INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
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Estudo de O Livro dos Espíritos

LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo X – Ocupações e missões dos Espíritos.
(Este capítulo tem uma característica, ele não tem divisões em tópicos, porque, fundamentalmente Kardec nos traz, pelas respostas dos Espíritos, o cotidiano deles, aquilo que eles fazem no dia a dia, sejam eles Espíritos superiores ou inferiores. Sendo que, as perguntas do Codificador dão especial ênfase às atividades dos Espíritos superiores).
Dando sequência ao estudo, vamos abordar as Questões de 568 a 572-a.
568. Os Espíritos que têm missões a cumprir cumprem-nas em estado errante ou encarnado?
“Podem fazê-lo num e noutro estado. Para certos Espíritos errantes essa é uma grande ocupação”.
A missão dos Espíritos errantes consiste em ocupar suas mentes no trabalho em favor da coletividade, e mesmo que não seja desta forma, sempre o bem está presente nos seus ideais, e, conforme o desempenho, eles avançam na escala do progresso. As missões destes Espíritos podem ser como encarnados ou como desencarnados, na erraticidade.
569. Em que consistem as missões de que podem ser encarregados os Espíritos errantes?
“São tão variadas que seria impossível descrevê-las; existem aliás  as que não poderíeis compreender. Os Espetos executam a vontade de Deus e não podeis penetrar todos os seus desígnios”.
As atividades dos Espíritos errantes são variáveis na criação de Deus; conforme o estado espiritual da alma, será a sua tarefa junto à natureza e aos homens. Há muitas atividades para os Espíritos chamados errantes, e é bom que muitas delas fiquem ocultas, por enquanto, devido à falsa interpretação que os homens poderão dar a esse labor bem diferente do que conhecemos na Terra. Tudo que existe, e que é feito entre os homens, o é por permissão d'Aquele que é a vida. Tudo que se faz no mundo e no plano do Espírito é objetivando o bem. Deus sabe transformar todas as coisas em coisas úteis.
Comentário de Kardec:  As missões dos Espíritos têm sempre o bem por objeto. Seja como Espírito, seja como homens, são encarregados de ajudar o progresso da humanidade, dos povos, ou dos indivíduos num circulo de idéias mais ou menos largo, mais ou menos especial, de preparar as vias para certos acontecimentos, de velar pela realização de certas coisas. Alguns têm missões mais restritas e de certa maneira pessoais ou inteiramente locais, como de assistir aos doentes, os agonizantes, os aflitos, de velar pelos que estão sob a sua proteção de guias,  de dirigi-los pelos seus conselhos ou pelos bons pensamentos que lhes surgem. Pode se dizer que há tantos gêneros de missões quantas as espécies de interesses a resguardar, seja no mundo físico ou no mundo moral. O Espírito se adianta segundo a maneira por que desempenha a sua tarefa.
570. Os Espíritos compreendem sempre os desígnios que estão encarregados de executar?                                   
“Não. Há os que são instrumentos cegos, mas outros sabem muito bem com que objetivo agem”.
Os trabalhos dos Espíritos são diversos, mas nem todos os Espíritos são conscientes do que realizam. Os mais ignorantes são instrumentos cegos, ou seja, são dirigidos pelos mais despertos.
571. Só há Espíritos elevados no cumprimento de missões?
“A importância das missões está em relação com a capacidade e a oração do Espírito. O estafeta que leva um despacho cumpre também uma missão, que não é a do general”.
As missões são diferentes entre os Espíritos, no entanto, elas têm valores semelhantes, dependendo de como são realizadas. Não importa as qualidades de tarefas a realizar; importa, sim, como fazê-las. Um estadista, quando bem informado sobre as leis de Deus, deixa correr em seu nome, em todo o mundo, exemplos edificantes e lições de moralidade que podem encaminhar muitas criaturas para o caminho do bem. Tanto um estafeta quanto um general podem iluminar suas vidas nos diferentes postos que ocupam, cada um respeitando os direitos dos outros e cumprindo seus deveres, mesmo em lugares diferentes.
572. A missão de um Espírito lhe é imposta ou depende de sua vontade?
“Ele a pede e alegra-se de a obter”.
Certamente que o Espírito tem liberdade de pedir para vir à Terra com tal ou qual missão, mas nem sempre isto lhe será concedido, porque geralmente ele não sabe o que pede. Somente Deus, o Criador de todas as coisas, conhece as necessidades de todos nós e nos dá o que na realidade nos convém. O mais inteligente é passar a saber dos benfeitores espirituais qual a tarefa que nos convém desempenhar no mundo.
572–a. A mesma missão pode ser pedida por muitos Espíritos?
“Sim, há sempre muitos candidatos, mas nem todos são aceitos”.

Nem todos os Espíritos podem escolher suas missões; muitas das vindas das almas pelo processo da reencarnação são impostas. Os mentores espirituais, encarregados das programações das vidas sucessivas, sabem avaliar, ajudando o reencarnacionista em uma escolha proveitosa, de sorte que o candidato à volta melhore moralmente suas condições espirituais. Jesus disse, por Mateus, 22:14: Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo X – Ocupações e missões dos Espíritos.
(Este capítulo tem uma característica, ele não tem divisões em tópicos, porque, fundamentalmente Kardec nos traz, pelas respostas dos Espíritos, o cotidiano deles, aquilo que eles fazem no dia a dia, sejam eles Espíritos superiores ou inferiores. Sendo que, as perguntas do Codificador dão especial ênfase às atividades dos Espíritos superiores).
Dando sequência ao estudo, vamos abordar as Questões de 566 a 567.
566. Um Espírito que teve uma especialidade na Terra, um pintor, um  arquiteto, por exemplo, se interessa de preferência pelos trabalhos que constituíram o objeto de sua predileção durante a vida?
“Tudo se confunde num objetivo geral. Se for bom, se interessará por eles na proporção que lhe permitam ajudar a elevação das almas a Deus. Esqueceis, aliás, que um Espírito que praticou uma arte na existência em que o conhecestes, pode ter praticado outra em outra existência, porque é necessário que tudo saiba para tornar-se perfeito. Assim, segundo o seu grau de adiantamento, pode ser que nenhuma delas constitua uma especialidade para ele. E isso o que eu entendo quando digo que tudo se confunde num objetivo geral. Notai ainda isto: o que é sublime para vós, no vosso mundo atrasado, não passa de infantilidade, comparado com o que há nos mundos mais avançados. Como quereis que os Espíritos que habitam esses mundos, onde existem artes desconhecidas para vós, admirem o que, para eles, não é mais que um trabalho escolar? Já o disse: eles examinam aquilo que pode provar o progresso”.
Os dons ou talentos inerentes à alma, com o perpassar do tempo, vão despertando e crescendo para a vida. Enquanto é preciso, o Espírito dedica-se, por vezes, em muitas reencarnações, a uma arte, se tem tendência para essa arte. Entretanto, quando ele não mais precisa de estudá-la, passará para outra. Pode dar-se que o seu interesse mude de repente para outra, onde deverá buscar novas fontes de saber. A perfeição é um conjunto de conhecimentos espirituais que Deus sabe necessários para a vida de cada criatura. Se todos somos iguais, todos temos esses dons guardados no fundo da consciência, que se refletem na mente quando necessário, para que possamos nos evidenciar em busca da perfeição.
566–a. Concebemos que assim deve ser para os Espíritos bastante adiantados. Mas falamos dos Espíritos mais vulgares, que não se elevaram ainda acima das ideias terrenas.
“Para esses é diferente. Seu ponto de vista é mais limitado e podem admirar aquilo mesmo que admirais”.
Para entender melhor o crescimento dos Espíritos, vejamos em outros mundos mais adiantados do que a Terra: o que pensamos ser uma sublimidade no mundo, pode ser um vazio programa em mundos elevados. A evolução é relativa em todos os ângulos de vida. Se nesta existência não tens aflorados tais ou quais dons, não te perturbes; já os tiveste despertados anteriormente, ou tê-los-ás no amanhã. Ninguém fica órfão das belezas imortais da vida.
567. Os Espíritos se imiscuem algumas vezes em nossas ocupações e em nossos prazeres?
“Os Espíritos vulgares, como disseste, sim; estão incessantemente ao vosso redor e tomam parte, às vezes bastante ativa, naquilo que fazeis, segundo a sua natureza. E é bom que o façam, para impulsionar os homens nos diferentes caminhos da vida, excitar ou moderar as suas paixões”.
Nos nossos prazeres e ocupações nos cercam muitos Espíritos no mesmo nível dos nossos sentimentos. A lei é justa e correta. Ela garante a estabilidade do que somos, com o que podes atrair pelos pensamentos, configurando, assim, a nossa vida, na vida dos que nos cercam. Se ainda estamos envolvidos em paixões inferiores, certamente que Espíritos da mesma estirpe nos acompanham, inspirando-nos os seus desejos. Entretanto, a bondade de Deus a ninguém deixa órfão do Seu amor, e sempre ordena que Espíritos de alta linhagem espiritual nos acompanhem mesmo à distância, a desfazerem o que seja a mais em nosso fardo a carregar, traduzindo tudo que recebemos em lições edificantes, sabendo que, no amanhã, poderemos ser um dos que guiam, livre pelo amor universal.

Comentário de Kardec: Os Espíritos se ocupam das coisas deste mundo na razão da sua elevação ou da sua inferioridade. Os Espíritos superiores têm, sem dúvida, a faculdade de as considerar nos seus mínimos aspectos, mas não o fazem senão na medida em que isso seja útil ao progresso. Os Espíritos inferiores somente ligam a essas coisas uma importância relativa ás lembranças que ainda estão presentes em sua memória, e às idéias materiais que ainda não foram extintas.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo X – Ocupações e missões dos Espíritos.
(Este capítulo tem uma característica, ele não tem divisões em tópicos, porque, fundamentalmente Kardec nos traz, pelas respostas dos Espíritos, o cotidiano deles, aquilo que eles fazem no dia a dia, sejam eles Espíritos superiores ou inferiores. Sendo que, as perguntas do Codificador dão especial ênfase às atividades dos Espíritos superiores).
Dando sequência ao estudo, vamos abordar as Questões de 563 a 565.
563. As ocupações dos Espíritos são incessantes?
“Incessantes, sim, se entendermos que o seu pensamento está sempre em atividade, pois eles vivem pelo pensamento. Mas é necessário não equiparar as ocupações dos Espíritos com as ocupações materiais dos homens. Sua própria atividade é um gozo, pela consciência que eles têm de ser úteis”.
Os Espíritos puros têm ocupações permanentes no imenso campo de atividades de Deus. É bom que a nossa compreensão atinja as verdades espirituais. Eles são exemplo máximo das realizações, e as fazem com alegria. Eles não param. Seus pensamentos são cada vez mais purificados pela grandeza de seus sentimentos, para estender a fraternidade cada vez mais.
563–a. Concebe-se isso para os bons Espíritos; mas acontece o mesmo com os Espíritos inferiores?
Os Espíritos inferiores têm ocupações apropriadas à sua natureza. Confiais ao trabalhador braçal e ao ignorante os trabalhos do homem culto?
Mesmo os Espíritos inferiores não ficam inertes; eles fazem alguma coisa que a bondade divina determina. Como em uma grande obra no mundo, é necessário o trabalhador, desde o mais humilde servente, até o mais hábil engenheiro,
564. Entre os Espíritos há os que são ociosos ou que não se ocupem de alguma coisa útil?
“Sim, mas esse estado é temporário e subordinado ao desenvolvimento de sua inteligência. Certamente que os há, como entre os homens, vivendo apenas para si mesmos; mas essa ociosidade lhes pesa e, cedo ou tarde, o desejo de progredir lhes faz sentir a necessidade de atividade, e são então felizes de poderem tornar-se úteis. Falamos de Espíritos que atingiram o ponto necessário para terem consciência de si mesmos e de seu livre-arbítrio. Porque, em sua origem, eles são como crianças recém-nascidas que agem mais por instinto do que por uma vontade determinada”.
A vida no universo é diversificada em todos os seus fundamentos. Quando os Espíritos da Codificação falam que a vida é movimento, é que realmente não existe vida sem que ela se mova. Existem Espíritos ociosos? De fato, existem Espíritos ociosos, preguiçosos, que não desejam trabalhar. Pela expressão do assunto nos parece que esses Espíritos estão na quietude total. Não, os Espíritos que nada desejam realizar, estão progredindo, embora muito lentamente, sem a sua participação e, sim, pela força do progresso universal.
565. Os Espíritos examinam os nossos trabalhos de arte e se interessam por eles?
“Examinam o que pode provar a elevação dos Espíritos e seu progresso”.

Os Espíritos elevados atentam para o trabalho honesto. A arte é um dom que a alma desenvolve, já existente no seu celeiro de vida. O pintor, o escritor, o escultor, enfim, em todos os trabalhos empreendidos pelos homens, que têm o traço do progresso, os Espíritos puros os assistem, dando melhor brilho a este exercício, para mostrar cada vez mais a beleza daquilo que pode fazer o homem.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo X – Ocupações e missões dos Espíritos.
(Este capítulo tem uma característica, ele não tem divisões em tópicos, porque, fundamentalmente Kardec nos traz, pelas respostas dos Espíritos, o cotidiano deles, aquilo que eles fazem no dia a dia, sejam eles Espíritos superiores ou inferiores. Sendo que, as perguntas do Codificador dão especial ênfase às atividades dos Espíritos superiores).
Iniciando o estudo, vamos abordar as Questões de 558 a 562-a.
558. Os Espíritos cuidam de outra coisa, além do seu melhoramento pessoal?
“Concorrem para a harmonia do Universo, executando a vontade de Deus, do qual são os ministros. A vida espírita é uma ocupação contínua, mas nada tem de penosa como a da Terra, pois não está sujeita à fadiga corpórea nem às angústias da necessidade”.
Os ministros de Deus são os Espíritos puros, sem vínculo algum com a ignorância humana; portanto, eles sabem o que fazem e o Senhor dispensa confiança a todos os Seus cooperadores em exercício no universo. A ação dos Espíritos superiores é intensa, mas, sem a fadiga que conhecemos aqui na Terra. Não entra nas suas cogitações mentais a fadiga, por não estarem ligados a corpos materiais e sujeitos às provas necessárias aos que ainda não se libertaram das paixões inferiores. Eles não têm mais o que resgatar, não existem em seus caminhos as provas que as criaturas enfrentam na Terra para o devido despertamento das qualidades espirituais que todos possuímos. O trabalho os motiva para a alegria, como prazer na cooperação ao Pai que a tudo comanda. Esses Espíritos da confiança de Deus, sob o comando de Jesus, obedecem às ordens do Mestre, que as recebe diretamente de Deus, e as espraia na Terra, quando se trata de serviço neste orbe.
559. Os Espíritos inferiores e imperfeitos desempenham também um papel útil no Universo?
Todos têm deveres a cumprir. O último dos pedreiros não concorre também para a construção do edifício como o arquiteto? (Ver item 540.)
Lógico, orientando os Espíritos inferiores, os Espíritos superiores concorrem para a harmonia do Universo. Os Espíritos inferiores e imperfeitos são comandados por Deus, pelos Seus agentes mais próximos para executarem as Suas obras. Todos eles têm deveres a cumprir, e isso eles fazem mesmo que sejam inconscientes. Quem se encontra na luz, já passou pelas trevas. É nesse sentido que os Espíritos superiores têm tolerância com os Espíritos chamados imperfeitos e inferiores. O dever do encarnado é o mesmo; quem tem mais luz, deve servir de cicerone aos que não sabem o caminho.
560. Os Espíritos têm, cada um, atributos especiais?
“Vale dizer que todos temos de habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas, presidindo sucessivamente às funções concernentes a todos os planos do Universo. Mas, como se diz no Eclesiastes, há um tempo para cada coisa. Assim, este cumpre hoje o seu destino neste mundo, aquele o cumprirá ou já cumpriu em outro tempo, sobre a Terra, na água, no ar etc.”.
Os Espíritos não têm atribuições especiais; não há nada especial para cada um, Deus é amor e justiça no mais profundo do termo. Todos temos de passar por todos os caminhos para tirarmos daí as lições, porque, se fomos feitos simples e ignorantes, as lições se encontram espalhadas por toda a criação, e o nosso dever é colhê-las com os nossos esforços, passo a passo. A diversidade de entendimento dos Espíritos é para nos mostrar que uns já adquiriram certas experiências e outros ainda vão em busca das mesmas. Os direitos são iguais na pauta do tempo e, ainda mais, existe a troca de valores de alma para alma.
561. As funções que os Espíritos desempenham na ordem das coisas são permanentes para cada um e pertencem às atribuições de certas classes?   
“Todos devem percorrer os diferentes graus da escala, para se aperfeiçoarem. Deus, que é justo, não poderia ter dado a uns a ciência sem trabalho, enquanto outros só a adquirem de maneira penosa”.
Se é Deus que estabelece a ordem de todas as coisas, elas vibram na justiça, e sendo justiça, é amor. Como podem uns Espíritos passarem por determinadas dificuldades para evoluir e outros não? Pela resposta dos Espíritos a Kardec, notamos que não há privilegiado na criação de Deus. Todos passam por caminhos iguais, e se alguns se mostram felizes naquilo que para outros é sofrimento, a diferença está no tamanho da evolução, na quantidade maior de despertamento espiritual. Isso deve ficar bem claro, para que não interpretemos que Deus ama mais a uns do que a outros, fato que não existe no coração d'Aquele que é a luz da vida. Se todos temos de percorrer os diferentes graus da escala, sejam eles quais forem, temos de passar pelos mesmos sacrifícios, pelos mesmos esforços, pelas mesmas dores e agressões do ambiente, mesmo que sejam diversificados na estrutura, mas, com o mesmo peso de qualidades.
Comentário de Kardec: Da mesma maneira, entre os homens, ninguém chega ao supremo grau de habilidade numa arte qualquer sem ter adquirido os conhecimentos necessários na prática das funções mais ínfimas dessa arte.
562. Os Espíritos da ordem mais elevada, nada mais tendo a adquirir, entregam-se a um repouso absoluto ou têm ainda ocupações?
“Que querias que eles fizessem por toda a Eternidade? A eterna ociosidade seria um suplício eterno”.
Não existe a inércia na criação de Deus. Os Espíritos puros trabalham constantemente. As suas ocupações são muitas, no entanto, não poderemos compará-las com as ocupações humanas, que são quase todas materiais. Cada plano de vida requer trabalhos compatíveis com a sua natureza. As almas purificadas no amor não vivem de contemplação, mas sim, de ação na fraternidade universal. Elas são cocriadoras, recebendo ordens da Suprema Justiça e executando-as. A vida é movimento, e o movimento é vida em todos os pontos, ainda que seja nos mais recônditos pontos do universo. E se tudo se move, desde a matéria primitiva até os acúmulos maiores, como pensar que os Espíritos puros fiquem com as mãos paradas? O próprio Deus opera sempre, disse Jesus.
562–a. Qual é a natureza de suas ocupações?
“Receber diretamente as ordens de Deus, transmiti-las por todo o Universo e velar pela sua execução”.

Eis que saiu o semeador a semear. (Marcos, 4:3). O semeador maior é Deus, que fez a própria vinha. Se até Ele saiu a semear, quanto mais os Espíritos puros, Quanto aos homens, devem fazer o mesmo e sair a semear as sementes do bem. Se colhemos o que plantamos, vejamos bem o que devemos semear. A colheita é de quem planta. Essa é a justiça universal. Os Espíritos puros recebem e executam as ordens de Deus. São os vigilantes da eternidade, e os homens podem e devem ser os vigilantes da área que o Senhor lhes deu para dirigir, desde seu corpo, ao lar, à sociedade. 
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Encerrando o estudo do tópico Poder oculto, talismãs, feiticeiros, vamos abordar as Questões de 555 e 556. Com a Questão 557, referente ao tópico Benção e maldição, vamos encerrar o Capítulo IX.
555. Que sentido se deve dar ao qualificativo de feiticeiro?
“Esses a que chamais feiticeiros são pessoas, quando de boa-fé, que possuem certas faculdades como o poder magnético ou a dupla vista. Como fazem coisas que não compreendeis, as julgais dotadas de poder sobrenatural. Vossos sábios não passaram muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?”
Os chamados feiticeiros são homens e mulheres que possuem certas faculdades como a força magnética ou a dupla vista. Os de boa fé são assistidos pelos Espíritos benfeitores, e os de má índole, por Espíritos da sua mesma categoria. Podemos entender que a existência dos chamados curandeiros tem uma razão de ser; eles aparecem mais em lugares ermos, onde não existe outra maneira de aliviar os sofredores, e a razão nos pode indicar e fazer compreender que Deus é tão bom, que desperta alguns dons nestas criaturas em favor dos que sofrem.
Comentário de Kardec: O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma infinidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu muitas fábulas, em que os fatos são exagerados pela imaginação. O conhecimento esclarecido dessas duas ciências, que se resumem numa só, mostrando a realidade das coisas e sua verdadeira causa, é o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de crença ridícula.
556. Certas pessoas têm realmente o dom de curar por simples contato?
“O poder magnético pode chegar até isso, quando é secundado pela pureza de sentimentos e um ardente desejo de fazer o bem, porque então os bons Espíritos auxiliam. Mas é necessário desconfiar da maneira por que as coisas são contadas por pessoas muito crédulas ou muito entusiastas, sempre dispostas a ver o maravilhoso nas coisas mais simples e mais naturais. É necessário também desconfiar dos relatos interesseiros por parte de pessoas que exploram a credulidade em proveito próprio”.
Em 1775, após muitas experiências, o grande magnetizador francês Franz Anton Mesmer, reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Acredita que dela desprende um fluido que alcança o doente; declara: "De todos os corpos da Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem". Descobriu o magnetismo animal. A doença seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. Mesmer, que nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, para estender o benefício a maior número de pessoas, magnetizava água, pratos, cama, etc., cujo contato submetia os enfermos. Hoje encontramos, em algumas casas espíritas, os médiuns curadores.
557. A bênção e a maldição podem atrair o bem e o mal para aqueles a  quem são lançadas?
“Deus não escuta uma maldição injusta e aquele que a pronuncia é culpável aos seus olhos. Como temos as tendências opostas do bem e do mal pode nesses casos haver uma influência momentânea, mesmo sobre a matéria; mas essa influência nunca se verifica sem a permissão de Deus e como acréscimo de prova para aquele que a sofre. De resto, o mais frequentemente se maldizem os maus e bendizem os bons. A benção e a maldição não podem jamais desviar a Providência da senda da justiça: esta não fere o amaldiçoado se ele não for mau e sua proteção não cobre aquele que não a mereça”(1).
O responsável por tudo e por todos os acontecimentos são os pensamentos. Tanto as bênçãos como as maldições são forças mentais que se concentram na mente pelas forças dos sentimentos e são emitidos em direção àqueles que propomos ser o alvo das nossas intenções. Tanto uma quanto a outra somente se acoplam na criatura visada se Deus o permitir. Se desejamos o bem a certa criatura e ela não merece esse bem, as forças por nós endereçadas se desviam do seu caminho e serão direcionadas para onde encontrem sintonia. Assim, igualmente sucede com o mal: se o desejas a certa criatura, e ela não merece esse mal, se não tem de passar por essa prova, esse mal é desviado para os lugares que lhe cabe atingir. Tanto as vibrações do mal quanto do bem, voltam sempre para onde foram geradas, beneficiando sua fonte ou a prejudicando.

(1) O problema da benção e maldição, como se vê, reduz-se ao plano das relações psíquicas amplamente estudado neste livro e atualmente em pesquisa na Parapsicologia Mas um dos pontos mais importantes deste capitulo é o de n.- 522, onde aparece o conceito instinto espiritual como lembrança das provas escolhidas. Não confundir esse conceito com o de instinto biológico, tratado nos n.”‘ 589 e 590. (N. do T.)
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Iniciando o estudo do tópico Poder oculto, talismãs, feiticeiros, vamos abordar as Questões de 551 a 554.
Poder Oculto, Talismãs, Feiticeiros.
551. Um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe for devotado, pode fazer o mal ao seu próximo?
“Não, Deus não o permitiria”.
Se um homem de má índole deseja fazer o mal ao seu próximo, claro está que Deus não permitirá que esse mal seja feito, pois existe a lei de Justiça criada por Ele, de forma a proteger as criaturas. O mal que o ser recebe são lições necessárias para o seu adiantamento espiritual, capazes de libertar as criaturas, pois, é pelo sofrimento que reconhecemos o valor do bem.
552. Que pensar da crença no poder de enfeitiçar que certas pessoas teriam?
“Algumas pessoas têm um poder magnético muito grande, do qual podem fazer mau uso se o seu próprio Espírito for mau. Nesse caso poderão ser secundadas por maus Espíritos. Mas não acrediteis nesse pretenso poder mágico que só existe na imaginação das pessoas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da Natureza. Os fatos que citam são fatos naturais mal observados e sobretudo mal compreendidos”.
A realidade é que nós observamos no dia a dia, em todos os ambientes que frequentamos, existem pessoas que dominam, porque existem pessoas que preferem ser dominadas. A crença no poder do mal é gerada pela ignorância. O que se chama de mal deve ser esquecido e não alimentado, porque cada vez que se pensa nele, aviva-se aquele assunto nas mentes, de modo a fazer viver cada vez mais o mal. As criaturas supersticiosas sofrem por suas próprias ilusões, que devem ser desmanchadas pela certeza de que o bem é força maior, como o sol diante das nuvens que desejam empaná-lo.
553. Qual pode ser o efeito de fórmulas e práticas com as quais certas pessoas pretendem dispor da vontade dos Espíritos?
“O de as tornar ridículas, se são de boa-fé; no caso contrário, são tratantes que merecem castigo. Todas as fórmulas são charlatanices; não há nenhuma palavra sacramental, nenhum signo cabalístico, nenhum talismã que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porque eles só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais”.
Verdadeiramente, não existem fórmulas ou práticas que tenham o poder de atrair Espíritos, como seja o uso de talismã, ou de outro qualquer objeto que "garantam" a atração de Entidades Espirituais. O Espírito se encontra acima da matéria: ele é que a dirige, e não essa que o prende, pois não possui qualidade ou radiação superior àquele. A alma tem sempre condições de buscar esta qualidade superior, ao passo que a matéria não domina esse recurso. Essa crença em fórmulas é pura ilusão que nasce do fanatismo religioso entre as pessoas ignorantes.
553–a. Certos Espíritos não ditaram, algumas vezes, fórmulas cabalísticas?
“Sim, tendes Espíritos que vos indicam signos, palavras bizarras, ou que vos prescrevem certos atos, com a ajuda dos quais fazeis aquilo que chamais conjuração. Mas ficai bem seguros de que são Espíritos que zombam de vós e abusam de vossa credulidade”.
Sabemos, e disto temos provas, que Espíritos que assinam nomes respeitáveis ensinam fórmulas cabalísticas aos incautos, aos de boa fé, melhor dizendo, de fé cega, que em tudo acreditam, desde que venha dos Espíritos. São Entidades enganadoras, que começam a enganar a si mesmas, na ilusão de comprar a felicidade sem esforço próprio. Toda subida exige esforço, sacrifício e dor. Vejamos o que diz o apóstolo João, na sua mais alta inspiração, sobre certos Espíritos: “Amados, não deis crédito a qualquer Espírito: Antes, provai os Espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora”
554. Aquele que, com ou sem razão, confia naquilo a que chama virtude de um talismã, não pode, por essa mesma confiança, atrair um Espírito? Porque então é o pensamento que age; o talismã não é um signo que ajuda a dirigir o pensamento?
“Isso é verdade; mas a natureza do Espírito atraído depende da natureza da intenção e da elevação dos sentimentos. Ora, é difícil que aquele que é tão simplório para crer na virtude de um talismã não tenha um objetivo mais material do que moral. Qualquer que seja o caso, isso indica estreiteza e fraqueza de ideias, que dão azo aos Espíritos imperfeitos e zombadores”.

Um homem de boa fé, mesmo que seja fé cega, confiando em um talismã pode, perfeitamente, atrair Espíritos para o auxiliarem, mas não por causa do objeto em mãos e, sim, por sua fé, por seus pensamentos que entraram em ação, ou por motivo das suas necessidades e, além disso, pelo trabalho que tenha prestado à família e à sociedade. Para tanto, esse companheiro tem, como os outros homens, um protetor espiritual que o acompanha por amor, e não está atraído para junto do seu tutelado por causa de talismã, e sim pelo compromisso do passado, mediante aval que deu em favor do encarnado.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Iniciando o estudo do tópico Pactos, vamos abordar as Questões de 549 a 550.
549. Há alguma coisa de verdadeiro nos pactos com os maus Espíritos?
“Não, não há pactos, mas uma natureza má simpatiza com Espíritos maus. Por exemplo: queres atormentar o teu vizinho e não sabes como fazê-lo: chamas então os Espíritos inferiores que, como tu, só querem o mal, e para te ajudar querem que também os sirvas nos seus maus desígnios. Mas disto não se segue que o teu vizinho não possa se livrar deles por uma conjuração contrária ou pela sua própria vontade. Aquele que deseja cometer uma ação má, pelo simples fato de o querer chama em seu auxílio os maus Espíritos, ficando obrigado a servi-los como eles o auxiliam, pois eles também necessitam dele para o mal que desejam fazer. É somente nisso que consiste o pacto. A dependência em que o homem se encontra, algumas vezes, dos Espíritos inferiores, provém da sua entrega aos maus pensamentos que eles lhe sugerem e não de qualquer espécie de estipulações feitas entre eles. O pacto, no sentido comum atribuído a essa palavra, é uma alegoria que figura uma natureza má simpatizando com Espíritos malfazejos”
Entre os homens existem pactos, donde aparecem contratos assinados para que possam cumprir o prometido. Entre os Espíritos, em relação aos homens de má índole, o pacto é diferente: é a união de ideias, é a sintonia de sentimentos. Se queres fazer mal a alguém, é só te fixares nestes pensamentos, que logo surgirão Espíritos das mesmas ideias, e que, por vezes, não gostam dos que deverão ser atingidos.
550. Qual o sentido das lendas fantásticas segundo as quais certos indivíduos teriam vendido sua alma a Satanás em troca de favores?
“Todas as fábulas encerram um ensinamento e um sentido moral e o vosso erro é torná-los ao pé da letra. Essa é uma alegoria que se pode explicar assim: aquele que chama em seu auxílio os Espíritos para deles obteres dons da fortuna ou qualquer outro favor se rebela contra a Providência, renuncia à missão que recebeu e às provas que deve sofrer neste mundo e sofrerá as consequências disso na vida futura. Isso não quer dizer que sua alma esteja para sempre condenada ao sofrimento. Mas, porque em vez de se desligar da matéria ele se afunda cada vez mais, o gozo que preferiu na Terra não o terá no mundo dos Espíritos, até que resgate a sua falta através de novas provas, talvez maiores e mais penosas. Por seu amor aos gozos materiais coloca-se na dependência dos Espíritos impuros: estabelece-se entre eles um pacto tácito, que o conduz à perdição, mas que sempre, lhe será fácil romper com a assistência dos bons Espíritos, desde que o queira com firmeza”.
Certamente que não podemos vender a alma, nem nos vender a ninguém. Esse não é o sentido real do assunto. Como podemos nos vender, se o Espírito que compra está destinado ao despertamento espiritual como todos os demais? As coisas espirituais não se compram, nem se vendem. Tudo pertence a Deus, que criou todas as coisas. Somente o ignorante troca seus sentimentos por dinheiro. Se queres ter ouro em caixa, é bom e justo que trabalhes: "O trabalhador", diz o Evangelho, "é digno do seu salário". Quem vende o que não é seu, será marcado de modo a responder em outra vida pelas consequências nefandas do seu ato indigno.

 MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
LIVRO SEGUNDO
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Iniciando o estudo do tópico Os Espíritos durante os combates, vamos abordar as Questões de 541 a 548.
541. Numa batalha, há Espíritos que a assistem e que amparam cada  uma das forças em luta?
“Sim, e que estimulam a sua coragem”.
Imaginemos um confronto qualquer entre dois países, ou, no caso de uma guerra civil, um confronto de ideias que seja levado às últimas consequências. Lógico, vai haver no mundo espiritual os que vão pensar de uma maneira e outros que vão pensar de maneira diferente. Existem muitos Espíritos assistindo e outros tantos ajudando nas lutas, ao passo que há os mais elevados, que dirigem o exército espiritual. Não há movimento algum em que não haja Espíritos dirigindo e assistindo em nome de Deus, que permitiu o evento. O alto-comando espiritual não tem rivalidade qual os homens, pois, tudo é processo de despertar espiritual dos Espíritos atrasados, encarnados e desencarnados, que se encontram naquela faixa de vida. As guerras não cessaram ainda porque elas vibram em nossos sentimentos.
Comentário de Kardec: Assim os antigos nos representavam os deuses tomando partido por este ou aquele povo. Esses deuses nada mais eram do que os Espíritos representados por figuras alegóricas.
542. Numa guerra, a justiça está sempre de um lado; como os Espíritos tomam partido a favor do errado?
“Sabeis perfeitamente que há Espíritos que só buscam a discórdia e a destruição. Para eles a guerra é a guerra; a justiça da causa pouco lhes importa”.
As guerras são sempre produtos da incompreensão humana, mas não deixam de ser processos de evolução das criaturas. Existe, a espiritualidade nos informa, que a provação coletiva da humanidade, às vezes se transforma em guerras fratricidas, ou, então, em catástrofes inesperadas, em que a natureza cobra dos seres humanos os danos causados a ela e às criaturas.
543. Certos Espíritos podem influenciar o general na concepção dos seus planos de campanha?
“Sem nenhuma dúvida. Os Espíritos podem influenciá-lo nesse sentido, como em todas as concepções”.
Existiram batalhas que não tinham a menor lógica de existir. Houve uma batalha chamada de Gaugamela, em que Alexandre, o Grande, enfrentou o exército persa com um exército menor, e esse exército muito menor foi organizado de tal maneira, que conseguiu ultrapassar a vanguarda adversária e atacar pela sua retaguarda, e ganhar a batalha, provocando o colapso do exército persa. Os Espíritos inferiores, agindo como obsessores, podem influenciar os homens que comandam tropas e sugerir errôneos métodos de lutas, principalmente se forem seus inimigos, e esses homens sucumbirem nas suas lutas. No entanto, se essa derrota irá corresponder à derrota de uma nação que não deve ser dominada, há um levante das outras tropas por inspiração de Espíritos superiores, e a nação acaba ganhando a batalha, porque um povo não pode sofrer a dominação como derrotado, por causa de um general que entrou na faixa negativa de Espíritos inconscientes.
544. Os maus Espíritos poderiam suscitar-lhe planos errados, com vistas à derrota?
“Sim, mas não tem ele o seu livre-arbítrio? Se o seu raciocínio não lhe permite distinguir uma ideia certa de uma falsa, terá de sofrer as consequências e faria melhor em obedecer do que em comandar”.
Aí, nós observamos que, determinados grandes combatentes da História da Humanidade, cometeram erros fragorosos que os levaram à decadência e à derrocada. Por quê? Porque fugiram de um propósito original a que estavam destinados. A questão em estudo nos diz que os maus Espíritos podem suscitar planos errôneos ao comandante de uma tropa, com a finalidade de levá-lo à derrota e depois gargalharem com o mal feito aos encarnados que sintonizaram com os seus pensamentos. Mas, isto não nos leva a crer que um país entrasse em sofrimento por causa do descuido de algumas pessoas que não vigiaram.
545. O general pode, algumas vezes, ser guiado por uma espécie de dupla vista, uma visão intuitiva que lhe mostre por antecipação o resultado dos seus planos?
“E frequentemente o que acontece com o homem de gênio. É o que ele chama inspiração e lhe permite agir com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem e se servem das faculdades de que ele é dotado”.
É interessante observar esse detalhe para a nossa reflexão, a respeito das decisões que tomamos na própria vida. Em muitos casos, o comandante de uma tropa pode ser dotado de faculdades mediúnicas e seguir sempre o caminho da vitória. Mas, sempre que esse Espírito tenta ultrapassar, por orgulho e vaidade, os limites pré-estabelecidos por Deus, ele é suprimido e o vencido, vítima de seus descontroles emocionais, é duplamente assistido. Vejamos o caso de Napoleão Bonaparte, na França; ele tinha faculdades desenvolvidas, de maneira a perceber as fraquezas do inimigo, além de ser guiado por Espíritos de alta função divina. O mundo estava precisando de um país onde surgisse a liberdade de pensamentos, e foi Napoleão o escolhido para desenvolver tal ideal, mas, quando passou dos limites traçados por Deus, o orgulho se apoderou do seu coração e a ganância de domínio o cegou, ele foi banido para uma ilha, onde morreu sem nenhuma perda para a nação nem para a humanidade.

546. No tumulto do combate, o que acontece aos espíritos dos que sucumbem? Ainda se interessam pela luta, após a morte?
“Alguns continuam a se interessar, outros se afastam”.
O Espírito que lutou como encarnado na guerra, ao desencarnar durante a batalha, fica mais ou menos atordoado, de acordo com a sua evolução espiritual. O fragor da batalha lhe toma os sentidos e o prende à luta, levando-o a se demorar naquele ambiente o quanto a sua evolução o permitir. Muitos Espíritos, ao desencarnarem em plena batalha, passam a não se interessar mais pela guerra, por sentirem que ela é inútil para eles, Outros ficam envolvidos nas batalhas cada vez mais, sofrendo todas as consequências que advêm da brutalidade que nasce da ignorância.
Comentário de Kardec: Nos combates, acontece o mesmo que se verifica em todos os casos de morte violenta: no primeiro momento, o Espírito fica surpreso e como aturdido, não acreditando que está morto; parece-lhe ainda tomar parte na ação. Não é senão pouco a pouco que a realidade se lhe impõe.
547. Os Espíritos que se combatiam quando vivos, uma vez mortos se reconhecem como inimigos e continuam ainda excitados uns contra os outros?
“Nesses momentos, o Espírito jamais se mostra calmo. No primeiro instante, ele ainda pode odiarão seu inimigo e mesmo o perseguir. Mas quando as ideias se lhe acalmarem, verá que a sua animosidade não tem mais ramo de ser. Não obstante, poderá ainda conservar resquícios maiores ou menores, de acordo com o seu caráter”.
Após a morte, muitos dos Espíritos que sucumbiram na guerra continuam em lutas e conservam a inimizade por longo tempo. Outros, depois que se conscientizam da sua situação, começam a sentir a realidade, vendo que tudo não passa de ignorância. Ao terminar uma batalha, o Espírito nunca se encontra calmo, mas os mais esclarecidos, com pouco tempo se refazem, arrependendo-se e pedindo a Deus que os encaminhe para os roteiros certos. A sua disposição interna vale muito, e logo a assistência surge, pelos companheiros mais velhos de jornada evolutiva, que já despertaram muito antes.
547–a. Ouve ainda o fragor da batalha?
“Sim, perfeitamente!”
Sem comentário.
548. O Espírito que assiste friamente a um combate, como espectador, testemunha a separação entre a alma e o corpo? E como esse fenômeno se apresenta a ele?
“Há poucas mortes realmente instantâneas. Na maioria das vezes, o Espírito cujo corpo foi mortalmente ferido não tem consciência disso no mesmo instante. Quando começa a retomar consciência é que se pode distinguir o Espírito a mover-se ao lado do cadáver. Isso parece tão natural que a vista do corpo morto não produz, nenhum efeito desagradável. Toda a vida tendo sido transportada para o Espírito, somente ele chama a atenção e é com ele que o espectador conversa ou a quem dá ordens”.

O Espírito, depois de uma morte violenta na batalha, fica como espectador, assistindo aos seus irmãos matando e morrendo nas lutas, e nesta agressão de uns para com os outros, pode voltar à sua consciência no bem e ver a inutilidade das destruições ali verificadas, aflorando-lhe o arrependimento espiritual, momento em que o Cristo começa a tomar o seu coração de sensibilidade, e nasce nos seus sentimentos o novo homem. Para tanto, os benfeitores espirituais estão ali, procurando meios de separar o corpo espiritual do físico, libertando assim a alma de maiores sofrimentos, pelo desrespeito ao corpo que lhe serviu de instrumento para a vida na Terra.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Encerrando o estudo do tópico Ação dos Espíritos sobre os fenômenos da Natureza, vamos abordar as Questões de 539 a 540.
539. Na produção de certos fenômenos, das tempestades, por exemplo, é somente um Espírito que age ou se reúnem em massa?
“Em massas inumeráveis”.
Digamos assim: As tempestades são forças renovadoras que limpam a atmosfera, para que a vida brilhe de modo mais intenso e com mais segurança, e os Espíritos encarregados disto sabem dosar seus valores, de modo a servir a humanidade. Mas, muitos dos Espíritos que trabalham nesta renovação são inconscientes dos fatos. Os Princípios Inteligentes envolvidos nesses fenômenos são dos mais variados níveis. Os Espíritos superiores sabem os motivos pelos quais determinados fenômenos acontecem, e orientam aqueles que são executores do processo e se valem deles para a execução dos mesmos. Esse trabalho requer muita ação dos Espíritos mais elevados e mesmo dos Espíritos mais inferiores. É um processo elaborado. Os Espíritos superiores programam através do trabalho os Espíritos inferiores com o princípio inteligente ainda não individualizado, até, para que eles possam aproveitar daquela experiência para poder evoluir.
540. Os Espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza agem com conhecimento de causa em virtude de seu livre-arbítrio, ou por um impulso instintivo e irrefletido?
“Uns, sim; outros, não. Faço uma comparação: figurai essas miríades de animais que pouco a pouco fazem surgir do mar as ilhas e os arquipélagos; acreditais que não há nisso um objetivo providencial e que essa transformação da face do globo não seja necessária para a harmonia geral? São, entretanto, animais do último grau os que realizam essas coisas, enquanto vão provendo às necessidades e sem perceberem que são instrumentos de Deus. Pois bem,  da mesma maneira os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto; enquanto eles ensaiam para a vida, e antes de terem plena consciência de seus atos e de seu livre-arbítrio, agem sobre certos fenômenos de que são agentes sem o  saberem. Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver  desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; mais tarde ainda, poderão dirigir as coisas do mundo moral. É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o  vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto”.

Nem todos os Espíritos que trabalham nos fenômenos da natureza têm plena consciência do que estão fazendo. Somente a têm os dirigentes dos fenômenos. A massa é composta de operários mais ou menos conscientes do que fazem, sendo que alguns deles se alegram pelos distúrbios da natureza. Mas, Deus usa de todos os Seus filhos, mesmo os mais novos na pauta da vida, lhes dando a tarefa que sua evolução permite realizar. Com isso, e no perpassar do tempo, se encherá de experiências, do que pode recolher para transformação da sua liberdade no futuro. Os Espíritos, pelo dizer dos mais abalizados, vieram do átomo primitivo, e se expressam, na sua grandeza, como arcanjos divinos. Para que cheguem a esse ponto, passam por fieiras de milênios incontáveis, e esses bilhões de anos lhes deixam marcas das leis que devem ser respeitadas. Eles atuam com amor e por amor à Suprema Sabedoria do Universo. Os Espíritos que têm conhecimento de causa são poucos, na direção de todos os acontecimentos, porém, Deus está sempre operando em todas as causas, para que os efeitos estejam ligados a elas. Se nós viemos da matéria primitiva, saída do Hálito Divino, devemos ter grande respeito por tudo que existe, porque a própria matéria está a caminho para tornar-se Espírito, pelo trabalho em que opera há bilhões de anos.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Iniciando o estudo do tópico Ação dos Espíritos sobre os fenômenos da Natureza, vamos abordar as Questões de 536 a 538-a.
536. Os grandes fenômenos da Natureza, esses que se consideram como perturbações dos elementos, são devidos a causa fortuitas ou têm pelo contrário, um fim providencial?                                         
“Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus”.
Raciocinemos: Alguma coisa acontece no Universo sem que seja com um determinado objetivo? A razão nos diz que não! Os fenômenos da natureza, como, por exemplo, as erupções vulcânicas, que chegam a soterrar cidades, como no caso de Herculano e Pompéia, na Itália, são agentes das provas coletivas das criaturas que ali pereceram. Notemos que, quando os homens não fazem guerra, a natureza a faz, motivando o despertamento das almas para as coisas espirituais.
536–a. Esses fenômenos sempre objetivam o homem?
“Algumas vezes têm uma razão de ser diretamente relacionado ao homem, mas frequentemente não tem outro objetivo que o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza”.
Os Espíritos da natureza são os agentes de todos os movimentos relacionados com ela, por ordem de Deus. Eles sabem o que fazer ante as necessidades humanas, e mesmo da própria natureza. A Ilha Havai, Havaí ou Hawaiʻi é a maior ilha do arquipélago do Havai. Esta ilha é também conhecida pelo seu nome inglês "Big Lol" (Ilha Grande), evitando-se a confusão entre a ilha e o estado. Nesta ilha fica o vulcão mais ativo do mundo chamado Kilauea. Em 1998 o Kilauea foi noticiado como o vulcão de maior atividade no mundo e tido como o vulcão ativo mais visitado do mundo, uma fonte inestimável para os vulcanólogos, porque a ilha está em fase de ampliação. Ela tem aumentado de território graças a um vulcão que está ativo desde 1983. Daquele ano até hoje, a lava que ele despeja no mar fez a ilha crescer 3 milhões de metros quadrados – o equivalente a 316 campos de futebol. E vem mais por aí, só que daqui a bastante tempo: dentro de 50 mil anos, uma nova ilha, Lo’ihi, deve surgir na região. Atualmente, ela é apenas um vulcão escondido a 1 000 metros de profundidade, mas que não para de crescer.
536–b. Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primaria, nisso como em todas as coisas; mas como sabemos que os Espíritos podem agir sobre a matéria e que eles são os agentes da vontade de Deus perguntamos se alguns dentre eles não exerceriam uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?
“Mas é evidente; isso não pode ser de outra maneira. Deus não se entrega a uma ação direta sobre a Natureza, mas tem os seus agentes dedicados, em todos os graus da escala dos mundos”.
Deus não exerce ação direta, mas pelos canais dos Seus agentes, que são os Espíritos, aos quais podemos chamar engenheiros siderais, ou como queiramos chamá-los, desde que as designações sejam referentes a Espíritos de alta linhagem, que tudo conhecem com precisão, o que lhes possibilita dominar a natureza.
537. A Mitologia dos antigos é inteiramente fundada sobre as ideias espíritas, com a diferença de que consideravam os Espíritos como divindades. Ora, eles nos representavam esses deuses ou esses Espíritos com atribuições especiais. Assim, uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir à vegetação etc. Essa crença é destituída de fundamento?
“Tão pouco destituída de fundamento que está ainda muito aquém da verdade”.
Certamente que não existem deuses. Os antigos classificavam os Espíritos agentes de Deus como sendo deuses menores, por não compreenderem as leis do Criador manifestando-se em tudo e garantindo a vida por onde quer que seja. O falar dos antigos, partindo dos próprios sábios, tem fundamentos da verdade, porque a natureza, por sua vez, não se encontra sem amparo. Em todos os seus aspectos existem Espíritos' altamente evoluídos e sendo coadjuvados por forças maiores, ajudados por agentes menores na restauração da vida, sob as bênçãos do Criador. Assim, a lavoura, a pecuária, as matas, as serras, as cachoeiras, os rios, os mares, as chuvas, os ventos, e a própria Terra têm seus cortejos de almas na sua direção, capazes de ajudar corretamente no equilíbrio, de forma que a vida manifesta, cada vez mais presente, a Força Soberana a que chamamos Deus.
537–a. Pela mesma razão poderia haver Espíritos habitando o interior da Terra e presidindo aos fenômenos geológicos?
“Esses Espíritos não habitam precisamente a Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos segundo as suas atribuições. Um dia tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor”.
Os Espíritos que presidem os fenômenos geológicos não precisam habitar o interior da Terra, como muitos pensam, para tal objetivo; esse trabalho é feito pela força do pensamento, por manipulações de fluidos, que são colocados neste ou naquele lugar, e que a química se encarrega de fazer manifestar. Todos esses fenômenos são vigiados pela Força Divina, que permite ou não a sua realização. O que os homens do passado achavam que eram deuses, tornamos a dizer, eram Espíritos de alto porte espiritual, encarregados de orientar outros menores na execução dos trabalhos na natureza.
538. Os Espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza formam uma categoria especial no mundo espírita, são seres à parte ou Espíritos que foram encarnados, como nós?
“Que o serão, ou que o foram”.
Há filosofias pregando que na população dos Espíritos da natureza muitos não se encarnam, nem reencarnam. Como se enganam! Muitas situações ainda são segredos do Todo-Poderoso, mas os próprios Espíritos encarregados de revelar a verdade vão dizendo, de acordo com o tamanho evolutivo das criaturas. Deus é justiça e amor. Sendo assim, o que todos já reconhecem, Ele não poderia criar Espíritos à parte, diferentes; eles são todos iguais, para manifestar a glória do Criador. Poderia o Senhor criar Espíritos inferiores e superiores? Onde estaria a justiça, e mesmo o amor? Vê bem o que disse Jesus, anotado por Mateus: Assim, pois, pelos seus frutos os reconhecereis. (Mateus, 7:20)
538–a. Esses Espíritos pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita?
“Segundo o seu papel for mais ou menos material ou inteligente; uns mandam, outros executam; os que executam as coisas materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os Espíritos como entre os homens”.

Os Espíritos que são agentes de Deus nas lavouras são os mesmos que trabalham nos mares, na Terra, nas matas e nos demais reinos da natureza. Por vezes, eles operam mudanças de posições, quais os homens na Terra, para armazenar experiências, mas no fundo são os mesmos Espíritos que levaram o toque do Criador.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Encerrando o estudo do tópico Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida, vamos abordar as Questões de 533 a 535-b.
533. Podem os Espíritos fazer que se obtenham os dons da fortuna, desde que solicitados nesse sentido?
“Às vezes, como prova, mas frequentemente os recusam como se recusa a uma criança um pedido inconsiderado”.
De certo modo, a riqueza leva o homem aos perigos morais e aos de todas as ordens. O dinheiro, quando aliado ao orgulho e ao egoísmo, se compara a desastres nos caminhos das criaturas. Por vezes, pedimos aos Espíritos a fortuna, e eventualmente nos poderá ser isso concedido. Deus pode permiti-lo como lição, uma prova, como um fardo que pesa bastante nos ombros. As oportunidades na vida que nos sejam dadas são sempre para atender ao nosso processo de evolução espiritual.
533–a. São os bons ou os maus Espíritos que concedem esses favores?
“Uns e outros. Isso depende da intenção. Mas em geral são os Espíritos que querem arrastar-vos ao mal e que encontram um meio fácil de afazer nos prazeres que a fortuna proporciona”.
Ou seja, aqueles que nos trazem a fortuna material, muitas vezes, desejam a nossa perda espiritual, desejam que nos percamos em termos de valores espirituais para que estejamos a sua mercê. Entre os Espíritos que servem de instrumento para canalizar essa riqueza, quase sempre estão os nossos inimigos, por desejarem o nosso mal, na sequência da nossa vida. São favores perigosos, e não devem faltar ao agraciado a oração e a vigilância.
534. Quando os obstáculos parecem vir fatalmente contra aos nossos projetos, seria isso por influência de algum Espírito?
“Algumas vezes, são os Espíritos; outras vezes, e o mais frequentemente, é que vos colocastes mal. A posição e o caráter influem muito. Se vos obstinais numa senda que não é a vossa, os Espíritos nada têm com isso; sois vos mesmos que vos tornais o vosso mau gênio”.
Durante toda a vida do ser humano existe influência dos Espíritos, bons ou maus, conforme a conduta da pessoa. Os planos que intentamos realizar, se forem dentro das condições que o nosso destino comporta, se servirem para o nosso aprimoramento espiritual e erguerem a nossa conduta, serão facilitados pelos guias espirituais. No entanto, se nos investirmos no orgulho, vaidade e egoísmo, atrairemos Espíritos com as mesmas tendências para nos ajudar. Como todo mal fracassa, devemos aprender uma lição algo penosa, mas pela qual é necessário passar. Entretanto, Deus não nos perde de vista. Ele somente concede as provações, os fracassos, como escolas para os Seus filhos. Quando elaboramos um plano, devemos pensar bastante sobre ele, pedir conselhos aos mais experimentados, de modo a não errar nos caminhos. Não devemos gastar o tempo, principalmente dos Espíritos, com coisas vãs. Sacudir o pó das sandálias, no dizer evangélico, é esquecer tudo o que possa gerar maledicência, usura, desonestidade, orgulho, egoísmo, falsidade e violência. Devemos ouvir Jesus em todas as nossas andanças, em todos os nossos pensamentos e atitudes, esforçando-nos para colocarmos em prática os Seus ensinamentos. Se isso não acontecer, sofreremos as consequências do nosso desleixo.
535. Quando nos acontece alguma coisa feliz, é ao nosso Espírito protetor  que devemos agradecer?
“Agradecei primeiramente a Deus, sem cuja permissão nada se faz e depois aos bons Espíritos que foram os seus agentes”.
Quando alguma coisa de bom nos sucede, o maior dever da criatura é agradecer a Deus pelo bem que Ele nos concedeu, e em seguida estender o agradecimento aos benfeitores da eternidade, que sempre se encontram trabalhando em nosso favor, nos desejando a paz. A gratidão é o ponto alto que o coração pode atingir, pois é irradiação do próprio amor. O agradecimento é, ainda, a demonstração de educação. O que recebemos, que vem ao nosso encontro por diversas linhas de manifestações , é permissão de Deus. Ele, o Senhor do Universo, é onisciente e sabe de antemão o de que mais necessitamos para o nosso bem-estar.
535–a. Que aconteceria se esquecêssemos de agradecer?
“O que acontece aos ingratos”
O agradecimento deve estar presente em tudo, em todos os acontecimentos da nossa vida. Se porventura nos esquecermos de agradecer a Deus pelo que recebemos e fazemos todos os dias, automaticamente, não desejamos ouvir o Senhor. Não é Ele que se afasta do nosso coração; somos nós que fechamos os ouvidos e os olhos, para não ouvi-Lo e vê-Lo. As consequências não são boas; é o filho que esquece o pai.
535–b. Há, entretanto, muita gente que não ora nem agradece e para quem sai tudo bem?
“Sim, mas é necessário ver o fim; pagarão bem caro essa felicidade passageira que não merecem, porque, quanto mais tenham recebido mais terão de restituir”.
Se observarmos alguém que não se lembra da gratidão pelo que recebe e está bem, em muitos aspectos da vida terrena, não levemos isso em conta. Tudo não passa de misericórdia da Divindade, de tolerância para com os ignorantes, mas, mais tarde, esse alguém deverá lutar em caminhos cheios de espinhos, como Jesus disse a Paulo, no caminho de Damasco: Vou te mostrar o quanto deves sofrer por mim. É bom que entendamos a mensagem do Cristo, quando um de Seus discípulos queria sair do Seu convívio para enterrar alguém:

 LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando sequência ao estudo do tópico Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida, vamos abordar as Questões de 531 a 532.
531. O rancor dos seres que nos fizeram mal na Terra extingue-se com a sua vida corpórea?
“Muitas vezes reconhecem sua injustiça e o mal que fizeram, mas muitas vezes também vos perseguem com o seu ódio, se Deus o permite, para continuar a vos experimentar”.
Em certos casos, os Espíritos que nós prejudicamos, ao desencarnarem continuam a nos perseguir, clamando por justiça, e às vezes Deus o permite para nos educar. Porém, se esses Espíritos alcançam a compreensão espiritual, logo nos perdoarão, mas, como todo mal que praticamos fica gravado na consciência. Em muitos casos, a obsessão não passa de fantasia que a nossa mente alimenta, e a subconsciência fornece os meios para o prosseguimento da perturbação. Assim, a lei da justiça se cumpre, de sorte a nos educar, instruindo-nos de modo a modificarmos nossos sentimentos. É neste sentido que sempre se diz, que somente o que nos acompanha além do túmulo são nossas ações, boas ou más, elas nos ajudam ou nos torturam.
531–a. Pode-se pôr termo a isso, e por que meio?
“Sim, pode-se orar por eles, e ao se lhes retribuir o mal com o bem acabarão por compreender os seus erros. De resto, se souberdes colocar-vos acima de suas maquinações, cessarão de fazê-las ao verem que nada lucram”.
Quando passamos a amar, o Senhor fica mais visível aos nossos sentimentos e filtramos Seus pensamentos na naturalidade que a vida nos oferece, por prêmio aos nossos esforços no campo da melhora. O amor faz desaparecer o tempo e o espaço, nos tirando essa agonia de tempo, de marcação de passado e de futuro, nos levando para viver somente no eterno, que é a felicidade. Quem souber a grandeza dos frutos do verdadeiro amor, não sentirá outra coisa, em relação a Deus e ao próximo.
Comentário de Kardec: A experiência prova que certos Espíritos prosseguem na sua vingança de uma existência a outra, e que. assim, expiaremos, cedo ou tarde, os males que pudermos ter acarretado a alguém.
532. Os Espíritos têm o poder de desviar os males de certas pessoas, atraindo para elas a prosperidade?
“Não o podem fazer inteiramente, porque há males que pertencem aos desígnios da Providência; mas minoram as vossas dores, dando-vos paciência e resignação. Sabei, também, que depende frequentemente de vós desviar esses males ou pelo menos atenuá-los. Deus vos deu a inteligência para a usardes, e é sobretudo por meio dela que os Espíritos vos socorrem, sugerindo-vos pensamentos favoráveis. Mas eles não assistem senão aos que sabem assistir-se a si mesmos. É esse o significado das palavras: “Buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á”. Sabei ainda que aquilo que vos parece um mal nem sempre o é. Frequentemente um bem deve resultar dele, que será maior que o mal, e é isso o que não compreendeis porque não pensais senão no momento presente ou na vossa pessoa”.

De certo modo, os protetores espirituais afastam das pessoas certos males que as fazem sofrer, mas tudo depende da própria pessoa, se se arrepende sinceramente de ter se desviado da lei. Os guias espirituais alegram-se quando seu protegido se esforça para melhorar, quando estuda, mas não fica somente nos estudos e procura praticar o que aprendeu nas lições. Esse aprendiz tem sempre visível em seu caminho o seu anjo-guardião a lhe dizer, no silêncio, que a consciência registra: "Estou aqui, a paz seja convosco." O homem deve compreender que quase tudo depende dele mesmo, da melhoria que se processa no seu mundo interno.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando sequência ao estudo do tópico Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida, vamos abordar as Questões de 528 a 530-a.
528. Um homem mal intencionado dispara um tiro contra outro, mas o projétil passa apenas de raspão, sem o atingir. Um Espírito benfazejo pode ter desviado o tiro?   
“Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espírito benfazejo lhe inspira   o pensamento de se desviar, ou ainda poderá ofuscar o seu inimigo de maneira a lhe perturbar a pontaria; porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha da sua trajetória”.
Sempre existiram mistérios, que ainda vão continuar. Há muitos casos que a Doutrina Espírita ainda não pode explicar, devido ao atual estágio da humanidade. Ela está em uma escala em que certas coisas ainda não podem ser compreendidas, sem confusão mental. Em se somando às verdades reveladas até então, nos parece muita carga para as consciências no plano da Terra; somente se pode carregar um fardo que as forças possam suportar e um jugo com que a mente não se perturbe. No caso referido, o Espírito benfeitor pode desviar o projétil, confundindo a mente do que vai disparar a arma. Se não tem que acertar, o atirador é ofuscado. É o Espírito protegendo o alvo.
529. Que se deve pensar das balas encantadas, a que se referem algumas lendas e que atingem fatalmente o alvo?
“Pura imaginação: o homem gosta do maravilhoso e não se contenta com as maravilhas da Natureza”. 
A existência de balas encantadas é mera ilusão, porque o homem comum gosta da fantasia, criando ficção para si. Não existe encanto algum em balas, em armas de morticínios, em aparelhos mágicos. Tudo está relacionado com os Espíritos que a tudo movem, com a permissão de Deus. Assim como há os benfeitores que desviam as armas de certas pessoas, preservando a vida, existem os Espíritos inferiores, ou inimigos do alvo, que fazem disparar uma arma por acaso, acabando por acertar alguém. Mas, não existe o acaso; tudo foi permitido por Deus.
529–a. Os Espíritos que dirigem os acontecimentos da vida podem ser contrariados por Espíritos que tenham desejos em contrário?
“O que Deus quer, deve acontecer; se há retardamento ou empecilho  e por sua vontade”.
Convém saber que Deus Se encontra em tudo, tudo vive e palpita pela irradiação do Seu amor, e Ele não Se esquece de nada. Não devemos nos preocupar em saber tudo. Isso é impossível para nós. Somente Deus sabe de tudo, pois Ele é o Criador.
530. Os Espíritos levianos e brincalhões não podem provocar esses pequenos embaraços que se antepõem aos nossos projetos e transtornam as nossas previsões; em uma palavra, são eles os autores do que vulgarmente chamamos as pequenas misérias da vida?
“Eles se comprazem nessas traquinices que são provas para vós destinadas a exercitar a vossa paciência; mas se cansam quando veem que nada conseguem.  Entretanto não seria justo nem exato responsabiliza-los por todas as vossas frustrações, das quais vos sois os principais autores, pelo vosso estouvamento. Convence-te, pois, de que, se a tua baixela se quebra é antes em virtude do teu descuido do que par culpa dos Espíritos”.       
Os Espíritos levianos e zombeteiros se aproximam das criaturas que lhes favorecem a aproximação. Quantas vezes escutamos estas palavras: "Os semelhantes se atraem"? Um Espírito mentiroso não pode influenciar um homem que não admite a mentira, nem o Espírito de um beberrão faz um homem beber, sem que este queira alimentar esse vício. Tem de haver sintonia entre os dois, para que possam entrosar os sentimentos.
530–a. Os Espíritos que provocam discórdias agem em consequência de animosidades pessoais ou atacam ao primeiro que encontram, sem motivo determinado, por simples malícia?
“Por uma e outra coisa: às vezes, trata-se de inimigos que fizestes  nesta vida ou em existência anterior e que vos perseguem; de outras vezes, não há nenhum motivo”.

Todos os infortúnios causados pelos Espíritos ignorantes às pessoas, são devidos ao fato de essas pessoas alimentarem ideias falsas e as acharem boas, praticando e alimentando paixões inferiores. A Doutrina dos Espíritos apareceu no mundo por misericórdia, trazendo a mensagem de esclarecimento para que se possa entender o caminho a ser percorrido. Os conceitos de Jesus são revividos nesta doutrina, com o objetivo de libertar as criaturas, ou mostrar os modos pelos quais elas se libertem a si mesmas. Não é que os Espíritos zombeteiros e levianos não atacam os homens sérios; eles tentam, mas, quando notam nada conseguir, os abandonam, como um artista abandona um instrumento estragado e que não possa consertar.
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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando início ao estudo do tópico Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida, vamos abordar as Questões de 525 a 527.
525. Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida?
“Seguramente, pois que te aconselham”.
A influência dos Espíritos se processa em todas as coisas, não somente sobre o ser humano. Os próprios Espíritos que influenciam no dia a dia, são influenciados igualmente pelos seus tutores celestiais. Porém é uma coisa sutil, leve, para que nós façamos o melhor possível, e tomando as decisões por nós mesmos.
525–a. Exercem essa influência de outra maneira, além dos pensamentos  que sugerem, ou seja, têm uma ação direta sobre a realização das coisas?
“Sim, mas não agem nunca fora das leis naturais”.
Os Espíritos protetores exercem influência sobre a humanidade e em particular, não somente pelos pensamentos, como por meios variados que podemos constatar, nas conversações de uns para com os outros, por páginas que vêm em nossas mãos para serem lidas, por fatos que acontecem em nossos caminhos etc. Podemos nos basear nestes valores, que eles estão espalhados por toda parte, como chuva dos céus para educar e instruir os homens.
Comentário de Kardec: Pensamos erradamente que a ação dos Espíritos só deve manifestar-se por fenômenos extraordinários; desejaríamos que viessem em nosso auxílio através de milagres, e sempre os representamos armados de uma varinha mágica. Mas assim não é. e eis porque a sua intervenção nos parece oculta e o que se faz pelo seu concurso nos parece inteiramente natural. Assim, por exemplo, eles provocarão o encontro de duas pessoas, o que parece dar-se por acaso; inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; chamarão sua atenção para determinado ponto, se isso pode conduzir ao resultado que desejam; de tal maneira que o homem, não julgando seguir senão os seus próprios impulsos, conserva sempre o seu livre-arbítrio.
526. Tendo os Espíritos ação sobre a matéria, podem provocar certos efeitos com o fim de produzir um acontecimento? Por exemplo, um homem deve perecer: sobe então a uma escada, esta se quebra e ele morre. Foram os Espíritos que fizeram quebrar a escada para que se cumpra o destino desse homem?
“E bem verdade que os Espíritos têm influência sobre a matéria, mas para o cumprimento das leis da natureza e não para as derrogar, fazendo surgir em determinado ponto um acontecimento inesperado e contrário a essas leis. No exemplo que citas, a escada se quebra porque está carunchada ou não era bastante forte para suportar o peso do homem; se estivesse no destino desse homem morrer dessa maneira, eles lhe inspirariam o pensamento de subir na escada que deveria quebrar-se com o seu peso e sua morte se  daria por um motivo natural, sem necessidade de um milagre para isso”.
Os Espíritos têm ação sobre a matéria, quando há conveniência. Deus sabe e ensinou aos Seus filhos maiores a dominar todas as coisas, e a própria matéria é obediente aos Seus comandos. Em tudo se encontra o comando dos Espíritos, como se eles fossem instrumentos da lei, que se cumpre infalivelmente. Há muitos casos, como no da escada, referido por Kardec, em que os Espíritos encarregados desses fatos agem indiretamente,
para executar a corrigenda.
527. Tomemos outro exemplo, no qual não intervenha o estado natural da matéria. Um homem deve morrer de raio: esconde-se embaixo de uma arvore o raio estala e ele morre. Os Espíritos poderiam ter provocado o raio dirigindo-o sobre ele?
“E ainda a mesma coisa. O raio explodiu sobre aquela árvore e naquele  momento porque o fato estava nas leis da Natureza. Não foi dirigido para a arvore porque o homem lá se encontrava, mas ao homem foi dada a inspiração de se refugiar numa árvore, sobre a qual ele deveria explodir. A árvore não seria menos atingida se o homem estivesse ou não sob ela”.

A lei de Deus é rigorosa. A vontade dele se cumpre em todo o universo, mas traz às criaturas lições imortais de vida e de paz. Se um raio tem de cair em uma árvore, como aqui informado, e alguém tem marcado no seu destino morrer por um raio, ele é encaminhado para debaixo dessa árvore, pelos canais dos pensamentos para que tal aconteça. No entanto, esse encaminhamento é feito em plena naturalidade, como se o encarnado tivesse feito a escolha pelo seu livre arbítrio. Assim são os milhões de acontecimentos que sucedem no mundo inteiro; no fundo, são processos de despertamento das criaturas. 
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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando início ao estudo do tópico Pressentimentos, vamos abordar as Questões de 522 a 524.
522. O pressentimento é sempre uma advertência do Espírito protetor?
“O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos deseja o bem. E também a intuição da escolha anterior: é a voz do instinto. O Espírito, antes de se encarnar, tem conhecimento das fases principais da sua existência, ou seja, do gênero de provas a que irá ligar-se. Quando estas têm um caráter marcante, ele conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo, e essa impressão, que é a voz do instinto, desperta quando chega o momento, tornando-se pressentimento”.
Quem não tem pressentimentos? Todos nós os temos e se manifestam onde quer que seja. Temos sempre pressentimentos, basta que os observemos. É alguém nos lembrando dos compromissos que temos para com o nosso processo evolutivo; é um lembrete dos nossos compromissos maiores diante da lei da vida.
523. Os pressentimentos e a voz do instinto têm sempre qualquer coisa de vago; na incerteza, o que devemos fazer?
“Quando estás em duvida, invoca o teu bom Espírito, ou ora a Deus, nosso soberano Senhor, para que te envie um de seus mensageiros, um de nós”.
Na sequência dos nossos pensamentos, por vezes, duvidas de alguma ideia assume à nossa mente; em muitos casos, a incerteza começa a nascer em nosso coração. Não devemos viver com dúvidas, porque poderá surgir a desconfiança que não ajuda em nada. Em caso de dúvida, entretanto, devemos procurar o socorro da oração e ligar os nossos pensamentos aos pensamentos dos nossos guias espirituais, que eles nos atenderão com presteza.
524. As advertências de nossos Espíritos protetores têm por único objetivo a conduta moral ou também a conduta que devemos ter em relação às coisas da vida privada?
“Tudo; eles procuram fazer-vos viver da melhor maneira possível, mas frequentemente fechais os ouvidos às boas advertências e vos tornais infelizes por vossa culpa”.
Os avisos dos Espíritos protetores são de toda ordem. Eles não visam somente ao aprimoramento moral, mas a tudo o que possa surgir em nossos caminhos, que deve ser aprimorado para uma vida reta. Enfim, o que se entende por moral? É tudo que possa ser reto na vida; todo o certo é moral, na família, nas relações sociais, nos estudos, no convívio do dia a dia, a moral deve dominar para que seja uma ciência divina. Os avisos que partem dos Espíritos superiores nos podem chegar por muitos canais, quais sejam, pela consciência, pela palavra de amigos e mesmo de inimigos, por uma leitura, por um desgosto, por uma enfermidade... Tudo são canais para a mensagem de Deus aos corações. Podemos ter um aviso nobre por uma palavra que escutamos de pessoas que conversam.

Comentário de Kardec: Os Espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos através da voz da consciência que fazem falar em nosso intimo; mas como nem sempre lhes damos a necessária importância oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam. Que cada um examine as diversas circunstâncias, felizes ou infelizes, de sua vida, e verá que em muitas ocasiões recebeu conselhos que nem sempre aproveitou e que lhe teriam poupado muitos dissabores, se os houvesse escutado.
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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando continuidade ao estudo do tópico Anjos de guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, vamos abordar as Questões de 519 a 521.
519. As aglomerações de indivíduos, como as sociedades, as cidades, as nações têm o seus Espíritos protetores especiais?
“Sim, porque essas reuniões são de individualidades coletivas que marcham para um objetivo comum e têm necessidade de uma direção superior”.
Certamente que as sociedades, cidades e nações têm Espíritos qualificados para tais empreendimentos. O Espírito protetor de uma nação mostra-se em seu todo numa equivalência grandiosa. As suas qualidades ultrapassam a capacidade de análise dos seres, conhecendo e amando pelo singelo e grandioso prazer de amar. Ele é um dos ministros do Cristo, em trabalho ativo e constante, já tendo alcançado a superioridade exigida para essa direção espiritual de uma nação. Convém salientar o trabalho grandioso dessas almas angélicas em favor da humanidade.
520. Os Espíritos protetores das massas são de natureza mais elevada que a dos que se ligam aos indivíduos?
“Tudo é relativo ao grau de adiantamento das massas como dos indivíduos”.
Os Espíritos protetores são de natureza elevada, não obstante, a sua elevação, o tamanho espiritual de cada um depende do lugar que ocupam. Pode ser que o anjo-da-guarda de uma criatura encarnada seja mais elevado de que um protetor de uma cidade ou mesmo de um país. Os Espíritos que protegiam Sócrates, Francisco de Assis, Buda, Allan Kardec e outros eram de alta estirpe, por acompanharem Espíritos encarnados de altas esferas espirituais. Isso é lei de justiça. Esses homens eram instrutores de uma multidão de almas, dentro e fora do corpo físico. Como poderiam ser inspirados e dirigidos por Espíritos medianos, de menos capacidade que eles? O Guardião de Jesus, Ele mesmo o dizia, era o próprio Deus, de quem Ele recebia ordens para o Seu mandato.
521. Alguns Espíritos podem ajudar o progresso das Artes, protegendo os que delas se ocupam?
“Há Espíritos especiais e que assistem aos que os invocam, quando os julgam dignos; mas que quereis que eles façam com os que creem ser o que não são? Eles não podem fazer ver os cegos nem ouvir os surdos”.
Os Espíritos superiores são encarregados de auxiliar o progresso onde quer que seja, manifestando-se, igualmente, para alimentar as ideias nobres, revelando a sabedoria de Deus pelos Seus próprios filhos. A razão te indicará meios inúmeros de sentir a paternidade onde os olhos possam ver e os sentimentos possam sentir. Quando as criaturas são dignas de assistência dos protetores espirituais, isso se dá, como no caso da pergunta aqui referida, a respeito das artes. O artista tem assistência dos benfeitores espirituais, ajudando-o a manifestar o poder de Deus na expressão do belo. Tudo que representa a harmonia é serviço da Divindade. Não cabe às divindades, como eram chamadas antigamente, fazer que um homem completamente ignorante da arte seja um artista, mas, ajudar a quem já conquistou esse dom a mostrar com mais perfeição as belezas que a tinta ou o cinzel podem transmitir.
Comentário de Kardec: Os antigos haviam feito desses Espíritos divindades especiais. As Musas eram a personificação alegórica dos Espíritos protetores das Ciências e das Artes, como designavam pelos nomes de lares e penates os Espíritos protetores da família. Entre os modernos, as artes, as diferentes indústrias, as cidades, os países têm também seus patronos ou protetores, que são os Espíritos superiores, mas sob outros nomes.
Cada homem tendo os seus Espíritos simpáticos, disso resulta que em todas as coletividades a generalidade dos Espíritos simpáticos está em relação com a generalidade dos indivíduos; que os Espíritos estranhos são para elas atraídos pela identidade de gostos e de pensamentos; em uma palavra, que essas aglomerações, tão bem como os indivíduos, são mais ou menos bem envolvidas, assistidas e influenciadas segundo a natureza dos pensamentos da multidão.
Entre os povos, as causas de atração dos Espíritos são os costumes, os hábitos, o caráter dominante, as leis, sobretudo, porque o caráter da nação se reflete nas suas leis. Os homens que fazem reinar a justiça entre eles combatem a influência dos maus Espíritos. Por toda parte onde a lei consagra as coisas injustas, contrárias à Humanidade, os bons Espíritos estão em minoria e a massa dos maus, que para ali afluem, entretém a nação nas suas ideias e paralisam as boas influências parciais, que ficam perdidas na multidão, como espigas isoladas em meio de espinheiros. Estudando-se os costumes dos povos, ou de qualquer reunião de homens, é fácil, portanto, fazer ideia da população oculta que se imiscui nos seus pensamentos e nas suas ações.
Neste comentário às respostas dos Espíritos, Kardec nos oferece duas indicações importantes: a primeira, referente à interpretação espírita da mitologia, que modifica tudo quanto os estudos puramente humanos do assunto firmaram a respeito, até hoje, pois mostra que os deuses mitológicos realmente existiam, como Espíritos; a segunda, referente à Sociologia, que à luz do Espiritismo reveste-se também de novo aspecto, exigindo o estudo da interação das coletividades espirituais e humanas para a boa compreensão dos processos sociais. (N. do T.)

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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando continuidade ao estudo do tópico Anjos de guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, vamos abordar as Questões de 514 a 518.
514. Os Espíritos familiares são a mesma coisa que os Espíritos Simpáticos ou os Espíritos protetores?
“Há muitas gradações na proteção e na simpatia. Dai-lhes os nomes que quiserdes. O Espírito familiar é antes de tudo o amigo da casa”.
Os Espíritos familiares são amigos da casa. Certamente que eles simpatizam com quem convivem e lhes dão proteção, de acordo com as suas necessidades, porém, sempre tomam conselhos com o Espírito protetor de cada criatura a quem decidiram acompanhar, vivendo juntos e formando uma família. O Espírito protetor, já foi dito, é um Espírito elevado, tanto mais quanto possa ser o encarnado. É um anjo-guardião, consciente do que deve fazer em favor do seu tutelado, ampliando conceitos para os que chamamos de Espíritos familiares, bem como para os que desejam receber a assistência dos que os cercam, com o carinho que lhes possa dar. Além dos Espíritos familiares, ainda há os afins, que são atraídos pelos sentimentos dos que vivem juntos. É de se notar a quantidade de almas que fazem parte de um lar. É um movimento intenso, são muitas lutas, muitos assuntos vividos entre quatro paredes, uma verdadeira escola onde todos aprendem o alfabeto divino do amor.
Comentário de Kardec: Das explicações acima e das observações feitas sobre a natureza dos Espíritos que se ligam ao homem podemos deduzir o seguinte:
O Espírito protetor, anjo da guarda ou bom gênio, é aquele que tem por missão seguir o homem na vida e o ajudar a progredir. É sempre de uma natureza superior à do protegido.
Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por meio de laços mais ou menos duráveis, com o fim de ajudá-las na medida de seu poder, frequentemente bastante limitado. São bons, mas às vezes pouco adiantados e mesmo levianos, ocupam-se voluntariamente de pormenores da vida íntima e só agem por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores.
Os Espíritos simpáticos são os que atraímos a nós por afeições particulares e uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto no bem como no mal. A duração de suas relações é quase sempre subordinada às circunstâncias.
O mau gênio é um Espírito imperfeito ou perverso que se liga ao homem com o fim de o desviar do bem, mas age pelo seu próprio impulso e não em virtude de  uma missão. Sua tenacidade está na razão do acesso mais fácil ou mais difícil que encontre. O homem é sempre livre de ouvir a sua voz ou de a repelir.
515. Que se deve pensar dessas pessoas que parecem ligar-se a certos indivíduos para levá-los fatalmente à perdição ou para guiá-los no bom caminho?
“Algumas pessoas exercem um efeito sobre outras, uma espécie de fascinação que parece irresistível. Quando isso acontece para o mal são maus Espíritos, de que se servem outros maus Espíritos, para melhor subjugarem as suas vítimas. Deus pode permiti-lo para vos experimentar”.
Os Espíritos exercem influência constantemente nos encarnados e, certamente, a recíproca também ocorre; no entanto, devemos verificar qual o tipo de Espírito que está a nos influenciar, e essa verificação se dá pela qualidade de sentimentos que estamos recebendo pelas vias dos pensamentos que nos chegam nas raias da percepção: se forem pensamentos inferiores, induzindo-nos para o mal, devemos reconhecer que são Espíritos investidos no mal. As paixões inferiores vêm das sombras, ao passo que as ideias de amor, de caridade, de perdão, trabalho honesto etc., são oriundas das almas enobrecidas, que são Espíritos de luz. Que se há de pensar quando somos induzidos por encarnados e desencarnados para maus pensamentos? Que são Espíritos malfeitores, e se nos demorarmos recebendo essas ideias maléficas, a notícia corre no mundo dos Espíritos e, em torno de nós, ajuntar-se-ão outros malfeitores com as mesmas ideias, atraindo cada vez mais companhias da mesma estirpe de sentimentos. Muitas coisas que vêm ao nosso encontro e que não estamos atraindo por sintonia, são para nos experimentar, para testar as nossas forças e verificar o que aprendemos nas lutas de cada dia.
516. Nosso bom e nosso mau gênios poderiam encarnar-se para nos acompanharem na vida de maneira mais direta?
“Isso acontece algumas vezes, mas frequentemente, também, eles    encarregam dessa missão outros espíritos encarnados que lhes são simpáticos”.
As leis espirituais são elásticas e na proporção que cresce o amor, elas se estendem até o infinito. Como nos diz Paulo, o apóstolo, o amor tudo pode. Poderia, sim, um anjo-guardião tomar a carne para proteger mais de perto o seu tutelado, mas, outro da sua estirpe ficaria em seu lugar como vigilante, no caso, para os dois, porque mesmo o Espírito mais elevado, vestindo os fluidos da carne, apresentar-se-á tolhido em certas circunstâncias da vida, sujeito a alguns deslizes.
O "mau gênio", como a ele se referem os Espíritos", não tem condições, por si mesmo, de resolver a reencarnar para perseguir alguém. O Espírito que não seja superior não pode comandar uma reencarnação, o que se lhe apresenta como uma ciência profunda. Se alguns nascem juntos como inimigos de outras eras, é com o objetivo de se reconciliarem em um lar ou no trabalho; todavia, sempre são vigiados pelos tutelares da família, que dão orientação todos os dias aos seus afilhados. A vida é verdadeiramente uma escola universal, onde todos, sem exceção, são alunos, sendo instruídos e educados por variadas formas. Existem anjos-guardiães de um poder de renúncia indescritível, entrando na carne por várias vezes, passando por situações difíceis, para ajudar seu tutelado ou uma família inteira, a compreender as leis que regulam a vida e que nos dão a felicidade, quando respeitadas.
517. Há Espíritos que se ligam a toda uma família para protegê-la?
“Alguns Espíritos se ligam aos membros de uma mesma família, que vivem juntos e são unidos por afeição, mas não acrediteis em Espíritos protetores do orgulho das raças”.
Há alguns Espíritos que se ligam à família para proteção, mas tudo fazendo por amor, aquele amor que se expressa pela sua universalidade, e não pelo amor racial, que é o amor-próprio, muito comum entre a raça humana. As ideias do Espírito superior são universais, compreendendo que todos são filhos de Deus, unidos pelos elos indestrutíveis do amor puro, que provém do Criador. Outros tipos de Espíritos se ligam à família, por sentimentos que se coadunam com os seus. São os semelhantes atraindo semelhantes, para a devida educação. Aos iguais, interessa ficarem juntos, e Deus o permite por lei, para se educarem, mas nunca os Espíritos superiores os perdem de vista com seus conselhos, com a sua ajuda, tendo-os como alunos, como crianças necessitadas de guia para não se perderem nos caminhos.
518. Sendo os Espíritos atraídos aos indivíduos por simpatia, serão igualmente a reuniões de indivíduos, por motivos particulares?
“Os Espíritos vão de preferência aonde estão os seus semelhantes, pois nesses lugares podem estar à vontade e mais seguros de ser ouvidos. O homem atrai os Espíritos em razão de suas tendências, quer esteja só ou constitua um todo coletivo, como uma sociedade, uma cidade ou um povo. Há, pois, sociedades, cidades e povos que são assistidos por Espíritos mais ou menos elevados, segundo o seu caráter e as paixões que os dominam. Os Espíritos imperfeitos se afastam dos que os repelem e disso resulta que o aperfeiçoamento moral de um todo coletivo, como o dos indivíduos, tende a afastar os maus Espíritos e a atrair os bons, que despertam e mantêm o sentimento do bem nas massas, da mesma maneira por que outros podem insuflar-lhes as más paixões”.
Os Espíritos são atraídos mais pela simpatia, tanto em família, como nas pequenas e grandes sociedades. Um povo primitivo certamente que faz campo para Espíritos da mesma condição. A moral é a reguladora de atração dos conjuntos de Espíritos que se manifestam entre esse povo. Os encarnados se misturam com o mundo espiritual da mesma índole. Não obstante, em tudo, como já dissemos, há exceção: pela misericórdia de Deus, Espíritos de alta condição renunciam a seus planos, descem à Terra e se misturam com o mundo inferior dos homens, para ajudá-los. Atraímos almas pelo sabor das nossas paixões inferiores, ao passo que, quando passamos à reforma moral, elas se afastam, dando lugar aos Espíritos que têm as mesmas intenções de melhorar. As pessoas obsediadas não afastam os Espíritos malfeitores com simples passe de mágica, com um simples "Ide" ou com promessas ilusórias; afastam-se essas entidades ignorantes, educando-as com o exemplo em uma vida reta, onde o amor e a caridade se mostrem permanentemente.

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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando continuidade ao estudo do tópico Anjos de guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, vamos abordar as Questões de 510 a 513-a..
510. Quando o pai que vela pelo filho se reencarna, continua ainda a velar por ele?
“Isso é mais difícil, mas ele pede, num momento de desprendimento, que um Espírito simpático o assista nessa missão. Aliás, os Espíritos não aceitam senão as missões que podem cumprir até o fim. O Espírito encarnado, sobretudo nos mundos onde a existência é material, é demasiado sujeito ao corpo para poder devotar-se inteiramente a outro, ou seja, assisti-lo pessoalmente. Eis porque os não suficientemente elevados estão sob a assistência de Espíritos que lhes são superiores, de tal maneira que, se um faltar, por um motivo qualquer, será substituído por outro”.
Entendemos que um pai ao reencarnar não pode ser um protetor do filho, porque esse ao nascer já tem o seu guia espiritual, contudo, pode ser auxiliar, recebendo ordens de ajudar ao protetor do mesmo, desde quando não se exceda pelos impulsos de amor à família. Um pai dificilmente pode ser um guia espiritual de seu filho. Envolvido na matéria, ele está sujeito a muitos erros e poderia influenciar negativamente o seu tutelado. Se um pai quer verdadeiramente instruir e educar seus filhos, que o faça pela força poderosa do exemplo; quando usa somente as palavras, existe o risco de o vento levá-las, sem o devido registro. Certamente que é bem mais difícil a continuidade da assistência quando encarnado, mas nunca impossível. O amor, quando é amor verdadeiro, permite a esse pai, onde estiver ele, projetar essa força divina tanto para os filhos quanto para toda a sua família e até mesmo para amigos ou à própria humanidade. A Terra não passa de uma casa e a humanidade, uma família maior.
511. Além do Espírito protetor, um mau Espírito é ligado a cada indivíduo com o fim de impulsioná-lo ao mal e de lhe propiciar uma ocasião de lutar entre o bem e o mal?
“Ligação não é bem o termo. É bem verdade que os maus Espíritos procuram desviar o homem do bom caminho quando encontra ocasião, mas quando um deles se liga a um indivíduo o faz por si mesmo, porque espera ser escutado; então haverá luta entre o bom e o mau e vencerá aquele a cujo domínio o homem se entregar”.
Então observemos a frase final da resposta: então haverá luta entre o bom e o mau, vencendo aquele por quem o homem se deixe influenciar. Quer dizer que os espíritos brigam entre si? Não é uma luta corporal, mesmo porque eles não têm corpo. E, muitas vezes, o espirito inferior sequer percebe a presença do espirito superior, e, como é sabido, o bem inspira e o mal conspira, ou seja, podemos sofrer o assédio, mas vai depender de nós estabelecermos a sintonia com o plano espiritual mais elevado, para evitar as influências negativas. Em muitos casos, chamamos de bem àquilo que nos agrada, e ante as leis espirituais nem sempre o que nos agrada é verdadeiramente um bem. Assim também, acontece em relação ao mal. Devemos estudar, meditar, orar e usar todos os meios, no afã de irmos descobrindo cada vez mais o que é na realidade a vontade de Deus, o ser supremo que está dentro e fora de nós. Realmente, compreender Deus não está ao nosso alcance. Se estamos vivendo no finito, como compreender o Eterno e o Infinito? Os Espíritos do mal, como são chamados erradamente, não foram criados para ficarem ligados aos encarnados, como força para despertar outras forças internas. Todos nós e eles somos perfeitos, em se falando de criação, por carregarmos dentro de nós todos os dons em estado latente, esperando que as mãos de Deus, pelo impulso do tempo, nos acordem esses dons, com os poderes que temos desde o princípio, os quais ignoramos.
 512. Podemos ter muitos Espíritos protetores?
“Cada homem tem sempre Espíritos simpáticos, mais ou menos elevados, que lhe dedicam afeição e se interessam por ele, como há, também, os que o assistem no mal”. 
Certamente que temos muitos Espíritos que nos acompanham, mais ou menos evoluídos, em sintonia com o protegido; no entanto, cada alma tem um Espírito responsável, que atende como guia e a orienta como pai nas suas andanças pela vida corpórea. O encarnado tem muitos Espíritos que o acompanham, por variados meios e por muitas circunstâncias, e geralmente é pela lei dos afins que os atrai. Estás sempre cercado por Espíritos, como testemunhas inteligentes e socorro pelo que fazes. Por isso, é necessário buscar a melhora a todos os momentos. Essa deve ser a meta de cada companheiro: ascender sempre.
513. Agem os Espíritos simpáticos em virtude de uma missão?
“Às vezes podem ter uma missão temporária, mas em geral são apenas solicitados pela similitude de pensamentos e de sentimentos, no bem como no   mal”.
Nem sempre os Espíritos que simpatizam conosco são missionários ou encarregados de nos dirigir no grande evento de educar-nos, ante a necessidade que temos de subir na escada da vida. Espírito missionário é o nosso protetor, alma elevada que renunciou ao seu bem-estar no mundo dos Espíritos para nos acompanhar, procurando oportunidades para nos aconselhar, fazendo com que despertemos para o bem comum e para conhecermos a nós mesmos. A simpatia vem da força de atração que exercemos sobre os nossos semelhantes, em consonância com os nossos sentimentos. Convém a todos nós compreendermos a lei segundo a qual atraímos os nossos iguais. Identificamo-nos com muitos companheiros pelos pensamentos e atitudes. Os que nos cercam trazem no íntimo a mesma vida que levamos. Frequentemente é assim. Quando escapamos desta lei, é por força da misericórdia, é o amor de Jesus se irradiando nas ondas da fraternidade para nos ajudar, abrindo os canais desta lei até ao "calvário", para suavizar o nosso fardo, e aliviar os nossos jugos. Simpatia é força poderosa que alinha as nossas vidas no conserto de muitas vidas, para que Deus apareça nos nossos corações e Cristo fique presente em nossa consciência.
513-a. Parece resultar daí que os Espíritos simpáticos podem ser bons ou maus?
“Sim, o homem encontra sempre Espíritos que simpatizam com ele qualquer que seja o seu caráter”.

Os Espíritos a quem somos simpáticos podem ser bons ou maus, dependendo do que sentimos pela vida, pelo modo que vivemos, pela altura das nossas atividades. Devemos mudar o nosso caráter, se ele não se coaduna com o Evangelho. Jesus, veio ao mundo nos trazer os conceitos que nos ajudam a salvar a nós mesmos, ampliando os nossos conhecimentos e favorecendo oportunidades para o autoconhecimento. Compete a nós trabalharmos com nós mesmos todos os dias, incansavelmente, até que a luz nasça, a nos indicar o roteiro da felicidade. Não obstante, o nosso dever é ter vida reta, para atrair­mos Espíritos das mesmas intenções.
LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando continuidade ao estudo do tópico Anjos de guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, vamos abordar as Questões de 505 a 509.
505. Os Espíritos protetores que tomam nomes comuns são sempre os de pessoas que tiveram esses nomes?
“Não, mas Espíritos que lhes são simpáticos e que, muitas vezes, vêm por sua ordem. Necessitais de um nome: então, eles tomam um que vos inspire confiança. Quando não podeis cumprir pessoalmente uma missão, enviais  alguém de vossa confiança que age em vosso nome”.
Muitas pessoas que já conhecem a realidade dos protetores espirituais os tratam pelo nome de personalidades conhecidas, muitas vezes de grandes vultos da História, como, por exemplo, Bezerra de Menezes, e tantos outros. Os tutelares da espiritualidade podem não ser tais personagens; usam apenas seus nomes como representantes daqueles que foram evocados. Assim, como os tais, eles, os protetores, esforçam-se para representar os que lhes emprestaram os nomes. Isso também ocorre na nossa vida física. Quantas vezes temos encargos que não podemos cumprir, e enviamos alguém de nossa confiança para atingir o objetivo daquela necessidade?
506. Quando estivermos na vida espírita reconheceremos nosso Espírito protetor?
“Sim, pois frequentemente o conhecestes antes da vossa encarnação”.
Na vida espírita, o protegido reconhece perfeitamente aquele que foi o seu protetor enquanto encarnado. Além de reconhecê-lo por sua fala, por sua presença, o reconhecimento maior é pelo clima magnético que desprende de seu Espírito, harmônico e amoroso. Observa bem como te sentes ao encontrares a pessoa que amas. Também o Espírito protetor transmite uma serenidade indescritível para o coração do seu tutelado. Conjugando as duas simpatias, nasce a luz do verdadeiro amor. Mesmo que o Espírito favorecido desencarne em péssima situação espiritual, ele pode não perceber o seu guia, mas sente quando ele se aproxima, por certos sentidos que Deus lhe deu, sente bem-estar e lembra, na profundidade da alma, as muitas vezes em que sentiu a mesma coisa quando na Terra e na carne.
507. Os Espíritos protetores pertencem todos à classe dos Espíritos superiores? Podem ser encontrados entre os da classe média? Um pai, por exemplo, pode tornar-se Espírito protetor de seu filho?
“Pode, mas a proteção supõe um certo grau de elevação, e um poder e uma virtude a mais, concedidos por Deus. O pai que protege o filho pode ser assistido por um Espírito mais elevado”.
Os Espíritos protetores pertencem à classe dos Espíritos elevados, no entanto, não são iguais na elevação. Quem guia, é sempre mais elevado do que o guiado; o mestre deve ter mais conhecimento do que o discípulo, isso a própria razão nos diz com segurança. Aqueles a que chamamos de anjos da guarda, verdadeiramente são anjos que tomam a posição de guiarem os seus tutelados, respondendo todas as suas interrogações pelos fios que partem da sua mente em forma de pensamentos.
508. Os Espíritos que deixaram a Terra em boas condições podem sempre  proteger os que os amaram e lhes sobreviveram?
“Seu poder é mais ou menos restrito; a posição em que se encontram não lhes permite inteira liberdade de ação”.
O Espírito que deixa a Terra em boa situação não tem, por isto, total liberdade no mundo dos Espíritos. Ele pode desejar voltar em Espírito imediatamente para ajudar os que ficaram, ansiando envolver os seus afetos com o amor desperto em seu coração espiritual; entretanto, nem sempre isso lhe é possível, devido a muitos fatores. Em todos os lugares as leis nos mostram os deveres a cumprir e o respeito que devemos a elas. O Espírito recém-desencarnado deve ser obediente às vozes dos mais experientes, esperando a vontade de Deus que sempre se manifesta no momento oportuno.
509. Os homens no estado selvagem ou de inferioridade moral têm igualmente seus Espíritos protetores, e nesse caso esses Espíritos são de uma ordem tão elevada como os dos homens adiantados?
“Cada homem tem um Espírito que vela por ele, mas as missões são relativas ao seu objeto. Não dareis a uma criança que aprende a ler um professor de filosofia. O progresso do Espírito familiar segue o do Espírito protegido. Tendo um Espírito superior que vela por vós, podeis também vos tornardes o protetor de um Espírito que vos seja inferior, e o progresso que o ajudardes afazer contribuirá para o vosso adiantamento. Deus não pede ao Espírito mais do que aquilo que a sua natureza e o grau a que tenha atingido possam comportar”.
A evolução do protetor é de acordo com o protegido. Junto a um Espírito altamente evoluído, movendo-se em um corpo de carne, certamente que a justiça colocará como guia um Espírito de maior elevação do que um Espírito ignorante. Quem poderá guiar um missionário envolvido nos fluidos da carne, a não ser um missionário mais elevado que lhe possa dar melhores orientações acerca da sua missão? Jesus opera juntamente com o Pai que está nos Céus. As falanges angélicas que O cercavam, quando de sua passagem pela Terra, recebiam as Suas ordens, nos trabalhos de cura e de assistência espiritual, onde a Sua mente ordenava. O apoio a um índio em estado espiritual embrionário que nesta reencarnação começa a despertar o raciocínio não pode ser igual ou do mesmo nível ao do protetor de Francisco de Assis. A própria razão nos diz que não deve ser assim.
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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando continuidade ao estudo do tópico Anjos de guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, vamos abordar as Questões de 503 a 504-a.
503. O Espírito protetor que vê o seu protegido seguir um mau caminho, apesar dos seus avisos, não sofre com isso e não vê, assim, perturbada a sua felicidade?
“Sofre com os seus erros e os lamenta mas essa aflição nada tem das angústias da paternidade terrena, porque ele sabe que há remédio para o mal, e que o que hoje não se fez, amanhã se fará”.
O Espírito protetor é equilibrado e não sofre com o sofrimento do seu protegido, porque dessa maneira ele não poderia lhe dar conselhos nem teria condições para ensinar, pois também sofreria. Compungem-no os erros do seu protegido, a quem lastima. Tal aflição, porém, não tem analogia com as angústias da paternidade terrena, porque ele sabe que há remédio para o mal e que o que não se faz hoje, amanha se fará.
504. Podemos sempre saber o nome do nosso Espírito protetor ou anjo da guarda?
“Como quereis saber nomes que não existem para vós? Acreditais, então, que só existem os Espíritos que conheceis?”
O Espírito protetor não tem nome, apesar de ter tido várias denominações nas vidas passadas.
504–a. Como então o invocar, se não o conhecemos?
“Dai-lhe o nome que quiserdes, o de um Espírito superior pelo qual tendes simpatia e veneração; vosso protetor atenderá a esse apelo, porque todos os bons Espíritos são irmãos e se assistem mutuamente”.
A não ser que ele mesmo possa nos sugerir algum, pelas vias mediúnicas, pelo sonho, pela visão, podemos dar a ele um nome que mais simpatizamos, que ele receberá com gratidão, e quando chamado por esse nome, atenderá com presteza ao seu protegido, O importante não é o nome; o importante é a proteção recebida.

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MUNDO ESPIRITUAL OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal.
Dando continuidade ao estudo do tópico Anjos de guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, vamos abordar as Questões de 496 a 502-a.
496. O Espírito que abandona o seu protegido, não mais lhe fazendo o bem, pode fazer-lhe mal?
“Os bons Espíritos jamais fazem o mal; deixam que o façam os que lhes tomam o lugar, e então acusais a sorte pelas desgraças que vos oprimem, enquanto a falta é vossa”. 
Os bons Espíritos nunca fazem mal a ninguém, por vivenciarem o amor, e já terem aprendido, nas caminhadas percorridas, que somente o amor salva e traz felicidade. É importante nós sabermos que não são os Espíritos superiores que se afastam de nós, nós é que cortamos a nossa sintonia com eles, atraindo os Espíritos ignorantes que nos assediam.
497. O Espírito protetor pode deixar o seu protegido à mercê de um Espírito que o quisesse mal?
“Existe a união dos maus Espíritos para neutralizar a ação dos bons, mas, se o protegido quiser, dará toda força ao seu bom Espírito. Esse talvez encontre, em algum lugar, uma boa vontade a ser ajudada, e a aproveita, esperando o momento de voltar junto ao seu protegido”.
O Espírito protetor não deixa seu tutelado à mercê de outro Espírito que queira lhe fazer o mal. O protegido, já dissemos, é que entra na faixa do “inimigo”, atraindo-o. O encarnado chama-o pelo procedimento e eles são muitos, atendendo pela lei dos afins. Deus o permite, por encontrar nos nossos sentimentos essa vontade que é de servir de instrumentos para que a luz se acenda nos corações.
498. Quando o Espírito protetor deixa o seu protegido se extraviar na vida, é por impotência para enfrentar os Espíritos maléficos?
“Não é por impotência, mas porque ele não o quer: seu protegido sai das provas mais perfeito e instruído, e ele o assiste com os seus conselhos, pelos bons pensamentos que lhe sugere, mas que infelizmente nem sempre são ouvidos. Não é senão a fraqueza, o desleixo ou o orgulho do homem que dão força aos maus Espíritos. Seu poder sobre vós só provém do fato de não lhes opordes resistência”.
A luz nunca teme as trevas; estas é que são escorraçadas pela luz, quando conveniente. O Espírito superior tem a seu favor a tranquilidade da consciência imperturbável, e se é imperturbável, ela nada teme. O protetor procura por todos os meios livrar o seu tutelado das artimanhas dos Espíritos inferiores; quando não consegue, por este estar ligado a eles por lei de afinidade, permite o Espírito protetor que seu tutelado fique envolvido, como lição, que no amanhã será valiosa, como prova. Quando nos ligamos a certas coisas, estamos pedindo para isso, e nos é concedido como experiência, por vezes notável, que vem nos ajudar a conhecer a verdade pela dor, tanto do obsidiado como do obsessor. Todos dois ganham na luta das trevas para se fazer a luz.
499. O Espírito está constantemente com o protegido? Não existe alguma circunstância em que, sem o abandonar, o perca de vista?
“Há circunstâncias em que a presença do Espírito protelar não é necessária, junto ao protegido”.
Em certas circunstâncias, o anjo-guardião deve sair de junto do seu protegido por força maior, mas não deixa de estar sensível às suas necessidades, onde quer que esteja. Para tanto, tem sentidos desenvolvidos, como Espírito elevado que é, e a sua iluminação lhe garante cumprir os seus deveres, mesmo a distâncias enormes para os encarnados, mas que para os desencarnados nada significam. Quando o protegido é consciente do seu amigo espiritual, ele pode chamá-lo pelo pensamento e esse atender pelos mesmos processos.
500. Chega um momento em que o Espírito não tem mais necessidade do anjo da guarda?
“Sim, quando se torna capaz de guiar-se por si mesmo, como chega um momento em que o estudante não mais precisa de mestre. Mas isso não acontece na Terra”.
Todos somos dependentes, de certa maneira, uns dos outros, em quase todas as circunstâncias da vida. Mas, de acordo com crescimento do Espírito, vamos nos libertando paulatinamente, passando a conhecer a verdade, como diz o Cristo, e tornando-nos livres. No entanto, essa liberdade é relativa em todas as direções da vida.
O aluno precisa de mestre até certo nível de escolaridade; depois vai se libertando e passando de discípulo a instrutor e nessa subida vai ganhando a libertação que lhe dá consciência do que deve fazer.
501. Por que a ação dos Espíritos em nossa vida é oculta, e por que, quando eles nos protegem, não o fazem de maneira ostensiva?
“Se contásseis com o seu apoio, não agiríeis por vós mesmos e o vosso Espírito não progrediria. Para que ele possa adiantar-se, necessita de experiência e em geral é preciso que adquira à sua custa; é necessário que exercite as suas forças, sem o que seria como uma criança a quem não deixam andar sozinha. A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre de maneira a vos deixar o livre-arbítrio, porque se não tivésseis responsabilidade não vos adiantaríeis na senda que vos deve conduzir a Deus. Não vendo quem o ampara, o homem se entrega às suas próprias forças; não obstante, o seu guia vela por ele e de quando em quando o adverte do perigo”.
A ação do Espírito protetor ao seu tutelado é oculta, e não poderia ser de outro modo, porque quem recebe ajuda muito visível, além de ficar dependente, se acomoda, fica esperando somente da fonte que lhe dá de beber, esquecendo-se do seu dever no campo do esforço próprio. Observemos um pai, quando dá tudo ao filho, sem dele exigir cooperação: o filho se acomoda e não quer se esforçar no trabalho, faltando-lhe o estímulo no cumprimento dos seus deveres ante a vida. Quando os pais, ao contrário, exigem dos filhos o trabalho que está à altura das suas forças, eles geralmente são filhos cumpridores dos deveres e se tornam pessoas de bem e honradas. Se os guias espirituais ficassem visíveis aos seus protegidos, seriam agredidos por eles com o petitório constante, e a dependência cresceria.
502. O Espírito protetor que consegue conduzir o seu protegido pelo bom caminho experimenta com isso algum bem para si mesmo?
“É um mérito que lhe será levado em conta, seja para o seu próprio adiantamento, seja para sua felicidade. Ele se sente feliz quando vê os seus cuidados coroados de sucesso; é para ele um triunfo, como um preceptor triunfa com os sucessos do seu discípulo”.
Vejamos: todo trabalhador é digno do seu salário. O Espírito protetor, quando vê que seu protegido está em bom caminho, que esse escuta seus conselhos e os coloca em prática, sente-se feliz pelo proveito dos seus trabalhos. Ele é recompensado pela consciência, no silêncio que a tranquilidade é doadora e a sua folha de serviço no reino onde habita fica enriquecida pelas bênçãos de Deus.
502–a. É ele responsável, quando não o consegue?
“Não, pois fez o que dele dependia”.
O Espírito protetor não é responsável pelos maus resultados que podem advir do seu tutelado, porquanto os conselhos são sempre bons, mas esquecidos ou mal interpretados. Ele faz o que está ao seu alcance para ajudar.

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