Benedito de São Filadelfo
Este é o nome com que é denominado São
Benedito, nos livros litúrgicos. Os franceses, no entanto, a fim de distinguir
São Benedito de São Bento, pois que ambos tem o mesmo nome em sua língua,
Benoît, passaram a chamar São Benedito de Benedito, o mouro.
O que se sabe é que Benedito nasceu
perto de Messina, na ilha da Sicília, ao sul da Itália, no ano de 1526. Era
filho de um casal escravo africano, que foi comprado por uma família siciliana,
chamada Manasseri.
Benedito significa bendito, abençoado.
Por ter sido o primeiro filho do casal, conforme promessa do patrão, nasceu
livre. Não teve escola senão o lar e a Igreja. Foi pastor, ajudando o pai no
cuidado dos rebanhos do patrão. Logo que as primeiras economias lhe permitiram,
ele comprou uma junta de bois e se dispôs a lavrar a terra, vivendo nessa
labuta até os 21 anos, com as tristezas e alegrias próprias dos agricultores,
que dependem do sol, da chuva e dos ventos.
Nessa idade, um monge eremita chamado
Jerônimo Lanza o convidou a compor a comunidade dos Irmãos Eremitas
Franciscanos. Professou seus votos solenes, cinco anos depois e as regras
rígidas do Convento não o perturbavam. Bastava-lhe uma refeição pobre por dia e
o chão duro para dormir.
Como o povoado ficava próximo ao
Convento, muita gente vinha pedir bênçãos aos frades e logo se espalhou que
Frei Benedito produzia milagres. Levas e mais levas de pessoas passaram a bater
à porta do Eremitério sem parar, o que motivou que os frades tomassem a decisão
de se transferir para o vale de Nazana, depois para Mancusa, sempre se
repetindo a situação. Todos queriam conhecer aquele homem extraordinário a quem
Deus dera o dom de curar. Doentes chegavam em macas e carroças e o local se
tornou centro de romaria.
Em 1562, com a morte de Jerônimo Lanza,
a comunidade foi dissolvida, por ordem do Papa Júlio III. Benedito estava com
36 anos e optou por procurar o Convento Franciscano de Santa Maria de Jesus, a
poucos quilômetros de Palermo. Sua fama de santo já o havia precedido e como a
violeta que deseja expandir seu perfume, ocultando-se entre as folhas
abundantes, Benedito desejava esconder-se dos olhos e da admiração do mundo,
mas não obteve êxito.
Por ser um religioso leigo, foi
designado para a cozinha do Convento. Fatos estranhos, diziam, acontecia na
cozinha. Comentava-se que jovens de grande beleza eram vistos mexendo para lá e
para cá na cozinha, enquanto Frei Benedito, por vezes, se demorava a orar na
Igreja.
Foi em 1578, portanto nos seus 52 anos
de idade, que ele foi nomeado Guardião do Convento de Santa Maria de Jesus.
Guardião é o título do Superior dos conventos franciscanos, normalmente, cargo
confiado somente aos sacerdotes.
Possivelmente, devem ter descoberto em
Benedito qualidades de dirigente, pois além de ser um religioso leigo, era
analfabeto. Ele chegou a pedir sua renúncia à designação, mas não foi aceita e
durante três anos ele ficou no cargo. Como Superior, presidia todas as reuniões
da comunidade, as orações comunitárias, dava ou negava licenças pedidas e recebia
contas de todos os gastos extras.
A ordem para o porteiro do Convento,
durante a sua administração, era clara: nenhum pobre sem atendimento. Nenhum
mendigo devia ser despachado sem ajuda.
E, certa vez, ao distribuir pão aos
pobres, o porteiro, Irmão Vito da Girgenti, percebeu que a fila era enorme e na
cesta os pães estavam por acabar. Decidiu encerrar a distribuição e despachou
os demais pobres. Benedito, ao saber, ordenou que todos fossem chamados de
volta e que os pães restantes fossem distribuídos. A Providência Divina,
afirmou, acharia um meio de os socorrer.
Para espanto e alegria do porteiro, os
pães não somente foram suficientes para todos os necessitados, como sobraram na
cesta exatamente os necessários para atender aos religiosos.
A Benedito é atribuída sabedoria ao
ponto de, sem ser sacerdote, auxiliar na formação religiosa dos noviços. Quem
assistisse a uma das suas exposições, guardava a convicção de que estava
ouvindo um grande teólogo.
Teólogos de renome, ouvindo falar
daquele prodígio, vinham elucidar dúvidas e voltavam para casa plenamente
convencidos de que uma inspiração divina tomava conta do religioso leigo.
A portaria do Convento vivia cheia de
gente que procurava Benedito: uns queriam conselhos, outros, o retorno da
saúde. Alguns, somente desejavam apertar sua mão, conhecê-lo.
Os angustiados, aflitos e desesperados
voltavam tranquilos, consolados e alegres por terem recuperado o rumo de sua
vidas, após a palavra do frade.
Seus dias eram tão cheios de trabalho
para o povo, a cozinha, a enxada, a vassoura que a noite o encontrava exausto.
No entanto, doces visões espirituais povoavam seu descanso.
Fenômenos mediúnicos como o da
levitação e o êxtase ocorriam quando ele se punha a orar. O povo, por não
entender o que acontecia, tudo reportava à conta de milagre e se aglomerava
para ver o frade, à frente de uma procissão, deslizando, acima do solo.
Com o corpo alquebrado pelos trabalhos
e sofrimentos da vida, aos 63 anos, Benedito adoeceu. Em fevereiro de 1589 caiu
de cama e a doença foi relativamente rápida: dois meses.
No dia 4 de abril, assentou-se na cama
e começou a orar, entre visões de espíritos. Ao pronunciar: "Em vossas
mãos, Senhor, entrego o meu espírito", rogativa habitual nos ofícios
noturnos do Convento, deitou-se, fechou os olhos e deu o último suspiro.
Dos seus 63 anos, foram 42 dedicados ao
bem. O corpo foi velado por poucas horas e enterrado no cemitério do Convento.
Não se espalhou a notícia de sua morte, senão depois de sepultado, pois,
acredita-se que os frades temessem a multidão que iria comparecer.
Mas, quando o povo soube, compareceu em
peso ao túmulo e as visitas numerosas durante até agosto. Dois anos depois,
porque a peregrinação prosseguisse ainda intensa, o corpo foi trasladado para a
sacristia da Igreja de Santa Maria de Jesus, erguendo-se, mais tarde, uma
capela lateral, porque a grande movimentação de pessoas, atrapalhava a
realização dos cultos religiosos.
O papa Clemente XIII o beatificou em
1763 e o Papa Pio VII o canonizou em 1807.
Em O Livro dos Médiuns, cap.
XXXI, item V, assinando-se São Benedito, escreve: " É bela e santa
a vossa Doutrina. (...) A estrada que vos está aberta é grande e majestosa.
Feliz daquele que chegar ao porto.(...)"
Joana D'Arc
A França era um país curvado ao poderio
inglês. Não era propriamente um país como hoje é conhecido. Constituía-se de
vários feudos. E foi numa aldeia ignorada até então que, em 1412 nasceu uma
criança que se tornaria célebre e célebre faria Domremy. Filha de pobres
lavradores, aprendeu a fiar a lã junto com sua mãe e guardava o rebanho de
ovelhas. Teve três irmãos e uma irmã. Não aprendeu a ler, nem a escrever, pois
cedo o trabalho lhe absorveu as horas. A aldeia era bastante afastada e os
rumores da guerra demoravam a chegar. Finalmente, um dia, Joana d'Arc tomou
contato com os horrores da guerra, quando as tropas inglesas se aproximaram e
toda a família precisou fugir e se esconder. A história da vida desta heroína
francesa é marcada por fatos trágicos. Presenciou o assassinato de membros de
sua família por soldados ingleses que invadiram a vila em que morava. Aos 12 anos começou a ter visões. Era um dia
de verão, ao meio-dia. Joana orava no jardim próximo à sua casa, quando escutou
uma voz que lhe dizia para ter confiança no Senhor. A figura que ela divisou,
identificou como sendo a do arcanjo São Miguel. As duas mensageiras espirituais
que o acompanhavam, como Catarina e Margarida, santas conforme a Igreja que ela
frequentava. Eles lhe falam da situação do país e lhe revelam a missão. Entrar
para o exército francês e ir em socorro do Delfim e coroá-lo rei de França. Durante
quatro anos, ela hesitou e a história de suas visões começou a se espalhar. Ao
alvorecer de um dia de inverno, ela se levanta. Está decidida. Prepara uma
ligeira bagagem, um embrulhinho, um bastão de viagem, murmura adeus aos seus
pais e parte. Nunca mais aquela aldeia da Lorena a verá. Motivada pelas
mensagens, cortou o cabelo bem curto, vestiu-se de homem e começou a fazer
treinamentos militares. Foi aceita no exército francês, chegando a comandar
tropas. Suas vitórias importantes e o reconhecimento que ganhou do rei Carlos
VII despertaram a inveja em outros líderes militares da França. Estes
começaram a conspirar e diminuíram o apoio de Joana D’arc. Em 1430, durante uma
batalha em Paris, foi ferida e capturada pelos borgonheses que a venderam para
os ingleses. Durante 6 meses ela é submetida a uma verdadeira tortura moral. Os
interrogatórios são longos, cansativos. Foi acusada de praticar feitiçaria, em
função de suas visões, e condenada a morte na fogueira. A execução se dá na
praça central de Roeun, no dia 30 de maio de 1431. Seu cabelo foi raspado e,
por temerem a reação do povo, 120 homens armados a escoltam até o local. Ela é
atada a um poste e a fogueira é acesa. Quando as chamas a envolvem e lhe mordem
as carnes, ela exclama: "Sim, minhas vozes eram de Deus! Minhas
vozes não me enganaram”. Foi uma importante personagem da história
francesa, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), quando seu país enfrentou
a rival Inglaterra. Camponesa modesta foi uma mártir francesa e também heroína
de seu povo. Em 9 de maio de 1920, cerca de 500 anos
depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada, sendo
canonizada pelo Papa Bento XV. Era a Santa Joana d'Arc.
No capítulo XXXI de O livro dos
médiuns, vindo a lume no ano de 1861, quando o Codificador reúne Dissertações
Espíritas, confere à de Joana D'Arc o número 12, onde ela se dirige aos
médiuns, em especial, concitando-os ao exercício da mediunidade.
Recomenda-lhes, ainda, que confiem em
seu anjo guardião e que lutem contra o escolho da mediunidade que é o orgulho.
Conselhos que ela, em sua vida terrena,
na qualidade de médium, muito bem seguira.
Willian Crookes
Foi muito a propósito que Charles Richet deu por iniciado
com William Crookes, em 1872, o período científico da metapsíquica, hoje
parapsicologia. Possivelmente, nenhum cientista que se atreveu a estudar com
afinco os fenômenos objetivos da parapsicologia foi tão controvertido quanto
William Crookes.
Nenhum levantou tanta celeuma em torno de suas afirmações
acerca dos fenômenos que observou; nenhum teve a sua reputação tão atacada; e
nenhum foi tão firmemente honesto em suas convicções científicas quanto ele. A
obra deste sábio extraordinário tem resistido aos embates do tempo e aos
ataques mesquinhos de seus adversários gratuitos, unicamente porque é toda ela,
límpida e cristalinamente apoiada sobre uma granítica base de fatos. Quem
estuda, sem má-fé e sem preconceitos, os trabalhos de William Crookes,
impressiona-se pela pureza, simplicidade e clareza meridiana de seus
relatórios. Dos seus trabalhos, transpiram a sinceridade, a firme convicção e a
serenidade de um sábio que tranquilamente proclama a verdade, sem inquietar-se
com o julgamento dos demais, por achar-se seguro de que o erro está com aqueles
que negam a evidência dos fatos.
Willian Crookes nasceu em Londres, Inglaterra, no dia 17 de junho de
1832. Foi o maior químico da Inglaterra, segundo afirmativa de “Sir”
Arthur Conan Doyle, o que ficou constatado pela trajetória gloriosa
que esse ilustre homem de ciência desenvolveu no campo científico. Mencionado
como sendo um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos
supranormais, desenvolveu importante trabalho na área da fenomenologia espírita.
No ano de 1855, assumiu a cadeira de química na Universidade de Chester.
Como consequência de prolongados estudos, no ano de 1861 descobriu os raios
catódicos e isolou o Tálio, determinando rigorosamente suas propriedades
físicas. Após persistentes estudos em torno do espectro solar, descobriu, em
1872, a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, o que o levou à construção
do Radiômetro, em 1874. No ano seguinte descobriu um novo tratamento para o
ouro. No entanto, a coroação do seu trabalho científico foi a descoberta do
quarto estado da matéria, o estado radiante, no ano de 1879. Foram-lhe
outorgadas várias medalhas pelas relevantes descobertas no campo da física e da
química.
A rainha Vitória, da Inglaterra, nomeou-o com o mais alto título daquele país:
“Cavalheiro”.
A par de todas as atividades, ocupou a presidência da Sociedade de Química, da
Sociedade Britânica, da Sociedade de Investigações Psíquicas e do Instituto de
Engenheiros Eletricistas.
Dotado de invejável fibra de investigador, acabou por pesquisar os fenômenos
mediúnicos, a princípio, com o fim de demonstrar o erro em que incidiam os
ditos “médiuns” e todos aqueles que acreditavam piamente em suas mediunidades.
Entre 1869 e 1875, Crookes levou a efeito um número enorme
de sessões com os mais variados médiuns; as de maior importância, no seu
próprio laboratório pessoal. São cinco os seus principais grupos de
experiências com os médiuns mais qualificados e por ordem cronológica: Daniel
Dunglas Home, Kate Fox, Charles Edward Williams, Florence Cook e Annie Eva Fay.
Além desses, ele teve experiências esparsas com os seguintes médiuns: mrs. Marshall, J. J. Morse, mrs. Event,
o reverendo Staiton Moses, mrs. Mary M. Hardy, miss Showers e inúmeros outros de menor
fama. As mais notáveis
experiências mediúnicas, levadas a efeito por esse ilustre cientista, foram
realizadas através da médium Florence Cook, quando obteve as
materializações do Espírito que dava o nome de Katie_King, fato
que abalou o mundo científico da época. A jovem Florence Cook tinha apenas 15
anos de idade quando se apresentou a Sir Willian Crookes, a fim de
servir de medianeira para as pesquisas científicas que vinha realizando. São
dela as seguintes palavras: “Fui à casa do Senhor Crookes, sem prevenir a meus
pais e nem a meus amigos. Ofereci-me em sacrifício voluntário sobre o altar de
sua incredulidade.” Ela pediu a proteção da Sra. Crookes e submeteu-se a toda sorte
de experimentações, objetivando comprovar a sua mediunidade, pois que um
cavalheiro, de nome Volckmann, havia lhe imputado suspeitas de fraude. No dia
22 de abril de 1872, aconteceu, pela primeira vez, a materialização do Espírito
Katie King, estando presente na sessão, a genitora, alguns irmãos da médium e a
criada. Após várias sessões, nas quais o Espírito Katie King se
manifestava com incrível regularidade, a Srta. Florence afirmou a Willian
Crookes que estava decidida a submeter-se a todo o gênero de
investigações.
Na sua obra “Fatos Espíritas”, faz completo relato de todas as experiências
realizadas com o Espírito materializado de Katie King, que não deixa dúvida
quanto ao poder extraordinário que possui o Espírito de dar a forma desejada,
utilizando a matéria física.
O médium D. D. Home é famoso também
pelas suas levitações. Diz Crookes: "Há pelo menos 100 casos bem
verificados do sr. Home, produzidos em presenças de muitas pessoas diferentes;
e ouvi mesmo da boca de três testemunhas: o conde de Dunraven, lord Lybdsay e o
capitão C. Wynne, a narração dos casos mais notáveis desse gênero acompanhados
dos menores incidentes!. Inúmeros outros fenômenos extraordinários foram
repostados por Crookes. Entre eles destacam-se os efeitos luminosos. Eis
alguns: Em plena luz, vi uma nuvem luminosa pairar sobre uma planta chamada
heliotrópio ou flor de baunilha, colocada em cima de uma mesa, ao nosso lado,
quebrar-lhe um galho, e trazê-lo a uma senhora, e, em algumas ocasiões, percebi
uma nuvem semelhante condensar-se sob nossos olhos, tomamdo uma forma de mão e
transportar pequenos objetos.
Numerosos cientistas de renome, mesmo diante dos fatos mais convincentes,
hesitaram em proclamar a verdade, com receio das consequências que isso poderia
acarretar aos olhos do povo.
Crookes, porém, não agiu assim. Ele penetrou o campo das investigações
com o intuito de desmascarar, de encontrar fraudes, entretanto, quando
constatou que os casos eram verídicos, insofismáveis, ele rendeu-se à
evidência, curvou-se diante da verdade, tornou-se espírita convicto e afirmou:
- “Não digo que isto é possível; digo: isto é real!”
Willian
Crookes desencarnou em 04 de abril de 1919, em Londres, Inglaterra.
Alexandre Aksakof
Alexandre Aksakof, filósofo russo e
investigador psíquico, nasceu na Rússia, em Repiofka, vila de Penza, no
sudoeste de Moscou, no dia 27 de Maio de 1832, no seio de nobre família, cujos
membros ocuparam sempre lugar de destaque na literatura e nas ciências, e desencarnou
em São Petersburgo (chamada Leningrado, no período de domínio comunista), no
dia 4 de Janeiro de 1903. Começou seus estudos no Liceu Imperial de São
Petersburgo, instituição da antiga nobreza da Rússia, e uma vez concluídos
dedicou-se ao estudo da Filosofia e da Religião, tendo para isso que aprender o
hebraico e o latim, visando um melhor entendimento da obra grandiosa de
Swedenborg.
Foi professor da Academia de Leipzig
e fundador, em 1874, da revista Psychische Studien (Estudos Psíquicos), na
Alemanha. Em 1891, lançou em Moscou a revista de estudos psíquicos Rebus, a
primeira do seu gênero na Rússia.
Para fazer um completo estudo
fisiológico e psicológico do homem, matriculou-se em 1855 como estudante da
Faculdade de Medicina de Moscou, onde ampliaria os seus conhecimentos de
Física, Química e Matemática, ao mesmo tempo em que acompanhava, passo a passo,
o desenvolvimento espírita na Europa e na América. Para isso ele revolvia
livrarias e pedia de qualquer lugar as obras que não se encontravam nas
livrarias de sua terra. A partir de 1855 ele inicia a tradução para o russo de
todas as obras de Allan Kardec,
Grande pesquisador dos fenômenos
espíritas durante o século XIX. Criou adeptos entre cientistas e filósofos de
seu tempo, que, através de experiências feitas com médiuns famosos como Daniel
Dunglas Home, levou a Rússia a formar a primeira comissão de caráter puramente
científico para o estudo dos fenômenos espíritas. Aksakof mandou vir da França
e da Inglaterra os médiuns que participariam das experiências. Como resultado,
por haver fugido das condições pré-estabelecidas, tal comissão chegou a
conclusões questionáveis e emitiu como relatório conclusivo o livro Dados para
estabelecer um juízo sobre o Espiritismo, que afirmava a falsidade dos
fenômenos observados. Aksakof contestou a comissão com um outro livro
intitulado: Um momento de preocupação científica. Sustentou longa polêmica e
refutou as explicações materialistas do filósofo alemão Nicolai Hartmann,
discípulo de Schopenhauer, que atribuía todos os fenômenos espíritas a
manifestações do inconsciente ou a charlatanismos.
Foi colaborador de William Crookes
nas experiências de materialização do Espírito de Katie King, fez parte da
Comissão de Milão para investigação dos fenômenos produzidos pela médium
italiana Eusapia Palladino, que serviram de fundamentação para sua obra mais
importante: Animismo e Espiritismo assim como, ao estudar a mediunidade da
médium inglesa conhecida como Elizabeth d’Espérance, testemunhou um evento
sobre o qual escreveu a obra Um caso de Desmaterialização.
Homem de brilhante posição social,
ele consagrou-se durante 25 anos ao serviço do Estado, alcançando vários
títulos, tais como: conselheiro secreto do Czar, conselheiro da corte,
conselheiro efetivo do Estado, e outros que não são mais que um prêmio aos bons
serviços prestados por ele à sua pátria. Jamais se deixou arrastar pelos
entusiasmos das suas convicções; nunca perdeu a serenidade em seus juízos, e,
no meio da sua fé, tão ardente e sincera, não esqueceu o raciocínio frio que
lhe fez compreender quais podem ser as causas dos fenômenos que observava, o
que o colocou acima dessa infinidade de fanáticos que não estudando, não
experimentando, e aceitam como bom tudo quanto se lhes querem fazer crer.
Gabriel Delanne
Uma ótima
oportunidade para refletirmos e analisarmos as diversas contribuições feitas no
século XX ao Espiritismo e as chamadas ciências do espírito.
Gabriel Delanne
(juntamente a Leon Denis) marca a transição do Espiritismo do século XIX,
influenciado pela presença de Kardec, para o Espiritismo do início do século
XX, buscando sua afirmação científica, tentando empolgar os homens de ciência
da época.
Nascido em Paris, no dia 23 de março de 1857 – no
mesmo ano da publicação de "O Livro dos Espíritos" – Delanne foi o
discípulo mais próximo de Alan Kardec. Além disso, foi, provavelmente, o
primeiro grande personagem espírita nascido em uma família espírita. Seu pai,
Alexandre Delanne, acompanhou de perto os trabalhos do Codificador, fazendo
parte com este da direção da Sociedade Espírita, fundada por ambos. Sua
esposa e mãe de Gabriel, Alexandrine Delanne, portadora de mediunidade
ostensiva, muito colaborou na Codificação do Espiritismo com suas
comunicações, transmitindo informações confiáveis, filtradas do mundo
espiritual através de seus dons.
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Portanto, desde
criança, Gabriel Delanne, esse grande defensor do Espiritismo, estava
familiarizado com o vocabulário espírita, e assistiu, desde muito pequeno, a
numerosas sessões espíritas, inclusive, travou contato com Kardec. Quando
Kardec faleceu, Delanne tinha doze anos de idade. E nesse ambiente espiritual
propício à sua preparação, e que se fez nos moldes rigorosamente científicos e
com estrita fidelidade ao seu codificador. Afirmando sempre que a sua crença
inabalável era a espírita, e dedicando-se desde cedo à pesquisa experimental
dos fatos presenciados dentro da sua própria casa, veio a receber da
espiritualidade uma mensagem cujo teor o faria mais dedicado e disciplinado
para com suas pesquisas. Dizia a mensagem: "Nada temas. Tem confiança.
Jamais ser rico do ponto de vista material. Coisa alguma, porém, te faltara na
vida". Gabriel Delanne iniciou seus estudos no colégio Cluny (em
Saone-et-Loire), depois no colégio de Grau (em Haute-Soane) e aos 19 anos
ingressou na Escola Central das Artes e Manufatura. Como a situação financeira
de seus pais não permitiu a conclusão de seus estudos começou a trabalhar na
Companhia de Ar Comprimido e de Eletricidade Popp onde esteve até 1892,
dividindo seu tempo entre seu trabalho e sua dedicação ao Espiritismo.
Em 1883 ele fundou
a revista "O Espiritismo" graças à generosidade de uma inglesa,
Elisabeth D'Esperance, que lhe doou o dinheiro para as despesas. Passou então a
realizar
experiências com
grandes médiuns. Em 1904 juntamente com Charles Richet e outros estudiosos,
presenciou os prodigiosos fenômenos de materialização de Vila Cármen, em Argel.
A produção literária de Delanne não se apoia em especulações imaginárias, mas
em fatos por ele mesmo investigados e confirmados. Dedicando-se de maneira
especial ao trabalho de demonstrar que o Espiritismo se apoia em bases
científicas, escreveu essas principais obras hoje conhecidas em todo o mundo:
"Pesquisas sobre a Mediunidade", "A Alma é Imortal",
"O Espiritismo perante a Ciência", "O Fenômeno Espírita
","A Evolução Anímica", "As Aparições Materializadas de
Vivos e Mortos", "Documentos para o Estudo da Reencarnação". e
finalmente "A Reencarnação". Em "O Espiritismo perante a
Ciência", ele traça com rara maestria um quadro completo dos dados que o
psiquismo pode apresentar para merecer o respeito dos cientistas. E como
demonstração da admirável segurança de sua argumentação, basta que se lance os
olhos sobre suas páginas e verifique-se, que desde a época já distante em que
apareceu a primeira edição desta obra, o seu autor teve a satisfação de
verificar que algumas das mais importantes teorias expostas tiveram a
consagração da Ciência. Em sua luta para estabelecer a verdade espírita,
sabedor dos males gerados pela ignorância, pelo fanatismo e pela paixão
desregrada escreve: "A luta é inflamada e provavelmente será longa, de vez
que os prejuízos religiosos e científicos se mostram obstinados.
Insensivelmente, porém, a evidência acaba impondo-se. Temos agora a convicção
de que a certeza da imortalidade se tornar uma verdade científica, cujas
consequências benfazejas, fazendo-se sentir no mundo inteiro, mudarão os
destinos da humanidade". Homem de mentalidade politécnica, afeiçoado desde
cedo aos estudos exatos, às observações frias, às deduções rigorosas, foi o
chefe supremo da parte experimental do Espiritismo à qual deu o maior
desenvolvimento, ainda não suplantado. Delanne fez ver através de suas obras
que a Física moderna, o magnetismo, o hipnotismo, a sugestão verbal ou mental,
a clarividência, a telepatia e o Espiritismo, todos esses conhecimentos
novos são
convergentes para as fronteiras espirituais. Tornou evidente que as provas das
comunicações dos
espíritos, sendo tão numerosas quão variadas tornariam o Espiritismo uma
demonstração científica da imortalidade. Em sua luta incessante iniciada aos 13
anos, publicou aos 68 anos de idade uma obra de incomparável valor intitulada
"A Reencarnação", última de seu gênio privilegiado. Pela solidez
apresentada, pelo rigor de sua lógica, pelo valor de sua argumentação, pela
escolha de suas provas, pela superioridade de sua tese, e pela imparcialidade
com que apresenta os fatos, essa obra ‚ a primeira da coleção “delanneana”.
Abordando todas as
angulações elaboradas pela codificação, Delanne sempre respondia com humildade
sobre sua própria obra: "Nada tenho dilatado. Tudo que há é de Kardec.
Apenas tenho feito constatações. Mostrei-as em meus livros e demonstro-as na
prática diária. Nada acrescento". Excesso de modéstia dele. Sua obra
complementa e solidifica os ensinamentos de Kardec, abordando temas correlatos
e aprofundando outros onde o grande codificador não dispusera de tempo para
considerações maiores.
Delanne foi o
pesquisador que de maneira incansável soube aproximar a ciência da religião,
certo que ambas teriam que caminhar unidas para uma compreensão lógica do
universo e dos seus habitantes, os espíritos. O insigne pesquisador dedicou
toda a sua vida à propagação do Espiritismo, pelo qual se sacrificou
inutilmente aos olhos daqueles que só veem no imediatismo a verdadeira razão do
viver humano e por isso não podem compreender que, por força desse desprezo
pelas vaidades e ambições terrenas, ele se cobriu de glórias espirituais pelo
trabalho bem conduzido, sem vacilações e fielmente executado até seu derradeiro
instante da vida corpórea.
Marcam suas obras
a defesa ferrenha dos conceitos espíritas e o combate ao materialismo.
Utilizando o método racional empregado na época, faz uso de casos e observações
para comprovar suas hipóteses. Apesar de aceitar a revelação dos espíritos,
sempre procurou a comprovação através dos fatos. Delanne não gozava de boa
saúde. De menino tinha um abcesso no olho esquerdo – pelo qual foi isento do
serviço militar – o qual resultou numa infeção que iria progressivamente
prejudicar sua visão. No curso dos anos seu estado de saúde foi se agravando.
Em 1906 a paralisia dos membros inferiores obrigava-o a andar com duas bengalas.
Nem por isso abandonou as conferências na França e no exterior, sempre
divulgando as idéias espíritas. No período da 1a guerra
(1914/18) a saúde de Delanne piorou ainda mais. Cada movimento era um grande
sofrimento e ainda por cima ficou cego. Em 1918 já não conseguia mais andar
sendo necessário o uso de cadeira de rodas. Não obstante todos esse sofrimento
físico continuou produzindo incessantemente, retirado na vila de Montmorency
onde Jean Myer lhe havia dado asilo.
Léon Denis
Notável filósofo
espírita. Foi um dos principais expoentes do Espiritismo após a morte de Allan
Kardec. Nasceu em primeiro de Janeiro de 1846 em Foug, pequena localidade de
Toul, na França. Desencarnou, cego e doente, em 18 de Abril de 1927, na cidade
de Tours, também na França, onde viveu a maior parte de sua vida. Era de origem
Celta (Gaulês), grupo de antigos povos da Europa, de antes de Cristo. Era profundamente conhecedor da
cultura celta e, como historiador, escreveu obras sobre este assunto,
destacando-se "O Gênio Celta e o Mundo Invisível" e a vida de
"Joana D´Arc". Filho
único de Joseph Denis, pedreiro pobre, depois carteiro e ferroviário e de
Anne-Lucie Liouville, camponesa. Só fez o curso primário, mas lia muito e,
graças ao seu talento e às leituras, tornou-se um homem culto e erudito. Foi
telegrafista ferroviário e contador comercial. Em Tours, trabalhou como
operário braçal numa cerâmica e frequentou uma escola noturna para aprimorar
seus conhecimentos gerais. Aos 18
anos adquiriu, por curiosidade, "O Livro dos Espíritos", que começou
a ler escondido da mãe (que era católica). Denis comentou depois de lê-lo:
"Eu encontrei neste livro a solução clara, completa e lógica, para um
problema universal. A minha convicção tornou-se forte e sólida. A
Teoria Espírita dissipou a minha indiferença e as minhas dúvidas” A mãe descobre o livro e também o lê. Ambos
tornam-se espíritas. Passou a trabalhar numa firma que comerciava com couros,
onde se ocupava com a correspondência e contabilidade, passando depois a
vendedor - viajante. Como viajante comercial pode visitar e proferir
conferências espíritas em várias localidades da França, Bélgica, Suíça, Algéria
e Tunísia (na África), Ilha de Córsega, Itália, etc. Manteve a sua profissão de
viajante até se aposentar. Filho amoroso, de todos os lugares aonde ia,
escrevia sempre cartas ou postais à sua mãe, com quem morava. Nunca se casou,
por ter saúde fraca e temer desamparar a família.
Conheceu Allan Kardec por ocasião da visita do Codificador à cidade de Tours, onde fora pronunciar uma conferência sobre Espiritismo. Nessa ocasião foi negado permissão para a reunião em um salão que tinha sido alugado para a conferência. Cerca de 300 pessoas tiveram, então, que ouvir o conferencista, em pé, no jardim da casa particular de um espírita. Com 21 anos revê mais duas vezes Allan Kardec; uma vez em Paris e outra em Bonneval. Tornou-se secretário do Grupo Espírita de Tours. Estuda e pesquisa o Espiritismo. Em 1869, com 23 anos, torna-se Orador da Loja Maçônica dos Demófilos (nome de origem grega, significando Amigos do Povo). 1870 - Guerra Franco-Prussiana. Léon Denis está com 24 anos e serve como Sargento na 1° Legião da Guarda. Depois passa a Subtenente, Tenente e Major-Ajudante. Vem a Paz. Foi dedicado colaborador da Liga de Ensino, entidade que buscava criar escolas e bibliotecas para o povo. Certa vez seus amigos quiseram fazê-lo Deputado. Recusou-se. Sua missão era trabalhar pelo Espiritismo. Léon Denis era médium Escrevente, Vidente e de Intuição. Recordava-se de três de suas encarnações anteriores, na Gália. Sua protetora espiritual foi o espírito que se identificou como Sorela, mais tarde revelando ser Joana D´Arc. Um de seus Guias foi Jerônimo de Praga (Monge Pré-Reformador, 1416, queimado vivo pela igreja de Constança, Alemanha); é também o Espírito Azul (era visto como uma névoa azulada). Com o tempo Léon Denis tornou-se um famoso orador espírita e passa a defender e esclarecer a Doutrina Espírita em brilhantes conferências. É considerado o continuador e consolidador da obra de Allan Kardec. É tido como o Apóstolo do Espiritismo e reconhecido como Filósofo, Orador, Historiador, Escritor primoroso, autor de 15 obras de inestimável valor doutrinário. Quando ficou cego tratou de aprender a escrever em Braille, para tomar notas e registrar ideias e pensamentos. Como não podia mais ler nem escrever, passou a utilizar os serviços de secretárias, a quem ditava cartas e seus últimos livros. Foi Presidente de Honra da União Espírita Francesa. Membro honorário da Federação Espírita Internacional. Presidente do Congresso Espírita Internacional realizado em Paris – 1925. Viveu 81 anos, 3 meses e 11 dias, legando, pelo seu trabalho, suas conferências, suas obras, notável exemplo de dedicação e doação ao Espiritismo. Denis não era apenas um sucessor de Allan Kardec, como geralmente se supõe, mas foi uma figura importante na consolidação do movimento espírita. Ele realizou estudos doutrinários, a investigação sobre os médiuns, e impulsionou o movimento espírita na França, e em todo o mundo. Ele aprofundou os aspectos morais da Doutrina e, sobretudo, consolidou o movimento nas primeiras décadas do século 20. Próprio Denis resumiu sua missão da seguinte forma: "Eu tenho consagrado esta existência ao serviço de uma grande causa, o Espiritismo ou Espiritualismo moderno, que será certamente a fé universal, e a religião do futuro”.
Conheceu Allan Kardec por ocasião da visita do Codificador à cidade de Tours, onde fora pronunciar uma conferência sobre Espiritismo. Nessa ocasião foi negado permissão para a reunião em um salão que tinha sido alugado para a conferência. Cerca de 300 pessoas tiveram, então, que ouvir o conferencista, em pé, no jardim da casa particular de um espírita. Com 21 anos revê mais duas vezes Allan Kardec; uma vez em Paris e outra em Bonneval. Tornou-se secretário do Grupo Espírita de Tours. Estuda e pesquisa o Espiritismo. Em 1869, com 23 anos, torna-se Orador da Loja Maçônica dos Demófilos (nome de origem grega, significando Amigos do Povo). 1870 - Guerra Franco-Prussiana. Léon Denis está com 24 anos e serve como Sargento na 1° Legião da Guarda. Depois passa a Subtenente, Tenente e Major-Ajudante. Vem a Paz. Foi dedicado colaborador da Liga de Ensino, entidade que buscava criar escolas e bibliotecas para o povo. Certa vez seus amigos quiseram fazê-lo Deputado. Recusou-se. Sua missão era trabalhar pelo Espiritismo. Léon Denis era médium Escrevente, Vidente e de Intuição. Recordava-se de três de suas encarnações anteriores, na Gália. Sua protetora espiritual foi o espírito que se identificou como Sorela, mais tarde revelando ser Joana D´Arc. Um de seus Guias foi Jerônimo de Praga (Monge Pré-Reformador, 1416, queimado vivo pela igreja de Constança, Alemanha); é também o Espírito Azul (era visto como uma névoa azulada). Com o tempo Léon Denis tornou-se um famoso orador espírita e passa a defender e esclarecer a Doutrina Espírita em brilhantes conferências. É considerado o continuador e consolidador da obra de Allan Kardec. É tido como o Apóstolo do Espiritismo e reconhecido como Filósofo, Orador, Historiador, Escritor primoroso, autor de 15 obras de inestimável valor doutrinário. Quando ficou cego tratou de aprender a escrever em Braille, para tomar notas e registrar ideias e pensamentos. Como não podia mais ler nem escrever, passou a utilizar os serviços de secretárias, a quem ditava cartas e seus últimos livros. Foi Presidente de Honra da União Espírita Francesa. Membro honorário da Federação Espírita Internacional. Presidente do Congresso Espírita Internacional realizado em Paris – 1925. Viveu 81 anos, 3 meses e 11 dias, legando, pelo seu trabalho, suas conferências, suas obras, notável exemplo de dedicação e doação ao Espiritismo. Denis não era apenas um sucessor de Allan Kardec, como geralmente se supõe, mas foi uma figura importante na consolidação do movimento espírita. Ele realizou estudos doutrinários, a investigação sobre os médiuns, e impulsionou o movimento espírita na França, e em todo o mundo. Ele aprofundou os aspectos morais da Doutrina e, sobretudo, consolidou o movimento nas primeiras décadas do século 20. Próprio Denis resumiu sua missão da seguinte forma: "Eu tenho consagrado esta existência ao serviço de uma grande causa, o Espiritismo ou Espiritualismo moderno, que será certamente a fé universal, e a religião do futuro”.
Fonte:
O texto em resumo acima foi extraído da obra citada abaixo:
Revista Internacional de Espiritismo - Setembro 2001.
O texto em resumo acima foi extraído da obra citada abaixo:
Revista Internacional de Espiritismo - Setembro 2001.
François de Genève
Francisco de Sales nasceu
no dia 21 de agosto de 1567, no reino da Savoia, no castelo de Sales, situado
entre a França, Itália e Suíça. Os pais eram de alta nobreza e muito religiosos. A
condessa velou com o máximo cuidado pela educação do filho, que, apesar do
nascimento prematuro e da constituição fraquíssima, se desenvolveu
admiravelmente. Estudou no Colégio de
Clemont dos Jesuítas, em Paris, e na Universidade de Pádua, onde se doutorou em
Direito Canônico e Civil.
Francisco devia acompanhá-la até nas visitas que
fazia aos pobres e doentes e era ele quem dava as esmolas aos necessitados. No
meio dos trabalhos escolares, Francisco não se esquecia das práticas
religiosas. Oração e leitura espiritual eram-lhe companheiras inseparáveis.
Pela morte do bispo Cláudio, de Genebra, Francisco
passou a substituí-lo, enfrentando árduas tarefas, porque deveria enfrentar os
calvinistas, considerados hereges.
A vida de Francisco de Sales não apresenta nada de
sensacional. Os seus ideais de moderação e caridade, de gentileza e humildade,
de alegria e entrega à vontade de Deus são expressos com uma sensatez que anima
os fracos e alimenta os fortes, ocasionado-lhe a reputação como o Santo
Cavalheiro.
O Papa Alexandre , em 1665, inseriu o nome de
Francisco entre os santos, por ter ele curado um cego de nascença, paralíticos
e chegando a ressuscitar mortos. Em 1923 foi declarado Doutor da Igreja. É o
padroeiro da Boa Imprensa. E talvez seja por ter sido tão famoso, de origem
aristocrática, mas humilde, na página mediúnica, preferiu assinar François de
Genève, ao invés de São Francisco de Sales.
“A melancolia” é o título do
texto que o espírito assina, em Bordéus e que foi inserido no cap. V, item 25
de O
evangelho segundo o espiritismo.
Chateaubriand
"Eu pressentira, mau grado a
prejuízos de infância e de educação, mau grado ao culto da lembrança, a época
atual. Sou feliz por isso(...)" , é como se expressa
Chateaubriand na mensagem, inserida em O Livro dos médiuns, 2. parte, cap.
XXXI, item II.
Com certeza, estaria a pensar nas
próprias reformas que ele presenciara e vivera no seu período de vida física,
findo em 4 de julho de 1848, na capital francesa.
Ele conheceu o exílio e a glória,
provações e homenagens, o desprezo e o poder. Político e escritor, participou
de grandes momentos da História, que registrou em sua obra Recordações
de além-túmulo,publicada em forma seriada, em Paris, de 21 de outubro de
1848 a 3 de julho de 1850, portanto depois de sua morte.
Escrita após a revolução de 1830, num
período de completo isolamento, a obra apresenta uma galeria brilhante de
personalidades da época, de dimensões históricas, políticas, sociais e
literárias, cimentando o prestígio permanente de Chateaubriand na literatura
francesa.
"Da primeira à última página das
Mémoires sente-se a presença do autor, com as suas fraquezas, a sua coragem, o
seu orgulho, a sua grande força de escritor"1 , tanto quanto o
difícil caminho de um aristocrata e intelectual após a Revolução.
Esse mágico do verbo e infatigável
viajor dos séculos, nasceu François René, visconde de Chateaubriand, no dia 4
de setembro de 1768, em Saint-Malo, último filho de uma família católica.
Freqüentou o Colégio, engajou-se no Exército, freqüentou a corte e a sociedade
de Paris. Espírito irrequieto e aventureiro, embarcou para a América do Norte
aos 23 anos, tendo percorrido vastas regiões de florestas virgens e
estabelecido contatos com tribos indígenas.
Seu retorno à Europa se deu
imediatamente após saber da fuga e prisão do rei Luís XVI, em Varennes. Diante
da queda da monarquia, alistou-se no exército dos príncipes emigrados, que
combatiam as forças revolucionárias. Ferido no cerco de Thioville, refugiou-se
na Inglaterra em 1793, onde se sustentou dando lições de francês e fazendo
traduções.
Trabalhou ali numa epopéia indígena
publicada em 1826, Os Natchez. Sua primeira obra, contudo, Ensaio
histórico, político e moral sobre as revoluções antigas e modernas,
consideradas em suas relações com a Revolução Francesa, viria a lume
em 1797.
Também é na capital londrina que ele
reconquista sua fé perdida, inicia sua obra de apologia da religião cristã e
resolve dedicar seu gênio literário à defesa e reestauração das crenças
religiosas, que a Revolução havia abalado.
Retornou à França em 1800 e em 1801
publicou um episódio retirado de Os Natchez, Atala, ou Os amores de
dois selvagens no deserto. Ali, a jovem Atala salva o herói e prefere a
morte ao casamento com Chactas, a fim de não ferir um voto que fizera à Virgem
Maria.
Quatro anos depois, outro episódio
seria publicado: René, onde se evidencia sua qualidade de
discípulo de Rousseau, pintando através do seu personagem, o retorno do homem
civilizado à Natureza. É um combate à lassidão, à impotência dos `tempos
modernos', com significação moral.
Uma apologia da fé cristã, publicada em
1802 é sua obra mais famosa: O espírito do cristianismo, com a
qual ele conquista Napoleão, que desejava oficializar a religião católica como
religião do Estado. Nela se encontra emoção religiosa e poesia, consagrando o
escritor como uma espécie de guia espiritual de sua época.
Em tributo de gratidão, Napoleão o
nomeia secretário da Embaixada em Roma e depois ministro no cantão suíço de
Valais, em 1804. Nesse ano, a 21 de março, a execução do duque de Enghien
desperta os sentimentos monárquicos adormecidos em Chateaubriand. Ele se demite
da carreira diplomática e se encerra numa oposição prudente, mas tenaz, ao
imperador, apesar de todas as tentativas daquele para o reconquistar.
Eleito para a Academia Francesa de
Letras, é impedido de pronunciar seu discurso de posse, considerado abertamente
provocador.Mais tarde, em 1811 publicou um panfleto contra Napoleão e em 1816 define
seu ideal político, defendendo a tese de que o rei deve reinar, mas não
governar.
Após a ruptura com Napoleão, já célebre
em toda a Europa, Chateaubriand medita em coroar exitosamente a sua obra de
apologista da religião cristã, através de uma epopéia de seus mártires. Viaja a
Jerusalém e no retorno, publica Os mártires ou O triunfo da religião
cristã, e depois Itinerário de Paris a Jerusalém..., Vida de Rancé (relato
da vida do Reformador da Ordem dos Trapistas no século XVII).
Chateaubriand firmou-se como um dos
grandes precursores do Romantismo, pelo conteúdo das emoções variadas de sua
obra, pela intensidade e poder dos muitos momentos exemplares do seu estilo.
Fontes de consulta:
1.
1. Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 5.
Jean-Jacques Rousseau
Seu nome é lembrado toda vez que
ocorrem estudos biográficos do Codificador. Jean Henri Pestalozzi, o educador
atento e homem íntegro, assimilou o pensamento de Rousseau, a partir do contato
que teve com a sua obra capital: Émile ou de l'Éducation. E
foi por intermédio de Yverdun e de Pestalozzi que Rivail abeberou-se na
doutrina da natureza de Rousseau.
Esse homem estranho, que tem seu nome
estreitamento ligado à área pedagógica, foi romancista, memorialista, teórico
social e político e um ideólogo.
Nascido em Genebra, na Suíça, a 28 de
junho de 1712, até os seus 38 anos, era conhecido apenas como músico. Órfão de
mãe ao nascer, com apenas 10 anos de idade foi entregue aos cuidados de um
pastor, em Bossey, retornando a sua cidade natal dois anos depois e ali, foi
aprendiz de gravador.
Peregrinando entre a Suíça e a França,
tornou-se professor de música em Lausanne e Chambéry, e aos 19 anos,
deslumbrou-se com a capital parisiense. Conseguindo quem o amparasse, na
qualidade de protetores, entre os quais Mme. de Warens, da cidade de Chambéry,
chegou a acompanhar o embaixador da França a Veneza, na qualidade de
secretário.
Dedicado à música, teve recusado seu
projeto de uma nova notação musical, apresentado na Academia de Ciências, em
Paris. O sucesso musical seria alcançado em 1750, quando foi premiado, pela
Academia de Dijon, o seu ensaio, Discurso sobre as ciências e as artes. A
partir daí, suas novas produções teatrais e musicais são melhor acolhidas. No Discurso premiado,
Rousseau responde à pergunta proposta pela Academia de Dijon, em concurso: se o
progresso das ciências e das letras concorreu para corromper ou depurar os
costumes, onde afirma a primeira alternativa. Foi um contestador da sociedade
tal como era organizada.
Quatro anos depois, no seu Discurso
sobre a desigualdade entre os homens, afirmaria que a desigualdade e a
injustiça eram os frutos de uma hierarquia mal constituída, que a organização
social não corresponde à verdadeira natureza humana, corrompendo-a e sufocando
o seu potencial.
No campo da música Rousseau escreveu a
ópera-balé As musas galantes e a ópera cômica, O
adivinho da aldeia.
Foi amigo dos enciclopedistas, entre os
quais Diderot e Grimm, com os quais romperia mais tarde, tornando-se objeto de
hostilidades tanto do governo como dos seus ex-amigos enciclopedistas, chegando
a ter sua prisão decretada, o que o fez refugiar-se na Suíça, depois na
Inglaterra.
Rousseau foi a mais profunda influência
sobre o pré-romantismo, encontrando-se os traços dessa influência no romantismo
francês de Chateaubriand, Lamartine e Victor Hugo, bem assim inspirou
personagens de Goethe, de Foscolo, bem como personagens de Byron. Seu romance
de amor, A nova Heloísa, publicado em 1761 teve um sucesso
extraordinário. Ao mesmo tempo romance filosófico, exalta a pureza em luta
contra uma ordem social corrompida e injusta. Descreve um amor irrealizado.
Possivelmente o retrato do que ele mesmo viveu.
No ano seguinte, surgiram suas obras
mais discutidas: Do contrato social e Emílio ou da
Educação. Na primeira, Rousseau apresenta o Estado ideal como
resultante de um acordo comum entre os seus membros. Para esse acordo, faz-se
necessário se estabeleçam obrigações. Para se tornarem cidadãos, os indivíduos
devem ceder algumas de suas prerrogativas. A vontade geral, que é a da
coletividade, é a que deve prevalecer. É um Estado que garante os direitos dos
cidadãos.
Em Emílio, em forma
romanesca, Rousseau imagina a educação de um jovem. É o processo da formação do
indivíduo, que deveria ser ensinado a ver com "os próprios olhos".
Afirmava ali, o pedagogo francês: "... a educação do homem começa
no seu nascimento; antes de falar, antes de escutar, ele já se instrui. A
experiência precede as lições; no momento em que ele conhece a sua ama de
leite, ele já adquiriu muito."
Se considerarmos a idéia da
pré-existência da alma e o Espírito reencarnante presente no processo
gestatório, desde a fecundação, o pensamento de Rousseau ganha maior
significado. Para ele, a educação é um processo espontâneo, natural,
particularizando a necessidade do contato com a natureza. Mais do que conhecer,
o ser necessita ser capaz de discernir.
A respeito de Deus, na última parte da
obra, resume Rousseau: "Esse Ser que quer e que pode, esse Ser,
ativo por si mesmo, esse Ser, enfim qualquer que seja, que move o universo e
ordena todas as coisas, eu o chamo Deus. Acrescento a esse nome as idéias
reunidas de inteligência, de poder, de vontade, e a de bondade, que é uma
conseqüência necessária; apesar disto não conheço melhor o Ser que assim
classifico; ele se furta, tanto aos meus sentidos como ao meu entendimento;
quanto mais penso nele, mais me confundo; sei com muita certeza que ele existe,
e que existe por si mesmo; sei que minha existência é subordinada à sua, e que
todas as coisas que conheço se encontram absolutamente no mesmo caso. Percebo
Deus por toda parte em suas obras; sinto-o em mim, vejo-o à minha volta; mas
tão logo quero contemplá-lo em si mesmo, tão logo quero procurar onde está, o
que é, qual a sua substância, ele me escapa, e meu espírito perturbado não
percebe mais nada."
A sua obra mais delicada e de emoção
mais tranqüila, denomina-se Devaneios de um passeante solitário. Referir-se-ia
porventura, o escritor à sua breve passagem pela Terra? Exatamente à
transitoriedade da encarnação? Ao escrevê-lo já se encontra enfermo, mas ainda
sensível à beleza natural da vida. Queixa-se da incompreensão de todos,
afirma-se amigo da Humanidade desprezado pelos homens e dá uma imagem idílica
da natureza. É seu testamento final. O dia 2 de julho de 1778 assinala o
término da sua jornada terrena na personalidade de Jean-Jacques Rousseau.
Contava 66 anos de idade.
Na Doutrina Espírita, que surgiria na
Terra, quase 80 anos depois, Rousseau teria saciada sua fome e sede de justiça,
igualdade e conhecimento. Eis como ele se expressa em mensagem inserida em O
Livro dos Médiuns, pelo Codificador: "Penso que o
Espiritismo é um estudo todo filosófico das causas secretas dos movimentos
interiores da alma, até agora nada ou pouco definidos.
Explica, mais do que desvenda,
horizontes novos.
A reencarnação e as provas, sofridas
antes de atingir o Espírito a meta suprema, não são revelações, porém uma
confirmação importante. Tocam-me ao vivo as verdades que por esse meio são
postas em foco. Digo intencionalmente _ meio _ porquanto, a
meu ver, o Espiritismo é uma alavanca que afasta as barreiras da cegueira.
Ressuscitando o espiritualismo,
o Espiritismo restituirá à sociedade o surto, que a uns dará a
dignidade interior, a outros a resignação, a todos a necessidade de se elevarem
para o Ente supremo, olvidado e desconhecido pelas suas ingratas
criaturas."
Fontes de consulta:
Kardec, Allan. O livro dos médiuns.
FEB, 1986. pt. 2, cap. XXXI, item 3.
Rivail, Hippolyte Léon Denizard. COMENIUS, 1998.
Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 18.
Moreil, André. Vida e obra de Allan Kardec. EDICEL, 1986.
Incontri, Dora. Pestalozzi, educação e ética. SCIPIONE, 1996.
Rivail, Hippolyte Léon Denizard. COMENIUS, 1998.
Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 18.
Moreil, André. Vida e obra de Allan Kardec. EDICEL, 1986.
Incontri, Dora. Pestalozzi, educação e ética. SCIPIONE, 1996.
Willian Ellery Channing
"Qual a instituição humana, ou
mesmo divina, que não encontrou obstáculos a vencer, cismas contra que lutar?
Se apenas tivésseis uma existência triste e lânguida, ninguém vos atacaria,
sabendo perfeitamente que havíeis de sucumbir de um momento para outro. Mas,
como a vossa vitalidade é forte e ativa, como a árvore espírita tem fortes
raízes, admitem que ela poderá viver longo tempo e tentam golpeá-la a machado.
Que conseguirão esses invejosos? Quando muito, deceparão alguns galhos, que
renascerão com seiva nova e serão mais robustos do que nunca."
Assim se expressa, em O Livro dos
Médiuns, cap. XXXI, dissertação de nº 7, o espírito Channing, bem traduzindo o
que foi em encarnação como pastor nos Estados Unidos. Convocando os espíritas à
luta, recordava, com certeza, as próprias que enfrentara a seu tempo, em nome
do estabelecimento das verdades espirituais.
Nascido em 7 de abril de 1780, em
Newport, ficou conhecido como o "apóstolo do Unitarismo", seita
protestante datada do século XVI, que negava o dogma da trindade divina,
reconhecendo Deus como Uno.
Organizou, nos Estados Unidos, a
tentativa para a eliminação da escravidão, a embriaguez, a indigência e a
guerra.
Tendo estudado Teologia em Newport e
Harvard, tornou-se a curto prazo um pregador de sucesso, em várias Igrejas na
área da cidade de Boston. Em Boston, foi Ministro da Federal Street Church no
largo período de 39 anos.
Preferindo evitar pontos complexos da
Doutrina, ele pregava a moralidade, a caridade e a responsabilidade cristã.
Na qualidade de pregador, alcançava
grandes audiências e como escritor colocou várias defesas da sua posição,
descrevendo a sua luta como "um sistema racional e amável contra o não
entendimento dos homens da caridade ou piedade".
Chegou a ser simpatizante da crença do
Movimento de Reforma Social e Educacional, mas não acreditava que a sociedade
pudesse ser melhorada por ações coletivas. Recusava a idéia de que o governo
poderia ajudar no avanço da moral e sensibilidade da raça humana, acreditando
que o governo pudesse somente intervir nas questões essenciais para manter a
ordem pública.
Sua obra escrita (ensaios e revisões),
cuja maioria foi destruída pelo fogo, foi classificada por um seu contemporâneo
como um "Tratado da Doutrina Cristã", enquanto o biógrafo de Napoleão
I, Sir Walter Scott teve oportunidade de o cognominar de grande agitador
social.
Comparecendo ao palco da Codificação e
tendo inseridas em O Livro dos Médiuns três mensagens de sua lavra no capítulo
31, além de uma contribuição valiosa, discorrendo a respeito da ubiquidade no
capítulo 25, pergunta de número 30 do item 282, convida o homem a escutar a voz
interior, do seu anjo guardião, assim se expressando: "Nem todos
sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que antes se
arrasta e rasteja do que caminha, dessa razão que se perde no emaranhado dos
interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de
si mesmo, que o transporta a regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o
artista e o poeta, pensamento divino que exalça o filósofo, arroubo que
arrebata os indivíduos e povos, razão que o vulgo não pode compreender, porém
que ergue o homem e o aproxima de Deus, mais que nenhuma outra criatura,
entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e lhe faz executar as
coisas mais sublimes."
Channing desencarnou em Bennington,
Estados Unidos, em 2 de outubro de 1842. Seis anos depois, o grande Movimento
que redundaria no posterior surgimento da Doutrina Espírita, despertaria os
homens para o estudo mais aprofundado do Mundo Invisível.
Afonso de Liguori
Afonso Maria Antônio João Cosme Damião
Miguel Gaspar de Liguori nasceu na casa de fazenda do seu pai em Marinella,
perto de Nápoles, numa terça-feira, 27 de setembro de 1696.
Era de família antiga e nobre. Seu pai,
Dom José de Liguori foi um oficial naval e Capitão Real de Galés. Sua mãe era
descendente de espanhóis.
Era o mais velho de sete crianças e a
esperança da sua casa. Brilhante e rápido, fez grandes progressos em todos os
tipos de aprendizado. Seu pai o fazia praticar cravo três horas por dia, e na
idade de treze anos ele tocava com perfeição de mestre.
Cavalgava e praticava esgrima como
recreação. Afirmava não poder se tornar um atirador devido a sua péssima
pontaria.
Na sua mocidade tornou-se um
aficcionado em ópera. Quando subiam as cortinas, ele tirava os óculos para não
ver os atores distintamente e assim melhor se extasiar com a música.
Afonso não foi educado em escolas mas
sim por tutores, sob o olhar vigilante do seu pai. Aos 16 anos, em 21 de
janeiro de 1713 formou-se em Direito, embora o normal fosse graduar-se com 20
anos de idade. Diziam que ele era tão pequeno na época que a toga o engolia,
arrancando risos da platéia. Logo após a sua formatura estudou para os exames
da Ordem dos Advogados, e aos 19 anos já praticava a sua profissão na Corte.
Em 8 anos de carreira como advogado,
afirma-se que ele jamais perdeu uma causa. Contudo, em 1723, Afonso foi um dos
advogados numa ação judicial entre um nobre napolitano e o Grão Duque de
Toscana, cuja propriedade valia 500.000 ducados. Após proferir um brilhante
discurso de abertura, sentou-se confiante na vitória. Mas, um documento, por
ele lido e relido, mas entendido em forma diversa da que foi apresentada pelo
seu oponente, no Tribunal, fez com que ele perdesse a causa.
Durante 3 dias ele recusou qualquer
tipo de alimento. Depois da tempestade passada, começou a pensar que a
humilhação da derrota tinha sido enviada a ele por Deus, para quebrar o seu
orgulho e afastá-lo do mundo. Estava seguro que algum sacrifício era
necessário, embora não soubesse exatamente qual seria.
Desgostoso, apesar da consternação do
pai, resolveu abandonar a carreira de advogado. Para se manter ocupado, passou
a visitar doentes em hospitais de incuráveis.
Em agosto de 1723, exatamente durante
uma dessas visitas ao Hospital de Incuráveis, subitamente se viu rodeado por
uma luz misteriosa e uma voz interior lhe disse: "Deixa o
mundo. Dá-me de ti mesmo." Tendo se repetido o fato mais uma
vez, Afonso tomou a solene resolução de entrar para o corpo eclesiástico.
Como padre, continuou a trabalhar em um
Hospital de Incuráveis, assistiu os condenados à forca, foi amigo dos
marginalizados, considerados uma chaga da sociedade em Nápoles.
Numa cidade de cerca de 500 mil
habitantes e 15 mil sacerdotes, Afonso se destacou como um homem extraordinário
que realizou o seu trabalho em situações difíceis e ingratas. Eram em torno de
40 mil os "desclassificados" em Nápoles e ele passou a realizar
"capelas noturnas". Eram reuniões do povo nas ruas e nas praças para
o ensino do Evangelho, oração e encontro fraterno.
No púlpito, tinha um estilo
inteligente, simples e sincero que enchia os corações com amor e misericórdia.
No confessionário, preocupava-se muito mais em atender as criaturas, do que em
punir os "criminosos".
Apesar de tudo, se mantinha inquieto.
Trazia a intuição de que algo mais deveria ser feito. Foi após um encontro com
o povo pobre das montanhas, pastores de ovelhas e cabras, que ele decidiu: iria
trabalhar entre os pobres mais pobres.
Junto a um grupo de companheiros,
fundou em 09 de novembro de 1732, em Scala, nas proximidades de Nápoles a
Congregação Redentorista. Era a sua resposta ao considerado "terceiro
mundo", constituído de pobres e abandonados, pois os missionários
redentoristas deviam viver no meio dos abandonados, na época, especialmente
aqueles das zonas rurais.
Escritor, escreveu 113 obras
teológicas, ascéticas, místicas e pastorais que chegaram a atingir 60 edições.
Também deixou escritas 1.700 cartas. Para compor a sua obra principal, a
Teologia Moral, leu 800 autores, anotando em fichas.
Com um anseio de saber, buscava nas
livrarias de Nápoles as mais recentes obras de seu tempo, de forma constante.
Homem versátil, foi também poeta, músico e pintor. Como gramático, escreveu
regras gramaticais com o objetivo exclusivo de alfabetizar um irmão na
Congregação. Trabalhador incansável, serviu como pedreiro na construção da
primeira casa de retidos da Congregação.
Com tanto trabalho e dedicação, teve
ainda que enfrentar uma insidiosa enfermidade, que fez da sua vida um martírio.
Por oito vezes, esteve à morte. Um ataque de febre reumática, no período de
maio de 1768 a junho de 1769, terminou por deixá-lo paralisado até o fim dos
seus dias. Pelo resto da sua vida física, ele teve que tomar seus alimentos
através de tubos.
Mesmo com toda esta problemática, ele
somente poderia retornar para sua pequena cela em Noccera, em julho de 1775,
dispensado então dos serviços pelo Papa. Foram mais 12 anos de grandes aflições
e sofrimentos físicos e morais. Estes últimos, por questiúnculas que envolveram
a Congregação e que afetaram muito a Afonso.
Aos 91 anos de idade, em 1º de agosto
de 1787, ele desencarnou. Reconhecendo seus grandes méritos, a Igreja o resolveu
elevar à categoria de "Santo", concedendo-lhe a canonização 49 anos
após a sua morte. Em O livro dos médiuns (pt. 2, cap. VII, item 119), o
Codificador refere-se a essa canonização antes do tempo prescrito, por ter sido
visto Afonso, durante sua vida terrena, em dois lugares diversos, ao mesmo
tempo: em sua cela de sacerdote e assistindo o Papa, em processo de
desencarnação, no Vaticano, o que passou por milagre.
Na mesma obra, o próprio Afonso,
indagado por Kardec, responde às questões de números 1 a 4, a respeito da
bi-corporiedade.
Em 1871, o Papa Pio IX lhe conferiu o
título de "Doutor da Igreja" e, em 1950, Pio XII o proclamou
"Patrono dos Confessores e Professores de Teologia Moral".
Fonte: Harold Castle
Transcribed by Paul T. Crowley
The Catholic Encyclopedia, Volume I
Transcribed by Paul T. Crowley
The Catholic Encyclopedia, Volume I
Benjamin Franklin
Ele foi chamado por Mirabeau, o líder
revolucionário francês, como o filósofo que mais fez para estender os direitos
do homem sobre toda a Terra.
Foi impressor e autor, filósofo e homem
de estado, cientista e inventor. Em suma, foi um dos homens mais importantes
que o continente americano produziu. De caráter simples, tinha uma
personalidade agradável e um senso de humor delicioso.
Quando jovem, tinha um físico de
atleta, algo que não podemos verificar pois os retratos conhecidos já o
apresentam quando homem de estado. Seu olhar era sereno , afetuoso,
destacando-se seus grandes olhos cinzentos e uma boca grande, com expressão de
bom humor, no rosto amplo.
Benjamin Franklin nasceu em Bóston, em
1706, como o 15º filho entre 17, de um pobre fabricante de velas. Freqüentou a
escola pouco mais de um ano, pois cedo o pai o pôs a trabalhar. Quase tudo o
que sabia aprendeu à custa de esforço próprio, por si mesmo: ciência,
filosofia, línguas. Falava o latim, francês, alemão, espanhol e italiano.
Aos 12 anos, já era aprendiz na oficina
do irmão, que era impressor. Aos 17, escrevia artigos anonimamente e os
colocava, à noite, por baixo da porta para que fossem publicados pelo
irmão.Nesse mesmo ano, foi a Nova York e começou a trabalhar numa editora.
Depois, estabeleceu _ se por conta própria. Fundou um jornal e uma revista.
Aos 42 anos, já conseguira juntar uma
pequena fortuna. A partir daí, dedicou outros 40 anos de sua vida a serviço da
pátria. Foi designado para missões diplomáticas , por duas vezes, na Inglaterra
e uma na França.
Como político, foi o primeiro a pensar
nos Estados Unidos como uma única nação e inventou um sistema de governos
estaduais unidos sob uma única autoridade, 20 anos antes da guerra da
Independência Americana.
Como cientista e inventor, foi o
primeiro a identificar os pólos negativo e positivo da eletricidade. A ele
devemos as palavras e os conceitos de bateria, carga elétrica, condensador e
condutor. Inventou o pára-raios, uma mão mecânica para levantar objetos
situados em lugares altos e o tamborete de cozinha que se transforma em escada.
Aos 78 anos de idade, inventou a bênção
dos óculos bifocais. Como músico, tocava harpa, violão e violino e escreveu
sobre os problemas da composição musical.
Foi o primeiro a estudar os efeitos da
água sobre o casco de um navio durante a navegação, convertendo-se no pai da
hidrodinâmica. Também, foi o primeiro a descobrir que o tecido escuro retém o
calor. Os europeus levaram cem anos para seguir seu conselho e levar roupa
branca para os trópicos.
Organizou a Sociedade Filosófica
Americana , a primeira associação científica dos Estados Unidos. Criou a
primeira corporação de polícia profissional e o primeiro serviço de bombeiros
voluntários. Também deu impulso à Sociedade Abolicionista e, na qualidade de
diretor-geral dos Correios, melhorou o serviço nacional e internacional, com a
Inglaterra.
Foi, possivelmente, o escritor mais
popular no mundo de língua inglesa, com sua Autobiografia, Édito do Rei da
Prússia, Regras pelas quais um grande Império pode se tornar pequeno, O
almanaque do pobre Richard e um livro sobre os fenômenos elétricos, que foi
traduzido para vários idiomas.
Ele pregava a alegria do trabalho e
praticava o que pregava. Tinha um cuidado especial com as descobertas de
outros, insistindo para que a autoria fosse sempre atribuída aos autores
corretos. Em muitas ocasiões, retirava seus trabalhos se outro pesquisador
tivesse descoberto alguma coisa parecida com eles.
Acreditava que podia se melhorar o
próprio caráter se a criatura se impusesse uma disciplina firme. "É
uma arte que tem de ser estudada, como a pintura e a música", dizia.
Quando jovem, fez uma lista das
qualidades dignas de se admirar e se propôs a persegui-las: ia ser moderado no
comer, evitaria a tagarelice, seria sistemático nos negócios, terminaria
qualquer tarefa que começasse, seria sincero, trataria os outros com justiça,
suportaria as injustiças com paciência, evitaria as extravagâncias, não
deixaria que as pequenas coisas o afetassem.
Organizou um pequeno livro para si,
separando uma página para cada virtude, a fim de dedicar uma semana de atenção
a cada uma delas, de forma seqüencial.
Ao desencarnar, no ano de 1790, aos 84
anos, foi encontrado o epitáfio que ele mesmo escrevera, para si, nos dias da
mocidade: "O corpo de Benjamin Franklin, impressor, como a capa de
um livro velho ao qual tivessem arrancado as páginas e tirado as letras e o
ouro, jaz aqui, comida para os vermes. Mas o trabalho não terá sido totalmente
perdido; porque, segundo ele crê, aparecerá mais uma vez, numa edição nova e
mais perfeita, corrigida e aumentada por seu Autor."
Para ele, dois anos antes, escrevera
George Washington: "Se os desejos unidos de um povo livre,
apoiados pelas preces fervorosas de todos os amigos da ciência e da humanidade,
pudessem aliviar o corpo das dores e enfermidades, logo ficaria bom. Se ser
venerado por sua benevolência, admirado por seu talento, estimado por seu
patriotismo, amado por sua filantropia puder satisfazer a mente humana, terá o
agradável consolo de saber que não viveu em vão. O senhor será recordado com
respeito, veneração e afeto por este seu sincero amigo e mais obediente e
seguro servidor."
Benjamin Franklin, entre outros
espíritos , assina "Prolegômenos" em "O livro dos
espíritos", demonstrando fazer parte daqueles que se fizeram presentes ao
trabalho extraordinário da Codificação da Doutrina Espírita.
Fonte: Grandes vidas,
grandes obras (Seleções do Reader's Digest) , 1968.
Paulo, o apóstolo
Foi em Tarso, na Cilícia, um importante
centro mercantil e intelectual do mundo romano que nasceu entre os anos 5 e 10
da Era Cristã, uma criança que, no momento da circuncisão recebeu o nome de
Saulo. Seus pais, embora judeus, gozavam dos privilégios da cidadania romana.
Privilégios que podiam ser conseguidos pelos habitantes das províncias de duas
formas: como recompensa por serviços prestados ou pelo desembolso de vultuosa
quantia.
Nos primeiros anos, ele freqüentou a
Sinagoga onde aprendeu nos textos sagrados até a aritmética. Um escravo o
acompanhava todos os dias, carregando-lhe a pasta com os utensílios escolares.
Sentado ao chão, com as pernas cruzadas, o menino Saulo ensaiou as primeiras
letras, gravando-as com um estilete de ferro sobre uma tabuinha coberta com uma
camada de cera. Como a tradição prescrevia ensinar um trabalho útil às
crianças, Saulo aprendeu a tecer pano de barraca, usando uma fazenda áspera e
durável, entremeado com pelos de cabra.
Adolescente ainda seguiu para
Jerusalém, onde se tornou discípulo do grande Gamaliel, no Templo de Salomão,
preparando-se para ser um devoto rabino. Ele mesmo na Epístola aos Gálatas
afirma: "... e me avantajava no judaísmo sobre muitos da minha idade e
linhagem , pelo extremo zelo às tradições de meus pais."
Ardoroso defensor de Moisés, Saulo
desencadeou séria perseguição aos homens do Caminho. E considerou seu primeiro
grande triunfo contra o Nazareno a lapidação do jovem Estêvão. Emmanuel
descreve na obra "Paulo e Estêvão", em detalhes, toda sua dor e vergonha,
ao se dar conta que Estêvão não era outro senão o irmão da sua amada noiva
Abigail, que viria a morrer 8 meses depois.
É, no entanto, a caminho de Damasco, na
Síria, levando cartas que lhe autorizavam a prender outros tantos seguidores de
Jesus, que Saulo foi surpreendido, em pleno meio-dia, pela luz imensa daquele a
quem perseguia.
"Saulo, Saulo, por que me
persegues? ", diz-lhe a voz. Nas entrelinhas, pode-se ler: "Por que,
Saulo, se és o vaso escolhido para levar a minha palavra a todas as gentes?"
Tendo vislumbrado a luz, ele se ergue
da areia, onde tombara, sem visão. Seguindo a orientação dada pelo Mestre,
entrou na cidade e aguardou. Ananias , em nome de Jesus, o vem retirar da sua
noite de sombras.
Começou para Saulo a jornada de
trabalho e o calvário das dores. Após o exílio de 3 anos, no deserto de Dan,
ele retornou para pregar a Boa Nova. Aquele Jesus a quem tanto perseguira na
pessoa dos seus seguidores, tornou-se seu Senhor. Quando empreendeu a viagem a
Damasco ele era o orgulhoso Saulo, cujo nome significa aquele a quem se
pede, solicita algo, orgulhoso. Ao se erguer, após a queda do cavalo e
a visão extraordinária do Cristo, ele se ergueu transformado. Era o escravo.
"Que queres que eu faça, Senhor?", é o que roga. Por isso mesmo, haveria
de trocar seu nome para Paulo, posteriormente, que significa modesto,
pequeno, humilde.
Pode-se dividir o seu apostolado em
três grandes viagens. Na primeira, partindo de Antioquia com Barnabé e Marcos,
foi à ilha de Chipre, depois à Panfília e à Pisídia. Deixou núcleos implantados
em Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derme, retornando a Jerusalém.
Na segunda grande viagem, em companhia
de Silas e Timóteo, atravessou a pé toda a Ásia menor, e , com Lucas chegou até
a Macedônia. As pequenas igrejas foram se formando em Filipes, Tessalônica,
Beréia. Ele chegou até a Grécia. Na primavera de 53, saiu de Corinto, voltou a
Jerusalém e Antioquia.
Na terceira viagem percorreu a Frígia e
a Galácia. Permaneceu dois anos em Éfeso, depois regressou à Macedônia e
Corinto. Retornando a Jerusalém foi preso, remetido a Cesaréia e, apelando para
César, chegou a Roma, depois de um naufrágio na ilha de Malta. Estima-se que
ele tenha percorrido em sua longa marcha nada menos de 20.000 km a pé, ou seja,
metade do comprimento da linha do Equador.
Sob a inspiração de Jesus, tendo a
servir de intermediário o próprio Estêvão, na espiritualidade, Paulo escreveu
as epístolas, cartas cheias de ternura aos companheiros das comunidades
nascentes, também carregadas de orientações:
duas aos Tessalonicenses , em Corinto,
em 52-54; 1ª aos Coríntios , de Éfeso, em 57; 2ª aos Coríntios, de Filipos, em
57; aos Gálatas e aos Romanos, de Corinto, em 57; aos Filipenses, aos Efésios,
aos Colossenses e a Filémon, de Roma, em 62; aos Hebreus, em 63 ou 64, da
Itália; 1ª a Timóteo, em 64 ou 65, a Tito em 64 ou 65, e a 2ª a Timóteo, em 66,
de Roma.
Mais de uma vez foi apedrejado,
açoitado, maltratado. Padeceu fome, frio, privações. Por amor a Jesus, ele tudo
aceitou e afirmou portar no corpo "as marcas do Cristo".
Decapitado, fora dos muros de Roma, no
ano de 67, por ordem do Imperador Nero, ele adentrou a espiritualidade. Quando
a Terceira Revelação se apresentou na Terra, ei-lo participando da equipe do Espírito
de Verdade, deixando suas palavras em O Evangelho segundo o
espiritismo, nos capítulos X, item 15 ( sobre o perdão , em Lyon, em
1861) e capítulo XV, item 10 ( Fora da caridade não há salvação, em Paris, em
1860). Igualmente, respondendo a questão de número 1009 de O livro dos
espíritos, a respeito da eternidade das penas, junto a dissertações de
Santo Agostinho, Lamennais e Platão.
Fontes:
1.
Paulo e Estêvão, romance de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido
Xavier
2.
Grandes personagens da história universal, vol. 1.
3.
Bíblia Sagrada (O novo testamento - Epístolas)
Emanuel von Swedenborg
Arthur Conan Doyle a ele se referiu
como a maior e mais alta inteligência humana. Em verdade, Emanuel von
Swedenborg, nascido em Estocolmo a 29 de janeiro de 1688, filho de um bispo da
Igreja luterana sueca, viveu na austera atmosfera evangélica alguns anos de sua
vida. Foi profundo estudioso da Bíblia.
Estudou em Uppsala e visitou a
Alemanha, a França, a Holanda e a Inglaterra, a fim de ampliar seus extensos
conhecimentos de matemática, mecânica, astronomia, geologia, mineralogia.
Aos 22 anos publicou um volume de
versos latinos e aos 28 foi nomeado assessor de minas do governo sueco.
Versátil, tanto quanto Leonardo da Vinci, criou engenhos mecânicos para
transportar barcos por terra, analisou a economia da moeda corrente, a produção
e o custo do álcool , a aplicação do sistema decimal, a relação entre
importações e exportações e a economia nacional.
Próximo aos 30 anos, voltou-se para a
paleontologia, a geologia, o estudo dos fósseis e chegou a desenvolver uma
avançada teoria sobre a expansão nebular, para explicar a origem do sistema
solar. Dedicou-se também aos estudos da Medicina e da Fisiologia. Era hábil em
latim, grego, inglês, além de sua língua pátria e chegou a estudar hebraico, a
fim de empreender uma reinterpretação do Velho e do Novo Testamento.
A primeira parte de sua vida foi
notadamente voltada para o intelecto. Contudo, embora ainda menino tivesse
visões, foi em abril de 1744 que se iniciou uma nova etapa, a da investigação
em busca de conhecimentos sobre a alma humana relacionada com Deus e o universo
numa estrutura da idéia cristã.
Conforme suas palavras, "...o
mundo dos Espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e
aí encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e de todas as condições. Desde
então diariamente o Senhor abria os olhos de meu Espírito para ver,
perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em
plena consciência, com anjos e Espíritos."
Considerado como um dos precursores das
idéias espíritas, em suas obras "Céu e Inferno", "A nova
Jerusalém" e "Arcana Caelestia" descreveu o processo da morte e
o mundo do além, detalhando sua estrutura. Falou de casas onde viviam famílias,
templos onde praticavam o culto, auditórios onde se reuniam para fins sociais.
Descreveu várias esferas, representando os graus de luminosidade e de
felicidade dos espíritos. Afirmou não existirem anjos e demônios, mas
simplesmente seres humanos, saídos da carne e em estado retardatário, ou
altamente desenvolvidos. Descartou a possibilidade da existência de penas
eternas.
A afirmação de contatos com os
espíritos e suas experiências psíquicas, inclusive de dupla vista, atraíram
amigos e lhe conquistaram adversários. Suas visões à distância foram
detalhadamente investigadas, como a ocorrida no dia 19 de julho de 1759, na
cidade de Göteborg, a 480 km. da capital sueca. Naquela tarde, Swedenborg
jantou com a família de William Castell, juntamente com mais umas 15 pessoas e
descreveu, pálido e alarmado, o incêndio que irrompera às 3 horas daquela tarde
e foi dominado às 8 horas da noite, a uma distância de três portas de sua
própria casa. Este dia era um sábado e somente na terça-feira, uma mensagem
real confirmou os fatos, inclusive o detalhe de ter sido dominado às 8 horas da
noite.
Esse homem notável, enérgico quando
rapaz e amável na velhice, era bondoso e sereno. Prático, trabalhador, era de
estatura alta, delgado, de olhos azuis, apresentando-se sempre impecável com
sua peruca até os ombros, roupas escuras, calções curtos, fivelas nos sapatos e
bengala.
Desencarnando em 22 de março de 1772,
em Londres, cidade onde viveu muitos anos e onde se deu a eclosão da sua
mediunidade, apresentar-se-ia 72 anos mais tarde, numa tarde de março de 1844,
a um jovem de nome Andrew Jackson Davis, como um de seus mentores, junto ao
espírito Galeno, passando a assessorá-lo em sua jornada mediúnica.
Na Codificação, seu nome figura em
Prolegômenos, atestando a sua participação efetiva, como membro da equipe do
Espírito de Verdade, contribuindo para a instalação da Terceira Revelação junto
aos homens.
Fontes de consulta:
1.
História do espiritismo/Arthur Conan Doyle- cap. I e III
2.
Eles conheceram o desconhecido/Martin Ebon - cap. I
3.
Enciclopédia Mirador Internacional - vol. 19
João Evangelista
Da família Zebedeu, ou Zabdias, de um "pescador
bem-sucedido e empresário de vários barcos"4, foram
escolhidos por Jesus dois apóstolos: Tiago Maior e João. A cidade era a pequena
Betsaida.
Segundo Ernest Renan, "eles
estavam imbuídos de energia e paixão. Jesus os havia apelidado, com graça, de
`filhos do trovão', por causa do zelo excessivo com que, muitas vezes, teriam
feito uso do raio se dele pudessem dispor."4
João era adolescente, portanto
idealista. Com Tiago, seu irmão, e Pedro forma um comitê íntimo que se faz
presente em momentos muito especiais, durante a trajetória terrena de Jesus.
Os irmãos conheciam as pregações do
Batista e foi no Tiberíades, no dia em que a primavera bordava rendados pela
praia, que o Rabi os convidou a participar das alegrias da Boa-Nova,
transformando-se em "pescadores de homens".4
Humberto de Campos, pela psicografia de
Francisco Cândido Xavier, os descreve como "de temperamento
apaixonado. Profundamente generosos, tinham carinhosas e simples, ardentes e
sinceras as almas."3
Magnetizados pelo olhar enérgico e
carinhoso de Jesus, aderem ao sublime convite. No idealismo quente da sua
juventude, João falava de seus planos de renovar o mundo, de pregar o Evangelho
às nações. Sentia-se forte e bem disposto.
Mais tarde, ao derramar a cornucópia da
sua saudade no seu Evangelho, ele falaria dos tantos momentos de êxtase e
aprendizado com Jesus.
Ao descrever o encontro do Mestre com
Nicodemus, demonstra, com certeza, ter sido testemunha ocular. Uma testemunha
que talvez estivesse à porta, como quem se encontra à espreita, velando pela
eventual proximidade de alguém que pudesse surpreender o esclarecedor colóquio
entre o Rabi Galileu e o doutor da lei.
Quando narra o episódio das Bodas de
Caná, João parece reviver o adolescente, maravilhado ante um Rabi pleno de
sabedoria, que abençoa a união esponsalícia com a água lustral da Sua presença
e a doçura do Seu amor.
Com Jesus, ele adentra "a
casa de Jairo, o chefe da sinagoga, cuja filha se encontrava nas malhas da
agonia..."1 Há pouco, surpreendera o olhar agradecido
de Verônica, a hemorroíssa, curada ao tocar o manto do Mestre.
E quando agosto "derrama
sua taça de luz e calor sobre a terra"1, ele
acompanha o Rabi na íngreme subida de 562 metros até o cume do Tabor. Após as 4
horas de marcha, ele dorme junto a Pedro e Tiago. A canícula, o cansaço os
vence.
Na madrugada que avança, vozes vibram
no ar. A visão sublime de Jesus, com as vestes brilhantes, dialogando com
Moisés e Elias, o faria mais tarde, evocando a cena inesquecível, iniciar a sua
narrativa evangélica, escrevendo: "Nele estava a vida e a vida era
a luz dos homens, a luz resplandecente nas trevas e as trevas não a
compreenderam."1
O seu Evangelho foi especialmente
dirigido aos cristãos que já conheciam a Mensagem. É o Evangelho espiritual, no
dizer do espírito Amélia Rodrigues.
João, jovem, assiste com Maria, os
instantes de agonia e morte do seu Mestre e Senhor, a cuja dedicação Jesus
entrega sua mãe: "Filho, eis aí a tua mãe!" E
desencumbiu-se da missão, oferecendo-lhe "o refúgio amoroso de sua
proteção".3
João foi com Pedro à Samaria, depois da
ascensão de Jesus, e mais tarde voltou a Jerusalém, trabalhando na Casa do
Caminho. Mereceu a prisão com Pedro e, libertado, prosseguiu nas atividades.
Após se instalar em Éfeso, busca Maria
e a abriga em sua casa, doada por membro da família real de Adiabene. "No
alto da pequena colina, distante dos homens e no altar imponente da Natureza,
se reuniriam ambos para cultivar a lembrança permanente de Jesus.
Estabeleceriam um pouso e refúgio aos desamparados, ensinariam as verdades do
Evangelho a todos os espíritos de boa vontade e, como mãe e filho, iniciariam
uma nova era de amor, na comunidade universal."3
Perseguido por Domiciano, foi enviado
para Roma, sendo depois exilado na ilha de Patmos, onde teve ocasião de
escrever o Apocalipse. Depois da morte de Domiciano, voltou para Éfeso e aí
morreu quase centenário.
É o único dos apóstolos a desencarnar
de forma natural. A ele são atribuídas também 3 epístolas: a primeira dirigida
aos fiéis da Ásia menor e que, segundo alguns, parece ter sido escrita como
prefácio ao quarto Evangelho; a segunda à senhora Electa e seus filhos,
qualificando-o alguma Igreja na Ásia menor e a terceira, a Gaio, um rico
cristão. É uma carta íntima e repleta de gratidão.
No ocaso do século XII, João retorna ao
cenário do mundo, na figura de Francesco Bernardone, para se tornar "o
pobre de Assis".
"Francisco, ao largo da sua
trajetória corporal, tudo de si investiu para que o modelo crístico fosse a sua
referência, na sede que demonstrava de segui-Lo, de imitá-Lo.
Trabalhou, sofreu, chorou muito, sem
que tivesse imposto a ninguém qualquer dor, qualquer sofrimento. Ao contrário,
ocultava suas lágrimas pessoais, quando se tratava de atender a terceiros. Ele
conhecia e convivia com o Espírito do Cristo, mas entendia que o semelhante
deveria ver o Cristo por meio das suas ações amorosas."2
Como o cantador de Deus, escreveu os
doces versos que o espírito Camilo denomina A carta magna da Paz, que inicia
com o "Senhor, faze-me um instrumento da tua paz... Daí,
desdobram-se rogativas corajosas e estelares, desvelando a pujança das
acrisoladas virtudes do Pobrezinho, virtudes que marcariam sua existência até
os momentos finais da sua vida terrena."2
É este mesmo João/Francisco/Amor que
assina em primeiro lugar os "Prolegômenos"de O livro dos espíritos. O
instrumento de Deus atende, outra vez, ao chamado do Pastor e vem oferecer ao
mundo o Consolador.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo,
cap. VIII, item 18, recorda a doçura do encontro de Jesus com as crianças em
que o Príncipe da Paz se detém a atendê-las. Nas suas linhas podemos reconhecer
o autor do 4º Evangelho e especialmente quando assim se expressa, referindo-se
ao Mestre: "Ele foi o facho que ilumina as trevas, a claridade
material que toca a despertar.(...)"
Fontes de consulta:
1. Franco, Divaldo P. As primícias do
reino, Sabedoria, 1967, cap. 12, 15 e 22.
2. Teixeira, J. Raul. A carta magna da paz,Fráter, 2002.
3. Xavier, Francisco Cândido. Boa nova, FEB, 1963, cap. 4 e 30.
4. Renan, Ernest. Vida de Jesus, Martin Claret, 1995, cap. 9.
5. Reader's Digest. Depois de Jesus. O triunfo do cristianismo, 1999,cap. 1, 2, 3.
2. Teixeira, J. Raul. A carta magna da paz,Fráter, 2002.
3. Xavier, Francisco Cândido. Boa nova, FEB, 1963, cap. 4 e 30.
4. Renan, Ernest. Vida de Jesus, Martin Claret, 1995, cap. 9.
5. Reader's Digest. Depois de Jesus. O triunfo do cristianismo, 1999,cap. 1, 2, 3.
Vicente de Paulo
A aldeia se situa no sul da França,
quase na divisa com a Espanha. Chama-se Pouy, e a família leva o sobrenome De
Paulo. Vicente é o terceiro entre os seis filhos do casal João de Paulo e
Bertranda de Moras. O ano é 1581.
A família possui terras e um rebanho de
vacas, ovelhas e porcos. Vicente é encarregado de levar o rebanho a pastar e,
seu olhar se perde na contemplação da natureza. Cedo, nele se manifestam a
inteligência aguda, o olhar observador, o espírito vivo, o coração generoso e
sincera devoção a Maria, o que motiva que os pais o encaminhem aos estudos
eclesiásticos, ordenando-se sacerdote aos 19 anos.
Para poder freqüentar os estudos, o
jovem estudante dá aulas particulares aos filhos de um juiz em Pouy, o sr.
Commet, pois que seu pai não tem condições para ajudá-lo.
Mais tarde, em Tolosa, leciona aos
filhos de algumas famílias da nobreza, a fim de manter os seus estudos de
Teologia e a estadia, merecendo o título de bacharel, pela Universidade, no ano
de 1604.
No ano 1610, a rainha Margarida, ex-esposa
do rei Henrique IV, admite Vicente entre seus esmoleres, ou seja, encarrega-o
de distribuir as esmolas. Afetuoso, visita os doentes, abranda as desavenças,
dissipa as dúvidas, instrui na fé os empregados e a todos presta incontáveis
serviços.
Contudo, Vicente vive no mundo dos
grandes e dos ricos. Esmoler da rainha Margarida e protegido da senhora De
Gondi, até o dia que opta por se dedicar à instrução e ao serviço dos
camponeses, sendo-lhe designada a paróquia de Châtillon, uma das mais
problemáticas e desleixadas da região.
Num domingo, ele recebe as notícias de
uma família miserável que está a morrer. Estão todos doentes. Instados pelo seu
sermão, os paroquianos se dirigem à casa da família e prestam auxílio.
O cérebro de Vicente fervilha: "Eis
aqui uma grande caridade," pensa, "mas está mal
organizada."
Idealiza, portanto, a criação de uma
Associação, e, no dia 20 de agosto de 1617, com sua iniciativa nasce uma
associação de mulheres, com o objetivo de visitar, alimentar e prestar aos
enfermos todos os cuidados indispensáveis: a Confraria da Caridade. As pessoas
que a compõem chamam-se Servas dos Pobres ou Damas da Caridade.
Em 1620, Vicente institui a Caridade
dos Homens. As mulheres se dedicam aos doentes, os homens devem se dedicar aos
velhos, viúvas, órfãos, prisioneiros.
Homem de visão, Vicente de Paulo
orienta as Confrarias , incentivando a organização de cooperativas agrícolas,
ensinando novos métodos de cultivo da terra, implantando, nas cidades, pequenas
manufaturas para produzirem objetos de uso na região e, finalmente, criando
centros de aprendizagem onde as crianças indigentes possam receber educação
cristã e aprender uma profissão, a fim de tirá-las à miséria.
Tendo estabelecido diretrizes à
assistência aos camponeses, um novo campo se lhe abre. Ele é convidado a
trabalhar junto aos condenados às galés. São criminosos e delinqüentes, que
vivem amontoados em calabouços infectos, acorrentados pelo pescoço e pelos pés,
cheios de vermes, revolta e desesperança.
Como poderia Vicente lhes falar das
coisas espirituais? Necessário é lhes melhorar as condições, pois apodrecem
vivos. O alimento é pão preto, a água é semipoluída e os golpes de chicote são
constantes.
Interfere Vicente junto ao general das
galeras, Manuel de Gondi e consegue realizar sensíveis mudanças. Oferece-lhes
cuidados corporais, distribui alimento entre eles, consola-os, fala-lhes de
Cristo e do Evangelho, chama-os de "meus filhinhos".
Vicente ama. Por isso, mostra-se
incansável na descoberta das misérias humanas de ordem material e espiritual,
estendendo socorro pessoalmente e ou enviando as Damas da Caridade a hospitais,
prisões, asilos, escolas, às ruas.
Amigo de Francisco de Sales, bispo de
Genebra (Suíça), decide fundar uma Companhia que tenha por herança os pobres e
que se dê inteiramente aos pobres, o que se concretiza em 1625.
Vicente é mestre na arte de conquistar
corações. Consegue apoio de muitos nobres e ricos para atender os seus pobres.
Tem amigos como a rainha Ana da Áustria que lhe manda ajuda material durante o
longo período da guerra, que assolou a França, sustenta a obra das crianças
expostas (abandonadas) ; Maria, duquesa de Aiguillon, que o auxilia em todas as
suas obras caritativas; o rei Luís XIII, que visita e assiste os doentes, apoia
e incentiva com bens materiais inúmeras obras vicentinas; Luísa de Marillac,
que se torna excepcional trabalhadora, visitando e coordenando as diversas
Confrarias da Caridade espalhadas ao redor de Paris.
Desde os 35 anos de idade, Vicente
conhece o trabalho da doença em sua própria carne. As pernas e pés incham.
Chegará um tempo, 1645, em que já sente dificuldade para se manter a cavalo,
para a realização das suas viagens.
Aos 74 anos necessita ficar encerrado
por longos dias em seu quarto, enquanto a febre se instala em seu corpo. Com
dificuldade e o auxílio de uma bengala, consegue dar alguns passos. Contudo,
dotado de indomável energia, ele profere palestra, todas as manhãs aos seus
discípulos, demonstrando serenidade e lucidez, apesar das dores atrozes que o
atormentam.
Diante da morte iminente, brinca: "Em
breve enterrarão o miserável corpo deste velho, e se transformará em cinzas e o
pisarão com os pés."
Então, em 27 de setembro de 1660, antes
que o sol se levante, sentado numa poltrona, perto do fogo, Vicente desencarna.
Era um pouco antes das cinco horas da
manhã, hora em que habitualmente Vicente se punha em oração.
Os pobres, mais do que ninguém,
lastimam a morte do seu benfeitor e amigo, seu pai.
Referindo-se a ele, o espírito de
Francisco de Paula Vítor, pela psicografia de Raul Teixeira, escreve: "Verdadeira
luz a brilhar, no seio do séc. XVII, seus exemplos de dedicação e fidelidade ao
Mestre Jesus contagiam inumeráveis corações que, depois dele, investem tempo e
vida aos serviços portentosos em prol da instalação do reino dos céus na
Terra."
E esta figura ímpar, se faz presente
como um colaborador do Consolador Prometido, assinando as respostas às questões
de número 888, 888 a em O livro dos espíritos, onde
igualmente assina, junto com outros espíritos eminentes, Prolegômenos; nas
mensagens de nº XX e XXVI do cap. XXXI de O Livro dos Médiuns e
o item 12 , do cap. XIII de O evangelho segundo o espiritismo. Nesta
mensagem, especialmente, é que derrama o perfume do seu coração, externando: "A
caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora de salvação; é a mais pura
emanação do próprio Criador (...)"
Fonte: Duarte, Luiz Miguel. Vicente de
Paulo, servidor dos pobres. Ed. Paulinas.
Platão
É pelos frutos que se conhece a
árvore. Toda ação deve ser qualificada pelo que produz: qualificá-la de má,
quando dela provenha mal; de boa, quando dê origem ao bem."
Estas palavras bem podem soar, para
quem já leu o Evangelho, como palavras textuais do Senhor Jesus.
Contudo, foram anotadas e dadas ao
mundo séculos antes de Jesus, por Platão, filósofo grego, discípulo de
Sócrates. Seu nascimento data do ano 428 ou 427 a C, na cidade de Atenas, na Grécia.
Pertencente à alta aristocracia, em
torno dos seus 20 anos, conheceu e tornou-se amigo do filósofo Sócrates, a quem
acompanhou até os seus últimos dias e de quem anotou os ensinos, graças ao que
nos chegaram aos dias atuais.
Empreendeu viagem ao Egito e à Itália
meridional. Na Sicília freqüentou a corte de um tirano de Siracusa de nome
Dionísio. Desejando influir na política da cidade, terminou por se
incompatibilizar com Dionísio, que o mandou vender como escravo, na ilha de
Egina, que se achava em guerra com Atenas.
Resgatado, retornou para sua cidade
natal onde, em torno dos seus quarenta anos, fundou a Academia, na qual ensinou
até o final dos seus dias terrenos.
Fácil de se entender porque ele e
Sócrates são considerados precursores da idéia cristã e do Espiritismo,
bastando se leiam alguns dos seus escritos. A obra kardequiana O
evangelho segundo o Espiritismo apresenta pequenos trechos que se
referem ao conceito dos dois filósofos gregos a respeito da alma, seu
progresso, a reencarnação, o mundo espiritual e seus habitantes, bem assim a
respeito das mais excelsas virtudes, exatamente traçando um paralelo entre
aquelas idéias, as do Cristo e, por conseqüência, os princípios fundamentais do
Espiritismo.
Considerado um dos filósofos mais
influentes de todos os tempos, pois que seu pensamento dominou a filosofia
cristã antiga e medieval, seus escritos nos legaram o pensamento socrático, bem
assim os relatos comoventes dos últimos dias de seu mestre. Criador pessoal
ainda do diálogo filosófico, espécie de drama de idéias.
Sua obra O Banquete é
considerada uma das maiores da literatura antiga. Como poeta, seu estilo é o
ponto mais alto da prosa grega e o demonstra nos seus poemas em prosa do mito
da Caverna, da Atlântida e de Eros.
Escreveu ele "O amor está
por toda parte em a Natureza, que nos convida ao exercício da nossa
inteligência; até no movimento dos astros o encontramos. É o amor que orna a
Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa morada onde se lhe
deparem flores e perfumes. É ainda o amor que dá paz aos homens, calma ao mar,
silêncio aos ventos e sono à dor."
As obras de Platão discorrem sobre a
mentira, a natureza do homem, a piedade, o dever, o belo, a sabedoria, a
justiça, a coragem, a amizade, a virtude. No livro VII da República,
ele apresenta o célebre mito da caverna: acorrentados no interior de um cárcere
subterrâneo e de costas voltadas para a entrada por onde penetra a luz, os que
estão ali presos somente podem ver dos homens, dos animais e de tudo o mais que
se encontre no exterior da caverna, as sombras que se projetam no fundo dela.
Um homem que consegue se libertar,
ofusca-se com a luz do sol no exterior e descobre que tudo o que vira até então
era a irrealidade. Ali estava o mundo real. No entanto, se retornar ao interior
e desejar transmitir aos demais, ainda prisioneiros, o que viu, sente que corre
o risco de ser maltratado e até morto. Esta, segundo Platão, é exatamente a
missão do filósofo.
Tendo desencarnado, pleno de lucidez e
força criadora, aos 80 anos de idade, da espiritualidade, unindo-se a tantos
outros espíritos de envergadura intelecto-moral, Platão continua na sua missão,
revelando as nuances do mundo espiritual, o mundo do sol ofuscante, o mundo
real, verdadeiro.
Seu nome é citado em Prolegômenos
de O livro dos espíritos, bem assim assina um dos trechos da
resposta à questão 1009 da mesma obra, onde falando a respeito da inexistência
das penas eternas bem recorda as exortações de Sócrates, quando ao seu tempo,
apresentou a alma migrando através de múltiplas existências, em seguida a mais
ou menos longos períodos de erraticidade.
E conclui: "Humanidade!
não mergulhes mais os teus tristes olhares nas profundezas da Terra, procurando
aí os castigos. Chora, espera, expia e refugia-te na idéia de um Deus intrinsecamente
bom, absolutamente poderoso, essencialmente justo."
Pesquisa:
1.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.
Rio de Janeiro, 1974. perg. 1009.
Rio de Janeiro, 1974. perg. 1009.
2.
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo,
Rio de Janeiro, 1987. introdução.
Rio de Janeiro, 1987. introdução.
- Enciclopédia Mirador Internacional, vol 16,
verbete: Platão.
Lacordaire
Em junho de 1853, quando as mesas
girantes e falantes agitavam os salões da Europa, depois de terem assombrado a
América, em missiva a Mme. Swetchine, datada de Flavigny, ele escreveu: "Vistes
girar e ouvistes falar das mesas? _ Desdenhei vê-las girar, como uma coisa
muito simples, mas ouvi e fiz falar.
Elas me disseram coisas muito
admiráveis sobre o passado e o presente. Por mais extraordinário que isto seja,
é para um cristão que acredita nos Espíritos um fenômeno
muito vulgar e muito pobre. Em todos os tempos houve modos mais ou menos
bizarros para se comunicar com os Espíritos; apenas outrora se
fazia mistério desses processos, como se fazia mistério da química; a justiça
por meio de execuções terríveis, enterrava essas estranhas práticas na sombra.
Hoje, graças à liberdade dos cultos e à
publicidade universal, o que era um segredo tornou-se uma fórmula popular.
Talvez, também, por essa divulgação Deus queira proporcionar o desenvolvimento
das forças espirituais ao desenvolvimento das forças materiais, para que o
homem não esqueça, em presença das maravilhas da mecânica, que há dois mundos
incluídos um no outro: o mundo dos corpos e o mundo dos
espíritos."
O missivista era Jean-Baptiste-Henri
Lacordaire, nascido em 12 de maio de 1802, numa cidade francesa perto de Dijon.
A despeito de seus pais serem
religiosos fervorosos, o jovem Lacordaire permaneceu ateu até que uma profunda
experiência religiosa o levou a abraçar a carreira de advogado, na Teologia.
Completando os estudos no Seminário, na
qualidade de professor pôde constatar o relativo descaso dos seus estudantes
pela religião. No intuito de despertar a afeição pública para a Igreja, como
colaborador do jornal L'Avenir, passou a lutar pela liberdade daquela da
assistência e proteção do Estado.
Vigário da famosa Catedral de
Notre-Dame, em Paris, a força da sua oratória atraía milhares de leigos para o
culto.
Em 1839 entrou para a Ordem Dominicana
na França, trabalhando pela sua restauração, desde que a Revolução Francesa a
tinha largamente subvertido.
Discípulo de Lamennais, preocupou-se em
afirmar que a união da liberdade e do Cristianismo seria a única possibilidade
de salvação do futuro. Cristianismo, por poder dar à liberdade a sua real
dimensão e a liberdade, por poder dar ao Cristianismo os meios de influência
necessários para isto. Insistia que o Estado devia cercear seu controle sobre a
educação, a imprensa, e trabalho de maneira a permitir ao Cristianismo
florescer efetivamente dentro dessas áreas .
Foi Membro da Academia Francesa e o
Codificador inseriu artigo a seu respeito na Revista Espírita de fevereiro de
1867, seis anos após a sua desencarnação, que se deu em 21 de novembro de 1861.
Nele, reproduz extrato da correspondência que inicia o presente artigo,
comentando: "Sua opinião sobre a existência e a manifestação dos
Espíritos é categórica. Ora, como ele é tido, geralmente, por todo o mundo,
como uma das altas inteligências do século, parece difícil colocá-lo entre os
loucos, depois de o haver aplaudido como homem de grande senso e progresso.
Pode, pois, ter-se senso comum e crer nos Espíritos."
Em sessão realizada na Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas em 18 de janeiro daquele ano, o médium
"escrevente habitual" Morin, descreveu a presença do espírito do
padre Lacordaire, como "um Espírito de grande reputação terrena,
elevado na escala intelectual dos mundos (...) Espírita antes do Espiritismo
(...)" e concluiu:
"Ele pede uma coisa, não por
orgulho, por um interesse pessoal qualquer, mas no interesse de todos e para o
bem da doutrina: a inserção na Revista do que escreveu há treze anos. Diz que
se pede tal inserção é por dois motivos: o primeiro porque mostrareis ao mundo,
como dizeis, que se pode não ser tolo e crer nos Espíritos. O segundo é que a
publicação dessa primeira citação fará descobrir em seus escritos outras
passagens que serão assinaladas, como concordes com os princípios do
Espiritismo."
Mas ele mesmo, Lacordaire, retornou de
Além-Túmulo, para emprestar à obra da Codificação a sua inestimável e talentosa
contribuição.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo
encontramos 3 mensagens, ditadas no Havre e Constantina, todas datadas do ano
de 1863, discorrendo sobre "O bem e mal sofrer" - cap. V, item 18;
"O orgulho e a humildade" - cap. VII, item 11 e "Desprendimento
dos bens terrenos" - cap. XVI, item 14.
Santo Agostinho
Agostinho nasceu a 13 de novembro de
354, em Tagaste, pequena cidade da atual Argélia. Na cidade natal transcorreram
sua infância e juventude, um ambiente limitado de um povoado perdido entre
montanhas.
Talhado para a oratória, ele lê e
decora trechos de poetas e prosadores latinos. Aprende elementos de música,
física e matemática.
Em Cartago fez seus estudos superiores
e ali também entrou em contato com a alegria e esplendor das cerimônias em
honras aos deuses protetores do Império.
Embora seja descrito como um jovem
ponderado, dedicado aos livros, ele confessa que “amar e ser amado era uma
coisa deliciosa”. Ele passou a viver com uma mulher a quem foi fiel, tendo se
tornado pai em 373, com apenas 19 anos. Seu filho, de nome Adeodato, morreria
aos 17 anos.
Desejava se destacar na eloquência
confessa, por orgulho. Desejava ser o melhor. Um livro de Cícero o alerta que
“a verdadeira felicidade reside na busca da sabedoria.”
Retorna à sua cidade natal e se dedica
ao ensino, por treze anos, depois ensina em Cartago e Roma. Dedicou-se ao
estudo das Escrituras, contudo, achou seu estilo tão simples que se desiludiu e
o abandonou.
Em Milão parecia ser um homem feliz:
pago pelo Estado, personagem quase oficial (ocupava a cátedra da eloquência ,
respeitado como professor. No entanto, ele se mostra inquieto. Busca a
verdadeira alegria e não a encontra.
Afeiçoou-se ao maniqueísmo, doutrina do
profeta persa Mani. Após 12 anos, insatisfeito com as respostas que a doutrina
não lhe dava, recomeça a ler os Evangelhos e assistir os sermões do bispo
Ambrósio, que o recebeu como um pai.
Uma canção infantil, na voz cristalina
de uma criança que insiste “Toma, lê”, faz com que ele procure o livro a
respeito de São Paulo e retorne em definitivo ao cristianismo.
Sua vida daquele momento em diante
seria meditar, escrever livros, discursar. Em 391, é chamado a Hipona, um
grande centro comercial de cerca de 30.000 habitantes. Cinco anos depois seria
sagrado bispo auxiliar de Hipona.
Grande era a luta, à época contra as
chamadas heresias. Agostinho, sempre orador oficial, nos sínodos e concílios em
Cartago nunca esquece que “mais valioso que a palavra é o amor fraterno... Os
olhos dos doentes queimam, por isso são tratados com delicadeza... Os médicos
são delicados até com os doentes mais intolerantes: suportam o insulto, dão o
remédio, não revidam as ofensas.”
As palavras que mais aparecem em seus
escritos são amor e caridade. Por vezes, desenvolvendo uma idéia interrompe seu
raciocínio para deixar escapar gritos de amor a Deus: “Ó Senhor, amo-Te. Tu
estremeceste meu coração com a palavra e fizeste nascer o amor por Ti. Tarde Te
amei, ó Beleza tão amiga e tão nova, tarde Te amei... Tocaste-me, e ardo de
desejo de alcançar a Tua paz.”
Duas vezes por semana falava na Igreja
da Paz. Certa vez, discorrendo a respeito de São João se entusiasmou de tal
forma que pregou durante cinco dias consecutivos, sempre aplaudido.
Mas, dizia: “Vossos louvores são folhas
de árvores; gostaria de ver os frutos.” Tal era a admiração que tinham por
Agostinho, que chegaram a acreditar que ele fosse capaz de produzir curas e lhe
levavam doentes.
“Se eu tivesse poder para curar”,
dizia, “curaria a mim mesmo”.
A doença que o tomou durou poucos dias.
Percebendo que se avizinhava a morte, pediu que o deixassem a sós, para orar.
Morreu na noite de 28 para 29 de agosto
de 430, aos 76 anos. Não deixou testamento, mesmo porque não tinha bens.
Os pintores medievais o retratam com o
livro na mão e o coração em chamas. O livro simboliza a ciência, o coração
inflamado, o amor. Sabedoria e amor foram os seus dons inseparáveis.
Interessante anotar que embora seja
sempre retratado com muita pompa e luxo, mesmo como bispo ele se recusava a
usar o anel e a mitra.
Esse espírito foi convidado a
participar da equipe do Espírito da Verdade e suas ponderações podem ser
encontradas em vários momentos da Obra Kardeciana, entre eles em O livro dos
espíritos (prolegômenos, resposta às questões 495, 919 e 1009), O evangelho
segundo o espiritismo (cap. III, itens 13 e 19; cap. V, item 19; cap. XII,
itens 12 e 15; cap. XIV, item 9; cap. XXVII, item 23), O livro dos médius (cap.
XXXI, dissertações de número 1 e XVI - Acerca do espiritismo / Sobre as
sociedades espíritas).
Fonte:
Grandes personagens da História
Universal
O livro dos espíritos
O evangelho segundo o espiritismo
O livro dos médiuns.
O evangelho segundo o espiritismo
O livro dos médiuns.
Sócrates
Seu nome em grego é Sokrátes. Sua
cidade natal foi Atenas, no ano de 469 a . C., tendo nascido
filho de um escultor, de nome Sofronisco e de uma parteira, Fenarete.
Fisicamente, era considerado feio, com
seu nariz achatado, olhos esbugalhados, uma calva enorme, rosto pequeno,
estômago saliente e uma longa barba crespa.
Casou-se com Xantipa e teve três filhos
mas dizem que trabalhava apenas o necessário para que a família não viesse a
perecer à fome.
Tendo sido proclamado pelo oráculo de
Delfos, como o mais sábio dos homens, Sócrates passou a se incumbir de
converter os seus concidadãos à sabedoria e à virtude. Considerava-se protegido
por um "daimon" , gênio, demônio, espírito, cuja voz, afirmava, desde
a infância, o aconselhava a se afastar do mal.
Não tinha propriamente uma escola, mas
um círculo de familiares, discípulos com os quais se encontrava, de preferência
, no ginásio do Liceu. Em verdade, onde quer que se encontrasse, na casa de
amigos, no ginásio, na praça pública, interrogava os seus interlocutores a
respeito das coisas que, por hipótese, deveriam saber, fossem eles um
adolescente, um escravo, um futuro político, um militar, uma cortesã ou
sofistas.
Desta forma, conclue que eles não sabem
o que julgam saber e, o que é mais grave, não sabem que não sabem. Por sua vez,
ele, Sócrates, não sabe mas sabe que não sabe.
Era considerado um homem corajoso e de
muita resistência física. Todos se recordavam de como ele, sozinho, enfrentara
a histeria coletiva que se seguira à batalha naval de Arginusas, quando dez
generais foram condenados à morte por não terem salvo soldados que estavam a se
afogar.
Ele ensinava que a boa conduta era
aquela controlada pelo espírito e que as virtudes consistiam na predominância
da razão sobre os sentimentos. Introduziu a idéia de definir os termos, pois, "antes
de se começar a falar, era preciso saber sobre o que é que se estava
falando."
Para Sócrates, a virtude supõe o
conhecimento racional do bem. Para fazer o bem, basta, portanto, conhecê-lo.
Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa
de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.
Foi denunciado como subversivo , por
não acreditar nos deuses da cidade, e também corruptor da mocidade. Não se sabe
exatamente o que os seus acusadores pretendiam dizer, mas o certo é que os
moços o amavam e o seguiam. O convite a pensar por si mesmos atraía os jovens e
talvez fosse isso que temessem pais e políticos. Ocorreu também que um dos seus
discípulos, de nome Alcibíades, durante a guerra com Esparta tinha se passado
para o lado do inimigo. Embora a culpa não fosse de Sócrates, pois a decisão
fora pessoal, Atenas buscava culpados.
Foi julgado por um tribunal popular de
501 cidadãos e condenado à morte. Poderia ter recorrido da sentença e, com
certeza, receber uma pena mais branda. Entretanto, racional como era, afirmou
aos discípulos que o visitaram na prisão:
"Uma das coisas em que acredito é
no reinado da lei. Bom cidadão, como eu tantas vezes vos tenho dito, é aquele
que obedece às leis de sua cidade. As leis de Atenas condenaram-me à morte, e a
inferência lógica é que, como bom cidadão, eu deva morrer."
É Platão quem descreve a morte do seu
mestre, no diálogo Fédon. Sócrates passou esta noite a discutir filosofia com
seus jovens amigos. O tema, "Haverá uma outra vida depois da
morte?"
Embora fosse morrer em poucas horas,
discutiu sem paixão sobre as probabilidades de uma vida futura, ouvindo mesmo
as objeções dos discípulos que eram contrários à sua própria opinião.
Quando o carcereiro lhe apresentou a
taça de veneno, em tom calmo e prático, Sócrates lhe disse:
"Agora, você que entende dessas
coisas, diga-me o que fazer."
"Beba a cicuta, depois levante-se
e passeie até sentir as pernas pesadas, respondeu o carcereiro. Então,
deite-se, e o torpor subirá para o coração."
Sócrates a tudo obedeceu. Como os amigos chorassem e soluçassem muito, ele os censurou. Seu último pensamento foi de uma pequena dívida que havia esquecido. Afastou a coberta que lhe haviam colocado sobre o rosto e pediu:
Sócrates a tudo obedeceu. Como os amigos chorassem e soluçassem muito, ele os censurou. Seu último pensamento foi de uma pequena dívida que havia esquecido. Afastou a coberta que lhe haviam colocado sobre o rosto e pediu:
"Crito, devo um galo a
Esculápio...Providencie para que a dívida seja paga."
Fechou os olhos e cobriu novamente o
rosto. Quando Crito tornou a lhe indagar se tinha outras recomendações a fazer,
ele não mais respondeu. Havia penetrado o mundo dos espíritos. Era o ano 399 a
.C.
Sócrates nada escreveu e sua doutrina
somente nos chegou pelos escritos de seu discípulo Platão. Ambos, mestre e
discípulo, são considerados precursores da idéia cristã e do espiritismo, tendo
o Codificador dedicado as páginas da introdução de O Evangelho segundo o
Espiritismo para esse detalhamento.
O nome de Sócrates se encontra
especialmente em Prolegômenos de O livro dos espíritos, logo após o de O
espírito da verdade, seguido de Platão. Ainda encontramos seus comentários aos
itens 197 e 198 de O livro dos médiuns, no capítulo que trata dos médiuns
especiais, demonstrando que o trabalhador verdadeiro não cessa suas atividades,
embora a morte do corpo fisico e de que, afinal, somos verdadeiramente uma só e
única família universal: espíritos e homens , envidando esforços para o
atingimento da Perfeição.
Fonte: Enciclopédia
Mirador Internacional, vol. 19.
Grandes vidas, grandes obras , Seleções
do Reader's Digest, 1968.
Erasto
Com o respeitável nome de Erasto, cujas
comunicações traziam sempre o "cunho incontestável de profundeza e
lógica", como disse o próprio Codificador, encontramos duas
personalidades, em momentos diferentes da História da Humanidade.
A primeira, afirmativa do próprio
Codificador, é de que ele seria discípulo de Paulo de Tarso (O livro dos
médiuns, cap. V, item 98). A afirmativa tem procedência. Na segunda epístola a
Timóteo, escrita quando prisioneiro em Roma, relata o Apóstolo dos Gentios:
"Erasto ficou em Corinto." ( IV,20)
Segundo consta na epístola aos Romanos,
na saudação final, este mesmo Erasto tinha cargo na cidade, pois se encontra no
cap. 16, vers. 23: "Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade".
Em Atos dos Apóstolos (XIX,22) lemos
que Paulo enviou à Macedônia "...dois dos que lhe assistiam, Timóteo e
Erasto..." , enquanto ele próprio, Paulo, permaneceu na Ásia. Interessante
observar a proximidade dos dois discípulos de Paulo, pois em O Livro dos
Médiuns, cap. XIX, encontramos longa mensagem assinada por ambos, a respeito do
papel do médium nas comunicações (item 225). Juntos no século I da era cristã,
juntos na tarefa da Codificação.
Ainda em O livro dos médiuns são de sua
lavra os itens 98, cap. V, algumas respostas a perguntas constantes no item 99,
itens 196 e 197 do cap. XVI, itens 230 do cap. XX, onde se encontra a célebre
frase: "Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade,
uma só teoria errônea." Finalmente, na comunicação de nº XXVII.
Em O Evangelho segundo o espiritismo,
lê-se várias mensagens assinadas por Erasto. A primeira se encontra no cap. I,
item 11, a segunda no cap. XX, item 4 e se intitula: Missão dos espíritas,
trazendo a assinatura de Erasto, anjo da guarda do médium, aditando
oportunamente o Codificador de que o médium seria o sr. d'Ambel.
As demais compõem os itens 9
(Caracteres do verdadeiro profeta) e 10 (Os falsos profetas da erraticidade),
ambas datadas de 1862, sendo que na última é o próprio espírito que se
identifica como "discípulo de São Paulo", o que igualmente faz no
cap. I, item 11 de O evangelho segundo o espiritismo e cap. XXXI, nº XXVII de O
livro dos médiuns.
A outra referência a esse espírito se
encontra na Revista Espírita, ano de 1869, da Edicel, no índice
Biobibliográfico, onde é apresentado como tendo sido Thomaz Liber, dito Erasto,
médico, filósofo e teólogo alemão, nascido em 1524 e morrido em 1583. Foi
professor de Medicina em Heidelberg e de Moral, em Basiléia.
No campo da Teologia, combateu o poder
temporal da Igreja e se opôs à disciplina calvinista e à ordem presbiteriana.
Sua posição lhe valeu uma excomunhão, sob suspeita de heresia, sendo
reabilitado algum tempo depois.
Suas teorias tiveram muitos
partidários, sobretudo na Inglaterra. Legou somas consideráveis aos estudantes
pobres, sendo especialmente respeitado por seus gestos de benemerência.
De qualquer forma, o que resta
incontestável, segundo Kardec, é que "...era um Espírito superior, que se
revelou mediante comunicações de ordem elevadíssima..."(O livro dos
médiuns, cap. XIX, item 225)
O que importa realmente é a tarefa
desenvolvida à época de Paulo de Tarso e ao tempo de Kardec, por um espírito.
Encarnado, o seu grande trabalho pela
divulgação das idéias nascentes do Cristianismo, em um ambiente quase sempre
hostil. Desencarnado, ombreando com tantas outras entidades espirituais,
apresentando elucidações precisas em favor da Codificação da Doutrina Espírita,
respondendo a questões de vital importância para uma também doutrina nascente,
a Terceira Revelação, o Consolador prometido por Jesus.
Fontes de consulta:
1.
Revista Reformador de outubro 1993 - Um espírito chamado Erasto
2.
Atos dos Apóstolos, XIX, 22.
3.
Romanos, XVI,23.
4.
II Timóteo, IV, 20.
5.
Revista Espírita-ano 1869 - Índice Biobibliográfico
O Cura D'Ars
João Maria Vianney nasceu em 8 de maio
de 1786 em Dardilly, aldeia a dez quilômetros ao norte de Lyon. Foi o quarto
filho do casal Mateus e Maria Vianney, que tiveram 7 filhos.
Desde os quatro anos, ele gostava de frequentar
a Igreja. Quando isso se tornou impossível, pelas perseguições que o Estado
desencadeou, ele fazia suas orações habituais, todas as tardes, na casa dos
pais.
Quando foi aberta uma escola, Vianney,
adolescente a frequentou durante dois invernos, porque ele trabalhava no campo
sempre que o tempo permitia. Foi então que aprendeu a ler, escrever, contar e
falar francês, pois em sua casa se falava um dialeto regional.
Foi na escola que se tornou amigo do
padre Fournier, e aos poucos foi crescendo nele o desejo de se tornar
sacerdote. Foi necessário muita insistência, pois o pai, de forma alguma,
desejava dispensar braços fortes de que a terra necessitava.
Aos 20 anos ele seguiu para Écully, na
casa de seu tio Humberto. Sabia ler, mas escrevia e falava francês muito mal.
Além de aprimorar a língua pátria, precisou aprender latim, pois na época os
estudos para o sacerdócio eram feitos em latim, bem assim toda a celebração
litúrgica.
Em 28 de maio de 1811, com 25 anos de
idade, na catedral Saint-Jean tornou-se clérigo de diocese. Por ter fama de
ignorante perante os superiores, foi-lhe confiada a paróquia de Ars-en _Dombes,
ou talvez porque lhe conhecessem a grandeza de alma.Em Ars, não havia pobres,
só miseráveis.
João Maria Vianney chegou a Ars em uma
sexta-feira, 13 de fevereiro de 1818. Veio em uma carroça trazendo alguns
móveis e utensílios domésticos, alguns quadros piedosos e seu maior tesouro:
sua biblioteca de cerca de trezentos volumes.
Conta-se que encontrou um pequeno
pastor a quem pediu que lhe indicasse o caminho. A conversa foi difícil, pois o
menino não falava francês e o dialeto de Ars diferia do de Écully. Mas acabaram
por se compreenderem.
A tradição narra que o novo pároco
teria dito ao garoto: "Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o
caminho do céu. “Um pequeno monumento de bronze à entrada da aldeia lembra esse
encontro”.
Ele mesmo preparava suas refeições.
Apenas dois pratos: umas vezes, batatas, que punha para secar ao ar livre.
Outras vezes, "mata-fomes", grandes bolos de farinha de trigo escura.
Um pouco de pão e água. Era o suficiente. Comia pouco. Quando lhe davam pão
branco, trocava pelo escuro e distribuía o primeiro aos pobres.
Dizia: "Tenho um bom físico.
Depois de comer não importa o quê e de dormir duas horas, estou pronto para
recomeçar."
O que mais ele valorizava era a
caridade e a gentileza. Grandes somas ele dispendia auxiliando os seus
paroquianos. Dinheiro que vinha da pequena herança de seu pai, que lhe enviara
seu irmão Francisco e de doações de pessoas abastadas, a quem ele sensibilizava
pela palavra e dedicação.
Por volta de 1830, era muito grande o
afluxo de pessoas que se dirigia a Ars. Os peregrinos não tinham outro objetivo
senão ver o pároco e, acima de tudo, poder confessar-se com ele. Para
conseguir, esperavam horas...às vezes, a noite inteira.
Esse pároco que dormia o mínimo para
atender a todos, madrugada a dentro. Que vivia em extrema pobreza e
austeridade, vendendo móveis , roupas e calçados seus para dar a outrem.
Comovia-se com a dor alheia. Quando se
punha a ouvir os penitentes que o buscavam, mais de uma vez derramava lágrimas
como se estivesse chorando por si próprio. Dizia: "Eu choro o que vocês
não choram."
Tanto trabalho, pouca alimentação e
repouso, foram cansando o velho Cura. Ele desejava deixar a paróquia para um
pouco de descanso. Mas os homens e mulheres da aldeia fizeram tal coro ao seu
redor, que ele resolveu permanecer.
Ele, que em sua juventude, fora ágil,
agora andava arrastando os pés. Nos dias de inverno, sentia muito frio.
Em 1859, numa quinta feira do mês de
agosto, dia 4, às duas da madrugada, ele desencarnou tranquilamente.
Dois dias antes, já bastante debilitado
fora visto a chorar. Perguntaram-lhe se estava muito cansado.
"Oh, não", respondeu.
"Choro pensando na grande bondade de Nosso Senhor em vir visitar _nos nos
últimos momentos."
João Maria Vianney comparece na Codificação
com uma mensagem em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo VIII,
item 20, intitulada "Bem-aventurados os que têm fechados os olhos",
onde demonstra a humildade de que se revestia, o conceito que tinha das dores
sobre a face da Terra e o profundo amor ao Senhor da Vida.
Fonte: Joulin, Marc. João Maria
Vianney, o cura d'Ars. PAULINAS, 1990.
Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. FEB, 1987.
Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. FEB, 1987.
Henri Heine
Seu nome em alemão era Heinrich Heine.
Assina a mensagem inserida em O Evangelho segundo o espiritismo, no item 3 do
capítulo XX, intitulada "Os últimos serão os primeiros".
Nasceu em Düsseldorf em 13 de dezembro
de 1797, de família judaica. Seu destino era o comércio e por isso foi
encaminhado pelo pai a um tio banqueiro em Hamburgo. Logo verificou-se que ele
não tinha dom para a atividade e o tio o remeteu a Bonn, a fim de estudar
direito. Mas o jovem Harry como era chamado então, interessou-se pelos assuntos
literários e abraçou os cursos de literatura.
Berlim foi seu ambiente mais propício,
permitindo-lhe freqüentar os salões literários e seguir a filosofia política de
Hegel. Poeta e jornalista, ficou famoso pelos poemas e livros de viagens.
Desgostoso pelo clima anti-semita do país, emigrou para Paris no ano de 1831.
Ali se tornaria correspondente de
grandes jornais alemães. Foi um dos mais inquietos e polêmicos jornalistas de
seu tempo. Para o Jornal Geral de Augsburgo descrevia quadros da vida francesa,
sendo seus temas constantes o parlamento, a imprensa, o mundo artístico, o
teatro e a música.
Sua influência foi enorme dentro e fora
da Alemanha. Na segunda metade do século XIX todos os poetas alemães pareciam
heinianos.
Sua poesia é de um lirismo melancólico
de início. Seus poemas sentimentais são cheios de infelicidade e lamentações
amorosas. Alguns poemas de amor conquistaram fama universal, sendo depois
musicados por Schubert , Schumann e muitos outros compositores.
Escreveu poemas dedicados ao mar, em
versos livres. E por fim, a poesia política, tangendo versos que retratavam
situações da época como Os Tecelões, poema inspirado pela greve dos
tecelões esfomeados da Silésia.
Como prosador é considerado um dos mais
ágeis da literatura de língua alemã, em qualquer tempo. Suas obras mais
ambiciosas são A escola romântica e Sobre a história
da religião e da filosofia na Alemanha. Nesse último, Heine parece
querer completar o livro de Mme de Stäel sobre a Alemanha, tentando mostrar aos
franceses o pensamento estético e filosófico do seu país. Nele está estampada a
profecia de um despertar revolucionário da consciência alemã e, sobretudo, a
crença do poeta na importância universal do pensamento de Hegel.
Sofreu dificuldades financeiras,
enfrentou conflitos políticos e a doença acabou por vitimá-lo. Sofreu uma
paralisia que o conduziu à morte em 17 de fevereiro de 1856, em Paris.
A mensagem que se encontra em O
Evangelho segundo o espiritismo é datada de 1863, também em Paris.
Samuel Hahnemann
Christian Friedrich Samuel Hahnemann
nasceu em 10 de abril de 1755, em Meissen, na Saxônia. Seus pais lhe deram o
nome de Christian, seguidor de Cristo ; Friedrich, protegido do rei; Samuel,
Deus me escutou, em sinal de reconhecimento a Deus.
Seu pai era pintor de porcelana e ele
mesmo foi preparado para seguir a carreira paterna. Desta forma, aprendeu na
Escola várias línguas estrangeiras: inglês, francês, espanhol, latim, árabe,
grego, hebreu e caldeu, além da língua nacional. O objetivo era poder, no
futuro, comercializar em outros países a porcelana.
Mas, o seu destino seria outro. Foi
estudar Medicina em Leipzig e Viena. Por ser pobre, sustentava-se fazendo
traduções, e assim entrando em contato com obras sobre doutrinas existenciais.
Em 1812, era docente da Universidade de
Leipzig. Contudo, na carreira médica se mostrava inquieto por não conseguir
bons resultados na cura dos enfermos que tratava. Seus amigos diziam que ele
sonhava, que tudo que almejava era utopia." O homem é limitado mesmo,
limitados também seus conhecimentos."
Finalmente, aos 36 anos, após a morte
de um amigo que cuidava clinicamente, resolve abandonar a medicina. Adentra o
seu consultório e avisa a seus pacientes que não mais os atenderá. Se os não
pode curar, de que vale a sua ciência! E despede a todos.
Está profundamente desanimado. Para
sobreviver e sustentar a família, trabalha em traduções, mais especialmente na
área da química e da farmacologia.
Fazendo a tradução de uma obra de um
médico escocês William Cullen, no ano de 1790, surpreende-se com a descrição
das propriedades do quinino. Chama-lhe a atenção, em especial, o fato de que a
intoxicação pelo quinino tinha sintomas semelhantes aos da enfermidade natural
da febre intermitente.
Ele próprio passou a ingerir doses de
quinino, comprovando que os resultados eram semelhantes à febre combatida por
aquele produto.
Repetiu a experiência com outras
drogas, como o mercúrio, a beladona, a digital, sempre no homem sadio,
concluindo por elaborar a doutrina homeopática, resumida na expressão : "similia
similibus curantur", ou seja, sintomas semelhantes são curados
por remédios semelhantes.
Já no ano de 1796, suas observações
foram divulgadas. Observações que passariam a compor sua mais importante
obra: O Organon, publicado em 1810, onde explica seu sistema e
cria a Homeopatia. Depois, publicaria Ciência Médica Pura e Teoria e tratamento
homeopático das doenças crônicas.
Nos princípios homeopáticos
estabelece-se que toda substância que, em dose ponderável,é capaz de provocar
no indivíduo são um quadro sintomático, também tem capacidade de o fazer
desaparecer, com administração em pequenas doses. Também que a preparação dos
medicamentos requer diluições infinitesimais, pois que elas teriam a capacidade
de desenvolver as virtudes medicinais dinâmicas das substâncias grosseiras.
Desde os primeiros momentos, Hahnemann
sofreu acirrada campanha contrária ao que expunha, em especial dos farmacêuticos,
pelo que muito padeceu.
Somente em 1835, já com seus 80 anos,
viúvo, foi procurado por uma jovem que o buscou em sua cidade como último
recurso médico e foi por ele curada. Eles se consorciam e ela o leva para
Paris, onde finalmente obtém geral reconhecimento.
Foi em Paris que ele desencarnou a 2 de
julho do ano de 1843, 14 anos antes de vir a lume O livro dos espíritos e
nascer, portanto, a Doutrina Espírita.
Compondo a equipe espiritual
responsável pela Codificação, deu seu contributo particularmente em O
evangelho segundo o espiritismo, cap. IX, Bem-aventurados os que
são brandos e pacíficos, onde assina a mensagem do item 10, tratando das
virtudes e dos vícios que são inerentes ao Espírito. A mensagem foi dada em
Paris, no ano de 1863.
À guisa de curiosidade somente, no
mesmo ano, a 13 de março, na Sociedade Espírita de Paris, tendo como médium a
sra. Costel, Hahnemann dissertou a respeito do estado da ciência à época, em
resposta a um médico homeopata estrangeiro, presente à sessão. Dita dissertação
se encontra no volume sexto da Revista Espírita.
Fonte: 1.Enciclopédia Mirador
Internacional, vol 11, verbetes:
Hahnemann e Homeopatia
2.Internet, verbete Hahnemann
Delphine de Girardin
Nasceu Delphine Gay em Aix-La-Chapelle
em 26 de janeiro de 1804, o mesmo ano do Codificador e desencarnou na capital
francesa em 29 de junho de 1855.
Foi poetisa que freqüentou os salões de
Mme Récamier. Casou-se com Émile de Girardin, jornalista e político francês,
passando então a ser conhecida como sra. Émile de Girardin.
Ela mesma se tornou jornalista, após o
casamento em 1831, escrevendo no jornal La Presse no período de 1836 a 1848,
sob o pseudônimo de visconde de Launay, interessantes crônicas da sociedade do
tempo de Luís Filipe. Essas crônicas ficaram conhecidas como cartas
parisienses.
Publicou também romances, tragédias e
comédias. Era, positivamente, grande médium inspirada.
Personalidade muito conhecida no meio
poético, freqüentando os salões literários onde se reuniam as celebridades do
momento, muito natural que ela tomasse contato com as mesas girantes.
Desde o primeiro contato com as mesas
ela se convenceu da veracidade das manifestações. Teve oportunidade de se encontrar
com o professor Rivail pessoalmente. Possivelmente, em alguma das reuniões que
ele freqüentava, nas suas pesquisas em torno dos fenômenos que assombravam
Paris.
Amiga pessoal de Victor Hugo, os
acontecimentos políticos do ano de 1851 e o exílio de seus amigos a marcaram de
forma cruel.
Fiel à amizade ela decidiu levar
conforto moral aos pobres proscritos. Lançou-se ao mar e em 6 de setembro de
1853 desembarcou em Jersey, uma pequena ilha de 116 quilômetros quadrados.
O cansaço a tomava por inteiro. A
viagem foi excessivamente fatigante. Diga-se de passagem: ela já se encontrava
doente. O câncer a devorava.
Dinâmica, contudo, ela não se deixava
abater em demasia. Um pouco triste e melancólica, mas igualmente feliz por
rever seus amigos, ela reencontrou Victor Hugo e a família.
À hora do jantar, narrou as notícias de
Paris, no intuito de trazer um pouco da pátria para os exilados. Com entusiasmo
se referiu às mesas girantes. Na pequena ilha de Jersey algumas tentativas
tinham sido feitas, sem sucesso.
Delphine, sem aguardar a sobremesa,
saiu em busca de uma mesa pequena, redonda. As sessões foram longas e
cansativas. Parecem não ter tido sucesso nos primeiros cinco dias.
Victor Hugo, cético, aderiu às reuniões
somente para não desgostar a amiga. Finalmente, no domingo, 11 de setembro, a
concentração, o silêncio foram recompensados. Uma comunicação aconteceu. Uma
comunicação que mudaria os rumos da vida do grande poeta francês. Quem se
comunicou, através da mesa foi nada mais, nada menos que sua filha Leopoldine.
Sua amada filha, morta durante a lua-de-mel, afogada em um lago, num passeio de
barco com o marido.
Na Codificação, o espírito de Delphine
de Girardin aparece em "O Evangelho segundo o espiritismo", no
capítulo V (Bem aventurados os aflitos), item 24, com a mensagem intitulada "A
desgraça real".
Blaise Pascal
Certo dia, um menino de 10 anos bateu
com uma colher num prato e escutou atentamente o som, que continuou a vibrar
por algum tempo, parando, no entanto, quando o pequeno pôs a mão sobre o prato.
Com certeza, em muitos lugares do
mundo, outros tantos garotos terão feito o mesmo e observado o fenômeno. Mas,
só um gênio como Blaise Pascal resolveu investigar o mistério e escreveu um
tratado sobre o som: "Traité des sons".
Nascido aos 19 de junho de 1623, em
Clermont (Auvergue), cedo demonstrou a sua genialidade. Certo dia, o pai o
encontrou a riscar, com um pedaço de giz, "rodas e barras" no soalho
do seu quarto. Rodas e barras eram na verdade os círculos e as linhas retas da
Geometria, traduzidos na linguagem infantil.
Logo mais provaria que a soma dos
ângulos de um triângulo perfaz dois retos, resolvendo num passatempo, o 32º
teorema de Euclides, cujo nome ignorava.
Na adolescência, aos 16 anos, escreveu
um Tratado sobre as secções dos cones "Traité des sections coniques",
um problema de alta Geometria, que assombrou o mundo profissional da época. O
próprio Descartes, ao lê-lo, se recusou a acreditar tivesse sido escrito por um
jovem dessa idade.
Dois anos mais tarde, construiu o jovem
matemático uma máquina de contar, com o principal objetivo de aliviar seu pai
dos complicados cálculos que necessitava fazer na sua lida com as finanças do
Município.
Numa época em que não estavam
aperfeiçoadas as tábuas logarítmicas, este engenho prestou grandes serviços aos
que se ocupavam com a aritmética e mereceu numerosas reproduções.
Oportunamente, Pascal presenteou com
uma dessas máquinas ao célebre Condé e a Rainha Cristina da Suécia, quando ela
esteve na França. Mais tarde, entre seus 23 e 25 anos, interessou-se pelos
estudos da Física, escrevendo sobre o "espaço vazio": "Nouvelles
experiences touchant le vide".
Foi também nesta época que o pai de
Blaise sofreu um acidente e, por permanecer longo período na cama, teve a lhe
servir de enfermeiros dois fervorosos discípulos de Cornélio Jansênio que, ao
se despedirem, deixando Etienne Pascal curado, deixaram toda a família Pascal
profundamente impressionada com o ideal religioso.
Em outubro de 1654, estando Blaise
Pascal a passear de carruagem por uma ponte, assustaram-se os cavalos, tendo
dois deles se precipitado da ponte, após rompidos os arreios. Os outros, com a
carruagem ficaram suspensos sobre o abismo, salvando a vida do cientista. Dizem
alguns de seus biógrafos que este fato lhe teria produzido um violento abalo,
fazendo-o se dedicar às questões religiosas.
Contudo, depois de sua morte foi
encontrado, cosido no forro de sua vestimenta, um bilhete datado de 23 a 24 de
novembro de 1654, em que ele relata uma espécie de êxtase que teria
experimentado, e demonstra um desejo ardente de se consagrar às coisas
espirituais.
Escrevendo suas "Cartas
Provinciais", Pascal apresenta a verdadeira Igreja do Cristo não
circunscrita a uma determinada organização eclesiástica, menos ainda a
determinados homens de um certo período, representando casualmente a Igreja,
mesmo porque, falíveis os homens, insegura seria a fé. Em 1657, suas
"Cartas", dezoito ao todo, foram relacionadas no Index, da Igreja.
São consideradas um dos maiores monumentos da literatura francesa e o atestado
de uma grande sinceridade cristã.
A respeito, pronunciou-se Pascal:
"Roma condenou as minhas Cartas; mas o que nelas condenei está condenado
no céu _ apelo para o teu tribunal, Senhor Jesus!"
Relata que pediu a Deus 10 anos de
saúde para poder escrever sua apologia do Cristianismo, que o mundo viria a
conhecer com o nome de "Pensées", contudo, confessa, Deus lhe deu
quatro anos de enfermidade.
Nessa Apologia, ele apresenta Cristo
não como o "Senhor morto" de tantos cristãos, mas o Cristo vivo,
sempre-vivo, aquele Cristo que segue com os homens, todos os dias.
Amar era para ele a melhor forma de
crer, a "razão do coração que a razão ignora". Deus é, antes de tudo
o Sumo Bem, o alvo do amor, e ele afirmava não poder crer senão num Deus que
pudesse amar sinceramente. A mensagem para a humanidade de sua época, para os
melhores homens do século, foi uma mensagem de vasta, profunda e panorâmica
espiritualidade cristã. Uma espiritualidade que brilha em todas as páginas do
Evangelho, a espiritualidade do Cristo.
Tal espiritualidade transcende das suas
mensagens, inseridas pelo Codificador em O Evangelho Segundo o Espiritismo: a
primeira, datada de 1860, recebida em Genebra, que alude à verdadeira
propriedade e a segunda, do ano 1862, de Sens, da qual destacamos especialmente:
"(...) Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a
caridade;(...) " e , logo adiante, "(...) esforçai-vos por não
atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a
justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu reino, o joio do trigo."
Não menos oportunas as observações em
sua mensagem "Sobre os médiuns" (O livro dos médiuns, cap. XXXI, item
XIII) de excelente atualidade para os dias que estamos vivendo, onde a
mediunidde tem sido levada, muita vez, à conta de exclusiva projeção pessoal e
destaque social: "Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças
para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo
proveitosa a luz que ilumina, será menos escusável do que outro qualquer e terá
que expiar a sua cegueira."
Sua morte se deu a 19 de agosto de
1662, aos 39 anos, sendo que os dois últimos anos de sua vida foram de intenso
sofrimento. A enfermidade que o tomou lhe furtou qualquer possibilidade de
esforços físicos e intelectuais.
Fonte: Expoentes da Codificação
Espírita
Fénelon
Este é o nome literário de François de
Salignac de la Mothe, prelado e escritor francês que nasceu no castelo de
Fénelon, em Périgord, a 6 de agosto de 1651.
Ordenou-se sacerdote em 1675 e passou a
dirigir uma instituição que tinha por objetivo reeducar as jovens protestantes
convertidas ao catolicismo.
Foi enviado pelo rei, na qualidade de
missionário às regiões de Aunis e Saintonge.
Seu Tratado da educação das jovens, que
veio à luz em 1687, obra dedicada às filhas do duque de Beauvillier, lhe valeu
a nomeação de preceptor do duque de Bourgogne.
Aos 42 anos é eleito acadêmico e aos 44
já é arcebispo de Cambrai.
A partir da publicação de sua obra
Explicação das máximas dos santos, em 1697, passam a declinar as graças
oficiais. Dois anos mais tarde, a Santa Sé condena a obra e ele é privado de
seus títulos e pensões.
Também cai em desgraça perante Luís XIV
que descobre críticas a seu governo no romance pedagógico de Fénelon “As
aventuras de Telêmaco”, no mesmo ano de 1699.Mesmo no exílio de sua diocese,
ele não pára de publicar. E no período de 1700 a 1712 publica Fábulas e
Diálogos dos mortos, este último escrito para o duque de Bourgogne.
Deixa transparecer suas esperanças de
uma reforma política em O exame de consciência de um rei, enquanto seu apego à
Antigüidade clássica transparece em Cartas sobre as ocupações da Academia
francesa.
7 de janeiro de 1715 assinala a data da
sua morte, ocorrida em Cambrai.
Fénelon figura na Codificação, em
vários momentos, podendo ser citados: O livro dos espíritos, onde assina
Prolegômenos, junto a uma plêiade de luminares espirituais. Igualmente a
resposta à questão de nº 917 é de sua especial responsabilidade.
Em O evangelho segundo o espiritismo
apresenta-se em vários momentos, discursando acerca da terceira revelação e da
revolução moral do homem (cap. I, 10); o homem de bem e os tormentos
voluntários (cap. V, 22,23; a lei de amor (cap. XI, 9); o ódio (cap. XII, 10) e
emprego da riqueza (cap. XVI, 13).
Em O livro dos médiuns figura no
capítulo das Dissertações Espíritas (cap. XXXI, 2ª parte, itens XXI e XXII)
desenvolvendo aspectos acerca de reuniões espíritas e a multiplicidade dos
grupos espíritas.
Importante assinalar que os destaques
assinalados são os que o espírito assina seu nome, devendo se considerar que
deve, como os demais responsáveis espirituais pela Codificação ter estado
presente em muitos outros momentos, dando seu especial contributo, eis que foi
convidado pelo Espírito de Verdade a compor sua equipe, em tão grandioso
empreendimento.
Fonte: “Expoentes da Codificação
Espírita”
Massillon
Jean Baptiste Massillon nasceu em
24 de junho de 1663 em Hyéres, Provence, na França. Foi um bispo católico e
famoso por suas pregações. Filho de um notário real, aos dezoito anos ingressou
na Congregação do Oratório de Jesus, ordenando-se padre. Com cerca de trinta
anos, ganhou grande reputação após proceder a oração fúnebre do arcebispo de
Vienne, Henri de Villars e dois anos depois do arcebispo de Lyon. Ingressou num
mosteiro, onde pretendia viver. Todavia, em 1696, foi chamado a Paris para
dirigir o conhecido Seminário de Saint Magloire. Em 1699, foi escolhido para
ser o pregador do Advento na corte de Versalhes e, entre 1701 e 1704, das
Quaresmas, consolidando sua fama de grande orador. Proferiu, ainda, as orações
fúnebres do príncipe de Conti (1709), do Grande Delfim (1711) e do rei Luis XIV
(1714), tendo esta última se notabilizado por sua frase de abertura, em que
afirma que “só Deus é grande”. Em 1717, foi nomeado bispo de Clermont, ocasião
em que proferiu diversos discursos dirigidos ao jovem rei Luís XV, reunidos sob
o título de “Petit Carême”, que se tornou sua obra mais famosa. Voltaire a
tinha sempre sobre sua mesa. Dois anos depois, foi eleito membro da Academia
Francesa. Seus sermões foram elogiados por Voltaire, D´Alembert e outros
iluministas, notabilizando-se por tratar pouco de questões dogmáticas e priorizar
o ensinamento moral. Tratava das questões existenciais do homem com sentimento
poético. D'Alembert o considera "o verdadeiro modelo de eloquência no
púlpito, digno de ser aprendido por todas as crianças destinadas a reinar, e
para ser pensada por todos os homens responsáveis por governar o mundo”. Seus
sermões foram mais tarde reunidos na obra “Pequena Quaresma”. O valor literário
de seus sermões, suas reconhecidas benevolência e tolerância e a notória
antipatia por disputas doutrinárias levaram Massillon a ser considerado pelos
filósofos do século XVIII mais importante que a maioria dos clérigos da época.
Sua morte ocorreu em Clermon, em 18 de setembro de 1742. A primeira edição de
suas obras completas foi publicada por seu sobrinho, também um orador, em
Paris, entre 1745 e 1748. Mais recentemente, entre 1865 e 1868, ainda em Paris,
foi publicada uma edição mais moderna. Na Codificação, Massillon aparece no
capítulo XXXI, item XXV, de O Livro dos Médiuns, com mensagem dissertando sobre
a comunicação com os espíritos, na qual ensina, a respeito das comunicações
apócrifas: “Ficai, porém, sabendo que não o permitimos em se tratando daqueles
por quem realmente nos interessamos, isto é, daqueles com quem o nosso tempo
não é perdido. Esses são os que preferimos e cuidadosamente os preservamos da
mentira. Se, portanto, sois tão frequentemente enganados, queixai-vos tão-só de
vós mesmos. Para nós, o homem sério não é aquele que se abstém de rir, mas
aquele cujo coração as nossas palavras tocam, que as medita e tira delas
proveito.”
Fonte: Expoentes da Codificação
Espírita
Isabel de França
Isabel de França é o nome de
várias princesas francesas. De acordo com o teor do texto da mensagem inserida
pelo Codificador em O Evangelho segundo o Espiritismo, acredita-se deva se
tratar da filha do rei Luís VIII e de Branca de Castela e irmã de São Luís
(Luís IX). Nasceu em Paris, em 1225. Ainda criança, na corte francesa,
dedicava-se à religião. Dedicou-se também à ordem franciscana. Rompeu o
compromisso com um conde e rejeitou o casamento com Conrado IV, filho do
imperador Frederico II da Germânia, optando por manter-se virgem. Em 1256, foi
abadessa e fundou Longchamp, pequena comunidade a oeste de Paris. Nesta
comunidade, fundou, ainda, o Mosteiro das Clarissas, no ano de 1259, nele
ingressando. Morreu em sua casa, em Longchamp, em 23 de fevereiro de 1270 e foi
enterrada na igreja doconvento. Conta-se que teve seu corpo exumado nove dias
após a morte, não tendo sido encontrado nenhum sinal de deterioração. Em 1521,
o papa Leão X permitiu seu culto e em 1696 foi permitida a celebração de seu
dia (31 de agosto) por toda a ordem franciscana. Na Codificação, aparece com
mensagem em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo XI, “Amar o próximo
como a si mesmo”. Nesta mensagem, ditada em Havre, em 1862, e intitulada
“Caridade para com os criminosos”, em que ensina devermos amar os criminosos,
“... como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão
concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis
contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que
aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não
conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós”. E
completa: “Deveis, àqueles de quem falo, o socorro das vossas preces: é a verdadeira
caridade. Não vos cabe dizer de um criminoso: ‘um miserável; deve-se expurgar
da sua presença a Terra; muito branda é, para um ser de tal espécie, a morte
que lhe infligem.’ Não, não é assim que vos compete falar. Observai o vosso
modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados?
Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia
a mão. Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas, pelo menos, podeis orar por
ele, assistir-lhe o Espírito durante o tempo que ainda haja de passar na Terra.
Pode ele ser tocado de arrependimento, se orardes com fé. E tanto vosso
próximo, como o melhor dos homens; sua alma, transviada e revoltada, foi
criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro e
orais por ele.”
Fonte: "Expoentes da Codificação Espírita"
Lamennais
Felicité
Robert de LAMENNAIS nasceu numa
família burguesa, em Saint-Malo, França, em 19 de junho de 1782. Foi filósofo e
escritor, tornando-se figura influente e controversa na história da igreja
católica francesa. Com o irmão Jean, esboçou um programa de reforma do
Catolicismo Romano, como um meio para a regeneração social. Suas ideias foram
publicadas no livro “Reflexão do estado da Igreja...”, lançado no ano de 1808.
Anos depois, em meio ao conflito entre Napoleão Bonaparte e o Papa, Lamennais e
o irmão defenderam a doutrina conhecida como “Ultramontanismo”, criada pelos
católicos franceses e que pregava a autoridade absoluta do Papa em matéria de
fé e disciplina. A defesa dessa doutrina colocou Lamennais em conflito com o
Imperador, obrigando-o a se refugiar na Inglaterra, em 1815. Um ano depois,
retornou a Paris, onde foi ordenado padre. Escritor fluente, pregou a união
entre a política liberal e o Catolicismo, o que o tornou famoso. Defendia a
separação do Estado e da Igreja e a liberdade de consciência, de educação e de
imprensa. Em 1830, após a revolução de julho, juntou-se a Lacordaire e a um
grupo de escritores católicos liberais para fundar o jornal “L’ Avenir”,
defendendo estes princípios, o que lhe criou embaraços com o clero e o governo
franceses. Em 1831, o Papa Gregório XVI publicou a encíclica “Mirari Vos”,
desautorizando as ideias de Lamennais, o que fez com que fosse suspensa a
publicação do jornal. Mais tarde, porém, Lamennais deixa a Igreja e retoma a
defesa de suas posições na obra “Palavras de um crente”, condenada em 1834 pelo
Papa através da encíclica “Singulari Vos”. Lamennais, contudo, continuou
devotado à causa, defendendo a república e o socialismo em suas obras "O
Livro do Povo", "Os afazeres de Roma" e "Esboço de uma
Filosofia". Chegou a ser condenado à prisão. Em 1848, foi eleito para a
Assembleia Nacional, onde permaneceu até 1851. Faleceu em 27 de fevereiro de
1854, em Paris, onde foi enterrado como indigente, por ter rompido com a
Igreja.
Na Codificação, Lamennais aparece
no Livro dos Espíritos, respondendo à questão 1009, acerca das penas eternas,
que considera “... ideia blasfematória da justiça e da bondade de Deus, gérmen
fecundo da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas
humanas,...”. Também em O Evangelho segundo o Espiritismo Lamennais comparece,
respondendo à indagação de Kardec sobre se deve-se expor a própria vida para
salvar a de um malfeitor. “O devotamento é cego; socorre-se um inimigo;
deve-se, portanto, socorrer o inimigo da sociedade, a um malfeitor, em suma”,
esclarece.
Fonte: Expoentes da Codificação Espírita"
Fonte: Expoentes da Codificação Espírita"
Emmanuel
Manoel
da Nóbrega nasceu em 18 de outubro de 1517, em Sanfins do Douro, em Portugal,
ao tempo do reinado de D. Manoel I. Foi sacerdote jesuíta português e chefe da
primeira missão jesuítica na América.
Ingressou,
aos 17 anos, na Unive rs idade de Salamanca, Espanha, transferindo-se para a
Universidade de Coimbra, onde bacharelou-se em direito canônico e filosofia, em
1541. Aos 27 anos, foi ordenado pela Companhia de Jesus. Viajou por Portugal e
toda a Espanha, pregando o Evangelho. Em 1549, foi convidado pelo rei D. João
III para embarcar na armada de Tomé de Sousa, chegando à Bahia em 29 de março.
Deu início, então, ao trabalho de catequese dos indígenas, desenvolvendo uma
intensa campanha contra a antropofagia existente entre os nativos e, ao mesmo
tempo, combatendo a sua exploração pelo homem branco. Escolheu o local para a
fundação da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 1554, data escolhida por
ser tida como o dia da conversão de Paulo ao Cristianismo. Em 1563, junta-se a
José de Anchieta no trabalho de pacificação dos tamoios. Participou da
expedição de Estácio de Sá na fundação da cidade de São Sebastião do Rio de
Janeiro, onde viria a construir um colégio jesuíta e também na luta contra os
franceses, como conselheiro de Mem de Sá. Foi Manoel da Nóbrega quem solicitou
ao rei de Portugal, D. João III, a criação da primeira diocese no Brasil. Em
1558, convenceu o governador Mem de Sá a baixar leis de proteção aos índios,
impedindo a sua escravização. Morre em 1570, no dia 18 de outubro, quando
completava 57 anos de idade. Anos depois, em 1931, enquanto Chico Xavier orava
à sombra de uma árvore, Manoel da Nóbrega apresenta-se a ele em espírito, pela
primeira vez. Convidado a identificar-se, traçou algumas características de
suas vidas anteriores, dizendo ter sido o orgulhoso senador romano Publio
Lentulus Cornelius, desencarnado no ano de 79, vítima das lavas do vulcão
Vesúvio e, também, sacerdote, tendo vivido inclusive no Brasil. A partir daí,
com o nome de Emmanuel, torna-se mentor e parceiro de Chico em inúmeras obras
mediúnicas, importantes para a divulgação do Espiritismo. Em algumas delas,
narra sua trajetória em pretéritas existências, como nos romances “Há dois mil
anos”, “Cinquenta anos depois”, “Ave Cristo” e “Renúncia”.
Na
Codificação, Emmanuel aparece em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, no
capítulo XI, item 11, com a mensagem intitulada “O egoísmo”, que conclui com a
seguinte exortação: “Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na
escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste
viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.”vergar sua veste
viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.”
Fonte: Expoentes da Codificação Espírita
Fonte: Expoentes da Codificação Espírita
Galileu Galilei
Galileu
Galilei nasceu em Pisa, Itália, em 15
de fevereiro de 1564. Foi um físico, matemático, astrônomo e filósofo. Mais
velho dos sete irmãos, viveu a maior parte de sua vida em Pisa e em Florença.
Excelente aluno, pretendia ingressar no monastério, no que foi impedido por seu
pai. Inscreveu-se na Universidade de Pisa, onde cursou medicina durante dois
anos, desistindo e decidindo estudar matemática. Em 1585, abandonou a
universidade sem concluir o curso e foi para Florença, onde deu aulas particulares
para sobreviver. Foi nessa época que inventou a balança hidrostática. Em 1588,
foi nomeado para a cátedra de matemática na Universidade de Pisa. Também em
Pisa realizou as suas famosas experiências de queda de corpos em planos
inclinados, demonstrando que a velocidade da queda de um corpo vai se
acelerando, independente de seu peso. Em 1590, publicou o pequeno tratado "De
motu", sobre o movimento dos corpos. Com suas experiências de
movimento de bolas em planos inclinados aproximou-se do que seria mais tarde
conhecido como a primeira lei de Newton. Em 1592, conseguiu a cátedra de
matemática na Universidade de Pádua, onde passou os 18 anos seguintes,
ensinando geometria, mecânica e astronomia. Em Pádua conquistou reputação
internacional e suas aulas eram frequentadas por até mil alunos. Em 1609, em
viagem à Veneza, construiu um telescópio capaz de aumentar em trinta vezes o
tamanho aparente de um objeto. Embora não tenha sido o inventor do telescópio,
foi o primeiro a fazer uso científico desse aparelho, com observações
astronômicas. Foi assim que descobriu que a Via Láctea é composta de grande
número de estrelas. Descobriu, ainda, os satélites de Júpiter e as crateras da
Lua. Entre 1613 e 1615, escreveu as famosas cartas copérnicas, defendendo
ideias inovadoras, que geraram muito escândalo nos meios conservadores. A
passagem mais polêmica era a que sustentava que a Bíblia deveria ser
interpretada à luz do sistema heliocêntrico, que considera o Sol como o centro
do Universo e que a Terra se move. Em 1616, a Inquisição considerou a Teoria
Heliocêntrica herética e teologicamente errada. Galileu foi, então, proibido de
falar do heliocentrismo como realidade física. O livro de Copérnico sobre o
tema foi incluído no "Índice dos livros proibidos". Embora não tenha
seu livro sido incluído, Galileu foi convocado a Roma para expor os seus novos
argumentos perante o Tribunal do Santo Ofício, que decidiu não haver provas
suficientes para concluir que a Terra se movia. Galileu foi por isto admoestado
a abandonar a defesa da teoria heliocêntrica. Tendo continuado a defender suas
ideias, foi novamente convocado a Roma pelo Papa para ser julgado, apesar de já
se encontrar doente. Após longo julgamento, foi condenado a negar publicamente
suas ideias e à prisão por tempo indeterminado. Seus livros foram incluídos no
“Índice”. Em 1642, já cego e ainda cumprindo pena, faleceu em Florença.
Na Codificação, Galileu contribui
com o capítulo VI de “A Gênese”, dissertando sobre astronomia geral, através de
comunicações ditadas em 1862 e 1863, servindo como médium Camille.
Fonte: "Expoentes da Codificação Espírita"
Fonte: "Expoentes da Codificação Espírita"
São Luis
Luís IX de França ou São Luís de França nasceu em Poissy, França, em 25 de abril de 1214. Foi o quinto filho de Luís VIII de França, que se preocupou desde cedo com a sua educação, principalmente a religiosa. Com a morte do pai, subiu ao trono aos 12 anos, tendo sido sagrado na catedral de Reims. Devido à idade, sua mãe, atendendo a testamento de Luís VIII, assumiu a regência da França. Durante sua minoridade, a França enfrentou um período conturbado, com as ambições da Inglaterra e pressões da nobreza para retomar o poder. Atingiu a maioridade em 1234, casando-se com Margarida da Provença, também de ascendência nobre. Segundo historiadores, somente assumiu pessoalmente o poder em 1242, quando tomou o nome de Luís IX. Tornou-se um soberano justo, admirado pelo povo e respeitado pela nobreza. Instituiu assembleias judiciárias, que deram origem aos parlamentos. Católico, construiu em 1245 a Sainte Chapellhe, em Paris. Seu reinado foi considerado um período de paz e prosperidade para a França. Zeloso do que entendia ser uma missão divina, foi também um período de forte religiosidade na França, com a intenção de conduzir o povo francês à salvação da alma. Organizou duas cruzadas: a sétima, em 1250, contra o Egito e a oitava, em 1270, contra Cartago. Durante a primeira, foi capturado e resgatado após o pagamento de elevado valor. Passa quatro anos na Síria propagando o cristianismo. De volta à França, proíbe o duelo, o jogo e a prostituição e institui penalidade para a blasfêmia. É de sua iniciativa a construção da Sorbonne. Em 1270, durante a oitava Cruzada, em Cartago, vem a falecer, juntamente com seu filho, vitimado pela peste bubônica, segundo alguns historiadores ou pela disenteria, de acordo com outros.
Na Codificação, São Luís assina os Prolegômenos de O Livro dos Espíritos, como um dos seus autores. Aparece, ainda, com muitas outras mensagens, como as contidas em O Evangelho segundo o Espiritismo e em O Livro dos Médiuns, dissertando sobre a encarnação, o sofrimento, a misericórdia, a beneficência, a riqueza, o laboratório do mundo invisível e as manifestações físicas espontâneas. Assina a resposta à última questão do Livro dos Espíritos, falando sobre o reinado do bem na Terra e no capítulo XXXI de O Livro dos Médiuns comparece com cinco dissertações aos espíritas, numa das quais recomenda: “Quanto mais modestos fordes, tanto mais conseguireis tornar-vos apreciados. Nenhum móvel pessoal vos faça agir e encontrareis nas vossas consciências uma força de atração que só o bem proporciona. Por ordem de Deus, os Espíritos trabalham pelo progresso de todos, sem exceção. Fazei o mesmo, vós outros, espíritas”.
Fonte: "Expoentes da Codificação Espírita"
Timóteo
Timóteo, filho de mãe judia e pai grego, residia em
Listra, antiga cidade romana, em companhia de sua mãe Eunice e de sua avó
Lóide. Desde cedo, interessara-se pela leitura da Lei de Moisés e dos Livros
Sagrados dos Profetas. Quando Paulo foi a Listra, hospedou-se na residência da
família de Timóteo, então com 13 anos, mantendo com ele os primeiros contatos.
Tendo ouvido falar de Jesus, Timóteo demonstrou a Paulo interesse em conhecer
os seus ensinamentos, recebendo do Apóstolo dos Gentios as primeiras
informações a respeito da Boa Nova. Auxiliou Paulo na fundação do primeiro
núcleo cristão em Listra, ajudando no atendimento aos enfermos e nas demais
tarefas. Encontrava-se presente quando Paulo foi apedrejado numa de suas
pregações públicas pela população, incitada pelo governo da cidade.
Dispensou-lhe os primeiros socorros, permanecendo ao seu lado até que se
recuperasse dos ferimentos sofridos. Passou a acompanhar Paulo em suas viagens,
submetendo-se, antes, à circuncisão, a fim de evitar represálias dos judeus.
Esteve junto de Paulo na redação de suas famosas epístolas e quando este foi
feito prisioneiro pelos romanos. Seguiu-o até a Espanha, auxiliando-o na
divulgação do Evangelho. Em várias oportunidades foi por ele encarregado de
levar mensagens às comunidades cristãs nascentes, inclusive na Ásia. Foi consagrado
bispo de Éfeso, em 65 D.C., onde serviu por cerca de 15 anos. Conta-se que, ao
tentar impedir uma procissão pagã, foi atacado, arrastado pelas ruas e apedrejado.
Recebeu de Paulo a “Carta a Timóteo”, que faz parte do Novo Testamento, com a
recomendação: “esforça-te por te apresentares a Deus digno de aprovação, como um
operário que não tem de que se envergonhar, que distribui retamente a palavra
da verdade...” Morreu por volta do ano de 80 d.C. e foi canonizado pela Igreja
como um de seus santos.Na Codificação, assina, juntamente com Erasto, no item 225
de O Livro dos Médiuns, mensagem sobre o papel dos médiuns nas comunicações,
explicando que “quando. queremos transmitir ditados espontâneos, atuamos sobre
o cérebro, sobre os arquivos do médium e preparamos os nossos materiais com os elementos que ele nos fornece e isto
à sua revelia...” e que “qualquer que seja a natureza dos médiuns... nós nos
comunicamos com os espíritos encarnados dos médiuns da mesma forma que com os espíritos
propriamente ditos, tão só pela irradiação do nosso pensamento.”
Fonte: “Expoentes da Codificação
Espírita”
muito bom o trabalho me ajudou muito. obrigado
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