parte do que foi dito já estamos presenciando no dia a dia. Não será difícil que a segunda parte venha a ocorrer assim que o homem se tornar merecedor dessa graça de entrever o além-túmulo por intermédio do aparelho de TV, como afirma Yvonne Pereira em seu doce livro “Devassando o Invisível”, na página 162, da 15ª edição.
Importante que todos nós entendamos que a proposta do Espírito da Verdade não é a instrução na sua forma tradicional, competitiva, comercial, e de orgulhoso saber, mas sim uma sede de conhecimento alicerçado no trabalho, renovação íntima tão necessária hoje e agora.
Amar e estudar sempre, evoluir com as duas asas que Deus nos oferece.
Vamos meditar a profundidade das palavras do Espírito da Verdade para entender melhor o que Jesus nos propõe quando diz “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”.
Um antigo dizia que queria ser Deus para mudar o mundo, ele queria ser Deus para acabar com o sofrimento, com a dor e tudo mais que nos parece errado e muitas vezes ilógico e quem sabe injusto. Mas então ele sentou, meditou e pensou, para então concluir: mas se eu tiver o Seu Amor, deixaria tudo do jeito que está. A Lei de Causa e Efeito, fazendo cumprir as Leis maiores da vida.

Vamos, como nos alerta Jesus, “Buscar primeiro o Reino de Deus nos nossos corações, pois o restante nos será dado por acréscimo”.
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PELOS TEÓLOGOS JESUS É DEUS E HOMEM, PELA BÍBLIA ELE É SÓ HOMEM
(José Reis Chaves)

O Concílio Ecumênico de Niceia (325) decretou que Jesus, além de ser um homem, é também outro Deus, o que gerou a maior polêmica, de todos os tempos, do cristianismo.
Os teólogos trinitários dizem que as pessoas é que são três, mas que Deus é um só. Mas eles se contradizem afirmando contundente e dogmaticamente que Jesus é Deus igual ao Deus Pai Todo-poderoso, o único e verdadeiro Deus. Ademais, ensinam que o Espírito Santo é também outro Deus. E ensinam que esse assunto é contraditório, porque é mistério de Deus. Na verdade é mistério deles, pois foram eles que criaram essa e outras doutrinas contraditórias transformadas em dogmas por eles. E, na época da Inquisição, quem negasse um dogma morria na fogueira. Por isso, eles estão aí até hoje como sendo a base do cristianismo, mas são também a causa principal da própria crise do cristianismo! O Espiritismo é a exceção, pois se fundamenta naquele cristianismo anterior aos dogmas. Daí ser chamado também de “cristianismo redivivo”.
Abordaremos, nesta matéria, Jesus e o Deus único e verdadeiro, com base em textos bíblicos: 
“... Meu ensino não é meu, e, sim, daquele que me enviou” (São João 7: 16). O que envia é superior ao enviado. E foi Deus, o Pai, que enviou Jesus, Filho de Deus e nosso irmão maior. E porque Ele é um homem, é chamado também de Filho do Homem.
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17: 3). O que enviou Jesus, o Filho de Deus, é que é o único Deus verdadeiro, o Pai.
Jesus, ao ressuscitar ou aparecer (ressuscitar é sinônimo de aparecer), aparece a Maria Madalena, dizendo-lhe: “... Mas vai para meus irmãos, e informe-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus” (João 20: 17). Esse texto nos mostra, com uma clareza meridiana, que Jesus é mesmo nosso irmão. Se Ele fosse Deus, Ele seria nosso Pai e não nosso irmão!  Deus é que é nosso Pai e Pai Dele, também. E Jesus é unigênito do Pai no sentido de que Ele é o único Filho de Deus que já atingiu a sintonia plena com Deus, a ponto de Ele ter podido dizer que Ele e o Pai são um. E nós, um dia, com a nossa evolução espiritual, seremos também um com Ele e com o Deus Pai. “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17: 21). “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que eles sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim.” (João 17: 22 e 23). Esses últimos textos dispensam comentários. Só destacamos esta parte: “a fim de que eles sejam aperfeiçoados na unidade”, o que nos demonstra que nós temos mesmo que evoluir muito para chegar à unidade entre todos os filhos de Deus com Jesus e o próprio Deus Pai, o que já aconteceu com Jesus, o nosso Irmão Maior e modelo, e o Pai, e deverá acontecer, no futuro, com todos nós e com Eles dois, tornando-nos todos um só em sintonia.

E, em parte, inspirando-nos no prof. Sabino, dizemos que, se aceitarmos que Deus seja pessoa, nós temos que admitir que Ele tenha cometido também pecados, dos quais, primeiramente, como nós, Ele teria que se livrar igualmente, para que possamos todos nós ser um com Ele!
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A FÉ É UMA EXPRESSÃO DE CORAGEM
(Rogério Coelho)

O Evangelho é uma escola onde aprendemos as doçuras do Amor
“Cada criatura vale o que logra, não o que lhe falta.” - Dr. Carneiro de Campos[1]
Não raro, ouvimos queixas de pessoas que permaneceram por um tempo nas hostes espiritistas e desistiram de continuar sendo espíritas por terem testemunhado certos deslizes de seus confrades...  Ora, na verdade, quem age assim, quer mesmo é um “bode expiatório” para “maquiar” a má vontade em seguir os postulados espiritistas que estimulam o equilíbrio, atitude essa conflitante para quem ainda se compraz com algumas viciações, para ele indispensáveis. 
Para nossa orientação com relação a esse tipo de ocorrência, instruamo-nos com a sabedoria de Yvonne do Amaral Pereira[2], que um dia escreveu para o periódico da Federação Espírita Brasileira, “Reformador”, um artigo intitulado “A Grande Doutrina dos Fortes”, no qual ela afirma: < (...) temos procurado reconfortar, quanto possível, esses delicados irmãos chamando-lhes a atenção para determinados pontos da Doutrina Espírita, capazes de explicar essa particularidade em torno dos maus adeptos. E isso para que os queixosos não se dobrem ao desânimo, fazendo periclitar a própria fé, o que é sempre possível aos adeptos que se atenham a uma fé sorvida no que ouviram outros adeptos dizerem, em vez de se dedicarem aos livros da legítima Doutrina Espírita e às observações daí consequentes, indispensáveis sempre à boa instrução de cada um. O estudo eficiente do Espiritismo esclarece de tal forma os assuntos gerais da vida, como a situação dos espíritas, que, a ele nos dedicando devidamente, não mais surpresas nem vacilações nos chocarão em qualquer setor. Seremos, então, espíritas preparados para os entrechoques das múltiplas facetas da existência... E saberemos que o Espiritismo e o próprio Evangelho exigem que, para servi-los, sejamos realmente fortes, capazes de enfrentar quaisquer situações difíceis, seja no ardor das próprias provações, nas lutas do trabalho em geral, ou diante das fraquezas e imperfeições dos irmãos em crença.
Meditando sobre o Evangelho, vamos observar que, para podermos praticá-lo, deveremos, acima de tudo, ser vigorosos de ânimo, corajosos a toda prova. Os primeiros discípulos do Nazareno e os primeiros cristãos foram Espíritos fortes por excelência, idealistas audazes, práticos e não místicos, caracteres de ação, porque a tarefa a realizar seria volumosa demais para os ombros de um contemplativo.
Um caráter tíbio, por exemplo, como romperia ele com as tradições milenárias do Judaísmo ou do Paganismo, para renovar totalmente as próprias convicções? Como enfrentaria, o tímido, a necessidade de se curvar à palavra revolucionária de Jesus, palavra que arrojaria por terra antigos preceitos de domínio e até de crueldade, para aceitar a união das criaturas através do Amor, quando a força era que ditava as leis? E como suportaria o indeciso a ordem divina de compreender num mendigo, num leproso, numa pecadora, num publicano ou num samaritano o irmão a quem deveria amar e proteger, quando o ódio de casta ou de raça e o desprezo pelos pequeninos eram recomendações seculares?  Como se haveria o impressionável, sob o imperativo de morrer pelo amor do Cristo à frente da espada dos herodianos ou nas arenas dos Circos de Roma, dando-se como repasto às feras? Sem a coragem da própria fé – porque a fé é uma expressão de coragem –, como poderiam apor as mãos sobre um endemoninhado, um paralítico ou um leproso e curá-los em nome do Senhor?    E ainda sem a fortaleza do ânimo, como acreditariam eles na vitória daquela estranha Doutrina saída de uma obscura província dominada pela águia romana, Doutrina que eles próprios deveriam espalhar pelo mundo, onde só a força, o egoísmo e o orgulho lavraram as leis?... Jesus, expondo a Sua Grande Doutrina, lança sentenças impressionantes, que seriam ordenações irretorquíveis: “seja o vosso falar, sim, sim; não, não”; “aquele que ama a seu pai ou a sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E aquele que não renunciar a tudo que tem, não pode ser meu discípulo”; “Em verdade te digo que ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”; “Eu não vim trazer paz à Terra, mas a espada; vim separar de seu pai o homem, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora; e o homem terá por inimigos os de sua própria casa. Vim lançar fogo à Terra e desejo que ele se acenda”; “Se o teu olho ou a tua mão te servem de escândalo, corta-os e lança-os fora de ti; porque melhor te é que se perca um ou dois dos teus membros do que todo o teu corpo vá para o inferno”; “se alguém te ferir na face direita, oferece também a outra; e àquele que tirar a tua túnica, larga-lhe também a capa”; “amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam”; “porque, se vós não amais senão os que vos amam, que méritos haveis de ter?”; “Se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”; “assim, luza a vossa luz diante dos homens, que eles vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus”; “Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito”.
Como vemos, são ordens de comando revolucionário, impelindo paladinos para a grandiosa batalha de encontrar Deus em si próprios!  
O Evangelho, pois, se é uma escola onde aprendemos as doçuras do Amor, é onde também encontraremos as atitudes corajosas do herói do ideal divino.
Nas mesmas condições encararemos os espíritas: os caracteres fracos, tímidos, indecisos demorarão a se integrarem nos embates fornecidos pelo Espiritismo. Também este é Doutrina para os fortes, ou seja, para aqueles que, em migrações terrenas do pretérito, tanto erraram, e no Além-Túmulo tanto sofreram por isso, que agora se dispuseram através do Espiritismo a efetuar uma reforma geral do próprio caráter. 
Com efeito!... Combater as próprias imperfeições diariamente, não ignorando que, se não o fizer, desonrará a própria Doutrina a que se julgou filiar; socorrer necessitados sem possuir recursos suficientes para o mandato, confiante no auxílio do Mestre Nazareno; medicar enfermos sem haver cursado Medicina; subir a uma tribuna diante de assembleia numerosa, que espreita pronta à crítica, a fim de defender a Verdade, sabendo que esse é um dever a que não poderá fugir; porque ainda ontem, em existências transatas, deprimiu a mesma verdade; enfrentar os obsessores e fazê-los recuar dos abismos do mal para as suaves trilhas do amor e do perdão, certo de que é apenas intérprete das forças do Céu, porque não possui virtudes para tão alto feito; investigar o Invisível com a própria fé e as forças do coração, porque sabe não ser anjo nem sábio; arvorar-se em secretário de Entidades aladas para a produção de compêndios de Moral, de Filosofia ou de Ciências transcendentes, e apresentá-los ao mundo impiedoso com suas críticas, não sendo escritor e tampouco possuindo diplomas universitários; sobrecarregando-se, dia a dia, das mais pesadas responsabilidades perante os homens e os Espíritos; ser levado, por amor a Jesus, a perdoar e esquecer os ultrajes que lhe ferem o coração e conturbam o espírito; renunciar a cada dia, às vezes até mesmo às mais doces aspirações do coração, morrendo para si mesmo a fim de ressurgir para Deus, e, acima de tudo filiar-se às falanges dos discípulos de Jesus e dos baluartes da Terceira Revelação – não será dispor de forças supremas na Terra, não será corajoso por excelência? E convenhamos que é desses tais que Jesus precisa agora, como ontem precisou dos pecadores, dos mendigos, dos malvistos pela sociedade para a propaganda da Sua Doutrina, únicos indivíduos que, apesar das imperfeições que portavam, estiveram à altura de compreender e executar os sacrifícios necessários à difusão da Grande Nova que surgia.
Muitos de nós, realmente, ainda não somos verdadeiros espíritas nem verdadeiros cristãos. Mas também já não seremos homicidas, nem roubadores, nem traidores, nem devassos, nem ébrios, nem adúlteros, nem suicidas...   Observaremos, então, que nosso progresso dentro do ensino espírita há sido fabuloso, pois ainda ontem fomos tudo isso, não obstante alguns deslizes que mais ou menos ainda praticamos. Devemos, portanto, ver uns nos outros Espíritos valorosos que lutam contra as próprias imperfeições, sob a redentora proteção do Consolador enviado pelo Cristo de Deus! Não vejamos em nossos irmãos de crença, ainda imperfeitos, espíritas indesejáveis, mas pupilos de uma Doutrina Celeste, recém-libertados de terríveis correntes malignas. E se, por nossa vez, nos julgamos harmonizados com os esplendores da verdade, estendamos até eles nossos afetos, auxiliando-os quanto possível a se integrarem na verdadeira essência da Doutrina Espírita, que é poderosa bastante para reeducar os necessitados de forças renovadoras e de luzes espirituais. 
Todo esse trabalho, que fomos chamados a executar, será labor para Espíritos fortes..., porquanto, tal como aconteceu aos primeiros discípulos do Nazareno, também teremos de desenvolver lutas árduas para o estabelecimento das verdades celestes sobre a Terra – supremo ideal daqueles que já conseguiram predisposições para a comunhão com a Força suprema do Eterno Bem>.
Sem dúvida alguma que todo esse raciocínio de nossa inolvidável Yvonne Pereira nos leva a entender melhor a frase do Dr. Carneiro de Campos, quando afirma: “cada criatura vale o que logra, não o que ainda lhe falta” para atingir a perfeição.
Tenhamos em apreço os conselhos dos veneráveis Espíritos[3]: José, Espírito Protetor; João, bispo de Bordéus e Dufêtre, bispo de Nevers: “(...) Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos d’Aquele que julga em última instância, que vê os movimentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena as que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes – anátema –, tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.
(...) Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como de indulgência houverdes usado com os outros.
(...) Espiritismo!... Doutrina consoladora e bendita! Felizes dos que te conhecem e tiram proveito dos salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor!   Para esses, iluminado está o caminho, ao longo do qual podem ler estas palavras que lhes indicam o meio de chegarem ao termo da jornada: caridade prática, caridade do coração, caridade para com o próximo, como para si mesmo; numa palavra: caridade para com todos e amor a Deus acima de todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres e porque impossível é amar realmente a Deus, sem praticar a caridade, da qual Ele fez uma lei para todas as criaturas”.

Lembremo-nos de todas essas memoráveis lições quando testemunharmos deslizes de nossos irmãos que necessitam não de nossa condenação, mas sim, de nossa indulgência, essa grande e esquecida virtude.
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NO ATO DE ORAR
A PRECE É O TRAÇO DE UNIÃO ENTRE A TERRA E O CÉU
(Leda Maria Flaborea)
Jesus conhecia a dificuldade que o ser humano tem em expandir-se espiritualmente, por causa das preferências materiais, pelo desejo do prazer e do poder, que acabam por lhe criar inúmeros problemas que, cedo ou tarde, deverão ser solucionados, queira ou não.
O Mestre sabia disso porque, conhecedor da natureza humana e entendendo os conflitos de todos aqueles que O procuravam, sofridos, mascarando as realidades íntimas que lhes corroíam a alma, sem se darem conta das suas verdadeiras necessidades, não parava de lhes recomendar a mudança da conduta mental e moral.
O objetivo do Excelso amigo era o de que se operasse nas criaturas, sobretudo nos desejosos de saúde, a renovação interior, a fim de que se concretizasse, no mais profundo de si mesmos, o bem-estar.
A estimada benfeitora espiritual Joanna de Ângelis lembra que, como as criaturas nem sempre soubessem manter a vinculação com as Fontes da Vida, Jesus sugeriu a oração, que se constitui numa ponte vibratória de fácil construção por todo aquele que deseje realmente a vitória sobre os sofrimentos e anelem pelo bem-estar pleno.
Oração é emanação do pensamento bem direcionado, rico em conteúdos vibratórios que se expande até sincronizar-se com ondas semelhantes. A prece nos coloca, portanto, em relação mental com o ser a quem nos dirigimos.
Quando voltada para o amor e o bem, dilui energias negativas e renova as forças morais daquele que ora, promovendo alterações na paisagem mental e orgânica, através de processos delicados de modificação da atmosfera psíquica na qual a pessoa se encontra.
Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é ela que conduz esse pensamento, ampliando-o ao infinito. Então, quando o pensamento se dirige para algum ser, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado ou vice-versa, uma corrente de energia se estabelece de um para outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. Assim, a força dessa corrente vai depender da energia do pensamento e da vontade de quem ora.
É dessa forma que a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem. Também é assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem suas sugestões (boas ou más) e que as relações se estabelecem entre os próprios encarnados.
Importante lembrar: ainda que a prece possa exercer ação direta e positiva, ela estará sempre sujeita à vontade de Deus, Juiz Supremo de todas as coisas e único que pode dar eficácia à sua ação.
Ensina-nos o Evangelho que a prece tem por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Daí a necessidade de prestarmos atenção ao que pedimos, pois existe uma diferença entre o querer, o merecer e o precisar. A oração não modifica as leis estabelecidas, cabe a nós sermos absolutamente honestos e coerentes ao nos dirigirmos a Deus nas nossas preces.
O ato de orar já constitui uma expressão de humildade perante a Vida, e de alguma forma um despertar da consciência para a compreensão da existência de um ser superior. Certo que essa doação não é gratuita por parte da Divindade de tudo aquilo que a insensatez busque, numa tentativa astuciosa e tola, de ludibriar as Leis Divinas. O homem, sendo responsável pelos seus atos, enfrentará sempre, no caminho, as consequências das escolhas infelizes que fizer.
A oração para o homem, que tem vontade real de superar suas dificuldades, sustenta-o, direciona-o para acertar o novo caminho; dá-lhe mais segurança para vencer os obstáculos e equipa-o com alegria e vigor para não desanimar diante dos obstáculos. Assim, quando qualquer um de nós resolve mudar suas atitudes e decide pedir ajuda, conseguimos nos libertar dos grilhões do orgulho e nos colocamos receptivos ao auxílio do Mais Alto.
Essa transformação íntima é tão importante para que a ajuda venha, que em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII, item 11, é dado um exemplo bastante esclarecedor: “Um homem sente sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu, e arrasta, até o fim de seus dias, uma vida de sofrimentos. Tem ele o direito de queixar-se se não conseguiu a cura? Evidente que não, porque poderia encontrar na prece a força para resistir às tentações”.
Jesus sabia de tudo isso, e por essa razão estimulava os homens, como faz até hoje, a se esforçarem para conseguir o Reino de Deus dentro de si mesmos.
O Espiritismo faculta-nos compreender a ação da prece ao explicar a forma de transmissão do pensamento, seja quando o ser a quem oramos atenda ao nosso apelo, seja quando nosso pensamento eleva-se a ele.
O poder da prece está no pensamento, sabemos hoje, e não depende das palavras, nem do lugar, nem do momento em que é feita. Pode-se orar em qualquer lugar, a qualquer hora, a sós ou com outras pessoas. O lugar e tempo só dependem das circunstâncias que possam favorecer esse recolhimento.
Se dividirmos os males da vida em duas categorias, sendo uma a dos que o homem não pode evitar, e a outra, a das atribulações que ele mesmo provoca, pelos seus descuidos e excessos, verificaremos que a segunda é muito maior que a primeira.
Parece evidente que somos os autores da maior parte das nossas aflições, que não existiriam se vivêssemos com prudência, sem ultrapassar o limite do necessário, em exigências vitais que provocam doenças, e às vezes até a morte.
Se limitássemos nossas ambições, não teríamos medo da ruína. Se fôssemos mais humildes, não sofreríamos as decepções do orgulho ferido; se praticássemos a caridade em sua plenitude, não seríamos maledicentes, invejosos, nem ciumentos, evitaríamos discussões inúteis e dissensões. Se não fizéssemos mal algum, não teríamos o que temer. E tantas outras atitudes que poderiam nos fazer felizes e que não praticamos, muitas vezes, por não prestarmos atenção àquilo que fazemos ou dizemos.
O Evangelho nos alerta ainda para o seguinte: Admitindo que nada pudéssemos fazer contra os outros males; que todas as preces fossem inúteis para nos livrarmos deles; já não seria muito poder afastar todos os que decorrem da nossa própria conduta?
Neste caso, podemos conceber facilmente a ação da prece que tem por finalidade atrair a ajuda dos Bons Espíritos e pedir-lhes força para resistirmos aos maus pensamentos, cuja execução pode nos ser funesta.
E por nos atenderem nisto, dizem os Espíritos superiores que “não é o mal que eles afastam de nós, mas é a nós que eles afastam do pensamento que pode nos causar mal; não atrapalham em nada os desígnios divinos, nem suspendem o curso das leis, ao orientarem nosso livre-arbítrio”. Mas o fazem sem que o percebamos, de maneira oculta, para não prejudicar a nossa vontade.
Deus quer que assim seja para que tenhamos responsabilidade dos nossos atos e para nos deixar o mérito da escolha entre o bem e o mal. Mesmo reduzida a essas proporções, a prece dá imenso resultado.
Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo a Sua assistência, e para os outros, o bem que se poderia fazer.
Assim, pensando na responsabilidade que temos diante das leis divinas, conseguimos compreender a advertência do Mestre ao nos solicitar vigilância e oração na nossa vida diária.
Vigilância aos nossos sentimentos, aos nossos pensamentos, palavras e ações; e oração, buscando o amparo, a força e o discernimento para resistirmos às tentações. São ambos, vigilância e oração, escudos protetores do nosso caminhar seguro rumo ao Pai.               


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A GRAÇA DIVINA É NULA ENQUANTO NÓS NÃO NOS DISPUSERMOS A RECEBÊ-LA
(José Reis Chaves)
São Paulo diz que a salvação é pela graça, Jesus ensina que a cada um será dado segundo suas obras.
Santo Agostinho e Lutero são os teólogos da graça. E os católicos, reagindo contra Lutero, passaram a defender mais a teologia tradicional de Pelágio, contrária à da graça. Mas, por influência dos protestantes e evangélicos, a Igreja vem atualmente inclinando-se para a teologia da graça.
Deus não faz acepção de ninguém. “Então falou Pedro, dizendo: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” (Atos 10: 34 e 35.) Aliás, Jesus ensinou que nos céus, ou seja, entre os Espíritos já salvos, há mais alegria pela conversão de um só indivíduo do que a causada por 99 que já são convertidos. (Lucas 15:7.)
Deus não impõe a graça goela abaixo de ninguém, pois Ele respeita o nosso livre-arbítrio. Com a aceitação da doutrina bíblica da reencarnação, essa questão é esclarecida. Mas os líderes religiosos (hoje, não tanto os padres) repudiam-na de modo doentio, pois ela diminui a importância deles, além de prejudicar seus interesses materiais.
Porque Deus cria tudo com perfeição, Ele não volta atrás no que é criado por Ele. Assim, a graça e o nosso livre-arbítrio não têm fim. Mas enquanto o indivíduo não passar a vivenciar realmente o evangelho, o que equivale a aceitar a graça, ele não a recebe. E como o essencial duma pessoa é o seu Espírito imortal, nós, com uma fé raciocinada, chegamos inevitavelmente à conclusão de que o Espírito tem que voltar a viver novamente aqui neste mundo, a fim de que ele, um dia, possa receber a graça.
É, pois, somente com a graça da reencarnação dada por Deus, que a sua graça e a sua misericórdia infinitas podem ser alcançadas por nós. Sem a doutrina bíblica da reencarnação, pois, a graça e a misericórdia divinas infinitas deixariam de ser infinitas. E isso seria um absurdo para o nosso conceito de Deus infinitamente Todo-poderoso! Mas não é que Deus esteja se subordinando ao nosso livre-arbítrio, não. É que Ele, por ser perfeitíssimo, jamais passaria por cima de nosso livre-arbítrio criado por Ele mesmo! Ademais, o Espírito tem todas as eternidades pela frente para que ele possa receber, um dia, a graça da salvação. E por que, então, nós não poderíamos aproveitar as vidas sucessivas para conseguir a graça da salvação? As reencarnações são justamente para que o Espírito, um dia, consiga pela vivência do evangelho a graça da salvação. Ou será que Jesus veio nos trazer o evangelho “só pra inglês ver”?
A passagem evangélica pela porta estreita, por ser difícil, representa também, figuradamente, a conquista da graça através da prática do evangelho. E ela demonstra-nos, ainda, que não entra nos céus quem ainda está impuro. Também a parábola do filho pródigo traz-nos uma ideia semelhante à da conquista da graça. O pai do filho pródigo representa Deus. E só quando o filho pródigo, “entrando em si” (Luca 15: 17) e descobrindo seu erro, ele pôde voltar para a sua casa paterna.
A salvação ou libertação depende da graça de Deus, sim, pois é Ele que no-la concede. Mas ela depende também de nós, pois Deus não nos impõe a graça automaticamente e pela força!

Para que, pois, o indivíduo se preocupar tanto com a graça, se pela imortalidade de seu Espírito, ele tem todas as eternidades para, um dia, recebê-la?
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HUMILDADE
(Eleni Frangatos)
Amigo(a) leitor(a), quando você leu o título deste artigo, muito provavelmente pensou em Jesus.
E aí nos perguntamos: “o que é HUMILDADE”? O que é ser humilde?
Sabemos que as palavras vão sofrendo alterações semânticas ao longo dos anos. Por vezes, chegam até a uma conceituação quase que contraditória. Já na sua origem, há termos que, de acordo com sua propagação, via erudita ou via popular, seu significado já se diferencia. Imaginemos dois mil anos mais tarde... HUMILDADE é um desses termos, um dos que mais é interpretado subjetivamente. Por isso, provoca tantos desentendimentos, julgamentos inadequados e reflexão.
James C. Hunter em seu livro “Como se tornar um Líder Servidor – Os Princípios de Liderança de O Monge e o Executivo” magistralmente disserta sobre HUMILDADE. Diz ele: “Como o seu oposto é arrogância, vaidade ou orgulho, muitas pessoas associam erradamente humildade com passividade, modéstia ou até mesmo com baixa autoestima (tenham pena de mim)”. E continua: “Muito pelo contrário. Os líderes humildes... quando atingidos em sua escala de valores, princípios morais e senso de justiça, podem ser tão destemidos quanto um leão”. “Eles sabem que vieram ao mundo sem nada e que partirão sem nada e, por isso mesmo, aprenderam a se controlar e a não ser egoístas”.
Hoje, a maioria das pessoas acredita que ser humilde é ser bonzinho, é tudo perdoar ao próximo, permitindo que nosso próximo se arrogue o direito de nos ofender enquanto “humildemente” permanecemos em silêncio, serenos e impávidos, porque somos HUMILDES... E é assim que, em nome de uma falsa humildade, viramos seres amorfos, verdadeiros “capachos” à superfície, o famoso bonzinho só “para inglês ver”, mas, por dentro, quantas vezes descobrimos seres revoltados, invejosos, querendo impor sua autoridade, com um ego do tamanho de um bonde, manipulando, controlando e destilando venenos, vinganças, sempre com um sorriso de beatitude afivelado no rosto. É, meus amigos, a carne é fraca e a nossa reforma íntima também o é!
Voltando a Jesus. Ele não tinha nada de “bonzinho”, Ele tinha, sim, uma compaixão universal, profunda, magnânima, CONSTANTE, CONTÍNUA, PERMANENTE, sabia perdoar sem compactuar, e aceitou a cada um de nós como somos, compreendendo nossas qualidades e defeitos.
A verdadeira HUMILDADE, a humildade de Jesus, caracteriza-se pela firmeza ideológica. Ele sabia o que ensinava e como fazê-lo, e não recuou um milímetro sequer na convicção de seus Ensinamentos, da Palavra. Nunca fez como nós que, quantas vezes, ao simples embate de alguma ideia antagônica –, principalmente se vier de alguém a quem devemos algum favor, por quem temos alguma simpatia, ou a quem temos que nos sujeitar ao seu mando, às vezes até por interesses financeiros –, recuamos e entramos no “bem, talvez sim, talvez não, não foi exatamente isso que eu disse”, tentando ser conciliadores e nos darmos bem com todos. Sendo um símbolo da verdadeira HUMILDADE, a palavra de Jesus era sim, sim, e não, não! E, por ser assim, nunca deixou de ser menos humilde.
A pessoa verdadeiramente HUMILDE é amorosa. Quem é humilde se respeita primeiro, conhece sua essência, sabe quem é e para onde vai, e não fica mudando sua verdade como folha seca levada pelo vento.
Poucos são aqueles que alcançam a verdadeira HUMILDADE, a essência do amor, porque poucos são aqueles que procuram e alcançam sua própria essência e que se doam num amor universal e divino sem criar expectativas, sem pensar no retorno. Os humildes seguem suas vidas sem se preocupar na não aceitação por parte dos outros. Não perdem seu tempo e nem gastam suas energias com este tipo de pensamentos.
Esses são os verdadeiramente HUMILDES, os iluminados, aqueles que se amam e sabem amar o próximo, são os que, aqui e acolá, quebram os elos negativos que tolhem e amordaçam a humanidade em geral. São os que trazem um refrigério para o nosso coração sem nada nos cobrar, sem nos pressionar, respeitando a nossa individualidade. Envoltos em luminosidade, vivem suas vidas espalhando o verdadeiro e desinteressado amor pelo próximo; souberam e sabem se amar – Buda, Jesus Cristo, São Francisco de Assis. E exemplos mais recentes, Mahatma Ghandi; Sua Santidade, o Dalai Lama; Madre Teresa de Calcutá, o Papa João Paulo II, o nosso Chico Xavier e agora o Papa Francisco, entre muitos outros. 
Repare que estes HUMILDES, assim como todos os outros que você possa recordar ao longo da História, primeiro se reestruturaram. Afastaram-se da multidão, começaram por conversar consigo mesmos, se interiorizaram, tornaram-se serenos. Aprenderam a conhecer suas virtudes e suas fraquezas, aceitaram-se plenamente. Depois, colocaram metas em suas vidas. Não as mudaram constantemente ao sabor da opinião pública, de qualquer interesse de marketing, daquilo que é hoje politicamente correto! Permaneceram firmes e fiéis nas suas convicções, na sua ideologia, na sua verdade, mesmo quando violenta e brutalmente contestados. Aprenderam a ser humildes e amorosos com eles mesmos. E não tiveram como propósito de vida agradar aos outros. Nem se preocuparam com isso, apenas foram em frente e... os outros foram até eles! Parafraseando Mário Quintana, “cuide de seu jardim e as borboletas virão por si”.
Repare que estes líderes são humildes, mas não são "capachos". A verdadeira humildade deles, que os fez líderes, tem por base a firmeza na sua ideologia sem imposição, porém assertiva, apenas com base na certeza que vem de alguém que tem um bom caráter, e de coração bondoso, amoroso – a pessoa que é do BEM, aquela pessoa que tem a noção exata de que somos todos iguais e que ninguém é nem mais e nem menos do que qualquer outro semelhante.

Acredito que esta é a HUMILDADE de Jesus!
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DUPLO ETÉRICO: CONCEITO ESPÍRITA OU NÃO?
(Alexandre Fontes da Donseca)
O conceito de duplo etérico é controverso no meio espírita. Ele aparece em obras de autores respeitados como André Luiz, além de outros. Porém, “duplo etérico” não é um conceito espírita, isto é, não foi definido por Kardec ou os Espíritos. Na verdade, “duplo etérico” é um conceito esotérico. Ele é chamado de “Linga Sharira” e significa “na teosofia, o 3º princípio na constituição setenária do homem, que é levemente mais etéreo que o corpo físico (sthula sharira). Segundo a Teosofia, ele permeia todo o corpo humano, sendo um molde de todos os órgãos, artérias, e nervos”. É fácil encontrar na internet definições, funções e interpretações diversas (e supostamente espíritas) para o duplo etérico. Ora se diz que o duplo etérico é um tipo de filtro de energias ou fluidos; ora se diz que ele é o perispírito do encarnado que contém fluido vital; ora se diz que é um corpo vital (outro termo não definido pelo Espiritismo); ou, ainda, que represente ou se manifeste através da aura; que ele é responsável pela vitalização da matéria; que é responsável por administrar as energias vitais etc. Um problema sério com essas definições é que elas são divulgadas como se fossem conceitos científicos, avançados e modernos quando, na verdade, carecem de base tanto científica quanto espírita, e demonstram desconhecimento a respeito da natureza dos fluidos. Por exemplo, o que são energias vitais para se afirmar que existe um corpo espiritual que administra essas energias? Ou o que seria um corpo vital? Há quem diga que André Luiz afirma que o duplo etérico é o corpo vital. Mas se não sabemos ainda o que é, de fato, o duplo etérico, qualquer definição desse tipo se torna vazia e redundante.
Na Doutrina Espírita, o termo “duplo etérico” aparece uma única vez n’O Livro dos Médiuns (LM). Ao analisar a visão que uma senhora teve de um senhor que a visitou durante o período em que estava enferma e, em particular, buscando compreender a descrição que ela fez do senhor que, na visão, portava uma caixa de rapé (item 116 do LM), Kardec supõe (item 126 do LM) que “possivelmente, aos corpos inertes da Terra correspondem outros, análogos, porém etéreos, no mundo invisível; de que a matéria condensada, que forma os objetos, pode ter uma parte quintessenciada, que nos escapa aos sentidos”. Com o fito de desvendar essa questão e os mecanismos de outros fenômenos de efeitos físicos, como a escrita direta, Kardec apresenta uma série de questões ao Espírito São Luís (item 128 do LM). Em particular, na questão 4 do item 128 do capítulo VIII do LM, Kardec usa o termo “duplo etérico” da seguinte forma:
4ª Dar-se-á que a matéria inerte se desdobre? Ou que haja no mundo invisível uma matéria essencial, capaz de tomar a forma dos objetos que vemos? Numa palavra, terão estes um duplo etéreo no mundo invisível como os homens são nele representados pelos Espíritos?
“Não é assim que as coisas se passam. Sobre os elementos materiais disseminados por todos os pontos do espaço, na vossa atmosfera, têm os Espíritos um poder que estais longe de suspeitar. Podem, pois, eles concentrar à sua vontade esses elementos e dar-lhes a forma aparente que corresponda à dos objetos materiais.” (Grifos em negrito, meus.)
Da forma como Kardec faz a pergunta, é fácil perceber que ele considerava o conceito de “duplo etérico”, como a simples existência de um segundo corpo de natureza fluídica, assim “como os homens são nele representados pelos Espíritos”. A ideia do homem ser uma criatura que possui dois corpos (físico e perispírito) e, por isso, duplo, pode ser verificada nas seguintes palavras de Kardec na Revista Espírita de 1864[3]:
Quando a alma está unida ao corpo durante a vida, tem um envoltório duplo: um pesado, grosseiro e destrutível, que é o corpo; outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito. O perispírito é o laço que une a alma ao corpo; é por seu intermédio que a alma faz o corpo agir e percebe as sensações experimentadas pelo corpo. (Grifos em negrito, meus.) 
Ou seja, no máximo, o conceito de “duplo etérico” no Espiritismo é o de o homem possuir dois corpos: o físico e o perispírito.
O problema em torno do termo e do conceito de “duplo etérico” é sua propagação livre em livros, artigos e palestras espíritas, como se fosse um conceito espírita. Não que seja proibido pensar ou se expressar da forma que bem entende, mas há sempre responsabilidade com relação ao que os nossos leitores e ouvintes aprendem de nós. Infelizmente, várias referências apresentam o “duplo etérico” como um conceito avançado de natureza científica, citando referências como as obras de André Luiz, como argumento de autoridade. Para o leigo, argumentos como esse parecem ser fortes o bastante para introduzir um novo termo ao linguajar espírita. Porém, por recomendar que nossa fé seja sempre raciocinada, que nossa crença seja sempre baseada no entendimento, termos e novidades de outras religiões e filosofias só devem ser utilizados em estudos que os expliquem em termos espíritas. Isso é, exatamente, o que os Espíritos disseram a Kardec na resposta à questão 628 d’O Livro dos Espíritos (LE):
“628. Por que a verdade não foi sempre posta ao alcance de toda gente?
Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado. Jamais permitiu Deus que o homem recebesse comunicações tão completas e instrutivas como as que hoje lhe são dadas. Havia, como sabeis, na antiguidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução”. (Grifos em negrito, meus.)
Se o Espiritismo fornece a explicação que torna os conhecimentos esotéricos verdades “facilmente coordenáveis”, então são os conceitos do Espiritismo é que devem ser utilizados para interpretar e compreender esses conceitos de outras doutrinas. Ao introduzir conceitos esotéricos no linguajar espírita, consciente ou não, o movimento espírita age de modo contrário ao que foi recomendado pelos Espíritos na questão 628 do LE. É como se o movimento espírita não apoiasse a Doutrina Espírita, já que valoriza mais as teorias e conceitos de outras doutrinas. É como se o movimento espírita considerasse esses conceitos como mais avançados do que o Espiritismo. Se alguém, de fato, acredita que o Espiritismo é incompleto e inadequado para descrever fenômenos espíritas, que deixe o Espiritismo e se afilie em doutrinas ou filosofias que achar melhor. Se somos espíritas, devemos utilizar os conceitos do Espiritismo. Se desejamos ser espíritas, devemos estudar e compreender com profundidade a Doutrina Espírita.
Mas como o Espiritismo explica o que dizem ser as funções do duplo etérico como filtro, vitalização da matéria etc.? O Espiritismo explica todas essas funções de modo simples e com termos próprios. A Doutrina Espírita define e ensina dois conceitos fundamentais nessa questão: princípio vital e fluido vital. O cap. IV da primeira parte do LE é dedicado ao tema “Princípio Vital”. Nesse capítulo, no comentário à questão 70 do LE, Kardec introduz o termo “fluido vital”. Podemos dizer que o princípio vital é o princípio que permite a animalização da matéria, enquanto que o fluido vital é a porção ou quantidade de uma das modificações do Fluido Universal que contém o princípio vital. Assim explica Kardec no item II da introdução do LE:
“Princípio vital, o princípio da vida material e orgânica, qualquer que seja a fonte donde promane, princípio esse comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Pois que pode haver vida com exclusão da faculdade de pensar, o princípio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz achando-se a matéria em dadas circunstâncias. Segundo outros, e esta é a ideia mais comum, ele reside em um fluido especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parcela durante a vida, tal como os corpos inertes absorvem a luz. Esse seria então o fluido vital que, na opinião de alguns, em nada difere do fluido elétrico animalizado, ao qual também se dão os nomes de fluido magnético, fluido nervoso etc.”. (Grifos em negrito, meus.)
Portanto, o Espiritismo apresenta os conceitos de princípio vital e fluido vital de modo coerente com seus conceitos de fluidos, de perispírito etc. Como não há na codificação nenhuma menção à estrutura do perispírito como sendo formada por vários corpos, não há definição alguma de expressões como “corpo vital”. Essas expressões são destituídas de significado dentro do contexto espírita.
Mas alguns poderiam perguntar se não poderia ser a “aura”, o que algumas pessoas chamam de “duplo etérico”. Aqui, novamente, a questão está sendo proposta sem um maior aprofundamento na Doutrina Espírita. Nas obras básicas e na Revista Espírita, Kardec não usou a palavra “aura”. Porém usou a expressão “atmosfera fluídica” ou “atmosfera individual” e a definiu da seguinte maneira no item 11 do capítulo intitulado “Manifestações dos Espíritos” em Obras Póstumas (OP):
“O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força da vontade podem dilatar mais ou menos. Daí se segue que pessoas há que, sem estarem em contato corporal, podem achar-se em contato pelos seus perispíritos e permutar a seu mau grado impressões e, algumas vezes, pensamentos, por meio da intuição”. (Grifos em negrito, meus.)
A definição acima coincide com o conceito de aura que conhecemos. No item 22 do mesmo capítulo e obra, Kardec diz:
“O perispírito das pessoas vivas goza das mesmas propriedades que o dos Espíritos. Como já foi dito, o daquelas não se acha confinado no corpo: irradia e forma em torno deste uma espécie de atmosfera fluídica”. (Grifos em negrito, meus.)
Aqui Kardec usa a expressão “atmosfera fluídica”. Mais adiante em OP, no capítulo intitulado “Introdução ao estudo da fotografia e da telegrafia do pensamento”, Kardec diz:
“Cada um de nós tem, pois, o seu fluido próprio, que o envolve e acompanha em todos os movimentos, como a atmosfera acompanha cada planeta. É muito variável a extensão da irradiação dessas atmosferas individuais. Achando-se o Espírito em estado de absoluto repouso, pode essa irradiação ficar circunscrita nos limites de alguns passos; mas, atuando à vontade, pode alcançar distâncias infinitas. A vontade como que dilata o fluido, do mesmo modo que o calor dilata os gases. As diferentes atmosferas individuais se entrecruzam e misturam, sem jamais se confundirem, exatamente como as ondas sonoras que se conservam distintas, ...” (Grifos em negrito, meus.)
Aqui, Kardec chama a aura de “atmosferas individuais” e não tem nada a ver com os conceitos de fluido vital. Vemos, portanto, que Kardec utilizou termos mais apropriados para os conceitos de fluido vital e irradiação de fluidos.
Percebemos, portanto, que o conceito de “duplo etérico” como uma camada ou corpo do perispírito não está presente na Doutrina Espírita. Cientificamente falando, não é correto fazer uso de termos de outras doutrinas, sem que haja justificativas plenamente coerentes com os critérios espíritas. Para quem respeitosamente acredita que o fato de um Autor respeitado como André Luiz ter usado o termo “duplo etérico”, seja razão suficiente para incorporar esse termo ao linguajar e conceitos espíritas, vejamos o comentário e o exemplo do próprio Allan Kardec na Revista Espírita de 1868 sobre um conceito que ele acreditava como correto (e que hoje sabemos pela Ciência que estava errado), mas que ele preferiu não adotá-la na Doutrina Espírita por ser apenas uma opinião própria:
“A questão da geração espontânea está neste número. Para nós, pessoalmente, é uma convicção, e se a tivéssemos tratado numa obra comum, tê-la-íamos resolvido pela afirmativa; mas numa obra constitutiva da Doutrina Espírita, as opiniões individuais não podem fazer lei; não se baseando a Doutrina em probabilidades, não podíamos decidir uma questão de tal gravidade, apenas despontada, e que ainda está em litígio entre os especialistas. Afirmando a coisa sem restrição, teria sido comprometer a Doutrina prematuramente, o que jamais fazemos, mesmo para fazer prevalecerem as nossas simpatias”. (Grifos em negrito, meus.)
Como se vê nas palavras de Kardec acima, não se deve tomar opiniões ou descrições individuais de encarnados ou desencarnados com relação a conceitos que diferem do Espiritismo. Em Ciência, como sabemos, não é assim que o conhecimento progride.
Por fim, há quem questione “por que confiar no Espiritismo, na forma como ele descreve os fenômenos espíritas (incluindo a relação entre fluido vital e o corpo físico)?" A confiança que nós espíritas podemos depositar no Espiritismo decorre do estudo da forma como Kardec obteve o conhecimento espírita. O Espiritismo é a única teoria conhecida na Humanidade que foi desenvolvida através do duplo caráter de uma revelação: divino e científico. O Espiritismo não é fruto de opiniões isoladas de Kardec (como na citação acima), mas sim da observação, do estudo e da análise cuidadosa dos fenômenos espíritas, das mensagens e ensinamentos dos Espíritos e suas consequências. Kardec não formou a Doutrina a partir das primeiras mensagens, mas observou e testou, constantemente, durante sua vida, os conceitos apresentados pelos Espíritos. Em outras palavras, Kardec desenvolveu e aplicou um método científico apropriado para a investigação dos fenômenos espíritas, e teve na assistência constante dos bons Espíritos, a supervisão na preparação dos textos da Doutrina Espírita. Através desse esforço de observação e verificação dos conceitos observados ou ensinados pelos Espíritos, Kardec foi capaz de tornar um conjunto de crenças a respeito da vida após a morte em um verdadeiro conhecimento.[9] Por essas razões, os conceitos espíritas são muito mais confiáveis do que os de outras doutrinas esotéricas e mesmo daquelas que, superficialmente, se apresentam em nome de conceitos científicos como os da Física.
O movimento espírita deve ter notado que a Espiritualidade tem manifestado preocupação em nos orientar a pautar e valorizar nossos estudos pelo Espiritismo. Inúmeras mensagens, desde décadas, têm buscado incentivar o estudo e valorização do Espiritismo em nossas casas espíritas. Veja, por exemplo, trechos inteiros de mensagens de Bezerra e Camilo, pela mediunidade de Chico Xavier, Divaldo P. Franco e Raul Teixeira, transcritos na parte final do artigo intitulado “A Pureza Doutrinária e a Ciência”, publicado em O Consolador. Aqui, encerramos o artigo com as seguintes palavras de Eurípedes Barsanulfo:

“Continuamos convosco, renovando nossos mais sinceros votos de um trabalho fervoroso, comprometido, idealista, estudado, dissecado, meditado, instruído, amadurecido, balizado, abençoado e, sobretudo, incrustado em Allan Kardec!” (grifos em negrito, meus.)
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INSTRUÇÕES FINAIS
(Paulo Oliveira)

Quando atenderes a um desses pequeninos é a mim que atendes
 “(...) Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e Se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: entendeis o que vos tenho feito?”  (João 13:12)
Remontando à cena da última ceia de Jesus com Seus discípulos vamos encontrá-los celebrando a festividade que comemorava a fuga do povo hebreu do Egito. Era um momento de aconchego com Jesus, em que reinavam a confiança e a tranquilidade, estando, a maioria deles, felizes naquele instante em que se dedicavam ao convívio com o Mestre, pois podiam ouvi-Lo e compartilhar de Sua presença calorosa.
Prevendo os fatos dolorosos que se seguiriam àquela festividade, no intuito de deixar mais uma lição, não só para aqueles que desfrutavam de Sua companhia naquele momento, mas também para a posteridade, Jesus levantou-Se e retirou Sua capa, cingindo-Se com uma toalha, como era típico dos serviçais das casas nobres da época, e começou a lavar os pés dos discípulos, fato que gerou surpresa, diante do não entendimento do significado daquela atitude. Pedro chegou mesmo a afirmar que jamais permitiria que o Mestre lhe lavasse os pés, pois, para ele, isso era inadmissível. Jesus, no entanto, responde: “se eu não te lavar, não terás parte comigo”[2]. Diante dessa afirmativa, dita com tanta ênfase e autoridade, Pedro permite que aquele ato se concretizasse, de acordo com a vontade do Mestre.
Voltando, em seguida ao seu lugar, Jesus continuou Sua exemplificação, e ofereceu a todos o pão e o vinho, para que todos se alimentassem, completando a ação com as belíssimas palavras: “Fazei isso em memória de mim”.
Muito significativa é a resposta de Jesus a Pedro, pois esta indicava que, para se ter parte com o Mestre, deve o verdadeiro discípulo aceitar as situações que se lhe apresentarem durante sua vida, por mais absurdas que possam parecer.  Porém, o homem que só consegue raciocinar as coisas do Céu através das coisas da Terra, logo materializou o ensinamento em um ato simbólico, buscando simplificar e possibilitar a sua prática, imaginando, dessa forma, poder ter parte com Jesus, pelo simples cumprimento de uma formalidade. A pergunta feita por Jesus continua vibrando: “Entendeis o que vos tenho feito?”
Na faixa de evolução em que nos encontramos, o ser humano necessita ainda representar o ensino do Mestre em algo palpável, para que possa ser realizado sem maior dificuldade. Mas a simbologia do ato transcende quaisquer ações materialistas, exigindo-nos maior grau de raciocínio e entendimento: Jesus é um Mestre de ação. Usava a palavra para comunicar, no entanto agia sempre em consonância com Sua fala, demonstrando, pelo exemplo, aquilo que ensinava. Dessa maneira, devemos sempre procurar a significação maior, mais ampla, nos menores atos praticados por Ele, para encontrarmos o verdadeiro ensinamento.
Nessa passagem há a exemplificação da necessidade do servir, reforçando o mandamento que todo cristão deve ter como lema: “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Porquanto, ser um servidor é corresponder ao padrão que Jesus indicou para Seus seguidores: “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.”, ensino profundo que deve ser observado por todos, indistintamente...
O Divino Mestre deixa como exemplificação máxima a humildade, indicando-nos que essa deve ser a opção do verdadeiro cristão, que será reconhecido por sua capacidade de desprendimento. Deixa, às vésperas do encerramento de Sua missão terrena, a mensagem do servir àqueles que nos rodeiam, pois todos somos irmãos em Cristo. Esse ensino assume, no entanto, maior significância para o espírita convicto, pois está devidamente esclarecido sobre o mundo espiritual, devendo essa sua capacidade de servir estender-se além dos limites do mundo corpóreo.
No entanto, o exercício da humildade é uma tarefa muito difícil, como bem o sabemos, pois nosso orgulho grita com voz insidiosa para buscarmos primeiramente os próprios interesses, em detrimento do auxílio ao nosso próximo. Ainda, a maioria de nós tem muito mais o desejo de ser servido. Queremos ser recompensados e receber as pompas a que acreditamos ter direito. Consequentemente, ousamos colocar Jesus, e Seus mensageiros, na posição de nossos serviçais, exigindo que nos atendam em todos os nossos desejos, por mais mesquinhos que estes possam ser, constituindo-se essa atitude, em essência, uma total subversão de Seu ensinamento.
Após ter sofrido o doloroso peso da ignorância humana, Jesus ressurge resplendente, primeiro a Maria de Magdala, e, no mesmo dia, segundo relata-nos o Evangelho de Lucas (24:13), aparece a dois de Seus discípulos no caminho de Emaús. Estes não O reconheceram de imediato. Conversaram por todo o caminho, contando estes, ao peregrino estranho, o que ocorrera em Jerusalém naqueles dias, e o Mestre, ensinando-lhes uma vez mais, relembrava-os de tudo que já havia sido previsto a respeito da vinda do Messias, citando Moisés e os profetas.
O reconhecimento só aconteceu quando os viajantes, já assentados à mesa da refeição, percebem a presença do Mestre quando Este, ao repartir o pão, serve-o aos companheiros de viagem. Gostaríamos de reforçar que Jesus só foi reconhecido quando serviu aos discípulos.
Será que reconhecemos o Cristo quando se apresenta em nossas vidas?!
Ele está ao nosso lado verdadeiramente, através de Seus ensinos, mas, com frequência, não O reconhecemos. Revela-se o Divino Amigo em nossas vidas toda vez que temos a oportunidade de lavar os pés de nosso próximo, ou seja, atender aos necessitados, amparar o que está desiludido, orientar aqueles que andam pelas trevas do erro e do desespero.
Tal qual os discípulos da cena imorredoura de Emaús, não enxergamos o Cristo, pois estamos enceguecidos pelo nosso orgulho e vaidade, pelo egoísmo que nos impede de reconhecê-LO nos necessitados que se aproximam de nós. Nossa visão está turvada pelos intensos apelos da nossa inferioridade espiritual, que nos impede de perceber que nunca estamos sozinhos, e que as dificuldades do caminho nada mais são do que oportunidades para o exercício do mandamento que Jesus nos deixou: “amai o vosso próximo como a vós mesmos”.
Praticar a caridade é o melhor meio de servirmos ao nosso próximo, pois esta é o amor vivido e verdadeiro; amor que não cobra e não espera recompensa... O verdadeiro amor apenas dá e compreende as dificuldades do outro até para, eventualmente, poder receber.

Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, conclama-nos: “sede meus imitadores, como também eu, de Cristo”. Imitar o Cristo significa não se restringir a atos mecânicos, mas sim, fundamentalmente, exercitar o amor sincero no serviço àqueles que compartilham o nosso caminho. Somente assim seremos reconhecidos por Jesus como Seus verdadeiros seguidores. “Fazei isso em memória de mim!”
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UMA É A CAUSA DA SALVAÇÃO, OUTRA É A INFAME CRUCIFICAÇÃO
(José Reis Chaves)
O que nos leva à salvação ou libertação é o estudo e a vivência do Evangelho. Mas os teólogos antigos se deixaram levar muito pelo lado da triste emoção causada pela revoltante e cruel morte de Jesus na cruz.
O Nazareno veio ao mundo com uma finalidade: a de nos trazer, como Enviado de Deus, a sua mensagem salvífica para nós, em consequência do que O crucificaram. Aclaremos isso. Um indivíduo entra numa enxurrada para salvar uma criança, e tem sucesso, entregando-a salva para outra pessoa. Mas, de repente, ele cai, é arrastado e morre afogado. Perguntamos: ele entrou na água para salvar a criança ou para morrer afogado? A resposta é para salvar a criança, em consequência disso, morreu afogado. É o caso de Jesus. Ele veio ao nosso mundo para nos trazer o Evangelho, em consequência do que O assassinaram.
Os teólogos antigos imaginaram que a Humanidade pecou, e que Deus teria ficado muito aborrecido conosco, pois que Ele sofreria muito com os nossos pecados. Essa ideia é absurda e uma das mais responsáveis pela antropomorfização de Deus, pois coloca Nele todas as nossas mazelas. Se isso fosse verdade, coitado de Deus, Ele seria o Ser mais infeliz do Universo!
Mas Deus, que é a causa primeira de todas as coisas e a Inteligência Suprema, como diz a doutrina espírita, jamais criaria para Si problemas. E Ele é imutável, portanto, é sempre o mesmo, jamais, pois, deixando de ser mais feliz como sempre o foi, o é e o será. Ademais, Deus é perfeitíssimo, por isso jamais se ofende. Realmente, Ele é inofendível ou como que vacinado contra ofensas. A Gandhi, antes de ele morrer, perguntaram se ele perdoaria a todas as pessoas que o ofenderam, perseguindo-o. E ele, um espírito de escol que era, respondeu que não perdoou ninguém, pois que ninguém nunca o ofendera. É que seu espírito, já bem perfeito, era inofendível, não tendo, pois, nada que perdoar. Ora, Deus, infinitamente perfeito que é, é totalmente inofendível. Aliás, há um abismo entre a perfeição de Deus e a de Gandhi.
A Bíblia nos ensina que Deus perdoa, mas é apenas para nos ensinar que nós temos que perdoar. Ela diz também que Deus descansou depois da criação do mundo, quando Deus não se cansa. Isso foi também para nos ensinar que nós temos que nos descansarmos, caso contrário, ficaremos doentes. Aliás, tudo o que a Bíblia nos ensina deve ser interpretado como sendo para o bem nosso e não para o bem de Deus que, como vimos, é imutável.
É a vivência do evangelho que nos salva, ou Jesus teria vindo ao nosso mundo perder seu precioso tempo para no-lo trazer? E Ele disse que quem ouve as suas palavras, e não as põe em prática, é como aquele que constrói sua casa na areia, e que vêm os temporais e a levam; mas aquele que ouve as suas palavras, e as pratica, é como aquele que edifica a sua casa sobre a rocha, a qual continua firme apesar dos vendavais. (Mateus 7:24).

Podemos dizer que Jesus nos ama tanto que até deu sua vida por nós, mas é Ele mesmo quem nos ensina também que é a vivência do evangelho que realmente nos salva e, não, o monstruoso pecado de seu assassinato na cruz!
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JESUS, MESTRE DOS MESTRES E MÉDICO DAS ALMAS
(Altamirando Carneiro)
Podemos destacar dois grandes momentos da vida de Jesus: o de Jesus como o Mestre dos mestres e o de Jesus como o médico das almas.
Como o Mestre dos mestres, podemos destacar dois momentos: o ensino por parábolas e as ocasiões em que Jesus ensinou o homem a pensar.
Jesus empregou magistralmente o ensinamento por parábolas, pequenas histórias que serviam para tornar acessível, ao povo, os ensinamentos doutrinários. E para facilitar mais a compreensão das coisas espirituais, ele servia-se de comparações com o que ocorre na vida comum e nos interesses rotineiros do homem. 
As ocasiões em que Jesus ensinou o homem a pensar foram as vezes em que, ao ser perguntado sobre algum assunto,  ele respondia sempre com uma outra pergunta, para, assim, ensinar o homem a entender, de maneira lógica,  o assunto que era focalizado.
Podemos dar alguns exemplos:
Quando um doutor da lei, para o tentar, disse: “Mestre, o que preciso  fazer para herdar a vida eterna?”, Jesus lhe perguntou:  “Que está escrito na lei? Que é o que lês nela?” O doutor da lei disse: “Amarás o Senhor Deus de todo o  coração, de toda a  tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo”.  Disse-lhe Jesus: “Respondeste muito bem; faze isto e viverás.” Mas o homem, querendo parecer que era um justo, disse: “Quem é o meu próximo?” Então Jesus contou a Parábola do Bom Samaritano (Lucas,  10:25 a 37), que fala sobre o samaritano que descia de Jerusalém para Jericó e, vítima de salteadores, foi ferido; algum tempo depois, um sacerdote e um levita passaram, indiferentes; logo a seguir veio um samaritano, que assistiu o homem. Jesus, então, perguntou: “Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões?” O doutor da lei respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Disse-lhe Jesus: “Então, vai e faze o mesmo”.
Também para tentá-lo, os fariseus mandaram os seus discípulos, em companhia dos herodianos, lhe perguntar: “É-nos permitido pagar ou deixar de pagar  tributo a César?” Jesus pediu-lhes uma moeda, e perguntou: “De quem são a imagem e a inscrição nesta moeda?” “De César”, responderam eles. Então, Jesus lhes observou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Ao ensinar o homem a pensar, Jesus lançou as bases para a fé raciocinada, que foi (e é) valorizada pelo Espiritismo. Ou seja, não acreditar  apenas cegamente, ou porque alguém impôs que se deve acreditar nisto ou naquilo, ou desta ou daquela maneira – essa é a fé cega, que muitas vezes conduz ao fanatismo, pois  baseando-se, muitas vezes, no erro, cedo ou tarde desmorona. Somente a fé raciocinada, que se baseia na verdade, nada tem a temer do progresso. Como diz o Espiritismo: fé raciocinada é a que pode enfrentar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade. 

Por fim, Jesus é o médico das almas, porque,  como ele disse, não são os que gozam de saúde que precisam de médico. Ora, todos nós somos doentes da alma; logo, se  tivermos  fé, todos seremos curados por ele. É também neste sentido que Jesus se acercava, principalmente, dos pobres e dos deserdados, pois são os mais necessitados de consolações, e não dos orgulhosos, que julgam possuir toda a luz e de nada precisar.      
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O NECESSÁRIO E O SUPÉRFLUO, MAS SEM PASSAR BATIDO
(Marcelo Teixeira)
O jornalista espírita André Trigueiro, meu amigo-irmão, é especialista na área ambiental. Tem livros publicados e também faz inúmeras palestras sobre o assunto, tanto em centros espíritas como em universidades, igrejas católicas e em todo local onde houver um grupo religioso, estudantil ou entidade de classe interessada em meio ambiente, assunto de suma importância para melhor nos situarmos no mundo atual, às voltas com mudanças climáticas, consumismo e afins.
Certa vez, em Petrópolis, durante o seminário “Ecologia e Paz”, o André, ressaltando que a Doutrina Espírita aborda várias vezes a questão ecológica, disse que precisamos deixar de passar batido pelo item “O necessário e o supérfluo”, de “O Livro dos Espíritos” (terceira parte, capítulo cinco, questões 715 a 717).
Confesso que não lia essas questões há um tempo. Passei batido também, como advertiu o André. E fiquei surpreso ao ver que são apenas três questões que, de fato, devem passar despercebidas para muitos. É como se as três formassem um item de menor importância, perdido na parte que estuda as Leis Morais. Como nada nas obras de Kardec é mais ou menos importante (tudo tem o mesmo e importantíssimo peso) e eu também sou um entusiasta da questão ambiental, resolvi me debruçar sobre as três. Que Santo André Trigueiro, padroeiro das causas ecológicas, me ajude!
Na questão 715, Kardec pergunta “Como pode o homem conhecer o limite do necessário?”. A resposta diz que o homem ponderado conhece tal limite por intuição. Muita gente, no entanto, só irá conhecê-lo à própria custa, ou seja, batendo cabeça.
Quando reli essa questão, lembrei-me de uma senhora com quem dividi algumas sessões de fisioterapia quando torci o tornozelo há alguns anos. Conversa vai, conversa vem, ela contou que ela e o marido moravam numa casa com cinco suítes. Uma para o casal. As demais, para os quatro filhos homens. Só que os filhos já haviam saído de casa por terem casado ou ido trabalhar em outra cidade. Ficaram ela e o marido morando numa residência cheia de suítes, que ela mantinha fechadas e nas quais não entrava havia meses. Contou, também, que por ser uma casa grande, havia demorado a ficar pronta. Por isso, os filhos aproveitaram pouco das suítes. Perguntei se ela pensava em vender a casa, quem sabe para alguém interessado em transformá-la numa pousada. A casa, disse a senhora, estava à venda, mas ainda não havia aparecido comprador.
É claro que se tenho dinheiro e sou pai de quatro filhos, não vou morar com minha família numa casa apertada. Mas se ajo com ponderação, como ressalta “O Livro dos Espíritos”, perceberei que, em breve, eu e minha esposa corremos o risco de ficar sozinhos numa casa imensa. Creio que se os proprietários tivessem construído uma casa com dois quartos para os filhos (dois filhos por quarto) e dois banheiros sociais, fora a suíte de marido e mulher, a casa estaria num bom tamanho. Todos teriam aproveitado mais não só a casa, mas também a companhia uns dos outros.
Na Região Serrana do RJ, onde vivo, há casas cinematográficas em profusão. Todas com inúmeras suítes (com closet), churrasqueira, forno a lenha, salão de jogos, casa de hóspedes, piscina, sauna seca e a vapor e por aí vai. Muitas delas à venda há meses. Não aparece comprador. Hoje em dia, muita gente não dispõe de tempo e dinheiro para manter uma mansão.
Quando “O Livro dos Espíritos” diz que muitos vão conhecer o limite do necessário pela própria – e muitas vezes sofrida – experiência é porque não sabemos lidar com a matéria de forma equilibrada. Geralmente, pensamos que ser materialista é não acreditar em Deus ou na existência de algo além da morte. Mas materialismo também é não parar para pensar na hora de construir um imóvel que, mais adiante, se transformará num elefante branco. Não só pelo tamanho do mesmo, mas pela quantidade de tempo e dinheiro que a casa mega linda requer para permanecer de pé e arrumada. Estou falando de impostos altos, número de empregados, material de limpeza... Tudo para dar conta do número exagerado de quartos, salas e banheiros que a gente inventou. Haja material de construção! E cimento, barro, madeira e Cia. Ltda. vêm de onde? Da Natureza, que já demonstra sinais de saturação por causa de tanta extravagância.
A resposta à pergunta 716 diz que a Natureza deu ao homem uma organização que lhe traça os limites da necessidade. O homem, porém, tudo alterou por causa de vícios que o fizeram criar necessidades nada reais.
Hoje em dia, é farta a oferta de confeitarias, restaurantes de comida a quilo, lanchonetes de comida rápida... Comida saborosa, farta e acessível. Mas será que temos necessidade de, todo santo dia, tomar refrigerante, comer brigadeiro, se entupir de batata frita?
Em 16 de dezembro de 2013, o pediatra carioca Fábio Becker deu entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Ele abordou a questão da comida pronta de hoje em dia. Nos Estados Unidos, paraíso do alimento industrializado, a comida é feita com sabor, crocância e consistência ideais para que a criança rejeite o alimento natural quando o provar. Dessa forma, diz ele, corremos o risco de ter crianças que só aceitam comida fabricada e rechaçam a couve, o chuchu, a beterraba... Vícios que alteram nossa constituição e criam necessidades irreais, conforme observa o sempre atual “O Livro dos Espíritos”.
O André Trigueiro é inimigo do closet. Em suas palestras, ele sempre fala da desnecessidade de fazermos um cômodo estilo sala de troféus para exibir a coleção de sapatos, gravatas, lingerie, camisas, toalhas felpudas e sabe lá Deus o quê. E esse cômodo supérfluo tem, ainda por cima, iluminação especial, feita por um “light designer”. Haja energia elétrica!
Se o André elegeu combater o closet, eu escolhi a varanda gourmet como inimiga. Tenho visto, em recentes lançamentos imobiliários no RJ e SP, apartamentos com as tais varandas, que vêm equipadas com churrasqueiras. Será que precisamos de churrasqueiras em varandas de apartamentos? Fico imaginando o fumacê se todo mundo resolver fazer churrasco no mesmo dia. Sabemos que uma das grandes causas de desmatamento na Amazônia é a criação de pastos para o gado. Portanto, a fumaça do exagero churrascal é a mesma das queimadas na Amazônia. Será que precisamos consumir tanto churrasco assim? Será que virou um item de primeira necessidade, a ponto de novos apartamentos já virem com a tal da varanda gourmet? Além disso, a área de serviço teve o espaço bastante reduzido para dar lugar à dita cuja gourmet. Há lugar para tanque, máquina de lavar e um pequeno armário. Nada mais. Será que só eu lavo e seco roupa em casa?
Todos nós sabemos que o dia a dia doméstico não é varanda gourmet. É, entre outros itens, um local para secar a roupa que foi lavada. Digo isso porque já vi apartamentos de condomínios luxuosos cheios de varais de chão na varanda gourmet. Ou seja, não há local para secar a roupa. E quando chove, os varais de chão repletos de panos de pratos, meias e afins molhados ficam na sala. Eu particularmente prefiro uma boa área de serviço a uma varanda gourmet. Abaixo a varanda gourmet!
Por fim, a questão 717, que diz que os homens que se apropriam dos bens da Terra para ter o supérfluo enquanto muitos não possuem o necessário terão de responder pelas privações que causam. Estas palavras me fazem lembrar Madre Teresa de Calcutá. Uma vez, ao desembarcar nos Estados Unidos para uma conferência, ela ficou horrorizada ao ver a quantidade de comida que estava sendo jogada fora no aeroporto. Comida industrializada, cheia de gordura. Mas ainda assim, comida. Comida feita de trigo, carne, leite, milho, batata e outros itens, que foram tirados na Natureza (Olha ela aí novamente!), para alimentar um bando de gente que come em excesso e joga fora toneladas de alimentos todos os dias. Até quando?
No livro “Mundo Sustentável”, o André Trigueiro, referindo-se ao desenho animado “Mogli, o Menino Lobo”, cita a música cantada pelo Urso Balu, amigo do personagem-título: - Necessário, somente o necessário. O extraordinário é demais.
Sei que às vezes é difícil estabelecer o limite entre o necessário e o supérfluo. Mas como diz o André Trigueiro, um bom indício é evitarmos fazer coleção. Todos sabem quantos sapatos, celulares, automóveis, toalhas e peças de roupa devem ter. É questão de foro íntimo. Mas se alguém começa, por exemplo, a fazer coleção de sapatos, é melhor acender o sinal de alerta. Afinal, como diz o adendo à questão 717, “Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas”.

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RESIGNAÇÃO: UMA VIRTUDE VALIOSA
(Marcel Bataglia)
Há virtudes difíceis de serem adquiridas ao longo da vida, e cujo exercício é pouco compreendido entre os homens; a resignação é uma delas. As criaturas levianas nem a veem como algo apreciável. Presas em suas ilusões, consideram a resignação apenas falta de força ou de coragem. Entendem que o homem sempre deve reagir violentamente contra qualquer circunstância que contrarie seus desejos.
A resignação geralmente se refere a experimentar uma situação sem a intenção de mudá-la. Já a aceitação não exige que a mudança seja possível ou mesmo concebível, nem necessita que a situação seja desejada ou aprovada por aqueles que a aceitam. De fato, a resignação é frequentemente aconselhada quando uma situação é tanto ruim quanto imutável, ou quando a mudança só é possível a um grande preço ou risco. Em O Evangelho segundo o Espiritismo lemos que “quando sofremos uma aflição, se procurarmos a sua causa, encontraremos sempre a nossa própria imprudência, a nossa imprevidência, ou alguma ação anterior”. Nesses casos, como se vê, temos de atribuí-la a nós mesmos, pois se a causa de uma infelicidade não depende absolutamente de nenhuma das nossas ações, trata-se de uma prova para a existência atual, ou de uma expiação de falta cometida em existência anterior.
Vemos em geral apenas o mal presente, e não as consequências vindouras e favoráveis que ele possa ter. O bem é frequentemente a consequência de um mal passageiro, como a cura de um doente resulta dos meios dolorosos que se empregam para obtê-la. Independentemente dos casos, devemos submeter-nos à vontade de Deus, suportar corajosamente as atribuições da vida, se quisermos que elas nos sejam creditadas em nossa jornada espiritual. Muitas vezes, nossos sonhos mais pretendidos não se concretizam, ou, então, nossa tranquilidade, tão duramente conquistada, é atingida por um infortúnio. Há dificuldades ou contrariedades que podemos vencer, mas algumas vezes a vida responde a nossos apelos com sombra e dor e nessas circunstâncias alguns encontram em seu íntimo forças para se resignarem.
Jesus, em sua curta passagem pela Terra, alimentou ainda mais as esperanças dos homens ao dizer: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”, indicando aí o prelúdio da cura aos que sofrem com resignação. Essas palavras, segundo o Evangelho, devem ser entendidas de uma forma simples, em que nós, homens, devemos considerar-nos felizes por sofrer, porque nossas dores neste mundo decorrem de dívidas de nossas faltas passadas, e essas dores, suportadas pacientemente na Terra, nos poupam séculos de sofrimento na vida futura. Devemos, portanto, estar felizes por Deus reduzir nossa dívida, permitindo-nos quitá-la no presente, assegurando-nos a tranquilidade para o futuro.
Em face de situações constrangedoras e dolorosas, a resignação é uma atitude que apenas os bravos conseguem adotar. O resignado não é um covarde, mas alguém que compreende a finalidade da existência terrena. O homem nasce na Terra para evoluir, para vencer a si mesmo e acumular virtudes, pois a vida é uma escola, na qual passamos da ignorância e da barbárie à angelitude, e justamente por isso as dificuldades se apresentam em seu caminho.
O progresso, diz Santo Agostinho, é lei da natureza, em que todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento. Já nascemos inúmeras vezes e renascemos outras tantas. Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Se a vida nos reclama serenidade em face da dor, concordemos. A rebeldia de nada nos adiantará, pois a criatura rebelde perante as Leis Divinas apenas torna seu aprendizado mais lento e doloroso. Resignar-se não significa desistir da luta, porém implica reconhecer que a luta interiorizou-se. A resignação é uma conquista do Espírito que vence suas paixões e atinge a maturidade, mantendo a alegria e o otimismo, mesmo em condições adversas.
Joanna de Ângelis, no livro “Convites da Vida”, diz que “se estiveres sob o jugo de dores e padecimentos, ingratidões e perseguições injustos, serão injustos somente na aparência, pois que procedem do teu ontem, em regime de cobrança, para melhor estabilidade do teu amanhã. Submete-te, portanto, paciente, resignadamente, às situações atuais e, insistindo nos bons propósitos, construirás o porvir de bênçãos que agora ainda não podes fruir”.
Devemos, pois, ser conscientes de nosso papel de aprendizes e dedicar-nos a fazer a lição do momento. Vivemos em um mundo de provas e expiações. Nele a dor reina soberana, em virtude de o mal ainda sobrepujar o bem. Embora conscientes dessa inegável condição, é nosso dever lutar contra a adversidade, pois sofrer sem reagir aos males da vida seria uma covardia. Léon Denis diz, no livro “Depois da Morte”, que a adversidade é uma grande escola, um campo fértil em transformações. A ignorância das leis universais é que nos faz ter aversão aos nossos males. Se compreendêssemos quanto esses males são necessários ao nosso adiantamento, eles não mais nos pareceriam um fardo.

Em nossa cegueira, estamos quase sempre prontos a amaldiçoar as nossas vidas. Mas, quando formos capazes de discernir o verdadeiro motivo de nossas existências, compreenderemos que todas elas são preciosas. A dor é capaz de abrandar o nosso coração, avivando os fogos da nossa alma. É o cinzel que lhe dá proporções harmônicas, que lhe apura os contornos e a faz resplandecer em sua perfeita beleza. Quem se resigna enobrece lentamente seu íntimo, ao desenvolver novos propósitos de vida. 
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JESUS, ESPIRITISMO E A LEI
(Felinto Elízio Duarte Campelo)

“Não julgueis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruí-los, mas sim dar-lhes cumprimento.” (Mateus, 5:17)            
Em sua peregrinação terrena, Jesus ocupou-se em ensinar à humanidade preceitos básicos de sua doutrina: AMOR e PERDÃO.
Não se limitou, no entanto, à pregação verbal, ensinou com o próprio exemplo.
Compadecendo-se daqueles que sofriam no corpo ou na alma o acicate da dor, curou enfermos, deu visão a cegos, fez andar paralíticos, doou audição e voz a surdos-mudos, foi pródigo na distribuição de amor a todos sem distinção de cor, crença, posição social, idade ou sexo.
Do mesmo modo, o Mestre exemplificou o perdão irrestrito quando, do alto da cruz, exclamou cheio de piedade: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Divulgando os dois princípios fundamentais do Cristianismo, Jesus apresentou o AMOR em sua dupla acepção aos fariseus a respeito do mandamento maior da lei: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração de toda a tua alma e de todo o teu entendimento; este é o maior e o primeiro mandamento. E aqui tens o segundo, semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo com o a ti mesmo. Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos”. Ao PERDÃO, trouxe uma concepção perenal ao falar a Simão Pedro: “Não te digo que perdoes até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes”.
O decálogo é a lei de Deus transmitida mediunicamente por Moisés à humanidade, lei que Jesus não veio desfazer e, sim, enriquecê-la com novas normas de conduta apoiadas nos dois sublimes sentimentos que aureolam o espírito: AMOR e PERDÃO.
Por sua vez, o Espiritismo não chegou para aniquilar ou mesmo para modificar a lei, combater religiões, criar áreas de atrito; a doutrina trazida pelos Espíritos sob a égide de Jesus e codificada por Allan Kardec veio lembrar-nos a viver e agir conforme o Evangelho.
É missão do Espiritismo fazer-nos voltar à pureza e à simplicidade do Cristianismo primitivo, deturpado que foi, no correr dos séculos, no atendimento de interesses alheios às suas origens, com o enxerto de rituais e outros costumes pagãos, em prejuízo do crescimento espiritual do homem.

Aos espíritas, pois, compete a tarefa de se evangelizarem, de fazer cumprir a lei, de amar a todos, independentemente de castas, credos etc., de exercitar o perdão sem limites, em qualquer circunstância.              
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A RESPONSABILIDADE DE SER MÉDIUM
(Eleni Frangatos)
Um bom médium é a soma de uma mediunidade mais desenvolvida e de disciplina, trabalho árduo, abnegação e amor ao próximo.
Além da mediunidade, o que é preciso para vir a ser um bom médium?
ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA
É fundamental. Existem médiuns que trabalham mesmo sem estudos?
Sim. Porém, não atenderão com tanta facilidade à Espiritualidade Superior, porque ela procura médiuns bem preparados e com conhecimento para que possam trabalhar com eles e transmitam suas mensagens mais facilmente.
Também a falta de estudo deixa o médium exposto à espiritualidade inferior e até a um desgaste maior em relação à sua própria saúde.
REFORMA ÍNTIMA
Qualquer Espírita, mas principalmente o médium, precisa trabalhar a sua reforma íntima. Mudar seus hábitos diários, ter força para enfrentar as recaídas e a sabedoria e perseverança para recomeçar. Aqui faço um parêntesis para dizer o quanto é valiosa a leitura diária d’O Evangelho segundo o Espiritismo.
A reforma íntima auxilia no controle dos pensamentos. Se estes forem elevados, Espíritos bons se aproximam harmonizados no mesmo diapasão espiritual.
RESPEITO À ESPIRITUALIDADE E A SI MESMO
O Médium deve encarar o seu trabalho com profundo respeito, como algo sagrado e elevado.
Deve ter respeito por si mesmo, pela Espiritualidade, e pelo Centro onde opera. Mas, principalmente, deve respeitar e tratar carinhosa e amorosamente quem o procura para ajuda e alívio de suas dores físicas, emocionais e morais.
EQUILÍBRIO
O Médium sabe que está sujeito a críticas devastadoras, que o rasgam por dentro. Um ditado inglês diz “Sábio é o que tem menos expectativas em relação às pessoas e se apoia só em Deus”. O equilíbrio é fundamental para o bom exercício da mediunidade. O Médium precisa lembrar que ele trabalha para Deus e para a Espiritualidade.
ÉTICA
O bom médium deve ser ético por excelência. Cuidar das mensagens recebidas, e a forma como deverão ser transmitidas aos seus irmãos, também no sigilo total quando um irmão lhe expõe problemas íntimos e particulares (principalmente o médium de cura), no respeito por todos, não importando o seu credo. A missão do Médium é a de atender e de fazer o bem sem olhar a quem.
CONSTÂNCIA NO TRABALHO E PONTUALIDADE
Quem quer ser um bom Médium deve e precisa ser pontual nas suas obrigações e assíduo no seu trabalho. A Espiritualidade dentro de uma Casa Espírita se prepara para trabalhar em determinada área e conta com a usual equipe de médiuns. Se o Médium não comparece, causa problemas para si, para a equipe com que trabalha e a equipe dos desencarnados que ali está de prontidão. Além disso, desrespeita quem vai procurar ajuda num Centro.
PREPARAÇÃO PARA O TRABALHO
Todos os Médiuns precisam preparar-se para qualquer trabalho espiritual.
Em dia de trabalho, em especial, a alimentação deve ser mais leve, e evitadas discussões, sexo, e quaisquer vícios que possam bloquear o cultivo de pensamentos elevados.
AMOR AO PRÓXIMO E PRÁTICA DE CARIDADE
O Espírita, Médium ou não, sabe que deve pautar sua vida pelo amor ao próximo e a prática da caridade, dois pilares que sustentam sua evolução espiritual.
Caridade é compreender e respeitar o próximo, é estender a mão quando é preciso, mas saber também retirá-la na hora certa para não invadir a privacidade alheia. Praticar a caridade é ser amoroso, porém sabendo colocar limites em si mesmo e nos outros.
SER HUMILDE
Muitos Espíritas pensam que ser humilde é se anular por completo, é ser submisso e subserviente – o falso “bonzinho”, que por fora “é um doce”, mas por dentro critica, julga, de coração empedernido - enfim, uma farsa.
Lembremos o Mestre Jesus: foi o mais humilde dos humildes, mas a sua força, os seus ensinamentos, a sua grandiosidade espiritual perduram fortes e firmes até hoje. Ele colocou os seus ensinamentos com muita firmeza e nunca recuou, mesmo quando violentamente ofendido, agredido e crucificado.
CONCLUINDO

Se você quer ser um bom Médium, saiba que será sempre duramente testado e submetido a provas. Porém, seja do BEM e trabalhe para o BEM! A sensação de realização espiritual é algo maravilhoso, divino. E uma sugestão muito pessoal, se me permitem: seja mais criança, menos adulto, abra o seu coração sem medos e o AMOR PURO será derramado profusamente como pétalas de rosas sobre seus irmãos e sobre si mesmo.
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OBEDIÊNCIA E RESIGNAÇÃO
(Paulo Oliveira)
Numa manhã de sábado de dezembro, num telhado próximo, havia dois pombos que estavam pousados, quietamente, recebendo toda aquela chuva que caía torrencialmente. Levantavam levemente as asas, fato que logo concluí como sendo um movimento de proteção contra o aguaceiro. Porém, percebi que estavam, em verdade, aproveitando a chuva e se refrescando, pois era o primeiro dia de verão e a manhã já ia particularmente quente. A velha condição automatizada de tudo julgar fez-me, num primeiro impulso, na busca de um significado para aquela atitude, atribuir àquela cena o que eu certamente faria, e que de fato não era justo e nem verdadeiro para a realidade daquelas simples aves. Imediatamente recordei-me do “Não julgueis”, ensinamento sublime dado por Jesus, para que sejamos mais comedidos em nossas ideias e comentários sobre quaisquer situações com as quais nos defrontemos em nossas vidas, diariamente, das mais complexas às mais simples.
Ao acompanhar a cena, via-se a atuação de um tipo de inteligência instintiva, ainda rudimentar quando comparada com a inteligência humana, “cujo exercício é mais exclusivamente concentrado sobre os meios de satisfazerem suas necessidades físicas e promoverem à sua conservação”[1]. Mesmo diante dessa constatação, a cena descrita sugeria a reflexão sobre como encarar essa atitude natural dos pombos, utilizando-a como elemento de análise comparativa quanto à compreensão humana sobre a Bondade Divina. Aceitar a chuva e aquietar-se diante daquilo sobre o qual nada podiam fazer aqueles pombos despertou a ideia de que estavam dando o seu exemplo de aceitação e resignação à Vontade Divina.
Jesus, que sempre buscou ensinar de forma simples, com base nas coisas da vida comum, utilizou-se da atitude das aves para enfatizar a necessidade de se ter fé e confiança na Justiça Divina: “Olhai as aves do céu: Não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis muito mais do que elas?” (Mateus, 6:26).
Com esse ensinamento, quis o Mestre salientar a necessidade de desenvolvermos a certeza de que Deus está no comando de tudo e, através de Suas leis naturais, promove o desenvolvimento e o equilíbrio do Universo. Nada escapa à Sua ciência e vontade: “até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados” (Mateus, 10:30).
Mas, voltando ao simbolismo utilizado por Jesus, representou Ele na atitude das aves do céu a meta que o ser inteligente deve ter para alcançar a sublimação de si mesmo. A atitude confiante e resignada é um sinal de crescimento espiritual, que transparece no comportamento.
Muita gente, ao ler as palavras do Evangelho, pressupõe humilhação e menosprezo pela condição humana, nas quais, em verdade, existe o estímulo à superação e ao crescimento. Acredita-se submissão e obediência à Vontade Divina tratar-se de um ato de covardia e acomodação.
O Espírito Lázaro afirma que a obediência e a resignação são “duas virtudes companheiras da doçura, muito ativas, se bem que os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair”. [2]
Ficamos aqui imaginando o que diríamos dos nossos amiguinhos pombos, se, ao contrário do observado, estivessem no telhado molhados pela chuva, reclamando, revoltando-se e acusando Deus por tê-los esquecido e abandonado. Não pareceria estranho? Será que poderíamos conceber essa atitude partindo de criaturas doces e singelas da natureza? Parece-nos que a resposta seja óbvia: a maioria de nós estaria atônita ao presenciar tal fato.
E quanto aos seres humanos, a quem Jesus comparou de forma superlativa em relação à vida animal, será aceitável que tenham atitudes de revolta e desespero diante das “chuvas” que invariavelmente cobrem seus corações? Será que temos direitos especiais por sermos filhos de Deus, devendo, portanto, serem todas as nossas vontades e desejos totalmente atendidos?
O que acontece a uma criança que é sempre atendida em seus reclamos e exigências? Torna-se totalmente egoísta, em nada cedendo por imaginar-se no centro das atenções. Deus quer nosso bem e nos dá a oportunidade de crescermos com equilíbrio. Por essa razão, não nos dá tudo o que queremos e, sim, aquilo de que precisamos; assim como dá, também, a todos os seres da criação. Trata-nos com justiça inquestionável, e mesmo diante de situações em que nos falte o sentido para entender o porquê do mal que nos surge à frente, a confiança nessa Bondade e Justiça Divinas deve senhorear nossos passos e reações, para que não venhamos a perder a oportunidade da exemplificação e da reparação devida, pela rebeldia expressa através de lamentações ou injúrias.
A Doutrina dos Espíritos mostra-nos que as nossas aflições têm causas anteriores, de vidas passadas ou desta vida atual, criadas por nossa incúria e irresponsabilidade em relação às leis divinas, gerando nossos débitos que necessitam ser reajustados, através da reencarnação. Dá-nos o Pai Criador a oportunidade de recomeçar a experiência em novo corpo, o que nos permite rever caminhos, aprender e crescer para Ele, que nos espera de braços abertos.
Jesus, o exemplo maior de resignação e submissão à vontade de Deus, está nos amparando com Suas palavras vivas, que pulsam energia nova para nossos Espíritos, e que farão de nós seres mais fortalecidos e confiantes, abrindo-nos o caminho para a redenção. O Seu exemplo ensina-nos que a submissão à vontade do Pai é, no fundo, uma forma de libertação das tendências inferiores que caracterizam o espírito humano. Orgulho, vaidade, egoísmo e tantos outros, somente desaparecerão se o indivíduo começar em si a reforma para o bem, na busca da verdade, mas não aquela verdade sectária e formalista, mas, sim, a verdade que liberta: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8:32).
Emmanuel, estimado benfeitor espiritual, de forma clara e precisa, fornece os comentários que nos orientam para essa verdade que liberta. Diz ele: “Só existe verdadeira liberdade na submissão ao dever fielmente cumprido”.[3] Mais à frente complementa: “E perceber o sentido da vida é crescer em serviço e burilamento constantes”.

Que Jesus abençoe e fortaleça nossa disposição para o entendimento e a resignação daquilo que não podemos modificar ainda.
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ENTENDAMOS UM POUCO DE MÉDIUNS, QUE NEM SEMPRE SÃO  DADOS A TE-DÉUNS
(José Reis Chaves)

Te-déuns são cerimônias católicas em louvor a Deus. Deles participam os católicos, como se diz, de carteirinha.
Mas o que tem a ver te-déuns com médiuns? É que o médium não precisa ser espírita e nem um religioso frequentador de te-déuns e outros rituais, e pode ser até ateu.
Desde o homem das cavernas, sempre houve médiuns e, hoje, nós os encontramos em todas as religiões. E, como profetizou Pedro: “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos jovens terão visões, e sonharão os vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão” (Atos 2:17 e 18). Pedro confirma aqui a profecia de Joel (Joel 2:28).
“Derramarei de meu Espírito.” O significado dessa expressão é como se Deus dissesse mais ou menos assim: derramarei do que é meu, do meu patrimônio espiritual, que se compõe Dele próprio e de todos os seres espirituais criados semelhantes a Ele, ou seja, os Espíritos humanos. É como se Deus fosse o tronco de uma árvore e nós, Espíritos, os ramos dela. Os teólogos cristãos antigos atribuíram a essas passagens de Joel e Pedro os fenômenos de Pentecostes. Mas essa interpretação não resiste a um exame mais sério. Por exemplo, Joel e Pedro se referem às jovens, aos jovens, aos velhos, aos servos e às servas do futuro distante, isto é, a todos os seres humanos, enquanto que os fenômenos mediúnicos de Pentecostes só contavam com os apóstolos e um grupo de pessoas dentro de um recinto, e nenhum deles sonhou! Ademais, só houve fenômenos mediúnicos de xenoglossia (fala de uma língua estrangeira desconhecida do médium, pois é um Espírito que fala através dele). E os fenômenos mediúnicos, chamados por são Paulo de espirituais, são de vários tipos: de cura, profecias, revelações, de discernimento de Espíritos etc. (1 Coríntios 12:10). Além disso, Jesus disse que o outro Consolador a ser enviado falaria coisas que nos lembrariam das palavras Dele. (João 14:26). E quem sabe apontar uma palavra das que foram ditas em Pentecostes que nos faça lembrar as de Jesus?
Todo médium especial (aquele que recebe Espíritos) é paranormal, mas nem todo paranormal é médium, exatamente porque não recebe Espíritos.
Na Bíblia, como mostrou Kardec, os médiuns são chamados de profetas, e muitos deles eram videntes. (1 Samuel 9:9). Nela, as mulheres médiuns são chamadas também de pitonisas (1 Samuel, capítulo 28). Na época da Inquisição, os médiuns morriam nas fogueiras, e eram chamados de feiticeiros e endemoninhados. 
E termino essa matéria com a informação de que, recentemente, cientistas russos descobriram que o DNA registra as funções mediúnicas!

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OS DINOSSAUROS CONSEGUIRAM ESCAPAR
(Ricardo Orestes Forni)
Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando não tem por objetivo senão o prazer de destruir sem utilidade?
“Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapasse os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem senão por suas necessidades; mas o homem que tem o livre-arbítrio destrói sem necessidade. Ele prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque é aos maus instintos que ele cede.” (L.E., 735)
Os dinossauros que desapareceram da face do planeta devido a uma chuva de meteoros que tornou a atmosfera imprópria para a vida desses animais se tivessem escapado, com certeza estariam, nessa altura dos acontecimentos, como raça em extinção devido à ação predatória do homem, o maior predador do planeta, principalmente se os dinossauros representassem alguma fonte de lucros.
Quem se interessar pelo assunto da ação predatória sobre o mundo animal leia a reportagem da revista VEJA, em sua edição 2407, de sete de janeiro de 2015, páginas 68 a 73. Nela encontraremos diversas informações. Uma delas nos informa que segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, ao menos 200 espécies são extintas todos os anos em consequência de ações humanas. No momento, 20.000 estão em risco de sumir do planeta que não foi feito pelo homem predador. Esse é apenas um inquilino da Terra. E um péssimo inquilino que depreda a escola para onde terá que retornar, caso faça por merecer, e continuar a longa aprendizagem para a qual foi criado um dia por Deus. No Brasil, continua a reportagem, 1173 espécies estão à beira do desaparecimento. Entre elas, a ararinha-azul, mico-leão-dourado e o boto-cor-de-rosa. Esse último caçado impiedosamente por homens movidos pelo dinheiro que não poderão levar do banco do mundo, por maior que seja a quantidade nele acumulado, mas que levarão na consciência as razões que os moveram nessas infelizes “conquistas”. A matança do boto acontece à noite. Parece que a noite é parceira das ações que pesam contra a consciência. Esses pescadores, apesar da proibição dessa caça, fazem desses pobres animais que não oferecem nenhum risco ao ser humano, alvo de arpões e redes que um dia se apresentarão à consciência dos que assim procedem atrás do lucro abundante e não de uma simples questão de sobrevivência. Aliás, os botos são uma atração turística, principalmente para estrangeiros que vêm ao Brasil na ilusão de verem a natureza bela e crua, porque intocada. Ledo engano!
Na questão de número 734 de O Livro dos Espíritos, quando Kardec interroga se o homem tem um direito ilimitado de destruição sobre os animais, os Espíritos da Codificação respondem que esse direito é regulado pela necessidade de prover à sua nutrição e à sua segurança. O abuso – reforçam os Espíritos – jamais foi um direito.
No caso dos botos não acontece nenhuma dessas duas condições. Nem a necessidade da nutrição porque a carne do boto cheia de fibras musculares é insossa, e nem pelo perigo que possam representar. Eles são impiedosa e cruelmente caçados por gente movida pelo desespero do dinheiro. O animal é tão dócil que não esboça nenhuma reação de defesa porque está acostumado a uma relação pacífica com o ser humano. Entretanto, essa relação do ser humano para com eles não procede da mesma forma. Não é nada pacífica. São traídos, os botos, em sua passividade, pela ânsia do lucro dos homens que estão ameaçando a espécie de extinção. Matam-se machos, fêmeas ou filhotes porque são transformados em iscas para capturar um peixe carniceiro, denominado de piracatinga, vendido em mercados colombianos e do norte do Brasil. A má notícia para os peixes carniceiros é que eles não sabem que estão sendo alimentados com pedaços de botos por um carniceiro muito mais predador do que eles próprios, o ser humano.
Continuando com Kardec no capítulo voltado para a lei de destruição, encontramos, na questão de número 732, o ensinamento de que a necessidade de destruição é proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e que ela cessa com um estado físico e moral mais depurado. Nos mundos mais avançados que o nosso, as condições de existência são outras. Se assim é, quantas espécies mais de animais pagarão o preço do atraso moral do planeta Terra?
Já na questão seguinte, a de número 733, os Espíritos nos descrevem aquilo que esperamos ardentemente venha a acontecer o mais precocemente possível: “... é por isso que vedes o horror à destruição seguir o desenvolvimento intelectual e moral”.
Os dinossauros desapareceram devido a uma chuva de meteoros. Se tivessem escapado e dessem lucro de alguma maneira, bastaria um punhado de homens para exterminá-los na atualidade. Creio até que tiveram sorte. Sorte que os pobres botos não estão tendo..
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COMUNHÃO COM DEUS
(Paulo Oliveira)
 “Eu e o Pai somos um.” (João, 10:30)
“Orar, a seu turno, não exprime somente adorar e aquietar-se, mas, acima de tudo, comungar com o Poder Divino, que é crescimento incessante para a luz, e com o Divino Amor, que é serviço infatigável no bem.” [1]
Muitas questões continuam sendo levantadas sobre essa passagem, registrada por João, quando Jesus afirma ser um só com o Pai. A interpretação mais casuística levou a entendimentos que afetaram, e afetam ainda, milhões de pessoas que acabam prendendo-se ao formalismo e à discussão dogmática, deixando o perfume que a essência desse ensinamento nos apresenta.
Quando se consulta um bom dicionário de língua portuguesa, vamos encontrar como uma das definições do verbo “comungar” a seguinte: “Ter parte em, afinidade, contato, ligação, comunicação com...”. Comungar com Deus, portanto, é estar em contato com Ele, estabelecendo e mantendo a ligação com Aquele que é a “causa primária de todas as coisas”.[2]
E todos nós sabemos que o meio de entrar em contato com Deus é pelo pensamento, conforme nos explicam os Espíritos que orientaram a codificação kardequiana, na questão 649 de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec pergunta sobre em que, de fato, consiste a adoração. E a resposta, simples e direta dada pelos Espíritos, diz: “Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma”.
Sabemos, portanto, que quando elevamos nosso pensamento a Deus estamos entrando em contato, nos ligando, nos comunicando com Aquele que criou a tudo e a todos.
Nós, em nossa ingênua presunção, vulgarizamos o ato da prece, que é a forma mais eficaz de contatarmos a Divina Sabedoria, tornando-o num simples repetir automático de palavras decoradas que é feito para atender a uma obrigação ritualística, quando, na verdade, deveríamos entender que esse momento é sublime, pois estamos conversando com Deus. Vulgarizamos esse ato de adoração quando simplesmente repetimos palavras que, na maioria das vezes, nada significam de fato para aquele que se supõe em oração.
Muitos, ainda, repetem as palavras decoradas das orações que encerram sentimentos puros e profundos, por assim entenderem que pelo simples fato de reproduzi-las já se está protegido contra os males e dificuldades da vida e contra as tentações. Doce ilusão!
A adoração, através da prece sincera, é um ato agradável a Deus, pois representa o desejo do filho de aproximar-se do Pai. Dizem-nos os Espíritos que “A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para Ele, a intenção é tudo”. A eficácia desse processo de comunicação está muito mais no significado, que no ato em si.
Entendemos, portanto, que podemos conversar com Deus. Mas, o que diremos a Ele, quando estivermos orando?
Basicamente, poderemos agradecer. Agradecer por tudo que recebemos, pelas experiências que estamos vivenciando, pela família, pelo trabalho, e por tantas e tantas dádivas que Ele nos oferece diariamente. A ingratidão representa sinal de orgulho, pois só não agradece aquele que se julga merecedor e com direitos naturais a tudo o que possui, esquecendo-se de que nada tem de si mesmo, além de suas aquisições morais, sendo que o restante, a rigor, é de posse transitória.
Outra finalidade da prece é a de louvar. Louvar a Deus, não simplesmente de forma contemplativa, mas de forma prática através do exercício do bem e do serviço ao próximo. A posição contemplativa e inoperante distancia-se da Divina Providência, como a noite do dia. O universo é ação. Nada está ocioso. A prece, portanto, em sentido de louvor deve também ser ativa.
O terceiro objetivo da prece é o de PEDIR. Este é sem dúvida aquele que a maioria de nós usa e abusa. Entendemos que este objetivo é o único e o mais importante, colocando muitas vezes, Deus e seus mensageiros, na condição de serviçais que devem anotar nossos pedidos e satisfazer a todos eles. Chegamos ao cúmulo de comercializar com o Poder Divino, oferecendo algo em troca para se conseguir atingir o alvo almejado.
Diante da nossa ignorância do que venha a ser Deus em sua grandiosidade, temos a ousadia de rebaixar o Criador à condição de um ser mesquinho e sequioso pela posse de bens terrenos, que, aliás, já Lhe pertencem, pois foi Ele que a tudo criou. Visto dessa forma, esse comportamento tão comum, de “comprar” as benesses divinas, não nos parece algo insano e completamente sem sentido?
Jesus, nosso modelo maior e referência única da Bondade e do Amor sobre a Terra, exemplificou, no “faça-se a Tua vontade e não a minha”, o real sentido da adoração.
A prece proferida pelo Mestre no Getsêmani demonstra a forma mais elevada de adoração a Deus, dizendo ao Pai que se submetia à Sua vontade. Que sofreria o que fora necessário sofrer, pois sabia que as lições de amor e perdão de que fora instrumento causariam muitas dissensões e exigiram muita perseverança e espírito de sacrifício, uma vez que essas modificações não ocorreriam de maneira impositiva, mas sim através da colaboração do próprio homem, na construção do amor através dos milênios sem conta.

Comunhão com Deus é, portanto, o nosso grande alvo que só se alcança pela prática de ações alinhadas com a vontade do Pai Amoroso e Justo, diante daqueles que se nos apresentam em nosso caminho, propiciando-nos o ensejo de avaliar o quanto estamos de fato rumando para o nosso Criador, através da prática dos ensinos trazidos pelo Mestre Jesus.
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O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, UMA OBRA-PRIMA DO CRISTIANISMO
(José Reis Chaves)
Dedico esta matéria à comemoração dos 151 anos do lançamento, em 1864, da fantástica obra de Kardec: “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de que fiz uma nova tradução lançada pela Ed. Chico Xavier.
No início do 5º século, santo Agostinho disse que debaixo da lama dos apócrifos há ouro a ser garimpado. Com razão, também a Igreja tem afirmado que os apócrifos nos ajudam a entender melhor os evangelhos. E “O Evangelho segundo o Espiritismo” não é um livro apócrifo, mas uma coletânea de textos dos próprios quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, com destaque, principalmente para a filosofia das máximas do Sermão da Montanha, a nata da mensagem evangélica. Conheço muitos padres, pastores e bispos que o têm como um livro de cabeceira. Ele é rico de comentários racionais e convincentes de Kardec e de Espíritos de renomados vultos da História do Cristianismo, entre eles o apóstolo Paulo, são João Evangelista, santo Agostinho, são Francisco Xavier, são Vicente de Paulo, são Cura d’Ars, Pascal, Erasto, o arcebispo Fénelon e são Luís.
E quem não crê na manifestação dos Espíritos, eu recomendo que estude o assunto, não só do ponto de vista bíblico, mas também científico. Eu estudei para padre Redentorista e não acreditava também no Espiritismo. Mas depois que o estudei, não pude mais deixar de aceitar as suas grandes verdades inquestionáveis, como os fenômenos da reencarnação e da manifestação dos Espíritos através dos médiuns (profetas) de que a Bíblia está cheia. Ademais, esses fatos são, hoje, comprovados pela Ciência não materialista. E diante do avanço do Espiritismo, muitos teólogos até desistiram de acusar os espíritas de macumbeiros, feiticeiros e de falarem com os “diabos”. Inventaram outra tática: os espíritas não são cristãos. Mas foi o próprio Jesus quem ensinou que seus discípulos seriam conhecidos por se amarem uns aos outros. O cristão, pois, não é aquele que crê ou não crê em determinadas doutrinas.
E com o devido respeito aos dogmas cristãos, afirmo que são eles os culpados pelas difamações e calúnias feitas pelos seus seguidores não só contra o Espiritismo, mas também contra todos os outros credos. Eles, os dogmas são a causa da crise do Cristianismo cuja base é dogmática e não bem evangélica. E, assim, pois, de uma fé muito fraca. Há muitos teólogos que querem mudar as coisas, mas têm que obedecer aos seus superiores hierárquicos para não terem sérios problemas. Então, preferem o silêncio. E o resultado é que o Cristianismo, por causa das suas doutrinas dogmáticas, está se afundando, cada vez mais, o que é lamentável, pois, em que pesem seus erros, ele é uma poderosa arma contra o materialismo.

E, usando uma metáfora de Jesus, “O Evangelho segundo o Espiritismo” não é odre velho, mas odre novo, ou seja, uma visão mais real do Evangelho do excelso Mestre para o Terceiro Milênio!
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COMUNICAÇÃO
(Eleni Frangatos)
Comunicar algo a alguém é o ato de informar, passar, compartilhar uma informação com essa pessoa. Neste processo existe um emissor (quem passa a informação) e um receptor (quem a recebe).
Aqui está um dos grandes males da Humanidade. Uma comunicação falha, ou entendida de forma errada, causa-nos uma série de problemas no nosso dia a dia, e espalha-se progressivamente em todas as áreas, nos afetando emocionalmente, causando até rupturas definitivas em relacionamentos.
Um emissor passa uma informação para um receptor. Porém, isto não significa que o receptor vai processar ou decodificar a informação exatamente do jeito que o emissor pensa ou quer que seja compreendida, assimilada. Isto é, de uma forma simplista, o que um fala, o outro ouve e compreende de forma totalmente contrária ao que o outro realmente quis dizer, ao que realmente foi dito. Ele elabora essa informação de acordo com os seus conhecimentos (instrução), com o seu desenvolvimento no seio familiar (educação) e o meio em que vive (aculturação). Portanto, não existe um emissor processando informações exatamente da mesma forma que um receptor as recebe. Por isso, todo o cuidado é pouco.
Muitas vezes, o que acontece? O emissor fala em FM e o receptor escuta em AM, ou vice-versa! E aí surge o desentendimento, o famoso “não, você disse isso”, “não, eu jamais diria isso, eu quis dizer...” e o mal-entendido degringola provocando mal-estar entre um marido e sua mulher, entre pais e filhos, amigos, colegas de trabalho, por aí afora vai.
Se, antes de acusar o próximo, nosso irmão, nós pensarmos, refletirmos, que ele não teve nossos pais, não nasceu exatamente no mesmo momento em que nós nascemos, e não frequentou a mesma escola, não tem o mesmo nível social ou o mesmo poder aquisitivo (aqui sem preconceitos, apenas constatação), que não mora na mesma casa, não come o mesmo tipo de comida, não veste a mesma roupa, não vê os mesmos programas, não lê os mesmos livros, não escutou os mesmos conselhos que nossos pais nos deram, então, chegaremos com clareza à conclusão de que ele não é igual a nós na arte da comunicação e percepção e, portanto, não poderá ter a mesma forma de pensamento, a mesma articulação, a mesma compreensão da terminologia que nós usamos... Recordemos que nem mesmo irmãos gêmeos, que têm uma grande empatia e afinidade, uma série de fatores comuns, mesmo entre esses a comunicação pode causar incompreensões, desavenças.
Outro fator importante para que tenhamos um pouco mais de serenidade e paz em nossas vidas e para que tomemos decisões mais justas, é prudente e aconselhável que, ANTES de proferirmos qualquer julgamento com base no que foi dito por outra pessoa, ou pelo que vimos ou ouvimos e decodificamos apressadamente, chamemos a pessoa em questão e perguntemos: “O que aconteceu? Gostaria de ouvir a sua versão”. Isso evitaria muita querela, muita disputa, muita decisão tomada inadequadamente com base em meia-verdade. Da mesma forma que tachamos, classificamos e julgamos erroneamente uma pessoa com base numa comunicação incorreta dos fatos, abrimos a porta para uma classificação desmerecedora dessa pessoa, MAS O PIOR é que repassamos o nosso julgamento contundente, por vezes, para outras pessoas com quem convivemos, criando a maledicência, a prevenção contra um irmão nosso, seja em que área for. Bem, este procedimento está totalmente em discordância com o que aprendemos no Espiritismo, com os fundamentos de nossa Doutrina.
Há três pontos que podem nos ajudar bastante:
Primeiro, façamos um esforço no sentido de ouvirmos atentamente (aqui significa ouvir e escutar, não ficar meneando a cabeça, já pensando no que se vai responder) o que o nosso irmão nos diz (e se não entendermos, coloquemos de imediato nossas dúvidas para um esclarecimento cabal do que está sendo dito, para que, ao terminar a conversa, estejamos totalmente esclarecidos sobre o assunto).
Segundo, não façamos juízos de valor sobre a, b, ou c, sem ouvirmos a sua versão.
Terceiro, e talvez O MAIS IMPORTANTE, não classifique seu irmão por aquilo que outra pessoa diz sobre ele, porque você não sabe como a outra pessoa decodificou, analisou, e embasou sua classificação e nem a verdadeira intenção com que foi dito e repassado.

Se todos nós tivermos estes cuidados, e soubermos usar o poder da comunicação de uma forma correta, isenta, e leal, em nossas vidas, tenha a certeza de que o mundo será um mundo melhor!
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O APROVEITAMENTO DAS RIQUEZAS TERRENAS
(Altamirando Carneiro)
Quando Jesus disse que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus, ele não falou contra a riqueza, mas chamou a atenção para o seu bom aproveitamento.
Quando bem aproveitada, a riqueza gera bem-estar social, conforto, saúde, alegria e soluciona muitos problemas da Humanidade. Quando mal aplicada, gera a fome, a desolação, o desespero, a aflição e uma grande série de males.
Este ensinamento de Jesus aconteceu depois que um moço rico lhe perguntou o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus respondeu que o moço deveria cumprir os mandamentos.
Ele ficou muito alegre, pois como assíduo aluno dos escribas do Templo, cumpria os mandamentos, desde a mocidade. Jesus, então, disse que uma coisa ainda lhe faltava: vender todos os seus bens, distribuir com os pobres e segui-Lo. O moço abaixou a cabeça e se retirou, muito triste. Diante disso, Jesus falou aos Apóstolos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus. (Lucas, 18: 25)
O moço cumpria os requisitos próprios de um bom cristão; no entanto, o apego à sua fortuna material o impedia ao mais importante: a prática da caridade. Ao recusar o convite de Jesus, ele perdeu a oportunidade de participar da mais extraordinária missão desempenhada por um missionário, na Terra.
O Evangelho apresenta um exemplo interessante de desprendimento da riqueza: a história de Zaqueu, chefe dos publicanos (cobradores de impostos) em Jericó, que recebeu Jesus em sua casa, comprometendo-se a doar a metade dos seus bens aos pobres e, se comprovado que ele tivesse causado dano a alguém, seja no que fosse, indenizaria com outros tantos.
No livro Boa Nova (FEB), psicografado por Francisco Cândido Xavier, Humberto de Campos registra que Zaqueu informou a Jesus que tinha sido observado como um homem de vida reprovável, mas há muitos anos ele vinha empregando o dinheiro para proporcionar benefícios a todos os que o rodeavam. Disse ainda que, observando que em Jericó havia muitos pais de família sem trabalho, organizou múltiplos trabalhos de criação de animais e de cultivo permanente de terra e que até de Jerusalém muitas famílias vieram buscar, em seus trabalhos, o indispensável recurso à vida. E que os servos de sua casa nunca o encontraram sem a sincera disposição de servi-los.
Encontramos também no Evangelho (Lucas, 16: 19 a 31) a Parábola do Rico e Lázaro, que narra a situação de dois Espíritos após a existência terrena, em que um escolheu a prova da riqueza e o outro, a da pobreza sofrida. O rico e o pobre (Lázaro) simbolizam a Humanidade sempre em disputa. O rico passou a vida na fartura, insensível aos seus semelhantes, más ações cujo efeito é sofrer no Plano Espiritual. O pobre sofreu no mundo, resignadamente, e goza na vida Espiritual o seu bom aprendizado de humildade numa vida difícil.
Ainda em Lucas, 12: 13 a 21, a Parábola do Rico Insensato fala de um lavrador rico que teve uma grande colheita e não tendo onde guardar os frutos, erradamente concluiu derrubar os seus celeiros e os reconstruir maiores e aí guardar todos os seus bens. Tendo muitos bens em depósito para longos e dilatados anos, poderia descansar, comer, beber, regalar-se, sem ter que trabalhar. Porém, na mesma noite desencarnou e viu que de nada valeu a acumulação de tais bens, porque os bens transitórios do mundo não prevalecem para as vidas futuras. Como diz o provérbio: “Do mundo nada se leva, a não ser as aquisições nobres da Alma”. No final da parábola, Jesus diz: “Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.

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O CÉU E O INFERNO: UM RELATO DE PESQUISA E VISÃO DA VIDA VITORIOSA
(Almir Del Prette e Eugênia Pickina)
Maltratar as oportunidades é tão só um claro indício de imaturidade.
Pensemos juntos: o Espiritismo tem um caráter educativo. Não apenas porque seu fundador, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804–1869), depois Allan Kardec, tenha sido um respeitável educador francês, seguidor de Pestalozzi, mas porque o núcleo da filosofia espírita diz respeito a uma proposta de educação do Espírito.
Por esclarecer a ilógica do drama da queda e do pecado, o Espiritismo, respaldado no uso da razão, discorda da jornada humana como uma história de salvação, pois na realidade tudo corre conforme previsto pelo Criador, à medida que a humanidade continua a vivenciar (neste planeta) um processo educativo destinado à perfeição. Neste sentido, o Criador não poderia ter cometido um erro de planejamento grosseiro, não prevendo que as primeiras criaturas iriam, por uma curiosidade natural, desobedecê-Lo. O erro inicial da proibição absurda levaria ao erro final da salvação de poucos, especialmente pela prática da adulação?
Ademais, se lemos o Espiritismo com olhos reflexivos, nele reconhecemos com transparência o parâmetro da liberdade, pois fomos lançados livres no universo e Deus, entendido como Pai, por isso nos permite até mesmo vivenciar estações existenciais sombrias para aprendermos, por conta própria, o valor do bem e das virtudes. Ou seja, em palavras simples, o erro participa naturalmente do existir humano.
O principal ganho desta “autoeducação”, e continuada através de existências sucessivas, está implicado com o experimentar no campo íntimo que o pequeno “eu” por esforço próprio está a vencer o egoísmo, impregnando seu existir com o altruísmo, a principal qualidade a guiar sua prática futura aqui e em outras dimensões da Vida.
Se a caminhada é solidária, a transformação pessoal é uma experiência solitária, vivenciada no âmago de si mesmo. Um olhar para dentro de si, que começa nas sombras dos equívocos das distorções daquele que teme o encontro consigo mesmo até a descoberta que esse é o caminho para o autoconhecimento, a verdade e a libertação.
Ora. É um engodo, portanto, e mesmo para pretender apaziguar temas religiosos discordantes, querer conciliar um Deus de Amor – que zela pela liberdade de seus filhos e filhas – com dogmas que entendam a existência humana presa à tragicidade do pecado, submetendo em consequência o indivíduo ao ambiente das penas do inferno ou de um local aonde ele vá, depois da morte, purgar suas culpas e maldades. Não seria este um Deus do horror e do pavor?
Este ano o livro O Céu e o Inferno comemora 150 anos. Nesta obra Kardec aborda, entre inúmeros temas, céu, purgatório e inferno, afastando, com o uso da razão, a existência das penas eternas ou de um local “fixo” para o ser humano, após a morte, purgar as suas culpas, não aludindo, portanto, ao cenário dantesco.
Não. Kardec, esclarecido, tanto assegura a inexistência das penas eternas, como, apoiado na falange do Espírito de Verdade, substitui os conceitos pagãos e católicos, equivocados, pela ideia de evolução contínua pela reencarnação.
Graças, então, à prática realizada através das existências sucessivas, é sabido que o ser humano adentra de novo a “estação corpórea”, para pôr em prática seu processo autoeducativo e, ao mesmo tempo, se for necessário, purgar seus erros infelizes do passado.
Contudo, todo ser humano, sem exceção, sempre é genuinamente assistido pela Misericórdia, inspirado pelas boas presenças que assistem à sua passagem na Terra, local no qual lhe é dada a oportunidade de bem viver e desenvolver-se rumo à beleza e ao bem que estruturam os grandes Espíritos, tal como Jesus, o autêntico modelo de quem se percebe espírita e cristão.
O livro O Céu e o Inferno abre, sem ressalvas e por isso sem receio, as janelas do misterioso “transe da morte”. E longe de encontrar uma nova caixa de pandora o homem se depara com uma realidade muito mais simples e suportável do que aquela da visão condicionada pelas religiões necrófilas. A vida prossegue vitoriosa após a passagem.
É certo que o “morrer” como o “nascer” têm normas da vida comuns a todos os Espíritos, entretanto, a passagem de um lado para o outro pode ser mais ou menos “sofrida” na dependência da condição espiritual daquele que vem ou vai para a erraticidade. Quando o processo atingiu seu limite, ao contrário do que pensam alguns, o não nascer e o não morrer é que seriam traumáticos. Portanto, morrer, segundo pode ser inferido da leitura de Allan Kardec, tem uma semelhança com o nascer.  Trata-se de um processo de passagem de um lado para o outro para experiências evolutivas que em alguns aspectos se aproximam e, em outros, se distanciam.
O livro O Céu e o Inferno é, também, um relato de pesquisa, que na atualidade receberia a denominação de “analítica descritiva”. Trata-se, sem dúvida, de um material muito rico que merece, por parte dos estudiosos, seguidas leituras.

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PARÁBOLA DO CEGO QUE GUIA OUTRO CEGO
(Jubery Rodrigues dos Santos)
“Porventura pode um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?”  (Lucas, VI, 39.)
“Sabes que os fariseus ouvindo o que disseste, ficaram escandalizados? Mas ele respondeu: Toda a planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os, são cegos guias de cegos. Se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.” (Mateus, XV, 12:14.)
Há cegos do corpo e cegos do espírito, e se horrível é a cegueira do corpo, mil vezes pior é a do espírito. Entretanto, bem difícil, ou quase impossível, é encontrar-se um cego a guiar outro cego, ao passo que, no que se refere às coisas do Espírito, vemos, por toda parte, cegos que guiam cegos!
Qualquer homem, por haver frequentado um seminário e ter envergado uma sotaina, já se julga com capacidade bastante para ser guia de cegos!
Nunca se viu um cego formado no Instituto de Cegos sair à rua guiando cegos, mas veem-se, todos os dias, cegos mil vezes mais cegos que os primeiros, saídos do “Instituto da Cegueira”, guiando a multidão de cegos que encontra o “barranco” do túmulo e nele cai juntamente com seus guias!
Mas passemos à comparação: triste coisa é ver-se neste mundo um cego caminhando só, ou um cego a guiar outro cego, se tal fosse possível.
Que acontece ao cego que caminha sem guia? Tropeça aqui, tomba ali, cai acolá; esbarra, fere-se, até que alma caridosa o tome pela mão e o conduza a casa!
A mesma sorte está reservada aos cegos que guiam cegos; tanto uns, como outros, passam pelos mesmos tormentos.
Imagine-se agora um “cego de espírito” caminhando sozinho: um materialista, cego-voluntário, ao chegar ao Mundo Espiritual! Como poderá ele caminhar? Este homem não procurou estudar o Mundo Espiritual, nem sequer acreditava na Outra Vida: ignora a significação das palavras imortalidade, eternidade, Deus!
Que acontecerá a este cego ao passar as barreiras do túmulo? Que acontecerá a este Espírito ao ver-se num mundo completamente estranho?
Imaginemos, agora, um cego de espírito conduzindo uma multidão de cegos da mesma natureza, como acontece aos guias das religiões tarifadas! Imaginemos esses cegos sucedendo-se no mundo espiritual. Que será de todos eles? São cegos, o mundo aonde entraram lhes é desconhecido!
Como se arranjarão esses cegos, na sua entrada para um mundo cuja existência negaram, absortos que estavam nas miragens de um Céu de beatífica contemplação, de um Purgatório de brasas e de um Inferno de chamas!
Decididamente, ninguém pode saber sem aprender, ninguém pode aprender sem estudar, assim como ninguém pode ver, sendo cego.
A parábola de Jesus cabe a todos aqueles que fazem da fé um bloco de carvão e se submetem ao “magister dixit”(1), sem análise, sem estudo, sem exame.
Um cego não pode guiar outro cego; um ignorante do mundo espiritual não pode guiar as almas que para aí se encaminham.
Esta parábola, que faz alusão ao sacerdócio hebreu, pode referir-se hoje ao sacerdócio romano e protestante, assim como aos materialistas, modernos saduceus que tudo negam.

(1)  Magister dixit (O mestre o disse) é uma expressão latina que pode ser utilizada quando se procura construir um argumento referindo-se a uma autoridade tida como inquestionável.

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CRISTIANISMO E ESPIRITISMO
(Rogério Coelho)
Espiritismo é sinônimo de Cristianismo puro
 “O homem está sempre disposto a negar aquilo que não conhece.” ( Pascal)
Quando as pessoas descobrem que o Espiritismo e o Puro Cristianismo são a mesma coisa, elas perguntam: “Qual a utilidade da doutrina moral dos Espíritos, uma vez que não difere da do Cristo?".
Kardec responde[1]: “(...) Do ponto de vista moral, é fora de dúvida que Deus outorgou ao homem um guia, dando-lhe a consciência, que lhe diz: ‘Não faças a outrem o que não quererias te fizessem’. A moral natural está positivamente inscrita no coração dos homens; porém, sabem todos lê-la nesse livro?! Nunca lhe desprezaram os sábios preceitos? Que fizeram da moral do Cristo? Como a praticam mesmo aqueles que a ensinam? Reprovareis que um pai repita a seus filhos dez vezes, cem vezes as mesmas instruções, desde que eles não as sigam? Por que haveria Deus de fazer menos do que um pai de família? Por que não enviaria, de tempos a tempos, mensageiros especiais aos homens, para lhes lembrar dos deveres e reconduzi-los ao bom caminho, quando deste se afastam; para abrir os olhos da inteligência aos que os trazem fechados, assim como os homens mais adiantados enviam missionários aos selvagens e aos bárbaros?
A moral que os Espíritos ensinam é a do Cristo, pela razão de que não há outra melhor. Mas, então, de que serve o ensino deles, se apenas repisam o que já sabemos?  Outro tanto se poderia dizer da moral do Cristo, que já Sócrates e Platão ensinaram quinhentos anos antes e em termos quase idênticos. O mesmo se poderia dizer também das de todos os moralistas, que nada mais fazem do que repetir a mesma coisa em todos os tons e sob todas as formas.
O que o ensino dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os mortos e os vivos, princípios que completam as noções vagas que se tinham da alma, de seu passado e de seu futuro, dando por sanção à doutrina cristã as próprias leis da Natureza. Com o auxílio das novas luzes que o Espiritismo e os Espíritos espargem, o homem se reconhece solidário com todos os seres e compreende essa solidariedade; a caridade e a fraternidade se tornam uma necessidade social; ele faz por convicção o que fazia unicamente por dever, e o faz melhor.
Somente quando praticarem a moral do Cristo poderão os homens dizer que não mais precisam de moralistas encarnados ou desencarnados. Mas, também, Deus, então, já não lhos enviará.
Os Espíritos são mais colaboradores seus do que reveladores, no sentido usual do termo. Ele lhes submete os dizeres ao cadinho da lógica e do bom senso: desta maneira se beneficia dos conhecimentos especiais de que os Espíritos dispõem pela posição em que se acham, sem abdicar do uso da própria razão”.
A conexão entre o mundo espiritual e o mundo material é muito ostensiva e evidente, conforme podemos observar na resposta que os Espíritos deram à questão de número 459 de “O Livro dos Espíritos”.
Continua Kardec1: “(...) Com os Espíritos – sejam de que categorias forem – iniciamo-nos no que respeita ao verdadeiro caráter do mundo espiritual, apresentando-se-nos este por todas as suas faces. Cabe-nos, porém, visto que os Espíritos são mais ou menos esclarecidos, discernir o que há de bom ou de mau no que nos digam e tirar, do ensino que nos deem, o proveito possível. Ora, todos, quaisquer que sejam, nos podem ensinar ou revelar coisas que ignoramos e que sem eles nunca saberíamos.
Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças. Isso o sabem hoje perfeitamente os espíritas.
Pedir o homem conselhos aos Espíritos não é entrar em entendimento com potências sobrenaturais; é tratar com seus iguais, com aqueles mesmos a quem ele se dirigiria neste mundo; a seus parentes, seus amigos, ou a indivíduos mais esclarecidos do que ele. Disto é que importa se convençam todos e é o que ignoram os que, não tendo estudado o Espiritismo, fazem ideia completamente falsa da natureza do mundo dos Espíritos e das relações com o além-túmulo.
As condições da nova existência em que se acham os Espíritos lhes dilatam o círculo das percepções: eles veem o que na Terra não viam; apreciam de um ponto de vista bem mais elevado e, portanto, a perspicácia de que gozam abrange mais vasto horizonte; compreendem seus erros, retificam suas ideias e se desembaraçam dos prejuízos humanos. É nisso que consiste a superioridade dos Espíritos com relação à Humanidade corpórea.
A Humanidade Espiritual vem conversar com a Humanidade Corporal e dizer-lhe: Nós existimos, logo o nada não existe; eis o que somos e o que sereis; o futuro vos pertence, como a nós. Caminhais nas trevas, vimos clarear-vos o caminho e traçar-vos o roteiro; andais ao acaso, vimos apontar-vos a meta. A vida terrena era, para vós, tudo, porque nada víeis além dela; vimos dizer-vos, mostrando a vida espiritual: a vida terrestre nada é. A vossa visão se detinha no túmulo, nós vos desvendamos, para lá deste, um esplêndido horizonte. Não sabíeis por que sofreis na Terra; agora, no sofrimento, vedes a justiça de Deus. O bem nenhum fruto aparente produzia para o futuro. Doravante, ele terá uma finalidade e constituirá uma necessidade; a fraternidade, que não passava de bela teoria, assenta agora numa lei da Natureza.  Sob o domínio da crença de que tudo acaba com a vida, a imensidade é o vazio, o egoísmo reina soberano entre vós e a vossa palavra de ordem é: ‘Cada um por si’. Com a certeza do porvir, os espaços infinitos se povoam ao infinito, em parte alguma há o vazio e a solidão; a solidariedade liga todos os seres, aquém e além da tumba. E o reino da caridade, sob a divisa: ‘Um por todos e todos por um’. Enfim, ao termo da vida, dizíeis eterno adeus aos que vos são caros; agora, dir-lhes-eis: ‘Até breve!’.
Tais, em resumo, os resultados da revelação nova, que veio encher o vácuo que a incredulidade cavara, levantar os ânimos abatidos pela dúvida ou pela perspectiva do nada e imprimir a todas as coisas uma razão de ser.  Carecerá de importância esse resultado, apenas porque os Espíritos não vêm resolver os problemas da Ciência, dar saber aos ignorantes, e aos preguiçosos os meios de se enriquecerem sem trabalho? Nem só, entretanto, à vida futura dizem respeito os frutos que o homem deve colher dela. Ele os saboreará na Terra, pela transformação que estas novas crenças hão de necessariamente operar no seu caráter, nos seus gostos, nas suas tendências e, por conseguinte, nos hábitos e nas relações sociais. Pondo fim ao reino do egoísmo, do orgulho e da incredulidade, elas preparam o do bem, que é o reino de Deus, anunciado pelo Cristo
  [1] - KARDEC, Allan. A Gênese. 43. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. I, itens 56 a 62.


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CRER SEM VER E VER PARA CRER
(Altamirando Carneiro)
O homem que vive mergulhado nas coisas perecíveis da matéria necessita sempre de um sinal.
Ante a incredulidade de Tomé, Jesus disse que bem-aventurados são os que não viram e creram. Quanta sabedoria nestas palavras, pois os olhos que verdadeiramente veem  não são os do corpo, e, sim, os do Espírito. Mas o homem que vive somente mergulhado nas coisas perecíveis da matéria necessita sempre de um sinal para crer. Como relata o Evangelho de Mateus, 12:38: “Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal”.
Na época, os mais incrédulos eram os escribas, que tinham a incumbência de interpretar as leis e ensinar ao povo os textos dos livros sagrados e pactuavam com os fariseus e os sacerdotes, convertendo-se nos mais ferrenhos inimigos de Jesus.
Em todos os tempos, sempre foi assim. No livro Evangelho Misericordioso – Edições FEESP, (Incredulidade), Paulo Alves Godoy observa que quando Cristóvão Colombo apresentou seu projeto a uma junta de cosmógrafos, astrônomos, geômetras, geógrafos e membros da Igreja,  reunidos no Colégio dos Altos Estudos de Salamanca, na Espanha, foram notificados de que o referido projeto se assentava sobre uma base falsa e imaginária e o que Colombo pretendia não podia ser verdade. Argumentavam que a Terra “é chata e rodeada de água”, sendo incompatível com os dogmas de fé admiti-la redonda; acreditar que existem dois hemisférios habitados,  seria a mesma coisa que dizer que há homens que não descendem de Adão.
A Igreja também desmentiu Galileu, quando ele disse que a Terra girava em torno do Sol, preferindo ficar apegada ao sistema geocêntrico (a Terra como centro do sistema planetário, em torno do qual girariam todos os astros),  pois o sistema heliocêntrico (o Sol como centro do sistema planetário),  demonstrado por Galileu, contrariava os dogmas.
Quando Joana D’Arc afirmou que ouvia vozes dos Espíritos, foi taxada feiticeira, relapsa e herege. Joana, que  foi condenada a morrer queimada na fogueira da Inquisição,  foi depois considerada heroína e santa.
Passados mais de 2 mil anos das revelações das Verdades Eternas trazidas por Jesus e outros grandes missionários, ainda prevalecem teorias errôneas no tocante a essas Verdades, como a crença na vida única do Espírito, nas penas eternas, no pecado original, e de que a Terra é o único mundo habitado do Universo.
Por ter trazido à Terra as Verdades Eternas, enfrentando a incredulidade dos homens, Jesus foi crucificado; Sócrates,  condenado a beber cicuta; João Batista,  decapitado; Paulo de Tarso, perseguido e também decapitado; muitos profetas foram perseguidos e mortos e muitos emissários dos Céus sofreram a incompreensão e o sarcasmo dos homens. Daí a importância de descartarmos a fé cega, que conduz ao fanatismo. Como afirmou Allan Kardec, ela já não é mais deste século. E Kardec disse isso no século 19!
Em nota de rodapé em O Evangelho segundo o Espiritismo, em 1948, a Federação Espírita Brasileira esclarece que estamos no século em que o espírito humano tornou-se mais exigente e a fé cega já não tem mais sentido, reinando a descrença nas Igrejas que a impõem. Vivendo sem ideal e sem esperança em outra vida, o homem tenta transformar o mundo pela violência. As lutas econômicas geram as mais esdrúxulas doutrinas de ação e reação. Na ânsia furiosa de predomínio econômico, guerras mundiais assolaram o Planeta.
“Toda a esperança da Humanidade hoje se apoia no Espiritismo, na restauração do Cristianismo, baseada em fatos que demonstram os princípios básicos da Doutrina cristã: eternidade da vida, responsabilidade ilimitada de pensamentos, palavras e atos.
Sem a Terceira Revelação o mundo estaria irremediavelmente perdido pelo choque das mais desencontradas ideologias materialistas e violentistas.”

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NÃO VIOLÊNCIA, PERDÃO E COMUNICAÇÃO COMPASSIVA
(Vinicius Lima Lousada)
 [Jesus] “Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até toda expressão descortês de que alguém possa usar para com seus semelhantes.” – Allan Kardec[1]
 JESUS ENSINAVA A NÃO VIOLÊNCIA
Considero Jesus um pacificador por excelência, talvez ainda incompreendido por muitos cristãos no mundo em que vivemos. Sua postura de acolhimento dos excluídos e estigmatizados, de radical crítica à hipocrisia e à exploração religiosa era uma afronta pacífica à visão de mundo exclusivista e sectária presente no seio da sociedade onde escolhera reencarnar.
Em seus ensinos condenara qualquer forma de violência ao próximo, da verbal à física, e estabelecera como fundamentos de sua doutrina o amor ao Pai Celeste e ao próximo[2]. Para ele o comportamento reto deveria se orientar na justa medida[3] e o caminho de elevação espiritual deveria ser trilhado pelo interessado, mediante o trabalho de aquisição do conhecimento a respeito das coisas do Reino[4], objetivo maior da existência.
No conjunto de propostas de Jesus de Nazaré estava o revolucionário perdão.[5] Revolucionário porque a justiça dos homens de sua época ainda se estruturava no “olho por olho, dente por dente”[6] levando-se o ofensor ou agressor a sofrer pelas mãos dos homens aquilo que imputara às suas vítimas. Isso era legal e moral no tempo de Jesus, vejamos o nosso atraso espiritual naqueles tempos.
O PERDÃO COMO PRÁTICA RESTAURATIVA
O perdão viria como alternativa a ser aplicada no cotidiano, nas questões mais simples, até os conflitos entre os grupamentos humanos, os mais distintos. Surgia, então, uma proposta de ruptura com o vicioso ciclo da violência, para a construção de um circuito virtuoso de justiça e restauração das relações sociais em termos pacíficos.
Sabedor do princípio da pluralidade das existências, o Mestre de Nazaré vinha propor a interrupção dos resultados funestos da violência que se estenderiam nas vidas sucessivas de Espíritos até então beligerantes, por isso postulava a reconciliação com o adversário como compromisso superior à adoração a Deus[7], enquanto transitássemos pelos caminhos terrenos com aquele.
A reconciliação só é possível com o perdão. O perdão liberta o ofensor da dívida contraída e o ofendido do desejo de vingança ou justiça com base em seus parâmetros pessoais, estabelecendo para ambos um novo rumo, pautado na ética da compreensão que, por sua vez, conduz ao exercício da indulgência com os limites alheios e à reparação da falta perpetrada pela prática do bem.
Claramente, o perdão consiste numa atitude não violenta porque preconiza o desapego da ânsia por uma resposta ao ofensor na mesma medida e provoca a liberação do hábito infeliz de julgar o próximo, que consiste, conforme os estudos de Comunicação Não Violenta (CNV) do psicólogo Marshall Rosenberg[8], numa forma de violência e de atitude sem empatia e compaixão, fechada ao encontro com o próximo.
Nem sempre é possível concretizar uma reconciliação efetiva, transformando os vínculos que enfermaram em algo saudável, mas, superar o impulso agressivo, o desejo de vingança ou de manutenção de uma querela interminável, que só nos atrasa espiritualmente, já é um bom sinal de progresso moral em nosso roteiro. Destaquemos que perdoar, na perspectiva kardequiana, é responder o mal que nos fizeram com o bem, esquecendo a falta, quer dizer, desconsiderando-a.
Treinar o perdão exige atenção quanto às nossas atitudes e uma escuta compassiva, na vida de relação, para que compreendamos as necessidades do outro. Para o criador da CNV, toda a atitude violenta revela uma necessidade não atendida, diríamos nós, um sofrimento camuflado que aturde o ofensor enredado na ausência de lucidez ante a sua dor.
Aliás, muito do nosso modo de nos comunicarmos é alienante, sem empatia ou compaixão pelo sofrimento alheio. Culturalmente e através da má-educação aprendemos a desenvolver um jeito de falar e manifestar nossos anseios de forma entrecortada por arroubos de cólera, expressões grosseiras ou impaciência, que evidenciam o nosso estágio de Espíritos inferiores.
Recordemos que no contexto do diálogo com os Espíritos, Kardec dissera que a linguagem revela o lugar dos mesmos na escala espírita. Trazido para a questão do nosso modo de nos comunicarmos, no mínimo, é um belo alerta para ser considerado, especialmente, nesses dias de transição planetária em que somos chamados a contribuir em prol de nossa própria ventura, levando em conta a afirmação de Jesus: “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus”.[9]
UM PASSO PARA A PAZ
Um passo importante para a edificação da paz em nosso cotidiano, lugar onde ainda cultivamos a violência, está na possibilidade de superarmos a forma de comunicação alienante que aprendemos pelo exercício da CNV, ou de algum método que nos ensine um modo mais amoroso de nos expressarmos. A comunicação alienante é aquela destituída de empatia, quero dizer, sem a “compreensão respeitosa sobre o que os outros estão passando”.[10]
Mas, quando falamos sem compaixão? Numa síntese do que  ensina Marshall[11], podemos dizer: exatamente quando nossas conversas se traduzem em julgamentos a respeito dos outros; analisamos a vida alheia sob o nosso prisma pessoal, a partir de nossas necessidades e valores; no instante em que classificamos os sujeitos e estabelecemos comparações; se negamos a nossa parcela de responsabilidade quanto ao que fazemos e seu efeito para o próximo; ou, ainda, quando a nossa fala apresenta exigências para com as pessoas com que nos relacionamos.
A superação de uma fala nada compassiva está em nos apropriarmos de outra perspectiva, de uma fala generosa e não violenta que possa traduzir com serenidade nossos sentimentos ou necessidades. Pode parecer uma leitura romântica dos conflitos humanos, mas se aprendermos a nos comunicar em paz – a CNV é uma bela ferramenta nesse sentido – seremos capazes de multiplicar um modo de ser e estar no mundo que rompa paulatinamente com o paradigma incrustado em nosso psiquismo de dominação, competição e negação da diferença, por isso, fomentador da violência em suas diversas faces.
Na Filosofia Espírita, aprendemos com os Imortais que o conhecimento de si mesmo é a chave do progresso moral do Espírito[12]. Conheçamo-nos e verifiquemos quanto de energia de violência carregamos em nós e se estamos, de fato, desejosos de fazer que a Terra seja um dia uma morada de paz.
O autor é educador, escreve no blog “Saberes do Espírito” e reside em Bento Gonçalves (RS).
[1] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XI, item 4.
[2] Mateus 22: 34 a 40
[3] Lucas 6: 31.
[4] Mateus 6: 19.
[5] Mateus 6: 14 e 15.
[6] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XII, item 8.
[7] Mateus 5: 23 e 24
[8] ROSENBERG, Marshall. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.
[9] Mateus 5:9.
[10] ROSENBERG, Idem, p. 150.
[11]  Idem, p. 48.
[12] O Livro dos Espíritos, questão 919-a.

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O VALOR DO ACOLHIMENTO NA CASA ESPÍRITA
(Nilza Miquelin)
Muitas pessoas procuram uma Instituição Espírita depois de terem percorrido vários médicos, outros templos religiosos e conversado com muitas pessoas, mas não encontraram respostas para suas inquietações. Sofrem. Precisam ser socorridas.
Casos há em que a criatura chega ao Centro Espírita carregada por alguém e carregando em si mesmo um fiapo de esperança. E não sabemos o que trazem no seu íntimo, mas como seareiros, sabemos que os amigos do Mundo Maior da Vida podem auxiliar com a cooperação dos trabalhadores de boa vontade, seguidores de Jesus.
Mas como é o acolhimento nas Casas Espíritas? Será que ainda há Centro Espírita sem que tenha um servidor de Jesus à porta para receber as pessoas?
Se quiser acolher como gostaria de ser acolhido, abra um sorriso fraterno e receba com afeto o seu irmão em humanidade que vem carregando talvez uma dor e não sabemos qual o tamanho do seu sofrimento, mas sabemos que, se buscou uma Instituição Espírita, é porque traz intimamente a esperança e cabe aos trabalhadores auxiliá-lo para que a esperança se transforme em fé.
Quando alguém busca uma Casa Espírita, pode ser que naquele período da sua vida esteja passando por situação conflitante. E não importa qual seja a dor que aquele coração esteja vivendo, ele sofre. E por sofrer, pode ser que precise de algo a mais. O carinho de uma palavra amiga que lhe aqueça o coração. Talvez uma palavra de esperança. Ou algum sentimento nobre que possa ser demonstrado num olhar, num sorriso franco, ou em mãos estendidas e abraço acolhedor.
No primeiro momento ninguém sabe a que veio aquela pessoa bater à porta de uma Casa Espírita. Pode ser que ele esteja cansado de sofrer, sem saber a quem recorrer; pode ser que esteja tão enfraquecido de calor humano, tão necessitado de uma demonstração de respeito e carinho e traga no peito a esperança de ser recebido com afeto, pensando que ali, na Casa Espírita, vá encontrar corações fraternos dispostos a auxiliá-lo.
E deve encontrar, sim! É uma casa de amor! Seja ela qual for, está a serviço de Jesus, e assim o Amor deve transbordar em cada coração de servidor a amparar seu semelhante.
Diante disso fica a pergunta: como estão sendo preparados os trabalhadores para receber as pessoas na Casa Espírita? Têm eles conhecimento doutrinário? Deverão ter, mas muito mais que o conhecimento, apesar de sua relevante importância, o seareiro é um representante da Instituição Espírita, onde a palavra de ordem é Evangelização. E Evangelizar é com os trabalhadores de Jesus! Cabe ao servidor de Jesus receber a todos com entusiasmo e fazer o encaminhamento necessário, para que o visitante possa sentir-se bem recebido e direcionado, ao trabalhador de boa vontade que poderá, por sua vez, auxiliá-lo, ouvindo-o e, amorosamente, atender a sua necessidade, seja através da entrevista (Atendimento Fraterno), da Palestra e também da Fluidoterapia.

E, relembrando a recomendação de Jesus: “Faça ao outro como gostaria fosse feito para você”, fica a pergunta: Como Jesus agiria?
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PÃES E PEIXES
(Marcus Vinicius de Azevedo Braga)
Em uma das mais belas passagens evangélicas, na minha opinião, o chamado milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus alimenta uma multidão esfaimada a partir de uma singela porção de pães e peixes. Para além da discussão fenomenológica dessa passagem evangélica, essa ideia dadivosa e multiplicativa que se apresenta nessa mensagem do nazareno se faz presente também em outras passagens, na sentença do “pedi e obtereis”, ou ainda, na Parábola dos talentos, das moedas que se convertem em riqueza, quando não escondidas.
As lições citadas trazem uma mensagem central, frequentemente ignorada, de que a vida é um celeiro de oportunidades e bênçãos, que nos brinda com tesouros, a partir de pequenos investimentos que oferecemos. Um naco de peixe, uma côdea de pão, algumas moedas, módicos sacrifícios que a vida nos remunera com realizações, conquistas e vitórias. E nesse mar de oportunidades, temos dificuldades de identificar os caminhos, os chamados e as melhores opções de aplicação de nossos humildes, mas indispensáveis recursos.
O leitor pode achar que se trata de um excesso de otimismo, mas se olharmos as bênçãos recebidas, os acréscimos de misericórdia e tudo mais que a vida nos oferece, verá que não se trata de exagero e sim de realidade, como Jesus já nos alertava. Obviamente, não falamos de conquistas materiais, mas de avanços mais amplos, que saciam a fome da multidão, sequiosa do pão da vida, que sustenta o espírito imortal.
Essa abundância da existência, como oportunidade de crescimento, de colheita, nos faz refletir sobre o que pedimos e para onde direcionamos nosso arado nessa semeadura. Cuidado com o que pedimos, podemos conseguir! Por vezes, carreamos anos de nossa encarnação em projetos mirabolantes e colhemos destes o que plantamos. Mas por vezes esse produto não nos sacia a fome maior.
A introdução da obra “Cartas e Crônicas”, psicografia de Chico Xavier, pelo Espírito Irmão X, lá em 1966, passados quase cinquenta anos, indica bela história atribuída ao poeta indiano Rabindranath Tagore, na qual um lavrador, a caminho de casa, com a colheita do dia, notou que, em sentido contrário, vinha suntuosa carruagem, revestida de estrelas. Reconheceu, conduzindo aquele veículo, o Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas. Apesar do espanto, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao Divino pedinte apenas um grão da preciosa carga. Após a partida do Todo-poderoso, o pobre homem do campo observou que curiosa claridade vinha do seu alforje poeirento e percebeu que o grânulo de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola, transformado em pepita de ouro luminescente.
Como o homem da história, retemos nossos tesouros e os aplicamos mal, sem perceber as pequenas solicitações divinas, a nos recompensar com a chamada parte boa. Voltando ao saber evangélico, esquecemos que Jesus nos alertou que a colheita era livre, mas que a semeadura era obrigatória. Reforçou essa visão quando indicou que onde está o nosso coração, aí está nosso tesouro. O Mestre, na atualidade de suas lições, nos deixa a lembrança que diante de uma empreitada importa saber o que queremos colher, e ainda, se esse banquete realmente saciará a nossa fome do espírito, para além dos lírios do campo.
Diante da multidão faminta que o seguia, fez do pouco o muito e todos comeram até ficarem saciados. Das diversas necessidades humanas – psicológicas, materiais, espirituais –, nós, que também avançamos na multidão que O segue, temos que ficar atentos ao pão e ao peixe que buscamos, para que essas bênçãos não se tornem maldições, fardos que arrastamos ao longo de encarnações, dominados pela ânsia da posse e pela visão imediatista da fome do mundo.

Assim, seguimos nossa caminhada rumo à luz, com um pão, um peixe, uma moeda. De tudo a vida conspirará para o nosso avanço, com o suor do trabalho e a esperança da fé. Mas importa saber para onde seguimos, em que direção e sentido, o que buscamos e em que prisma de existência. Caminhar por caminhar pode significar rumar em círculos, marcando passo na reencarnação, perdidas as oportunidades, que podem não voltar em condições tão ideais como a atual.
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A RESPONSABILIDADE DE SER MÉDIUM
(Eleni Frangatos)
Um bom médium é a soma de uma mediunidade mais desenvolvida e de disciplina, trabalho árduo, abnegação e amor ao próximo. Além da mediunidade, o que é preciso para vir a ser um bom médium?
ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA
É fundamental. Existem médiuns que trabalham mesmo sem estudos? Sim. Porém, não atenderão com tanta facilidade à Espiritualidade Superior, porque ela procura médiuns bem preparados e com conhecimento para que possam trabalhar com eles e transmitam suas mensagens mais facilmente. Também a falta de estudo deixa o médium exposto à espiritualidade inferior e até a um desgaste maior em relação à sua própria saúde.
REFORMA ÍNTIMA
Qualquer Espírita, mas principalmente o médium, precisa trabalhar a sua reforma íntima. Mudar seus hábitos diários, ter força para enfrentar as recaídas e a sabedoria e perseverança para recomeçar. Aqui faço um parêntesis para dizer o quanto é valiosa a leitura diária d’O Evangelho segundo o Espiritismo. A reforma íntima auxilia no controle dos pensamentos. Se estes forem elevados, Espíritos bons se aproximam harmonizados no mesmo diapasão espiritual.
RESPEITO À ESPIRITUALIDADE E A SI MESMO
O Médium deve encarar o seu trabalho com profundo respeito, como algo sagrado e elevado. Deve ter respeito por si mesmo, pela Espiritualidade, e pelo Centro onde opera. Mas, principalmente, deve respeitar e tratar carinhosa e amorosamente quem o procura para ajuda e alívio de suas dores físicas, emocionais e morais.
EQUILÍBRIO
O Médium sabe que está sujeito a críticas devastadoras, que o rasgam por dentro. Um ditado inglês diz “Sábio é o que tem menos expectativas em relação às pessoas e se apoia só em Deus”. O equilíbrio é fundamental para o bom exercício da mediunidade. O Médium precisa lembrar que ele trabalha para Deus e para a Espiritualidade.
ÉTICA
O bom médium deve ser ético por excelência. Cuidar das mensagens recebidas, e a forma como deverão ser transmitidas aos seus irmãos, também no sigilo total quando um irmão lhe expõe problemas íntimos e particulares (principalmente o médium de cura), no respeito por todos, não importando o seu credo. A missão do Médium é a de atender e de fazer o bem sem olhar a quem.
CONSTÂNCIA NO TRABALHO E PONTUALIDADE
Quem quer ser um bom Médium deve e precisa ser pontual nas suas obrigações e assíduo no seu trabalho. A Espiritualidade dentro de uma Casa Espírita se prepara para trabalhar em determinada área e conta com a usual equipe de médiuns. Se o Médium não comparece, causa problemas para si, para a equipe com que trabalha e a equipe dos desencarnados que ali está de prontidão. Além disso, desrespeita quem vai procurar ajuda num Centro.
PREPARAÇÃO PARA O TRABALHO
Todos os Médiuns precisam preparar-se para qualquer trabalho espiritual. Em dia de trabalho, em especial, a alimentação deve ser mais leve, e evitadas discussões, sexo, e quaisquer vícios que possam bloquear o cultivo de pensamentos elevados.
AMOR AO PRÓXIMO E PRÁTICA DE CARIDADE
O Espírita, Médium ou não, sabe que deve pautar sua vida pelo amor ao próximo e a prática da caridade, dois pilares que sustentam sua evolução espiritual. Caridade é compreender e respeitar o próximo, é estender a mão quando é preciso, mas saber também retirá-la na hora certa para não invadir a privacidade alheia. Praticar a caridade é ser amoroso, porém sabendo colocar limites em si mesmo e nos outros.
SER HUMILDE
Muitos Espíritas pensam que ser humilde é se anular por completo, é ser submisso e subserviente – o falso “bonzinho”, que por fora “é um doce”, mas por dentro critica, julga, de coração empedernido - enfim, uma farsa. Lembremos o Mestre Jesus: foi o mais humilde dos humildes, mas a sua força, os seus ensinamentos, a sua grandiosidade espiritual perduram fortes e firmes até hoje. Ele colocou os seus ensinamentos com muita firmeza e nunca recuou, mesmo quando violentamente ofendido, agredido e crucificado.
CONCLUINDO

Se você quer ser um bom Médium, saiba que será sempre duramente testado e submetido a provas. Porém, seja do BEM e trabalhe para o BEM! A sensação de realização espiritual é algo maravilhoso, divino. E uma sugestão muito pessoal, se me permitem: seja mais criança, menos adulto, abra o seu coração sem medos e o AMOR PURO será derramado profusamente como pétalas de rosas sobre seus irmãos e sobre si mesmo.
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AMOR AO PRÓXIMO
(Waldenir Aparecido Cuin)
         “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” – Jesus (Mateus, XXII:39.)
O Evangelho de Jesus está difundindo ensinamentos e verdades há dois mil anos e, nesse tempo, por inúmeras oportunidades, lemos, estudamos e meditamos sobre tais informações, no entanto, ainda estamos longe da verdadeira vivência prática das lições apontadas. Muito frequentemente somos discípulos do Cristo na palavra inflamada, no texto escrito com emoção ou na imagem televisiva bem elaborada, contudo, negligenciamos na exemplificação.
Cuidamos, com muito esmero, dos atos exteriores, da aparência evangélica, sem darmos muita atenção à essência do verdadeiro conteúdo cristão.
Ante a agressividade de um companheiro em desequilíbrio, que nos causa problemas e sofrimentos, conseguimos exercitar o perdão?
Ante a criança carente, que desfila pelas ruas da cidade em busca de um prato de comida ou um pedaço de pão, temos o necessário desprendimento para frear nossos passos visando socorrê-la, mesmo que momentaneamente?
Ante a mãe desesperada, que ostenta nos braços o filhinho doente, sem os recursos para a compra do medicamento, temos a devida consideração em tentar ajudá-la de alguma forma?
Ante o chefe de família desempregado, que se vê impossibilitado de atender aos requisitos básicos do seu lar, reunimos vontade para procurar uma ocupação junto com ele?
Ante o jovem atordoado pelo uso nocivo dos tóxicos, sem criticá-lo, pensamos em movimentar recursos que possam despertá-lo para a realidade da vida e para os perigos da viciação?
Ante a família abalada pela separação de um ente querido que viajou para o mundo espiritual, mediante o processo da desencarnação, reunimos forças para dizer a ela que a vida continua e que um dia estaremos numa pátria onde a morte não existe?
Ante o irmão que caiu em erro e foi parar na prisão, sentimos nascer dentro de nós o desejo sincero de estender-lhe a mão para que possa novamente se reintegrar na sociedade?
Ante o familiar desequilibrado e causador de problemas no lar, já tentamos exercitar a paciência, em busca de condições que possam fazê-lo acordar para os equívocos que vem cometendo em prejuízo àqueles que o amam?
Ante aqueles que carregam nos ombros a responsabilidade por administrações privadas ou públicas, temos o hábito de orar por eles para que acertem em suas decisões?
Amar o próximo como a si mesmo significa muito mais que falar, escrever ou produzir belos programas de televisão, em verdade, expressa a real necessidade de exemplificarmos, na prática, com atos, atitudes e comportamentos, a vivência cristã.
Jesus subiu ao monte e discursou à multidão aflita, tão necessitada de uma palavra de esperança e esclarecimento, mas curou o paralítico de Cafarnaum, devolveu a visão ao cego de Jericó, restituiu a saúde a um leproso, entre tantos outros exemplos de amor prático.
E nós, que estamos fazendo além de ler, estudar e comentar o Evangelho do Cristo? Já conseguimos colocar em prática o “Amar o próximo como a si mesmo”, ou ainda estamos adormecidos sobre os textos evangélicos esperando pelos “milagres” que ele possa produzir?
O nosso próximo precisa, sim, ser informado quanto às lições de Jesus, mas precisa muito que demonstremos a ele que já conseguimos viver, na prática, os ensinamentos que estamos transmitindo, senão, seremos apenas alguém que fala, ensina, informa..., mas não faz. Então a hipocrisia estará conosco, e o amor, em nossa vida, será apenas uma palavra vazia.
Reflitamos.

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A HUMILDADE É FÉRTIL
(Marcelo Teixeira)
Quem me despertou para a descoberta que dá título a este capítulo foi o ator Eriberto Leão, em entrevista concedida ao Programa do Jô (TV Globo) em 11 de dezembro de 2009. Na ocasião, ele esclareceu que a palavra humildade deriva da palavra húmus, que significa terra boa, apta a receber a semente e fazê-la germinar, gerando frutos e mais frutos. Fui, então, ao dicionário, que confirmou o que o Eriberto disse. A humildade, portanto, é fértil. Para mim, uma das maiores descobertas dos últimos tempos.
É uma grande oportunidade para revermos o conceito que temos acerca de humildade, equivocadamente interpretada como baixar a cabeça, ser simplório, usar roupas puídas e similares. Ser humilde não é nada disso, felizmente. E humilhar-se deixa também de significar rebaixar-se. É deixar-se fecundar. Muito mais fascinante e profundo.
Essa descoberta nos leva a revisitar algumas passagens evangélicas para percebermos a importância de sermos férteis e deixarmos fecundar no solo da consciência as várias sementes que a vida joga em nós diariamente.
Vou começar com a primeira das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, item 2, Allan Kardec alerta que Jesus, na citada bem-aventurança, não se refere aos desprovidos de inteligência, mas aos humildes. É para os férteis, portanto, que o reino dos céus (estado permanente de felicidade, consciência tranquila e sensação de dever cumprido) está reservado.
No livro A Voz do Monte, o escritor Richard Simonetti ressalta que não é à toa que essa bem-aventurança é a primeira a ser proclamada no Sermão do Monte. Jesus Cristo, sendo o Mestre por excelência, quis dar uma sequência lógica a tão grandiosos ensinamentos. Portanto, quis deixar claro que, para começarmos a jornada evolutiva de forma lúcida e coerente, devemos ser férteis o suficiente para termos uma ideia exata de quem de fato somos. Como isso se dá? Quando reconhecemos que somos imperfeitos, que erramos muito, que nem sempre estamos com a razão, que devemos saber receber uma crítica construtiva, que a pessoa que nos ofende pode estar passando por um momento difícil etc. Essas são algumas das sementes que nos são jogadas no cotidiano. Se a terra da nossa consciência for humilde (fértil), as sementes resultarão em colheitas de autoconhecimento, compreensão e burilamento íntimo, por exemplo. Mas se a terra for árida e infértil, as sementes não germinarão. Resultado: cólera, revide, orgulho ferido, insegurança, fanatismo e outros tantos males que nos acometem por falta de humildade.
Vai ver é por isso que, na Parábola do Semeador, outro conhecido trecho do Novo Testamento, Jesus faz questão de explicitar a natureza dos vários terrenos que receberam as sementes que o semeador jogou. As três primeiras levas de sementes caíram ao longo do caminho, entre pedras e em meio a espinheiros. Nenhuma delas brotou; foram devoradas por pássaros, esturricadas pelo sol ou abafadas pelos espinhos. Foram liquidadas pela falta de humildade, caracterizada por desinteresse, superficialidade, opressão, egoísmo, disputa de poder, desdém, preconceito. Em contrapartida, a quarta leva de sementes caiu na terra boa e produziu “cem por um; outras, sessenta e outras, trinta”. Isto é, conforme o grau de fertilidade, as pessoas amadureceram, deixaram falar a voz da consciência e produziram de acordo com o entendimento que tiveram. Mas não deixaram de produzir. Isso significa que, mesmo produzindo pouco, a tendência é que a fertilidade aumente e, aos poucos, o ser humano irá aprimorando o grau de entendimento, estando apto, assim, a ser mais humilde, à medida que for dilatando sua percepção e reconhecendo-se imperfeito, sempre necessitando aprender algo e estando aberto ao novo.
Outro bom exemplo, ainda utilizando o Novo Testamento, é o célebre episódio da mulher adúltera, prestes a ser apedrejada pela turba que pega e lincha. Aí, Jesus diz que deve atirar a primeira pedra aquele que estiver sem pecado. O que o Mestre fez? Jogou sementes de compreensão que, por motivos variados, creio, foram assimiladas por aqueles homens de pedra em punho. Eles foram levados a ter uma atitude humilde/fértil. Deixaram o ensinamento do Cristo brotar no solo de suas consciências. Deixaram de lado a aridez do orgulho e da intolerância. A semente fecundou o solo de cada um deles. Por conseguinte, brotaram muitas, que fizeram aqueles homens pensarem: - Nossa, eu também tenho inúmeros defeitos. – Se eu estivesse no lugar dela, gostaria que me atirassem pedras? – O que estou fazendo com essa pedra na mão se nem conheço essa mulher? – Não devo dar ouvidos a quem me incita a jogar uma pedra nessa pobre criatura. Senão, eu é que corro o risco de ser apontado como agitador! Enfim, sementes que, naquele momento, fizeram vários terrenos produzir cinco, dez, vinte ou cem, não importa. Foi uma produção suficiente para todos largarem as pedras e irem embora, renovados que estavam por terem se deixado fertilizar pela semente do ensinamento do Cristo, que fez com eles reavaliassem, num átimo de segundo, seus próprios valores. Isso é ser humilde. Cada um daqueles homens deve ter sido humilde a seu modo.
Creio que quando pensamos em humildade, devemos também ter sensibilidade para perceber que seu significado vai além do antônimo de orgulho.
No livro Trabalhando para si Mesmo, o escritor José Carlos Leal conta a história de um professor que, depois de 20 anos lecionando em um colégio, foi demitido. Ele, então, pegou o dinheiro da indenização e abriu um estabelecimento de ensino. Hoje, ganha muito mais como dono do próprio nariz. Ele foi humilde! Deixou-se fecundar pela oportunidade que a situação difícil apresentava e deu a volta por cima. Se não fosse humilde, teria caído em depressão ou iria procurar outro trabalho que o mantivesse no mesmo patamar salarial. Ou simplesmente ficaria com raiva do ex-empregador, cultivando a aridez do rancor e do orgulho ferido. A humildade tem, portanto, muito a ver com empreendedorismo, palavra muito utilizada nos dias de hoje. É a fertilidade de percebermos que podemos tentar outro caminho.
Evaristo Antunes, primo de meu avô paterno e presidente da União Municipal Espírita de Petrópolis (Umep) por muitos anos, certa vez testemunhou uma briga de trânsito. Ao tentar acalmar um dos motoristas, ouviu dele que estava com muita raiva porque o outro envolvido o havia mandado para algum lugar pouco recomendável. Evaristo, com muita calma e bom humor, disse: - Ué, meu filho. Não vá! Simples assim. Eis aí a humildade que é sinônimo de bom humor. Devemos ser férteis o suficiente para levarmos na esportiva quando nos agridem com palavras. É uma humildade que tem de se apresentar cheia de presença de espírito. Geralmente, desarma o ofensor e o deixa sem ação, já que tivemos a humildade de não dar importância aos desaforos. O agressor ficará sem graça, perceberá que sua agressividade não dará em nada e irá se retirar, fecundado pela nossa reação surpreendente. Corre o risco de, mais adiante, ele rir da situação, como eu já vi acontecer.
No final da década de 1970, foi ao ar na TV uma campanha publicitária chamada “Desarme-se e viva melhor”. Consistia em vários comerciais em que pessoas agressivas eram “desarmadas” pela gentileza. Lembro que, em um dos comerciais, um homem começava a discutir com outro porque acreditava que este outro havia furado a fila de espera do restaurante. Este segundo, em vez de entrar na pilha da discussão, teve a humildade de se desculpar. Ato contínuo, estendeu a mão para o estressado e convidou, ele e esposa, para se sentarem à mesa, pois também estava acompanhado da mulher. O indivíduo que iniciou a discussão sorriu sem graça e aceitou o convite.
Conheço uma história ótima sobre duas pessoas (não sei se parentas ou amigas) que começaram a discutir. Uma delas, no auge da briga, disse para a outra algo do tipo “Você é isto, isso, aquilo e mais aquilo outro!” A ofendida, então, virou-se para a ofensora e perguntou: “Você acha mesmo que eu sou isso tudo aí?” “Acho sim!”, respondeu a primeira pessoa, encolerizada. A segunda, então, arrematou, serena: Então tá! E pôs fim à briga, deixando a outra completamente sem ação.
A humildade às vezes se mostra difícil porque requer presença de espírito, algo que anda meio esquecido. Preferimos apelar para o estresse, a discussão acalorada, o mau humor e o orgulho ferido. Resultado: terreno infértil que não deixa nenhuma semente brotar.
Miriam Machado, com quem trabalhei na Editora Vozes, contou certa vez que o ex-marido entrou numa de querer emancipar a filha, então com 16 anos. Para tanto, fez a cabeça da menina. Esta, por sua vez, começou a perseguir a mãe com a ideia. O que Miriam fez? Foi humilde. De que forma? Concordou de pronto com a emancipação, alegando que, se a filha e o ex-marido queriam, não seria ela, voto vencido, a ficar brigando (falta de humildade). O assunto morreu. Se a inteligência de Miriam não fosse humilde, ela bateria de frente com ambos e colocaria os três num infindável estresse.
Há muitos outros comportamentos que evidenciam nossa falta de humildade/fertilidade. Teimosia é um deles. Sabe aquelas pessoas que insistem em um caso perdido? Há várias histórias assim. Gente que se recusa a enxergar o óbvio e passa às vezes uma existência inteira malhando em ferro frio. Conheci um senhor viúvo que não se conformava com as escolhas da única filha. Na cabeça dele, a filha tinha de ser uma princesa, além de estudiosa. Só que ela nunca ligou para estudar (terminou aos trancos o Ensino Médio), não casou como manda o figurino – apenas juntou as escovas de dente com o amado –, fez um curso de cabeleireira e foi trabalhar num salão. Perfeito para ela, que sempre cuidou direitinho do pai, dos filhos e do marido. Só que o pai, em vez de ter a humildade de enxergar com bons olhos as escolhas da filha, preferiu persegui-la. Foram anos e mais anos de implicâncias e agressões verbais, direcionadas ao marido dela também. Na cabeça desse pai, a filha tinha de voltar a estudar e se casar com véu, grinalda e flor de laranjeira. Passou décadas estressando a família e teimando contra o óbvio, feito um cachorro tentando morder o próprio rabo – ou seja, roda, roda e não consegue. Até que desencarnou. Agora, deve estar aprendendo o valor de uma postura fértil, que se deixa fecundar pelas escolhas justas que os filhos fazem, embora nem sempre condizentes com os sonhos dos pais. Saber respeitar as escolhas alheias é também ser humilde.
Quero falar de outra evidência da falta de humildade: a dificuldade que algumas pessoas têm de aceitar as mudanças pelas quais o mundo passa. Falo de gente reacionária, que se recusa a admitir que o novo sempre vem. Sim, reacionarismo e terreno árido e duro fazem uma parceria bastante incômoda. É a turma que não dá o braço a torcer de jeito nenhum; os donos da verdade. Haja pá, enxada, ancinho, picareta e fertilizante para revolver essas terras! Mesmo assim, muitas continuam áridas. Pena!
Meu consolo é saber que um dia, a golpes de dor, a Terra se verá obrigada a ser humilde e, finalmente, deixar-se-á fecundar pelas sementes de uma nova mentalidade. Se não for nesta existência, será numa próxima ou até mesmo no plano espiritual. Afinal, os empedernidos também desencarnarão um dia. E a meu ver, não existe maior gesto de humildade do que se deixar fecundar pela realidade da vida espiritual. Para quem é árido, deve ser um grande baque. Talvez seja por isso que as reuniões mediúnicas tenham sempre tanto trabalho, que é esclarecer os que deixaram este mundo e se recusam a admitir o fato.
Tenho de falar, também, sobre gente que não reconhece que errou e que não pede desculpas, mesmo sabendo que errou. Já repararam como são áridas e conturbadas, desprovidas de paz interior? Quantos relacionamentos conjugais, familiares e entre amigos já se desfizeram por causa da falta de um simples pedido de desculpas! Quanta dureza de solo! E o que dizer dos fanáticos, seja por religião, futebol, partido político etc.? Só eles estão certos. Os demais, errados por pensarem de forma diferente. Mentes fechadas que não se deixam fertilizar/humilhar pela capacidade de perceber que tudo é relativo.
Vou arrematar este capítulo contando uma reportagem a que assisti no “Jornal Hoje” (TV Globo), na década de 1990. Era sobre um senhor da cidade de Ituiutaba (MG). Nome: Deócles Gomes Machado, mas era carinhosamente chamado de Tio Doc. Um dia, Doc (desculpe a intimidade) ficou viúvo. Aposentado e já com certa idade, em vez de mergulhar na solidão, optou por ser solidário. Bem solidário, aliás. Procurou terrenos vazios, pediu autorização aos donos e iniciou uma lavoura em cada um. As mudas, ele comprou e continuou comprando com o dinheiro da aposentadoria. Em pouco tempo, brotaram cenoura, rabanete, couve, espinafre, batata, chuchu, abóbora, alface, chicória, tomate, beterraba, agrião. E também laranja, maçã, mamão, banana, abacate e outras tantas frutas e legumes e verduras.
Tio Doc, então, pegou o carrinho de mão e começou a distribuir o resultado das colheitas nas creches e abrigos de idosos da cidade. “Quando eu morrer, não vou levar nada. Tenho que levar meus bons atos. Trabalhar em benefício do próximo”, disse ele com uma humildade que só quem é muito grande sabe ter. Confesso que chorei de vergonha. Fiquei comovido e profundamente envergonhado de estar diante daquele homem, embora pela TV. Senti-me tão pequeno que tive vontade de ir chorar debaixo da mesa, de tão esmagado que fiquei diante de tanta grandeza, tanta fertilidade que se deixou germinar por sementes de amor incondicional ao próximo. Sementes que brotaram em forma de doação e geraram alimentos para pessoas carentes. E tudo graças a uma iniciativa tão simples e tão forte, tão bela!
Cerca de 20 anos depois, Tio Doc desencarnou, e o Jornal Nacional (TV Globo) registrou a morte daquele grande homem, que chegou a alimentar 1,2 mil pessoas por mês. Estava com 105 anos de idade e decerto chegou ao plano espiritual colhendo frutos abundantes originários de tanta semente que ele deixou germinar no solo e no coração.
A história poderia parar por aí. Só que Tio Doc deixou seguidores. Entre eles, Valmir, outro aposentado, que ficou cuidando das hortas em terrenos baldios e herdou de Deócles o amor pela terra e o carinho pelas crianças e idosos. “Porque se uma pessoa faz, a outra faz. Dez mil ajudando, o que vai acontecer? Vai melhorar tudo, não vai?”, arrematou.
Tanto terreno baldio ou fechado espalhado por aí! Já pensou se cada pessoa resolver fazer uma horta em um desses terrenos e distribuir o resultado da colheita a quem necessita? Quantos frutos de amor, doação e humildade pra lá de fértil erguendo pessoas!
Como foi bom descobrir que a humildade é fértil! Acho que isso pode facilitar a transformação moral de muita gente, a começar pela minha.

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OS PRIMEIROS MÉDIUNS DA CODIFICAÇÃO ESPÍRITA E A INICIAÇÃO ESPÍRITA DE KARDEC
(Jorge Leite de Oliveira)
Nos meios literários acadêmicos, é bastante comum a referência à obra A história de Joana D'Arc contada por ela mesma. Esse livro foi psicografado pela médium Ermance Dufaux de la Jonchère, médium desde os doze anos de idade, mais conhecida como Ermance Dufaux, e publicado quando esta tinha 14 anos. Em 1855. Na época, os neologismos psicografia, médium e mediunidade ainda não tinham sido criados por Allan Kardec, que conheceu a jovem no dia da publicação da primeira edição de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857.
A partir desse dia, Ermance Dufaux passou a colaborar ativamente com Kardec, na segunda edição d'O Livro dos Espíritos, que foi ampliado de 508 para 1019 questões. São Luís, seu guia espiritual, também transmitiu-lhe mediunicamente a obra Confissões de Luís IX. História de sua vida ditada por ele mesmo, escrita em 1857, mas somente publicada em 1864, devido à censura da época, que proibiu sua publicação antes desse ano.
Outras médiuns que também colaboraram com as obras da Codificação Espírita foram as jovens Caroline Baudin (18 anos), Julie Baudin (16 anos) e Ruth Celine Japhet (20 anos) e a Sra. De Plainemaison.
Devido à intolerância religiosa da época, Kardec, cujo nome era Hippolyte-Léon Denizard Rivail, adotou o pseudônimo Allan Kardec e omitiu o nome dessas e outros médiuns, em um total de mais de dez pessoas, que colaboraram na elaboração das obras da codificação espírita, cuja autoria, já sugerida no próprio título do primeiro livro, era, em essência, dos Espíritos.
Mas como começou a missão de Kardec?
O Sr. Fortier, em dez de 1854, falou, entusiasticamente, com o professor Rivail (Allan Kardec) sobre os fenômenos das mesas girantes e falantes; mas este fez pouco caso do assunto, considerando-o um absurdo, pois mesa não tem "nervos para sentir nem cérebro para pensar".
Em 6 de janeiro de 1855, o Sr. Carlotti foi quem primeiro falou a Kardec sobre a intervenção das almas no "fenômeno da mesa". Como estudioso do magnetismo durante 35 anos, o prof. Rivail julgou que tudo não passava de animismo, ou seja, influência da própria alma do magnetizado. Ainda assim, resolveu conferir pessoalmente a informação.
E foi, então, na casa da Sra. Roger, em 1º de maio de 1855, que Kardec teve os primeiros contatos com o fenômeno intitulado "das mesas girantes". (O espiritualismo americano, decorrente dos chamados fenômenos de Hydesville, já vinha sendo praticado na França desde abril de 1853[1].) A Sra. Roger evocou o Espírito de um amigo do Sr. Pâtier e foi atendida. Nesse dia, a Sra. Plainemaison convidou Rivail (Kardec) para assistir a próxima sessão na casa dela. Ele compareceu, em 8 de maio de 1855, e, ante os fenômenos extraordinários e de alta elevação espiritual que presenciou, pela mediunidade da Sra. Plainemaison, passou a estudar e reunir-se com os demais médiuns para construir o edifício da elevada Doutrina Espírita, sob a coordenação maior do Espírito de Verdade.
Começava ali o surgimento de outras grandes e extraordinárias obras literárias mediúnicas, cujo propósito principal é o de convencer-nos sobre a realidade da vida espiritual e aprimorar nossos espíritos na eterna ascensão no rumo da perfeição.

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O APROVEITAMENTO DAS RIQUEZAS TERRENAS
(Altamirando Carneiro)
Quando Jesus disse que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus, ele não falou contra a riqueza, mas chamou a atenção para o seu bom aproveitamento.
Quando bem aproveitada, a riqueza gera bem-estar social, conforto, saúde, alegria e soluciona muitos problemas da Humanidade. Quando mal aplicada, gera a fome, a desolação, o desespero, a aflição e uma grande série de males.
Este ensinamento de Jesus aconteceu depois que um moço rico lhe perguntou o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus respondeu que o moço deveria cumprir os mandamentos.
Ele ficou muito alegre, pois como assíduo aluno dos escribas do Templo, cumpria os mandamentos, desde a mocidade. Jesus, então, disse que uma coisa ainda lhe faltava: vender todos os seus bens, distribuir com os pobres e segui-Lo. O moço abaixou a cabeça e se retirou, muito triste. Diante disso, Jesus falou aos Apóstolos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus. (Lucas, 18: 25)
O moço cumpria os requisitos próprios de um bom cristão; no entanto, o apego à sua fortuna material o impedia ao mais importante: a prática da caridade. Ao recusar o convite de Jesus, ele perdeu a oportunidade de participar da mais extraordinária missão desempenhada por um missionário, na Terra.
O Evangelho apresenta um exemplo interessante de desprendimento da riqueza: a história de Zaqueu, chefe dos publicanos (cobradores de impostos) em Jericó, que recebeu Jesus em sua casa, comprometendo-se a doar a metade dos seus bens aos pobres e, se comprovado que ele tivesse causado dano a alguém, seja no que fosse, indenizaria com outros tantos.
No livro Boa Nova (FEB), psicografado por Francisco Cândido Xavier, Humberto de Campos registra que Zaqueu informou a Jesus que tinha sido observado como um homem de vida reprovável, mas há muitos anos ele vinha empregando o dinheiro para proporcionar benefícios a todos os que o rodeavam. Disse ainda que, observando que em Jericó havia muitos pais de família sem trabalho, organizou múltiplos trabalhos de criação de animais e de cultivo permanente de terra e que até de Jerusalém muitas famílias vieram buscar, em seus trabalhos, o indispensável recurso à vida. E que os servos de sua casa nunca o encontraram sem a sincera disposição de servi-los.
Encontramos também no Evangelho (Lucas, 16: 19 a 31) a Parábola do Rico e Lázaro, que narra a situação de dois Espíritos após a existência terrena, em que um escolheu a prova da riqueza e o outro, a da pobreza sofrida. O rico e o pobre (Lázaro) simbolizam a Humanidade sempre em disputa. O rico passou a vida na fartura, insensível aos seus semelhantes, más ações cujo efeito é sofrer no Plano Espiritual. O pobre sofreu no mundo, resignadamente, e goza na vida Espiritual o seu bom aprendizado de humildade numa vida difícil.
Ainda em Lucas, 12: 13 a 21, a Parábola do Rico Insensato fala de um lavrador rico que teve uma grande colheita e não tendo onde guardar os frutos, erradamente concluiu derrubar os seus celeiros e os reconstruir maiores e aí guardar todos os seus bens. Tendo muitos bens em depósito para longos e dilatados anos, poderia descansar, comer, beber, regalar-se, sem ter que trabalhar. Porém, na mesma noite desencarnou e viu que de nada valeu a acumulação de tais bens, porque os bens transitórios do mundo não prevalecem para as vidas futuras. Como diz o provérbio: “Do mundo nada se leva, a não ser as aquisições nobres da Alma”. No final da parábola, Jesus diz: “Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.

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ABNEGAÇÃO: FAZER O BEM AO OUTRO EM PRIMEIRO LUGAR
(Ivomar Schüler da Costa)
A abnegação, a terceira na classificação que Kardec faz das virtudes elementares da caridade, é de extrema importância. Talvez seja a que, no senso comum, mais se confunda com a própria caridade.
Comecemos explicando que abnegação é a realização efetiva do bem de outrem acima do nosso próprio bem, o que significa colocar de lado a satisfação prioritária das nossas necessidades individuais em prol da satisfação das necessidades dos outros. Acontece que entre a realização do bem para o outro e a nossa vontade de realizá-lo existem imensos obstáculos internos e externos que devem ser vencidos.
Quando se tem duas alternativas excludentes, como as de realizar o nosso próprio bem ou o bem do outro em primeiro lugar, obrigatoriamente deve-se escolher uma e, por conseguinte, renunciar a outra. Se renunciamos aos próprios benefícios ou vantagens para que o bem do próximo se realize, fazemos um ato de abnegação. Portanto, esta virtude caracteriza-se por dois momentos, um é o de escolha e o outro é o dos esforços necessários para a realização do bem do outro. Assim, escolha e esforço se distribuem em dois momentos iterativos. As ações resultantes destes momentos são conhecidas como renúncia e “sacrifício”.
Conjuntamente aos dois momentos, destacamos três notas constituintes da abnegação: a reflexão, a constância e o desinteresse pessoal.
Nem sempre o que é o bem para o outro está claro em nossa mente. É preciso, então, refletir para distinguir e deliberar conscientemente e livremente. Como uma ação realizada involuntariamente ou inconscientemente está desprovida de valor moral, a distinção, a deliberação e a escolha do que é o bem para nós e o bem para outrem se reveste de alta importância. Kardec nos ensina que a abnegação irrefletida é como fogo de palha, ou seja, não tem continuidade, apaga-se ao primeiro vento. Assim, a reflexão torna a abnegação mais firme: Ao elogiar os espíritas espanhóis ele diz: [...] não uma abnegação irrefletida, mas calma, fria, como a do soldado que caminha para o combate dizendo a si mesmo: O que quer que me custe isto, eu cumprirei o meu dever. Não é essa coragem que flameja como um fogo de palha e se extingue ao primeiro alarme; [...].
Ao comparar a irreflexão ao fogo de palha, que se apaga facilmente, Kardec também ressalta a constância, a continuidade dos esforços para realizar o bem do outro. E, se não houver pleno desinteresse pessoal, ou seja, se o esforço não for feito sem a busca de vantagens ou benefícios pessoais, com a mais pura intenção de praticar o bem pelo próprio bem, jamais será abnegação verdadeira.
Mario Ferreira dos Santos esclarece no seu “Dicionário de Ciências Sociais e Culturais” que o termo “abnegação” deriva da palavra latina abnegatio, cujo sentido é o de “ação de sacrifício”. O termo é formado pela junção dos termos latinos sacrum e facere, ou “fazer o sagrado”. Ele nos diz que “Etimologicamente significa a oferta ou destruição de um bem sensível em benefício de um ser superior, a fim de reverenciá-lo, ou para agradecer os benefícios recebidos, ou para pedir perdão pelos erros praticados. O sacrifício religioso realiza-se por meio de rituais e cerimônias”; Sacrifício “É também a renúncia voluntária do que se possui ou do que se poderá obter com um fim religioso, moral, artístico e até utilitário”. Portanto, não se trata de qualquer sacrifício, mas o sacrifício voluntário de bens que se possui ou se possuirá, ou de si mesmo, em benefício de outrem. O bem maior que um indivíduo poderá ofertar ou renunciar é a sua própria vida, quando ele se entrega totalmente ao bem do próximo, de maneira constante.
Naturalmente, a finalidade da renúncia é puramente espiritual. Deveras, o Espiritismo nos ensina a espiritualizar o sacrifício. Na antiguidade, quando éramos ainda mais imperfeitos do que hoje, precisávamos de manifestações exteriores de adoração, ou seja, precisávamos “materializar” o nosso “fazer sagrado”, ofertando ou destruindo coisas materiais, inclusive animais e seres humanos, em honra da divindade.  Hoje sabemos que o sacrifício que devemos realizar é o do nosso egoísmo, tornando desnecessários rituais e cerimônias exteriores. Observemos que esta oferta ou destruição de algo deve ser feito em “benefício de um ser superior”. Jesus ensinou que devemos amar a Deus, amando ao próximo; assim, o “ser superior” para nós é o próximo, o outro, por isso a abnegação é o sacrifício em benefício do outro. Na abnegação o outro passa a ter prioridade sobre nós mesmos.
Embora durante muito tempo imperasse esta noção mais materializada de sacrifício, e mesmo que em “O Evangelho segundo o Espiritismo” alguns Espíritos se utilizem desta terminologia, o sentido correto dela é o de esforço. Realizamos a renúncia e o esforço quando doamos, além daquilo que nos é supérfluo, o que nos é verdadeiramente necessário, ou então abdicamos das nossas facilidades e praticamos o bem a custo de enfrentarmos situações que para nós sejam difíceis. Uma análise atenta das obras básicas do Espiritismo nos mostra, então, que “sacrifício” é o esforço concretizado e abnegação é o resultado da superação do egoísmo, do interesse pessoal, para promover o bem do próximo.
Existe ainda um entendimento equivocado que se faz necessário esclarecer. Ser abnegado não significa que se deva abdicar da própria razão e vontade para se submeter à vontade de outra pessoa ou instituição: “Jamais o Espiritismo disse que seria preciso fazer abnegação de seu julgamento, [...]”, ou seja, ninguém precisa renunciar à sua capacidade de pensar e julgar para ser abnegado. A obediência estreita não é abnegação. Ao contrário, ela exige que estas duas faculdades humanas sejam constantemente usadas e fortalecidas, pois se assim não for, carecerá de valor moral. Um ser sem vontade é uma “coisa”, portanto, sem liberdade. Não importa, caso fosse possível, se o ser abdicou ou lhe foi retirada a vontade; o que importa é que ele se tornou “escravo”. Algumas expressões que aparecem nos evangelhos e nas obras básicas, como “esquecimento de si mesmo” [vi] e “renúncia à própria personalidade” têm o significado de autodesapego e não de autoanulação, como ainda equivocadamente pensam algumas pessoas.
Contrariamente ao entendimento equivocado, renúncia e sacrifício, ou escolha e esforço não significam de maneira alguma a anulação total da individualidade, mas sim elevação moral. A abnegação é uma virtude que em vez de anular nos faz transcender, pela renovação do eu. É este o sentido das seguintes passagens dos evangelhos: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz", em que renunciar, como esclarecido, implica realizar a escolha de abandonar o egoísmo, e tomar a sua cruz é realizar o esforço necessário para tanto, "pois quem quiser conservar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por mim, salvá-la-á". Esta é uma promessa de conquista da renovação íntima pelo encontro consigo mesmo.
Para que entendamos mais claramente, lembremos que salvação, em Espiritismo, significa libertação. Então, quem realiza a escolha de abandonar o egoísmo e se predispõe ao esforço necessário para vencer esta força titânica, salva-se, ou seja, liberta-se dele; a abnegação tem papel importante nesta libertação.
No intuito de entendermos completamente o alto significado desta virtude essencial à caridade, apresentamos exemplos que nos dão dados pela insigne Joanna de Ângelis:
“Tem origem nos pequenos cometimentos do auxílio fraternal, com renúncia pessoal, mediante a qual a imolação reserva para quem a exerce a alegria de privar-se de um prazer, em prol do gozo de outrem.
 Uma noite de sono reparador trocada pela vigília junto a um enfermo não vinculado diretamente aos sentimentos, quer pela consanguinidade ou por interesses de outra procedência;
 A cessão de um bem que é preciso e quiçá faça falta, desde que constitua alegria de outra pessoa;
 A paciência e a doçura na atitude, com esforço e sem acrimônia interna, na desincumbência de um grave mister, dirigido às criaturas humanas;
 A jovialidade, ocultando as próprias dores, de nodo a não afligir aqueles com os quais se convive;
 A perseverança discreta no trabalho mortificante, sem queixa nem enfado, desde que resultem benefícios para os demais;
 A ação não violenta, o silêncio ante a ofensa, a não defesa em face de indébitas acusações, considerando, com esse esforço sacrificial, não comprometer nem ofender a ninguém, são expressões de renúncia ao amor-próprio, dando lugar à abnegação, que ora escasseia entre as criaturas, e, no entanto, é essencial para a construção do bem entre os homens da Terra”.
Do ponto de vista da ética, abnegação é a virtude que tem como objetivo a realização dos interesses do próximo[ix] prioritariamente aos nossos. Ela se opõe ao individualismo, ao hedonismo e, em certa medida, ao utilitarismo.
Cremos ter conceituado os elementos principais da abnegação, embora não sejam os únicos, mostrando que ela é constituída pelo desinteresse pessoal, pela reflexão e pela constância; caracterizando-se ainda pela escolha refletida e pelo esforço para fazer o bem ao outro acima do nosso próprio bem.
  

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A PRECE E O EQUILÍBRIO ESPIRITUAL
(Édo Mariani)
No Evangelho de Matheus, cap. 16, versículos 16 a 19, após pergunta de Jesus, inquirindo dos apóstolos o que dizia o povo ser Ele, Pedro tomando a palavra respondeu: “Tu És o Cristo, o filho do Deus Vivo”, tendo Jesus afirmado: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foram carne e sangue quem to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus.” Jesus continuou afirmando: “Também tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na Terra terá sido ligado nos Céus”.  No Evangelho de Marcos, cap. 12, versículos 10 e 11, Jesus volta a falar sobre a importância da pedra, afirmando: “Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; Isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos!”
Com base nessas afirmações de Jesus, deduzimos que a Religião Dominante tenha criado a figura do Papa que seria no seu entendimento, o representante de Deus na Terra e o substituto de Pedro, o Apóstolo.
Refletindo no ensinamento de Jesus, retirando da letra que mata, o espírito que vivifica, compreenderemos que Ele, Espírito sublime, puro e perfeito, não conceberia a possibilidade de colocar sobre um homem, mortal e falível, a responsabilidade de ser o intermediário direto entre o Céu e a Terra.
Inquirimos então: onde está a pedra na qual Jesus edificou a sua Igreja? Temos a certeza de que não está sobre Pedro, que por três vezes O negou junto à prisão.
Os ensinamentos deixados por Jesus são por demais importantes, pois Sua palavra nunca foi dita em vão. Por isso a igreja de Jesus só pode estar assentada na revelação, onde se assentam as bases da ligação entre os homens e os Espíritos desencarnados. Foi o que aconteceu com Pedro, médium inspirado, intuído por um mensageiro celestial lhe revelou ser Jesus, o Cristo, filho de Deus vivo.
Para nos comunicarmos usamos da palavra falada ou escrita. A comunicação é o veiculo pelo qual aprendemos na vivência uns com os outros; é o meio de nos relacionarmos sentimentalmente; de convivendo, poder efetuar os acertos tão necessários na correção de faltas e ressentimentos do passado. É por esse meio que progredimos, que nos elevamos, subindo de classes na escala espírita idealizada por Kardec.
Da mesma forma é também imprescindível a nossa comunicação com os Espíritos, o que se dá através da mediunidade que propicia a revelação do Céu à Terra sem o que demoraríamos muito mais séculos para descobrir o manancial imenso de verdades que nos são desconhecidas.
Os Espíritos superiores informaram a Kardec que são eles que nos dirigem. Como poderiam nos dirigir sem que houvesse meios de comunicação recíproca? Só através da revelação, “a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio ser a principal pedra, angular...”, é possível o intercâmbio com os desencarnados e deles receber as orientações necessárias ao homem, para que este, por sua vez, seja colaborador de Deus para o progresso da Terra e nosso também.
Em todos os tempos da humanidade fomos intuídos pelos mensageiros celestes para a manutenção do contato com os desencarnados. Isto é lei divina, lei de amor e de misericórdia para que não fiquemos no desamparo. Se perlustrarmos a história dos povos, mesmo as mais antigas civilizações, verificaremos que esse intercâmbio sempre existiu.
Ensina Cairbar Schutel em "Parábolas e Ensinos de Jesus": “A Revelação é a base fundamental da Religião.
Toda a moral, toda a filosofia, toda a ciência têm por base a Revelação. Ela é o fundamento de todo progresso, é a Pedra inamovível sobre a qual se ergue o edifício da verdade, que abriga a Humanidade.
(...) Daí a resolução divina em colocar a Pedra Rejeitada como Cabeça de Esquina; e os que nela tropeçam são esmagados”.
Dessa forma, estamos convictos de que para o homem manter-se equilibrado, realinhado com o plano divino sobre o seu destino para bem cumprir os objetivos de sua missão no trabalho da evolução, é de suma importância aprender a relacionar-se com as forças espirituais que Deus oferece a todos os que se colocam em condições de buscá-las e merecê-las.
Como proceder para nos colocarmos em condições propícias de bem nos relacionarmos com o mundo espiritual? Jesus nos ensinou: “Quem busca acha e quem bate recebe”.
Assim, estamos compreendendo que é por meio da prece que nos preparamos para manter uma harmoniosa sintonia com o plano espiritual e assim nos colocamos nas condições ideais para dele nos abastecermos do que necessitamos.
Ensina Rodrigues Ferreira, autor do livro O Espiritismo e as Distorções do Ser Humano: “Na visão espírita, a oração corretamente cultivada altera a vibração mental de quem ora e, por isso, coloca a espiritualidade no coração”.
A finalidade da oração não é pedir para receber, mas preparar para merecer. A prece busca proteção; ela promove a alteração vibratória da mente para um nível mais elevado, facilitando, simultaneamente, a fuga das ligações inferiores e a abertura da mente para ligações superiores. Vemos que a Lei Divina colocou a proteção dentro do próprio homem.
A prece é de grande eficácia quando feita com conhecimento inabalável do seu poder perante as leis que regem os mundos e os homens.
A fé raciocinada preconizada por Kardec, aquela que é capaz de encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade, é a que carecemos para a obtenção do nosso desiderato.
Nestes tempos em que grandes perturbações assolam a humanidade, o Espiritismo vem nos trazer as diretrizes eficazes para o equilíbrio espiritual, esse escudo protetor, a oração e pensamentos puros, procedimentos imprescindíveis às ligações com a fonte divina, verdadeiro manancial de força e coragem, que necessitamos para o melhor aproveitamento da atual existência terrena.
A prece é, então, o instrumento por meio do qual nos relacionamos com o mundo dos Espíritos, pois é através dela que elevamos as nossas vibrações, e é assim que se abrem os caminhos para a ligação de pensamentos, tanto para o bem como para o mal. Orar é tão importante para a alma como o pão é para o corpo. Aprendamos a orar como nos ensina o Espiritismo, e assim poderemos participar do convívio mental com os amigos espirituais.
Observemos o que nos ensina André Luiz em “Missionários da Luz”: “Toda a prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda a criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de energias da divindade”. (grifo nosso)
Por tudo isso, com o estudo disciplinado e constante, aprenderemos como conquistar a fé raciocinada e, assim, equilibrar nossas vibrações para nos sentirmos seguros e confiantes de que seremos atendidos, na conformidade do nosso merecimento.
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O CÉU E O INFERNO: UM RELATO DE PESQUISA E VISÃO DA VIDA VITORIOSA
Almir Del Prette e Eugênia Pickina
Maltratar as oportunidades é tão só um claro indício de imaturidade.
Pensemos juntos: o Espiritismo tem um caráter educativo. Não apenas porque seu fundador, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804–1869), depois Allan Kardec, tenha sido um respeitável educador francês, seguidor de Pestalozzi, mas porque o núcleo da filosofia espírita diz respeito a uma proposta de educação do Espírito.
Por esclarecer a ilógica do drama da queda e do pecado, o Espiritismo, respaldado no uso da razão, discorda da jornada humana como uma história de salvação, pois na realidade tudo corre conforme previsto pelo Criador, à medida que a humanidade continua a vivenciar (neste planeta) um processo educativo destinado à perfeição. Neste sentido, o Criador não poderia ter cometido um erro de planejamento grosseiro, não prevendo que as primeiras criaturas iriam, por uma curiosidade natural, desobedecê-Lo. O erro inicial da proibição absurda levaria ao erro final da salvação de poucos, especialmente pela prática da adulação?
Ademais, se lemos o Espiritismo com olhos reflexivos, nele reconhecemos com transparência o parâmetro da liberdade, pois fomos lançados livres no universo e Deus, entendido como Pai, por isso nos permite até mesmo vivenciar estações existenciais sombrias para aprendermos, por conta própria, o valor do bem e das virtudes. Ou seja, em palavras simples, o erro participa naturalmente do existir humano.
O principal ganho desta “autoeducação”, e continuada através de existências sucessivas, está implicado com o experimentar no campo íntimo que o pequeno “eu” por esforço próprio está a vencer o egoísmo, impregnando seu existir com o altruísmo, a principal qualidade a guiar sua prática futura aqui e em outras dimensões da Vida.
Se a caminhada é solidária, a transformação pessoal é uma experiência solitária, vivenciada no âmago de si mesmo. Um olhar para dentro de si, que começa nas sombras dos equívocos das distorções daquele que teme o encontro consigo mesmo até a descoberta que esse é o caminho para o autoconhecimento, a verdade e a libertação.
Ora. É um engodo, portanto, e mesmo para pretender apaziguar temas religiosos discordantes, querer conciliar um Deus de Amor – que zela pela liberdade de seus filhos e filhas – com dogmas que entendam a existência humana presa à tragicidade do pecado, submetendo em consequência o indivíduo ao ambiente das penas do inferno ou de um local aonde ele vá, depois da morte, purgar suas culpas e maldades. Não seria este um Deus do horror e do pavor?
Este ano o livro O Céu e o Inferno comemora 150 anos. Nesta obra Kardec aborda, entre inúmeros temas, céu, purgatório e inferno, afastando, com o uso da razão, a existência das penas eternas ou de um local “fixo” para o ser humano, após a morte, purgar as suas culpas, não aludindo, portanto, ao cenário dantesco.
Não. Kardec, esclarecido, tanto assegura a inexistência das penas eternas, como, apoiado na falange do Espírito de Verdade, substitui os conceitos pagãos e católicos, equivocados, pela ideia de evolução contínua pela reencarnação.
Graças, então, à prática realizada através das existências sucessivas, é sabido que o ser humano adentra de novo a “estação corpórea”, para pôr em prática seu processo autoeducativo e, ao mesmo tempo, se for necessário, purgar seus erros infelizes do passado.
Contudo, todo ser humano, sem exceção, sempre é genuinamente assistido pela Misericórdia, inspirado pelas boas presenças que assistem à sua passagem na Terra, local no qual lhe é dada a oportunidade de bem viver e desenvolver-se rumo à beleza e ao bem que estruturam os grandes Espíritos, tal como Jesus, o autêntico modelo de quem se percebe espírita e cristão.
O livro O Céu e o Inferno abre, sem ressalvas e por isso sem receio, as janelas do misterioso “transe da morte”. E longe de encontrar uma nova caixa de pandora o homem se depara com uma realidade muito mais simples e suportável do que aquela da visão condicionada pelas religiões necrófilas. A vida prossegue vitoriosa após a passagem.
É certo que o “morrer” como o “nascer” têm normas da vida comuns a todos os Espíritos, entretanto, a passagem de um lado para o outro pode ser mais ou menos “sofrida” na dependência da condição espiritual daquele que vem ou vai para a erraticidade. Quando o processo atingiu seu limite, ao contrário do que pensam alguns, o não nascer e o não morrer é que seriam traumáticos. Portanto, morrer, segundo pode ser inferido da leitura de Allan Kardec, tem uma semelhança com o nascer.  Trata-se de um processo de passagem de um lado para o outro para experiências evolutivas que em alguns aspectos se aproximam e, em outros, se distanciam.
O livro O Céu e o Inferno é, também, um relato de pesquisa, que na atualidade receberia a denominação de “analítica descritiva”. Trata-se, sem dúvida, de um material muito rico que merece, por parte dos estudiosos, seguidas leituras.
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UMA REFLEXÃO SOBRE A NOVA ERA
“Na casa de meu Pai há muitas moradas”
Wagner Ideali
O nosso planeta já passou por inúmeras mudanças ao longo dos tempos. Desde sua criação, tivemos constantes mudanças, mas todas em torno de guerras, o forte mandando no mais fraco. Desde o início dos tempos, sempre tivemos o orgulho, a vaidade e toda sorte de comportamentos não edificantes dominando o planeta. Tantos já falaram em destruição do planeta, já criaram tantos deuses, como também já acabaram com DEUS inúmeras vezes.
De tempos em tempos a espiritualidade nos dá um conforto, nos impulsiona para frente com o envio de profetas, Espíritos iluminados, cientistas e filósofos, ou seja, pessoas que nos mostram sempre a possibilidade de um mundo melhor. Tivemos Sócrates, Platão, Moisés, nosso Mestre Jesus, Francisco de Assis, bem como tantos cientistas, poetas e outros desconhecidos para nos mostrarem que o Amor sempre vence e vencerá.
No final do século XIX tivemos Kardec, com a implantação do Espiritismo, nos apresentando um caminho, chamado por Jesus de “O Consolador”. Nesse momento nos foi mostrado que uma nova fase estaria por chegar. Passamos pela fase de planeta primitivo, onde reinava os clãs, as tribos, não existia qualquer espaço para a inteligência formal, nem sentimentos mais profundos. Nessa fase nós estávamos mais próximos da animalidade do que da racionalidade. Depois entramos na fase de mundo de expiação e provas, na qual vivemos ainda hoje. Um planeta de sofrimento, a ponto de nos dizer Jesus: “A felicidade não é desse mundo”. Um mar de ilusões e paixões, um planeta onde, já em plena atividade intelectual, ainda com comportamento animalesco, egocêntrico e dependente do material, em círculos contínuos de idas e vindas em sucessivas reencarnações expiatórias. A marcha da evolução não para, e nós estamos para adentrar a NOVA ERA, esse novo período, falado por muitos espiritualistas como sendo uma nova fase de evolução. Um novo momento, uma nova energia dando oportunidade para Espíritos preparados começarem a reencarnar, dando ao nosso planeta uma outra dimensão. No entanto, como no dizer de Jesus, nem todos poderão participar desse banquete, somente aqueles que estiverem vestidos com a roupa nupcial. O que seria essa roupa nupcial? Não seria uma evolução compatível com o novo estado de espiritualização do planeta? Não seria um posicionamento nosso dentro de padrões éticos e morais condizentes com o novo momento? Não significa que estaremos no terceiro milênio dentro de um Paraíso, mas sim, numa nova fase: muito ainda a caminhar; ainda sofrimento, mas não nos moldes atuais; ainda lutas, mas não dentro de injustiças como aparentemente podemos ver. As lutas estarão num outro contexto de evolução. O Espiritismo já vem anunciando há muito tempo o advento dessa nova era.
A preocupação atual da humanidade tem sido o prazer momentâneo, a conquista tecnológica, a busca da disputa em todos os níveis. Isso ainda poderá nos levar a dolorosos processos cármicos. Está na hora de mudar o foco para algo maior, mais profundo em nossas vidas. O momento, então, precisa ser de reflexão, de busca interior para o profundo do ser... Momento de renovação. Aquele que estiver preparado, com profunda base moral no trabalho e na caridade, será o herdeiro dessa nova era. Seriam os espíritas? Ateus? Outra religião ou religiosos? Nada disso importa. Na verdade, serão “aqueles que fizerem a vontade de meu Pai”, como nos alertou Jesus.
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A GRAVE CRISE DO CRISTIANISMO SE DEVE ÀS DOUTRINAS “VENCIDAS”
JOSÉ REIS CHAVES

Há séculos que o Cristianismo está em crise. À proporção que evolui a humanidade, crescem as dificuldades para a aceitação de algumas de suas doutrinas, o que causou as suas divisões.
E uma das questões que mais têm que evoluir é exatamente as doutrinárias religiosas, principalmente as relativas aos conceitos de Deus. Daí que eles sempre variaram e variam com o desaparecimento de uns e o surgimento de outros novos, mais lógicos e perfeitos. Por que, então, o Cristianismo ficar na mesmice orgulhosa de sempre de que tudo o que os teólogos e as autoridades de sua alta hierarquia criaram no passado longínquo são verdades intocáveis, devendo os cristãos aceitá-las, cegamente, por todas as eternidades?
Já houve algum progresso. A Igreja manteve durante séculos como verdadeira a frase: “Fora da Igreja não há salvação”. Mas hoje, ela considera tal frase como “vencida”.  O ensino de que as crianças que morressem sem batismo iam para o Limbo foi também descartado. E, igualmente, a excomunhão dos espíritas e dos maçons caducou. Aliás, ninguém é mais excomungado pela Igreja por ser de outra religião ou por não crer em alguma doutrina dogmática. Porém o que foi feito até agora é muito pouco. São muitas as doutrinas polêmicas, as quais só vingaram, porque foram impostas no passado pela força e com um ensino repetitivo à moda de lavagem cerebral.
As autoridades e líderes da Igreja vêm insistindo atualmente em novos métodos de evangelização para incentivar mais a prática religiosa e, principalmente, a frequência maior dos fiéis às igrejas. Mas a crise grave do Cristianismo, repetimos, é doutrinária. É o descrédito ou a pouca fé com relação a doutrinas complexas, confusas, misteriosas, e que nada têm a ver com o verdadeiro ensino do excelso Mestre. É isso que provoca as divisões com polêmicas calorosas. De um lado, os defensores de doutrinas oficiais das igrejas, principalmente os da Católica, e do outro, os que as rejeitam. E muitos não as contestam por ignorância, outros por estarem comprometidos com as igrejas.
O grande filósofo Descartes defendeu um pensamento muito oportuno ao que estamos dizendo. Segundo ele, ao menos uma vez na vida, para chegarmos à verdade, nós temos que nos desligarmos de todas as ideias que aprendemos e começarmos a aprender tudo de novo. E é quando se trata de questões religiosas, principalmente as sobre Deus, que esse pensamento cartesiano é ainda mais verdadeiro. É que eram errôneas as ideias dos teólogos do passado a respeito de Deus. E isso se deveu ao atraso cultural das pessoas dos tempos passados, inclusive dos próprios teólogos. Em parte, é também por isso que fizeram muitas interpretações erradas da Bíblia, do que resultou, entre outros erros, o da antropomorfização ou humanização de Deus.
E é exatamente a antropomorfização de Deus a mais grave questão doutrinária do Cristianismo. Como Deus é um ser infinito, entre Ele e nós há uma diferença infinitamente maior do que a que existe entre nós e um animal. E, no entanto, por ser Jesus um homem já perfeito, transformaram-No em outro Deus! 
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 TUDO O QUE NÃO SABEMOS SOBRE O UNIVERSO

“Poucas décadas atrás os astrônomos acreditavam ter o conhecimento sobre como se processava a formação dos mundos, e hodiernamente não estão mais tão confiantes.”
João Fernandes da Silva Júnior
Existem gigantescas variações que nós estamos somente começando a descobrir. As novas descobertas astronômicas estão confundindo os pesquisadores, e agora eles já não têm mais certeza de como se formam os planetas; até mesmo os cientistas da NASA estão perplexos. Poucas décadas atrás os astrônomos acreditavam ter o conhecimento sobre como se processava a formação dos mundos, e hodiernamente não estão mais tão confiantes. A base que eles utilizavam como fonte de conhecimento era o nosso próprio sistema solar. Segundo as teorias levantadas, os planetas rochosos eram formados próximos da estrela-mãe, e os planetas gasosos (como Júpiter e Saturno) eram formados mais distanciados do Sol. Com os modernos recursos e com as descobertas das Super-Terras um abalo científico aconteceu. Os astrônomos encontraram mundos que não se adequam de forma nenhuma com qualquer teoria já criada. O resultado desse acontecimento foi a admissão de que tudo o que pensavam estava errado. Alguns planetas foram observados bastante próximos de sua estrela-mãe, entretanto a densidade destes mundos é semelhante à de Júpiter e Saturno. Como pode isso? Planetas rochosos de tamanho gigantesco foram encontrados muito distantes da estrela-mãe. Exatamente o oposto das teorias astronômicas aqui aceitas como verdadeiras. Uma das teorias enuncia que à medida que uma estrela em formação gira, o material (plasma) que se encontra girando em torno dela é também aquecido, dando origem aos planetas rochosos. E os materiais que estão um pouco mais distanciados da estrela esfriam, permitindo a formação de gelo dando origem aos planetas gasosos. Descobriram planetas gasosos orbitando estrelas a uma distância quase igual à que Mercúrio orbita nosso Sol. E sistemas de Super-Terras – planetas de grandes proporções, rochosos – orbitando os extremos de seu sistema. Muito distantes do sol central. Alguns pesquisadores levantaram a questão de que planetas poderiam ser capturados por uma estrela diferente da que lhe dera formação. E as descobertas demonstraram que cada sistema solar é completamente diferente um do outro, são atípicos os planetas lá encontrados, com poucas semelhanças aos do nosso sistema solar. Encontrar planetas que não estejam em conformidade com as teorias vigentes significa simplesmente que não temos muita certeza sobre como funciona a formação deles. Pode até ser que o nosso sistema solar seja bastante singular quando comparado a outros sistemas planetários. Afinal, nós não temos "Super-Terras", algo que parece ser comum em outras partes da galáxia. Esse é um questionamento interessante: por que não temos "Super-Terras"? Os astrônomos estão pesquisando para que possam responder essas perguntas em um futuro próximo com novas teorias. Isso demonstra que o nosso sistema solar não é um modelo universalmente repetido, existem gigantescas variações que nós estamos somente começando a descobrir. Uma das conclusões mais óbvias disso tudo é que se não existe um padrão para a formação dos mundos e a vida na Terra também não pode ser considerada como um modelo para a sua existência em todo o Universo. Todas essas descobertas que estão sendo realizadas, vão ao encontro das informações espirituais fornecidas por entidades altamente esclarecidas e, que auxiliaram Allan Kardec na composição da base doutrinária espírita.
O autor é escritor e pesquisador espírita.
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo. (Outubro de 2014)
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DIANTE DAS ADVERSIDADES DA VIDA
Recuperar-se de um tombo não é uma tarefa das mais fáceis, devemos concordar. Não são todos que conseguem colocar em prática o refrão popular: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, criado na música de Paulo Vanzolini.
Muitas vezes, quando caímos, por qualquer motivo, como seja o fim de um relacionamento; a perda de um emprego; um acidente, ou até mesmo a pressão do dia a dia, tendemos a ficar estatelados no chão. Como continuar? Como seguir adiante? Vale a pena todo esforço novamente?
Felizmente existem pessoas que conseguem contornar tudo isso com maior facilidade. Mesmo quando tudo parece conspirar negativamente, elas vão em frente, com um sorriso no rosto e dispostas a enfrentar o que for preciso.
Intrigados em descobrir o que levava algumas pessoas a enfrentar tão bem esses contratempos da vida, especialistas em comportamento humano passaram a estudar os traços desses sobreviventes. Os primeiros chegaram a concluir que se tratava de uma invulnerabilidade inata, algo como um verdadeiro dom com o qual as pessoas já nasciam. Porém, parece que isso não respondia tudo, e há pouco mais de uma década começou-se a investigar o termo invulnerabilidade. Este parecia sugerir que as pessoas seriam 100% imunes a qualquer tipo de adversidade - o que não seria a realidade. Embora sejam pessoas que passem pelos problemas com maior facilidade, isso não quer dizer que saiam dessas experiências totalmente ilesas.
Os estudiosos passaram a buscar um termo mais adequado, e foi então que emprestaram uma terminologia da física: resiliência. Resiliência é uma propriedade de alguns materiais, que mostra sua capacidade em retornar ao seu estado original, após sofrer grande pressão. Assim seriam as pessoas com alto grau de resiliência: teriam capacidade de encarar as adversidades como oportunidade de mostrar e aprimorar sua competência, seu entusiasmo. Tais pessoas encontram também soluções criativas e determinadas para se levantar do chão.
Neste instante você poderá estar imaginando qual o seu grau de resiliência, certo? Cabe destacar aqui que ser resiliente não é ser indiferente, insensível. Não se trata de sentir ou não sentir, mas sim de como atravessar as experiências. Seria uma habilidade, que todos podemos adquirir, de suportar o sofrimento, extraindo dele tudo que tem para nos ensinar. Aí está a chave de tudo.
Léon Denis afirma com propriedade, que se, nas horas de provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.
A razão da dor humana procede da proteção divina. Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao aprisco do Alto. A Terra é o caminho. A luta que ensina e edifica é a marcha. O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira.
Redação do Momento Espírita com base em artigo publicado na revista Vida simples, de Janeiro de 2008; no cap. XXVI do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, e no cap. 31 do livro Jesus no lar, do Espírito Néio Lúcio.
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PENAS E GOZOS

A questão da natureza das penas e gozos futuros sempre foi objeto de questionamentos por parte dos que buscam conhecer a nossa realidade existencial. Não sendo o espírito sobrevivente à morte do corpo matéria como a conhecemos nem se encontrando mais a ela ligado, as penas e gozos futuros não podem ter natureza material, como ensina o processo religioso tradicional. Desligado do corpo físico pelo rompimento dos laços que a ele o prendem durante a reencarnação, o espírito não pode mais ser atingido por sensações que somente através da matéria lhe chegam. Mesmo no caso de espíritos que não conseguem se libertar das sensações do corpo físico, as situações de sede, fome, frio, dores, que muitos descrevem, são de natureza psíquica e não material, resquícios do que vivenciaram durante a vida física. A inexistência de penas e gozos futuros materiais, no entanto, não significa que o espírito não receba no mundo espiritual a recompensa por ter bem vivido a experiência corporal ou o castigo, se dedicou sua existência a práticas contrárias às Leis Naturais. Muito ao contrário, os Espíritos ensinam que, livre da matéria densa que obscurece as sensações, o espírito experimenta situações de gozo ou de sofrimento muito mais intensas que na vida corporal. As penas e gozos materiais, durante muito tempo, foram úteis, diante de uma humanidade incapaz de compreender as questões espirituais. Teve-se que recorrer a elas como forma de impor pelo temor algum respeito às Leis. Assim é que foram criados um céu de contemplação ao Criador e um inferno escaldante, onde o espírito ficaria queimando para sempre. Esses conceitos, contudo, não mais são compatíveis como o atual estágio de evolução da humanidade, que requer explicações mais racionais e coerentes acerca da vida futura que lhe aguarda. O Espiritismo, cumprindo a determinação divina de esclarecer todas as coisas, demonstra, com a lógica do raciocínio e através de fatos materiais, a realidade da vida futura. O céu contemplativo e o inferno escaldante dão lugar à realidade testemunhada pelos espíritos. No lugar do céu de ociosidade, o conhecimento de todas as coisas, a ausência de sentimentos e paixões inferiores e de necessidades materiais, a felicidade pelo bem que se faz, o amor verdadeiro ao próximo; no lugar do inferno torturante e irreversível, o sofrimento moral, sim, variável conforme as causas que o determinaram, porém temporário, nada definitivo. Isto é muito mais moralizante que o temor implantado pelas penas materiais irremissíveis.

Fonte: O Redenção
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FORA DA CARIDADE
(Danilo Villela)
Na questão 886 de “O Livro dos Espíritos”, indagou Allan Kardec aos orientadores espirituais responsáveis pela Codificação: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?” E recebeu deles a seguinte resposta: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
A recomendação acerca do amor ao próximo é universalmente conhecida, pois consta dos ensinamentos de todas as religiões, sendo, efetivamente, uma diretriz divina que influencia cada vez mais as legislações humanas. Como um exemplo, dentre muitos outros, dessa influenciação, poderíamos citar o Artigo 10  da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em 10 de dezembro de 1948 e que tem a seguinte redação: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”
Todos sabemos, por outro lado, das dificuldades encontradas para aplicação desse princípio, que se opõe frontalmente ao egoísmo ainda tão associado à nossa imaturidade espiritual, que tem marcado fortemente nossa convivência individual e coletiva ao longo dos séculos. Portadoras dessa orientação, essencial à nossa felicidade, que o egoísmo e a ilusão dificultam e até impossibilitam, sofrem as próprias escolas de fé a influência desses dois fatores – que deveriam combater –, desfigurando-se quanto à sua identidade mediante a adoção de rituais e práticas exteriores outras que passam, equivocadamente, a representar a vivência religiosa, em detrimento da mudança interior que constitui a sua verdadeira meta. E isto, diga-se de passagem, apesar da presença de missionários que, em todas elas, vêm, periodicamente, exemplificar o verdadeiro sentido da experiência religiosa, sendo, mesmo, alguns deles, reconhecidos e aplaudidos, mas... pouco seguidos.
A Doutrina Espírita rejeita toda a ideia de culto externo, identificando a noção de prática espírita à aplicação de seus ensinamentos em nosso dia a dia, sobretudo no terreno moral. Distanciamo-nos, assim, da noção milenar e equivocada de que nossa simples ligação à determinada corrente religiosa bastaria para nos assegurar um futuro espiritual feliz – a salvação, na terminologia de várias delas –, substituindo-a pela compreensão de que somente a vivência de suas diretrizes poderá nos levar à condição de seguidor aprovado pela própria consciência, e não por algum ministro de culto. Além de não se apresentar como detentor exclusivo da verdade, até mesmo em função dos diferentes níveis de evolução que ele tão bem explica, o Espiritismo reconhece a necessidade e utilidade das diferentes denominações religiosas, que refletem o cuidado do Alto em nos conduzir no aprendizado das Leis Divinas consoante as nossas características e possibilidades. A Doutrina Espírita cumpre, assim, o seu papel junto àqueles que sentem necessidade de consistência e coerência nos ensinamentos religiosos, informando-nos igualmente de que, além do conhecimento, é essencial que aqueles princípios influenciem nossa conduta, tornando-a mais simples e fraterna, e que o critério básico para avaliação de nosso aproveitamento será a caridade, conforme descrita no início.
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NECESSIDADE DE UM ENVOLTÓRIO DA ALMA
Gabriel Delanne
É-nos desconhecida a natureza íntima da alma. Dizendo-se que ela é imaterial, esta palavra deve ser entendida em sentido relativo e não absoluto, porquanto a imaterialidade completa seria o nada. Ora, a alma ou o espírito é alguma coisa que pensa, sente e quer; tem-se, pois, que entender, quando a qualificamos de imaterial, que a sua essência difere tanto do que conhecemos fisicamente, que nenhuma analogia guarda com a matéria.
Não se pode conceber a alma, senão acompanhada de uma matéria qualquer que a individualize, visto que, sem isso, impossível lhe fora se pôr em relação com o mundo exterior. Na Terra, o corpo humano é o médium que nos põe em contato com a Natureza; mas, após a morte, destruído que se acha o organismo vivo, mister se faz que a alma tenha outro envoltório para entrar em relações com o novo meio onde vai habitar. Desde todos os tempos, essa indução lógica foi fortemente sentida e tanto mais quanto as aparições de pessoas mortas, que se mostravam com a forma que tiveram na Terra, fundamentavam semelhante crença.
Quase sempre, o corpo espiritual reproduz o tipo que o Espírito tinha na sua última encarnação e, provavelmente, a essa semelhança da alma se devem as primeiras noções acerca da imortalidade. Se também ponderarmos que, em sonho, muitas pessoas veem parentes ou amigos que já morreram há longo tempo, que esses parentes e amigos conversam com elas, parecendo vivos como outrora, não nos será talvez difícil encontrar em tais fatos as causas da crença, generalizada entre os nossos ancestrais, numa outra vida.
Verifica-se, com efeito, que os homens da época pré-histórica, a que se deu o nome de megalítica, sepultavam os mortos, colocando-lhes nos túmulos armas e adornos. É, pois, de supor-se que essas populações primitivas tinham a intuição de uma existência segunda, sucessiva à existência terrena. Ora, se há uma concepção oposta ao testemunho dos sentidos, é precisamente a de uma vida futura. Quando se vê o corpo físico tornado insensível, inerte, malgrado a todos os estímulos que se empreguem; quando se observa que ele esfria, depois se decompõe, torna-se difícil imaginar que alguma coisa sobreviva a essa desagregação total. Não obstante, se apesar dessa destruição, se observa o reaparecimento completo do mesmo ser, se ele demonstra, por atos e palavras, que continua a viver, então, mesmo aos seres mais frustros se impõe, com grande autoridade, a conclusão de que o homem não morreu de todo. Só, provavelmente, após múltiplas observações desse gênero, foi que se estabeleceram o culto prestado aos despojos mortais e a crença numa outra vida em continuação da vida terrestre.
Os primeiros cristãos
Foi à obrigação lógica de explicar a ação da alma sobre o invólucro físico que cederam os primeiros cristãos, acreditando na existência de uma substância mediadora. Aliás, não se compreende que o espírito seja puramente imaterial, porquanto, então, nenhum ponto de contato o teria com a matéria física e não poderia existir, desde que deixasse de estar individualizado num corpo terrestre.
No conjunto das coisas, o indivíduo é sempre determinado pelas suas relações com outros seres; no espaço, pela forma corpórea; no tempo, pela memória.
O grande apóstolo S. Paulo fala várias vezes de um corpo espiritual, imponderável, incorruptível, e Orígenes, em seus Comentários sobre o Novo Testamento, afirma que esse corpo, dotado de uma virtude plástica, acompanha a alma em todas as suas existências e em todas as suas peregrinações, para penetrar e enformar os corpos mais ou menos grosseiros e materiais que ela reveste e que lhe são necessários no exercício de suas diversas vidas.
Eis aqui, segundo Pezzani, as opiniões de alguns pais da Igreja sobre essa questão.
Orígenes e os pais alexandrinos, que sustentavam um a certeza, os outros a possibilidade de novas provas após a provação terrena, propunham a si mesmos a questão de saber qual o corpo que ressuscitaria no juízo final. Resolveram-na, atribuindo a ressurreição apenas ao corpo espiritual, como o fizeram S. Paulo e, mais tarde, o próprio Santo Agostinho, figurando como incorruptíveis, finos, tênues e soberanamente ágeis os corpos dos eleitos.
Então, uma vez que esse corpo espiritual, companheiro inseparável da alma, representava, pela sua substância quintessenciada, todos os outros envoltórios grosseiros, que a alma pudera ter revestido temporariamente e que entregara ao apodrecimento e aos vermes nos mundos por onde passara; uma vez que esse corpo havia impregnado de sua energia todas as matérias para um uso limitado e transitório, o dogma da ressurreição da carne substancial recebia, dessa concepção sublime, brilhante confirmação. Concebido desse modo, o corpo espiritual representava todos os outros que somente mereciam o nome de corpo pela sua adjunção ao princípio vivificante da carne real, isto é, ao que os espíritas denominaram perispírito.
Diz Tertuliano que os anjos têm um corpo que lhes é próprio e que, como lhes é possível transfigurá-lo em carne humana, eles podem, por um certo tempo, fazer-se visíveis aos homens e comunicar-se com estes visivelmente. ...
Nada há na criação, ensina Santo Hilário, que não seja corporal, quer se trate de coisas visíveis, quer de coisas invisíveis. As próprias almas, estejam ou não ligadas a um corpo, têm uma substância corpórea inerente à natureza delas, pela razão de que é necessário que toda coisa esteja nalguma coisa. Só Deus sendo incorpóreo, segundo S. Cirilo de Alexandria, só ele não pode estar circunscrito, enquanto que todas as criaturas o podem, ainda que seus corpos não se assemelhem aos nossos. ...
S. Gregório, por seu lado, chama ao anjo um animal racional e S. Bernardo nos dirige estas palavras: “Unicamente a Deus atribuamos a imortalidade, bem como a imaterialidade, porquanto só a sua natureza não precisa, nem para si mesma, nem para outrem, do auxílio de um instrumento corpóreo”. ...
O mestre das sentenças, Pedro Lombardo, deixava em aberto a questão; esposava, contudo, esta opinião de Santo Agostinho:
“Os anjos devem ter um corpo, ao qual, entretanto, não se acham sujeitos, corpo que eles, ao contrário, governam, por lhes estar submetido, transformando-o e imprimindo-lhe as formas que lhe queiram dar, para torná-lo apropriado aos atos deles.”

Fonte: A alma é imortal - Gabriel Delanne
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O JOVEM ESPÍRITA
A amplitude da vida espiritual permite considerar a existência humana como um pequeno período de aprendizado, quase minúsculo, se avaliado em função do tempo de que dispõe o Espírito para seguir sua trajetória imortal, na obtenção de conquistas morais e intelectuais.
Por esse motivo, há jovens que parecem ter amealhado experiências milenares, de singular progresso, no decorrer de suas reencarnações, enquanto certos homens mais velhos não conseguem, sequer, demonstrar simples atitudes éticas e de respeito, no trato com os seus semelhantes. Reconhece-se, todavia, que nem todos os jovens revelam possuir maior evolução e nem todos os idosos estão impossibilitados de orientá-los com serenidade, amor e sabedoria.
Espíritos superiores, encarregados da nobre missão de dirigir a educação da infância e da juventude, em nosso planeta, destacam a importância da fase juvenil, mas nos alertam para a necessidade de observar, constantemente, as tendências trazidas pelo jovem, de suas vidas pretéritas, as quais influenciarão, fortemente, “as experiências recém-adquiridas”. Tendências que, quase sempre, são acompanhadas por pequenas ou grandes enfermidades morais; vícios não superados e que marcam de forma indelével o Espírito, prejudicando-o, sensivelmente, em sua ascensão espiritual. Infelizmente, nem sempre, a cada reencarnação, os jovens recebem a orientação segura e responsável daqueles que, como pais, os acolhem, apoiando-os, moral e espiritualmente, para vencerem a si mesmos.
A formação de jovens espíritas tem como objetivo prepará-los para adquirirem as qualidades essenciais que constituem o homem de bem, quais sejam: ser bom, caridoso, trabalhador, sóbrio e modesto, pois assim nos ensina a Doutrina.
Certos pais, no afã de agradar os filhos, deixam que eles abusem da aquisição de bens de consumo, sem perceber o mal que lhes causam, esquecidos de que sua prole deve ser preparada para ficar satisfeita com o que tem, no meio familiar, não havendo a menor obrigação de oferecer-lhe mais do que aquilo que lhe seja indispensável para o seu bem-estar físico, socioemocional e afetivo. Os pais necessitam praticar constantemente o diálogo com os filhos; adotar não um sistema rígido de controle e repressão, mas sim, promover a troca de ideias, utilizando a crítica e a avaliação, de forma sincera e explícita, confrontando-as com as consequências de suas decisões e escolhas que, em determinadas situações, podem ultrapassar as fronteiras da conveniência, pondo em risco até sua segurança física, psíquica ou social.
O jovem espírita sabe que deve se submeter aos limites determinados pelas Leis Morais, que a todos norteiam, e os conduzem à permanente prática do bem comum. Cabe aos pais espíritas empregar todos os esforços na educação doutrinária de seus filhos, o que talvez exigirá renúncias e sacrifícios de uma existência inteira. Não basta apenas encaminhá-los ao Centro Espírita para que frequentem as Escolas de Evangelização, é imprescindível que o lar preserve suas obrigações sagradas para que os rebentos recebam as bases do sentimento e do caráter, e a melhor maneira de agir contra as agressões sociais que o ameaçam é cultivar como roteiro os ensinamentos cristãos.

Clara Lila Gonzalez de Araújo
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O HOMEM QUE NÃO SE IRRITAVA

    Em uma cidade interiorana havia um homem que não se irritava e não discutia com ninguém.
    Sempre encontrava saída cordial, não feria a ninguém, nem se aborrecia com as pessoas.
    Morava em modesta pensão, onde era admirado e querido.
    Para testá-lo, um dia seus companheiros combinaram levá-lo à irritação e à discussão numa determinada noite em que o levariam a um jantar.
    Trataram todos os detalhes com a garçonete que seria a responsável por atender a mesa reservada para a ocasião.. Assim que iniciou o jantar, como entrada foi servida uma saborosa sopa, que o homem gostava muito.
    A garçonete chegou próxima a ele, pela esquerda, e ele, prontamente, levou seu prato para aquele lado, a fim de facilitar a tarefa.
    Mas ela serviu todos os demais e, quando chegou a vez dele, foi embora para outra mesa.
    Ele esperou calmamente e em silêncio, que ela voltasse. Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, para recolher o prato, ele levou outra vez seu prato na direção da jovem, que novamente se distanciou, ignorando-o.
    Após servir todos os demais, passou rente a ele, acintosamente, com a sopeira fumegante, exalando saboroso aroma, como quem havia concluído a tarefa e retornou à cozinha.
    Naquele momento não se ouvia qualquer ruído. Todos observavam discretamente, para ver sua reação.
    Educadamente ele chamou a garçonete, que se voltou, fingindo impaciência e lhe disse: o que o senhor deseja?
    Ao que ele respondeu, naturalmente: a senhora não me serviu a sopa.
    Novamente ela retrucou, para provocá-lo, desmentindo-o: servi, sim senhor!
    Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos...
    Todos pensaram que ele iria brigar... Suspense e silêncio total.
    Mas o homem surpreendeu a todos, ponderando tranquilamente: a senhorita serviu sim, mas eu aceito um pouco mais!
    Os amigos, frustrados por não conseguir fazê-lo discutir e se irritar com a moça, terminaram o jantar, convencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura.
    Bom seria se todas as pessoas agissem sempre com discernimento em vez de reagir com irritação e impensadamente.
    Ao protagonista da nossa singela história, não importava quem estava com a razão, e sim evitar as discussões desgastantes e improdutivas.
    Quem age assim sai ganhando sempre, pois não se desgasta com emoções que podem provocar sérios problemas de saúde ou acabar em desgraça.
    Muitas brigas surgem motivadas por pouca coisa, por coisas tão sem sentido, mas que se avolumam e se inflamam com o calor da discussão.
    Isso porque algumas pessoas têm a tola pretensão de não levar desaforo para casa, mas acabam levando para a prisão, para o hospital ou para o cemitério.
    Por isso a importância de aprender a arte de não se irritar, de deixar por menos ou encontrar uma saída inteligente como fez o homem no restaurante.

    A pessoa que se irrita aspira o tóxico que exterioriza em volta, e envenena-se a si mesma.
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O fascínio de uma folha em branco
(Nelson Sganzerla)
  
Assim eu acho que é a vida, quando por aqui chegamos, uma folha em branco, para que nela possamos escrever a nossa história. Óbvio que para um escritor a apresentação de uma folha em branco é muita mais instigante e fascinante que para quem não possui o dom da escrita.
Para um poeta a mesma folha em branco lhe aparece dividida em versos, que saltam aos seus olhos e à sua mente.
Em uma folha em branco, Freud o pai da psicanálise escreveu suas obras; Nietzsche a partir de uma folha em branco escreveu "Assim falou Zaratustra"; Shakespeare escreveu Otelo, Romeu e Julieta.
E para você, o que lhe parece ser uma folha em branco? Com quantas folhas em branco você já se deparou em sua vida e perdeu a chance de escrever a sua história, que possivelmente é a mais importante história que você tenha lido, ou poderá ler. Através dela, você possibilita que participem todos que acompanham sua existência.
Perceba a importância de uma folha em branco, coloque-a em frente aos seus olhos e procure imaginar as infinitas possibilidades de histórias que lhe são oferecidas, histórias de amor, de alegria, de bem querer, de sucesso, de convivência feliz, ao escrever cada parágrafo daquilo que você mais quer e ama.
Ao se deparar com uma folha em branco, da próxima vez, olhe-a profundamente e deixe que seus pensamentos fluam como água em uma bica; deixe-os verter e correr montanha, colina ou serra abaixo, deixando marcas por onde passa; procure não deixar a folha da história da sua vida em branco, pois se assim o fizer, não estará permitindo que outros façam parte da sua vida e estará interrompendo um ciclo importante aqui na Terra, que não cabe a você fazê-lo.
Procure deixar o seu legado escrito nessa folha, não importa qual seja ou o que seja, mas deixe-o... as pessoas que virão, irão querer saber quem foi você... E precisarão também decidir se você será o espelho a refletir nas histórias de suas vidas, através daquilo que deixar escrito em sua historia de vida, na sua folha em branco.
Não queira escrever em sua folha em branco somente vitórias. Isso não será possível... Ninguém aqui na Terra conseguirá viver só de vitórias, tolo é quem assim pensar; mas procure escrever e evidenciar em letras maiúsculas para que todos possam ler as suas vitórias que foram realmente importantes e como você fez para realizá-las e se ainda não as realizou; procure escrever também como irá fazer para realizá-las, isso será muito importante para que as pessoas que lhe querem bem saibam.
Procure não omitir os dias de tristeza que teve que passar, dias de dificuldades, que só você bem lá dentro no cantinho da alma sabe quais foram e muito lhe custaram, de choro e lágrimas, às vezes, sozinha no silêncio do seu quarto, mas escreva também como conseguiu enfim...
Depois de tudo, abrir a janela e deixar o sol entrar e trazer de volta ao seu olhar o brilho da felicidade e da esperança por ter aprendido, embora com a tristeza, o verdadeiro significado de viver.
Esse é o fascínio que uma folha em branco exerce sobre nós: a oportunidade de escrever a nossa história de vida...
Só não escreva nessa folha histórias que você não acredita do tipo: embasado na mentira ou na injustiça, na arrogância, no orgulho, na intolerância e com isso vir a causar sofrimento de outro ser humano.
Também não queira parecer um salvador ou contar vantagens e usar de falsa modéstia. É lógico que a folha da sua vida tudo aceitará, afinal, uma folha em branco tudo aceita para lhe fazer valer o livre-arbítrio.
Mas não se engane, em algum momento, a vida irá lhe cobrar e talvez você não possa pagar, nem com todo o ouro do mundo, aquilo de mal que fizer aos outros e também a você.
Mas creia, é fascinante ter uma folha em branco diante de nós. Óbvio que é preciso coragem para começar a escrever. Muitas vezes, você terá que apagar e começar tudo de novo.
Não fique triste, ao contrário do que dizem, a vida nos permite começar de novo, desde que seja sincero e queira de fato fazê-lo, lembra-se do rascunho?
A vida ainda lhe permite isso. Antes da história final, você poderá mudar, apagar e consertar o que quiser. Tudo é possível, desde que você queira mudar.
Não dê importância, se acaso não tenha o dom da escrita, o fundamental é que você escreva... Quem ler entenderá... a importância não está na forma da escrita e, sim, no ato de escrever, em sua folha em branco, a história da sua vida e sentir o mesmo fascínio que eu sinto agora, escrevendo para você nessa minha folha em branco.

Pense nisso.
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PERGUNTAS E RESPOSTAS

O que é Obsessão?
A Obsessão é o domínio que alguns Espíritos adquirem sobre outros, quer encarnados ou desencarnados, provocando-lhes desequilíbrios psíquicos, emocionais e físicos É uma espécie de constrangimento moral de um indivíduo sobre outro. Pode ser de encarnado para encarnado, encarnado para desencarnado, desencarnado para encarnado e desencarnado para desencarnado. Essa influência negativa e irracional traz para as pessoas problemas diversos, o que as tornam enfermas da alma, necessitando de cuidados, como toda doença. Normalmente se faz tratamento das obsessões em centros espíritas sérios.
Se a Obsessão é uma doença da alma, quais são seus sintomas?
A obsessão apresenta sintomas tais como: angústia, depressão, perturbação do sono (insônia ou pesadelos), mau humor, desinteresse pelo estudo ou pelo trabalho, isolamento social, pensamentos suicidas, desregramento sexual etc. Não se segue daí, que se conclua que todos os portadores desses sintomas estejam obsidiados. Há diversas outras causas, conhecidas da ciência médica, que podem provocar sintomatologia semelhante.
E como se pode tratar essa doença espiritual?
A obsessão, sendo uma doença da alma, deverá ser curada definitivamente com a melhoria do indivíduo no campo moral e intelectual. O Espiritismo (doutrina de Allan Kardec) oferece tratamento seguro para essas doenças, pois trata o problema abordando os dois lados da vida. Se for um Espírito desencarnado, ele será chamado por meio de evocações particulares, nas reuniões sérias de intercâmbio espiritual, para uma conversa e conscientização do mal que está praticando. Do lado do encarnado, se cuidará de tratar com a evangelização (moralização) e pela fluidoterapia (aplicação de passes), levando-o ao entendimento do que precisa fazer para libertar-se do mal.
Como o Espírito recém-desencarnado recebe um novo envolvimento amoroso de sua esposa, ainda encarnada no mundo material? Ele não o aceita? Poderá interferir nessa relação? Há um tempo de espera, para que o cônjuge encarnado possa ter novo relacionamento sem magoar quem já desencarnou?
Quando o Espírito se desprende da carne, ele entra em uma outra dimensão de vida que é a vida espiritual. Lá, terá uma nova percepção das coisas, tendo um raciocínio mais livre, mais pleno, pois não está mais confinado aos limites da matéria. Compreende que viverá outros aprendizados e que os afetos deixados na vida terrena igualmente terão também experiências necessárias ao progresso individual e coletivo. Entretanto, se ele for um Espírito pouco adiantado, permanecerá preso ao seu mundo mental, vivenciando as situações que vivia quando em vida, principalmente se cultivou paixões e sentimentos de posse exacerbados. Poderá com isso sofrer, se seus entes queridos agem com desinteresse afetivo por ele, se entram em disputa por heranças ou mesmo se seus "amores" interessam-se por outras pessoas. Poderá interferir na vida das pessoas, muitas vezes originando processos obsessivos. Neste caso, deve-se procurar ajuda espiritual numa casa espírita, para que o problema seja devidamente equacionado. Claro, essas situações de perturbações são de exceção. Normalmente o que se observa é a compreensão por parte de quem partiu. Não há um tempo específico que seja adequado para que se tenha novo envolvimento amoroso. Vai depender da situação de cada criatura. Nas relações verdadeiras, sinceras e duradouras, geralmente quando um parte o outro permanece um bom tempo sem que encontre substituição em seu coração, quando não opta por permanecer sozinho. Entretanto, nas relações difíceis, que são maioria esmagadora no planeta, a perda não se constitui em problema. Todas essas coisas são regidas pelos sentimentos. O tempo, neste caso, é o que menos importa.
Gostaria de saber como se identifica uma obsessão de encarnado para desencarnado. E como se livrar disso?
Sabe-se que a obsessão é uma espécie de constrangimento de um Espírito sobre outro e que isso se dá através da lei das afinidades espirituais. Portanto, as influências ruins podem partir dos encarnados para os desencarnados também. Geralmente isso acontece nas situações onde entre os dois indivíduos existe uma relação em desequilíbrio, tanto de "amor" quanto de "ódio". Pode parecer estranho que se afirme que relações de amor possam gerar processos obsessivos, mas o amor desmedido e possessivo entre duas pessoas (mesmo que seja entre mãe e filho) gera desequilíbrios os mais diversos. Se um deles desencarna é claro que o sentimento permanece o mesmo, a menos que um deles venha a se libertar dele através do esclarecimento. Da mesma forma nos casos de pessoas que desencarnam deixando heranças em que os herdeiros ficam insatisfeitos e não tinham boa relação de afeto com o desencarnado, gerando condições fluídicas mórbidas que envolvem os dois planos. A única forma de se livrar desses problemas é buscando o esclarecimento, procurando uma casa espírita que tenha experiência nesse tipo de atendimento. O tratamento espiritual, esclarecendo os envolvidos no processo, aliado à mudança de postura do indivíduo é a chave para os problemas espirituais de toda ordem.
A depressão pode estar relacionada com obsessão? Como?
Os processos obsessivos moderados e graves levam quase sempre a um estado mórbido mental, que favorece enormemente os estados depressivos, com toda a sintomatologia que esta doença produz. Entretanto, nem todos os quadros depressivos podem ser atribuídos às influências espirituais. Existem mecanismos orgânicos, decorrentes de falhas em sínteses hormonais que explicam cientificamente a depressão. Evidentemente que mesmo nesses casos, pode haver influenciação espiritual por conta da atitude mental da criatura, embora não seja esse o agente causador do processo.
Há a possibilidade de ocorrer uma auto-obsessão, ou seja, de uma pessoa encarnada ser obsidiada por ela mesma?
Sim, há essa possibilidade e não é rara. São pessoas que se encontram numa condição mental doentia, atormentando-se a si mesmo. Vivem em um mundo de desarmonia interior e buscam culpar tudo o que há em sua volta, gerando cada vez mais sofrimentos para si mesma e para quem com ela convive. As causas geralmente residem nos problemas anímicos do indivíduo, ou seja, nos seus próprios dramas pessoais. São traumas, remorsos, culpas e situações provindas do seu mundo íntimo e que prejudicam sua normalidade psicológica. Certamente, por conta de sua atitude mental, entram em sintonia com ambiente espiritual de igual teor, o que agrava o quadro, embora não seja esta a causa determinante da enfermidade. Além da evangelização espírita, costumam-se beneficiar-se enormemente com as psicoterapias, no que devem ser estimulados.
Uma convulsão poderá ser sintoma de uma obsessão?
Geralmente as convulsões não são sintomas de obsessão (embora ela possa aparecer associada à enfermidade). As convulsões propriamente ditas são ocasionadas por falhas na estrutura orgânica do homem e necessita de tratamento médico especializado. As alterações do sensório ocasionadas por influências espirituais, não configuram convulsões com o cortejo clínico estudado pela ciência médica terrena. Portanto, há que se ter cautela ao lidar com pessoas que tem crises convulsivas e que querem tratar-se nas casas espíritas. Elas podem ser portadoras de enfermidade epiléptica e necessitam de avaliação médica. Crises de subjugação possuem algumas características das crises epilépticas, mas são bem diferentes. Na epilepsia quase sempre o paciente perde a consciência e desfalece, com movimentos motores involuntários. Na crise de subjugação, não! Observa-se brusca mudança de comportamento e o perturbado pode cair ao chão, porém, não desfalece e comporta-se como se fosse uma outra pessoa.
Como devemos proceder junto a uma pessoa que está sob o império da fascinação?
Casos de fascinação são muito comuns entre encarnados, e mesmo dentro das casas espíritas que endeusam seus médiuns ou dirigentes. Antes de concluirmos se uma pessoa está sendo vítima da terrível fascinação, é preciso pesar na balança do bom senso. Levemos o problema ao exame de sociedades idôneas, que não estejam sob o domínio das nossas ideias, para opinarem. Se tivermos certeza da obsessão, devemos procurar orientar aquele que padece. Havendo abertura, temos que ir esclarecendo o enfermo aos poucos, fazendo-o ver a presença da má influência. O que acontece na maioria das vezes, é a existência. O espírita orgulhoso geralmente não aceita que esteja mal assistido. Nestes casos, o melhor é deixá-lo nas mãos da influência em que se compraz. Só aprenderá com a dor.

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Um comentário:

  1. Prezado Amigo(a) responsavel pelo Blog,

    Quero agradecer por voce ter colocado meu artigo nesse importante Blog.
    Mais uma oportunidade para falar dos ensinos do Mestre Jesus.
    Se quizer mais artigos, me avise e eu mando para voce.
    São artigos de cunho espirita, pois sou palestrante, realizamos cursos de Doutrina e Mediunidade.
    Abraços fraternos
    Prof. Wagner Ideali
    email: wagner.ideali@terra.com.br
    fone: 011-98354-3513

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