INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
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Artigos

ENTREVISTANDO ZAQUEU
(José Antônio Vieira de Paula)

Leão Tolstoi é o autor de Ressurreição e Vida, de Yvonne A. Pereira, que traz as informações contidas na entrevista com Zaqueu
Nas páginas do Evangelho, escritas por alguns dos apóstolos de Jesus, vamos encontrar uma citação (Lucas, 19:1-10) referente à figura de um homem de baixa estatura, cobrador de impostos, que na ânsia de conhecer o Messias subiu em um sicômoro – espécie de figueira pequena, oriunda do Egito – onde pôde ver e ser visto pelo Cristo de Deus, o qual naquele instante chamou-o pelo nome – Zaqueu -, dizendo que passaria aquela noite em sua casa.
No livro "Ressurreição e Vida", psicografado pela médium Yvonne do Amaral Pereira, o grande escritor russo Leão Tolstoi (leia texto no final da entrevista) descreve um encontro que teve com aquele que conheceu Jesus, e apresenta informações importantes transmitidas por ele, que resolvemos colocar nas páginas deste periódico, em forma de entrevista.
Primeiro, apresentaremos a figura do publicano da cidade de Jericó, na Palestina da época em que a Terra foi abençoada com a presença daquele que seria, e é, a luz do mundo, pelos olhos do apóstolo russo Tolstoi:
"Olhei-o, àquele a quem haviam chamado Zaqueu. Semblante sereno, bondoso, enternecido, ainda jovem. Olhos cintilantes e perscrutadores, como alimentados por uma resolução invencível. Lábios finos, queixo estirado, com pequena barba negra em ponta, recordando o característico fisionômico dos varões judaicos. Tez alva, sobrancelhas espessas, mãos pequenas, pequena estatura, coifa discreta, listrada em azul forte e branco, manto azul forte, barrado de galões amarelos e borlas na ponta."
Eis a seguir a entrevista:
- Zaqueu, você poderia nos recordar seu encontro com Jesus, em Jericó, onde você residia?
ZAQUEU: A bondade do Mestre Galileu, honrando-me com uma visita e uma refeição em minha casa, eu, um renegado pela sociedade porque um "publicano", tocou-me para sempre o coração, conforme sabeis... Ele compreendeu as minhas necessidades morais de estímulo para o Bem, o meu aflitivo desejo de ser bom. Penetrou, com sua solicitude inesquecível, os mais remotos escaninhos do meu ser moral; contornou, com seu amor de Arcanjo, todas as aspirações do meu Espírito, filho de Deus, que sofria por algo sublime que lhe aclarasse as ações... E conquistou-me, assim, por toda a consumação dos séculos.
- Narra o Evangelho que no dia da crucifixão de Jesus os apóstolos os abandonaram. Você estava lá naquelas horas de sofrimento?
ZAQUEU: Muito sofri e chorei quando esse Mestre foi levantado no suplício da cruz. Não, eu não o abandonei jamais, desde aquele dia em que passou por Jericó! Segui-o. E o pouco que ainda viveu depois disso teve-me em suas pegadas para ouvi-lo e admirá-lo. Eu não me ocultei das autoridades receando censuras ou prisão, nem tive preconceitos, e tampouco me importunou a vigilância dos tiranos de Roma ou o despeito dos asseclas do Templo de Jerusalém. Achava-me bem visível entre o povo, transitando pelas ruas, embora ignorado, humilhado pela minha condição de funcionário romano... E assisti aos estertores da agonia sublime naquela tarde do 14 de Nisan.
- Como foram aqueles momentos sublimes da reaparição do Cristo, após o terceiro dia de sua morte?
ZAQUEU: Soube, é certo, da ressurreição que a todos revigorou de esperanças... Mas não logrei tornar a ver e ouvir o Mestre, não fui bastante merecedor dessa ventura imensa... Ele só se apresentou, depois da ressurreição, aos discípulos – homens e mulheres – e aos apóstolos.
- O que você fez depois?
ZAQUEU: Inconsolável por sua ausência e sentindo em mim um vazio aterrador, meu recurso para não desesperar ante a saudade e o pesar pelo desaparecimento desse Amigo incomparável foi insinuar-me entre seus discípulos, a fim de ouvir falarem dele...
Fui a Betânia, quantas vezes?... e tentei tornar-me assíduo da granja de Lázaro, de tão gratas recordações... Mas tudo ali estava tão mudado e tão triste, depois do 14 de Nisan... Visitei Pedro, esperando consolar a minha grande dor ouvindo-o dissertar sobre Aquele que se fora do alto do Calvário, com a eloquência com que sempre soube arrebatar as multidões.
Perlustrei, choroso e desarvorado, as praias de Cafarnaum e de Genesaré, sem saber o que tentar em meu próprio socorro, mas esperançado de que os irmãos Boanerges, filhos de Zebedeu, me compreendessem e adotassem para discípulo do seu bando, como eu via que acontecia a tantos outros... Mas nenhum deles sequer prestava atenção em minha insignificante pessoa... Não me olhavam, não me viam, e eu temia importuná-los dirigindo-lhes a palavra... Eram tantos os pretendentes ao aprendizado do Amor, ao redor deles! Eles tinham tantas preocupações, preparando-se, chocados, para o heróico apostolado!... E como eu era "publicano", um malvisto cobrador de impostos da alfândega romana, convenci-me, erroneamente, de que era por isso que não me recebiam.
Recolhi-me então à minha mágoa imensa, sem todavia deixar de seguir, discretamente, os apóstolos, orando para que não tardasse o socorro a vir fortalecer a fé e a esperança que eu depositava naquele reino de Deus que havia de vir. Recolhi-me, mas não desanimei.
- Zaqueu, você cumpriu a promessa que fez a Jesus de que dividiria seus bens com os pobres, quando ele esteve em sua casa?
ZAQUEU: Eu deixei Jericó, desliguei-me das funções aduaneiras, dei parte dos meus bens aos pobres, com a outra parte, provi recursos para minha família, distribuí minhas terras entre os camponeses mais necessitados, reservando o estritamente necessário à minha manutenção pelos primeiros tempos. Fiz-me errante e vagabundo para acompanhar os discípulos e ouvi-los contar às multidões as conversações intimas que o Senhor entretivera com eles, antes do Calvário e depois da gloriosa ressurreição.
- O dinheiro não acabou?
ZAQUEU: Como eu conhecesse bem as letras e as matemáticas, falando mesmo o grego, tão usado em Jerusalém, e também o latim, igualmente usado graças à influência romana, à parte os nossos dialetos da Síria, da Galiléia e da Judéia, se me escasseavam recursos apresentava-me às escolas mantidas pelas Sinagogas. Empregava-me ali como adjunto dos escribas, para as lições aos jovens, ou então nas casas particulares ricas, como professor, e assim ganhava meu sustento. Mas se não houvesse lições a transmitir era certo que nunca faltariam madeiras a serrar, aqui ou ali; águas a carregar, a fim de saciar a sede das famílias; paredes a reparar nas casas dos romanos, os quais, se eram agressivos no trato pessoal com o povo hebreu, sabiam, no entanto, remunerar com justiça aqueles que os serviam, desde que não se tratasse de escravos.
- Mas, enfim, você conseguiu ou não aproximar-se de algum dos apóstolos de Jesus?
ZAQUEU: Um dia – foi em Jerusalém – correra a nova sensacional de que certo jovem fariseu, responsável pelo apedrejamento e morte do nosso querido Estêvão, a quem o Espírito do Senhor inspirava com tantas glórias, acabara por se converter à Causa, porque o Senhor lhe aparecera em ressurreição triunfante, exatamente quando ele entrava na cidade de Damasco, para onde se dirigia tencionando prender os nossos "santos" - os primeiros cristãos assim de denominavam uns aos outros - domiciliados naquela localidade. Aparecera-lhe o Senhor e convidara-o diretamente para o seu ministério, como o fizera aos outros doze, antes de sua paixão e morte. E que, agora, já inteiramente submisso aos desejos do Mestre Nazareno, com tremendas responsabilidades pesando-lhe nos ombros, conferidas pelo mesmo Mestre, pela primeira vez ia falar à assembleia dos discípulos, em Jerusalém.
- Você foi ouvi-lo?
ZAQUEU: Fui ouvi-lo. Esse fariseu era Saulo (Saul), o de Tarso, "que é também chamado Paulo". Contou ele, à assembléia silenciosa e atenta, o seu colóquio com o Nazareno, à entrada de Damasco, e logo conquistou o coração de muitos que se achavam presentes. Foi de pé (alguns se ajoelharam) que ouvimos os pormenores da aparição do Senhor a Paulo. Muitos choraram, eu inclusive, e também Paulo.
- Você procurou Paulo para conversar?
ZAQUEU: Nunca mais deixei Paulo, até hoje! Procurei-o então, em Jerusalém. Fui recebido com afeto e bondade. Fiz-lhe a minha confissão, o que não tivera coragem de fazer aos demais discípulos. Narrei-lhe os meus sofrimentos íntimos por Jesus. Quisera servi-lo, a ele, Jesus. Sinceramente o queria! Mas não sabia como iniciar nem o que fazer. Paulo ouviu-me com solicitude digna daquele mesmo Mestre que o admoestara em Damasco. E aconselhou-me, e guiou-me!
- Você poderia nos dizer o que Paulo lhe disse?
ZAQUEU: Ele deu-me incumbências: - " Não te limites à adoração inativa, que poderá cristalizar-se em fanatismo. A Doutrina de Jesus é afanosa por excelência... E ela precisa de servos trabalhadores, enérgicos, ágeis para mil e uma peripécias, de boa-vontade para a propagação da Verdade que nos trouxe...Tu, que possuis noções da prática da beneficência, testemunha o teu amor por ele, servindo também aos teus irmãos que sofrem ou erram, pois tal é o segredo da boa prática da nova Doutrina. Nenhum de nós será tão pobre que não possa favorecer o próximo com algo que possua para distribuir: o pão, o lume, o agasalho, o bom conselho, a advertência solidária, a assistência moral no infortúnio, o ensinamento do Bem, a lição ao ignorante, a visita ao enfermo, o consolo ao encarcerado, a esperança ao triste, o trabalho ao necessitado de ganhar o próprio sustento honrosamente, a proteção ao órfão, o seu próprio coração amigo e irmão em Cristo, a prece rogando aos Céus bênçãos que aclarem os caminhos dos peregrinos da vida, o perdão àqueles que nos ferem e nos querem mal..."
- Caro amigo, depois que enfim você se tornou um dos discípulos ativos de Jesus, você pôde viver aquelas experiências, que nos mostram os evangelhos, de curar enfermos, afastar espíritos...?
ZAQUEU: Se não curei leprosos, estanquei a aflição de muitas lágrimas com exposições em torno do Mestre. Se não levantei paralíticos, pelo menos ergui a coragem da fé em muitos corações desanimados ante a incúria pelas coisas santas. Se não expulsei demônios, é certo que alijei o ateísmo, recuperando almas para o dever com Deus. E se não ressuscitei mortos, renovei esperanças na alma de muitas matronas desgostosas com a indiferença dos próprios filhos na prática do Bem, revigorei a decisão de muitos pecadores que temiam procurar o bom caminho, porque envergonhados de se apresentarem a Deus, pela oração, a fim de se renovarem para jornadas reabilitadoras.
- E como tudo isso repercutiu em sua própria evolução?
ZAQUEU: Minha alma se alegrava em Cristo, dilatavam-se os meus propósitos de progresso. Eu sentia que, de dia para dia, quando orava, mais incidiam sobre mim forças e novas bênçãos para mais se desdobrarem em operações objetivas, que tendiam a me fazer comungar com a vontade daquele Unigênito dos Céus, que um dia penetrou os umbrais pecaminosos de minha casa para me levar a salvação. E encontrei, então, dentro de mim próprio, aquele Reino de Deus que ele anunciara... Encontrei-o na paz do dever cumprido, que me embalava o coração...
Leão Tolstoi na espiritualidade
Escritor e reformador religioso russo, descendente de uma família de latifundiários aristocráticos, Leão Tolstoi (1828-1910) teve mocidade materialmente feliz, embora secundada por angústias descritas em suas obras autobiográficas Infância, Adolescência e Mocidade. Na condição de oficial do Exército russo, serviu no Cáucaso e participou também da guerra da Criméia. Autor de obras magistrais como Os cossacos, Contos de Sebastopol, Guerra e Paz, Anna Karenina e Ressurreição, fundou em sua fazenda de Iasnaia Poliana escolas e obras assistenciais para os camponeses; contudo, por causa dos escritos Breve explicação dos Evangelhos e O que é minha fé, acabou excomungado pela Igreja russa.
Na espiritualidade desde 1910, Leão Tolstoi continua a produzir obras notáveis, como os livros Ressurreição e Vida e Sublimação (este em parceria com Charles), psicografados por Yvonne A. Pereira e publicados pela Editora da FEB; e, mais recentemente, A Eterna Mensagem do Monte e Mansão dos Lilases, psicografados por Célia Xavier de Camargo e publicados pela Casa Editora O Clarim. (Da Redação)
RESPEITAR SIM, REPETIR NÃO
(Rita Côre)
Sabemos que os textos evangélicos sofreram muitas alterações ao longo dos séculos, para atender a interesses do mundo, ditados pelo culto do poder e da ambição, ou até pela fé ingênua e cega que pretendia converter, fazendo concessões. Nesse processo, incorporaram-se rituais e crenças mágicas, muito anteriores a Jesus, dando-se-lhes estatuto cristão.
A fé raciocinada encara sem medo esses fatos, já constatados pela História, e busca a essência dos ensinamentos do Mestre. Aliás, já nos advertia Kardec, no primeiro parágrafo da introdução a “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável”.
O ensino moral do Evangelho é inatacável, sem dúvida. É o evangelho propriamente dito. O mais pode até ser lenda, ou é, pelo menos, questionável, passível de investigação histórica e científica. Portanto, não há por que se repetirem, em nosso meio, velhas abordagens fantasiosas que vestem Jesus de magia e ilusão. O Mestre se basta, dispensa enfeites que não concorrem para amadurecer o Espírito, como é o caso das festas marcadas no calendário oficial.
Tais festas representam uma tradição dos católicos e, embora merecendo nosso respeito, não fazem o menor sentido para a Doutrina Espírita. Portanto, não se justifica nas escolinhas de evangelização a comemoração de datas como a Páscoa, nos moldes do convencionalismo cristão.
É certo, porém, que as crianças trazem informações veiculadas pelos meios de comunicação, pela família, pela escola e que não devemos agredi-las com doutrinações radicais, negando tudo o que conhecem e vivenciam no mundo. Mas podemos aproveitar esses saberes, para construir o novo ou resgatar, adequadamente, o ponto de vista histórico e cultural.
No caso da Páscoa, é preciso situá-la entre as  festas ligadas a rituais de fertilidade e seus símbolos, dissociando-a da figura de Jesus, com o cuidado de não repetir a crença de que Ele a instituiu ou de que lhe deu outro sentido, assumindo a posição do cordeiro sacrificado nessa época pelos judeus, para justificar a ressurreição e dar ao corpo do Deus a função de alimento.
O mito do deus morto e do deus ressurreto é comum a muitas culturas da antiguidade. Quando Jesus encarnou entre nós, essa crença já era conhecida e os judeus, de sua parte, haviam conferido a ela características próprias, associando-a a episódio que remonta ao tempo de  sua submissão ao Egito.
Jesus insere-se naquele contexto, é verdade, e participa dos eventos da época, mas frisa: “Meu reino não é deste mundo”. E mais: “Não quero sacrifício, mas misericórdia.”
Recuperemos a formação da palavra sacrifício: sacro + ofício. Na realidade, o Mestre da Galiléia rompe o ciclo de repetição dos velhos rituais e propõe o mandamento do amor. Misericórdia é expressão do amor. Não cobrava Jesus oferendas nos templos, nem rituais mágicos, como aquele que se realizava na páscoa. Não pretendia que se lhe oferecessem ofícios sagrados, mas sim que praticássemos a caridade.
A Terceira Revelação nos convida, através do Espírito de Verdade: “Amai-vos e instruí-vos”. Portanto, o conhecimento que nos traz a própria Doutrina assinala um compromisso com o estudo, ensejando a oportunidade de superar uma mentalidade mágica para alcançar o direcionamento da fé, pela razão. Assim, a evangelização espírita não precisa comemorar as festas da tradição cristã, mas deve constituir a festa de todo dia, porque oferece roteiro seguro para a vida e suas surpresas.
Este terceiro milênio do calendário ocidental está marcado, ao que parece, por descobertas científicas arrojadas e por inquietantes constatações da História, provocando a derrubada de velhas crenças. Se, inadvertidamente, repetimos tais crenças na Casa Espírita, estaremos entravando o progresso e perdendo a chance de esclarecimento que o próprio Espiritismo nos oferece.
A criança e o jovem precisam desenvolver uma fé robusta e vigorosa que resista não só aos ventos das novidades – com as quais são alvejados pela escola, pela mídia, pela comunicação virtual – mas também aos embates da vida. Educar-se pelo Evangelho à luz do Espiritismo é abrir uma janela para o futuro, é atravessar a linha do horizonte da acomodação, é libertar-se do velho círculo das ilusões.
Respeitar sim, repetir não. Essa deveria ser a postura dos evangelizadores na casa espírita, diante dos atavismos da tradição cristã.
NEOPENTECOSTES
(Rogério Coelho)
“Eu derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”.
- Atos dos Apóstolos, 2:17.
Ao analisar as absurdas quão inverossímeis citações extraídas da pastoral de Monsenhor Gousset, cardeal-arcebispo de Reims, para a quaresma de 1865, que pelo mérito pessoal e pela posição do autor na hierarquia da Igreja, se pode inferir que tais conceitos eram a última expressão daquela vetusta Instituição sobre a doutrina dos “demônios”, mostra-nos Allan Kardec, de maneira clara e insofismável, a materialização de um dos ditos do Senhor: “cego guiando cegos”.
Pincemos apenas uma dessas “preciosidades” medievais: “(...) Eles, [os demônios], inculcam o erro sob todas as formas, e é para obter esse resultado que a madeira, a pedra, as florestas, as fontes, as mãos dos meninos se tornam oráculos”.
Em sua ingenuidade Monsenhor Gousset estava profligando a mediunidade tão acoroçoada por Jesus e pelos cristãos dos 3 primeiros séculos, período em que o Cristianismo ainda não estava sofrendo o achincalhe das autoridades governamentais e eclesiásticas, e se mantinha ainda tão pulcro e simples como quando saíra da boca do Nazareno, na forma de pérolas de luz para clarear a sombra da ignorância que então reinava.
Mas com a sua habitual percuciência, o ínclito Mestre lionês pulveriza toda a fraca estrutura da construção ideológica daquele pastor de almas, começando por pinçar dos Atos dos Apóstolos os versículos 17 e 18 do capítulo II, nos quais se lê:
“(...) Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne: - vossos filhos e filhas profetizarão; os jovens terão visões e os velhos terão sonhos.  Nesses dias repartirei meu Espírito por todos os meus servidores e servidoras, e eles profetizarão”.
Se Monsenhor Gousset estivesse com a razão, qual seria o sentido destas palavras do Evangelho?
Com seu descortino balizado pelo bom senso, Kardec aduz1:  “(...)  Não estará nestas palavras do Evangelho a predição tácita da mediunidade dos nossos dias a todos concedida, mesmo às crianças?  E essa faculdade foi anatematizada pelos apóstolos?  Por que não ver antes o dedo de Deus na realização daquelas palavras?”
Kardec continua pelo capítulo X, da 1ª. parte do livro “O Céu e o Inferno”, a explicar a dinâmica e as condições requeridas para um intercâmbio mediúnico sadio e proveitoso tanto para encarnados quanto para desencarnados, isento de mistificações.
Entre outras recomendações, o Mestre lionês afirma que o mais essencial de todas as disposições para nos comunicarmos com os Espíritos é o recolhimento coadjuvado pela fé e o desejo do bem, pois dessa forma nos tornamos mais aptos para estar em contato com os Espíritos superiores e esses nunca deixam de comparecer sempre que são evocados para um fim útil, só se recusando a responder quando tal condição não é observada.
Finaliza Kardec:
(...) As acusações formuladas pela Igreja, contra as evocações, não atingem, o Espiritismo, porém as práticas da magia, com a qual este nada tem de comum. O Espiritismo condena tanto quanto a Igreja as referidas práticas, ao mesmo tempo em que não confere aos Espíritos superiores um papel indigno deles, nem algo pergunta ou pretende obter sem a permissão de Deus.
Certo, pode haver quem abuse das evocações, quem delas faça um jogo, quem lhes desnature o caráter providencial em proveito de interesses pessoais, ou ainda quem por ignorância, leviandade, orgulho ou ambição se afaste dos verdadeiros princípios da Doutrina; o verdadeiro Espiritismo, o Espiritismo sério os condena porém, tanto quanto a verdadeira religião condena os crentes hipócritas e os fanáticos. Portanto, não é lógico nem razoável imputar ao Espiritismo abusos que ele é o primeiro a condenar, e os erros daqueles que o não compreendem. Antes de formular qualquer acusação, convém saber se é justa. Assim, diremos: A censura da Igreja recai nos charlatães, nos especuladores, nos praticantes de magia e sortilégio, e com razão. Quando a crítica religiosa ou céptica, dissecando abusos, profliga o charlatanismo, não faz mais que realçar a pureza da sã doutrina, auxiliando-a no expurgo de maus elementos e facilitando-nos a tarefa. O erro da crítica está no confundir o bom e o mau, o que muitas vezes sucede pela má-fé de alguns e pela ignorância do maior número. Mas a distinção que uma tal crítica não faz, outros a fazem.  Finalmente, a censura aplicada ao mal e à qual todo espírita sincero e reto se associa, essa nem prejudica nem afeta a Doutrina”.
Podemos também considerar como uma feliz variável do Neopentecostes o esforço concentrado feito por várias editoras de livros Espíritas, incluindo-se aí a Federação Espírita Brasileira, no sentido de traduzir as Obras Básicas do Espiritismo e muitas outras subsidiárias para diversos idiomas de forma que o maior número de criaturas possa ter acesso aos alcandorados e alforriadores conhecimentos espiritistas que, na verdade, são os ensinamentos redivivos do próprio Cristo.
Trata-se, sem dúvida de um esforço hercúleo e nobre, tendo em vista que existem no mundo aproximadamente 6000 idiomas, (uma verdadeira torre de Babel).  Mas, desses 6000 idiomas restará até o ano de 2100 apenas a metade, segundo estudos dos especialistas.  Isso é paradoxalmente bom e ruim.  Ruim porque um idioma que se extingue leva consigo todo um contexto da civilização a ele vinculado, mas, por outro lado, é bom no sentido de facilitar o intercâmbio lingüístico minimizando as diversidades hoje existentes e facilitando o encaminhamento do rebanho terrestre na direção de “um só Pastor”, conforme as Escrituras Neotestamentárias.   E é evidente que o Esperanto terá aí o seu papel importante nessa equalização lingüística, ou seja: nesse novo e necessário Pentecostes.
O PROBLEMA DAS MISTIFICAÇÕES
(Eduardo Batista de Oliveira)
As mistificações constituem-se num grave problema para o Espiritismo, afetando-o principalmente no tocante à sua credibilidade. Por isso, a questão precisa ser analisada e enfrentada com sinceridade. Diria mesmo que este é um dever de todo espírita. Não nos convém tapar o sol com a peneira, pois é certo que há mistificações em nosso meio. E como há!
No presente artigo, pretendo trazer o tema para o debate, na esperança de que nos tornemos observadores mais atentos e críticos. É isso, aliás, o que Kardec recomendou em O Livro dos Médiuns: “se a intenção for realmente boa, eles (os homens sensatos e bem intencionados) farão a sua advertência de maneira conveniente e benévola, abertamente e não com subterfúgios”.
De início, salientamos que não há mistificadores sem mistificados. Trata-se, portanto, de uma via de mão dupla. “A facilidade com que certas pessoas aceitam tudo o que teria vindo do mundo invisível ... é o que encoraja os mistificadores”, disse Kardec. Por isso, devemos tomar cuidado para não sermos nós os encorajadores das mistificações. Como? Recebendo todas as informações com reserva e prudência. É o que nos aconselhou o Codificador do Espiritismo. Dessa forma, não nos enganarão tão facilmente.
Os mistificadores podem ser Espíritos desencarnados ou Espíritos encarnados (os homens – médiuns ou não). É sobre os homens-mistificadores que queremos tratar neste artigo, porque os Espíritos desencarnados mistificadores já foram muito bem caracterizados por Kardec em O Livro dos Médiuns (Capítulo XXVI – Das Manifestações Espíritas), tornando-se desnecessária, por ora, qualquer apreciação adicional acerca deles.
Apressadamente, poderíamos supor que os mistificadores (homens) são somente os que recorrem a fraudes em busca de recompensas financeiras. Há muitas mistificações que visam ao dinheiro fácil, sim, mas essas, logo, logo, acabam sendo desmascaradas. A maioria das mistificações, no entanto, passa despercebida, uma vez que não conseguimos enxergar os interesses que escondem, ou seja, a notoriedade, a distinção, o status e, em especial, o poder (de decisão).
Não estamos nos referindo ao jogo político que praticamos em nossos meios sociais, como família e local de trabalho. Somos seres políticos por natureza e fazemos política o tempo todo – nem sempre de forma sadia. Mas a questão aqui é outra. Estamos tratando de embustes, de enganações, de buscar o poder por meios escusos. Estamos tratando do uso da mentira, do uso da respeitabilidade que se dá a uma mensagem supostamente advinda do plano espiritual. Estamos nos referindo a regras de conduta ou de práticas impostas por homens que fingem adotar orientações ditadas por Espíritos superiores.
Antes de qualquer avaliação, é preciso lembrar que o Espiritismo é libertador, porquanto nos propõe uma fé raciocinada, que nos liberta da prisão do medo que outras crenças impõem: medo, por exemplo, de punição, quando supomos infringir uma “lei” que não passa de uma regra criada por algum mistificador. Com a fé raciocinada, não podemos aceitar ou temer algo que não faça sentido para nós; como obedecer a regras de conduta que tentam nos impor sem maiores explicações?
Cumpre admitir, por outro lado, que, ao alimentar a vaidade, tornamo-nos muitas vezes responsáveis por essa situação. Já meditaram sobre a distinção que é feita em nosso meio entre médiuns ostensivos e não ostensivos (contrariando a Doutrina)?
Os mistificadores utilizam-se de variados meios para a realização de seus propósitos, alguns dos quais poderíamos apresentar a título ilustrativo; no entanto, preferimos deixar a exemplificação para um próximo artigo. Até lá, ficamos torcendo para que a leitura deste texto possa suscitar análises, críticas e debates.
EXISTEM ESPÍRITOS EM TODA PARTE?
(Wagner Ideali)
“Estamos mergulhados num mar de ideias.” - Platão.
Remontando à antiga Grécia podemos ver Platão a nos ensinar que “vivemos num mar de ideias”. Vamos também estudar Paulo de Tarso quando ele nos diz que “vivemos como que na frente de plateia de assistentes”. No século passado temos Albert Einstein afirmando “vivemos num mundo repleto de ondas”.
Existem pessoas em toda parte do planeta e, assim como nos diz André Luiz, as formas-pensamento estão sendo constantemente emitidas por nós a todos os instantes, e como a vida segue e não termina no túmulo, veremos, então, como nos ensinam os Espíritos através de Kardec, que há Espíritos em toda parte.
Essa mistura dos encarnados e desencarnados, essa troca de ideias constantes entre o mundo físico e espiritual, nos conduz a pensar sobre nossas posições mentais. Precisamos vigiar sempre, para não deixar as influências espirituais nocivas nos afetarem, pois nos afirmam os Espíritos numa das perguntas n’O Livro dos Espíritos: Os Espíritos influenciam em nossas vidas? E a resposta é objetiva: “Muito mais do que vocês imaginam”. Podemos então perceber, na profundidade dessa afirmação, que devemos e precisamos realmente vigiar nossos pensamentos e ações.
A existência de Espíritos em toda parte nos leva a perceber que, com os nossos atos e pensamentos, exemplos bons ou não, atraímos os Espíritos segundo a sintonia que provocamos.
Fato é que, estando os Espíritos à nossa volta, eles podem nos ajudar ou atrapalhar, dependendo apenas e unicamente de nossa posição mental, espiritual e, por que não dizer, vibracional de nossa parte.
Esse tema nos leva ao profundo e complexo problema das perturbações, obsessões, e todo tipo de influência negativa que recebemos dos Espíritos quando nos sintonizamos na mesma faixa de vibração.
As pessoas que não acreditam na espiritualidade, vida após a morte, e todo esse complexo de interferência espiritual à nossa volta, ao se depararem com o problema da influência espiritual, levam toda essa problemática para o campo da psicologia e psiquiatria clássica, não procurando observar com mais profundidade o problema.
Sem dúvida as ciências psicológicas e psiquiátricas têm um papel importante nas nossas vidas para a busca do equilíbrio emocional e cognitivo do ser, mas estamos aqui falando de algo que transcende ao ser encarnado, levando-nos a um questionamento mais profundo, pois a Ciência muitas vezes cura os problemas dessa ordem, mas, outras vezes, não. Podemos ver no dia a dia pessoas se curando através de uma terapia alternativa, oferecida pelos centros espíritas, que é o “tratamento espiritual”, que não tem, segundo os estudos clássicos da Ciência, qualquer comprovação na sua eficácia, até porque os elementos chaves, o Espírito e sua influência, ainda se encontram obscuros para a Ciência oficial.
A benfeitora Joanna de Ângelis nos apresenta, no seu estudo da psicologia espírita, essa ligação profunda entre o mundo físico e espiritual e suas relações.
Assim deveremos, passo a passo, dia após dia, construir o reino de Deus dentro de nós, para que possamos estar em sintonia com os bons Espíritos, recebendo suas orientações dentro do nosso campo mental em forma de intuição, inspiração ou até mesmo uma atuação mais direta, dependendo da situação em que nos encontramos.
O esperado bloqueio das influências negativas dos irmãos espirituais, que ainda se identificam com o mal, só é possível com mudanças de atitudes, e procurando viver dia após dia os ensinamentos de Jesus.
Importante que entendamos que o tratamento espiritual é um remédio importante para restituir o equilíbrio espiritual, mas, para permanecer nesse equilíbrio, dependerá dali para frente de nós. Porque continuaremos recebendo as influências boas, ou não, dependendo de nós.
Não estamos aqui falando em viver na clausura, mas numa vida consciente do nosso papel de ser em evolução, com muita alegria, paz, estudo, trabalho e muito amor ao próximo e a nós mesmos.
Disse Jesus ao doente: “Eu te curei, vai, mas não peques para que não te aconteça coisa pior”. Nessa lição o Mestre dos mestres nos proclama a necessidade de mudança hoje para obtermos uma vida espiritual melhor. Para que consigamos manter uma ligação com a espiritualidade Maior, torna-se necessário o trabalho no bem, a única saída real e efetiva para o nosso ser.
Espíritos em toda parte, e estes com ou sem evolução nas suas ações, sentimentos e emoções, constroem um hálito espiritual à nossa volta, onde nós compartilhamos e colaboramos nesse nível de energia e vibração.
Seja como emissores de pensamentos ou nossos atos, construtivos ou não, estamos na presença de Espíritos a todo o momento. Assim, orar e vigiar, como manda o Mestre, é ainda a melhor forma de garantir uma ligação proveitosa junto à espiritualidade Maior. Que Jesus nos abençoe hoje e sempre.
A INGRATIDÃO
(Waldenir A. Cuin)
“- As decepções causadas pela ingratidão não podem endurecer o coração e torná-lo insensível?
- Seria um erro pensar assim, porque o homem de coração, como dizes, será sempre feliz pelo bem que praticar...” (Questão 938, de “O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec.)
Equivocamo-nos, quando esperamos a compreensão alheia para os nossos atos no campo do bem, pois que a criatura humana, com raras exceções, ainda segue seus dias revestida de orgulho e de egoísmo, e essas terríveis chagas obscurecem sua visão, impossibilitando observar as intenções benéficas que circulam ao seu redor.
Em realidade, a ingratidão significa a falta de reconhecimento por alguém, de um bem, um favor, ou de qualquer gesto de atenção que lhe fora dedicado. Isso é muito frequente no contexto social em que vivemos, ante a pequena evolução espiritual que conseguimos na Terra.
Mas o verdadeiro homem de bem, aquele que já identificou a necessidade de praticar as inquestionáveis lições do Cristo, precisa urgentemente ignorar tal comportamento social e continuar servindo, a exemplo do próprio Jesus, que em circunstância alguma esperou pela compreensão, entendimento e gratidão dos homens, uma vez que, após trazer a Boa Nova ao mundo, como recompensa ganhou uma coroa de espinhos, o sarcasmo e a morte afrontosa na cruz.
Ao discípulo compete seguir o mestre. Assim, se somos cristãos devemos seguir o Cristo, portanto, o serviço nos aguarda e a exemplificação de uma vida digna, honesta e sublime deve ser a nossa meta, para que nos coloquemos também como servidores da causa do bem, não somente como beneficiário dela.
Importante, então, que vasculhemos nossa intimidade para localizar onde estão os nossos talentos, visando colocá-los em prática, em favor da humanidade. De alguma forma, incontestavelmente, todos temos algo a oferecer àqueles que caminham conosco pelas entradas do mundo. É claro que, por necessidade, muito recebemos, e por gratidão temos também que oferecer alguma coisa de nós pela implantação do reino de Deus na Terra.
Assim, podemos escrever sobre o bem, endereçando um bilhete amigo a quem estiver passando por necessidade; falar sobre a beleza da vida aos que seguem tristes; ouvir o lamento desesperado daqueles que agonizam em situações aflitivas; fazer uma prece ao doente acamado cujas dores lhe roubam a tranquilidade; estender um gesto de carinho a uma criança abandonada; servir um prato de alimento ou um copo de leite ao irmão que perambula pelas ruas, sem exigir-lhe nada; oferecer remédios aos necessitados que não podem adquiri-los; movimentar campanhas de alimentos para distribuição às famílias em penúria; aconselhar o jovem desorientado que tende a cair no abismo dos tóxicos; amparar pais inconformados que viram partir seus filhinhos para o mundo espiritual, enfim, serviço e oportunidades de fazer o bem não faltam. Façamos a nossa parte, sem esperar nada de ninguém.
Deixemos o nosso coração ser embalado pela musicalidade do amor, da fraternidade, da sensibilidade e saiamos a servir, a cooperar e a construir o mundo dos nossos sonhos, pois, se não tomarmos iniciativas, a paz, a felicidade e o bem-estar ficarão somente nos sonhos mesmo.

Se o mundo vai ou não reconhecer o nosso serviço, isso, decididamente, não importa. Se as pessoas serão gratas ou não, também não importa. Realmente o que vai importar será a paz da nossa consciência... isso, sim, realmente importa.
PARTIDA E CHEGADA
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)
Toda semana o nosso Jornal Correio de Capivari anuncia a partida de vários capivarianos de retorno à vida espiritual, na sua coluna falecimentos.
Imortalidade da alma – qual a sorte dos homens depois da sepultura? 
Segundo a doutrina niilista, sendo a matéria a única fonte do ser, a morte é considerada o fim de tudo.
De acordo com a doutrina panteísta, o Espírito, ao encarnar, é extraído do todo universal. Individualiza-se em cada ser durante a vida e volta, com a morte, à massa comum.
De maneira geral, cristãos, islâmicos e judeus acreditam que após a morte há a ressurreição.
Já a doutrina espírita, também cristã, demonstra a continuação da vida no plano espiritual após a morte do corpo físico. E explica pela reencarnação que Deus abre novas possibilidades para o Espírito no futuro retornar em novo corpo, para continuar o processo de evolução. Aqueles que praticam o bem, evoluem mais rapidamente. Os que praticam o mal, recebem novas oportunidades de melhoria através das inúmeras reencarnações. Portanto, creem na imortalidade e na individualidade da alma e na existência de Deus, mas não como Criador de pessoas boas ou más. Deus criou os Espíritos simples e ignorantes, sem discernimento do bem e do mal. Quem constrói o céu e o inferno é o próprio homem em seu interior.
Gosto muito deste pensamento do poeta francês Victor Hugo (1802/1885): – Quando estiver no túmulo poderei dizer, como tantos outros: ‘Terminei minha jornada’ e não ‘terminei minha vida’. Minha jornada recomeçará no outro dia, de manhã. O túmulo não é um labirinto sem saída; é uma avenida, que se fecha no crepúsculo e volta a abrir na aurora.
Gosto muito dessa mensagem que é sempre comentada e não tem um autor identificado que compara a partida e a chegada para a Pátria espiritual.
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de rara beleza.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto bran-co na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “Já se foi”. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz “já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “Lá vem o veleiro”!!!
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível, dizemos: “Já se foi”.
Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. Na verdade são invisíveis e não ausentes.
O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas e afeições persistem na nova dimensão espiritual.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais se necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos “já se foi”, no Além, outro alguém dirá: “Já está chegando”. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.
Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário ou incômodo.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Retorno ao que escreveu o poeta francês Victor Hugo: – O berço tem um ontem e o túmulo um amanhã.
Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos, ao encontro d’Aquele que nos criou.
VIVEMOS NUM MUNDO EMPRESTADO DE NOSSOS NETOS
(Arnaldo Camargo)
Sim, vivemos hoje com nossos filhos e vamos deixar no futuro, para nossos netos, o nosso planeta. Vamos deixá-lo como recebemos, ou melhorado?
Pensando no futuro e naquilo que nos emprestaram os nossos antepassados e em como vamos devolver para nossos netos, vejamos o que disse o advogado que lutou pela liberdade e igualdade dos negros americanos, Martin Luther King:
“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos”.
Outro pacifista, que libertou a Índia da opressão inglesa, também defende a sobriedade e a igualdade, Mahatma Gandhi:
“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”.
Na Bíblia, em Eclesiastes, 3:1-2, fala-se do presente e do futuro que o Criador reservou para todos nós, tanto em relação à nossa vida como também ao meio ambiente:
“Existe um tempo certo para cada coisa, momento oportuno para cada propósito debaixo do Sol: tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher”.
Não podemos ficar isolados na sociedade, todos têm que dar sua contribuição para o bem-estar social e para o equilíbrio do meio ambiente, reconhecendo que somos parte integrante do ambiente em que Deus nos colocou a viver. Este é o melhor momento de nossas vidas: aquele em que podemos abrir a mente e pensar não apenas em nós e sim no coletivo.
Pensando assim, cinco séculos antes de Cristo, o pensador e filósofo chinês Confúcio ensinou:
“Se você tem metas para um ano, plante arroz. Se você tem metas para dez anos, plante uma árvore. Se você tem metas para cem anos, então eduque uma criança. Se você tem metas para mil anos, então preserve o meio ambiente”.
O mundo capitalista nos induz a ter e consumir, enquanto a mensagem de Jesus nos fala em dar e servir.
Por sua vez, o pensador grego Aristóteles, que foi discípulo de Platão e como filósofo escreveu sobre as diversas áreas do conhecimento humano, asseverou, como se falasse para hoje:
“As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã”.
Mas voltemos ao nosso meio ambiente, ao qual a primeira semana de junho foi dedicada, sendo o dia 5 sua data comemorativa especial: dia da ecologia. O médico indiano Deepak Chopra, radicado nos Estados Unidos, que também é escritor e professor, afirma:
“As árvores são nosso pulmão, os rios nosso sangue, o ar é nossa respiração, e a Terra, nosso corpo”.
Sobre a fonte de vida que é a natureza, o Espírito Maria Dolores, através de Chico Xavier, poetisa:
“A fonte, a deslizar singela e boa, / Passa fazendo o bem,
Dessedenta, consola, alivia, abençoa / Sem perguntar a quem...”.
Será que já praticamos uma boa ação na semana? Aliviamos a provação de alguém, abençoamos aqueles que convivem conosco, consolamos os desamparados, ou continuamos em nossa vidinha cômoda e confortável?
A vida exige esforço e determinação, primeiro para vencer a nós mesmos, e depois para conquistar nosso mundo, como bem diz o escritor francês André Gide, que recebeu o prêmio Nobel de literatura em 1947:
“O ser humano não descobre novos oceanos se não tiver a coragem de perder o litoral de vista”.
CANDEIA SOBRE O CANDEEIRO
(Gebaldo José de Sousa)
 “Não há ninguém que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz (...).”
No passado, a candeia ficava ao alto, num canto da sala, e sua luz se estendia por todo o ambiente. Sempre mais intensa para os que estavam próximos a ela. Aqueles que estavam ao longe recebiam dela um fiapo de luz..., mas a recebiam!
Assim é a compreensão do Evangelho: chega a todos, mas em graus variados de intensidade, como luz que nos atrai. Fruto das vibrações e do amor zeloso de Jesus!
Todos os que frequentamos templos religiosos (quaisquer deles!) ali vamos amiúde ou periodicamente porque a mensagem de Jesus, de uma forma ou de outra, já nos tocou e contagiou o coração!
Uns assimilam mais o teor da mensagem, porque situados mais próximos da luz – da candeia de canto, ou do próprio Evangelho! E não há nisso nenhum privilégio: quem a busca, quem se esforça por compreendê-la e aplicá-la à própria vida, aproximam-se, por vontade própria, da luz imperecível da Boa Nova!
Emmanuel, Espírito, claramente exemplifica esse fato:
[“E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.” – O Evangelho não nos diz que Paulo de Tarso fazia maravilhas, mas que Deus operava maravilhas extraordinárias por intermédio das mãos dele.
O Pai fará sempre o mesmo, utilizando todos os filhos que lhe apresentarem mãos limpas.
Muitos Espíritos, mais convencionalistas que propriamente religiosos, encontraram nessa notícia dos Atos uma informação sobre determinados privilégios que teriam sido concedidos ao Apóstolo.
Antes de tudo, porém, é preciso saber que semelhante concessão não é exclusiva. A maioria dos crentes prefere fixar o Paulo santificado sem apreciar o trabalhador militante.
Quanto custou ao Apóstolo a limpeza das mãos? Raros indagam relativamente a isso.
E o Mestre, sábio educador, a pouco e pouco nos atrai, sempre mais e mais, até nos converter plenamente às claridades da Sublime Mensagem, eis que afirmou: ‘Das ovelhas que o Pai me confiou, nenhuma se perderá!’
Não há, pois, condenações ‘eternas’: todos, ao longo das múltiplas encarnações, teremos oportunidades de compreender essas Lições imorredouras e de, lentamente, reparar nossas faltas, ainda que à custa de renúncias e dores! E, assim, seremos redimidos, sempre amparados por aqueles que, no plano físico ou no espiritual, nos conduzem à compreensão da mensagem de Amor.
Nem há, também, o ‘demônio’ ou o inferno tão temido. Só alimentam essas crendices os que não compreendem a grandeza do Amor de Deus, criador do Universo visível e invisível.
Ninguém melhor que Voltaire – François Marie Arouet (Paris, 21.11.1694-30.05.1778) – expressou a sabedoria do Criador, por oposição à imensa ignorância dos humanos, na sábia afirmação “Eu acredito no Deus que criou os homens, e não no Deus que os homens criaram”.
À medida que evoluímos, ampliamos nossa compreensão da vida, de nós mesmos e aprendemos a compartilhar com os demais tudo o de bom que o Pai nos concede.
No Velho Testamento temos – num sonho conhecido como Escada de Jacó  – belo símbolo de nossa evolução espiritual.
Em forma de espiral, seus primeiros degraus são de menor extensão; e vão se ampliando, à medida que se eleva.
Cada degrau comporta inúmeros ensinamentos, que devemos assimilar. E só ascendemos ao próximo quando completamos o aprendizado desse estágio.
Daí por que as questões que nos incomodam surgem, reiteradamente e de forma inesperada em nossas vidas. Oferecem-nos, assim, oportunidades de superar questões que nos desequilibram e de vencermos a nós mesmos: de não revidarmos ofensas; de perdoarmos etc. Afinal, de irmos além, de transcendermos nossos limites.
Compreendida a lição, somos envolvidos por extraordinária paz, que se torna, a cada vitória conquistada sobre nós mesmos, em incentivo a ficar atentos às próximas lições que nos serão oferecidas. Faz parte do processo de autoconhecimento que o Evangelho nos favorece, eis que ele é o mais perfeito roteiro para o crescimento espiritual! Daí a importância de conhecê-lo e aplicá-lo em nossas vidas.
[Diz “A Grande Síntese” que “se a dor faz a Evolução, a Evolução anula progressivamente a dor...” E outro não poderia ser o caminho. Inútil lutarmos contra a dor como se ela representasse um elemento intruso e agressor da Vida. Só compreendendo-a em profundidade e aceitando-a com resignação é que obteremos sucesso nas ascensões que nos aguardam. Quando a dor obriga o Espírito a dobrar-se sobre si mesmo, ao mesmo tempo em que anula as dissonâncias inerentes à alma, prepara terreno para profundas introspecções, desenvolvendo e despertando potencialidades espirituais.] 5 – [Sublinhamos.]
Conhecer os ensinos de Jesus e ignorar sua prática é o que mantém o atraso da Humanidade, não obstante transmitidos há dois mil anos, pelo incansável Mestre!
Nosso aprendizado deve beneficiar a todos. Não basta adquiri-los. É preciso que ele transforme nossas vidas de forma efetiva, produzindo bons frutos: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mt, 5:16 6 – Grifo do original.
QUANTO TEMPO FALTA PARA A TERRA CHEGAR A MUNDO DE REGENERAÇÃO
(Wellington Balbo)
A Revista Espírita foi uma obra com periodicidade mensal dirigida por Allan Kardec, de janeiro de 1858 até abril de 1869. Embora tenha desencarnado em março de 1869, o professor havia deixado a publicação de abril daquele ano pronta.
Com frequência, os assinantes da Revista Espírita pediam a Kardec para que sua publicação fosse semanal ou quinzenal. Objetivavam beber da literatura do sábio francês mais constantemente.
Kardec respondia, de forma educada, que era humanamente impossível. Em primeiro lugar porque o trabalho a que se prestava o professor tornava-se cada dia mais intenso.
Além disso, caso optasse pela periodicidade menor o professor teria que aumentar o valor das assinaturas. Embora muitos afirmassem que pagariam de bom grado, isto seria um prato cheio para os detratores de Kardec que, vira e mexe, acusavam o professor de enriquecer às custas do Espiritismo.
E, também, a Revista trazia em si o ideal da variedade e do complemento da obra construída pelo professor, portanto, deveria seguir a publicação mensal o que, segundo ele, seria mais conveniente.
Kardec informa, ainda, que a Revista registraria o desenvolvimento da ciência espírita e as novas teorias, mas que estas não poderiam ser aceitas antes de passar pelo controle universal do ensinamento dos Espíritos.
Percebe-se o zelo que Kardec tinha com o Espiritismo. Sua busca, conforme ele mesmo narra na introdução da Revista Espírita, era pela verdade, então teria que traçar estratégias seguras para que dela – verdade – não se afastasse, mas, também, que não obstruísse o progresso, porquanto sabia ele que o Espiritismo permanecia no patamar de ciência em construção, ou seja, aberto à continuação da verdade que, diga-se, deveria obedecer à marcha do progresso humano e não seria ministrada senão paulatinamente.
A grosso modo é a comparação da luz que, quando muito forte, ofusca ao invés de iluminar.
Kardec não tinha pressa, antes primava pela observação, pesquisa e estudo de determinado ponto, para que a verdade não lhe escapasse.
Pode-se afirmar que Kardec era um homem sem agonia!
Agonia que muitas vezes reflete-se na ansiedade de constatar que a Terra será, em breve, promovida de mundo de prova e expiação para mundo de regeneração.
Alguns falam até de datas. Todavia, é válido buscar no professor Rivail a prudência, até porque essa promoção não ocorrerá por decreto. Na constituição de Deus não há espaço para negociatas. Ou seja, a Terra será promovida quando os homens a promoverem por meio de suas ações pautadas na prática evangélica.
Basta uma breve observação para conferir que a mudança moral é lenta.
Vejamos:
Cerca de 1.400 anos mais ou menos separam a primeira revelação dada por Moisés da vinda do Cristo à Terra. Logo, de Cristo para o Espiritismo são mais de 1.800 anos.
Não precisamos fazer grandes reflexões para constatar que ainda não assimilamos nem a revelação dada por Moisés, porquanto ainda matamos, roubamos, tiramos vantagens indevidas e por aí vai...
Vide a situação do Espírito Santo, estado afetado pela “greve” da Polícia Militar e que as mortes pipocaram, os saques tomaram espaço e homens, até então não envolvidos com o crime, acabaram por se envolver pela razão de não estarem sendo fiscalizados pela polícia.
Em termos morais avançamos, mas ainda não praticamos nem o que Moisés revelou.
Vale lembrar que o Espiritismo tem pouco mais de 150 anos... Percebe-se que as revelações demoraram um bocado de tempo para fazer pequenino efeito no comportamento moral dos homens.
Em partindo deste princípio, se fizermos uma média entre as revelações, ou seja, 1.400 anos de Moisés a Jesus e 1.800 anos de Jesus ao Espiritismo, teremos 1.600 anos de média.
Será que irão 1.600 anos para começarmos a praticar as lições de Jesus?
Em realidade, tudo dependerá dos homens, então, cabe-nos acelerar esta progressão da Terra para um mundo melhor.
Outro dia ainda comentei com amigos: - Que os homens sejam todos, independentemente de religião, kardequianos, pois kardequiano quer dizer: Kardec para o cotidiano...
Só assim nosso mundo, de fato, será promovido para mundo de regeneração.
O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
(Marcus de Mario)
A leitura sobre as posições teóricas principais do desenvolvimento da criança revela que a base do pensamento é uma visão estritamente biológica sobre o homem, ou seja, temos até o presente momento uma visão materialista sobre a chamada psicogênese.
A concepção espírita é espiritualista, considerando o homem uma alma imortal e a vida como criação de Deus. E antecipando-se a todas as formulações teóricas do século vinte, no ano de 1857, o Espiritismo assentava as bases do desenvolvimento psicogenético da criança, como podemos verificar na questão 351 de O Livro dos Espíritos:
No intervalo da concepção ao nascimento, o Espírito goza de todas as suas faculdades?
– Mais ou menos, segundo a fase, porque não está ainda encarnado, mas ligado ao corpo. Desde o instante da concepção, a perturbação começa a envolver o Espírito, advertindo-o assim de que chegou o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é mais ou menos de um Espírito encarnado, durante o sono do corpo. À medida que o momento do nascimento se aproxima, suas ideias se apagam, assim como a lembrança do passado se apaga desde que entrou na vida. Mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de espírito.
A concepção espírita visualiza o início do processo de desenvolvimento do homem no instante da concepção, ou seja, quando temos a união da alma com o corpo. Nenhum teórico, nenhum pesquisador sequer, pensou sobre isso. Todos iniciam suas deduções a partir do nascimento, ignorando completamente a fase da gestação. Embora envolvido pela perturbação do processo de preparação e ligação com o embrião, o Espírito conserva suas ideias, nunca perde sua individualidade. No tocante às ideias, aos conhecimentos e à percepção de si mesmo, vai entrando pouco a pouco num estado de sonolência, onde tem dificuldade de manter-se pleno, pois psiquicamente está transferindo o passado para o subconsciente, deixando na consciência apenas as estruturas necessárias para desenvolver a nova personalidade. Lembremos que estamos falando do processo de uma forma geral, pois a individualidade é única, por isso, cada caso é um caso, como se costuma dizer.
A resposta dada à pergunta de Kardec levanta ainda outra questão: nada se perde, pois, se assim acontecesse, já não teríamos a individualidade imortal que preexiste e subsiste, e sim uma nova alma começando do início, o que não sucede, pois o corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito. Na medida em que, após o nascimento, domina o corpo, o Espírito readquire, em seu estado normal, a lembrança de seu passado, sempre de acordo com suas necessidades e sua missão na Terra, sem que isso venha a prejudicar sua atual existência. Esse estado normal é vislumbrado nos sonhos, quando, através do sono, o Espírito se desprende parcialmente do corpo e pode vagar pelo mundo espiritual.
O psiquismo do ser humano é, portanto, complexo, pois é um ser interexistente: é uma alma num corpo. Ao mesmo tempo que inicia a aquisição de novos aprendizados, trabalha com os aprendizados que já traz das suas ulteriores existências, que espocam nas ideias inatas e nas tendências de caráter.
E após o nascimento? Como se dá o desenvolvimento desse ser? A visão espírita tem semelhança com a visão dos teóricos da ciência? A resposta a tudo isso está na questão 352. Vejamos:
No instante do nascimento o Espírito recobra imediatamente a plenitude de suas faculdades?
– Não: elas se desenvolvem gradualmente, com os órgãos. Ele se encontra numa nova existência; é preciso que aprenda a se servir dos seus instrumentos: as ideias lhe voltam pouco a pouco, como um homem que acorda e se encontra numa posição diferente da que ocupava antes de dormir.
Temos em O Livro dos Espíritos a psicogênese da criança explicada muito antes do aparecimento das teorias do desenvolvimento psicológico apresentadas pela Psicologia, e isso numa época, metade do século dezenove, onde ainda se considerava a criança como uma miniatura do adulto. Entendamos o que os Espíritos Superiores responderam a Allan Kardec.
Todos os teóricos falam que a criança passa por determinados estágios de desenvolvimento, e que esses estágios estão intimamente ligados a faixas etárias, de acordo com o natural desenvolvimento dos órgãos. Assim as etapas de crescimento da criança devem ser respeitadas no processo educacional. Entretanto, o Espiritismo já afirmava em 1857 que o Espírito só recobra suas faculdades paulatinamente, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos físicos do novo corpo, ou seja, ele só pode se manifestar – pensar e agir – de acordo com o que lhe permite o corpo. Como este está em formação, em crescimento, durante a infância o Espírito pensará como criança, agirá como criança, elaborando as estruturas mentais de sua nova personalidade. É assim que não poderá elaborar um pensamento lógico-matemático mais complexo quando está na faixa de seus 2 ou 3 anos de idade, mas que isso começa a ocorrer, por etapas, na medida em que o corpo, e neste caso todo o complexo cerebral, vai lhe dando suporte para tais pensamentos.
Com isso logo percebemos que não existe criança “burra”, que “se continuar assim não vai ser nada na vida”, ou que “não tem possibilidade de desenvolvimento”. Pensar dessa maneira é demonstrar preconceito, discriminação e ignorância.
Agora, a gênese psicológica do ser, ainda tão intrigante para os pesquisadores da Psicologia do Desenvolvimento, transforma-se totalmente com a inserção da Alma (Espírito) no processo, pois as ideias, os conhecimentos, os aprendizados, o planejamento reencarnatório, tudo está arquivado nela, nada se perde. Na medida em que controla o corpo com seus instrumentos de manifestação e comunicação, a alma extrai de seu subconsciente tudo o de que precisa para sua nova existência, mas não o faz sozinha, pois necessita dos estímulos da educação que lhe é propiciada no lar e na escola, até que ali pelos sete/oito anos completa esse processo e começa a se revelar tal como realmente é, ou seja, deixa aflorar plenamente suas tendências, mas que então já estarão transformadas (se negativas) ou potencializadas (se positivas), pela educação recebida.
É fantástico esse estudo. Compreender a psicogênese da criança é fundamental para melhor educar, ainda mais com a visão espírita da imortalidade do ser. Passado, presente e futuro pertencem à individualidade humana que desenvolve nova personalidade e é colocada por Deus na dependência daqueles que já passaram pelo processo, já realizaram seus estágios no mundo infantil, e sabem que tudo depende não apenas do respeito a esses estágios, mas dos estímulos e da convivência social que são propiciados a essa alma.
ENQUANTO ESTAMOS A CAMINHO
(Hyerohydes Gonçalves)
“Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. – Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil."(Mateus 5:25 e 26).
Diante dessa recomendação do Mestre Jesus a todos nós, Espíritos em evolução, passando pelas bênçãos das provas e das expiações, nesta oficina Terra, temos de levar em conta alguns detalhes contidos nos versículos em pauta, de suma importância para o nosso entendimento e compreensão.
Observemos que Jesus nos recomenda “reconciliar” com os nossos “adversários” e chamando-nos a atenção para que seja “o mais depressa possível”, e ainda a circunstância: “enquanto estiver com ele a caminho”.
O dicionário online de português traz a definição de que “reconciliar” é instaurar a paz entre; ficar em harmonia com; harmonizar-se.
Em analogia com o entendimento de que para amar o próximo é necessário primeiro amar a si mesmo, logo, para reconciliar com os adversários, é necessário cada qual reconcilie consigo mesmo, em primeiro lugar, pacificando a própria consciência e harmonizando-se com os bons pensamentos, em sintonia com as leis divinas.
Estando em paz consigo mesmo, estará desenvolvendo os quesitos da caridade como a entendia (e entende) Jesus: benevolência (= boa vontade, surgida da voluntariedade, sem esperar nada em troca); indulgência (= doçura por dentro); e perdão (doar-se por completo). (Vide: O Livro dos Espíritos, questão 886.)
Em seguida, estaremos habilitados ao relacionamento com os adversários.
Adversários???
Exatamente, adversários!
Pois bem! Novamente, em consulta ao referido dicionário, observamos que “adversário” significa aquele que entra em combate com outra pessoa; antagonista; que é capaz de se opor; que é contrário a; opositor; que disputa uma competição contra; concorrente; rival; contendor.
Logo, observamos que um adversário não precisa, necessariamente, ser um inimigo. Mas alguém que está a caminho conosco e que pensa e age diferente de nós, expõe as suas opiniões diversas da nossa, conduz a vida de um jeito que nos incomoda, ou pode ser, mesmo, um inimigo, decorrente de entreveros desta e/ou de outras existências e que agora é a oportunidade de ajuste ou reajuste, ou seja, da reconciliação, do acertar dos ponteiros e seguir o caminho desbravando horizontes de amizade e paz.
Que essa reconciliação atenda a recomendação do Mestre Jesus, sendo a mesma o mais depressa possível, porque estamos a caminho.
Estar a caminho tem o sentido de movimento, de estar andando para frente. Muito diferente de estar no caminho, porque estar no caminho tem o sentido estático.
Mas a ideia de Jesus é de evolução. E para evoluir temos de agir e de nos movimentar, ir ao encontro do outro que, muitas das vezes, é nosso adversário e/ou inimigo.
Quando Jesus nos alerta quanto ao “mais depressa possível”, desperta a ideia de “tempo”, de aproveitarmos a oportunidade que temos para nos apaziguarmos uns com os outros, acertando as arestas e desenvolvendo as virtudes morais, sendo caritativos; cada qual se colocando no lugar do outro, com o coração misericordioso removendo e ajudando o outro a remover as pedras do caminho.
É aproveitarmos o tempo, essa ferramenta que temos em mãos para o exercício do livre-arbítrio, para desenvolvermos a maturidade das nossas escolhas, e buscarmos a felicidade juntamente com os companheiros de jornada evolutiva que também estão a caminho.
Mas a caminho de quê? Para onde?
Rumo à felicidade, para a qual todos nascemos e renascemos, que se localiza dentro de cada um de nós em particular, onde está o Reino de Deus, conforme Jesus nos ensinou através do Evangelho de Lucas, capítulo 17, versículo 21.
E, ao fazer essa viagem, rumo à felicidade, no mundo da consciência, muitos, quiçá a maioria, acabarão por concluir que, também, os nossos adversários podem ser nós mesmos, que não nos damos oportunidades de nos ouvir e perceber o que temos de melhorar e que temos de exercer o amor a nós mesmos (o autoamor), não nos culpando de nada, mas nos responsabilizando pelas nossas ações e omissões.
Se estamos a caminho, estamos de passagem de um lugar para o outro, em busca do conhecimento da verdade que liberta da prisão do orgulho e do egoísmo, da ignorância, da intolerância, da falta de perdão.
É preciso, no caminho, o mais depressa possível, aprender a caminhar um com o outro, lado a lado, tantas milhas que forem necessárias, aprendendo um com o outro, com as experiências do outro.
É preciso, no caminho, mostrar a outra face, que é a face da benevolência para com todos, da indulgência para as imperfeições dos outros e do perdão das ofensas.
É preciso, no caminho, entregar a túnica do conhecimento e, se possível, a capa do desprendimento.
É preciso, o mais depressa possível, e, se possível, ainda nesta encarnação, para que evitemos a prisão de nossa consciência nas grades da ignorância, da consciência culpada, do egoísmo e do orgulho e de tantos e demais vícios que nos aprisionam, a fim de evitarmos os pagamentos dolorosos de cada ceitil, de centavo por centavo, na conta da vida.
ORAÇÃO: PEDIR OU AGRADECER
(Wagner Ideali)
“Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis”.
(Marcos, cap. XI:24)
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo XXVII, temos uma passagem de Jesus que afirma: Pedi e obtereis. Ao ler essa passagem ficamos aqui pensando sobre a oração, o que nos levou a uma reflexão sobre orar e a fé.
Aprendemos na Doutrina espírita que Deus é a Inteligência Suprema do Universo e que tudo segue conforme seus desígnios, assim sendo, por que orar pedindo, pois, como o próprio Evangelho nos diz, na passagem de Marcos, Cap. VI: 5 a 8: vosso Pai sabe do que necessitais antes de o pedirdes. Além disso aprendemos na Doutrina espírita sobre a Lei de ação e reação que nos ensina sobre o processo do merecimento em nossas vidas. Também aprendemos que o agradecimento que ocorre nas nossas orações tem um valor espiritual muito profundo, se assim podemos afirmar, pois realiza mudanças em nosso ser sempre que agradecemos, porque nos envolve em um halo energético sem precedentes. O ato de agradecer deveria ser uma constante em nossas vidas. A gratidão nos envolve num halo de energia positiva muito salutar para o nosso equilíbrio. O agradecer não se limita apenas nas palavras proferidas, mas no sentimento profundo que exalamos ao pensar dentro do aspecto da gratidão.
Ficamos naquela bifurcação entre pedir, mas já sabemos que Deus conhece as nossas reais necessidades, ou agradecer, que é um ato de amor com a vida e com Deus.
O que devemos fazer nas nossas orações? Entendemos que a gratidão sentida no fundo do nosso coração é verdadeiramente um ato de humildade. Uma profunda ligação entre a criatura e o Criador e portanto deveria ser trabalhada dentro de nós, e fazer parte de nosso dia a dia. Procurar ter esse sentimento dentro de nossos pensamentos mais assertivos.
O ato de pedir, que num primeiro momento pode até parecer um ato de falta de fé na Providência Divina, também pode demonstrar que acreditamos Nele e nas Suas Potencialidades, pois entendemos que essa atitude denota uma posição de humildade da criatura para com o Criador. Na nossa súplica a Deus mostramos nossa fraqueza e o reconhecimento das nossas limitações frente à vida.
Quando o Mestre Maior, Jesus, nos convida à prece para pedir e nos afirma que iremos obter aquilo que pedimos, não está dizendo que vamos obter da forma que pedimos, mas sim nos serão dadas as condições para a correção, nos serão apresentados, ao longo de nossa vida, caminhos para a solução.
O ato de pedir mostra nossa fé em Deus e não o contrário, pois sabemos que Ele não se esquece dos seus filhos. As dificuldades da vida são lições para o nosso desenvolvimento e não um castigo, como nos ensina a Doutrina espírita, portanto, pedir essa ajuda não tem qualquer ato de falta de fé, mas de busca de coragem e ajuda para a solução dessas dificuldades.
O que nos deixa muitas vezes numa posição de sofrimento é, sem dúvida, o receio de não chegar a cabo da solução, talvez por medo, preguiça ou falta de confiança em nós mesmos.
Na alegria, muitos de nós esquecemos de agradecer, mas é nessa hora que podemos mostrar nosso Amor, reconhecimento e fé em Deus. Assim, precisamos aprender a exercitar a gratidão em tudo à nossa volta.
Na dor, tristeza e momentos de dificuldade, vamos também agradecer o aprendizado, o qual estamos atravessando naquele momento.
Quando oramos, pedindo humildemente a Deus que nos mostre o caminho para que encontremos a solução dos problemas, é sem dúvida importante o ato de estabilidade emocional e espiritual, pois estamos pedindo de coração aberto cheio de fé e esperança. Existe uma frase atribuída ao nosso querido Chico, que sendo dele ou não, encerra uma verdade: Tudo o que é seu encontrará uma maneira de chegar até você...
Vamos orar, mas sempre com muito trabalho, amor e fé.
Pedimos ao Mestre Jesus que continue abençoando a todos nós, hoje e sempre...
ALGUMAS NOTAS SOBRE A SALVAÇÃO
(Rogério Miguez)
Dentro do contexto religioso sempre houve acentuada preocupação sobre a tão desejada salvação. Há inúmeras citações na Bíblia sobre o tema, contudo, assim acreditamos, bem poucos sabem: como de fato salvar-se ou mesmo por que salvar-se?
O tema é de vivaz interesse entre os religiosos, obviamente, afinal, quem não almeja ser salvo para sentar-se à direita do Pai?
Há aqueles preconizando salvação pelo sangue de Jesus, contudo, se assim fosse, todos os cristãos já estariam salvos, em razão do sangue do Justo já ter sido derramado há bom tempo. O sacrifício do Mestre foi inigualável, contudo, apenas o sangue Dele não poderá nos conduzir à salvação.
Se a salvação for certa e inquestionável, após a vida atual, religiosos e mesmo os materialistas serão salvos, mesmo se não o desejarem, portanto, perde-se tempo lidando com a matéria, seria uma questão de lógica: como todos se salvarão, por qual razão se preocupar precocemente com o assunto?
Por outro lado, se a salvação é incerta, precisamos descobrir como a conquistaremos, considerando evidentemente nosso desejo em sermos salvos. E mais, se existe a possibilidade de não nos salvarmos, é possível imaginar alguns sendo salvos enquanto outros não, desta forma, haverá integrantes dentre as famílias separados definitivamente pela eternidade afora, proposta pouco alentadora. Além disso, se almejamos ser salvos, como faremos para alcançar a salvação o mais rápido possível? Como se nota, são muitas as interrogações.
Talvez a questão primeira a nos debruçarmos seja ajuizar se há salvação, pois desta decorrem outras: como, do que, para que salvar-se?
A interpretação espírita da salvação existe, e é voltada a orientar o Espírito a bem se conduzir na vida, do ponto de vista ético e moral, garantindo assim um futuro melhor nas muitas existências vindouras. Não obtendo sucesso nesta empreitada, o Espírito colherá os frutos amargos de suas escolhas, passando por sofrimentos e apreensões intermináveis, do seu ponto de vista, sendo estas, contudo, totalmente dispensáveis, pois só surgem pelo mal proceder.
Entretanto, este conceito espírita não se baseia no entendimento do inferno ou do céu como aceitam algumas tradições religiosas, porquanto, segundo a ótica espírita, o inferno e o céu podem realmente existir, porém, dentro de cada um de nós, em função de como vivemos, não contemplando a existência de um local no Universo onde todos os não salvos seriam enviados, sem direito a de lá sair, e, por oposição, outra localidade no Universo onde todos os salvos permaneceriam, convivendo com Deus pela eternidade afora.
A salvação espírita ocorre quando o Espírito observa os preceitos morais contidos nas leis divinas, assim agindo, não haverá temor no pós-morte, tampouco haverá vergonha, inquietação, nem ranger de dentes. Por outro lado, mesmo se o Espírito não seguir na totalidade os mandamentos morais, ele não será irremediavelmente condenado, sofrerá as temporárias consequências, voltará e prosseguirá a sua jornada até alcançar a perfeição.
A propósito, na nossa faixa evolutiva, não há qualquer Espírito em condições de observar rigorosamente todos os preceitos morais de forma continuada, só Espíritos de elevadíssima evolução podem fazê-lo, como estamos muito distantes desta condição, todos nós ainda oscilaremos entre o cumprimento e o descumprimento dos deveres morais, uns mais, outros menos.
Ainda dentro da visão espírita, como dito anteriormente, ninguém se perderá definitivamente, todos alcançarão uma relativa perfeição, contudo, este trilhar será diverso, uns chegando à meta primeiro, outros mais tarde, mesmo considerando dois Espíritos criados ao mesmo tempo, pois cada qual agirá por si mesmo, acertando e errando em momentos diversos de suas caminhadas. Estes sucessos e insucessos da jornada determinarão o tempo necessário para se conquistar o galardão definitivo de Espírito puro, contudo, é certo, mais cedo ou mais tarde, todos alcançarão esta meta. Conclui-se ser esta proposta eminentemente consoladora, possibilitando a qualquer Espírito terminar a sua jornada evolutiva com aproveitamento e, ao final, “sentarem-se” todos à direita do Pai.
Desta forma, a salvação espírita é uma realidade, mas enquanto não alcançamos a condição de pureza, representa uma salvação provisória. Para um determinado período na longa existência, é necessário sempre agir no bem para sempre se “salvar”, a cada nova existência, não é uma salvação definitiva, esta só ocorrerá ao final da jornada.
Enfatizamos uma vez mais, mesmo trilhando o caminho do mal, não há destinação perpétua de sofrimento, de fato, no próprio texto sagrado, a Bíblia, há pelo menos duas passagens opondo-se por completo à base de sustentação do conceito de inferno eterno, e foi o nosso Maior Mestre quem as formulou:
1. Eu te digo, não sairás de lá antes de pagares o último centavo.Esta passagem confirma sermos nós mesmos a quitar as nossas próprias dívidas, e também ser perfeita a justiça divina, permitindo ao devedor pagar integralmente o seu débito. Observa-se ainda nessa afirmação do Nazareno a certeza de que, ao quitarmos o último centavo, nós estaremos livres das obrigações a pagar, não nos restando mais nada a saldar, derrubando por completo a tese das penas eternas, e quanto mais rápido pagarmos, mais rápido sairemos da “prisão”, pode-se também inferir do texto;
2. Que vos parece? Se um homem possui cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa e nove nos montes e vai à procura da extraviada? Se consegue achá-la, em verdade vos digo, terá maior alegria com ela do que com as noventa e nove que não se extraviaram. Assim, também, não é da vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. Ora, se nenhuma ovelha se desencaminhará para a perdição eterna, pode-se entender “extraviar-se” desta forma, não há também como imaginar um local ou região de sofrimentos perpétuos, abrigando todos os faltosos que não quitaram as suas respectivas dívidas. Ressalta também deste ensino não haver falta irremissível, ou seja, não existem pecados capitais.
Esclarece ainda a Doutrina sobre a existência de um mecanismo sábio e justo viabilizando a caminhada para a salvação plena: a reencarnação. Segundo esta lei, viveremos em mundos materiais até não existir mais nenhum resgate, após estas muitas vidas encarnados, só reencarnaremos em missões significativas em prol do progresso da Humanidade. Esta lei dá plena sustentação na afirmação de Jesus: todas as ovelhas serão salvas, sem exceção.
Por outro lado, a salvação espírita não nos conduzirá a um céu de contemplação, onde passaremos a eternidade escutando melodiosas harpas e saboreando frutas frescas ao lado do Criador; esta concepção é infantil e irreal, nos salvaremos para trabalhar mais junto a Deus, cumprindo as Suas deliberações que, nesta fase das nossas existências, serão perfeitamente entendidas, aceitas e desejadas.
Há muitos outros aspectos a considerar, contudo, terminamos estas ligeiras observações fazendo menção a uma passagem do Dr. Bezerra de Menezes:
O espírita cristão é chamado aos problemas do mundo, a fim de ajudar-lhes a solução; contudo, para atender em semelhante mister, há que silenciar discórdia e censura e alongar entendimento e serviço.
É por essa razão que, interpretando o conceito “salvar” por “livrar da ruína” ou “preservar do perigo”, colocou Allan Kardec, no luminoso portal da Doutrina Espírita, a sua legenda inesquecível:
─ “Fora da caridade não há salvação”.
Sim, fazemos coro com o Médico dos Pobres, a caridade bem observada e principalmente praticada equivale a viver ética e moralmente conforme as leis de Deus.
Cremos ter respondido satisfatoriamente quatro questões fundamentais sobre o assunto:
1. Há salvação? – Sim, não há dúvida.
2. Como promovo a salvação? – Vivendo continuadamente conforme as leis de Deus.
3. Do que desejo me salvar? – Da ruína moral, preservando-me do perigo.
4. Por que quero me salvar? – Para trabalhar ativamente na grandiosa obra divina!
REVELAÇÃO: A PEDRA FUNDAMENTAL
(Édo Mariani)
No Evangelho de Mateus, cap. 16 versículos 16 a 19, após pergunta de Jesus, inquirindo dos apóstolos o que dizia o povo ser Ele, Pedro tomando a palavra respondeu: “Tu És o Cristo, o filho do Deus Vivo”, tendo Jesus afirmado: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foram a carne nem o sangue que to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus.” Jesus continuou afirmando: “Também tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na Terra terá sido ligado nos Céus”. No Evangelho de Marcos, cap. 12, versículos 10 e 11, Jesus, volta falar sobre a importância da pedra afirmando: “Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; Isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos”! (Grifamos,)
Com base nessas afirmações de Jesus, deduzimos que a Religião Dominante tenha criado a figura do Papa que seria, no seu entendimento, o representante de Deus na Terra e o substituto de Pedro, o Apóstolo.
Refletindo no ensinamento de Jesus, retirando da letra, que mata, o espírito que vivifica, compreenderemos que Ele, Espírito sublime, puro e perfeito, não conceberia a possibilidade de colocar sobre um homem, mortal e falível, a responsabilidade de ser o único intermediário direto entre o Céu e a Terra e muito menos o Seu representante. 
Inquirimos então: - Onde está a pedra na qual Jesus edificou a sua Igreja? Temos a certeza de que não está sobre Pedro, que por três vezes O negou junto à prisão.
Os ensinamentos deixados por Jesus são por demais importantes, pois Sua palavra nunca foi dita em vão. Por isso a igreja de Jesus só pode estar assentada na revelação, onde se assentam as bases da ligação entre os homens e os Espíritos desencarnados. Foi o que aconteceu com Pedro, médium inspirado, intuído por um mensageiro celestial lhe revelou ser Jesus, o Cristo, filho de Deus Vivo.
Para nos comunicar usamos da palavra falada ou escrita. A palavra é o veículo pelo qual nos relacionamos. É através da palavra, escrita ou falada, que podemos consertar erros e faltas cometidas contra o nosso próximo ainda na presente existência. Assim procedendo, nos livramos de inimizades e mágoas que dificultam o nosso crescimento espiritual, através do qual nos elevamos, melhorando nossa classificação na escala espírita idealizada por Kardec.
É também imprescindível a nossa comunicação com os Espíritos, pois ela nos propicia a recepção de ensinamentos revelados pelos Espíritos, os quais demorariam incalculável tempo para serem, por nós, descobertos.   
Os Espíritos superiores informaram a Kardec que são eles que nos dirigem. Como poderiam nos dirigir sem que houvesse meios de comunicação recíproca, através das revelações espirituais?
Em todos os tempos, a humanidade foi intuída pelos mensageiros celeste, a respeito do intercâmbio entre os dois mundos.  Deus é amor e a Sua misericórdia jamais nos deixaria ao desamparo.
Perlustrando a história dos povos, mesmo as mais antigas civilizações, constataremos que esse intercâmbio sempre existiu.
Ensina Cairbar Schutel em "Parábolas e Ensinos de Jesus": “A Revelação é a base fundamental da Religião. Toda a moral, toda a filosofia, toda a ciência, tem por base a Revelação. Ela é o fundamento de todo progresso, é a Pedra inamovível sobre a qual se ergue o edifício da verdade, que abriga a Humanidade”.
Estamos convictos de que para o homem manter-se equilibrado e alinhado com as benesses divina que nos são ofertadas, como um chamamento às responsabilidades assumidas na programação da reencarnação, visando o cumprimento do trabalho redentor em favor da evolução espiritual, é imprescindível e de capital importância aprender que só através da prece o conseguiremos. Atentemos para os ensinamentos de Jesus: “Quem busca acha".
Ensina Rodrigues Ferreira, autor do livro O Espiritismo e as Distorções do Ser Humano: “Na visão espírita, a oração corretamente cultivada altera a vibração mental de quem ora e, por isso, coloca a espiritualidade no coração”.
A finalidade da oração não é pedir para receber, mas preparar para merecer. A prece busca proteção; ela promove a alteração vibratória da mente para um nível mais elevado, facilitando, simultaneamente, a fuga das ligações inferiores e a abertura da mente para as superiores. Vemos, assim, que a Lei Divina colocou a proteção dentro do próprio homem.
Nestes tempos em que grandes perturbações assolam a humanidade, o Espiritismo vem-nos trazer as diretrizes eficazes para o equilíbrio espiritual, esse escudo protetor, a oração, imprescindível às ligações com a fonte divina, verdadeiro manancial de orientação para o melhor aproveitamento da existência terrena.
Orar é tão importante para a alma como o pão é para o corpo. Aprendamos a orar como nos ensina o Espiritismo e assim poderemos participar do convívio mental com os amigos espirituais.
Observemos o que nos ensina André Luiz em “Missionários da Luz”: “Toda a prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda a criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se gradativamente, em foco irradiante de energias da divindade”. (Grifo nosso.)
 O CONVERTIDO DE DAMASCO
(Temi Mary Faccio Simionato)
Paulo de Tarso, o Apóstolo dos gentios, foi conhecido como cooperador fiel de Jesus na sua legítima feição de homem transformado, de um coração extraordinário que se levantou das lutas humanas, para seguir os passos do Mestre num esforço incansável e incessante.
É importante recordar que Paulo recebeu a dádiva da visão gloriosa do Mestre às portas de Damasco e, também, a declaração de Jesus relativa ao sofrimento que o aguardava por amor ao Seu nome.
O meigo Rabi, de sua esfera de claridade imortal, chamou-o, e, assim, Paulo, tateando na treva das experiências humanas, respondeu-Lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Assim começa a grande transformação desse homem que surgia renovado, renovando as suas atitudes e avançando com firmeza pela senda da redenção.
Essa caminhada é longa, árdua... É um duelo interior onde o mal ainda prevalece; é o conflito entre o que desejamos ser e o que realmente somos. Muitas vezes, encontraremos obstáculos, desafios, porém Jesus é claro quanto ao convite do aprimoramento interior: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lucas, 9:62).
Podemos, assim, ir transformando progressivamente imperfeições, fraquezas, sentimentos que necessitam ser trabalhados, pelo despertar das virtudes santificantes. O tempo não importa. O que importa é o esforço que fizermos para alcançar nossa renovação interior, modificando gradativamente nossos sentimentos menos elevados e colocando em seu lugar atributos enobrecidos.
Após sua rendição integral a Jesus, Paulo recolheu-se em meditação no deserto por três anos, pois sabia que muito teria de lutar para não cair, novamente, nos mesmos equívocos, como ele mesmo clamou: “Miserável homem sou, que não faço o bem que quero, mas o mal que não quero!” (Romanos, 7:24). Na sua convicção da realidade espiritual do Cristo, com vontade firme de vencer, Paulo triunfou sobre si mesmo na batalha interior.
É preciso aperfeiçoar-nos, acima de tudo, no modelo de Jesus: sentir, pensar, observar, ouvir, ser e agir com acerto na realização da tarefa que o Mestre nos reservou.
O autoconhecimento é fundamental para este caminho de transformação íntima: O “conhece-te a ti mesmo” é comportamento obrigatório para quem pretende superar-se.
A nossa tomada de consciência dos hábitos morais incoerentes com a Lei de Amor leva-nos a questionamentos e reflexões que, através da dedicação, esforço, disciplina, são primordiais para esse processo de reajuste, que promovem nosso crescimento e nos ajudam a trilhar um novo caminho, uma nova realidade de acordo com o que Deus, nosso Pai, espera de cada um de nós.
Entretanto, quanto mais demorarmos em promover essas modificações em nós, mais tempo ficaremos presos nas mesmas situações que tantas angústias e aflições nos trazem.
Em apoio a essa ideia, encontramos na questão 919-A de O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho, um dos orientadores da Codificação espírita realizada por Allan Kardec, esclarecendo-nos que o autoconhecimento é o meio mais prático e eficaz que temos de melhorar e de resistir ao arrastamento do mal. O amigo espiritual, recomenda-nos: “Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra, ao fim do dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e perguntava, a mim mesmo, se não faltava a algum dever, se ninguém tivera motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma”.
Trata-se de um autoexame que nos auxilia a explorar o mundo íntimo com ampla liberdade e sinceridade em benefício da nossa própria melhora, não olvidando que a perfeição não é apostolado de um dia e, sim, de milênios, e que cada mente traz consigo as marcas da própria ação de ontem e de hoje, determinando seu cárcere ou sua libertação.
O benfeitor espiritual Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo/ MG, na casa do Doutor Rômulo Joviano, na fazenda Modelo, em 08/julho/1941, nos traz algumas considerações a respeito de Paulo de Tarso: “Muitos dizem que Paulo recebeu apelo direto, mas, na verdade, todos nós recebemos uma convocação pessoal ao serviço do Cristo; as formas podem variar, mas a essência ao apelo é sempre a mesma. O convite ao ministério chega às vezes de maneira sutil, inesperadamente, a maioria, porém, resiste ao chamado generoso do Senhor.
Paulo negou-se a si mesmo, arrependeu-se, tomou a cruz e seguiu o Cristo até o fim de suas tarefas materiais. Entre perseguições, zombarias, desilusões, pedradas, açoites e encarceramentos, o apóstolo dos Gentios foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas de sua vida. Entre ele e Jesus havia um abismo que o apóstolo soube transpor em decênios de luta redentora e constante. O convertido não poderia chegar a essa possibilidade em ação isolada no mundo; sem Estêvão, não teríamos Paulo, a vida de ambos estava entrelaçada com misteriosa beleza, confirmando a necessidade e a universalidade da lei de Cooperação. Recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares a fim de empreender a renovação do mundo, e sem cooperação não poderia existir amor, que é a força de Deus que equilibra o Universo”.
Chico Xavier sempre lembrava que: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
Deste modo, recordemos que as Leis Divinas ou Naturais estão escritas em nossa consciência, como nos esclarece a questão 621 de O Livro dos Espíritos. Assim, cada um de nós sabe, bem no íntimo, se estamos agindo, ou não, corretamente.
É conveniente também relembrarmos o ensinamento do benfeitor espiritual Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, contida no livro Busca e Acharás, no capítulo Sugestões de Paz: “Quando puderes, como puderes e onde puderes, guardando a consciência tranquila, trabalha sempre servindo. Assim agindo, ainda que não percebas, desde agora, estarás imperturbavelmente nos domínios da paz”.
O Apóstolo Paulo de Tarso, grande missionário, dizia que buscava viver como o próprio Mestre e por isso asseverava: “Já não sou mais eu quem vive, mas o Cristo é que vive em mim; já não sou mais eu quem fala e quem age, mas o Cristo é que age em mim” (Gálatas, 2:20).
Finalizando nossas reflexões, rememoremos que Paulo de Tarso andou em combate, perseguindo cristãos, até o encontro pessoal com o Cristo, quando então passou a viver o bom combate, consigo mesmo, até encontrar novamente, com o Mestre, no final da sua jornada terrena. Até o caminho de Damasco, estivera em função das glórias mundanas, ávido de autoridade transitória, mas, desde o instante em que Ananias, propagador e enviado do Cristo, o recolheu enceguecido e transtornado, entrou em submissão dolorosa; incompreendido, abatido e doente, jamais deixou de servir a causa do bem que abraçara com Jesus.
Ao término da carreira do semeador da verdade, o ex-conselheiro do Sinédrio, aparentemente cansado, abatido e vencido, saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador.
Que o exemplo deste grande convertido, o vaso escolhido por Jesus, se faça mais claro em nossos corações, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer por amor a Jesus.
A FORMIGA E O TIGRE
(Felinto Elízio Duarte Campelo)
Ouvia-se um grande alarido na mata. Levada pela curiosidade, uma saúva, querendo investigar o que ocorria, contornou obstáculos, venceu dificuldades até chegar a uma clareira onde se realizava uma assembleia de bichos.
Em acalorados debates, discutia-se qual o animal mais forte, o mais inteligente e o mais necessário à comunidade. 
Imponente, o leão assomou à tribuna, encrespou a juba dourada e falou com soberba:
– Eu, cognominado o rei dos animais, sou o mais forte e o mais inteligente. Conquisto e domino todo o território ao alcance de minha vista. Imponho minha vontade, meus súditos obedecem.
 O elefante, batendo vigorosamente suas patas contra o solo, em veemente protesto, fez estremecer o chão. O improvisado palanque desmontou-se e, assustadíssimo, o leão rolou por terra.
– Compare, senhor leão, o seu tamanho com o meu e diga qual o mais forte. Com a minha tromba sou capaz de arremessá-lo para fora desta assembleia. Duvida?
– Calma, amigos  –  interveio a raposa  – não é só a força bruta que conta, há de considerar-se também a astúcia. Sagacidade não me falta, posso, então, ser considerada a mais inteligente.
Dentes à mostra em riso sarcástico, a hiena arrogou-se o direito de ser o animal mais necessário, dizendo:
– Alimento-me dos restos de caça em decomposição, saneio o ambiente; em consequência, deixo o ar livre dos miasmas para o bem-estar de todos. Quem presta serviço igual?
– Eu, a girafa, posso prestar um melhor serviço. Alta como uma torre, vejo antes o perigo que se avizinha e dou o alarme para que vocês, os baixinhos, se protejam.
Não concluiu sua autopromoção. O rinoceronte bramiu irônico:
– Torre que eu derrubo na primeira cabeçada. Meu corpo é revestido de uma couraça invulnerável, os chifres que trago no focinho são irresistíveis e minha força pode ser comparada à de três elefantes. Minha única falha está na visão deficiente. Por vezes, mal distingo o adversário; mesmo assim, exijo o título de o mais vigoroso.
Não havia consenso. Cada qual atribuía a si qualidades incomuns, sobravam os autoelogios, pululavam exclamações de desprezo e de escárnio.
Ao tentar expor sua opinião, a pobre formiga sofreu uma saraivada de apupos. Tida como predadora das plantas, ouviu, desolada, o remoque do tigre:
– Cala a boca, cortadeira vagabunda, você só serve para tira-gosto de tamanduá.
Correndo em torno da formiga, rugindo para assustá-la, o inditoso tigre pisou numa armadilha deixada por caçadores e, repentinamente, viu-se dependurado de cabeça para baixo, sem condição de soltar-se.
Contrastando com os desentendimentos ocorridos durante a reunião, a aflição causada pelo incidente e o sentimento de solidariedade estavam patentes na maioria dos animais ali presentes.
Seus companheiros faziam de tudo para libertá-lo, entretanto nenhum conseguia desatar o laço feito com bem urdida fibra vegetal.
O leão bramiu com tristeza, declarando-se impotente. Nas seguidas tentativas, feriu a perna do tigre com suas afiadas unhas.
O elefante, quanto mais usava a tromba, mais apertava a laçada provocando dores insuportáveis ao angustiado felino.
A raposa logo desistiu, faltava-lhe habilidade.
A hiena, destoando da tristeza geral, ria à toa, dizia aguardar a morte do incauto para cumprir sua missão.
A girafa alegava não ter meios de ajudar, era alta demais e meio desengonçada.
O rinoceronte sequer enxergava o cordel que mantinha o tigre preso.
Humilde, sem guardar ressentimento, a formiga ofereceu-se para “cortar” o laço. Foi até o arbusto onde seu ofensor se encontrava em insólita situação. Findos prolongados minutos de tensa expectativa, chamou o elefante e pediu sem afetação:
– Com sua tromba, segure o tigre para evitar que ele caia no chão e se machuque. O laço está para romper-se, faltam poucas mordidas.
No preciso instante da esperada libertação, a formiga foi delirantemente aplaudida.
O tigre, envergonhado, retirou-se após apresentar mil pedidos de desculpas.
A assembleia foi dissolvida com o retorno dos participantes a seus afazeres naturais. Ficou, porém, gravado na lembrança de todos os bichos o exemplo de humildade, de esquecimento das ofensas recebidas e do amor fraterno dado pela formiguinha. Ficou também a extraordinária lição de que cada ser tem uma importante função a desempenhar no grande concerto da vida, independentemente do tamanho, do vigor físico, da cor, da raça, do credo.
Assim, como bichos, comporta-se grande parte da humanidade ainda presa a interesses exclusivamente materiais.
Uns, por orgulho e ambição, conquistam nações, subjugam e oprimem povos, qual prepotente leão. Muitos, tocados em sua vaidade, ameaçam os mais frágeis, como um elefante enfurecido. Alguns usam ardis para empreenderem negócios inescrupulosos em prejuízo de terceiros, à feição de raposa manhosa.
Outros, no intuito de entesourar bens terrenos, roubam viúvas indefesas, ao modo de hiena ridente à espreita de despojos.
Tantos, do alto dos seus castelos, pensam estar vigilantes e menosprezam os que labutam em plano inferior, assemelhando-se à girafa presunçosa.
Muitos, também, sentem-se invulneráveis sem que possam vislumbrar uma réstia da justiça e do bem, tal um rinoceronte de visão imperfeita.
Esquecem-se de que voltarão à Terra, em dolorosas reencarnações expiatórias e de resgate, para repararem com o próprio esforço os danos morais e materiais causados aos outros, até que, saldados todos os débitos, possam iniciar etapas novas de crescimento espiritual.
Poucos, muito poucos, vivem em conformidade com o Evangelho de Jesus, comportam-se como simples formiguinha, despretensiosa, que, na estória, soube exercitar o amor desinteressado e o perdão incondicional, sem limites.
A VENTURA DE NÃO FAZER O MAL É FELICIDADE?
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)
Muitas pessoas acreditam na felicidade plena depois desta vida, simplesmente por não terem feito o mal.
É claro que não praticar atos que desrespeitem a Lei Divina é fundamental para a consciência tranquila de cada um.
Entretanto, entendemos que não basta não fazer o mal – é necessário também fazer o bem, pois, seremos responsáveis pelo mal que advenha do bem que deixarmos de realizar em família, no trabalho e na sociedade como um todo.
Em O Livro dos Espíritos, na questão 657, Allan Kardec indagou: Os homens que se entregam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e só pensando em Deus, têm algum mérito a Seus olhos?
E recebeu a resposta dos Espíritos superiores: Não, pois se não fazem o mal, também não fazem o bem, e são inúteis. Além disso, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que pensemos n’Ele, mas não que pensemos apenas n’Ele, pois deu ao homem deveres a cumprir na Terra. (...)
Não nos equivoquemos em relação à vida. Devemos praticar a caridade em todas as circunstâncias, seja em pensamento, em palavras, em ações; seja em doações intelectuais, profissionais, espirituais, ou em doações materiais e financeiras, que fazem parte do desprendimento material e emocional, quando compreendemos que é somente dando que expandimos nosso eu e vivenciamos o verdadeiro amor cristão.
O desafio a vencer, com as dificuldades e lutas do dia a dia, está na comunhão com Deus, mas principalmente com nosso próximo. Quando criamos o hábito de falar com Deus, acabamos por mudar também o nosso jeito de falar com nossos irmãos. E mesmo diante de provas e ingratidões, daqueles que por vezes querem nos derrubar, tenhamos a firme convicção e fé n’Aquele que nos levanta todos os dias e nos dá força e esperança para vencermos no bem.
Jesus, o emissário de Deus aqui na Terra, diz que “a cada um segundo suas obras” – então, tenhamos em vista que todo o bem que realizamos retorna através de bênçãos em nossa vida; se espalharmos o bem por onde passarmos, ele retornará em forma de saúde, bem-estar, esperança, pois a vida devolve aquilo que damos para ela (Mateus 16:27).
O apóstolo Paulo, numa linda carta endereçada aos Coríntios, ensina sobre o conhecer e o viver, em teoria e prática, em sabedoria e exercício da caridade: Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Coríntios 13:1-7).

OUTROS ASPECTOS DA AUTO-OBSESSÃO
(Anselmo Ferreira Vasconcelos)
O fenômeno da auto-obsessão é tradicionalmente associado a uma “opressão”, conforme descreve o Espírito Hammed, do indivíduo sobre si mesmo.  Nessa condição, “Geralmente, a auto-obsessão vem acompanhada de sentimentos de culpa, de autocensura, de recriminação, de complexos de inferioridade e de irresponsabilidade pelo próprio destino”. Em resumo, as percepções que o indivíduo acalenta tendem a ser carregadas de recriminações, amarguras, infelicidade, emoções descontroladas e, por extensão, altamente autodestrutivas.
Em poucas palavras, na sua casa mental predomina a falta de paz e harmonia, pois não há praticamente a existência de pensamentos atenuadores ou positivos. Em decorrência disso, o ato de viver lhe constitui um fardo insuportável. A sua visão excessivamente negativa da vida, do mundo e, o que é mais preocupante, de si mesma, não lhe permite armazenar forças internas capazes de contrabalançar tal estado vibratório.
Entretanto, existe um outro aspecto pouco explorado na literatura sobre auto-obsessão, e que merece maior atenção de nossa parte. Trata-se da manifestação da egolatria e do comportamento obsessivo-compulsivo. Sob essa forma, o indivíduo não ativa uma espiral descendente tal qual descrito acima. Nessa modalidade, se assim podemos nos expressar, o quadro beira o mais alto grau de narcisismo acoplado à falta de senso, que muitas vezes conduz a situações ridículas ou bizarras, e ao culto excessivo da imagem ou do corpo, entre outras características nocivas.
Para ilustrar, muitas celebridades não raramente abusam do comportamento exibicionista. São tão apaixonadas pelo que veem no espelho que chegam a nutrir uma verdadeira auto-obsessão. Não faz muito tempo que um destacado portal nacional de internet exibiu uma sequência de fotos de determinada artista nacional.
Elas começavam destacando a primeira semana de gravidez da conhecida cantora e iam até o estágio final da sua gestação. Detalhe importante: em todas as fotos a artista aparecia sempre trajando uma lingerie específica de cor preta. Obviamente, só mudava o tamanho da sua silhueta.
Fiquei com aquela dúvida me martelando a mente: mas para que serve tal coisa? Vale a pena se expor assim tão intimamente? Por acaso isso vai alavancar a sua carreira, que, ao que parece, já teve momentos melhores? Outros artistas mais famosos também já utilizaram expediente análogo. A cantora Madona, por exemplo, lançou anos atrás um livro com fotos nada, digamos, edificantes...
Mas muitos poderão argumentar que são apenas artistas se autopromovendo. Não dá para negar que há um fundo de verdade nessa alegação. No entanto, outros artistas seguem firmes em suas carreiras sem tais arroubos, bem como lidando discretamente com as suas vidas particulares. Ainda nesse plano, não podemos também esquecer certos personagens que alimentam com sofreguidão o seu ego.
Refiro-me a certos políticos e empresários que abusam do culto do “eu”. A história humana está repleta de pessoas que assim se portam. Elas tentam dar a impressão de que são diferentes até na composição da matéria de que são constituídas. É evidente que esses indivíduos também abrem portas para as entidades desencarnadas menos ajuizadas. Mas, no geral, comportam-se como se fossem o “centro do mundo”, tamanha a intensidade da paixão que alimentam por si próprios, pelos seus feitos, pelas suas criações e ideias nem sempre dignas. Tais indivíduos deixam não raro um rastro amargo de destruição pelo caminho.
Por fim, há outros que, inspirados pelas ferramentas digitais contemporâneas, não conseguem ficar um dia sequer sem postar uma foto ou vídeo pessoal. Nelas retratam, à exaustão e nos mínimos detalhes, imagens das suas vidas. Dedicam-se com tanta frequência e exagero a essa atividade que caracteriza uma verdadeira obsessão. Em síntese, pode-se cogitar que a auto-obsessão eventualmente abrange um quadro bem mais amplo.
Ao que tudo indica, uma pessoa portadora desse tipo de distúrbio parece ter considerável dificuldade de aplicar um olhar mais profundo, meticuloso e inquiridor sobre o seu interior, sua conduta e atitudes. Ou seja, aquele olhar autoindagador que lhe possibilitaria obter um maior conhecimento sobre as suas fraquezas e atrações a fim de que pudesse se aperfeiçoar e fortalecer para os inevitáveis embates rumo ao progresso do seu espírito. Como bem explica o Espírito Hammed, “Quando nos conscientizamos de nossos processos mentais, passamos a clarear nosso mundo interior e a administrar nossas atitudes psíquicas”.

O JOIO E O TRIGO
(Altamirando Carneiro)
Para conhecer a verdade, é preciso estudar
O monge dominicano Giordano Bruno, filósofo, astrônomo e matemático italiano (1548-1600), foi acusado pelo Tribunal da Inquisição de ter sustentado a afirmação da existência de inúmeros mundos e de que a Terra gira em torno do Sol.
Acusaram-no ainda de acreditar na reencarnação e não no inferno, e de ter afirmado que até os demônios seriam salvos, um dia, conforme a lei de evolução do Espírito; de que a magia (entenda-se a mediunidade) é verdadeira e de que os profetas e apóstolos eram magos (entenda-se médiuns).
Giordano Bruno, uma das figuras mais representativas da Renascença, preferiu ser queimado na fogueira, em 8 de fevereiro de 1600, do que abjurar as suas ideias que, hoje, vemos, não eram fantasias, mas verdades insofismáveis.
Sobre a sua atitude, afirmou: "Por enquanto ficariam felizes com a minha abjuração. Mas viver também significa percorrer um longo caminho que nos afasta Deus!" Em Roma, no local de seu martírio, há uma estátua que eterniza o seu amor à verdade.
O amor à verdade é uma das características do homem de bem. De tal maneira que, como se lê n’ O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, capítulo XVII - O Homem de Bem (...): "Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem o de se queixar dele, se fez aos outros tudo aquilo que queria que os outros fizessem por ele".
Espíritos assim já vêm preparados. Não é fácil caminhar-se para o cadafalso tendo-se a certeza de que poderia escapar-se dele. Mentir, abjurar, que importa, quando está em jogo a vida? - diria um Espírito fraco.
Esses bons cristãos, e, conseguintemente, os bons espíritas, são amantes da verdade, acima de tudo.
Neste mesmo capítulo, diz o Evangelho que: (...) "O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam".
A verdade de cada um está de acordo com a sua evolução espiritual. A verdade dos fracos é frágil; a verdade dos fortes é firme. Assim deve ser a verdade do espírita, uma verdade calcada nos ensinamentos de Jesus à luz da Doutrina espírita.
Muito embora não se diga dono da verdade, o Espiritismo, sem dúvida, tem a chave que abre as portas do conhecimento, pois os seus ensinamentos não se baseiam no pensamento ou interpretação deste ou daquele homem, deste ou daquele fundador, mas na interpretação clara dos Espíritos.
Allan Kardec codificou as Verdades do Evangelho e da Doutrina Espírita, trazidas pelos Espíritos Tutelares, em cinco importantes livros (as Obras básicas da Codificação Espírita):  O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese.
Estudemos Kardec, para que possamos distinguir a verdade da mentira, diante da enxurrada de informações falsas que nos são impostas diariamente, por uma verdadeira plêiade de falsos cristãos e falsos profetas. Se assim fizermos, saberemos separar o joio do trigo.
Amemo-nos e instruamo-nos, como nos pede o Espiritismo. Este chamamento encontra-se na mensagem do Espírito de Verdade, registrada no capítulo VI de O Evangelho segundo o Espiritismo - O Cristo Consolador: "Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: 'Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade'".
O AMOR SOCORRE
(Jane Martins Vilela)
“Pedi e se vos dará: buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá porque todo aquele que pede recebe, quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta.” – Jesus (Mateus, VII: 7-11).
 Esse momento de Jesus no Evangelho é mais um momento em que ele dá esperanças aos corações aflitos.
Sob o ponto de vista moral, diz Allan Kardec em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, o que as palavras de Jesus significam: pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos, e eles virão vos acompanhar e, como o anjo de Tobias, vos servirão de guias; pedi bons conselhos, e não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta, mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança: apresentai-vos com humildade, não com arrogância; sem isso, sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que tereis serão a punição do vosso orgulho.
A prece é sustentáculo. Pedir com amor e humildade dá forças e coragem a quem pede, dá esperanças. Continuemos, pois, a orar pela nossa Terra e por todos nós. Não desistamos de orar. Permaneçamos em oração e trabalho no bem, exemplificando o amor que aprendemos. Acendamos a candeia e a coloquemos no alto. Somos sempre atendidos pelo amor e precisamos retribuir ao amor.
Todos temos o nosso quinhão de sofrimentos a passar, mas o amor sustenta sempre, ampara sempre e na maioria das vezes estamos recebendo mais do que ofertamos. Deus sempre nos socorre.
As reuniões mediúnicas são, para os seus frequentadores, nos centros espíritas, grandes lições. São depoimentos valiosos dos Espíritos comunicantes, na grande maioria em sofrimento, dada a situação do planeta de provas e expiações em que ainda habitamos. Sempre o amor a socorrer aquele que bate à porta e pede com humildade.
À guisa de ilustração, rememoramos um caso, ouvido há pouco tempo, em meio a inumeráveis outros, que a bondade Divina permite vivenciarmos para o nosso aprendizado.
Um Espírito manifestou-se em sofrimento, dizendo que não conseguia respirar. Não conseguia respirar sem os aparelhos. Estava com um câncer na fase terminal. Sou médico, disse, e não consigo ajudar a mim mesmo! Não percebia que já tinha desencarnado. Não precisava mais sofrer. O câncer tinha sido no corpo e não no espírito, mas a lembrança era vívida e isso lhe provocava o mal-estar, como se ainda doente.
Com muito amor, foi ajudado pelo doutrinador da reunião. A falta de ar passou. Conseguia respirar. Disse que era médico dermatologista e que, quando descobriu o câncer, este já estava muito adiantado, com metástases diversas.
Foi orientado sobre a imortalidade da alma. O doutrinador lhe disse que se ele era médico, deveria ter feito muito bem e Deus sempre ampara a quem socorre. O Espírito se acalmou. Tranquilizou-se e foi então orientado de que ele já não estava mais num corpo humano, que já estava no mundo espiritual.
Agradecido por estar sendo ouvido e amparado, ele deu seu depoimento. Disse que quando descobriu seu câncer, estava com cinco anos de casamento. Tinha uma filhinha com dois anos de idade e ela era linda como a luz do sol, loura, de olhos azuis, lhe lembrava um anjo. Era a época mais feliz da vida dele. Tinha projetos, tinha sonhos. Pensava que era um Deus.
Quando viu que estava doente, que seus sonhos desabavam, revoltou-se, não aceitou. Seu orgulho e sua revolta não lhe permitiram perceber o auxílio que lhe era dispensado. Agora, ali, socorrido pelas orientações e pelas preces, via-se tal qual era, um Espírito que necessitava ser humilde. Pediu perdão a Deus pelo seu orgulho e vaidade. Nesse momento, ele viu o avô, que também tinha sido médico na Terra, a socorrê-lo e, grato, saiu emocionado, amparado pelo avô.
Somos sempre amparados, sempre atendidos quando oramos com sinceridade. Jesus, o emissário Divino nos pediu que permanecêssemos nele, que ele permaneceria em nós.
O amor jamais nos desampara. Libertemo-nos do orgulho que nos cega e veremos a ação desses amor continuadamente a agir a nosso favor, mesmo nas horas mais difíceis de nossas vidas. Pensemos nas horas difíceis como degraus de subida em direção à paz, se soubermos ter paciência e resignação.
Peçamos amparo a Deus e forças, e teremos esse amparo e essa força. Permaneçamos em paz. Todos os sofrimentos passam. Mantenhamos a fé e a esperança.
NOSSAS ESCOLHAS
(Temi Mary Faccio Simionato)
“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que entram por ela.” Jesus (Mt, 7:13-14).
No período em que Jesus esteve entre nós, os povos viviam em cidades cercadas por muralhas, situadas sobre colinas e montes, para que o assédio dos inimigos se tornasse difícil. Jerusalém era uma delas, e para alcançá-la era necessário percorrer caminhos íngremes, e, como as portas da cidade eram fechadas ao pôr do sol, aqueles que voltavam para casa galgavam rapidamente os aclives, porque atrasando-se ficariam de fora.
Assim, o Mestre nos traz um quadro impressionante do caminho cristão, ou seja, o das dificuldades que precisamos vencer para conquistar a vida eterna.
Duas são as estradas que se nos apresentam: a da evolução e a da degradação.
Ao passarmos pela estrada da evolução, caminhamos pela porta estreita, apertada, que nos conduz à vida; no entanto, ao caminharmos pela estrada da degradação, atravessamos a porta larga que conduz ao sofrimento e ao infortúnio, por conceder-nos as diversões, a soberba, as facilidades imediatas, a luxúria, a preguiça, a inveja, de qual o mundo está repleto. Eis a porta da perdição, porque são grandes as paixões que trazemos arraigadas em nosso Espírito milenar! Caminhando assim, e assumindo as consequências de nossas escolhas, como asseverado na máxima: “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos” - (Mt, 20:16).
Em todos os empreendimentos humanos, somos convidados para realizações nobres e, no entanto, vestidos pela sombra, facilmente desinteressamo-nos de prosseguir por falta de resposta compensadora ao vazio interior, preocupando-nos em entulhar-nos de inquietações e lutas pela conquista da primazia.
Portanto, ao galgarmos a estrada da evolução, faz-se necessário a prudência, a temperança, a fé, a esperança, a caridade, percorrendo o caminho das lutas, dos obstáculos, dos sacrifícios, esforçando-nos desta forma para a redenção e para a renovação íntima. Assim, estaremos nos preparando para um futuro de alegrias e felicidade. É uma estrada árdua, bem sabemos, pois necessita ser trilhada com cuidado, examinando onde entrar, porque poderemos levar longo tempo para retomar o caminho que nos é próprio, e entendendo, definitivamente, a importância do vigiar e orar tão alertado por Jesus.
Nosso dever é a nossa escola e, por esta razão, a senda estreita a que se refere Jesus é a fidelidade que nos cabe manter constantemente no culto às obrigações assumidas diante do bem eterno. É o resultado da nossa luta interior em favor das virtudes, do equilíbrio, da sensatez, da perseverança nos ideais de enobrecimento, possibilitando-nos permanecer em último lugar na competitividade do mundo, a fim de sermos os primeiros em espírito de paz e de realização do reino dos céus dentro de nós, onde frui bem-estar na conquista interior.
Encontramo-nos envoltos em batalhas iluminativas cada vez mais severas; e enfrentando as lutas adquirimos sabedoria; iluminamo-nos recorrendo à oração que é fonte de energia, abastecendo e renovando-nos, e triunfaremos sobre as dificuldades que já não nos são obstáculos na caminhada, mas a conscientização no processo de evolução.
Através de muitas estações no campo da humanidade, receberemos proveitosas experiências, juntando-as à custa de desenganos terríveis, mas só em Jesus, no clima sagrado, na aplicação dos Seus princípios, será possível encontrarmos a passagem abençoada de definitiva salvação.
Em momento algum, Jesus escolheu a porta larga. Da manjedoura ao calvário, caminhou entre as dificuldades que se transformaram para Ele em degraus para o encontro com o Pai Celestial. Aceitou a cruz como a Sua maior mensagem de amor à humanidade de todos os tempos, deixando-nos, como exemplo vivo, a porta estreita do sacrifício como sendo o mais belo caminho de paz e libertação.
Tomemos, então, a nossa cruz em busca da porta estreita da redenção, colocando-nos acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em nós mesmos.
Longo é o caminho, difícil a jornada e estreita a porta, mas a fé remove os obstáculos da estrada.
Assim como aqueles que caminhavam para Jerusalém, após vencerem o penoso aclive, encontravam descanso e alegria no convívio familiar, também podemos, se quisermos, atingir a meta de nossos destinos, como a perfeição relativa, e libertar-nos da cadeia de renascimento neste vale de lágrimas para ascender à glória da vida espiritual, a fim de usufruir da paz e da felicidade reservadas aos justos.
Jesus é a única porta e o Evangelho é a chave que nos levará à verdadeira libertação para a vida eterna.
EM TEOLOGIA NÃO SEJAMOS UM MOLEQUE, SAIBAMOS, POIS, O QUE É FILIOQUE
(29-06-2017)
(José Reis Chaves)
Os teólogos nunca falam em alguns dogmas em público, por serem polêmicos. E para eles, o zé povinho não precisa conhecer certas doutrinas, que são só para eles, intelectuais e teólogos!
Tudo começou com o polêmico Concílio Ecumênico de Niceia (hoje Isnique, na Turquia). Polêmico, porque os bispos participantes dele foram pressionados pelo imperador Constantino com ameaças de exílio, torturas e morte, para quem não votasse na divinização de Jesus. Os ânimos estavam muito exaltados. Alguns bispos foram acompanhados de seus seguranças armados. E, segundo Helena Blavatsky (“Doutrina Secreta”), um bispo matou outro a chutes. Como se vê, os bispos estavam inspirados, porém, não por um espírito ou espíritos de Deus, mas por Espíritos impuros, atrasados.
Com a vitória de Constantino, ou seja, a divinização de Jesus, foi também dado o primeiro passo para a criação da Santíssima Trindade, que recebeu impulsos nos Concílios de Constantinopla (381), de Éfeso (431), de Calcedônia (451) etc. Mas para os apóstolos e as primeiras gerações de cristãos, Jesus era um homem, o Messias, e não outro Deus. E eles não conheciam também a Santíssima Trindade, que não é doutrina da Bíblia, mas que foi acrescentada a ela, posteriormente.
E foi quase um milênio depois do Concílio de Niceia que o Concílio Ecumênico de Lião (1274), na França, criou mais outro dogma, o Filioque (expressão latina: “e do Filho”), que dá mais poder a Jesus, para enfraquecer os teólogos contrários à sua divinização. E como se sabe, na época, quem fosse contra um dogma, morria na fogueira da Inquisição.
Os teólogos do Filioque defenderam a ideia de que o Espírito Santo procede de Deus, o Pai, e do Filho. Com isso, tentaram mostrar que Jesus é outro Deus Todo-Poderoso como o é o Deus Pai, introduzindo no Cristianismo o politeísmo. E a Bíblia é contra a divinização de Jesus: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um só que é Deus” (São Marcos 10: 18). “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Efésios 4: 5 e 6). “Porquanto, há um só Deus verdadeiro, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” (1 Timóteo 2: 5). E “O Pai é maior do que eu” (João 14: 28).
Jesus é Deus, mas relativo, como todos nós o somos também. (João 10: 34 e 35; e Salmo 82: 6), porém, Deus absoluto, incriado, é só o Pai. Aqueles que acham que Jesus é outro Deus, igual ao Deus Pai, se baseiam na afirmação de que Ele e o Pai são um. Mas Deus e Jesus são um em sintonia. E Jesus até nos convida para sermos também um com Ele e o Pai. (São João 17: 21.)
Muitos católicos, protestantes e evangélicos, em silêncio, não aceitam que Jesus é outro Deus e, portanto, não aceitam também o dogma do Filioque.
E uma prova de que a divinização de Jesus é mesmo polêmica é que, oficialmente, a respeitada Igreja Ortodoxa Oriental (com cerca de 300.000.000 de adeptos), o Espiritismo e as demais religiões não aceitam que Jesus seja outro Deus, a não ser relativo, e, consequentemente, não aceitam também o dogma do Filioque!

SONHOS, PESQUISAS, ENCONTROS
(22-06-2017)
(Guaraci de Lima Silveira)
Bendita humanidade esta que se dedica a crescer. Que busca, o tempo todo, este encontro com a Divindade Superior que tudo cria e mantém. Que se debruça diariamente sobre o novo, o inusitado, para desvendá-lo. Para torná-lo palpável estendendo limites. Há os que se cansam e desistem, há, contudo, os que se aventuram e vão quais águias explorando os céus. Lá ao longe, além da linha do horizonte, nova linha surge. Convidativa umas vezes, misteriosas outras. E, desde a antiguidade, esses elementos, almas livres, buscam desvendar os segredos, as nuances, as efemérides que cercam o mundo interna e externamente. E lá chega o dia em que reais sociedades científicas são criadas e os estudos expostos para avaliação dos pares. E lá vai o dia em que os liceus emergem das profundezas mitológicas e, vencendo o mito, estabelece a lógica. Tantos foram os grandes Espíritos que vieram, voltaram e retornaram cada vez mais sábios para endireitar os caminhos sóbrios da sabedoria neles e em nós.
O fato é que a cada dia somos surpreendidos. Algo de novo surge para nos situar como indivíduos habitantes de um Universo cujo fim e finalidades escapam aos conceitos comuns dos quais nos alimentamos neste presente. Mas é necessário “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. Isto nos anima e nos informa sobre a grandeza que trazemos nos refolhos da mônada divina que todos somos. Se antes caminhávamos feito manadas direcionadas pelos instintos, agora podemos, sobre dois pés, erguer a cabeça e olhar para frente e para o alto, buscando ver, contemplar e entender a natureza que nos cerca. E como ela é pródiga de excelências que nos foge por completo identificar suas práticas.
Eis que nos surge uma notícia nova: O Planeta Nove. E o que vem a ser o Planeta Nove? Dizem os cientistas que é um novo corpo encontrado no Sistema Solar, orbitando nosso sol a uma média de quatro e meio bilhões de quilômetros do astro rei, com uma massa dez vezes superior à da Terra e vinte vezes superior à distância de Netuno, nosso último planeta até então consolidado. Como a distância dele em relação ao Sol é aproximadamente de quinhentas e noventa e sete vezes superior à distância entre a Terra e o Sol, esse novo planeta levaria de dez a vinte mil anos terrestres para realizar uma órbita completa em torno do Sol.
E ainda há os que pensam ser a Terra a única morada da Casa do Pai! Este estudo foi publicado no periódico Astronomical Journal, por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, na sigla em inglês). Eles dizem ter encontrado "evidências sólidas" de um nono planeta, com órbita estranhamente alongada para esse tipo de corpo celeste, na periferia do Sistema Solar. Segundo os autores do estudo, a existência do "Planeta Nove" ajudaria a explicar uma série de fenômenos misteriosos que ocorrem com um conjunto de objetos congelados e destroços localizados além de Netuno, conhecido como Cinturão de Kuiper.
 Sim, sempre novas descobertas surgirão. O que nos compete é estarmos prontos para elas, absorvendo-as sem aqueles preconceitos que tanto dificultaram e ainda dificultam nossos avanços mentais. Sair da caixa escura do ego inferior, avançar além, conhecer, pesquisar, apropriar.
Diz-nos Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, capítulo II – Item 13: “Toda ciência não se adquire senão com tempo e estudo; ora, o Espiritismo, que toca nas mais graves questões da filosofia a todas as ramificações da ordem social, que abarca, ao mesmo tempo, o homem físico e o homem moral, é, ele próprio, toda uma ciência, toda uma filosofia que não pode ser aprendida em algumas horas, como todas as outras ciências; haveria tanta puerilidade em ver todo o Espiritismo em uma mesa girante, como em ver toda a física em certos jogos infantis. Para todo aquele que não quer se deter na superfície, não é preciso horas, mas meses e anos para sondar-lhe todos os arcanos”.
Desta forma estamos e estaremos sempre em constantes aprendizados. Sonhar, pesquisar, encontrar. Boa tríade para consolidar em nós o conhecimento necessário aos avanços espirituais. Nosso Sistema Solar crescerá com a possível descoberta de um novo planeta. E nós, igualmente, cresceremos sempre com novas descobertas que nos compete realizar.
“É quase irônico pensar que, enquanto os astrônomos encontram centenas de exoplanetas a anos-luz do nosso sistema solar, esse tempo todo nós temos um bem aqui no quintal”, afirma o astrônomo Alexander Mustill, que faz parte da equipe de pesquisa.
É mesmo assim, às vezes as coisas estão bem próximas de nós e não as percebemos. Sonhos, Pesquisas e Encontros é o título que demos a esse artigo. Enquanto essa tríade persistir estaremos aptos a crescer. “Sonhar sempre” como nos disse o saudoso poeta Vinícius de Moraes. Pesquisar em laboratórios, campos, bibliotecas e seja lá onde for necessário e encontrar o novo, inusitado, nunca antes visto ou visto de passagem. Isso dá sentido à vida, razão gigantesca para olhar o céu diariamente e agradecer a Deus pela chance de viver não apenas num corpo físico perecível, mas como alma que jamais se extinguirá, avançando sempre.
O HOMEM, A VIOLÊNCIA E A GUERRA
(15-06-2017)
(Altamirando Carneiro)
A violência e a guerra de hoje são a repetição do que o homem fez nas diversas épocas da Humanidade. Isso sem contar as brigas e querelas que, ao longo do tempo, acontecem no dia a dia.
Por que tanta briga, tanta confusão? Por que homens engravatados, que cursaram escolas, faculdades, colocam-se orgulhosamente num pedestal e ordenam a matança desenfreada de seus semelhantes, destruindo seus lares, suas famílias?
Mudam-se os palcos, mas não os atores. As causas das guerras e da violência atuais são exatamente as mesmas que fizeram detonar as guerras e a violência passadas: ódio, intransigência, primitivismo.
E por que não o diálogo?
Allan Kardec, na questão 742 de O Livro dos Espíritos, pergunta: “Qual a causa que leva o homem à guerra?”. Os Espíritos respondem: “Predominância da natureza animal sobre a espiritual; satisfação das paixões”.
Diz ainda O Livro dos Espíritos que a guerra (e, por extensão, a violência) desaparecerá da face da Terra, na medida do progresso do homem, que é muito lento, principalmente o progresso moral.
É lamentável a manifestação da crueldade do espírito humano, pois desrespeita o direito fundamental de cada um, que é o direito de viver. O senso moral, que nasce com o homem, permanece quase nulo em alguns. E a quantidade de Espíritos desse grau evolutivo em nosso meio é bastante grande. São minoria, mas como perturbam!
É importante que nos conscientizemos da nossa responsabilidade na educação dos Espíritos que nos forem confiados, na qualidade de pais, tutores, educadores etc.. Muitos desses Espíritos estão encarnando com tarefas definidas. É preciso que saibamos educá-los devidamente, dentro dos princípios cristãos.
Assim como uma construção, para ser sólida, depende de alicerces firmes, as bases de uma educação sólida são importantes, na formação da criança. É no seio de um lar bem estruturado que encontraremos o terreno propício para essa boa formação.
Como bem disse Pedro de Camargo, “Vinícius”, em palestra proferida no Colégio Piracicabano, durante uma Semana da Criança: “A melhoria da Humanidade está na razão direta da nova orientação que as mães de hoje possam dar aos seus filhos”.
Disse mais que: “O relógio do progresso avança em seu movimento isócrono; e, quando interesses malsãos procuram retardar-lhe a caminhada determinando desacordo com a posição do Sol que determina a trajetória da Vida, dizem que o dono do relógio põe a mão no ponteiro e... acerta as horas”.
RAZÃO E CARIDADE
(01-06-2017)
(Inês Rivera Sernaglia)
Ainda estamos longe da educação racional. Permitimos que as emoções nos governem, sem raciocinar e sempre como resposta às palavras ou atitudes alheias, porque muitas vezes agimos de forma desastrosa, movidos por impulsos primitivos. Dessa forma, só teremos controle da nossa vida com condições de assimilar virtudes, se passarmos a dominar e não ser dominados pelas emoções.
O aprendizado vivenciado na prática diária contribui em grande escala para que nos tornemos fortes. A teoria prepara, é verdade, mas é a prática que capacita em realizações. Não basta, pois, o ensinamento, é preciso que sejamos a lição viva, conforme exemplifica o Cristo, trabalhando em harmonia, aprendendo uns com os outros, conforme assevera Emmanuel, estimado benfeitor espiritual: “a conversação é permuta de almas”.
Doamos e recebemos o tempo todo, e o receber é sempre em proporções maiores, já que intensificam todos os sentimentos dos que se afinam conosco, encarnados ou não. É a lei de ação e reação. Aí também o cuidado em filtrar o que vemos e ouvimos a fim de aproveitar o que nos sirva para a construção no melhor.
Aprender incessantemente é importante porque é por meio do conhecimento que podemos optar pelo correto. A escolha de hoje, não podemos esquecer, é a consequência de amanhã. O Espírito da Verdade foi claro: “amai-vos e instruí-vos”. Kardec foi claro: “fora da caridade não há salvação”.
Jesus em todo seu ministério não mencionou a palavra caridade. No entanto, com base na resposta dada pelos Espíritos iluminados na questão 886, em O Livro dos Espíritos, temos que a caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações com os nossos semelhantes. Está descrita como benevolência para com os outros, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
Esses ensinamentos não são novos, mas precisamos entendê-los todos os dias, porque ainda trazemos sentimentos remanescentes da nossa vida primitiva. Passamos por várias encarnações burilando esses sentimentos, mas ainda não somos capazes de transformá-los, porque o que realmente falta à humanidade é amor. E só ele é capaz de transformar, edificar, elevar.
No livro Mediunidade: Desafios e Bênçãos, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, deparamo-nos com uma história simples sobre o amor, que tomamos a liberdade de transcrever:

“E quando o amor, exausto de sua jornada pelos séculos, parou para fazer um balanço das atividades desenvolvidas, constatou que após tantos e incessantes labores poucos resultados positivos tinha alcançado. O ser humano continuava odiando o outro, a sua fé ainda muito escassa, e até mesmo a fraternidade não era expressiva. O amor se entristeceu. Correu séculos atrás das pessoas mais diversas e, quando conseguia se aproximar, o ser humano trazia de volta seus impulsos e sentimentos primitivos. Aturdido com tantos desencantos, o amor continuou chorando e suplicou ao Pai um urgente socorro para que a tarefa que lhe tinha sido confiada não ruísse no esquecimento. Foi então que escutou a voz suprema dizendo que a partir daquele momento ele receberia ALGUÉM que cobriria suas pegadas. Alguém que, em sua ausência, falaria no seu silêncio através da ação. O amor nunca mais estaria só nas sendas do serviço. Foi ali que o amor se completou com a caridade. E assim podemos dizer que em todo lugar onde brilha a luz encontramos o amor e a caridade unidos, construindo o mundo cristão." Então, sigamos nossa jornada juntos, com benevolência de uns para com os outros, plenos de indulgência para com as imperfeições alheias e com o perdão das ofensas no espírito e na ação. Façamos valer a educação racional com a qual fomos preparados para exercer nossa mais digna função. E como afirma Emmanuel: “Deixemos que a caridade nos ilumine o crivo da razão para que não venhamos a perder os melhores valores do tempo e da vida, por ausência de equilíbrio ou falta de amor”. 
VIVER COM SABEDORIA
(25-05-2017)
(Altamirando Carneiro)
O Evangelho nos orienta sobre a posse dos bens materiais. Muitos são os que os buscam avidamente, tomando por base o seu bem-estar. Aquilo que lhe sobra, não importando o quanto, quase nunca é suficiente para satisfazer. Na sua busca, há os que se desviam por caminhos que só tardiamente compreendem serem despenhadeiros para a alma.
Alguns aceitam corromper e serem corrompidos, na estranha aventura da posse do temporário. Agitam-se, meditam, arquitetam e tecem teias nas quais eles próprios ficarão enredados.
Esquecidos de Deus, por conveniência momentânea, não permitem que a sua consciência lhes ilumine os caminhos e assim, de erro em erro, na esperança de muito possuir, vão perdendo mais do que possam imaginar, terminando um dia em reencarnações de abençoada correção, onde viverão a fome, a sede e a desesperança que a tantos fizeram passar, em virtude da sua invigilância na busca da posse. Ouçamos, entretanto, o Mestre, no ensinamento do óbolo da viúva: "Eu afirmo que a viúva pobre deu mais do que todos, porque os outros deram do que lhes sobrava..."
Deve o Espírito buscar sempre, de forma honesta, o sustento para si e para os seus, todavia, jamais deve se esquecer de que a jornada na Terra é, antes e acima de tudo, oportunidade sagrada para um único enriquecimento, o espiritual.
O necessário não lhe faltará, se tudo fizer corretamente, e para isso precisa entender que a posse desmedida tem raízes fortes no egoísmo, chaga a exigir combate constante pela vida afora.
Deve saber que a fonte do verdadeiro bem se assenta na fraternidade universal. Precisará aprender a conversar a linguagem do amor, única fonte que lhe trará a felicidade.
Se por breves momentos passa pela prova da pobreza, não deverá sucumbir à tentação da apropriação indébita. Trabalhe, ajude, sirva sem resmungos e sairá da Terra mais rico do que possa imaginar. Se passa pela prova da riqueza, coloque-se na condição de administrador divino, pondo os seus bens a benefício de muitos e aceite a certeza de que nada lhe pertence, a não ser as suas ações.
Somos todos moradores transitórios nesta casa de Espíritos reencarnados a que chamamos Terra. Tudo o que seja material a ela pertence e aqui será deixado. Somente as conquistas espirituais são os verdadeiros tesouros, que seguirão com o Espírito, na sua jornada rumo à Luz e à felicidade perene. Somente o amor ilumina.
Reflitamos nestas coisas e, transformados para melhor, enfrentemos, resolutos, as atribulações do dia a dia, administrando com sabedoria esses bens transitórios.          


A VARINHA DE CONDÃO
(18-05-2017)
(Ricardo Orestes Forni)
Na minha época de infância existiam as fadas, criaturas encantadas que deslizavam no ar com as suas varinhas de condão. Essas varinhas eram mágicas. Tinham o poder de tornar realidade o sonho das pessoas protegidas por esses seres. Hoje já não sei mais se existem. Talvez tenham sido substituídas pelos smartphones que encurtam distâncias e afastam as pessoas.
Estou lembrando isso a título de uma exposição de uma página que fiz em um Centro espírita da cidade onde moro. Perguntei para as pessoas presentes se seria bom que na cidade tivesse um Chico Xavier. Creio que não preciso descrever a resposta.
Em seguida perguntei se na cidade de Marília, próxima de onde moro, seria bom se tivesse um doutor Bezerra de Menezes. A resposta foi a mesma.
Tornei a colocar se em Bauru, que faz parte dessa região do Estado de São Paulo, seria excelente se tivesse um Emmanuel. A reação foi semelhante.
Em seguida perguntei por que não havia Espíritos de tal evolução reencarnados assim tão amiúde. Não houve resposta ou elas foram monossilábicas, pouco explicativas.
Perguntei, então, se o brilhante ostentado nas mãos de uma pessoa rica tinha surgido como tal, ou tinha se desenvolvido através dos milênios no interior das camadas terrestres onde o carvão passou a diamante e este, lapidado, transformou-se na milionária pedra? Como concordaram com o raciocínio, continuei explicando que o processo de formação de um Espírito superior sofria um processo semelhante. Esses Espíritos não surgiam através de um plim plim da vara de condão do Criador como se Ele fosse a mais poderosa de todas as fadas. Por isso não era possível existir um Espírito superior em tão curta distância nas cidades citadas. Entretanto, Deus tinha a escola da perfeição aberta dia e noite para todo e qualquer interessado no vestibular das virtudes.
Quando senti que o terreno estava preparado, entrei com os ensinamentos de Emmanuel contidos no livro Palavras De Vida Eterna, no capítulo denominado Chamamento Divino, quando ele ensina o seguinte: Muita gente alega incapacidade de colaborar nos serviços do bem, sob a égide do Cristo, relacionando impedimentos morais.
Continua ele: Há quem se diga errado em excesso; há quem se afirme sob fardos de remorsos e culpas; há quem se declare portador de graves defeitos, e quem assevere haver sofrido lamentáveis acidentes da alma...
Para culminar a lição, pondera o Benfeitor: Se a realidade espiritual te busca, ofertando-te serviço no levantamento das boas obras, não te detenhas, apresentando deformidades e frustrações.
Senti o clima como se costuma dizer e por isso perguntei aos presentes: aqui alguém já se negou a assumir pequenos compromissos no Centro para ajudar em alguma área alegando-se imperfeito para tal?
O silêncio respondeu ruidosamente! Aproveitei esse momento de análise de consciência de cada um para explicar o porquê é difícil ter um Chico Xavier em cidades próximas, ou um doutor Bezerra de Menezes, ou um Emmanuel. Exatamente porque nos negamos a começar, alegando os mais variados defeitos de que somos portadores.
Evidentemente que podemos nos considerar como os átomos de carbono no interior do solo das nossas imperfeições. Precisaremos dos milênios que trabalharão através das provas e expiações o nosso ser para um dia chegarmos ao diamante espiritual e, deste, ao brilhante lapidado que faz justiça à perfeição absoluta do Criador.
O quanto antes começarmos, o planeta Terra e demais orbes habitados do Universo infinito, cada vez mais, poderão apresentar aos viajantes cansados do caminho um coração da grandiosidade de um Chico Xavier, do doutor Bezerra, de Emmanuel, ou de tantos mais que poderíamos ir citando com segurança. O que não devemos é ficar sentados à beira da estrada evolutiva contemplando embevecidos os sacrifícios dos Espíritos missionários que têm abençoado e iluminado a Terra com a sua presença, e quando surgir a menor das oportunidades de trabalho que a Providência Divina tenha a bondade de nos oferecer, nos escondermos atrás de nossas imperfeições para fugirmos constantemente aos compromissos que acenam a todos os homens de boa vontade.
Para culminar o despertar das consciências presentes, deu uma cutucada final: alguém aqui recusaria a ser o ganhador de um carro numa rifa, ou de uma viagem de turismo, ou de um prêmio polpudo da loteria dos números?
Por que, então, quando se trata de ganharmos os valores que as traças não corroem e os ladrões não roubam, através do trabalho em favor dos mais desfavorecidos, escondemo-nos atrás das nossas imperfeições?
O dia das varinhas de condão já se vai longe, se é que um dia existiram!
A VARINHA DE CONDÃO
(Ricardo Orestes Forni)
Na minha época de infância existiam as fadas, criaturas encantadas que deslizavam no ar com as suas varinhas de condão. Essas varinhas eram mágicas. Tinham o poder de tornar realidade o sonho das pessoas protegidas por esses seres. Hoje já não sei mais se existem. Talvez tenham sido substituídas pelos smartphones que encurtam distâncias e afastam as pessoas.
Estou lembrando isso a título de uma exposição de uma página que fiz em um Centro espírita da cidade onde moro. Perguntei para as pessoas presentes se seria bom que na cidade tivesse um Chico Xavier. Creio que não preciso descrever a resposta.
Em seguida perguntei se na cidade de Marília, próxima de onde moro, seria bom se tivesse um doutor Bezerra de Menezes. A resposta foi a mesma.
Tornei a colocar se em Bauru, que faz parte dessa região do Estado de São Paulo, seria excelente se tivesse um Emmanuel. A reação foi semelhante.
Em seguida perguntei por que não havia Espíritos de tal evolução reencarnados assim tão amiúde. Não houve resposta ou elas foram monossilábicas, pouco explicativas.
Perguntei, então, se o brilhante ostentado nas mãos de uma pessoa rica tinha surgido como tal, ou tinha se desenvolvido através dos milênios no interior das camadas terrestres onde o carvão passou a diamante e este, lapidado, transformou-se na milionária pedra? Como concordaram com o raciocínio, continuei explicando que o processo de formação de um Espírito superior sofria um processo semelhante. Esses Espíritos não surgiam através de um plim plim da vara de condão do Criador como se Ele fosse a mais poderosa de todas as fadas. Por isso não era possível existir um Espírito superior em tão curta distância nas cidades citadas. Entretanto, Deus tinha a escola da perfeição aberta dia e noite para todo e qualquer interessado no vestibular das virtudes.
Quando senti que o terreno estava preparado, entrei com os ensinamentos de Emmanuel contidos no livro Palavras De Vida Eterna, no capítulo denominado Chamamento Divino, quando ele ensina o seguinte: Muita gente alega incapacidade de colaborar nos serviços do bem, sob a égide do Cristo, relacionando impedimentos morais.
Continua ele: Há quem se diga errado em excesso; há quem se afirme sob fardos de remorsos e culpas; há quem se declare portador de graves defeitos, e quem assevere haver sofrido lamentáveis acidentes da alma...
Para culminar a lição, pondera o Benfeitor: Se a realidade espiritual te busca, ofertando-te serviço no levantamento das boas obras, não te detenhas, apresentando deformidades e frustrações.
Senti o clima como se costuma dizer e por isso perguntei aos presentes: aqui alguém já se negou a assumir pequenos compromissos no Centro para ajudar em alguma área alegando-se imperfeito para tal?
O silêncio respondeu ruidosamente! Aproveitei esse momento de análise de consciência de cada um para explicar o porquê é difícil ter um Chico Xavier em cidades próximas, ou um doutor Bezerra de Menezes, ou um Emmanuel. Exatamente porque nos negamos a começar, alegando os mais variados defeitos de que somos portadores.
Evidentemente que podemos nos considerar como os átomos de carbono no interior do solo das nossas imperfeições. Precisaremos dos milênios que trabalharão através das provas e expiações o nosso ser para um dia chegarmos ao diamante espiritual e, deste, ao brilhante lapidado que faz justiça à perfeição absoluta do Criador.
O quanto antes começarmos, o planeta Terra e demais orbes habitados do Universo infinito, cada vez mais, poderão apresentar aos viajantes cansados do caminho um coração da grandiosidade de um Chico Xavier, do doutor Bezerra, de Emmanuel, ou de tantos mais que poderíamos ir citando com segurança. O que não devemos é ficar sentados à beira da estrada evolutiva contemplando embevecidos os sacrifícios dos Espíritos missionários que têm abençoado e iluminado a Terra com a sua presença, e quando surgir a menor das oportunidades de trabalho que a Providência Divina tenha a bondade de nos oferecer, nos escondermos atrás de nossas imperfeições para fugirmos constantemente aos compromissos que acenam a todos os homens de boa vontade.
Para culminar o despertar das consciências presentes, deu uma cutucada final: alguém aqui recusaria a ser o ganhador de um carro numa rifa, ou de uma viagem de turismo, ou de um prêmio polpudo da loteria dos números?
Por que, então, quando se trata de ganharmos os valores que as traças não corroem e os ladrões não roubam, através do trabalho em favor dos mais desfavorecidos, escondemo-nos atrás das nossas imperfeições?
O dia das varinhas de condão já se vai longe, se é que um dia existiram!
LAR, PEQUENA PRAIA...
(Leda Maria Flaborea)
Lar, nos dicionários da Língua Portuguesa, é confundido com a ideia de família e, figurativamente, como um local para onde se retorna, seja a casa, a cidade ou o país de origem... A Doutrina Espírita, por sua vez, amplia esse significado na medida em que afirma ser muito mais que uma reunião de pessoas aparentadas, que vivem, em geral, na mesma casa. São criaturas unidas por laços de parentesco, pelo sangue ou por alianças, criando laços sociais.
As questões 205, 205-a e 774 de O Livro dos Espíritos esclarecem que somente através da reencarnação os laços familiares podem ser menos precários, permitindo aumentar os deveres da fraternidade uma vez que essas pessoas já estiveram ligadas, anteriormente, sobre bases da afeição ou da inimizade. É pela necessidade de progresso que esses encontros acontecem. Os laços sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam tais laços.
O cadinho doméstico é constante desafio para cada um de seus membros, tendo em vista que cada um traz uma história de existências pregressas no bojo de seus sentimentos que se manifestam através de suas ações, palavras e pensamentos. Difícil trabalho esse de buscar a harmonia entre indivíduos tão distintos, ligados entre si por passados às vezes escabrosos, permeados de cobranças, vitimizações, abandonos e sofrimentos, com medos e angústias de um futuro desconhecido.
Entretanto, a necessidade desses encontros é fundamental para que a vida, em seu esplendor, prossiga segundo um programa reencarnatório pensado, avaliado e fixado nessas consciências, com a finalidade de se cumprir a lei do progresso, através de ajustes das consequências de escolhas infelizes, feitas em existências anteriores.
Cansados de sofrer, esses Espíritos, ainda na Erraticidade, pedem, imploram muitas vezes, para retornarem à carne ao lado desses comparsas, desafetos, a fim de remirem suas dores morais. E aqui estamos nós mergulhados em águas revoltas do presente, resgatando débitos do passado, com vistas a um futuro mais sereno, ainda que incerto.
Sem lutas não há progresso. E o lar passa a representar, assim, a primeira escola de amor na qual Deus nos matriculou para aprendermos valores espirituais indispensáveis ao nosso crescimento moral, como a paciência, a gratidão e o amor incondicional...
A cada batalha vencida nessa pequena praia, abrem-se, diante de nós, inúmeras oportunidades de navegação em águas mais calmas e mais profundas, em direção a praias mais extensas, a trabalhos com maiores responsabilidades. Aprendemos aqui no restrito, para ensinar e mais aprender no amplo. Do simples para o complexo. Da realidade material para a espiritual. E nesse processo contínuo de aprender, ensinar, mais aprender e mais ensinar iremos todos cumprindo nossa destinação de sermos felizes em plenitude.
Pacientemente ou não, vamos resolvendo nossas mazelas junto a esses irmãos que, como nós, foram colocados como companheiros nossos nessa jornada de aprimoramento.
Se por um lado nos sentimos atados a eles, com vontade de romper esses laços, porque a obrigação nos pesa, por outro lado, eles também se sentem assim muitas vezes. Se com o outro não é fácil a convivência, viver conosco deve ser mais difícil ainda.
Assim, até que aceitemos esses irmãos como instrumentos de nosso aprendizado pela prática da caridade para com todos eles, respeitando-os nas suas diferenças e limitações, retornaremos junto deles para continuarmos nosso curso como alunos rebeldes até a aprovação final.
O EVANGELHO E O “NOVO”
(Hyerohydes Gonçalves)
Constantemente escuto alguns companheiros ou companheiras de jornada espírita, após um seminário ou uma palestra pública, ou outro determinado evento, fazerem o seguinte questionamento:
- O que o facilitador, orador, expositor ou palestrante trouxe “de novo” do Evangelho?
Essa interrogação soa, aos meus abençoados ouvidos, em forma de eco, e me leva a trocar miúdos com os meus botões:
- O que o Evangelho tem “de novo”? Será que foi aumentado ou retirado um til ou um jota da tão devassada fonte de conhecimentos sublimes para a vida eterna?
E, logo após, volto os meus ditos sentidos normais ao chão da fábrica do nosso movimento espírita e percebo que há uma preocupação, até alarmante, de muitos confrades e confreiras, na busca de facilitadores, expositores ou palestrantes ilustres, de oratória cuja eloquência acima do normal, proferindo seminários, exposições ou palestras espetaculosos, e que tragam o “novo” do Evangelho de Jesus.
Por que trazer o “novo” do Evangelho, se o Evangelho é sempre “novo”?
Por que não trazer apenas o Evangelho na sua pura simplicidade?
Se observarmos que o Evangelho é a boa nova, ou se preferir, a boa notícia do reino de Deus, e que é o nosso principal manual de trabalho de aperfeiçoamento moral e espiritual, concluiremos que Ele é sempre “novo”, sempre atual.
Então, caro leitor, com base na lógica, a pergunta que sugiro seja elaborada é o inverso, assim vejamos:
- O que “de novo de mim mesmo” estou extraindo do Evangelho a cada dia, numa perspectiva de evolução de minha visão em relação ao seu conteúdo?
- Em cada contato com o estudo do Evangelho, eu estou me tornando uma pessoa renovada, estou me tornando um “homem novo”?
Logo, a questão é que, se diante dos desafios das sendas evolutivas da vida, estou deixando emergir “o novo de mim mesmo” com base nos ensinamentos evangélicos.
Se eu estou me tornando “novo” a cada instante; se eu estou me tornando “novo” no pensar e no agir, bem como na visão da verdade da vida e de mim mesmo; se eu estou me tornando “novo para mim mesmo”, domando as minhas más inclinações ou más tendências, transformando-as em atos de bondade, de misericórdia; então, nessa perspectiva, o “novo” deve partir de cada um de nós, da maneira como estamos vivenciando o Evangelho nas tarefas do cotidiano, ou seja, na administração do lar, da empresa, da conduta no trabalho profissional, no trânsito, na forma de se expressar e de posicionar-se diante de tal assunto, situação ou acontecimento, dentre outros exemplos...
E assim, não mais preocuparemos com o que “de novo” os oradores, expositores, facilitadores e palestrantes trarão do Evangelho; mas, acima de tudo, o que cada um de nós estará levando “de novo” para uma melhor compreensão do Evangelho, e dessa forma colaborando positivamente, em vibrações fraternais, com os trabalhos dos oradores, facilitadores, expositores e palestrantes em trazer “o novo de si mesmo”, a fim de despertar “o novo” de cada espectador ou telespectador, acerca do Evangelho que é sempre “novo” e sempre a fonte de renovação e de redenção de nós outros, Espíritos imortais, na eternidade do aprendizado constante da vida.
REVISTA ESPÍRITA RETRATA O PAPEL DE KARDEC NA CONSTRUÇÃO DO ESPIRITISMO
(Wellington Balbo)
Ultimamente tenho recomendado, com ênfase, o estudo da Revista Espírita, publicação que Allan Kardec dirigiu de janeiro do ano de 1858 até o momento de seu desencarne, em março de 1869. Ainda desconhecida do público (Revista Espírita), é neste periódico que o estudioso do Espiritismo encontrará, de forma mais veemente, a atuação de Allan Kardec na produção da doutrina, além, é claro, de voltar ao tempo e entrar em contato com a história do Espiritismo.
Há reflexões muito interessantes. Kardec, por exemplo, de forma muito educada e cortês permite-se discordar dos Espíritos e, com maestria, discorrer sobre uma ideia de forma irretocável. É assim que ele faz numa comunicação do Espírito Lázaro, inserida na revista do mês de maio do ano de 1862, sobre o instigante tema “Os instintos”. Ressaltamos que Kardec discordou da posição de Lázaro, porém com total respeito, sem atacá-lo ou diminuí-lo, ao contrário, inicia sua crítica agradecendo-o e elogiando suas constantes contribuições.
Dentre os mais variados temas da revista, destaco, também, uma instrução de Kardec referente à publicidade das mensagens espíritas. A instrução citada está no número de janeiro da revista de 1862.
Kardec aborda a importância de dar publicidade às mensagens espíritas e faz relevantes ponderações, levanta pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades das ainda parcas possibilidades de publicidade da época. Pode-se dizer que ali Kardec fez uma análise SWOT, análise esta que identifica os pontos fortes e fracos, as ameaças e oportunidades que as instituições encontrarão em seus respectivos cenários. Vale lembrar que a análise SWOT só veio ao mundo no século XX, obedecendo às necessidades das organizações de se planejarem.
Ainda no texto pertinente à publicidade das mensagens espíritas, Kardec desculpa-se com o leitor por tratar de coisas puramente materiais, haja vista que toca em pontos financeiros para o sucesso das publicações, num espaço destinado às coisas celestes, todavia, ressalta que o faz por julgar necessário e com o objetivo de divulgação da mensagem espírita.
O tema financeiro, aliás, ainda é um tabu para o espírita. Indubitavelmente Kardec não teria problemas em aplicar grandes somas para que a divulgação espírita se tornasse pujante e atingisse um grande número de pessoas. Aliás, muitos o acusavam de enriquecimento à custa do Espiritismo, o que é sabido não ser verdade. Kardec tinha a ciência de que sem os recursos materiais necessários seria impossível atingir o pleno sucesso na divulgação espírita.
O que se percebe no estudo da Revista Espírita é um Kardec altamente envolvido com a divulgação do Espiritismo, alguém que empenhou todos os seus esforços para o sucesso da doutrina.
Imagino-o nos dias de hoje, com tantas possibilidades à sua disposição para levar o Espiritismo aos mais recônditos rincões deste planeta, certamente os utilizaria em plenitude. As redes sociais, pois, seriam um local em que se encontraria Kardec com muita facilidade. Teria, muito provável, perfis em Facebook, Twitter, Instagram e, fatalmente, espaço em jornais não espíritas.
Kardec foi muito corajoso e a dimensão de sua vinda à Terra ainda estamos distantes de entender.
Por isso, para que compreendamos, mesmo que palidamente, um pouco da importância de sua reencarnação no século XIX, faz-se fundamental debruçar-se nas páginas da Revista Espírita.
Fica, então, registrada a sugestão ao leitor e estudioso do Espiritismo.
A FOGUEIRA DAS VAIDADES
(Altamirando Carneiro)
O homem vive, na Terra, uma luta inglória, na tentativa de quem, entre eles, é o maior, o melhor, o mais poderoso. Como Narciso, ele se contempla diariamente no espelho e, no seu orgulho, surge a pergunta: "Existe alguém mais bonito, mais perfeito, do que eu?"
O amor a nós mesmos é um tema estudado no Espiritismo. É este amor que nos leva a superar todos os obstáculos, para atingir os nossos ideais; é este amor que nos leva ao trabalho, ao estudo, ao aprendizado, enfim, a tudo aquilo que nos coloque sempre na melhor posição possível, com relação aos semelhantes.
Este é o amor a si mesmo do Ser consciente, que exemplifica diariamente a lição de Jesus na Parábola dos Talentos; daquele que procura administrar da melhor maneira o aproveitamento dos talentos, sempre em benefício dos outros. Pois a finalidade maior da nossa encarnação na Terra é servir.
Já o amor do orgulhoso é bem diferente. Ele se acha o máximo, o insuperável, o que não divide nada com ninguém, porque acredita que tudo no mundo foi feito somente para ele ou para a quem a ele se assemelhe e tenha o mesmo grau de soberba e sovinice.
Sócrates disse que "tudo o que eu sei é que nada sei". Esta conscientização só o humilde possui. Jamais o orgulhoso admitirá que, por mais que ele saiba, saberá pouco; que, em relação à verdade universal, nosso conhecimento é relativo, diante do conhecimento absoluto.
Por isso Jesus, diante do entusiasmo dos discípulos na divulgação da Boa Nova, deu graças a Deus por ter revelado tanta grandiosidade aos pequeninos da Terra, ocultando aos orgulhosos, sábios e potentados.
Em Reflexões Doutrinárias - Lúmen Editorial -, diz Antônio Fernandes Rodrigues que "o homem simples (...), não estando prisioneiro das regras ortodoxas da ciência acadêmica, acredita naquilo que não vê, mas aceita porque é coerente, lógico, imprescindível. Ele sente a presença de Deus nas coisas materiais; no vegetal que cresce; na flor que desabrocha; no fruto que alimenta; na chuva que proporciona condições para que o verde cubra o solo, dando alimento a toda criação animal. (...)".
Quando o avanço do progresso intelectual não é acompanhado pelo avanço do progresso moral, o orgulho passa a dominar os sentidos. Contudo, Deus não tira a liberdade de ninguém e aguarda que cada um amadureça, quando então aceitará as leis divinas, que funcionam harmonicamente, sem desequilíbrios.
MULTIPLICAR TALENTOS
(Waldenir Aparecido Cuin)
 “Quantos pães tendes? – Cinco pães e dois peixes, disseram..." (Mateus 14:17.)
O episódio da multiplicação dos pães e peixes, narrado pelo Novo Testamento é, incontestavelmente, uma notável e rica lição que Jesus delegou à humanidade, para servir de norte e bússola às nossas ações quotidianas.
Naquele momento histórico o Cristo não transferiu aos seus discípulos a tarefa de socorrer a multidão faminta, que O buscava sedenta de consolo e alimento. Apenas solicitou que informassem quantos pães e peixes tinham e, após, procedeu à multiplicação dos dois gêneros, permitindo que mais de cinco mil pessoas se alimentassem.
Sem dúvida, um ensinamento profundo e valioso.
É óbvio que ninguém em sã consciência e plena lucidez de raciocínio se proporá a sair pela vida fazendo multiplicações de pães ou outros itens alimentícios, mas de forma alguma estamos impedidos de multiplicar os nossos talentos e recursos, de forma a contribuir para a melhoria do mundo que habitamos.
Multiplicando os pães da paciência conseguiremos conviver com as mais adversas situações e suportar os mais intrincados problemas, aqueles que desafiam o equilíbrio das nossas emoções.
Multiplicando os pães da perseverança haveremos que caminhar com coragem em defesa dos nossos ideais, onde a felicidade e a paz, por certo, figuram como meta e objetivo.
Multiplicando os pães da tolerância seguiremos firmes na compreensão das diferenças que nos cercam, principalmente no âmbito familiar, onde devemos entender que cada criatura traz consigo a própria individualidade pensando e reagindo de modo particular, como nós fazemos também.
Multiplicando os pães do altruísmo teceremos a teia das nossas ações sempre voltadas para o bem, onde o ser humano, em quaisquer situações e momentos, será eleito como a preocupação máxima e interesse maior das nossas realizações.
Multiplicando os pães da fé e da confiança nunca deixaremos que acreditar piamente que não estamos sozinhos, mesmo que aparentemente o mundo nos mantenha isolados, pois do olhar da Providência Divina ninguém está alheio.
Multiplicando os pães do amor veremos todas as criaturas do caminho como irmãos a serem considerados, dignos merecedores da nossa solidariedade e respeito.
Multiplicando os pães da alegria contagiaremos aqueles que seguem conosco, informando a eles que o otimismo e a esperança são conquistas que não podem deixar de residir no íntimo dos nossos corações.
Multiplicando os pães do silêncio, saberemos como conter a palavra descortês e às vezes descuidada que, se lançada, poderá destilar o fiel da crítica ou o azedume do comentário menos feliz, além de evitar, muitas vezes, sérias contendas ou terríveis e inoportunas discussões.
Multiplicando os pães da humildade teremos plenas condições de combater as investidas deletérias do orgulho que tanto sofrimentos causam no seio social, e segurar os ataques perigosos do egoísmo, essa chaga nefasta que aprisiona os nobres sentimentos humanos.
Se fisicamente não temos condições de multiplicar pães e peixes, como fez Jesus Cristo, nada impede que façamos crescer nosso ânimo, coragem, determinação e boa vontade, para, com os recursos de que dispomos, contribuir para a construção de uma sociedade mais fraterna.
Reflitamos.
PARÁBOLAS DE JESUS: O TESOURO ESCONDIDO E A PÉROLA OCULTA
(Leda Maria Flaborea)
O tesouro encontrado e a pérola descoberta representam o ápice do esforço de transformação no bem
 No capítulo 13 do Evangelho de Mateus, encontramos seis parábolas que fazem referência de forma direta ao Reino de Deus. São elas: do joio e do trigo, do grão de mostarda, do fermento, da rede, do tesouro escondido e da pérola oculta ou de grande valor.
No entendimento espírita o Reino dos Céus ou o Reino de Deus, como também é nomeado, indica um estado de alma, um sentimento de plenitude que não é um lugar circunscrito no plano físico ou no plano espiritual.
Nas parábolas, alvo dos nossos comentários, Jesus enfatiza essa felicidade, essa ventura de quem encontra tais riquezas representadas pela pérola e pelo tesouro. E do ponto de vista Dele isso é tão grandioso e tão pleno que leva o homem que os encontra a dispor de todos os bens que possua. Em ambas, encontramos o predomínio da transformação espiritual pela aquisição de virtudes. Trata-se de um momento decisivo na vida de cada um de nós, porque estaremos tratando da modificação íntima, definitiva, no bem, ou a conquista do Reino de Deus.
Trata-se da descoberta da nossa consciência espiritual, da nossa ligação com Deus e das nossas capacidades para vencermos os obstáculos que surgem ao nosso progresso.  O tesouro encontrado e a pérola descoberta representam o ápice do esforço de transformação no bem. E o local onde foram encontrados indica o plano onde desenvolveremos as experiências necessárias para esse crescimento, ou seja, a existência física ou os diferentes planos espirituais. Por isso ambos são comparados, por Jesus, ao Reino dos Céus. Mas, para adquirir o Reino dos Céus o homem precisa se desfazer do Reino do Mundo. Afirma Jesus que o Reino não vem com aparência exterior.
(...) “A realização divina começará no íntimo das criaturas, constituindo gloriosa luz do templo interno”.
Qual o significado, nas parábolas, da expressão vender o que se tem e comprar o campo ou a pérola? Significa a mudança do homem material para o homem espiritual – o apóstolo Paulo de Tarso refere-se a isso como do homem velho para o homem novo. É o desfazer-se dos bens materiais, no sentido de não se dar prioridade a eles, pelos bens espirituais, lembrando que para esse homem materializado, seu tesouro e sua pérola são os bens materiais que conquistou ou que deseja conquistar.
Cairbar Schutel coloca questões interessantes em relação a isso, que precisam ser observadas. Pergunta ele: por que o homem trabalha na Terra? Para que estuda? Por que luta a ponto de matar seus semelhantes? Responde ele: “para possuir tesouros”!  E por essa razão o Mestre foi enfático ao afirmar que o tesouro imperecível é aquele que a ferrugem e a traça não corroem e os ladrões não roubam. Quando o homem terreno morre nada leva consigo; mas, o homem espiritual carrega tudo que conquistou.
O homem materializado não compreende a Doutrina do Cristo, como não aceita abandonar o que conquistou pela aquisição de algo invisível, impalpável... Ele vive para o reino do mundo e não tem interesse, por ora, no Reino dos Céus. Não compreende que aquele desaparece com a morte física e este permanece com quem o possui.
Para Huberto Rohden,³ quando o homem descobre o Reino dos Céus, não se interessa mais pelos reinos da Terra. Assim como a pérola que só revela seu esplendor quando exposta ao sol, a conquista da felicidade plena só é revelada na luz da vida diária. É interessante lembrar o ensinamento de Jesus que nos convida a não conservarmos a luz sob o alqueire, mas colocá-la sobre o velador, iluminando caminhos, dando direções...
O que tudo isso quer dizer?! Quer dizer que o homem, no nível evolutivo em que se encontra presentemente, precisa sair da superfície do ego (ser material) e mergulhar na misteriosa região do Eu Divino (ser espiritual). Essa passagem será, na maioria das vezes, dolorosa, mas o resultado só acontecerá quando e se realizar o autoconhecimento. “Antes de atingir a qualidade do seu Ser, corre o homem atrás da quantidade do ter ou dos teres. Mas, depois de descobrir o seu Ser qualitativo, torna-se indiferente aos seus teres quantitativos. E quando as circunstâncias o obrigam a possuir certos objetos externos, possui-os com estranha leveza e serenidade. Não se fanatiza por eles, nem jamais é possuído por aquilo que possui. Todos os caminhos estritos e todas as portas apertadas desaparecem em face do jugo suave e do peso leve de uma felicidade sem limites.”³
Para o estimado benfeitor espiritual Emmanuel4 “tesouros são talentos que trazemos, independentemente da fortuna terrestre, a fim de ajudarmos aos outros, valorizando a si mesmo.”  Diz ele que cada um de nós, em nossas atividades, mostramos esse tesouro. Por exemplo: um homem e uma mulher tem no amor o tesouro que constrói o santuário do lar; o professor amontoa tesouros da cultura e inteligência para transmitir a quem quer aprender; o escritor respeitável estabelece tesouros no livro nobre que leva consolação e assegura o progresso. Assim também com o compositor que cria um tesouro na melodia que compõem e encanta quem ouve...
Continua dizendo que é preciso saber o que produzimos, a fim de sabermos para onde nos dirigimos. Fica claro, agora, para nós, o porquê da afirmação de Jesus ao dizer: “onde guardardes o vosso tesouro, tereis retido o coração".
Por essa razão, entendemos que para a redenção das criaturas, de todos nós, está na transformação dos sentimentos. Quando são dirigidos para o bem, são bênçãos para a obra de Deus. Mas, quando se voltam para o mal, impedem a concretização dos propósitos divinos, principalmente para nós próprios. Torna-se cada vez mais urgente trabalharmos essa ferrugem, porque Jesus nos espera para nos mostrar os tesouros imperecíveis.
Todos nós temos ouvido ou lido sobre a necessidade de transformação das nossas predisposições íntimas. Mas, como proceder?! O conhecimento de si, já o dissemos, é a chave do processo espiritual. É fundamental o autoconhecimento para sabermos: quem sou eu? Qual é a minha obrigação para comigo e para com a sociedade na qual trabalho?
Encontramos um caminho em O Livro dos Espíritos, questão 919 quando Kardec pergunta aos Espíritos superiores qual é o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e resistir à atração do mal. E eles respondem: “um sábio da Antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo”.
Como conseguir o autoconhecimento? O que fazer? Quando fazer? Como fazer? A questão 919-a ajuda-nos nessa busca. Mas, é necessário, sem preguiça e com vontade real de aprender, tirar da estante o livro basilar da Doutrina Espírita e ler, sem pressa, as respostas de Santo Agostinho. 

O ESPÍRITA NA SOCIEDADE
(Hyerohydes Gonçalves)
Quando escrevemos que o espírita deve manter-se em vigilância e em prece, dar a César o que é de César e posicionar-se com imparcialidade partidária na política e na sociedade, não estamos com a pretensão de nos referir ao conformismo diante das situações de crise política e econômica por que passa o nosso país.
Muito pelo contrário, é neste contexto de divergências de opiniões que o espírita, discípulo sincero do mestre Jesus, deve estar de prontidão, como cidadão do universo, pronto para propor e buscar soluções de pacificação, de libertação, de solidariedade, em favor da justiça e da paz, de uma sociedade equilibrada, pautada no bom senso.
O verdadeiro espírita está inserido na sociedade, assim como qualquer outro cidadão, no exercício dos seus deveres e direitos constitucionais. Não é perfeito, mas está, assim como qualquer pessoa no convívio social, em busca da perfeição moral e espiritual.
A responsabilidade do espírita consciente é aumentada, ainda mais, perante a sociedade e de si mesmo, devido ao conhecimento adquirido sobre a lei de ação e reação ou de causa e efeito, do uso adequado do poder de livre escolha ou livre-arbítrio, das leis de sociedade, do trabalho e do progresso, dentre outras nas áreas do conhecimento espírita.
Temos de entender e compreender que, diante da crise e das injustiças sociais, o verdadeiro espírita, na atitude de discípulo e aprendiz do mestre Jesus, tem de manter-se vigilante e a sua conduta deve ser transformada em prece, para que a crise e as injustiças não se agravem devido à sua falta de vigilância e de sintonia com Aquele que nos fortalece.
Devemos, ainda, esclarecer que dar a César o que é de César não é deitar-se no berço esplêndido do conformismo, nem estar de acordo com as lideranças governamentais contrárias às necessidades do povo.
É, sim, agir de acordo com a ordem social, cumprindo as leis humanas, sem causar qualquer tipo de desordem e prejuízo à sociedade. Mas agir com responsabilidade cidadã, sem partidarismo, buscando, dentro do bom senso, apresentar propostas de melhorias nos setores sociais, tais como exemplos prioritários, a meu ver, aos da saúde e educação, prosseguindo para os demais e assim por diante.
Em relação à conduta de imparcialidade partidária do espírita na política e na sociedade, trata-se de questão de lógica, porque a postura espírita deve ser em favor da coletividade como um todo, atendendo ao bem comum, sem se compactuar com esse ou aquele partido, ou com essa ou aquela organização; pois, a imparcialidade partidária torna-nos libertos de quaisquer tipos de jogos de interesses e de injustiças.
Agindo assim, o verdadeiro espírita terá a sua conduta pautada no Evangelho de Jesus, em sintonia com a espiritualidade benfeitora, atraindo pensamentos positivos, e agindo positivamente, contribuindo com a implantação do reino de Deus (= reinado do bem) neste planeta Terra.
O AMOR É UM ALIMENTO DIVINO
(Hugo Alvarenga Novaes)
Primeiramente, lembremo-nos das sábias palavras de Jesus quando, no deserto, depois de ter jejuado por quarenta dias, disse: “... nem só de pão viverá o homem...” (Mateus 4,4; Lucas 4,4). Com isso, Ele quis mostrar-nos que são mais importantes os alimentos espirituais do que os materiais.
Sem dúvida alguma, o amor encabeça a lista destes nutrientes imateriais.
Tanto o amor é essencial para nós, que o Sublime Messias trouxe-nos o “Mandamento Maior” calcado nesse sentimento. Vejamo-lo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22,37-40).
Reparemos que o Divino Nazareno pede-nos que amemos a Deus, a nós e ao próximo.
Ele também nos recomenda: ”Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (João 13,34). Pensamos ser o amor o maior sustentáculo dos seres humanos. Semelhante aos alimentos sólidos, que são fontes de energia imprescindíveis para a manutenção das funções vitais de todos nós, o amor, indiscutivelmente, é o principal nutriente para o espírito. Quanto mais nos enriquecermos de valores morais, mais próximos estaremos de Deus.
O Divino Rabi não preceituou-nos que “amássemos uns aos outros” (João 13,34), unicamente objetivando a caridade. Recomendava-nos de igual maneira que nos alimentássemos mutuamente de simpatia e fraternidade, que são os grandes patrimônios do “amor profundo”, e que indiscutivelmente sustenta-nos a alma. Este último sentimento é o pão divino, o nutriente sublime dos corações.
Se o “amor ao próximo” é a base da caridade, “amar os inimigos” (Mateus 5,44) é a mais excelsa aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.
O amor é lei da vida. Se não houvesse amor nada faria sentido, pois só existimos porque Deus nos sustenta com o seu amor.
“Busquemos, então, meditar sobre o que temos e o que não temos, sobre quem somos e sobre quem não somos, a respeito do que fazemos e do que não fazemos, guardando a convicção de que sem a presença do amor naquilo que temos, no que fazemos e no que somos, estaremos imensamente pobres, profundamente carentes, desvitalizados. A inteligência sem amor nos faz perversos. A justiça sem amor nos faz insensíveis e vingativos. A diplomacia sem amor nos faz hipócritas. O êxito sem amor nos faz arrogantes. A riqueza sem amor nos faz avaros. A pobreza sem amor nos faz orgulhosos. A beleza sem amor nos faz ridículos. A autoridade sem amor nos faz tiranos. O trabalho sem amor nos faz escravos. A simplicidade sem amor nos deprecia. A oração sem amor nos faz calculistas. A lei sem amor nos escraviza. A política sem amor nos faz egoístas. A fé sem amor nos torna fanáticos. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor... Bem, sem amor a vida não tem sentido...” (Fonte: CD Momento Espírita, volume 7, faixa 3.)
Paulo de Tarso demonstra que compreendera perfeitamente a importância dele, ao dizer:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13, 1-7; 13).
Tendo tudo isto em vista, fartamo-nos de amor.
TEMOR DA MORTE; COMO EVITÁ-LO?
(Wellington Balbo)
Em O Céu e o Inferno, uma das obras da Codificação Espírita, Allan Kardec trata do tema temor da morte. Como estamos em novembro, considero serem interessantes algumas reflexões de tão palpitante tema.
Por que o homem teme a morte? Essa foi uma das indagações que Allan Kardec propôs na citada obra. Embora uma intuição sussurre nos ouvidos do homem de que a vida não se encerra no túmulo, há o medo do que se considera o desconhecido, e a morte, para um bom número de pessoas, é uma mera desconhecida e indesejada. Aliás, é, também, uma passagem para um tempo de dor e sofrimento, ou até mesmo o nada, que o digam os materialistas.
Aliás, muitos afirmam:
Ninguém nunca foi e voltou para contar! Ledo engano, pois diversos médiuns, mesmo antes do advento do Espiritismo, serviram como ponte para que os chamados “mortos” voltassem a fim de dar testemunho de que a vida prossegue além matéria.
Não obstante sermos imortais é preciso que a lei se cumpra, porquanto nosso corpo biológico tem um tempo de vida, é uma máquina e, naturalmente, vence sua validade, o que nos leva a experimentar o fenômeno da morte do corpo físico, mas não do Espírito imortal, pois este é indestrutível.
O temor da morte tem sua utilidade, pois faz com que o homem preserve-se de situações complicadas e não se exponha sem necessidade a perigos que poderiam abreviar sua existência. O instinto de conservação é o responsável por despertar-nos para a importância de manter-nos em segurança e aproveitar os instantes que a vida na Terra oferece para nossa elevação.
Sendo o homem um ser espiritual, certo que, se possível fosse, não mergulharia na carne, pois a vida na matéria, embora necessária, limita as atividades do Espírito, prendendo-o aos bem limitados sentidos da vida corporal. Percebe-se, então, que caso o instinto de conservação não existisse, o homem, certamente, se entregaria de modo muito fácil à destruição de seu invólucro carnal.
Eis, aí, a prova da sabedoria de Deus, que nada faz de inútil.
Quanto mais o homem avança em intelecto e moral, mais aproxima-se do Criador, de modo que sua visão vai ampliando-se e o temor da morte vai perdendo pujança, pois o homem passa a compreender que o nada não existe, e constata que ao deixar o corpo a sua essência continua bem viva.
Ele vislumbra o futuro, mais: sabe que o futuro dependerá de suas ações no presente, por isso trata de trabalhar com mais afinco hoje para que conquiste o equilíbrio que, indubitavelmente, proporcionará a ele condições de encarar as provas e expiações como desafios para seu crescimento, e não, como problemas insolúveis.
Conforme o ser humano vai atingindo a maturidade espiritual, consegue elevar-se além da vida na matéria e, por conseguinte, enxerga, na morte do corpo, não a destruição total, mas a libertação de seu Espírito.
Dar o justo valor ao corpo é uma das formas de libertar-se do temor da morte. Quando se valoriza em demasia a matéria, coloca-se sobre ela uma responsabilidade enorme e, então, quando esta matéria, obedecendo à lei da vida, tem a falência de seus órgãos, o homem, ainda voltado apenas à vida terrena, desespera-se, pois pensa que ali, na desagregação das células, houve, também, a desagregação dos laços de amor, de afeto, de si mesmo e das amizades conquistadas.
O Espiritismo diz que não. Os laços de amor não se extinguem com a morte do corpo físico. O sentimento tem sede no Espírito imortal e não no corpo perecível e, por isso, tal como o Espírito tem vida independente da matéria, os sentimentos também possuem essa independência.
O temor da morte, pois, sofre um revés chamado conhecimento. Quanto mais o Espírito cresce em conhecimento das leis da vida, mais ele afasta de si o cálice amargo do medo da morte.
Com a conquista da maturidade espiritual, a morte já não tem um caráter fúnebre, de perda da identidade, mas, sim, de transformação, de retorno ao mundo espiritual que, diga-se, precede o mundo físico.
As lágrimas de revolta e inconformação cedem lugar ao até logo, repleto de esperança no futuro de bênçãos que aguardam aqueles que já romperam com as incredulidades.
O homem, neste estágio de maturidade espiritual, já não mais necessita tanto do instinto de conservação, pois a consciência empresta-lhe condições para saber que não deve se expor sem necessidade e que o corpo é, em realidade, amigo de seu Espírito na travessia rumo ao infinito.
Apego, um dos motivos de temor da morte - Segundo o médico e tanatólogo Evaldo D’Assumpção, a palavra apego é de origem latina e significa juntar, colar, pegar. É o apego que produz o receio da perda. E quanto mais se receia a perda, mais se apega ao objeto, pessoa, situação ou, como no tema abordado, ao corpo físico.
1 – Apego ao corpo físico: quem leva a vida como se o corpo fosse tudo, esquece o Espírito, esquecendo o espírito esquece de si mesmo, pois brinda apenas o corpo com os prazeres da vida. Então, trabalha apenas para saciar o corpo. Rende culto demasiado à beleza física e a coloca como parte essencial de sua existência. Quando os anos, implacáveis, batem-lhe à porta, tenta, de todas as formas, enganar o tempo. Consegue por um determinado período, porém, por mais técnicas e tecnologias desenvolvidas atualmente prolongando a vida na matéria, não se consegue vencer a morte biológica. Neste atual estágio de evolução do planeta, a morte biológica é invencível. Muitos revoltam-se quando a morte biológica captura alguém ainda jovem, belo e com futuro promissor pela frente. O Espiritismo informa, porém, que se deve treinar o desapego do corpo valorizando a vida do espírito, porque esta modalidade de morte chegará cedo ou tarde. Treinar o desapego do corpo físico é aceitar que não se tem gestão sobre os desígnios de Deus. O Criador estabeleceu leis, e elas hão de se cumprir. Não há objeções quanto ao corpo bonito e torneado, desde que ele não se torne objetivo único do indivíduo. Desapegar-se do destrutível, perecível e temporário é fundamental à sanidade.
2 – Apego às pessoas e/ou objetos: é muito comum proferir a seguinte frase: Meu filho! Meu marido! Meu irmão! Isso no tocante às pessoas. Com relação ao objeto, dá-se o mesmo: Meu carro! Minha empresa! Meu livro!
Frases já consagradas por todos e não haveria problema caso reproduzissem apenas a força da expressão. Todavia, não é assim que ocorre. O sentimento de possuir pessoas ou objetos faz com que se apegue a eles como se fossem parte de nosso ser e não pudessem “descolar” de nós. Mas eles descolam, e, quando descolam, o sofrimento é mais intenso naquele que ainda não aprendeu a dizer adeus. Desapegar-se é compreender que nada nem ninguém nos pertence e que o desapego não é sinônimo de desamor, mas de inteligência emocional. E como conquistar a inteligência emocional que possibilita desapegar-se? O jeito é trabalhar-se intimamente para internalizar que pessoas e coisas chegam e vão embora de nossas vistas a todos os instantes. Viajam para aqui e acolá, e esta viagem acontece independentemente de nossa vontade. É preciso aprender a aceitar as coisas que não se pode modificar e conviver de maneira pacífica com a dor proporcionada pela “perda”.
Ou seja, desapegar-se não é viver sem dor, mas entender que, apesar dos pesares, a vida prossegue e se faz fundamental prosseguir com a vida.
3 – Apego às situações: do mesmo modo que se trabalha o desapego diante do corpo físico, pessoas e objetos, deve-se trabalhar o desapego das situações. É muito comum algumas pessoas ficarem presas ao passado, mortas no presente, contudo vivas num passado distante ou próximo. Ah! Como minha vida era de prazeres quando eu tinha aquele bom emprego! – exclama o sujeito cuja situação anterior já está “morta”. O emprego já acabou, a empresa faliu, a situação financeira pertence a outro tempo, mas ele ainda está apegado ao que passou. Quem vive o passado, quase sempre, mata o presente. Desapego é, pois, forma de viver mais leve.
Medo de enfrentar a dor - Um ponto a considerar na sociedade hodierna é a pouca paciência para com a dor. O temor da morte também é o medo de sentir a dor da partida. É claro que não se prega a valorização da dor, mas, sim, o entendimento de que a dor, no estágio evolutivo da Terra, vez ou outra aparecerá. O conhecimento, neste ponto, situa-se como um analgésico, pois com conhecimento sentimos que a dor ameniza. Todavia, nem mesmo o conhecimento – repito, neste atual estágio – é condição para que a dor seja eliminada. Como pedir para uma mãe não sentir seu coração dolorido ao ver um filho partir? Portanto, o conhecimento ameniza, entretanto, não elimina a dor. Eis por que é prudente deixar de temer a dor. Fortalecer-se a fim de que ela – a dor – não seja insuportável.
E como se fortalece?
1 - Conhecimento
2 - Prece
3 - Trabalho no bem.
O conhecimento faz-nos amadurecer, a prece liga-nos aos bons Espíritos e estes vêm em nosso socorro nos momentos mais complicados e, por fim, o trabalho no bem ocupa nossa mente e dá-nos a saborosa sensação de estarmos sendo úteis.
Esta é a trinca a fortalecer-nos diante de qualquer situação dolorosa.
Por que o espírita não teme a morte? - Kardec, em O Céu e o Inferno, escreveu que os espíritas não temem a morte, a considerar que todos vivenciam plenamente o conceito da imortalidade da alma. Como sempre, Kardec muito generoso. Pode-se adaptar seu pensamento para:
Por que o espírita não deve temer a morte?
Não deve temer porque, como Kardec diz, a alma já não é mais uma abstração. O Espiritismo é a Ciência que desvendou a imortalidade da alma. Com o Espiritismo não há mais a incerteza do futuro e a angústia advinda do nada.
O Espírito imortal é indestrutível e os laços de amor construídos ao longo do tempo também obedecem a esta ordem.
Portanto, nós e nossos afetos vivemos e continuaremos a viver. Esta mensagem já é bastante alentadora e pode servir para que, enfim, percamos o medo da morte, transformando o receio em certeza de que o cumprimento da lei biológica, na questão da morte física, não dilacera o Espírito imortal.
Pensemos nisto.
A TIMIDEZ DOS BONS E A OUSADIA DOS MAUS
(Waldenir Aparecido Cuin)
- Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?  "Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando o quiserem, assumirão a preponderância.” (Questão 932, de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.)
No contexto social em que vivemos, ante os dissabores que a sociedade tem colhido, como decorrência dos desajustes no âmago dos relacionamentos humanos, sugere o Espírito da Verdade, a Allan Kardec, àqueles que já despertaram para os reais valores da vida, que assumam a preponderância, isto é, que deixem a zona de conforto em que vivem, neutralizando a timidez e aguçando a ousadia.
Ser ousado, aguerrido, atrevido mesmo, não significa insuflar a violência, mas ter a coragem e o arrojo de defender, com bravura e interesse, aquilo que é nobre, digno e ético.
Não se pode deixar o mal prosperar nos espaços deixados pela timidez que domina os homens de bem. A criatura humana, além de ser boa, ainda é indispensável que seja justa. Calar quando se deve falar, esconder quando se deve apresentar, omitir quando se deve participar, obviamente são práticas que em nada contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
Os maus são ousados, pois que não temem pela reputação, pela probidade, nem se preocupam com a indignação ou opinião das pessoas, são maus e pronto. Fazem barulho, assustam, destroem, e, no momento da perversidade, anestesiados pelo desequilíbrio,  a consciência de nada os acusam, por isso são atrevidos e atuam nos espaços onde os bons deveriam estar, ostentando a bandeira da decência, da honestidade e da fraternidade.
Os bons precisam estar presentes em todos os segmentos sociais; na escola do filho, na associação de bairro, no grêmio estudantil, na associação filantrópica e assistencial, na política, na organização trabalhista, na organização patronal, nas decisões que interessam à comunidade em que vivem... enfim,  têm que participar, pois se não se apresentarem para a ocupação dos espaços que são seus, sem dúvida, virão os maus e, sem cerimônia, ocuparão as cadeiras vazias e farão o estrago que já é do conhecimento geral.
Então, não basta criticar, reclamar, gritar por um mundo mais decente, ordeiro e próspero, imperioso se torna a participação para que tais conquistas cheguem mais depressa e sem tanto sofrimento.
Para tanto, não será preciso ser expoente da cultura, da força, da intelectualidade, da fortuna, da virtude, do desprendimento, da caridade, mas sim, será preciso, e muito, de boa vontade e uma hercúlea dose de esforços. Isso, obviamente, está ao alcance de todos... basta querer.
Sem nenhuma violência, quando os maus perceberam que os espaços estão sendo preenchidos pela ousadia e coragem dos bons, baterão em retirada, por falta de opção e oportunidade, daí em diante será erguido, com segurança, o edifício da paz e da serenidade que tanto desejamos.
Observemos, então, qual o espaço que nos pertence, na ordem do progresso, e ocupemos a nossa cadeira... para servir, obviamente.
AMOR E SABEDORIA
(Altamirando Carneiro)
Na época de Moisés, quando vigorava o olho por olho, dente por dente, o grande missionário recebeu do Mundo Espiritual os Dez Mandamentos, que pediam ao homem da época o amor a Deus sobre todas as coisas. Moisés também criou as leis civis e disciplinares, para conduzir o seu povo.
Séculos depois, Jesus nos traz os seus ensinamentos e, complementando as leis recebidas por Moisés, pede-nos que amemos a Deus e ao próximo. E as leis civis e disciplinares criadas por Moisés baseadas no olho por olho e no dente por dente, Jesus transformou em leis baseadas na caridade, na humildade e no amor ao próximo.
Os séculos se passaram. E veio o Espiritismo. No capítulo VI (O Cristo Consolador) de O Evangelho segundo o Espiritismo, a mensagem do Espírito de Verdade diz:
“Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: ‘Irmãos, nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade’”.
O amor e a sabedoria são as duas asas do Espírito. O ideal seria que marchassem juntas. Porém, a evolução do homem se faz de maneira muito lenta. Por isso, o progresso científico e intelectual do homem está sempre à frente, e o progresso moral bem atrás.
Castro Alves, através da psicografia de Jorge Rizzini, diz, no poema A Criação Divina:
(...)
“Povo escravo não tem pausa,
No trabalho à luz do archote;
E monumentos, impérios,
São erguidos com o chicote!
Cresce a cultura Imortal,
Mas pouco avança a Moral,
- E da lei, o pedestal,
É a força, a cruz, o garrote!”.
(...)
A Doutrina Espírita tudo explica à luz da razão. Seus ensinamentos recebidos dos Espíritos Superiores e codificados por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, são verdades eternas e, para serem bem compreendidas, é necessário que não apenas as estudemos, mas as compreendamos.
Para tanto, é preciso não somente ler, mas apreender realmente o conteúdo da leitura. Isso demanda tempo, paciência, horas de dedicação. O verdadeiro espírita tem a obrigação de ter um mínimo de conhecimento da Doutrina Espírita. É o que se espera do adepto de qualquer religião.
A literatura espírita é uma das mais vastas, mais completas, com informações seguras e abalizadas. Por isso o sucesso do livro espírita, que não só mata a sede de conhecimentos e de saber, como também suprime a penúria moral.
Na obra Na Escola do Mestre – Edições FEESP, Vinícius diz que “Educar é tirar do interior” e que “a diferença entre o sábio e o ignorante, o justo e o ímpio, o bom e o mau procede de uns serem educados, outros não. O sábio se tornou tal, exercitando com perseverança os seus poderes intelectuais. O Justo alcançou santidade, cultivando com desvelo e carinho sua capacidade de sentir. Foi de si próprios que eles desentranharam e desdobraram, pondo em evidência aquelas propriedades, de acordo com a sentença que o Divino Artífice insculpiu em suas obras: Crescei e multiplicai”.
Por outro lado, o espírita, verdadeiro privilegiado pela obtenção de tantos conhecimentos, não deve guardá-los somente para si, mas levá-lo até o semelhante. E deve colocar em prática esses ensinamentos, cujo teor moral nos conduz ao exercício da caridade e do amor ao próximo. “A fé sem obras é igual às obras sem fé”; ou: “a fé sem obras é morta”; ou, como advertiu Paulo, “se falarmos as línguas dos homens e dos anjos, se tivermos o dom da profecia, se tivermos toda a fé e não tivermos caridade, seremos como o metal que soa e o sino que tine”.
A caridade é a ponte que une a criatura ao Criador. Como diz André Luiz, no capítulo 19 do livro Ação e Reação (FEB), através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, “a evolução para Deus pode ser comparada a uma viagem divina. O bem constitui sinal de passagem livre aos cimos da Vida superior, enquanto o mal significa sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste”.        

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PODEMOS FAZER PROSÉLITOS? O QUE KARDEC FALA A RESPEITO
(Arnaldo Ramos de Oliveira)

Quantas e quantas vezes ouvimos ou falamos isto: - A Doutrina Espírita não faz prosélitos?
Essa ideia passou a povoar as mentes de inúmeros confrades a ponto de até sermos rechaçados quando alguém supõe que o estamos fazendo, quando falamos da Doutrina Espírita; de sua beleza, do conforto que traz ao coração, da compreensão da justiça das aflições, da comunicabilidade para com nossos entes que já partiram para a grande viagem, enfim, quando ao falarmos da boa doutrina e querendo passar uma ideia bem definida e com corpo doutrinário de consolo.
Observamos que muitos por esse mundo afora se encontram em planos maiores de entendimento e se põem a criticar quem de boa mente leva a mensagem espírita com o intuito de divulgá-la, e com a certeza de que pode auxiliar tantos corações desajustados em função das múltiplas e dolorosas aflições que ocupam mente e corpo da humanidade. Vivemos momentos angustiosos. Grassa pelos quatro cantos do planeta Terra a insegurança, a intemperança diante de tantas desgraças e ainda assim enfiam-nos goela abaixo o puritanismo que nada auxilia, coibindo os que de boa-fé querem oferecer um caminho para oferecer a corações amigos, ou não, e por fim exortam-nos os companheiros a não fazer proselitismos. Talvez Allan Kardec também devesse ouvir e ler essas exortações do “não fazer proselitismo", pois no Evangelho, cap. 24, item 10, ele nos recomenda o seguinte:
Essas palavras podem também aplicar-se aos adeptos e aos disseminadores do Espiritismo. Os incrédulos sistemáticos, os zombadores obstinados, os adversários interessados são para eles o que eram os gentios para os apóstolos. Que, pois, a exemplo destes, procurem, primeiramente, fazer prosélitos entre os de boa vontade, entre os que desejam luz, nos quais um gérmen fecundo se encontra e cujo número é grande, sem perderem tempo com os que não querem ver, nem ouvir e tanto mais resistem, por orgulho, quanto maior for a importância que se pareça ligar à sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claro, do que a um só que se compraza na treva, porque, assim procedendo, em maior proporção se aumentará o número dos sustentadores da causa. Deixar tranquilos os outros não é dar mostra de indiferença, mas de boa política. Chegar-lhes-á a vez, quando estiverem dominados pela opinião geral e ouvirem a mesma coisa incessantemente repetida ao seu derredor. Aí, julgarão que aceitam voluntariamente, por impulso próprio, a ideia, e não por pressão de outrem. Depois, há ideias que são como as sementes: não podem germinar fora da estação apropriada, nem em terreno que não tenha sido de antemão preparado, pelo que melhor é se espere o tempo propício e se cultivem primeiro as que germinem, para não acontecer que abortem as outras, em virtude de um cultivo demasiado intenso. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV, item 10.)
Recorrendo a Kardec, fica bastante esclarecido que devemos dar de nosso tempo, sim, àqueles que, desencantados com a vida, em desequilíbrio buscam desesperadamente uma tábua de salvação. Caso não a ofereçamos, em nos dominando a absurda ideia de não fazer proselitismo, caímos no absurdo da avareza – aquele que tem mas não doa – com medo das críticas e dos críticos de plantão que em nome do purismo se arvoram em conselheiros que além de cometer erros, ajuízam que Kardec recomendou o não fazer proselitismo.
Assim nos damos conta que os chavões criados por descuidadosos “espíritas” nada mais é que o medo de “pagar mico” por ainda se deixar levar pelo dito popular – religião, futebol e política não se discutem. Realmente não se discute porque não vale a pena qualquer discussão sem fundamento, porém, levar a mensagem do Espiritismo é obrigação do Espírita bem-intencionado.
Finalizando pergunto: - Será que ainda temos medo de ir para o inferno? Ou ainda nos move a dificuldade de sermos “afrontados” com termos que não faz parte de nossa boa doutrina? Ou será que devemos deixar os outros seguirem seu destino dentro do determinismo que herdaram de suas (nossas) condutas no descaminho do progresso?
Uma coisa é querer enfiar na cabeça dos outros aquilo que os mesmos não estão preparados, outra coisa é fazer prosélitos entre os de boa vontade, afinal – A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina é divulgá-la, não é mesmo?

Portanto, deixemos os orgulhosos incrédulos com suas ideias de duvidável justiça divina que preconizam, e em contraponto, que façamos proselitismo com os prosélitos de boa vontade.
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SETE BELAS LÓGICAS
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)
É vivendo que se aprende, e demora tempo e experiência para aprendermos que felicidade e alegria não estão nas coisas, e sim em nós, em nosso íntimo.
Para alguns a vida parece difícil, não conseguem compreender como é a felicidade e a alegria de viver.
Outros parecem perseguir a felicidade por uma vida inteira, mas não se sentem felizes, parece que não a encontram; por outro lado, uns poucos que parecem nem se preocupar com a felicidade vivem com ela o tempo todo.
A verdadeira felicidade consiste em fazer a felicidade do próximo. Porque somente amando se pode ser amado.
Jesus já ensinava que devemos praticar o amor, da mesma maneira que ele nos amou, doando sua vida como guia e modelo para todos nós.
Você pode e deve ser feliz. Como você é e com aquilo que tem e recebeu por empréstimo de Deus.
O pensador Pascal, que depois de sua morte voltou a escrever através da mediunidade, ditou uma mensagem no ano de 1860, que se encontra no livro O Evangelho segundo o Espiritismo:
“O homem não possui de seu senão aquilo que pode levar deste mundo. O que encontra aqui chegando, e o que deixa partindo, usufrui durante sua estada. Mas, como é forçado a abandoná-lo, resta-lhe apenas o gozo, e não a posse real. Então, o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo, tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais”.
E, dentre as qualidades morais, como humildade, caridade, sabedoria, generosidade, se destaca o amor. Dos sentimentos, o amor é dos mais elevados, que nos aproxima sempre do Criador.
E para nossa reflexão anotei estas sete belas lógicas(1) que falam da serenidade, do desligamento emocional, da confiança em Deus, da alegria de cada dia e da felicidade:
1. Faça as pazes com o seu passado, assim você não estragará o seu presente. O passado é irrecuperável, mas reparável no presente.
2. O que os outros pensam de si não lhe diz respeito. Você é senhor de seu destino e fruto de suas escolhas.
3. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo. Confie em Deus, mas perdoe. Ele é o remédio perfeito.
4. Ninguém é motivo para sua felicidade senão você mesmo. Coloque a felicidade ao alcance do seu coração, viva com simplicidade e cultive o amor como se cultiva a flor.
5. Não queira comparar sua vida com a dos outros. Você não tem ideia de como foram os caminhos deles. Cada um escreve sua história.
6. Não se aflija com os problemas. Você não precisa saber todas as respostas. Você vai encontrar a solução no próprio problema, com calma.
7. Sorria, pois você não tem todos os problemas do mundo. Mas tem a filiação divina e Ele sempre tem respostas e o recurso para você ser melhor.

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MORTE É VIDA
(Altamirando Carneiro)

Conhecia a Humanidade naquele momento um dos mais extraordinários fenômenos jamais vistos. Anunciava-se a ressurreição de Cristo e com ela a confirmação da inexistência da morte. Limitado pela ineficiência dos órgãos físicos da visão, habituou-se o Espírito encarnado a sofrer imensamente perante seus entes queridos que partem, achando que, por não poder vê-los, se ausentavam permanentemente de seu convívio.
“Por que procurais entre os mortos aquele que vive?” (Lucas, 24:5).  Por que procuramos os nossos que nos antecederam na grande viagem para o Além, entre os mortos? Jesus, que disse ser o Caminho, a Verdade e a Vida, não nos mostrou, de forma cabal e irrefutável, que a morte não passa de ilusão? Não nos mostrou que a vida continua e que outro mundo se descerra para além dos nossos sentidos?
Imaginemos uma criança que desde os primeiros momentos de sua vida no corpo físico tivesse o dom da vidência, não havendo para ela a separação entre o mundo de cá e o de lá e mesmo quando alguém morresse ainda assim continuasse a ver o Espírito do que havia partido. Como poderia ela aceitar a existência da morte?
Fora do corpo, o Espírito vibra num diapasão que os nossos olhos físicos não têm capacidade de captar e o que não se vê, muitas vezes é entendido como se não existisse. Há mais vida fora do corpo do que podemos imaginar. As limitações impostas pelo corpo deixam de existir e o Espírito, até mesmo o medianamente evoluído, adquire uma liberdade de movimentos que lhe permitem volitar, ou seja, voar, à velocidade do pensamento. Pode estar ao lado dos que ama num átimo de segundo.
Muitas vezes o Espírito desencarnado está ao nosso lado, quando lamentamos a sua ausência. Extasia-se com a beleza do mundo em que vive e compreende que o planeta Terra é apenas cópia do que de extraordinariamente belo existe em seu novo habitat. Ouve melodias inebriantes espalhadas pelo ar. As cores adquirem vida e as flores irradiam sons e perfumes, frente a tudo o que de belo vê, sente a necessidade de se curvar perante o Artífice do Belo e da Natureza.
Ao querer compartilhar da felicidade que sente no novo mundo, volta a sua atenção para os que ficaram e pede autorização, vem para junto deles, para lhes dizer que não lhe lamentem a morte, porque morto não está. Sabe da eternidade da vida, quer orientá-los para que trabalhem em favor próprio, a fim de conquistarem as condições necessárias para usufruírem de todas as belezas que ele, Espírito desencarnado, encontrou. Usando da intuição, insufla-lhes a ideia de que o caminho é a vivência do Evangelho trazido por Jesus. Que só crescemos quando nos doamos e que, repartindo-nos com os outros, diminuímos os nossos defeitos, que entravam a nossa marcha.
A morte nada mais é que a porta para um mundo que se torna tão mais maravilhoso quanto maiores forem os nossos méritos perante a justiça divina, méritos esses que adquirimos nas lutas diárias e na vivência do amor. A fuga a essas lutas ou mesmo a antecipação do nosso retorno, o que nos transformará em suicidas, nos fazem contrair dívidas maiores e consequentemente retardam a captação de tudo de belo que nos está reservado.

Devemos lutar sempre a boa luta, que é a de aproveitarmos o momento a que chamamos agora, para semearmos o bem à nossa volta. A morte não existe e é belo o que nos está reservado, se bem soubermos viver. 
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A OBSESSÃO NO CENTRO ESPÍRITA
(Wagner Ideali)
Quando se fala em Obsessão, sempre nos lembramos dos assistidos numa casa espírita. Numa primeira análise, pode parecer que os trabalhadores da casa estejam livres dessa problemática espiritual.
O problema da obsessão é muito mais profundo, porque vem de encontro à psique humana, aos nossos sentimentos, comportamentos, e tudo isso nos afeta muito além do corpo físico, atingindo nosso perispírito e, portanto, chegando ao nosso Espírito.
Dona Mercedes procurou uma casa espírita para encontrar uma solução para seus desequilíbrios, conflitos internos, através do conselho de uma amiga. Provavelmente Dona Mercedes estivesse com um problema de obsessão, o que iria provocar algumas mudanças em sua vida.
Ela foi em busca dessa salvação e, através dos tratamentos espirituais, junto com o tratamento médico, procurou assistir às palestras, realizar cursos e tudo o que uma casa espírita bem dirigida tem a oferecer. Por fim, Dona Mercedes conseguiu a pretendida cura.
Estava muito feliz, pois encontrara o caminho que tanto procurara: uma doutrina de paz, amor, muito trabalho, com um ensino lógico e profundo sobre os problemas que se lhe apresentaram. Ela, agora, trabalhando na seara espírita há alguns anos, se sentia muito bem e, por que não dizer, realizada nesse quesito de sua vida.
Um bom período se passou...
Tudo estava perfeito até o momento em que começaram a chegar os testes que a espiritualidade procura realizar nas nossas vidas para avaliar se estamos realmente vivendo os ensinamentos recebidos.
Num determinado trabalho do qual participava, o Sr. Osvaldo, dirigente do trabalho, chamou-lhe a atenção para que corrigisse um comportamento inadequado durante uma atividade executada e sugeriu a ela que fizesse um tratamento espiritual para se equilibrar, pois realmente estava precisando deste tratamento. Dona Mercedes se sentiu “ofendida” com a colocação do companheiro de trabalho: “onde já se viu isso, eu, uma trabalhadora da doutrina, precisar de tratamento? Isso é coisa para assistido e não para mim”. A falta de polidez do companheiro de trabalho, aliada à suscetibilidade ferida de trabalhadora da casa, acabaram por levá-la a um sentimento de revolta.
Começou nesse momento um desiquilíbrio que, se não interrompido pela humildade em reconhecer a necessidade de ocasionais tratamentos e entender ela o seu colega trabalhador, perdoando-o pela forma não muito elegante com que lhe foi colocada a situação, esse desequilíbrio, passo a passo, poderia causar uma perturbação espiritual que, se não tratada, evoluiria para uma obsessão. Não foi o caso de Dona Mercedes, mas, em alguns casos, chega-se à Fascinação, e o trabalhador pode perder o total controle sobre si mesmo, vivendo uma realidade à parte.
No momento, o trabalhador não é capaz de perceber o envolvimento perturbatório dos irmãos inferiores e isso pode transformar-se numa perturbação muito grave. A Fascinação, como nos ensina Kardec, é um estágio muito perigoso para o trabalhador da Doutrina espírita.
O trabalho espiritual fica comprometido, os resultados esperados ficam aquém do que se espera, tanto no mundo físico como no espiritual.
O resultado foi a Dona Mercedes se afastar do trabalho, e, sem perceber, acabou voltando ao ponto de partida, quando se iniciou na casa espírita.
Jesus nos ensina que devemos Orar e Vigiar, e esse ensinamento se aplica a todos nós, trabalhadores e assistidos numa casa espírita. Caridade no falar e caridade no ouvir.
Depois dos desequilíbrios e de alguns sofrimentos, Dona Mercedes foi realizar novamente o tratamento, seguindo toda a caminhada inicial para, então, poder voltar ao trabalho, reconhecendo a necessidade de vencer o orgulho, a vaidade e desenvolver sempre a humildade e a paciência, com muito amor.
Seu Osvaldo também aprendeu a lição da caridade no falar.
Assim, na casa espírita, dia após dia vamos aprendendo as lições de Jesus no fundo do nosso ser, no encontro do trabalho que se nos apresenta como mola propulsora para o desenvolvimento espiritual e, por fim, para a nossa tão almejada evolução.

Estudar sempre é uma lei, mas viver esse estudo, dia após dia, nos ensina o Grande Mestre de Lion, Allan Kardec.
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OS PROBLEMAS RESULTAM DOS DEMÔNIOS
(Marcus Vinicius de Azevedo Braga)
Vá lá, ilustre leitor, desculpe, mas esse foi um título somente para chamar a sua atenção, utilizando-me de um apelativo duplo sentido... Um artifício, dada a aridez do tema. Não, não se trata de um texto evangélico e nem da culpabilização de entidades extracorpóreas voltadas ao mal de nossas mazelas terrenas. Contrariando o senso comum atual, os demônios a que se refere o presente texto são outros...
Falamos aqui dos demônios interiores, que nos consomem dias a fio. Alimentados das nossas tristezas, frustrações, medos e arrependimentos, são filhos dos fantasmas do passado desta e de outra vida, e que arrastamos em nossas mentes, como uma tormenta que nos conduz aos consultórios médicos, às clínicas terapêuticas e às casas espíritas, na busca de uma solução ou, quiçá, de um alívio a esse fardo.
Cada um tem os seus, em maior ou menor lotação e, por vezes, nos vemos dominados por eles, em uma possessão de dentro para fora e que termina por atrair outras consciências que, utilizando dessas nossas sombras, nos fazem sofrer. Um sofrimento oriundo do medo da própria dor, do remorso de decisões e da decepção com a nossa fraqueza diante dos desafios que se colocam em nosso caminho de crescimento espiritual.
Vai o remédio, o tratamento espiritual, a conversa, a reflexão e assim vamos conseguindo domar nossos demônios interiores, à espera de mais uma crise, uma emersão que os traga à superfície, a nos infernizar. Muitos buscam soluções químicas, ou a violência da revolta, outros ainda perseguem santos e gurus, mas eles ainda sim continuam lá, impressos em nossa alma, nos lembrando de sua existência.
Vencê-los? Ignorá-los? Superá-los? Acho melhor entendê-los... dialogar com eles, buscar compreender a sua dimensão, as suas raízes e, contando com a ajuda de amigos, profissionais e dos Espíritos amigos, buscar a sua transcendência. Trazê-los para o seu papel de melhoria, de aguilhão que nos impulsiona na insondável estrada da evolução.
O remorso de algo negativo reclama a reparação... A tristeza demanda o recomeço construtivo... A frustração nos leva a refletir sobre como o orgulho nos faz subestimar a nós mesmos... O medo quando bebe da fé sincera e coerente encontra rachaduras em seus alicerces... De cada fantasma, de cada sombra, temos na encarnação a oportunidade de trabalhá-los, fazendo luz, sem mágicas ou milagres, mas de maneira produtiva, que não os permita vencer, mas que não os extermine, pois são parte de nós e têm seu papel nessa narrativa.
Necessitamos crescer com os nossos demônios interiores, sem que nos consumam. Precisamos entendê-los como uma carta do passado que precisa ser reescrita.  Construídos de fatores de nossa história, esses algozes interiores alimentam e são alimentados por nossa e por outras mentes, chamados erroneamente de demônios, e que são um reflexo dos interiores conhecidos de outros cenários, e que precisam de nossa ação firme e produtiva para também se libertarem, na magia reencarnatória da reconstrução de laços.
Paliativos são válidos... Mas a luta interior, o bom combate no amadurecimento psicológico, este não pode ser abandonado. Afinal, nossos problemas residem nos demônios anteriores, que nada mais, nada menos são do que o homem velho que está lá, oculto, ruminando suas questões e buscando chegar à superfície. E para essas lutas, além das citadas ajudas da clínica, do hospital e do passe, temos outras ferramentas imprescindíveis, como a palavra amiga e o bem desinteressado, todos eles elementos fundamentais nesse processo de reconstrução, a remexer o decantado lodo de nosso ser.

Nosso interior, visto como porão ou como universo, é parte de nós, um local que não vive apenas de lógica positivista, mas também de sentimento, e que interage constantemente com o mundo exterior, pelos sentidos conhecidos ou não, e se reconceitua a cada dia. Quando acabar a romagem terrestre e nos despirmos dessas vestes carnais, será esse interior que sobrará, e nos veremos mais amiúde, de forma inevitável, com os demônios com os quais ignoramos dialogar, nos balanços periódicos entre uma encarnação e outra.
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UM OLHAR ESPÍRITA SOBRE A ADOÇÃO
(José Antônio V. de Paula)
Estou escrevendo este artigo na data em que se celebra o Dia da Adoção. Para nos fundamentarmos para a reflexão sobre o assunto, recordemos o início do diálogo entre Jesus e Nicodemos, registrado no capítulo 3, versículos de 1 a 17, do evangelho de João.
Narra o evangelista que havia um fariseu chamado Nicodemos (nome que significa: homem do povo), que era uma autoridade entre os judeus e que foi ter com Jesus certa noite, quando afirmou: “Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais miraculosos que estás fazendo se Deus não estiver com ele”, e antes que fizesse qualquer pergunta Jesus lhe disse: “Em verdade vos digo que ninguém poderá ver o Reino dos Céus se não nascer de novo”.
Nicodemos estranha aquela informação e, porque tinha compreendido que o mestre lhe falara de voltar à carne, questiona: “Como alguém velho como eu poderia entrar de novo no ventre de sua mãe?”.
O Messias então lhe responde: “O que nasce da carne é carne, o que nasce do espírito é espírito”. E continuam o diálogo...
Hoje é celebrado o Dia da Adoção. Mostrando perfeita sintonia com esse ensinamento do Mestre, os Espíritos superiores responsáveis pela codificação do Espiritismo afirmam a Allan Kardec que não é o Espírito que dá a vida ao corpo físico, mas que apenas o anima, o habita. Quem dá a vida ao corpo é o “fluido vital”.
Assim que um novo corpo é concebido, à medida que suas células vão se multiplicando, essa nova vida vai absorvendo das Energias Cósmicas uma energia específica que manterá a vida desse organismo que se forma, dando, com isso, a condição de um Espírito vir nele habitar, ligação essa, entre espírito e corpo, que já se inicia desde o momento da concepção, conforme nos ensinam os Espíritos superiores. Daí porque o espírita ser completamente contra o aborto.
Da mesma forma, não é porque o Espírito se retira que o corpo morre. Ao contrário, é porque o corpo morre que o Espírito tem de deixá-lo. Confirmando com clareza as palavras de Jesus de que o que é carne é carne, o que é espírito é espírito.
Segundo os Espíritos superiores, o Espírito é criação divina e se dá em outro lugar e não no instante da criação do corpo. O casal que se une apenas gera o organismo físico que servirá ao Espírito que nele vier habitar.
Segundo ainda os orientadores da codificação, quem designa qual Espírito virá habitar o corpo que se forma são entidades espirituais sábias, que trabalham junto aos orbes habitados, colaborando com a obra divina, através de leis específicas. Assim, o Espírito que virá viver na Terra junto a uma família normalmente é alguém que já tem laços anteriores com a mesma, laços esses que podem ser de simpatia ou mesmo de animosidade, vindo com a tarefa da reconciliação. Dizem ainda os benfeitores que é possível que o Espírito que reencarna possa não ter ligações anteriores, mas que venha por necessidades particulares, de maneira que esse primeiro encontro possa ser útil a ambos. Pode ser um Espírito que venha com uma tarefa da qual tenha que desincumbir-se na região onde vive a família que o acolherá.
Voltando ao tema Adoção, a conclusão que podemos tirar com tranquilidade e convicção é de que, independente de qual seja o ventre por onde deva vir a criança, o Espírito que ali reencarna deverá juntar-se à nova família que a adotará, ambos atraídos por leis divinas que tudo provê.

Então, quando estivermos sendo intuídos a adotar uma ou mais crianças, lembremos sempre: O que é carne é carne, o que é espírito é espírito.
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DE MÃOS DADAS COM A RESSURREIÇÃO, A VERDADE BÍBLICA DA REENCARNAÇÃO
(José Reis Chaves)

Ouve-se muito de quem ainda não crê na reencarnação a frase: Eu não creio na reencarnação porque minha religião não permite. Quem diz assim não pensa, deixando que a sua religião e seu líder religioso pensem por ele, estando, pois, encabrestado mentalmente!
Mas será que sua religião e seu líder são infalíveis? Nem a religião mais importante do mundo e seu papa estão conseguindo manter a crença de que eles são infalíveis!
Jesus é salvador do mundo ou só dos adeptos da sua igreja?  Ele disse que não veio para julgar o mundo, mas para salvar o mundo (João 12: 47).  E Ele falou na porta estreita, símbolo da salvação ou libertação, na qual não é fácil passar. Só passa por ela quem merece transpô-la, embora muitos queiram atravessá-la (São Mateus 7: 13). E eu digo que muitos, por enquanto, nem querem passar por ela, mas vai chegar o primeiro momento de eles quererem também transpô-la e não vão conseguir. Porém chegará também o seu momento de vitória no tempo sempiterno de atravessá-la. Realmente, todos, por muitas vezes, vão poder tentar sucesso nessa passagem, e, um dia, o conseguirão, pois a misericórdia divina é infinita, não cessando jamais. Além disso, Deus não quer que nenhum de seus filhos se perca (São Mateus 18: 14). E para que essa vontade de Deus se cumpra só uma coisa é necessária, ou seja, o citado fator tempo sempiterno, para o que o Espírito é também imortal e tem as suas inúmeras reencarnações.
Quem pensa que, com o fim do corpo, seja o fim também da oportunidade da libertação, está agindo como um materialista, para quem a nossa existência termina no túmulo. E está negando também a misericórdia infinita de Deus, pois põe limite nela, e está igualmente indo contra a vontade de Deus que, como dissemos, quer a salvação de todos, já que Ele não faz acepção de pessoas, amando por igual todos os seus filhos, inclusive até os maiores pecadores. E o Nazareno não veio para os sãos, mas para os doentes.
A reencarnação não é contra a ressurreição, pois ela própria é também a ressurreição. Se um aluno toma bomba na escola, ele terá novas chances. E por que Deus, que é infinitamente amoroso, onipotente e sábio, não daria novas chances aos seus filhos que “tomam bomba” na escola do progresso do Espírito, que é neste nosso mundo? E se os Espíritos vieram aqui, pela primeira vez, para começarem a sua evolução em busca da perfeição semelhante à de Deus, com mais razão eles continuarão vindo aqui, outras vezes, até que, um dia, eles possam libertar-se das mazelas da ignorância e do sofrimento.
Cerca de 90% dos católicos já creem na reencarnação. Ela só foi retirada do Cristianismo no ano de 553. (Para saber mais, recomendo meu livro “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 8ª Edição, Ed. EBM, SP.)

A reencarnação e a ressurreição estão mesmo de mãos dadas. O Espírito até ressuscita, muitas vezes, no mundo espiritual (Eclesiastes 12: 7) e também na carne, quando reencarna, até que um dia ele ressuscite definitivamente num mundo ditoso!
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RELIGIÃO É RELIGAR-SE A DEUS?
(Arnaldo Ramos de Oliveira)

“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles.” (Mateus – Cap. 18 v. 20.) (Bíblia de Jerusalém página 1737 – 2011.) – (Optamos por essa tradução porque não existe a condicional de pessoas, isso nos permite ter uma visão espírita, sejam encarnados e/ou desencarnados.)
Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! Sem dúvida, Senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, (...).
Por que, pois, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que não há senão uma palavra para expressar duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; que ela desperta exclusivamente uma ideia de forma, e que o Espiritismo não a tem. Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, querendo-se, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo, e dos abusos contra os quais a opinião frequentemente é levantada.
Em sendo assim, como não temos outra palavra para expressar, podemos, sem problemas maiores, dizer sim, Espiritismo é Religião.
(...) O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria se ornar de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral.
(...) enquanto ficarmos presos às formas da acepção das palavras, das atitudes que na maioria das vezes são inconvenientes; presos ao exterior e, presos a mandatários que de uma ou outra inexorável maneira se impõem e se põem a fazer da Doutrina um trampolim para uso “abusivo” de sua tola vaidade. (Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos, Sociedade de Paris, 1º de novembro de 1868- Revista Espírita de dez.1868.)
Vamos combinar? De ordinário, muito vem acontecendo isso no movimento espírita – O paralelo de hierarquias? Sem falar na tentativa de engessar espíritas com minúsculas apostilas disso ou daquilo. Aí pergunto: – Esta prática não tem induzido o principiante espírita a considerar-se como conhecedor da Doutrina Espírita? Qualquer apostila por mais bem elaborada que seja é o resumo; o resumo de uma doutrina completa pelos seus inegáveis princípios cristãos – Doutrina que deve ser estudada e compreendida analiticamente (no dizer de Kardec: - de forma metódica, longa e séria) e não sinteticamente, e que permite ao homem enriquecer-se de ensinamentos –, pelo dinamismo próprio da codificação na percepção de novos ensinamentos que jorram do alto de forma esplendorosa despida de preconceitos; pois a mesma é a Doutrina dos Espíritos, no dizer de Emmanuel, Religião dos Espíritos. Aliás, Religião dos Espíritos foi o primeiro nome dado a essa obra. Saudades de meu tempo de mocidade: usávamos o método de estudar O Livro dos Espíritos em consonância com outras obras, a saber: A Gênese – 1ª Parte; O Livro dos Médiuns – 2ª Parte; O Evangelho segundo o Espiritismo – 3ª Parte; O Céu e o Inferno – 4ª Parte, complementando com a Revista Espírita.
Esclareço que esse comentário está embasado no esvaziamento dos estudos após essa introdução do principiante no paradigma – Amai-vos e Instruí-vos.
Contudo, voltemos ao foco de nossas reflexões? Expositores há que divulgam que a palavra religião quer dizer religar-se a Deus. Duvido que alguém tenha conseguido essa façanha, desligar-se do Criador. E o tropismo Divino onde fica?
Com essa colocação (estranha no meu entendimento) somos indevidamente remetidos, a retornar à época de Lúcifer, o anjo decaído. Prestando atenção, esse artigo na Revista Espírita, tem como frontispício a mensagem de Mateus: – “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles”.
Busquemos em Kardec o entendimento:
(...) Jesus no-lo indica pelas palavras (...) resultado produzido pela comunhão de pensamentos que se estabelece entre pessoas reunidas com um mesmo objetivo.
Mas compreende-se bem toda a importância desta palavra: Comunhão de pensamentos? Seguramente, até este dia, poucas pessoas dela se fizeram uma ideia completa. O Espiritismo, que tantas coisas nos explica pelas leis que nos revela, vem ainda nos explicar a causa, os efeitos e o poder desta situação do Espírito. Comunhão de pensamento quer dizer pensamento comum, unidade de intenção, de vontade, de desejo, de aspiração. (...)
Existem explicações em dicionários de etimologia de palavras a respeito de religião, contudo, conclui-se que
O termo Religare é utilizado como um ato de “voltar a unir” o humano com o que era considerado divino.
Outrossim, analisemos: voltar a unir o humano com o que era considerado divino; teria melhor forma de fazer isso que “Fora da Caridade não há Salvação”?
Nesse mesmo artigo Kardec aborda o pensamento e a comunhão de pensamentos no sentido de amar ao semelhante conectando-se com a divindade.

 “Religião, como se pode entender pelo que clarificou o codificador, não é religar-se a Deus, mas é a maneira que Deus proporciona ao homem religar-se ao homem”. Religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção larga e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças. “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.” (Qual é a verdadeira religião? - Amar-vos uns aos outros. – Espiritismo em Cadiz – RE Nov. 1868.)
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DEUS É UM PAI ACOLHEDOR
(Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo)

A oração é nosso contato com o Criador, e devemos manter esse diálogo diariamente, não até que Deus nos escute, mas até que possamos ouvir Deus.
Nenhuma oração é esquecida, todas as petições são ouvidas – a resposta de Deus demanda o tempo do nosso merecimento.
Se estamos confiantes em Deus, nunca estaremos sós – é da sua lei que gravitemos em torno de seu amor.
Se é verdade que Deus não escolhe pessoas, pois somos todos filhos de sua criação, tenhamos certeza de que, na prática da caridade e da fraternidade, Ele nos prepara e capacita para o bem.
A fé humana mostra onde podemos chegar – a fé divina nos leva mais próximos de Deus. Não se importe se outros não acreditam; tenha certeza de que Deus acredita em todos nós – Deus entra onde encontra as portas do coração abertas.
Deus sempre dá uma segunda, uma terceira e múltiplas chances para seus filhos – Ele estabeleceu a lei da pluralidade de encarnações corporais, e uma vida espiritual imortal.
A vida e o livre-arbítrio são uma dádiva do Criador – e a forma como vivemos nossa vida e realizamos nossas ações é que pode nos trazer essa dádiva, essa graça e vitória.
Viva com as pessoas como se Deus estivesse não apenas a ver e ouvir você, mas também a partilhar com você e a estimular você, compreendendo que Ele é o legislador perfeito, e que temos suas leis inscritas em nós, em nossa consciência.
Se você pensa em Deus e na manutenção e conquista da sua saúde, desenvolva-se espiritualmente.
O prazer físico pode ser o complemento do sentimento, mas isso não basta para o seu equilíbrio emocional e espiritual – é necessário viver o amor em sua plenitude.
A alegria de se doar é maior que a de receber.
O orgulho e a autossuficiência atrapalham a nossa vida.
Somos todos irmãos, precisamos do próximo e de Deus e não podemos exigir a perfeição de ninguém. Aprendamos a aceitar as pessoas como elas são.
Assim, entendamos que Deus, o Criador de todas as coisas, causa primária de tudo o que existe, não está limitado à humanidade, ao planeta Terra ou à nossa Via Láctea. Ele abrange todas as coisas, todos os seres vivos, inteligentes ou não, do Universo.

Vá com calma, se cuide e use dos recursos da oração e do perdão para viver melhor aqui e com Deus.
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Ingratidão dos filhos. Como superar?
(Wellington Balbo)
Dia desses recebi e-mail de uma mãe alegando sofrer demais com a ingratidão do filho. Estava ela numa cadeira de rodas, com o pé quebrado, e o rapaz, forte e saudável, recusou-se a ajudá-la. Naturalmente que, como mãe e ser humano que é, ficou chateada a indagar:
Que fiz eu, meu Deus, para merecer filho tão ingrato, que em nada ajuda a mãe, mesmo quando ela necessita?
Santo Agostinho, em O Evangelho segundo o Espiritismo, dá-nos sábias lições em mensagem intitulada - A ingratidão dos filhos e os laços de família.
Diz-nos o Espírito de Agostinho que Deus não faz provas superiores às nossas forças, e que podemos vencer o complicado desafio da ingratidão dos filhos.
Indica deixarmos de olhar apenas o presente e voltarmos os olhos ao passado para, com a ideia das múltiplas existências, encontrarmos um consolo e forças para prosseguir.
Pois bem, não é tarefa fácil deixar de esperar reconhecimento, ainda mais de alguém tão ligado a nós pelos laços do coração e do sangue, como os filhos.
O próprio Agostinho reconhece como são complicados os assuntos pertinentes ao coração. Muito mais difícil enfrentar a ingratidão do que a mesa escassa.
Seria mesmo grande ingenuidade considerar que não brotará um mínimo de decepção no indivíduo que recebe a indiferença, quando não a aversão de alguém tão querido.
Entretanto, vale lembrar que estamos no Planeta Terra, orbe de provas e expiações, e, portanto, o impossível é Deus errar. Logo, ingratidão, venha de quem vier é sempre algo possível e até comum de acontecer.
Aliás, eis a vida mostrando isto em todos os instantes.
O grande ponto é aprendermos a lidar com ela, a ingratidão, principalmente dos mais caros a nós.
Ou, melhor, iniciarmos o processo de não esperar nada, absolutamente nada de quem quer que seja.
Como fazer isto?
É um trabalho íntimo que requer muito esforço, porém, é possível realizá-lo.
Evoluir de tal modo que nosso agir seja sempre no bem, independentemente do que outras pessoas irão pensar ou falar, até porque isto não nos diz respeito.
Treinar o desapego do reconhecimento, pois será isto que nos dará a independência do “Obrigado”.
E buscar modificar a visão de caridade.
A caridade que praticamos, o amor que doamos, as provas de renúncia e abnegação, o suor que vertemos em benefício alheio, em realidade, ajuda muito mais a nós do que ao outro, pois somos sempre os primeiros beneficiados pela caridade praticada.
É como consta em O Evangelho segundo o Espiritismo, na mensagem de Lázaro denominada “O dever”. O dever, em primeiro lugar, é para comigo, depois com o outro. Ora, se o dever é para comigo, então, vou estender minha mão ao outro, pois será assim que trabalharei pela minha própria evolução.
Quem acende em si a luz da caridade ilumina quem está ao redor e jamais ficará imerso nas trevas.
Portanto, agradecer é dever de quem recebe, mas nem todos cumprem o dever.
Entretanto, não esperar gratidão, reconhecimento ou mesmo um mero obrigado é o antídoto para livrar-se da decepção.
Tornar a prática do bem um hábito, de tal modo que dia chegará em que agiremos no bem sem perceber, e de forma tão espontânea que agradeceremos quando recebermos e não cobraremos quando beneficiarmos...
Assim, livres de nos sentirmos vítimas da ingratidão alheia, seguiremos nosso caminho sempre fazendo o bem, não por recompensa, mas porque é um hábito que adquirimos com muito treino e vontade de gozar um pouco de liberdade que só o bem nos concede.

Pensemos nisto.
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O PRINCÍPIO DE SERVIR
(Anselmo Ferreira Vasconcelos)

Não é difícil constatar que a gigantesca maioria dos humanos atualmente encarnados enfrenta consideráveis dificuldades para vivenciar o Evangelho de Jesus. Não me refiro aqui aos ainda aparentemente impraticáveis imperativos de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”, tão bem endereçados pelo Messias. As evidências coligidas na experiência do dia a dia nas sociedades humanas demonstram clara dificuldade de se encarar os semelhantes sequer sob os olhares abençoados da empatia, respeito e comiseração.
O princípio de servir, tal como proposto pelo Mestre, denota profunda maturidade espiritual: “E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo” (Mateus 20:27). Note que o Mestre alude ao natural desafio de quem busca muito mais do que as oscilantes e fugidias conquistas humanas. No dicionário Houaiss, a propósito, encontra-se a explicação de que servo expressa a posição de quem “obedece ou serve a alguém” ou aquele “que faz ou presta serviços”, particularmente a Deus no caso sob apreço.
Portanto, entendido na sua acepção mais ampla, a recomendação divina abarca o desejo consciente de acolher, ajudar, amparar, assistir, auxiliar, curar, cooperar, ensinar, elucidar e ouvir os nossos companheiros de jornada, entre outras tantas iniciativas benfazejas. Mais ainda, o convite formulado por Jesus às criaturas humanas permanece intacto, inspirando à mudança de atitudes e conduta na direção do bem, especialmente diante das onipresentes tragédias, dores e dificuldades observáveis na paisagem terrena.
No entanto, é surpreendente observar que as instituições e pessoas igualmente tropeçam ou mesmo desprezam a elevada recomendação de servir dignamente os seus interlocutores – não raro, os responsáveis pelas suas sobrevivências ou razão de existir. Por toda parte se observa um quase solene desprezo pelas necessidades e problemas dos outros. De fato, são criadas dificuldades de toda sorte que acabam quase sempre tornando a vida mais dura e as experiências mais sofríveis.
Lidar com burocracia desmedida, mau humor constante de atendentes/funcionários, má vontade e insensibilidade crônicas, excessiva lentidão no atendimento/providências, sistemas de trabalho inflexíveis (dificilmente alguém poderá fazer uma queixa, por mais justa que seja, a um SAC, sem fornecer o seu número de CPF, RG, telefone celular etc.) são coisas corriqueiras de quem precisa solucionar algum problema. Quem nesse mundo já não passou por alguma situação em que o “espírito de desserviço” não estava claramente presente?
No entanto, o exemplo de Jesus continua a desafiar o escopo e a qualidade do papel por nós desempenhado – seja ele qual for – nesse mundo: “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28). É fascinante que o Mestre tenha assim se posicionado. Logo ele que já havia alcançado a perfeição evolutiva não se furtou ao sacrifício de retornar ao escafandro corpóreo pelo desejo sincero de servir amorosamente à humanidade com todas as suas misérias éticas e morais.
Fez ele, aliás, absoluta questão de vivenciar os seus ensinamentos para que guardássemos no imo de nossas almas os seus exemplos dignificantes. No tópico sob análise, pode-se afirmar que ele nos proporcionou uma das lições mais ricas a respeito do que a espiritualidade espera de nós. Desse modo, podemos inferir que o imperativo de servir à humanidade nos convoca à ação benéfica, produtiva, apaixonada, sincera e desinteressada, praticamente todos os dias de nossas vidas. Afinal, quem está impossibilitado de fornecer uma réstia que seja de boa vontade, atenção, esforço, respeito e empatia nas relações humanas?

O apóstolo Paulo, nesse sentido, foi extremamente feliz ao ressaltar: “Servindo de boa vontade, como sendo ao Senhor, e não aos homens” (Efésios, 6: 7). Mas mesmo devotando as nossas melhores possibilidades em favor do próximo não estamos imunes a colher algumas decepções e frustrações, que não devem diminuir o nosso fervor. Cabe também acrescentar que ao incorporar o princípio de servir, estamos colocando de lado o nosso eu, as nossas necessidades particulares, os nossos problemas, enfim, que normalmente tangenciam o egoísmo, e nos engajando, por extensão, em algo muito maior. É certo também que, em assim procedendo, estamos efetivamente trabalhando para um mundo melhor e cooperando, de fato, na seara divina. 
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CERTEZAS DO POETA E DA LEI
(Fernando Rosenberg Patrocínio)

Quem, dentre nós, nunca ouvira falar de Francisco Otaviano de Almeida Rosa (1825 – 1889), advogado, escritor e brilhante jornalista, que fora também Deputado, Senador e Diplomata? É considerado, com louvor, um dos patronos da Academia Brasileira de Letras. Todavia, se ainda não ouviu falar do eminente letrista, certamente conhece algo de uma sua tocante e célebre poesia do nosso cotidiano de lágrimas:
Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.
E o fato é que a Dor, nas suas mais diversas nuanças, física ou simplesmente consciencial, ou moral, ou espiritual, é companheira assídua dos nossos passos, sobretudo nos ambientes endividados, de consciências sombrias de um Mundo Provacional, de grandes expiações.
Há quem diga que alguns elementos são invulneráveis à Dor; estudos “comprovaram” que sociopatas, indivíduos egoístas, interesseiros e manipuladores, bem como homicidas frios e calculistas, são insensíveis a ela, estando isentos das cobranças de sua consciência que não lhes pede um ajuste de contas, um acerto social. E, dir-se-ia: “felizardos, por imunes que são”. Entretanto, não acredito, de forma cabal, completa e absoluta, em tais “comprovações” e, por isso, minhas aspas.
Óbvio que alguns indivíduos de consciência rastejante, ou seja, de patamares evolutivos mui baixos e mui grosseiros, quiçá, até se sintam mais confortáveis, psicologicamente, diante do que resulte dos seus atos cruéis e violentos; mas chegar ao absurdo de que tais elementos não sentem pesar, de que tais pessoas não sentem a dor consciencial, de que tais indivíduos sejam imunes às cobranças de retificação de seus erros, vai uma distância enorme, pois que todos, do mais alto ao mais baixo nível de espiritualidade e de humanização, sentem algum grau perceptivo da dor, da cobrança consciencial, pois que, do contrário, a Lei de Deus, feita para todos, indistintamente, estaria, de certa forma, sendo derrogada por alguns poucos e aplicada à maioria deste Mundo infernal, feito de lágrimas e de dores, a que nos sujeitamos como filhos da Consciência Maior, que espera do criado a consciência reta, isenta de falhas, rumo à perfeição.
Afirma-se, e não duvido de tal, que a dívida pode até ser transferida no tempo, mas terá de ser quitada sempre, pois que tal é o ditame da Soberana Lei. Entretanto, isto não quer dizer que nossa consciência não faça suas cobranças, que não nos recorde os crimes, que não nos mostre o abismo de nossa criação, pois na consciência se instala o Tribunal do Supremo, que aguarda, com paciência, nosso arrependimento, mas também nos exige o condigno resultado da expiação.
Creio, sim, que o Tribunal de Deus encontra-se instalado em nossa consciência palingenésica, perene e imortal, havendo, pois, diversificados níveis da mesma, não excluindo e não exonerando, em tempo algum, quem quer que seja, pois que a Perfeita Lei não distribui privilégios ou favorecimentos, não promove conluios ou negociatas a benefício de uns e prejuízos de outros, pois que se firma na Ordem, na Justiça e no Merecimento, não se dobrando às dívidas do filho infrator. 

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SETENTA
(Marcus Vinicius de Azevedo Braga)
Perguntado sobre quantas vezes deveria perdoar cada ofensa, na busca da confirmação do adágio que preconizava perdoar apenas sete vezes, Jesus responde que não sete, mas setenta vezes sete. Nos nossos burocratismos, queremos então buscar uma regra matemática do perdão...
A multiplicação é uma operação fundamental que faz um número ser somado a ele muitas vezes, em uma expansão geométrica, de maior amplitude. Multiplicar é aumentar em muito e Jesus ao responder o setenta vezes sete quis dizer algo como por “quantas vezes for necessário”.
E no caso específico do perdão, podemos interpretar que ele respondeu o seguinte: façamos todo esforço possível e imaginável para prevalecer o amor, ali materializado pelo perdão. Ou seja, que sejam setenta vezes sete, ou seja, muitas e muitas vezes, não querendo nessa análise que Jesus naquela época utilizasse conceitos abstratos e concretos como o infinito.
A mensagem do setenta vezes sete é bem maior do que o conceito do perdão. A mensagem é que pelo amor, pelo bem de nosso próximo, pelo crescimento, devemos envidar todos os esforços possíveis, sete, setenta ou quatrocentos e noventa vezes, insistindo na ideia do bem, com fé no ser humano, como obra de Deus na busca da perfeição. Essa lógica se aplica a vários setores da atividade espírita.
Alguns trabalhos assistenciais lidam com a chamada população de rua, pessoas que habitam as vias urbanas e padecem de carências não apenas materiais, mas de problemas de socialização e, por vezes, desilusões com a vida. Nestes, a ideia do setenta vezes sete se faz mais incisiva, na nossa insistência com aquele irmão que já entregou os pontos. Diante das dificuldades, mais amor, e com paciência. Paciência pois os avanços espirituais se fazem de forma tímida.
Da mesma forma, trabalhos envolvendo pessoas com deficiência demandam do trabalhador espírita esse sentimento de que temos que insistir na lição, fazer e refazer até onde for necessário, na ideia do setenta vezes sete. Avanços lentos, dificuldades de compreensão, um cenário que exige dos abnegados trabalhadores essa percepção de que a luta é morosa.
E por fim, para aqueles irmãos que labutam em comunidades carentes, com seus problemas naturais, a lição do “setenta” é fundamental, para enxergar naquela complexa rede de problemas os avanços e possibilidades. Alegria com pequenos progressos, enxergar o facho de luz tênue na escuridão, são características que nos ensinam a lógica do “setenta”, de insistir, com fé na melhora que virá, pequena, mas relevante.

Obviamente que, como tudo, essa lógica tem um lado negativo. A chamada síndrome de burnout (“queimar por completo” na tradução literal), ou síndrome do esgotamento profissional, se refere à dedicação exagerada a atividades laborais de um modo geral e se caracteriza pelo perfeccionismo e pela necessidade de lograr êxito, típicas de pessoas apaixonadas.
Se faltar o equilíbrio e a paciência diante desses desafios, o esgotamento e a depressão rondam o trabalhador, que precisa ajustar suas expectativas à realidade, o que pode ser promovido pelas atividades de avaliação em grupo, reflexão ou uma mera conversa entre amigos.

Apaixonados, confiantes, com a cabeça nas nuvens, mas com o pé no chão. Investindo no bem não setenta, mas setenta vezes sete, mas enxergando com os olhos de ver os pequenos avanços, resistindo à tentação do orgulho de, no que tange a questões sociais e humanas, tentar resolver tudo de uma vez só.
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SOBRE UM CONTO DE TCHEKHOV
(Cláudio Bueno da Silva)

Ao terminar de ler um conto do escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904),  considerado um dos expoentes da literatura russa, admirei-me com a conclusão que deu à história, pois, coincidentemente, responde com precisão à questão 932 de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec pergunta aos Espíritos por que em nosso mundo os maus exercem maior influência sobre os bons.
O conto foi escrito em 1883. Passo a comentá-lo em seus lances principais.
O patrão chama a governanta do seu casal de filhos para acertar as contas: ela será dispensada. Estabelece-se então entre os dois um “diálogo” terrível, em que a sagacidade do patrão se impõe com enorme crueldade.
Ele diz: – “Ficou ajustado entre nós que seriam trinta rublos por mês”...
A governanta responde: – “Quarenta”...
– “Não, trinta”... – ele retruca. – “Eu tenho anotado”...
Embora a mulher tenha informado que trabalhara dois meses e cinco dias, o patrão lhe informa que os números são inexatos e que receberá pelos dois meses, apenas.
Calada, a governanta acompanha os cálculos mesquinhos e injustos do senhor. Vê serem descontados domingos e feriados em que apenas passeara com o menino. O garoto ficara doente, por isso não estudou; a governanta tivera dor de dente, por isso não lecionou. Os pretextos vão se acumulando juntamente com os descontos que o patrão vai impondo à empregada. Menos isto, menos aquilo...
Ainda sem responder, a mulher o vê lembrar-se de uma xícara cara (relíquia) que ela quebrara na noite de Ano Bom: menos dois rublos; o menino rasgou o paletozinho quando subiu numa árvore: menos dez rublos. 
Ao final, sobraram onze rublos, dos sessenta que ele determinara.
– “Queira receber”.
– “Merci”  – murmurou a governanta, depois de enfiar o dinheiro no bolso.
O conto de Tchekhov termina de modo tão imprevisível que eu prefiro transcrever o curto desfecho como ele o concebeu e que responde àquela indagação de Kardec que citei no início deste texto:
– Mas, por que este merci? – perguntei.
– Pelo dinheiro...
– Mas, eu a assaltei, diabos, eu lhe roubei dinheiro! Por que merci?
– Noutras casas, cheguei a não receber nada...
– Não recebeu nada! Compreende-se! Eu caçoei da senhora, dei-lhe uma lição cruel... Vou lhe pagar todos os seus oitenta rublos! Estão preparados para a senhora, neste envelope! Mas, como é que se pode ser moleirona assim? Por que não protesta? Por que fica quieta? Pensa que, neste mundo, pode-se não ser audacioso? Pensa que se pode ser tão pamonha?
Ela esboçou um sorriso azedo e eu li em seu rosto: “Pode-se, sim!”.
Pedi-lhe perdão por aquela lição cruel e dei-lhe, para seu grande espanto, os oitenta rublos. Pôs-se a balbuciar merci com timidez e saiu do escritório. Acompanhei-a com o olhar e pensei:
– É fácil ser forte neste mundo!
O codificador do Espiritismo pergunta aos Espíritos: — “Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?” A resposta que deram aplica-se perfeitamente ao que se acabou de ler: – “Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância”.
Nessa história pode-se tomar a ingênua e subserviente governanta como representando o “bem”. E o patrão, embora sem maldade, fez-se de “mau” enquanto durou a farsa.
Sendo o homem agente do seu destino, dele depende tomar iniciativas que abrandem os seus males ou os evite. Como não pode esperar que o bem surja do nada, precisará trabalhar para a transformação que deseja.
Espera-se que o homem bom assuma o seu papel e aja conforme sua consciência amadurecida; que lute contra o orgulho, o egoísmo e a ambição, abolindo as necessidades artificiais que criou para si mesmo; que denuncie as injustiças, procurando ser mais justo; que desmascare o preconceito para que todos se sintam iguais; que não idealize, apenas, aquilo que julga certo, mas dê o exemplo prático do que lhe cabe fazer. Só assim os homens maus irão recuando, até serem vencidos pelos bons.
Além disso, é preciso contagiar pelo otimismo, pela esperança e fé no futuro!

Essa timidez a que aludiram os Espíritos pode ser interpretada como a falta de ações efetivas no bem. Os bons, “quando quiserem, assumirão a preponderância”, disseram eles. Parece que se trata, então, de querer e assumir.
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HAVERÁ JUSTIFICAÇÃO PARA A INGRATIDÃO?
(Diamantino Lourenço R. de Bártolo)

As causas que, eventualmente, possam estar na origem de atitudes e comportamentos mal-agradecidos, acredita-se que sejam de natureza diversa e que, quaisquer que sejam os motivos, não justificam os procedimentos caraterísticos da ingratidão: insensibilidade para reconhecer valores, sentimentos e atitudes recebidas, como, por exemplo: amabilidades, consideração, estima, amizade, solidariedade, lealdade.
Falta de humildade, em certo tipo de personalidade? Esquecimento, puro e simples, de reconhecer um bem recebido? Ausência do hábito de agradecer àqueles que praticam o bem, em benefício concreto de outros? Falta de delicadeza para agradecer um simples favor? Vergonha de manifestar comportamentos suaves e atos de gratidão?
Possivelmente outros motivos se poderiam invocar para os procedimentos e atitudes ingratos, ou pelo menos de não gratidão, todavia, o fato é que ela, a ingratidão, existe, se manifesta e, quantas vezes, magoa e ofende justamente quem ficaria feliz em receber o reconhecimento, um humilde sorriso generoso e sincero, um simples obrigado.
O mundo atual, na sua dinâmica globalizante, provoca comportamentos individuais e coletivos que, cada vez mais, se afastam dos simples e elementares valores da gentileza, da humildade e da gratidão. Quantas vezes o favor é negociado pela troca por outro favor, por outro benefício ou por um outro valor material concreto!
A troca de favores, de influências, de cargos e posições sócio-estatutárias torna-se uma prática quase corrente e, na constituição dos respectivos intervenientes, muito embora tais costumes não sejam perniciosos quando há benefício para as partes envolvidas. Formação e educação para valores desta natureza, boas práticas na e a partir da família, ou de grupos de amigos e comunidades mais restritas, podem integrar-se numa dinâmica de cooperação institucional, devendo-se implementar, por processos legais e transparentes, os procedimentos que conduzam aos melhores resultados.
Gratidão, gentileza, humildade serão conhecimentos, práticas, princípios, valores, deveres ou quaisquer outras designações que, na mentalidade de quem não os pratica, possivelmente, não se enquadrem num saber-fazer que proporciona lucros, dividendos materiais: em numerário, ou de natureza ainda mais substantiva. Como se chega a esta insensibilidade é uma questão que se compreende com alguma clareza, pelas razões já apontadas, entre outras, eventualmente, ainda mais graves.
Ao acentuar-se esta insensibilidade, face ao sentimento de gratidão, caminha-se para situações que se podem tornar causadoras de maiores desigualdades. Quem não tem poderes, vontade, gentileza e mesmo carinho para retribuir um favor com outro favor recebido, possivelmente, não adquirirá qualquer apoio, benefício e compreensão de quem o possa fornecer se souber que em troca apenas recebe, quando recebe, um quase forçado e indiferente “muito obrigado”.
Agradecer o recebimento de um benefício, uma ajuda, uma solidariedade, apenas com sentimentos de constrangida gratidão, de uma atitude de aparente e respeitoso reconhecimento, pode significar nunca mais se ter apoio daquela pessoa que foi objeto de afetada gratidão, por palavras, por sentimentos e atitudes de admiração e gestos gratos.
A gentileza, a cordialidade, a boa educação traduzidas por palavras e gestos simbólicos, embora significantes, mas tudo como que por autoimposição, parece que já não satisfazem a muitos daqueles que esperam agradecimentos mais concretos e objetivos, suscetíveis de uma determinada veracidade.
São múltiplas, profundas e sofisticadas as causas da ingratidão que se alastra, silenciosamente, na sociedade: múltiplas, porque envolvem vertentes que vão da depreciação de valores essenciais, abstratos e simbólicos à insuficiência da preparação, educação e formação de muitas pessoas; profundas, porque vêm minando os princípios mais elementares que sustentam a solidariedade, a amizade, a lealdade, a confiança e a compreensão.
Parece que se tenta materializar tudo a partir de conceitos e comportamentos que, em muitos casos, são fomentados nas organizações que, num passado recente, mereciam a maior credibilidade e respeito: família, escola, empresas, associações e instituições de diverso cariz.
Sofisticadas, porque, sub-repticiamente, e com a hipocrisia de aparente humildade, se insinua uma prática de troca de favores, influências e até mesmo a compra de tais benefícios e apoios, isto é, diz-se um muito obrigado, mas… fica a insinuação de que isso é muito pouco para agradecer o bem recebido por favor, às vezes com amizade sincera de quem o fornece.
Ao longo da vida de cada pessoa, e quando esta já viveu algumas décadas, ocorrem situações que comprovam tanto os atos de generosidade, de solidariedade, de favores, como os que se lhes seguem de reconhecimento, agradecimento ou ingratidão.
Toda pessoa tem destas experiências, e quando se verificam mais casos de ingratidão, para com a mesma pessoa, esta terá uma tendência natural para se tornar menos sensível a praticar determinadas atitudes que conduzem a boas práticas e à disponibilização para fazer o bem, ouvindo-se, frequentemente, lamentos e críticas no sentido de que, afinal, não é estimulante praticar boas ações, fazer favores, ajudar, porque muitas pessoas não reconhecem nem agradecem nada depois de atingirem os seus objetivos e se instalarem no pedestal que desejavam.
Apesar de situações e comportamentos destes, ainda existe muita solidariedade, principalmente em situações-limite, ou de extrema fragilidade, e quando intervêm órgãos de comunicação social ou instituições de solidariedade social. Nestas circunstâncias, surgem, de fato, os benfeitores que, sem esperarem qualquer ato de gratidão, ajudam, generosamente, quem está a passar por grandes dificuldades.
O humanismo que existe em muitas pessoas pode ser a base de partida para a criação de grandes movimentos e instituições de solidariedade que, simultaneamente, espalham o bem e transmitem a ideia de gratidão para com aqueles que participam nestas instituições, isto é, benfeitores que se solidarizam com uma situação, uma causa, uma iniciativa humanitária e altruísta; se se sentirem alvo de gratidão dessa instituição, os beneficiários que posteriormente vierem a ser contemplados, pela mesma instituição, sentir-se-ão na obrigação de manifestarem gratidão e reconhecimento públicos. Talvez se gere uma cadeia de solidariedades e gratidões que, dentro de algum tempo, todos possam manifestar esse sentimento tão nobre, quanto humilde.

As causas da ingratidão podem, pois, (e devem) ser combatidas a partir da interiorização de princípios e valores, sentimentos e emoções verdadeiras que suportem e justifiquem, precisamente, comportamentos e atitudes gratas. Ensinar, no sentido de adquirir conhecimentos e avaliá-los, esta virtude que é a gratidão não se afigura tarefa fácil; transmitir, por atos, palavras e exemplos concretos, boas práticas de gratidão e sensibilizar crianças, jovens e adultos para o cultivo de permanente atitude de gratidão, afigura-se possível: na família e na escola; na igreja; entre amigos; na pequena comunidade; também no contexto mais amplo da sociedade.
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NÓS PRECISAMOS DO CENTRO ESPÍRITA, NÃO O CONTRÁRIO
(Wellington Balbo)
O título acima é um tema que costumo abordar em palestras.
Ontem vi na porta de um centro espírita a que compareci a seguinte frase:  - O Centro Espírita precisa de sua ajuda!
Coloquei-me a pensar:
O centro espírita precisa de nós, ou nós precisamos do centro espírita?
Será que o centro espírita precisa, realmente, de nós?
Acredito que somos nós quem necessita do centro espírita.
Logo, penso que a frase: “O centro espírita precisa de sua ajuda” está incorreta.
Nós necessitamos e muito do centro espírita, autêntica escola que ensina a viver e emprega-nos no bem, dá-nos a possibilidade de sermos úteis, de encontrarmos algo nobre a realizar nesta efêmera existência.
Calma, não quero menosprezar o seu esforço... Ele – seu empenho – é válido e importante para que as tarefas no centro espírita sejam bem executadas.
Mas... caso você, por uma ou outra razão, queira deixar a labuta alegando dificuldades de relacionamento ou outras, não pense que a instituição fechará as portas.
Contudo, não obstante nossa importância, somos nós que precisamos do centro espírita para ter um pouco de equilíbrio, para ocuparmos nosso tempo de forma digna, e para, enfim, crescermos em direção ao Pai.
Estou sendo repetitivo, entretanto, julgo pertinente bater nesta tecla.
Nós precisamos do centro espírita e não o contrário...
Vejo as grandes dificuldades para encontrar voluntários comprometidos com o ideal e a busca, quase desesperada, de algumas Casas por pessoas que se interessem em trabalhar de forma voluntária.
Fico a indagar:
Será que ainda não percebemos que estamos neste mundo a trabalho?
Um outro ponto:
Será que as lideranças espíritas estão enfatizando aos frequentadores do centro espírita a importância de se tornarem voluntários?
Cabe, também, à liderança espírita o papel de despertar os frequentadores para o trabalho na casa espírita.
O centro espírita, ou as igrejas e instituições que prestam trabalhos de engrandecimento da alma são nossos empregadores. Pagam-nos altos salários; salários estes que nos proporcionam conquistar a paciência, a ter resignação ativa, a trabalhar em equipe, a colaborar na construção de um mundo íntimo melhor.
Naturalmente que não é apenas nas atividades realizadas no centro espírita que crescemos, porquanto a evolução pode ocorrer em todas as áreas de nossa atuação, mas, convenhamos que no centro espírita, no estudo do Espiritismo e nas lides com os companheiros exercitamos e muito nosso Espírito.
Por essas e outras, volto a repetir:
Nós precisamos da Casa Espírita!
Então, que tal algumas instituições substituírem: “A Casa Espírita precisa de sua ajuda” por algo mais adequado, do tipo:
“A Casa Espírita oferta-lhe a oportunidade de crescer, de trabalhar em equipe e de tornar-se alguém melhor”.

Que tal?
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FÉ E OBRA
(Leda Maria Flaborea)

“Um homem tinha dois filhos. Chegando ao primeiro disse: filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele responde: Irei, Senhor; e não foi. O segundo disse: não quero. Mais tarde, tocado pelo arrependimento, foi.”
Esta passagem, narrada na Parábola dos Dois Filhos (Mt, 21: 28-32), mostra Jesus perguntando-nos, através dos discípulos: “Qual dos dois fez a vontade do Pai?” Duas personalidades revelando, sem dúvida, as suas qualidades em palavras e ações.
O interessante nessa questão proposta por Jesus é a possibilidade de desdobramentos no que se refere às atitudes que temos, sem que, necessariamente, apresentemo-nos tão somente como personalidades da luz ou da sombra.
São muitas as nuanças que surgem quando somos defrontados com situações que exigem uma tomada de decisão. A própria parábola mostra essa possibilidade quando, de um lado, temos o filho que aceita a tarefa e não comparece para sua execução, e, de outro, o filho que nega, mas que muda de atitude após pensar melhor.
Com base nisso, podemos observar três situações bastante comuns – os desdobramentos podem ser maiores ainda –, no momento evolutivo no qual nos encontramos, e que nos permite refletir um pouco sobre elas.
Temos, de um lado, o trabalhador que crê, simplesmente, porque lhe disseram que era preciso crer em um ser superior, sem a escolha pela razão; de outro, aquele que crê pelo entendimento e não obra; e, por último, aquele que não crê, mas que, raciocinando com lógica, num grande esforço intelectual, discernindo e refletindo sobre o convite ao trabalho no bem, transforma o “não quero” em ação produtiva.
Na primeira situação, temos aqueles trabalhadores que espalham inquietação e desânimo, pois iniciam um trabalho de caridade – qualquer que seja – e logo o abandonam porque o mundo não presta – por que vou esforçar-me? –; ou porque não nasceram para executar tarefas que não tenham destaque; ou porque não se acham dignos de posição de evidência, e quando chamados a testemunharem essa humildade, logo se revoltam; ou porque, aproximando-se qualquer fé religiosa à espera de benesses imediatas, e não conseguindo, afastam-se alegando que tudo é mentira.
Essas criaturas transitam entre lamentações e queixumes, de um altar para outro, de uma igreja para outra, com tempo suficiente para se sentirem perseguidas e desconsideradas. Nunca terminam a tarefa pela qual se responsabilizaram, lembrando o aluno que estuda continuamente sem aprender a lição.
Na segunda, surgem aquelas criaturas que creem e, ainda assim, vivem em paisagem improdutiva sem nada realizarem de útil a si e ao próximo. É o trabalhador de fé inoperante. Recorda Emmanuel que podem ser comparados a motores preciosos dos quais ninguém se utiliza e que acabam por enferrujarem. Que são fontes que não se movimentam para fertilizar, nem o campo íntimo, nem o que estiver ao seu redor, e, estagnadas, sem utilidade, ficam repletas de lodo. São, enfim, luzes que não se irradiam.
Na verdade, nessa situação, somos sementes guardadas, que sem serem cultivadas não têm qualquer serventia; ou aqueles seres que afirmam ter esperança nas obras que uma tora, que possuem, possa apresentar – móveis, casas, obras de arte etc. – sem que se disponham a usar as ferramentas necessárias para que isso ocorra. Certamente, essa tora ali ficará, indefinidamente, até sua desintegração.
E por fim, na terceira situação, temos os trabalhadores que tardam, que demoram a aceitar o convite ao trabalho no bem, mas, afinal, mudam sua forma de pensar e acabam por se tornarem, na maioria das vezes, grandes obreiros na Seara Divina.
“Qual dos dois fez a vontade do Pai?” – pergunta Jesus. “O segundo, responderam os discípulos, e ele completa o ensinamento, dizendo: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entrarão primeiro que vós no Reino de Deus.”
A fé é sempre o caminho, mesmo que ela não seja ostensiva. A caridade – trabalho no bem – é o fim. A fé na essência é a semente de mostarda do ensinamento evangélico que crescerá na proporção do trabalho de elevação que realizarmos em nós. É a semente transformada em obras, beneficiando a tantos...
Nas palavras de Emmanuel¹, a fé sem obras constitui embriaguez perigosa que nos convida a aguardarmos benesses sem esforço pessoal. É a atitude do assalariado que aguarda o pagamento sem ter trabalhado.
É importante não esquecermos que quando nos dedicamos à ação, colocamos em movimento energias cósmicas que são acrescidas do poder divino. A nossa fé, nesse momento, é em Deus, que nos sustenta a tarefa, e em nossa capacidade de realização.

A fé precisa ser revelada ao mundo através de nossas obras para a felicidade de muitos, pois somos cooperadores do Pai na construção de um mundo melhor. O nosso amor, através do trabalho, estimula o amor do outro. A nossa paz, conquista pessoal e intransferível, constrói a paz entre aqueles que nos cercam. A caridade nos nossos passos, através do exemplo, despertará a caridade no caminhar do outro. E com nossa fé inabalável na providência divina, semearemos a fé ao redor de nós mesmos.
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MODELO PADRÃO
(Claudio Viana Silveira)
 “Somente constrói, sem necessidade de correção ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.” – Emmanuel.
A célebre questão 625 de O Livro dos Espíritos, tão bem formulada e tão laconicamente respondida, nos apresenta Jesus como o Modelo e Guia mais perfeito que Deus tem nos ofertado em todos os tempos. Tanto na primeira versão da obra básica, de 1857, como na definitiva, de 1860, questão e resposta são formuladas e respondidas de forma idêntica.
Todos nós que ainda não elegemos Jesus como o modelo padrão para as nossas vidas, estamos destinados a repetir encarnações e mais encarnações destinadas a correções ou corrigendas de equívocos cometidos a despeito de reiteradas mensagens do Cristo transmitidas por seus missionários em todos os tempos.
Analisando o modus operandi do Mestre ou o seu modo de fazer, constatamos que, passados dois mil anos de sua encarnação missionária e apesar de todas as nossas alternâncias entre vários corpos de carne e a Vida Espiritual, ainda não nos moldamos aos padrões do Mestre. Ainda somos mais individualidade do que coletividade e ‘pecamos’ em questões básicas como:
O desejo de remuneração – Esquecida a importante máxima “dai de graça o que de graça recebestes”, ainda estamos sedentos da valorização dos homens por algo que façamos pelo Cristo. E não estamos aqui nos referindo a uma valorização amoedada, mas à sede que temos das reverências como guias de pagamento.
As nossas exigências – Hábil em tratar os diferentes, Jesus tinha predileção especial pelos mais necessitados do corpo e do Espírito; aliás, disse ter vindo para estes, ou que “estes é que precisavam de médico”. Somos ainda intolerantes no trato com os diferentes patamares evolutivos; ou ainda não os compreendemos. Desejamos, muitas vezes, que pessoas apresentem frutos que ainda não são capazes de produzir.
Evidenciarmo-nos; sermos reconhecidos – O anonimato deveria ser a melhor moldura das obras do cristão. Dizia, certa vez, aos que o seguiam: “Não saiba a vossa mão esquerda o que opera a vossa direita”. Voltamos a repetir, ainda somos mais individualidade do que coletividade. Cultivando a modéstia da manjedoura ao Gólgota, ainda não aprendemos com Jesus questões relacionadas à desambição, humildade, moderação, sobriedade, reserva, compostura…

Desejamos ser superiores – Quem nos promove são nossas atitudes altruísticas, o servir, o importar-nos: E isso é amar verdadeiramente! “Reconhecerão que sois os meus discípulos se vos amardes uns aos outros”, diria, certa vez, aos doze. Emmanuel nos dirá em capítulos seguintes desta mesma obra que “toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras…” (Cap. 15, Fraternidade.)
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A LIÇÃO DO BOM SAMARITANO
(Altamirando Carneiro)

Jesus contou a parábola do bom Samaritano (Lucas, 10: 25 a 37), depois que um doutor da lei levantou-se, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Jesus lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? 
E respondendo, ele disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo, Jesus disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio-morto. 
E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.
– Qual, pois, destes três te parece que foi próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele.
Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira.
Direto ao assunto – No tempo de Jesus, os discursos eram feitos de maneira diferente do que são feitos hoje. O assunto principal era colocado logo no início da fala. Tinha-se como costume falar em parábolas, historinhas com assuntos extraídos dos costumes e da vida da época, que muito facilitava a compreensão do homem daquele tempo.
Ao contrário de hoje, o orador podia ser interrompido a qualquer momento da sua conversação. Por isso, vemos no Evangelho que Jesus foi interrompido inúmeras vezes quando falava e muitas dessas vezes pelos chamados doutores da lei, que faziam perguntas capciosas, com a finalidade de colocar o Mestre em contradição, coisa que jamais conseguiram e isso os deixava furiosos.
Pouca espiritualidade – Os doutores da lei tinham profundo conhecimento das leis de Moisés e demais livros do Velho Testamento. Jesus deixou bem claro que não tinha vindo para derrogar as leis, mas para dar-lhes cumprimento e, naturalmente, nova interpretação: de leis baseadas no olho por olho, dente por dente, para leis baseadas na caridade, na humildade e no amor ao próximo. Essas leis a que eles se apegavam estão contidas nos primeiros cinco livros do Antigo Testamento, atribuídos a Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio - o chamado Pentateuco, ou a Torá.
Como Jesus os classificou, os doutores da lei eram hipócritas e usavam a religião para proveito próprio.
Samaritanos, a “escória” – A Samaria situava-se ao Norte de Israel, entre a Judeia e a Galileia, região de montanhas e montes. Eram malvistos por só admitirem o Pentateuco, que continha as leis de Moisés, e rejeitarem todos os outros livros que foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antiguidade. Para os judeus ortodoxos, os samaritanos eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos.
A fim de não terem que ir a Jerusalém para as celebrações das festas religiosas, os samaritanos construíram imenso templo próprio e adotaram certas reformas. A Samaria tornou-se a capital do reino dissidente do reino de Israel. Os hebreus evitavam cruzar a região.
Caridade e religião – Jesus, o pedagogo por excelência, usou a figura do samaritano para mostrar ao orgulhoso e prepotente doutor da lei o verdadeiro sentido da caridade, que independe da religião.
A parábola do bom samaritano nos mostra que as coisas do Espírito são reveladas aos simples; que não basta memorizar as Escrituras, mas cumprir os seus ensinamentos; que devemos amar indistintamente e perdoar indefinidamente.
Educador por excelência, Jesus nos mostrou, nesta admirável parábola, que o viajante ferido é a Humanidade; o sacerdote e o levita são os ministros religiosos, que pregam, falam bonito, mas agem de acordo com as suas conveniências.
O samaritano é Jesus; o azeite é o símbolo da fé; o vinho, o suco da vida; os dois dinheiros, a caridade e a sabedoria; o mais que o enfermeiro gastar, a abnegação, a vigília, a paciência, a dedicação; o hospedeiro simboliza os que recebem os ensinamentos de Jesus. 
Ensinamentos de Jesus, na Samaria – O sentimento de ódio pelos samaritanos era tão arraigado que mesmo os discípulos de Jesus demonstravam insatisfação quando tinham que atravessar a região da Samaria. O Mestre, modificando os costumes da época, cruzava a região, sem problemas.
Uma das vezes em que Jesus passou pelas montanhas da Samaria, esteve junto ao Poço de Jacó, onde manteve diálogo com a mulher samaritana. (João, 4: 9 a 14)
– Dá-me de beber.
– Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?
– Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
– Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?
– Qualquer que beber dessa água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.
Na sequência do diálogo, uma importante afirmação de Jesus (João, 4: 19 a 24):
Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e tu dizes que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar?
– Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorarás o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e verdade. 

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CONFIAR E ACEITAR; RECONHECENDO O BEM NA DINÂMICA DA VIDA
(Claudia Gelernter)

“Nenhuma emoção em si é perigosa. Disfuncional é ficar ancorado durante muito tempo em algumas delas, já que a qualidade dos sentimentos é ir e vir, irromper e desvanecer-se.” – Joan Garriga Bacardi.
Segundo os Vedas¹, a causa primordial do sofrimento humano é a falta de conhecimento de quem somos, na realidade. O Espiritismo, embora não aponte uma causa específica como sendo a maior de todas, considera as questões do orgulho e do egoísmo² como fonte de sofrimento (conforme dizia Jesus), mas entende também que quando reconhecemos nossa porção sagrada e o real sentido da Vida, tendemos a abandonar vícios antigos, trocando-os por hábitos salutares, tais como a abnegação, o que acaba por corroborar com a primeira ideia.
A questão é que muitos vivem na Terra como se fossem apenas um corpo, com suas necessidades e potencialidades particulares, quando em verdade nossa essência é a parte imortal desta fabulosa combinação chamada Eu. Somos, portanto, alma, com mecanismos mentais específicos, vivendo em relação com o meio, em um tempo histórico, numa determinada cultura, utilizando-nos para isso de um corpo formado por um tipo de matéria mais densa, com seus órgãos e sistemas complexos. Como se vê, aquilo que tomamos por essencial trata-se apenas de veículo. O condutor é a alma, que preexiste e sobrevive à morte física.
Sendo assim, alguns indagam por que vivemos como se fôssemos eternos no campo físico, negando a alma, se ao longo de tantos milênios temos a informação de que a realidade é outra.
Por certo a influência dos sentidos é enorme em nosso psiquismo, podendo nos levar a esta e outras confusões existenciais, mas é preciso refletir a respeito, buscando “ver" muito além das aparências, para então desvelar o que já existia e continuará existindo: nossa Individualidade imortal, potencialmente Crística.
Dentro deste contexto, estas mesmas tradições de Sabedoria afirmam que a Vida  na Terra nada mais é que um campo de experimentações específicas que visam ao aprimoramento desta alma, através de estímulos ideais, de acordo com seu momento evolutivo. Ou seja, a dinâmica da existência possui uma inteligência soberana, capaz de nos impulsionar ao progresso, através de imputs pedagógicos, de acordo com nossa capacidade individual e coletiva. Ela tende ao Bem, portanto.
O que acontece é que tais estímulos nem sempre são bem-vistos ou digeridos por nós, justamente porque evitamos auscultar as situações com os olhos da alma. A dor, por exemplo, é um dos recursos que a vida apresenta, quando outros não foram suficientes para nos fazer mudar as disposições equivocadas. Chega firme, muita vez sem aviso prévio, causando sustos e aborrecimentos. Nunca para nos destruir, embora acreditemos nisso.
Então, como diminuir nossa angústia a fim de conseguirmos perceber as lições que ela nos traz?
Rumi, o famoso poeta da antiga Pérsia, já dizia que o remédio para a dor é a dor.³ Isso significa que quando olhamos para ela com honestidade e boa vontade, podemos aprender aquilo que veio nos ensinar, evitando-a, mais adiante. Afinal a Vida não lança mão de recursos desnecessários. E o que vemos com frequência é um desfilar de muxoxos e revoltas múltiplas. Desesperos, maldições e inconformações que apenas agravam o quadro, transformando a dor em sofrimento amargo, de forte intensidade e longa duração.
Buda, dissertando sobre a questão do sofrimento, comentou acerca da primeira da segunda flechas, numa analogia bastante interessante a respeito da dor causada por alguma questão alheia à nossa vontade e a forma como depreendemos o evento. O que acontece é que, segundo Sidartha Gautama, os desafios que a vida se nos apresenta são como flechas certeiras, causam dores específicas, muita vez passageiras, circunstanciais. Já a segunda flecha representa nossa resistência a estas primeiras. Nós as criamos e nos ferimos de forma desnecessária, quando nos revoltamos, nos irritamos com as demandas, estendendo e potencializando a dor, fazendo reverberar inclusive em outros que convivem conosco.
Joan Garriga Bacardi, psicólogo espanhol, em seu livro “Viver na Alma”, esclarece que o sofrimento se assenta em uma luta contra os fatos, enquanto a dor é uma emoção natural, humana e congruente. Diz ele que “Diante da dor genuína, da presença de pessoas que atravessam  verdadeiros lutos, abre-se espontaneamente nos demais a porta da compaixão, da humanidade e da solidariedade. É algo biológico. Sentimos o impulso natural do caminhar ao lado, acompanhar e apoiar os tristes e os que se consomem de tormento. Sem dúvida, o sofrimento é outro assunto, outro cantar. O sofrimento tem outras conotações e, muitas vezes, desperta nos demais o desejo de distanciamento”. (p. 115)
Isso porque o sofrimento tende a ser manipulador, egoísta por parte de quem o sente e expressa. Trata-se de posição existencial edificada na queixa, no ressentimento, no vitimismo. E quando o sofrimento toma esta forma deletéria, quase nunca desperta a compaixão natural dos demais, senão o incômodo. Aliás, como afirma o próprio Garriga, “já está mais que superada a ideia de que o sofrimento concede direitos”. (pg. 116)
A verdade é que, quem consegue integrar o difícil, atravessar seus lutos, enriquece a vida, se transforma positivamente, elevando-se. Já quem fica preso aos gemidos, olha tanto para si mesmo que seus olhos não percebem os demais e a realidade da vida.
Por certo a vida nos convoca aos desafios com certa frequência, então cabe-nos questionar: Como percebo esta realidade? Que atitude devo tomar diante desta demanda? Como posso fazer para minimizar este impacto em mim e nos outros? Como encontrar o sentido para esta dor que me abala a alma e assim aprender o que me cabe nesta experiência?
Podemos pensar que o desafio talvez seja gostar não apenas do que nos convém, o que nos é agradável ou estimado, mas desenvolver uma confiança na dinâmica da vida, aceitando suas propostas, nem sempre agradáveis, coloridas. Compreender que não há outro remédio, assumindo nossa pequenez diante do Espírito Criador, nos rendendo ao que é, sendo humildes. Jesus dizia: “Ofereça a outra Face”, o que significa: se desfaça de suas armas, confia, entrega e se entregue. Deus se ocupa. Ele sabe mais que você.
Confiar e Aceitar são, portanto, verbos que devem ser trabalhados em nosso campo emocional. Logicamente isso não significa uma postura passiva ou de desistência. Será preciso trabalhar e alterar o possível, usando nosso livre-arbítrio com sabedoria. Falamos aqui de aceitarmos o que não pode ser alterado. O passado, por exemplo. Apegar-se a mágoas, ressentimentos, é reanimar o momento da ofensa, relembrando-o constantemente, como se acabasse de ocorrer, a cada minuto. Nossos corpos sentem os impactos desta ancoragem emocional, ativando o sistema límbico, encharcando todo o córtex cerebral com estes imputs negativos, reverberando nos sistemas endócrino e nervoso autônomo, podendo promover diversas doenças. Nossa imunidade cai, permitindo se alastrem vírus, bactérias, fungos e até mesmo células cancerígenas, caso outras variáveis permitam seu crescimento.
Faz-me recordar querido professor na minha graduação – um médico muito lúcido e didático – que dizia que todos os dias criamos células adoentadas. Permiti-las crescer e tomar nosso corpo depende, também, da forma como entendemos e lidamos com a Vida. Ou seja, nossas mentes são responsáveis por praticamente 85% das doenças que desenvolvemos – explicava.
A questão central é que estes dados todos coincidem exatamente com as lições trazidas pelas Tradições de Sabedoria. Quando aceitamos, quando somos humildes perante a Vida, quando aprendemos a amar o que é, o que somos e os outros como são (assim como comenta Joan Garriga Bacardi na mesma obra), vivemos uma vida mais plena, com relativa paz, em harmonia com o seu fluxo sagrado, pedagógico, evolutivo. Sendo assim, e a partir de nós, conforme ensinava o querido Gandhi, poderemos transformar o mundo, sendo a mudança que queremos ver nele.
Referências:
1. Denominam-se Vedas as quatro obras, compostas em um idioma chamado Sânscrito Védico, de onde se originou posteriormente o Sânscrito Clássico. Inicialmente os Vedas eram transmitidos apenas de forma oral.  Existem dúvidas quanto à época em que foram compostos, mas aceita-se que se trata de pelo menos 2.000 a.C., ou antes.
2. Ler em Obras Póstumas, Allan Kardec, Parte I, o capítulo “O Egoísmo e o Orgulho – Suas Causas, Seus Efeitos e Os Meios de Destruí-los”.
3. Rumi, também conhecido como Jalãl ad-Din Muhammad Balkhi, era um místico, teólogo e poeta persa, do sufismo. Viveu no século XII. Entre outras lições, em suas poesias dizia que nossas almas não pertencem a este mundo, mas apenas o corpo, e que devemos buscar mudar o mundo, mudando a nós mesmos.
4. Ler a respeito no livro “O Cérebro de Buda”, do neurocientista Rick Hanson, editora Alaúde, 2012. Parte I, Capítulo 3.

5. Livro Viver na Alma, editora Saberes, 2011, de Joan Garriga Bacardi.


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OS BONS ESPÍRITAS
(Marcos Paulo de Oliveira Santos)

Na caudalosa obra O Evangelho segundo o Espiritismo, encontra-se insculpida no capítulo XVII, denominado “Sede Perfeitos”, a preciosa lição: “Os bons espíritas”.
Trata-se de uma exortação aos caracteres do verdadeiro espírita. Dizem-nos os imortais: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (KARDEC, 2002, p. 276).
Trecho precioso este dos numes da Codificação, pois, em verdade, a proposta precípua da Doutrina Espírita é a transformação moral do indivíduo, que implica no conhecimento de si mesmo.
Ora, quando o indivíduo está calcado numa consciência profunda, ou seja, quando de fato conhece a si mesmo, ele pode discernir com maior confiança as suas virtudes e os seus defeitos. As primeiras, ele potencializa por meio de suas ações no bem junto aos familiares, amigos, colegas de profissão, enfim, no bojo social. Quanto aos defeitos, ele é capaz de elencá-los e criar uma proposta ou metodologia para a sua corrigenda. Cônscio de que, certamente, não eliminará todos os defeitos numa só existência.
Conhecer a si mesmo não é uma tarefa simples. Requer experiência nas múltiplas situações da vida; exige-se maturidade. Somente somos capazes de entender os nossos sentimentos (bons ou maus) quando estamos imersos numa situação, como se diz popularmente, no olho do furacão. Do contrário, tudo é teoria.
O Espiritismo trouxe os ensinamentos do Mestre Jesus numa linguagem compreensível; fácil; clara. Propicia aos seus estudiosos uma fé inabalável!
É comum se afirmar que a “carne é fraca” e por este motivo o erro seria inevitável. Mas é imperioso se ampliar a lente e considerar que o condutor ou o senhor da matéria é o Espírito. Na condição de encarnado as potencialidades do Espírito são abafados, todavia, na consciência está inscrita a lei divina, logo, não há justificativa para culpar a matéria quando na verdade a ação ou intenção é do Espírito.
Cientes da ontologia humana, os Espíritos disseram que aquele que se esforça para domar suas inclinações más, pode ser rotulado de Espírita.

O verdadeiro espírita-cristão não violenta consciências; é indulgente para com as imperfeições alheias e severo para consigo mesmo; compreende que a prática da caridade se dá em todas as instâncias (de nada adianta ser bonzinho no interior do Centro Espírita e um tirano doméstico); não é maledicente; não compactua com o erro; não julga as imperfeições alheias; não é invejoso; não é egoísta; é, em síntese, um lídimo trabalhador do bem. Porque, ao praticar o bem, ele apara as próprias anfractuosidades, tornando-se melhor a cada dia.
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EMBORA UMA ALA O DEPLORE, AVANÇA O ESPIRITISMO DE MEDIGORE
(José Reis Chaves)
Há uma corrente católica que passou a condenar as aparições de Maria em Medigore, porque ela sabe que se trata de fenômenos mediúnico-espíritas.
E nisso os nossos irmãos evangélicos sempre extrapolaram dizendo que se trata de demônios, que para eles são apenas Espíritos maus. Logo, Deus colabora com os Espíritos maus, pois só permite a manifestação deles; dos bons, nem pensar!
Mas quem estuda mesmo a Bíblia em profundidade, como temos aqui demonstrado, sabe que os demônios (“daimones” em grego) são as almas e não outro tipo de Espíritos. Os padres, bispos e uma pequena porcentagem de pastores e leigos sabem disso, mas preferem deixar o zé-povinho na ignorância, pois demônios à moda medieval dão Ibope!
Faz uns 8 anos que um conhecido teólogo de Belo Horizonte (por respeito a ele, não vou dizer seu nome) pediu-me para eu evitar falar, na minha coluna em O TEMPO, algumas coisas que são verdades, mas que não convém que o povo saiba. Eu, desculpando-me, lhe respondi dizendo que o meu trabalho consiste exatamente em dizer verdades que os líderes religiosos cristãos, há séculos, vêm escondendo do povo.
“Ninguém nunca viu Deus, pois quem O vir não continua vivo.” (Êxodo 33:20). Também Jesus disse: “Ninguém jamais viu a Deus”. (João 1:18; e 1 João 4:12). Ora, se ninguém pode ver Deus, as manifestações de Deus (que denominam de Espírito Santo) não existem. Mas a Mãe de Jesus, por mais que a engrandeçamos, e ela o merece, ela não é Deus, logo ela pode se manifestar e ser, pois, vista por alguém que seja médium vidente, e por qualquer pessoa, se houver materialização do Espírito dela através de seu perispírito ou corpo espiritual, no dizer paulino, e, para os cientistas russos, corpo bioplasmático, descoberto por eles em 1945. E para os que ainda dizem erradamente que esse assunto de vidente é coisa do diabo, digo-lhes que é coisa da Bíblia: “Os profetas eram chamados antigamente de videntes” (1 Samuel 9: 9).
Esta ala da Igreja que está tomando uma posição hostil contra as aparições de Medigore está, como se diz, malhando em ferro frio, pois o Espiritismo é hoje muito forte e conta com o apoio maciço dos segmentos científicos da ciência espiritualista. E quem quer condenar os fenômenos espíritas mediúnicos de Medigore, tem que condenar também os de Lourdes, Fátima e outros, como o fez o padre Quevedo que, por isso, foi condenado pela Igreja!

São milhões de católicos e milhares de autoridades eclesiásticas da Igreja que dão seu aval para esses fenômenos de Medigore, inclusive eles tiveram também o apoio do Papa João Paulo II, pois que ele visitou o local das aparições em Medigore!

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A DOR DA INGRATIDÃO
(Claudia Gelernter)

Vivemos no planeta Terra, e isso significa diversas coisas. Uma delas é que temos muitas mazelas a resolver. Mazelas íntimas, do ego, da personalidade transitória. Alguns Espíritos comparam os habitantes da Terra com pequenos grãos de feijão. Existem uns maiores, outros menores. Uns mais escuros, outros claros, alguns furados, outros feios. Mas, no final das contas, 'somos todos feijões'. Não estamos muito distantes uns dos outros, embora por vezes nos sintamos superiores, devido a pequenas ações, quando, em verdade, ainda temos que batalhar para sermos verdadeiramente melhores - todos nós.
Em O Livro dos Espíritos, aprendemos que existem três categorias principais de Espíritos, de acordo com seu grau de evolução (moral e intelectual): ”na última, aquela que se encontra na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o espírito e pela propensão ao mal. Os da segunda se caracterizam pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo de praticar o bem: são os Espíritos bons. A primeira, enfim, compreende os Espíritos puros, que atingiram o supremo grau de perfeição” (Kardec, 1862).
A má notícia é que nós pertencemos (ainda) à categoria dos imperfeitos. Uns mais, outros menos, mas todos imperfeitos. Entretanto, também temos notícia de que a Terra está alterando seu estado, entrando em nova fase, chamada de Regeneração, onde os habitantes tendem mais ao bem que ao mal. Daí a necessidade de um contínuo empenho nosso para que possamos habitar um Planeta melhor, porque mais justo e bom.
E dentro desta “boa batalha”, chamemos assim – um dos quesitos essenciais a serem desenvolvidos chama-se “resiliência”. Trata-se de um conceito sequestrado da Física, hoje largamente utilizado pela Psicologia e mesmo pela Ecologia. 
Segundo o Wikipédia, no campo da Física, o termo resiliência diz respeito à "propriedade de que são dotados alguns submateriais, de acumular energia, quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material – como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para o alto”.
Já em Psicologia, significa a capacidade de se reequilibrar, após alguma situação de angústia, de conflito psíquico, seja causado por impactos reais ou imaginários. Digo imaginários porque, em geral, costumamos aumentar nosso sofrimento para além do necessário, com fantasmas puramente emocionais, medos irracionais, porque nascidos de uma percepção equivocada sobre os eventos da vida. 
E, quando falamos de dores reais, intensas, profundas, a palavra Ingratidão nos vem à mente, quase que imediatamente. Não é à toa que o Espírito Santo Agostinho, no capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, colocou a questão da ingratidão como ponto nevrálgico para o coração humano, dedicando um texto inteiro (o maior do livro, ditado por um Espírito, aliás), para tratar deste assunto, principalmente com relação aos filhos. Ditou ele que "De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração”. Realmente. E a ingratidão surge como um dardo cheio de veneno, lançado por pessoas geralmente distraídas de sua missão pessoal, de sua essência sagrada. São os cegos espirituais do mundo, que não enxergam o bem que recebem e que mais tarde terão de ser ensinados pela Mestra Divina, chamada Dor. 
Mas mantenhamos o foco naquele que recebe a ingratidão como pagamento de um bem realizado:
Em verdade, primeiramente é preciso recordar que não existem vítimas. Se a prova surge, por certo é para buscar as profundezas psíquicas do aprendiz, avaliando se já consegue dar conta de determinados desafios. E, sendo esta uma enorme demanda quando falamos em ego orgulhoso, será preciso desenvolver a resiliência (que serve para esta questão e todas as outras que envolvem desafios existenciais) – esta capacidade de reorganizar o mundo mental, mesmo com a experiência dolorosa.
Para tanto, considero três passos importantes:
1. Reconheçamos que todos somos imperfeitos: Tal constatação produz alívio imediato em nosso coração, pois nos damos conta de que também nós precisamos, com frequência, do perdão alheio, senão do próprio Pai Celestial, uma vez que somos também ingratos, nas mais variadas situações. (Por exemplo: raramente confiamos na Vida, na dinâmica da existência, com seus altos e baixos; raramente agradecemos pela proteção diária; poucos levam em conta a questão da interdependência planetária, deixando de observar certos cuidados para com o próximo e a natureza, de forma geral, quando, em verdade, deveriam se comportar de outra maneira, demonstrando gratidão à vida etc.).  
2. Busquemos desenvolver a Compaixão: Jesus já alertava que não existe grande mérito em sermos bons e perdoarmos aqueles que já são benevolentes para conosco. Nesta situação estamos apenas realizando uma troca. Porém, quando conseguimos sentir verdadeira compaixão por aqueles que nada têm a nos oferecer ao coração, tornamo-nos realmente grandes. Henry Wadsworth Longfellow certa vez escreveu que “se pudéssemos ler a história secreta de nossos inimigos, encontraríamos em cada vida tristeza e sofrimento suficientes para aplacar qualquer hostilidade de nossa parte”. Além disso, compadecer-se com os problemas dos outros não é ato que se restringe a questões materiais, como, por exemplo, uma perda significativa ou uma doença grave, mas também com relação a questões morais. Nem sempre o outro compreende a dinâmica da vida e o quanto é bom sermos bons. Por ignorância, erra, vindo mais tarde a colher frutos amargos. Compadecer-se deste tipo de semeadura eleva a alma em trânsito pela Terra, denotando grande resiliência e maturidade espiritual. Reflete a capacidade de sentirmos empatia, do quanto já somos conscientes do nosso papel e da necessidade de combatermos sofrimentos voluntários, através do equilíbrio mental, espiritual, físico e social. Estamos, concomitantemente, sendo bons para conosco, portanto.
3. Construamos pontes, sempre que possível: Uma comunicação eficaz busca soluções e nunca culpados. Estejamos em contato com nossos sentimentos, pois quando mantemos um estado de consciência interior, deixamos mais claro nossos objetivos durante um diálogo. Então, se queremos realmente ajudar um irmão ingrato, não será atirando variadas pedras verbais ou mentais, mas expondo a dor causada de forma coerente e madura. Não devemos dar lições de moral com raiva e, por outro lado, devemos manter fé na justiça. Não cabe a nós punirmos os ingratos. A vida fará isso, caso seja necessário. Por fim, se o diálogo pessoal não for possível, que ele seja feito de forma mental, através de uma prece ou irradiações de amor.
Para melhor ilustrarmos este pensamento, vale recordar um dos contos de Jataka [autor de textos sobre as possíveis encarnações de Buda], chamado “O Gorila e o Homem”. Escreveu ele:
“Certo dia, um caçador adentrou a floresta, perdeu-se e caiu em um buraco profundo, do qual não conseguia sair. Ele gritou por socorro durante dias, ficando cada vez mais faminto e fraco. Enfim, o gorila o ouviu e foi até lá. Ao ver as paredes íngremes e escorregadias da cavidade. o gorila disse ao homem: “Para tirá-lo daí com segurança, primeiro vou rolar pedras aí dentro e praticar com elas”. O gorila rolou diversas pedras para dentro do buraco, uma maior que a outra, e tirou todas de lá. Finalmente chegara a vez do homem. Após subir com dificuldade, segurando-se em rochas e trepadeiras, ele tirou o homem de lá, e, com a última força que lhe restava, saiu do buraco. O homem olhou ao redor, muito feliz por ter sido salvo. O gorila, ofegante, deitou-se ao seu lado. O homem disse: “Obrigado, gorila. Você pode me guiar para sair da floresta?” E o gorila respondeu: “Claro, homem, mas primeiro preciso dormir um pouco para recuperar a energia”. Enquanto o gorila dormia, o homem o observava e começou a pensar: “Estou com muita fome. Sou capaz de descobrir como sair da floresta por conta própria. Ele é só um animal. Eu poderia bater uma dessas pedras na cabeça dele, matá-lo e comê-lo. Por que não?”. Então o homem ergueu uma das pedras o mais alto que conseguiu e atirou-a com força na cabeça do gorila. O gorila gritou de dor e sentou-se rapidamente, atordoado com a pancada, com sangue escorrendo pela face. Quando olhou para o homem e percebeu o que havia acontecido, lágrimas brotaram de seus olhos. Ele balançou a cabeça com tristeza e disse: “Pobre homem. Agora você nunca será feliz…”. 
Um conto emocionante que certamente traduz diversas situações vividas na Terra, onde o ingrato não reconhece nem valoriza o bem recebido. 
Percebemos que a má vontade do homem tentou justificar a si mesma: “Ele é só um animal”. Naquele momento, o homem racionalizou, como forma de defesa íntima – isso facilitou a decisão pela ação nefasta. Só mais tarde poderá perceber que enganara a si mesmo…
Por outro lado, a bondade, a compaixão do gorila foram sua própria recompensa. Não fora tomado por raiva ou ódio. A primeira flecha moral atingiu-o na forma de uma pedra; não havia por que acrescentar injúria ao ferimento com uma segunda flecha de rancor, atirada por ele mesmo. Perdoou, tão logo recebera a ofensa. Não viu necessidade de desforra, pois sabia que o homem já não conseguiria ser feliz. Agiu com equanimidade, portanto.
O gorila foi resiliente. Apesar da experiência dolorosa, não se desequilibrou, não se desprendeu da própria essência amorosa. 
E, finalizando este despretensioso artigo, desejo ainda relembrar uma das mais bonitas passagens do Evangelho de Jesus, no qual os evangelistas narram Sua aparição aos discípulos estupefatos, dias após a morte na cruz. Naquela oportunidade, após ter sido abandonado por 11 dos 12 amigos hebreus, durante toda a caminhada de dura prova até o Calvário, sendo por fim erguido na madeira e pregado como um ladrão comum, sorriu aos discípulos, dizendo, apenas: “A Paz de Deus seja convosco!”…
Nada de muxoxos, reclamações ou cara feia. Nada de desapontamentos. Apenas amor nos olhos, na fala e no coração. 
Eis a sublime mensagem do Messias, nesta passagem: Perdão, compaixão, resiliência…, amor…
Aliás, caso não fosse essa a postura do grande Mestre, o que seria do cristianismo?

Vale refletir…
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A DETERMINAÇÃO EM RECOMEÇAR
(Waldenir Aparecido Cuin)

“Levantar-me-ei e irei ter com meu pai...”. (Lucas, 15:18.)
Quando o filho pródigo, descrito na parábola por Jesus, deliberou retornar aos braços paternos, após ter recebido sua herança e a desperdiçado em futilidades e ilusões, criou para nossa reflexão um dos mais significativos símbolos de arrependimento, coragem, determinação e maturidade.
Reconhecendo seus equívocos não vacilou em recomeçar, aceitando a condição de empregado da propriedade do pai, pois tinha consciência de que não merecia ser tratado mais como um filho, embora não esperasse a reação fraterna do genitor, que ao avistá-lo, o acolheu num abraço carinhoso e meigo.
De nossa parte, inúmeras vezes também deliberamos seguir caminhos contrários àqueles que nos asseguram avanço moral, prosperidade intelectual e crescimento espiritual, criando a urgente necessidade de decidir por novos rumos e outras direções, sustentadas pela esteira dos valores da dignidade, da honra e da honestidade.
Se preciso, ergamo-nos da inércia, da apatia e do desânimo e, fortalecidos pela fé, deixemos a rede macia do comodismo em esperar que a vida nos dê tudo de forma gratuita, e busquemos conquistar virtudes, enquanto empreendemos esforços para a extinção dos defeitos que ainda nos mantêm na condição de inferioridade e sofrimento.
Se a tristeza insistir em povoar os nossos pensamentos e derramar insatisfações em nossa vida, levantemos a confiança em Deus e tenhamos a certeza inconteste de que o Pai Celestial, amoroso e bom, justo e perfeito, em circunstância alguma deixará de atender as nossas necessidades.
Se a moléstia insidiosa continuar a nos manter no leito de dor, embora todos os esforços de médicos, hospitais e remédios, levantemos a esperança nos dias do porvir, nos recursos que a tecnologia vem desenvolvendo, pois o amanhã poderá surgir com novas cores e propostas.
Se familiares queridos deixaram o nosso convívio pelos mecanismos da desencarnação, renascendo para a vida espiritual, abrindo enorme lacuna em nossos corações, que se repletam de saudades, levantemos a certeza na imortalidade e prossigamos convictos de que um dia, no futuro, em outras dimensões vibratórias, novamente estaremos com eles.
Se o abandono e a solidão estiverem nos acompanhando com frequência, escurecendo os nossos momentos e amargurando a nossa vida, levantemos a vontade de refletir e meditar, pois, às vezes, diante do nosso comportamento e atitudes, quem sabe estaremos impedindo a aproximação das pessoas ao nosso redor?
Se os recursos financeiros e materiais se escassearam, criando dificuldades e embaraços para que possamos honrar nossos compromissos, levantemos a força e a perseverança e saiamos a trabalhar ainda mais, na confiança de que o labor nos conduzirá a novas perspectivas.
Se os filhos que chegaram ao nosso lar – e para os quais nos empenhamos ao máximo, visando educá-los, mostrando-lhes os caminhos da decência e da dignidade – resolveram não atender aos nossos insistentes apelos de moralidade, levantemos a paciência e esperemos pelas sábias lições da vida, que farão, certamente, aquilo que não conseguimos agora fazer.
O filho pródigo, depois de perceber o equívoco cometido, diante do sofrimento decorrente da escassez de recursos financeiros, por ter gasto a herança recebida de forma inútil, inconsequente e irresponsável, caindo no arrependimento, teve forças para levantar, sacudir a poeira e voltar ao lar paterno, nem que fosse na condição de um empregado do pai, para recomeçar a vida.
Em oportunidades inúmeras, também nós, ao percebermos os erros e os enganos deliberados, temos absoluta necessidade de levantar a nossa vida e buscar o apoio de Deus para recomeçar, e, por certo, Ele também abrirá seus braços para nos acolher num abraço...

Reflitamos...
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NO JUÍZO FINAL, OVELHAS RECEBERÃO DIPLOMAS, MAS CABRITOS TOMARÃO BOMBA
(José Reis Chaves)
Os teólogos antigos ensinavam um Deus antropomórfico. E, ao invés de tomarem o atributo de Deus Todo-Poderoso para o amor e para o bem, tomavam-no para o mal, o ódio e a vingança, longe, pois, do Deus Pai amoroso ensinado por Jesus. 
Os teólogos, quando se deparavam com uma dúvida sobre uma interpretação bíblica, diziam “isso é perigoso”, isto é, tal interpretação poderia trazer o risco de um castigo de Deus ou da Igreja da época da Inquisição, se ela estivesse contra o sentido verdadeiro da Bíblia ou de algum dogma católico.
E, hoje, a Igreja tem duas correntes, a dos teólogos conservadores e a dos inovadores. Os primeiros ainda mantêm as ideias erradas antigas sobre Deus e o destino ameaçador para os Espíritos humanos. Já a corrente dos inovadores prega uma visão otimista sobre um Deus de amor e de um destino incondicional de felicidade perene para todos os Espíritos humanos. Infelizmente, a maioria dos dirigentes religiosos de outras igrejas cristãs mantém ainda aquela antiga teologia cristã errada e amedrontadora da Igreja do passado. Isso, às vezes, lamentavelmente, como meio de explorarem mais facilmente os seus fiéis. E esses dirigentes religiosos são ajudados por outros que são sinceros, mas que se tornam inocentes úteis daqueles dirigentes exploradores mercenários, prejudicando, assim, a marcha do evolutivo e verdadeiro Cristianismo, que é o de um Deus de amor e não de ódio e de vingança.
É muito conhecida a passagem evangélica da separação das ovelhas dos cabritos (Mateus 25: 32 a 41), no final dos tempos. Trata-se de um dos mais importantes textos figurados dos evangelhos. As ovelhas representam as pessoas vitoriosas, enquanto que os cabritos, as fracassadas, pois não passaram no curso das escolas durante as reencarnações. E, usando ainda uma linguagem escolar, diríamos que elas tomaram bomba!
Para uma corrente católica baseada em doutores em teologia, entre eles o holandês Jonh Kông, da Arquidiocese de Belo Horizonte, o inverno na Palestina é muito forte. As ovelhas, protegidas pela sua espessa camada natural de lã, podem passar, tranquilamente no tempo, as noites frias. Já os cabritos, com sua pele fina, à noite, têm que ser recolhidos nos currais, pois, ao relento, poderão morrer de frio. Os cabritos simbolizam os Espíritos humanos frágeis ou doentes da alma que tomaram bomba, precisando, pois, de uma acolhida especial, enquanto que os verdadeiros cristãos, já libertos espiritualmente, representados pelas ovelhas, não precisam dessa acolhida especial. É isso que Jesus quis dizer com a separação dos cabritos das ovelhas.
Essa passagem nos lembra daquela em que Jesus afirma que os doentes é que precisam de médicos (Mateus 9: 12). Realmente, os cabritos, pela sua natureza de pele frágil para enfrentar o rigor do frio, de algum modo, são doentes. E ela nos lembra também daquela em que Jesus diz que o bom pastor procura a sua ovelha perdida “até que ela seja encontrada” (Mateus 18: 12), ou seja, até que seja salva.
Esses ensinamentos estão de acordo com o que o excelso Mestre nos ensinou: Deus quer que todos se salvem (João 6: 39). E eles se igualam aos da Doutrina Espírita, que prega também a salvação, um dia, para todos os Espíritos.

E quem será totalmente vitorioso? O Deus verdadeiro, o “satanás”, ou os pregadores de um Deus falso, antropomórfico e do terror?
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O ARREPENDIMENTO
(Édo Mariani)

Em o livro O Céu e o Inferno, de autoria de Allan Kardec, capítulo VI, tradução de João Teixeira Doria, edição da Livraria Allan Kardec Editora, em comentário à comunicação do Espírito Jaques Latour, Kardec nos ensina: “O arrependimento acarreta o pesar, o remorso, o sentimento doloroso, que é a transição do mal para o bem, da doença moral para a saúde moral. É para se furtarem a isso que os Espíritos perversos se revoltam contra a voz da consciência como doentes que repelem o remédio que os há de curar. E assim procuram iludir-se e persistir no mal”.
Assim aprendemos que o arrependimento é o instrumento necessário ao principio da reparação. Representa para os Espíritos a colocação do pé no primeiro degrau da escada bendita e reparadora, mas não basta por si só: são necessárias as expiações, porque, segundo Jesus: “da lei até o último iota será cumprido”. Isto evidencia-nos que a reparação da falta é imprescindível ao Espírito para libertar-se de todo mal praticado.        
Arrepender-se, segundo os Espíritos instrutores, é muito doloroso e requer muita coragem e bom ânimo para levar a bom termo tão bendito ensejo iniciante de novas oportunidades de recomeço no cruento trabalho de voltar ao crescimento espiritual.
Enquanto isso não acontecer, continua o Espírito a julgar-se sem culpa e muitas vezes maldizer a providência divina e sem coragem para assumir a devida responsabilidade, por se julgar inocente. De fato, se me julgo sem culpa por orgulho em reconhecer que errei, é natural não ver o que reparar.
É imprescindível o arrependimento, que é o reconhecimento do erro praticado para se convencer da necessidade de reparar o mal. Sem ele, permanece o Espírito errando inconscientemente, e por isso não se julga culpado.
É mais fácil colocar a culpa nos outros e esconder-se debaixo da própria ignorância.
Essa lição já é bastante velha. No tempo em que João Batista iniciava a sua pregação no deserto, com o objetivo de apresentar publicamente a Jesus, ele convidava o povo com plena convicção de sua atitude, conclamando: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus cap. 3, versos 2).
Enquanto encarnados temos dificuldades e muitas vezes nos falta coragem para enfrentar o nosso orgulho na admissão das culpas, mas se a conseguirmos, estaremos desde já dando o primeiro passo para o início da caminhada pela estrada da reparação e consequentemente da evolução.
Vejamos o que nos ensina Ermance Dufaux no capítulo 8 do livro de sua autoria: ‘Reforma Íntima sem Martírio’: “Digamos que o arrependimento é uma chave que liberta a consciência dos grilhões do orgulho. Enquanto peregrinamos no erro sem querer admiti-lo, temos o orgulho a nos ‘defender’ através da criação de inúmeros mecanismos para ‘aliviar’ nossas falhas. Sem arrepender-se, o homem é um ser que foge de si mesmo em direção aos pântanos da ilusão, por onde pode permanecer milênios e milênios...”

Portanto, vale muito atentarmos para esses ensinamentos que representam reais chamamentos para iniciarmos, desde já, através do arrependimento de nossas faltas e culpas, a subida para a “Frente e para o Alto”, na feliz expressão do Professor Leopoldo Machado, de saudosa memória. 
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ALGUÉM JÁ VOLTOU PRA DIZER COMO É?
(Cláudio Bueno da Silva)

Uma frase muito ouvida entre frívolos ou indiferentes é a de que “não se sabe o que há depois da morte, já que ninguém voltou pra dizer como é”.
O respeito ao próximo nos impõe a obrigação de sermos condescendentes e indulgentes com aqueles que pensam assim. Não se pode condená-los. O desconhecimento talvez se deva ao fato de não terem tido acesso a informações dessa ordem, não estarem preparados para o entendimento, ou até mesmo ao comodismo e à preguiça intelectual que levam muitos a desconsiderar os temas importantes da vida.
É curioso notar como mostram desinteresse se o assunto vem à tona. A impressão que dão é que não existem Espíritos, não se comunicam, e pronto! Se não dizem isso, sabemos que pensam assim. Desconhecem os fenômenos e as pesquisas psíquicas por completo.
Contudo, os temas espiritualistas sempre foram amplamente comentados na literatura e na imprensa mundiais; a cultura popular e as tradições dos povos estiveram o tempo todo cheias de histórias místicas que as comunidades cuidaram de disseminar. As Artes sempre contribuíram muito para a sugestão da transcendentalidade. Atualmente os veículos de comunicação discutem fartamente essas questões. A literatura espírita enche prateleiras de livrarias, bancas, feiras, displays em redes de mercado e shoppings. O problema da morte, da sobrevivência depois dela, da comunicabilidade entre homens e Espíritos está fartamente estudado e descrito numa quantidade incalculável de obras, em muitos idiomas.
Os Espíritos sempre contaram como é o seu mundo e nos últimos séculos (principalmente XIX e XX), de forma mais organizada, têm descrito em minúcias o que pensam, o que fazem, como vivem no lado “invisível” da vida. Há milhares de páginas falando disso.Desse modo, alguns descrentes, que antes eram refratários, têm se aproximado das ideias espiritualistas que poderão abrir-lhes caminhos importantes para melhor compreensão da vida e de sua superior finalidade. Mas falta muito ainda! A maioria não percebe nada!
Não há maldade neles, antes, ingenuidade e desinteresse. São bons, cumprem seus deveres e vão vivendo, mas estão visceralmente ligados ao corpo, sensíveis apenas àquilo que diz respeito às suas relações vitais com o trabalho, o descanso, a alimentação, os compromissos sociais, a sobrevivência, enfim... O que foge à esfera do pragmático está distante das suas cogitações. Vivem descuidados, esquecidos da alma, onde se “oculta” um mundo real e fascinante de que eles sequer suspeitam.
Não há premeditação nesse modo de ser, e sim instinto, que flui com naturalidade. Absorvidos pela densidade da vida material, com seus problemas e seus atrativos, não conseguem enxergar novos caminhos. Quase não olham para os lados e raramente olham para o alto.
É assim que nos deparamos com irmãos que não ouvem música (a clássica lhes causa sono), não gostam de flores, de vegetação; têm ojeriza aos animais; não leem nem se dispõem a estudar; desprezam programas culturais em favor da agitação ou do ócio; vinculam o prazer ao vício; associam progresso ao acúmulo de bens; não se abalam com o infortúnio alheio...
Não há como julgá-los por não terem acuidade espiritual, sensibilidade estética, preocupações filosóficas, senso crítico. São pessoas como quaisquer outras, humanamente falando. Fazem parte da mesma humanidade heterogênea, inteligente, pobre, sensível, egoísta, civilizada, brutal... São partes de um todo social que, malgrado os pessimistas, avança, progride devagar, mas progride.
Allan Kardec deixou à posteridade um grande ensinamento, inspirado pelo evangelho e baseado na verdadeira caridade: “os fortes devem ajudar os fracos, os que estão na dianteira, auxiliar os retardatários”.
Esse pensamento simples estimula a solidariedade humana e, mostrando que o indivíduo é superior ao que lhe está atrás, mas inferior ao que lhe está à frente, instituía igualdade entre os homens.
Portanto, ninguém é melhor que ninguém nem superior absoluto. Há relatividade em tudo. O senhor Tempo convencerá os indiferentes quanto aos saberes do Espírito que regerão a sociedade humana, aí sim, chamada civilizada.
E, respondendo direta e enfaticamente à pergunta inicial, dizemos: - Sim, muitos já voltaram. Uma legião imensa já veio contar, em detalhes, como é “lá”.
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PARA UNS A REENCARNAÇÃO É MALDITA, MAS NA VERDADE ELA É BENDITA
(José Reis Chaves)
O fundamento de toda religião é a crença em Deus e na imortalidade do Espírito. E, na vida prática do religioso, é essencial a vivência do amor a Deus e ao próximo.
O pecado é uma ofensa ao próximo, e uma desobediência às leis divinas. Mas a ofensa ao próximo não atinge Deus, pois Ele é como que vacinado contra ofensas e males. “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar.” (Jó 37:23).  Aliás, se Deus sofresse com os pecados da Humanidade, Ele seria o ser mais infeliz! Mas isso não acontece, exatamente porque Deus, além de Todo-Poderoso, é também imutável. Já nós, sim, somos prejudicados quando deixamos de amar a Ele e ao nosso próximo. E o nosso amor a Deus passa pelo amor ao nosso semelhante. “Se alguém disser Amo a Deus, e odiar o seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1 João 4: 20). 
A crença na imortalidade do Espírito, como já dissemos, é uma das questões essenciais das religiões. Mas essa imortalidade é vista de vários modos. Sabemos que o espírito de cada um de nós habita o nosso corpo aqui na vida terrena. Mas o Espírito habita também fora deste nosso mundo físico, ou seja, no mundo espiritual. Ele caminha sempre em sua jornada evolutiva sempiterna, pois ela tem começo, mas não tem fim. E assim, os Espíritos humanos vão se tornando, cada vez mais, mais perfeitos, e, pois, mais semelhantes a Deus, mas sem jamais serem perfeitos iguais a Ele, cuja perfeição é infinita.
Essa crença de que o espírito, ora está num corpo humano aqui na Terra, ora no mundo espiritual, depois da crença em Deus e na imortalidade do espírito, é a mais aceita por todos os religiosos do mundo, independente de sua religião. Ela é o que se chama reencarnação, que não é criação do Espiritismo como muitos pensam. E, segundo uma pesquisa da Universidade de Oxford, em 212 países, no ano de 2.000, cerca de ¾ da população mundial creem na reencarnação, que é bíblica e é, hoje, comprovada por vários segmentos da Ciência.
E ela é maldita para os materialistas e para os líderes religiosos fundamentalistas, que não conhecem bem a Bíblia, ou que a conhecem, mas querem manter os seus fiéis amedrontados com a falsa e mitológica existência real do inferno de Dante Alighiere na “Divina Comédia”, quando esse inferno é figurado na Bíblia. Aliás, esse mesmo maior poeta europeu medieval demonstra reservadamente que ele era reencarnacionista. (Mais detalhes em meu livro “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 8ª edição, Ed. EBM, SP, e que está sendo lançado também em inglês nos Estados Unidos, pela Editora “Outskirts Press Inc”.)
A reencarnação continua maldita para uma minoria da Humanidade, mas, como foi mostrado, é bendita para a grande maioria da população do mundo. É que ela nos dá a certeza da imortalidade e de que todos nós estamos mesmo caminhando, uma minoria mais rapidamente e a maioria mais devagar, de acordo com o livre-arbítrio de cada um, para nos encontrarmos, um dia, com Deus, que não quer a perda de nenhuma de suas almas amadas infinitamente por Ele. (João 6: 39).

E terminamos dizendo que, sem a teoria da reencarnação, seria uma mentira a doutrina teológica da misericórdia infinita de Deus!
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A NOVA LITERATURA MEDIÚNICA
(José Passini)
“E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.”– Paulo (I Cor,14:29)
As palavras de Paulo – inegavelmente a maior autoridade em assuntos mediúnicos dos tempos apostólicos – deveriam servir de alerta àqueles que têm a responsabilidade da publicação de obras de origem mediúnica.
A literatura mediúnica tem aumentado de maneira assustadora. Diariamente aparecem novos médiuns, novos livros, alguns bem redigidos, se observados quanto ao aspecto gramatical, mas de conteúdo duvidoso, se analisadas as revelações fantasiosas que iludem muitos novatos, ainda sem conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame criterioso daquilo que leem.
Muitos desses livros se originam de Espíritos ardilosos que, de maneira sutil, se lançam no meio espírita como arautos de novas revelações capazes de encantarem leitores menos preparados, aqueles sem um lastro de conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame lúcido, capaz de os levar a conclusões esclarecedoras.
Muitas pessoas que conheceram recentemente a Doutrina, antes de estudarem Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne e outros autores conceituados; antes de lerem as obras de médiuns como Francisco Cândido Xavier, Yvonne A. Pereira, Divaldo Franco, José Raul Teixeira, estão se deparando com obras fantasiosas, escritas em linguagem vulgar, contendo o que pretendem seus autores – encarnados e desencarnados – sejam novas revelações.
Bezerra de Menezes, Emmanuel, André Luiz, Meimei, Manoel Philomeno de Miranda, Joanna de Ângelis e tantos outros Espíritos se tornaram conhecidos e respeitados pelo conteúdo sério, objetivo, seguro, esclarecedor de suas obras, sempre redigidas em linguagem nobre.
Esses Espíritos conquistaram, pouco a pouco, o respeito, a credibilidade e a admiração do público espírita pelo conteúdo de seus escritos, na forma de mensagens ou de livros, publicados espaçadamente, como que dando tempo a um estudo sereno e criterioso do seu conteúdo.
Nos dias que correm, infelizmente, o quadro se modificou. Muitos médiuns, valendo-se de nomes já conhecidos pelo valor de suas obras, tentam impor-se aos leitores espíritas, não pelo valor das mensagens em si, mas escorados em nomes respeitáveis.
Sabendo-se que nomes pouco importam aos Espíritos esclarecidos, é de se perguntar por que os benfeitores que se notabilizaram através de Francisco Cândido Xavier haveriam de continuar usando seus nomes em mensagens transmitidas através de outros médiuns? Se o importante é servir à causa do Bem, por que essa continuidade na identificação, tão pessoal, tão terrena? Não seria mais consentâneo com a impessoalidade do trabalho dos Servidores do Bem deixar que o valor intrínseco da mensagem se revele, sem estar escorado num nome conhecido? Por que não deixar que a mensagem se imponha pelo valor de seu conteúdo? Por que escudar-se em nomes respeitáveis, quando o texto não resiste a uma comparação, até mesmo superficial, de conteúdo e, às vezes, até mesmo de forma? Por que essa ânsia insofreável de publicar tudo o que se recebe – ou que se imagina ter recebido – dos Espíritos? Onde o critério, a sobriedade tantas vezes recomendada na obra de Kardec? Será que o público espírita já leu, estudou, analisou, entendeu toda a produção mediúnica produzida até agora? Ao dizer isso não se está afirmando que a fase de produção mediúnica está encerrada.
Sabe-se que a Doutrina é dinâmica, que a revelação é progressiva. Progressiva, e não regressiva, pois há obras que estão muito abaixo daquilo que se publicou até hoje, para não dizer que há aquelas que nunca deveriam estar sendo publicadas.
Infelizmente, os periódicos espíritas, de modo geral, não publicam análises dessas obras que estão sendo comercializadas, ostentando indevidamente o nome da Doutrina.
Impera, no meio espírita, um sentimento de falsa caridade, um pieguismo mesmo, que impede se analise uma obra diante do público. Essas atitudes é que encorajam médiuns ávidos de notoriedade à publicação dessa verdadeira avalanche de obras que vão desde aquelas discutíveis a outras verdadeiramente reprováveis.
Nesse particular, é justo se chame a atenção dos dirigentes de núcleos espíritas, sejam centros, sejam livrarias, a fim de que avaliem a responsabilidade que lhes cabe quanto ao que é dado a público em nome do Espiritismo.

O dirigente – ou o grupo responsável pela direção de uma casa espírita – responderá perante o Alto, sem a menor dúvida, pela fidelidade aos princípios doutrinários de tudo o que se divulga em nome do Espiritismo, seja na exposição oral, num livro, ou simplesmente num folheto. O mesmo se diga relativamente àqueles responsáveis pelas associações intituladas “clube do livro”.
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ESTRUTURA FAMILIAR
(Waldenir Aparecido Cuin)
Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família? “Uma recrudescência do egoísmo.” (Questão 775, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.)
A família é, incontestavelmente, uma célula educadora. Nela a criatura aprende a ampliar responsabilidades, a multiplicar sentimentos, a valorizar a fraternidade, a desenvolver o senso de proteção, a pensar em conjunto, a perder a individualidade e a banir a solidão.
Sem qualquer dúvida, trata-se da base social.
Jamais podemos pensar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sem contarmos com a devida, necessária e indispensável estruturação da família. Se registramos, na coletividade, comportamentos nocivos e deletérios, onde seres humanos se apresentam de forma desequilibrada e fora dos padrões da decência e da dignidade que se espera, certamente a origem das distorções, na maioria dos casos, tem o nascedouro na família em desalinho.
Edifica a família aquele que tem plenas convicções da urgência e necessidade de educar os filhos formando-lhes o caráter, não apenas dando-lhes instrução, pois que isso a escola também pode fazer. Educar é tarefa prioritária da família, onde exemplo é a lição mais forte.
Edificam a família os cônjuges que se respeitam sentimentalmente, mantendo-se fiéis aos compromissos de fidelidade. Diferença de opinião não se caracteriza como motivo para desavenças e querelas. Podemos, perfeitamente, ter pensamentos diferentes uns dos outros e caminharmos juntos na mesma direção.
Edificam a família os membros que elegem o trabalho como base de sobrevivência e aprendizado, sem que um seja peso econômico para o outro. Trabalho não é castigo, é sagrada oportunidade de aprendizado e de equilíbrio físico e mental.
Edifica a família quem mantém em seu lar um clima de cortesia, afabilidade, entendimento e solidariedade, onde se vislumbram as qualidades dos componentes e se trabalha em conjunto para a correção dos defeitos naturais que ainda ostentam.
Edifica a família quem carrega para dentro dela noções de religiosidade, pois ninguém conseguirá entender as razões lógicas da vida sem refletir, maduramente, na grandeza, bondade e perfeição das leis divinas.
Edifica a família aquele que permanece dentro dela mesmo carregando grande cota de sacrifício sobre os ombros, pois quem não consegue servir ao próximo mais próximo terá dificuldade em encontrar a paz.
Edifica a família quem sabe perdoar, esquecer e cultivar a resignação, pois que num agrupamento de seres humanos, ante o estágio evolutivo que nos encontramos, ainda são frequentes os momentos de desajustes que exigem paciência e calma.
Estruturar a família não é tarefa fácil, mas indispensável para continuarmos sonhando com a paz e a felicidade, pois tais conquistas somente se fixarão, definitivamente, em nosso âmago, no instante em que conseguirmos plantá-las nos corações alheios, e nada mais justo e lógico do que iniciarmos essa tarefa pelos nossos familiares.
Em verdade, fácil é conquistar algo no mundo, difícil é vencer na família. Muitas criaturas conhecem a aprovação social pelos feitos que apresentam, mas recebem a reprovação dos familiares devido ao descumprimento dos deveres básicos. Ainda, a vitória fora do lar, sem o amparo da família sólida, não terá o sabor que se espera.


Reflitamos.
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CASAMENTO
(Felinto Elízio Duarte Campelo)

O casamento é uma tradição adotada por todos os povos desde a mais remota antiguidade.
O ato de consorciarem-se duas pessoas de sexos opostos sempre se deu por livre união, pelas mais diversas formalidades civis ou diferentes cerimônias e rituais religiosos, variando conforme a época, o país, a crença.
Todos os dias, jovens enamorados unem-se pelos liames afetivos. Querem eles que seja um enlace duradouro, pleno de felicidade.
Um casamento estável, independentemente de haver sido oficializado ou não, lastreia-se no amor puro, sincero, leal, diferente da paixão desvairada que se esvai quando satisfeito o desejo.
Rapazes e moças casadoiras não se iludam com a lenda de almas gêmeas. Elas são apenas Espíritos afins, estagiando no mesmo grau de desenvolvimento, sujeitos às vicissitudes que a vida material oferece. São individualidades diferentes, independentes, com pensamentos próprios.
A vida de casados não é só lua de mel, não é só poesia, não é um mar de rosas ou um lago azul de águas plácidas, cristalinas, transparentes como cantam e decantam os poetas e romancistas; por vezes as rosas tendem a se descolorirem, murcharem, as águas turvam-se, encapelam-se. A vida a dois é um laboratório de experiências onde, ao calor do cadinho, se devem purificar aqueles que optarem pelo matrimônio.
Por isso mesmo, creiam que, sozinho, o amor não é capaz de consolidar um casamento. Há outros componentes imprescindíveis para tornar uma união sólida, durável ou mesmo perpétua.
São ingredientes tais como um pouco de paixão moderada, humildade, compreensão, tolerância, paciência, renúncia.
Aos cônjuges cabe aprenderem a renunciar a determinado costume e gostos a bem da harmonia doméstica; devem eles exercitar a paciência para eliminar áreas de atrito desgastantes; necessitam da tolerância que releva faltas e omissões para manter uma convivência sadia, sem rusgas; carecem de muita compreensão para administrarem diferenças sem quebra da tranquilidade e da paz no lar; precisam ser humildes para reconhecerem suas próprias limitações e aceitarem as do seu parceiro, abafando a vaidade, recalcando o orgulho, extirpando a prepotência, sentimentos inferiores tão comuns aos seres humanos; é importante manterem acesa a chama da paixão recíproca que sustenta a atração física e dá equilíbrio ao relacionamento íntimo, dissipador natural das tensões provocadas pela vida moderna.
A condição humana nos faz dependentes de bens materiais e a pouca evolução espiritual nos leva à busca incessante do deleite em sensações físicas.
A vida a dois envolve nuanças às vezes esquecidas. À esposa não basta ser apenas “a esposa”, é preciso ser mulher, viver o lado feminino; ao esposo não é lícito ser somente “o esposo”, é essencial ser marido atuante que participa, interage, ampara, sabe manter viva a chama da paixão que aquece o coração e estar presente tanto nas horas de alegria como nos momentos de tristeza.
Por fim, queremos falar aos jovens que, lembrando o Evangelho de Jesus, em Mateus, 26:41: não olvidem o ensinamento “VIGIAI E ORAI”.
A oração é o elo luminoso entre criatura e Criador, além do que nos condiciona a vigiar para que aquela paixão, a humildade, a compreensão, a tolerância, a paciência e a renúncia não sejam exauridas e permaneçam vivas como sustentáculo do remanescente amor que nunca deverá ser esvaecido.

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A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DEUS E AS  DIVISÕES DAS CORRENTES CRISTÃS
(José Reis Chaves)
Os espíritas não aceitam os dogmas criados pelos teólogos, mas respeita-os e procuram seguir rigorosamente os preceitos evangélicos. Já os protestantes e evangélicos, ao contrário, estão mais ligados aos dogmas do que ao evangelho, além de, às vezes, se prenderem muito ao Judaísmo do Velho Testamento. Que fique bem claro aqui que não tenho nada contra os judeus, que muito admiro pela sua fervorosa fé monoteísta, e que muito têm também da essência do cristianismo não dogmático, do que é um exemplo os Dez Mandamentos. Além disso, a religião do próprio Jesus era o Judaísmo.
O pensamento religioso é o que mais evolui. Constantemente, ele está em transformação, principalmente o pensamento a respeito de Deus. E cada um de nós tem Deus do tamanho de nós mesmos, ou seja, de nosso nível diferenciado de inteligência e de nossa evolução científico-cultural-filosófico-teológica. Daí as polêmicas teológicas sem fim, que sempre existiram e existirão, e que são a causa de as pessoas mudarem tanto de religiões.
E é por isso que as ideias dos teólogos antigos a respeito de Deus, com todo o respeito a elas e a eles, precisam de uma revisão urgente, pois, às vezes, elas estão tão fora de tempo, que chegam mesmo a favorecer o crescimento daqueles que deixam de crer em Deus ou ficam sem religião.
Essas diferenças milenares de pontos de vista das pessoas, principalmente as dos teólogos, sobre Deus, sobre Jesus e sobre o Espírito Santo, estão também presentes na própria Bíblia e, às vezes, num mesmo autor em épocas eferentes de sua vida. Ademais, como os autores bíblicos receberam influências ou inspirações de Espíritos humanos, deuses (Espíritos desencarnados), ora bons (Espíritos santos), ora maus ou atrasados, a Bíblia tem questões sobre Deus, o bem e o mal, envolvendo ora verdades, ora erros. E essas diferenças acontecem sempre entre os religiosos de todas as religiões, haja vista as divergências entre os cristãos e as da minoria dos islâmicos do Estado Islâmico com a maioria do verdadeiro Islamismo.
E essas divergências são derivadas, em grande parte, das influências ou inspirações de Espíritos de diversos níveis de evolução sobre os teólogos e dirigentes de religiões. “A nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra as potestades.” (Efésios 6: 12). Sim, nós recebemos influência de Espíritos bons e maus, pois Deus respeita o livre-arbítrio de todos os Espíritos encarnados e desencarnados que sempre estão atuando no Universo.
Aqui queremos abrir um parêntesis para abordar um assunto confuso. (Romanos 8: 11): O mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus, e que habita em vós, ressuscitará a vós também. Esse espírito é o de Deus ou o nosso? Tentemos esclarecer essa passagem. “Pneuma” em grego significa espírito, sopro e vento. Veja-se a metáfora “Deus soprou nas narinas de Adão”. (Gênesis 2: 7). Então, “pneuma” significa sopro ou Espírito de Deus, propriedade de Deus, mas que é também um espírito emanado de Deus para cada ser humano.
A Bíblia não é a palavra de Deus. Ela contém a palavra de Deus transmitida para nós através de Espíritos mensageiros ou anjos (“aggelos”), ou seja, Espíritos enviados por Deus ao nosso mundo, confundidos, muitas vezes, com o próprio Deus. E muitas divergências teológicas cristãs existem, exatamente por causa das diferenças de evolução cultural dos teólogos!
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JESUS NÃO É DEUS
(André Luiz Alves Jr)
Pisar neste terreno é o mesmo que andar em um campo minado, pois o assunto contradiz a crença de muitas pessoas, no entanto, nossa intenção é apenas elucidar o tema sob a ótica da Doutrina Espírita sem promover discussões acaloradas.
Certas religiões não reconhecem o Espiritismo como doutrina cristã e utilizam como principal argumento o fato de que os espíritas não admitem a ideia de que Jesus é o próprio Deus. Em parte, eles estão certos. De fato a Doutrina Espírita não interpreta a figura de Jesus como Deus, mas, daí a dizer que o Espiritismo não é cristão, é uma outra história.
À primeira vista, a afirmação de que o Messias não é o Criador pode nos causar uma certa perplexidade, mas para compreender o tema proposto devemos nos libertar da fé cega que nos torna uma máquina de crer, nos tira a ação de questionar e de submeter as ideias ao crivo da razão.
A divindade de Jesus
O Cristianismo tornou-se religião oficial do Império Romano no ano de 380 d.C., por ordem do imperador Teodósio I. Até então o paganismo predominava naquela civilização e qualquer outra forma de manifestação religiosa era considerada uma subversão. Todavia, a doutrina pagã fora oficialmente extinta somente no ano de 392 d.C. Neste período de conversão do Império Romano, o Cristianismo sofreu influências pagãs e incorporou alguns costumes da antiga religião em suas tradições.
O hábito de cultuar imagens, por exemplo, foi herdado do paganismo. Desta maneira, acredita-se que o endeusamento da personalidade de Jesus tenha partido do mesmo princípio, o que acabou tornando-se um dogma, que posteriormente foi fomentado pela institucionalização da Igreja, que acabou criando, através de seu proselitismo, a imagem de um Messias intocável.
Jesus por Ele mesmo
Sabemos que o Mestre de Nazaré não deixou nenhum registro de suas ideias. Os relatos existentes são narrados pelos apóstolos ou até mesmo pelos discípulos dos apóstolos, que sequer tiveram contato com Jesus, o que não confere grande credibilidade aos registros contidos no Novo Testamento. Mas por serem os únicos relatos existentes, mencionaremos determinadas citações bíblicas atribuídas ao Cristo, que demonstram não ser Ele o Criador.
Vejamos:
“Quem quer que me receba, recebe aquele que me enviou, porquanto aquele que for o menor entre todos vós será o maior de todos”. (Lucas, 9:48)
“Jesus lhes disse então: Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, porque foi de Deus que saí e foi de sua parte que vim; pois não vim de mim mesmo, foi Ele que me enviou.” (João, 8:42)
“Jesus então lhes disse: Ainda estou convosco por um pouco de tempo e vou em seguida para aquele que me enviou.” (João, 7:33)
“Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou.” (João, 6:38)
Quem teria enviado Jesus, senão o Criador? As palavras que destacamos em negrito, nos levam a crer que Jesus se refere a outra personalidade, que nada tem a ver com o Nazareno.
Em outras tantas passagens evangélicas, Jesus se dirige a Deus como um filho se reporta a um pai:
“Aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mateus, 10:32)
“Eu me vou e volto a vós. Se me amásseis, rejubilaríeis, pois que vou para meu Pai, porque meu Pai É MAIOR DO QUE EU.” (João, 14:28.)
Certamente Jesus não se referiu a José quando pronunciou "o meu pai", mas sim a Deus, que lhe confiou a mais sublime missão. (Obras Póstumas - Allan Kardec.)
Percebemos nestas citações contidas no Novo Testamento, que são atribuídas ao próprio Cristo, que Ele é um enviado de Deus. Descarta-se, portanto, qualquer possibilidade de o Nazareno ser o Criador.
Por fim, destacaremos uma das mais conhecidas passagens atribuídas a Jesus, que é narrada pelos evangelistas nas escrituras. São as últimas palavras do Cristo enquanto espírito encarnado:
“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lucas, 23, 46)
Ora, aqui nos parece muito claro que Jesus se coloca diante de Deus no ponto alto de seu sofrimento. Allan Kardec destaca seu pensamento sobre o assunto:
“Se Jesus, ao morrer, entrega sua alma às mãos de Deus, é que ele tinha uma alma distinta de Deus, submissa a Deus. Logo, ele não era Deus”. (Obras Póstumas - Allan Kardec.)
Jesus, segundo o Espiritismo
Algumas religiões acusam o Espiritismo de diminuir a figura de Jesus, o que não é verdade. A Doutrina Espírita procura resgatar o cristianismo redivivo, que se perdeu com o passar dos tempos, e por isso rejeita o dogma da divindade de Jesus, tal qual o próprio Cristo o fez, como exemplificamos no tópico anterior.
A Doutrina dos Espíritos nos explica que Jesus é um Espírito criado por Deus, simples e ignorante, como todos nós, mas que já percorreu todo o caminho evolutivo e que por isso é um Espírito perfeito.
625) Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?
–Vede Jesus. (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
Jesus Cristo é um dos prepostos do Criador, que recebeu a missão de conduzir o nosso planeta. Antes mesmo de a Terra existir, Ele já havia alcançado a perfeição e, juntamente com uma plêiade de Espíritos afins, organizou o nosso sistema, os planetas e tudo o que aqui está.
Sua reencarnação na Terra teve o objetivo de complementar a lei anunciada por Moisés e, sobretudo, para nos mostrar que podemos evoluir moralmente e nos aproximar de Deus.
"Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
O Espiritismo não endeusa a figura do Mestre, ao contrário, nos apresenta Jesus de uma maneira real e tangível, desmistificando a ideia do Cristo intocável e distante. Ele é o modelo a ser seguido e, somente colocando em prática seus exemplos e ensinamentos, teremos condições de conquistar a perfeição.
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim."(João, 14)
Deus, segundo o Espiritismo
Não temos a pretensão de definir o que é Deus, até mesmo porque esse assunto foge ao nosso entendimento. Mas recorremos a "O Livro dos Espíritos", em que Allan Kardec, logo na primeira pergunta direcionada aos Espíritos superiores, vai direto ao ponto.
1. Que é Deus?
–“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”(O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
Temos aqui uma ideia superficial do que é Deus, pois a natureza humana, ainda muito limitada, não é capaz de compreender a complexidade do Criador. Mas entendemos que Deus é eterno, não teve princípio e não terá fim; é único e soberanamente justo e bom. É dEle que partem todas as coisas, inclusive o princípio inteligente chamado de espírito.
 81. Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem uns dos outros?
–“Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.)
"Deus não se mostra, mas se revela por suas obras." Para comprovar sua existência, basta olhar ao redor e contemplar a natureza, o universo, a harmonia de tudo que o homem não criou. Não precisamos nos esforçar muito para compreender que toda esta complexidade nasce de uma inteligência maior, ou nada faria sentido.
Considerações finais
Se todos os Espíritos são criados por Deus e Jesus é um Espírito puro, logo o Cristo não é Deus, mas podemos considerá-lo como seu emissário.
Jesus é parte da obra magnífica e infinita do Criador, trazendo consigo a esperança e a centelha do amor Divino, que nos consola em tempos difíceis e nos reveste de esperança. É a luz que clarifica o caminho para evolução.

–"Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita." (Espírito Emmanuel, no livro "Emmanuel" - Psicografia de Chico Xavier.)
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Um comentário:

  1. Prezado Amigo(a) responsavel pelo Blog,

    Quero agradecer por voce ter colocado meu artigo nesse importante Blog.
    Mais uma oportunidade para falar dos ensinos do Mestre Jesus.
    Se quizer mais artigos, me avise e eu mando para voce.
    São artigos de cunho espirita, pois sou palestrante, realizamos cursos de Doutrina e Mediunidade.
    Abraços fraternos
    Prof. Wagner Ideali
    email: wagner.ideali@terra.com.br
    fone: 011-98354-3513

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