INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
Pense nisso!

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

 


NOVO ANO

Vamos iniciar mais um ano, em que as esperanças de um futuro melhor para a Humanidade são renovadas. Nessa fase de transição  em que a Terra se encontra, na condição de um mundo de provas e expiatório, e se encaminhando para um mundo melhor, de regeneração, é necessário que estejamos preparados para vivenciarmos essa nova realidade do planeta. Para tanto, é preciso domar as más inclinações que ainda permanecem presentes em nossa personalidade espiritual, trazidos de um passado de dificuldades, para que estejamos credenciados a habitar o planeta regenerado. O Ano Novo que surge, apesar de ser uma simples alteração de calendário, traz o simbolismo de um novo tempo, de novas esperanças e de novas metas a serem alcançadas. Chama-nos a uma reflexão, convidando-nos a fazer um balanço das nossas atitudes, dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos que praticamos no ano que está se findando, o que ficou faltando fazer e o quanto poderíamos ter caminhado. Mais do que nunca se torna atual a recomendação de Santo Agostinho, trazida por Kardec na questão 919 de O Livro dos Espíritos, indicando o caminho do autoconhecimento como fundamental no processo de transformação que precisamos empreender enquanto espíritos imortais a caminho da perfeição. O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual., para nos ajudar a vencer essa etapa do nosso processo evolutivo. O Ano Novo que surge traz o simbolismo de um novo tempo, de novas esperanças e de novas metas a serem alcançadas, chama-nos a uma reflexão, convidando-nos a fazer um balanço das nossas atitudes, dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos que praticamos no ano que está terminando. Sabemos que todo processo transformador traz consigo uma quota de sacrifício e dificuldade a ser atendida. Havemos, portanto, como ensinou Jesus, sermos perseverantes na busca da tão sonhada transformação. O Rabi da Galileia, como nosso guia e modelo, mostrou-nos o caminho a ser seguido, nas lições e exemplos legados no Evangelho. O ano que se inicia é, portanto, uma oportunidade que não deve ser desprezada de continuarmos, com entusiasmo e confiança, a busca pela nossa elevação espiritual, partindo da maneira com que nos relacionamos com nossos semelhantes. São as situações com que nos defrontaremos no dia a dia que nos forjarão para vencermos aquelas mais complexas, que exigirão de nós um esforço maior.

A todos, desejo um Novo Ano repleto da paz e com muitas realizações no campo do espírito.

Muita Paz!

sábado, 25 de dezembro de 2021

 


Onde está Jesus nesse Natal? - (Para uma profunda reflexão) – Ensino espírita

“Glória a Deus nas Alturas. Paz na Terra, boa vontade para com os homens” (Lucas, 2:14).

Mais um ano se passou e estamos novamente diante do Natal, festividade que comemora o nascimento de Jesus, em nosso planeta. Como acontece normalmente, neste período que antecede as festas natalinas, há grandes movimentações quanto aos preparativos. As vitrines enfeitadas convidam as pessoas a se lembrarem da época dos presentes. A figura do Papai Noel, o bom velhinho, é um atrativo maior para as crianças. O consumismo sob pretexto de que esta época é de se presentear os parentes e amigos é estimulado. Nas famílias, nas organizações, nas escolas e em tantos outros lugares, inicia-se uma aproximação mais festiva, com brincadeiras como a do amigo oculto. Desejos de felicidade e prosperidade acontecem em grande quantidade nos locais que frequentamos, muito embora grande parte desses “Boas-Festas” e “Feliz Natal” ocorram mais por determinações da educação e dos costumes adquiridos, sendo expressos mais mecânica do que intencionalmente. As crianças, estimuladas pelos adultos, correm a escrever suas cartinhas pedindo os brinquedos de sua preferência para o “bom velhinho”, que é suposto entregar todos os presentes na noite de Natal, lenda que é reforçada junto aos pequeninos, ainda com a imaginação infantil aguçada, desviando sua atenção daquele que realmente é o centro de todas essas festividades: Jesus! Será o Natal uma festa puramente material? Certamente que não! O nascimento de Jesus, sem dúvida, é motivo de júbilo e deve ser comemorado pelos cristãos, inclusive com as festas tradicionais. Todavia, é importante que o caráter espiritual da data não seja relegado a um segundo plano. Não podemos esquecer o ensinamento deixado pelo Mestre, que fez do amor a Deus e ao próximo o mandamento maior. E, esse amor que o Cristo ensinou e exemplificou deve estar presente não apenas na noite de Natal, mas no nosso dia a dia, durante todo o ano. Jesus, quando indagado pelo doutor da lei sobre o que fazer para ganhar a vida eterna, Ele não apontou o caminho do formalismo religioso nem o conhecimento dos textos sagrados como a condição essencial para esse fim. Recomendou, isto sim, a vivência do amor ao próximo. Deixou claro que a prática desse amor não é prerrogativa de religiosos, mas de espíritos nobres, compassivos, que se apiedam do semelhante. O samaritano da parábola contada na ocasião era renegado pelos outros segmentos daquele povo. Porém, sabia amar. As comemorações do Natal são um momento oportuno para que façamos uma avaliação dos sentimentos que estamos praticando. Com toda certeza, se nos avaliarmos com sinceridade, constataremos que ainda enfrentamos dificuldades internas para atendermos integralmente a orientação de Jesus. No entanto, havemos que preservar, como fez o aniversariante do dia, até vencer o mundo e tornar-se um espírito puro. A reunião familiar nesse dia é muito importante, a alegria manifestada é válida, a mesa farta e os presentes também, desde que façamos de tudo isso um marco para nos tornarmos mais solidários, fraternos e amorosos com o próximo. Que valorizemos mais as verdadeiras conquistas, que são as do espírito. Aquelas que se constituem os verdadeiros tesouros de que falou Jesus, que a traça e a ferrugem não consomem nem os ladrões roubam. No entanto, devemos nos questionar se será esse o verdadeiro espírito do Natal. Qual, de fato, o significado do Natal para aquele que assimilou a luz do Evangelho, pelas portas da doutrina consoladora – o Espiritismo – codificada por Allan Kardec. Em primeiro lugar, Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo, o enviado de Deus para disseminar, junto à humanidade, o código de luz e de amor: o Evangelho. Mas você poderá pensar neste momento que esse é o entendimento geral. Todos comemoram o nascimento de Jesus no Natal. Isso é um fato! E, diante desse fato, perguntamos: Será mesmo? Relembrando a vida do Mestre e suas atitudes, quando aqui esteve entre nós, pôde-se perceber que esta foi simples e humilde, tendo como maior exemplo dessa humildade as próprias condições de seu nascimento, ocorrido numa estrebaria, onde teve seu corpinho envolto em panos simples e colocado numa manjedoura, que nada mais era do que uma estrutura feita de madeira, em que se depositava o alimento dado aos animais, conhecida também pelo nome de cocho. Sim, um cocho! Diferente da visão da manjedoura que estamos acostumados a ver, transmitida pelo imaginário de artistas ao longo desses dois milênios, Jesus ficou deitado num monte de feno que foi colocado nesse local onde os animais se alimentavam. A simbologia da manjedoura transcende o nosso entendimento ainda diminuto, em relação à grandiosidade de Jesus expressa na mais pura humildade. Era ele ali colocado como que a dizer: “Eu trago o verdadeiro alimento para todos aqueles que se encontram infelizes, cansados e abatidos. Eu trago a esperança e a fé que aliviará todo o peso do fardo pesado sobre seus ombros”.Cresceu humilde, tornando-se aprendiz de carpintaria, ofício exercido por seu pai, José, com o qual supria as necessidades de sustento e subsistência de sua família. Conviveu com a gente simples do caminho e, quando iniciava sua missão de levar à humanidade sua mensagem de amor e perdão, não prescindiu de convocar pescadores humildes e ignorantes para seus discípulos, bem como aqueles que viviam em padrões não aceitos à época, sendo considerados como a escória, como o publicano Mateus. Foi nesses corações simples que Jesus iniciou seu trabalho de construção do Reino de Deus na Terra, distante do luxo, da pompa dos amplos salões da nobreza do poder da época. Com o passar do tempo, diante das necessidades artificialmente criadas pelas novas demandas da civilização moderna, fomos nos concentrando mais nesses aspectos exteriores do que na real celebração do nascimento do Mestre, o que nos desviou do real sentido do Natal. Natal, na visão do espírita, não deve ser de exclusão, mas sim de inclusão. Não estamos impedidos de estender ao nosso grupo familiar e de amigos as benesses do conforto que lhes possamos ofertar. Devemos viver no mundo como aqueles que atendem as condições de vida do mundo, porém que isso não nos impeça de vivenciar o Natal como um momento de iluminação do Espírito imortal e, também, de elevação do sentimento de gratidão ao Mestre Divino, pelo seu amor que empenhou em nosso favor, vindo pessoalmente trazer-nos a “Boa-Nova”. Que tenhamos a consciência de que a festa de Natal é a celebração do aniversário de Jesus, que, como em toda festa de aniversário, deve ser ele o alvo principal de todas as atenções. No Natal de Jesus, o presente que Ele mais espera de nós todos é que apliquemos aqueles ensinos que nos trouxe, em nossas ações no dia a dia. Que possamos abraçar a todos e, perdoando sinceramente aqueles que nos ofenderam, elevemos uma prece de reconhecimento, gratidão e júbilo por termos a iluminação de nosso entendimento, através do registro em nossas almas da palavra esclarecedora do Mestre dos mestres. “Natal é qualquer dia em que uma pessoa busca outra, para chamá-la de irmão e tratá-la assim”.

“Para quem busca o Cristo sempre é Natal”. A cada dia, a cada hora, a cada momento Jesus renasce em nós, quando seguimos os seus ensinamentos. Guardemo-Lo em nossos corações. Que esse estado de espírito se conserve em todos os dias de nossas existências e saibamos sempre estender mãos amigas ao próximo.

Natal! Boa Nova! Boa vontade!

Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.

O Natal com Jesus é espalhar o amor, é espalhar a paz, a misericórdia e o perdão! Que o perdão e a compreensão, superem as amarguras e as desavenças.

Muita Paz!

domingo, 19 de dezembro de 2021

 


Lobos Internos - Com base em texto de autor desconhecido que circula na Internet.

Que tal começar a semana com uma boa reflexão? Para tanto, trago uma fábula (ou conto) que circula pela internet e que gosto muito, a respeito dos “Dois Lobos”, enfocando figurativamente, mas com bastante propriedade, os motivadores do nosso comportamento, a maneira como somos, agimos e reagimos no cotidiano! A fábula enfatiza a dualidade do ser humano, a sua complexidade e, sutilmente, a necessidade de que trabalhemos continuamente para a nossa própria evolução. Assim, convido-o a refletir sobre o texto, a seguir transcrito: Um dia, um velho avô foi procurado por seu neto, que estava com raiva de um amigo que o havia ofendido. O sábio velhinho acalmou o neto e disse com carinho: -Deixe-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti muito ódio daqueles que me ofenderam tanto, sem arrependimento, todavia, o ódio corrói a nossa intimidade mas não fere nosso inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que o inimigo morra. Lutei muitas vezes contra esses sentimentos.

O neto ouvia com atenção as considerações do avô. E ele continuou:

-É como se existissem dois lobos dentro de mim, um deles é bom. Não magoa ninguém. Vive em harmonia com todos e não se ofende.

Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva.

 Mesmo as pequenas coisas desagradáveis o levam facilmente a um ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. É tão irracional que nunca consegue mudar coisa alguma! Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:

-E qual deles vence, vovô?

O avô sorriu e respondeu:

-Aquele que eu alimento mais frequentemente.

Reflexão:

Essa estorinha é muito simbólica. Os dois lobos são as nossas emoções positivas e negativas. Existe uma linha muito tênue que separa, no ser humano, seus elementos antagônicos, paradoxais, como por exemplo: a humanidade da animalidade. Por isso, a figura do lobo é significativa, uma vez que representa o grau de animalidade que pode capitanear nossas ações. Enquanto o ser humano não desenvolver todas as virtudes que o elevarão à categoria de espírito superior, sempre haverá em sua intimidade um pouco dos irracionais. E essa luta interna é que irá definindo o nosso amanhã, de acordo com o lado que mais alimentamos. Por vezes, um simples ato impensado, uma simples ação infeliz, pode nos trazer consequências amargas por um longo tempo. Cada um de nós têm também dois lobos, um deles é cruel e mau, o outro é passivo e muito bom. E os dois estão sempre brigando. E o lobo que mais alimentarmos, é o que se torna mais forte e o que ganha a luta. E esta luta, é uma luta que acontece a todos os minutos, e no fim do dia, várias batalhas são perdidas e vencidas, sem nos apercebermos. Cada um de nós, quando nasce, traz consigo um lobo mais forte do que o outro. E quase sempre o lobo mais forte é o lobo mau, porque é o que nos foi herdado biologicamente, desde o tempo dos nossos antepassados caçadores, que viviam cercados de animais ferozes e que instintivamente tinham que atacar ou fugir. Não havia espaço para alimentar muito o lobo bom, o lobo da alegria, da paz e do amor, pois isso significava não sobreviver. A genética influencia qual dos lobos é que nasce mais forte, mas não determina qual deles irá continuar mais forte. Até há bem pouco tempo, pensava-se que o lobo que fosse maior é o que iria ganhar até ao resto da nossa vida. Que não conseguíamos mudar quem éramos, a nossa personalidade, a nossa forma de estar e de abordar a vida e que o nosso nível de felicidade se mantinha sempre o mesmo. A ciência dizia que nascíamos já com o nosso destino emocional marcado, para o resto da nossa vida. Um desses lobos se chama Amor e o outro Orgulho. O orgulho e o amor nunca darão flores no mesmo jardim; o amor facilita a caminhada, o orgulho impede; o amor estende a mão e orgulho não abre a mão; o amor liberta; O orgulho guarda mágoas. Perdoar alivia tanto os sentimentos de culpa como os de mágoa. Essas nossas emoções são causadas pela nossa forma de pensar, portanto, o lobo que alimentamos é uma escolha nossa. Às vezes temos a impressão que o mundo nos virou as costas e que todas as coisas ruins só acontecem conosco, no entanto isso pode não ser uma verdade absoluta, mas como nós entendemos os fatos. Se pensarmos que as pessoas são ruins e que querem nos prejudicar, enxergaremos o mundo com essas lentes e provavelmente encontraremos evidências que reforcem essa ideia, mesmo que ela não seja verdade. Essas ideias negativas nos proporcionarão emoções negativas de tristeza, raiva, vingança. No entanto, mesmo tendo vivenciado algo ruim podemos entender que foi uma coincidência, ou que as pessoas que nos proporcionaram algum mal, não o fizeram intencionalmente. Se pensarmos assim estaremos flexibilizando nossos pensamentos e alimentando o nosso lobo bom que nos trará emoções positivas. Toda pessoa é uma verdadeira caixinha de surpresas. Nela vivem os sentimentos da alegria, raiva, medo, tristeza e amor. No momento certo, na hora certa, estes sentimentos são colocados a prova. Na vida real ninguém é sempre bom, ou sempre mau, sempre «certinho» ou sempre «pecador». Ninguém é tão calmo, tão bondoso, tão amável e tão agitado. Tenha muito cuidado com as suas atitudes e aprenda a lidar com suas emoções (com os seus dois lobos) e se livre dos pensamentos negativos. As pessoas vivem cada vez mais reclamando da vida, dos seus problemas. Contudo, acham a vida difícil. Aprendi que temos que mudar a nossa forma de pensar e agir, todo o nosso conceito de vida tem sido falso, há uma necessidade de mudar o nosso pensamento, devemos fazer algo para devolver o verdadeiro sentindo da vida, devemos ajudar as pessoas a serem felizes, a reafirmarem suas crenças e seus valores. Todos somos convocados a promover o que existe de mais belo, bom e justo em nós. Eis o dantesco desafio: reeducar o ser humano afim de que possa ressignificar suas ações numa perspectiva humanizadora e que contribua para desconstruir a sociedade raivosa que embrutece a todos. É um fato notório  que todos nós temos «lobos internos». Que temos dois lados que nos puxam com igual força. Na vida real somos pessoas normais, que podem ser tudo, dependendo das circunstâncias. Estou cada vez mais convencido que não sabemos concretamente os nossos limites. Que só na hora do teste poderemos, com 100% de certeza, optar pelo «lobo manso» ou pelo «lobo feroz». E que as decisões da vida, as que nos marcam, por vezes são tomadas no calor de um impulso, de um sentimento ou de uma paixão. E, também, que nem sempre o lado racional e sensato, que nos norteia, leva a melhor. Todos temos dois lobos, como já disse, habitando as cavernas da alma. Ambos comem da mesma «tigela». Ambos dormem lado a lado. São irmãos gêmeos, mas que aparecem vez à vez. E jogam com a alma. Puxam-na para um lado, arrastam-na para outro. Tentam ser vencedores num jogo sem tréguas, porque dura o tempo de uma vida.Como moral dessa interessante e sábia narrativa do  avô, depreende-se que só depende de cada um ser bom ou mau, tornar-se pessoa melhor ou pior, em face dos dois lobos que habitam e duelam em cada pessoa. Afinal, qual dos dois lobos você quer que prevaleça?

Que tal experimentar alimentar o lobo bom dentro de você?

Muita Paz!

domingo, 12 de dezembro de 2021

 


Julgamento das atitudes alheias - Ensino espírita

O tema desse estudo nos fala sobre a importância de não julgarmos precipitadamente as criaturas e, consequentemente, não atirarmos a primeira pedra naqueles que nos parecem errados. De um modo geral, somos benevolentes para com os nossos erros e muito severos para com os erros dos outros. Para que vocês percebam a precipitação, o equívoco, no julgamento do próximo, vou contar uma pequena estória: Um jovem casal mudou-se para um bairro muito tranquilo. Na primeira manhã em que eles passavam em sua nova casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou no varal no qual a vizinha pendurava os lençóis e comentou com o marido: Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar roupas! O marido observou calado. Alguns dias depois, também durante o café da manhã, a vizinha pendurava seus lençóis e novamente a mulher comentou com o marido: Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! E assim, com o passar dos dias, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal, a mulher repetia seu discurso. Passado um mês, a jovem esposa se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, surpresa, foi dizer ao marido: Veja! Ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha falou com ela? O marido lhe respondeu calmamente: Ninguém foi ensiná-la a lavar roupas. Aconteceu que hoje eu levantei mais cedo e lavei a vidraça da nossa janela! Creio que era a sujeira que impedia você de ver a brancura dos lençóis da nossa vizinha.

REFLEXÃO:

Muito embora o Cristo também tenha ensinado que a verdadeira justiça repousa em Deus, em inúmeras situações nos comportamos como juízes implacáveis da causa alheia. Assim, ao avaliarmos os fatos e, principalmente, as pessoas, podemos rotulá-los como certos ou errados, bons ou maus, simpáticos ou antipáticos, valorizando-os ou desconsiderando-os, em conformidade com os conteúdos moral, emocional e intelectual que, consciente e/ou inconscientemente, carregamos. No instante em que a mulher da nossa estória julgara a conduta da vizinha, ela estava se arvorando também em juíza, e esse é um grande problema de que a Humanidade padece, tanto que Jesus, numa de suas advertências, deixou bem claro qual é o risco de se fazer um julgamento, quando disse: “Não julgueis, afim de não serdes julgados; porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros; empregar-se-á convosco a mesma medida de que vos tenhais servido para com os outros”. (Mateus, 7:1-2). Podemos interpretá-la como um alerta para o fato de que, em nosso grau de evolução não temos condições de emitir um julgamento de maneira justa e imparcial, exatamente porque nosso ponto de vista é, ainda, muito limitado, ou seja, não estamos de posse de todos os fatos referentes ao acontecimento e não possuímos uma visão real da situação. Assim, para não cairmos em erro, seria prudente, então, abstermo-nos de julgar. Esta citação evangélica, por si só, revela toda amplitude do ensinamento que o Cristo pretendeu transmitir, nos levando a pensar duas vezes antes de querer julgar o nosso próximo, pois sem dúvida, ainda somos criaturas imperfeitas eivadas de parcialidade, paixões, egoísmo, e jamais poderíamos julgar alguém de forma reta e justa.  Este é um ensinamento do Mestre, que destaca os perigos de nos deixarmos levar pelos julgamentos inconsequentes de situações e pessoas, sem nenhuma cautela, alterando o verdadeiro juízo dos acontecimentos. A máxima: “Com a mesma medida com que medis será medido”, foi endereçada a todos nós, no tocante à aplicação do nosso juízo quando nos defrontamos com problemas alheios. Estamos sob a égide da Lei de Causa e Efeito, se o nosso juízo for parcial quando julgamos as atitudes e os atos do próximo, como pretender um julgamento equitativo e reto para com as nossas próprias ações? Quando prejudicamos alguém com o nosso falso juízo, atraímos para nós a necessidade de um reajuste, no qual o Espírito passa a ser réu, uma vez que não existe causa que não conduza a um efeito. Podemos, porém, ampliar essa interpretação e compreendermos que Jesus poderia, igualmente, estar nos alertando para o fato de que não existe, em realidade, aquilo que costumamos chamar de juízo de valores, pelo menos não como o entendemos, ou seja, não devemos julgar porque o critério que comumente utilizamos para definir o que é bem e mal, não está exatamente de acordo com a realidade, se analisado do ponto de vista da vida eterna e do Espírito. Isso porque somos ainda imperfeitos. Outro aspecto a ser considerado na relação que estabelecemos com o mundo e com outros seres humanos e que pode influenciar fortemente nossa visão, refere-se ao que a psicologia chama de projeção: o sujeito se livra de conteúdos penosos e incompatíveis, projetando-os nos outros. Dessa forma, na eventualidade de emitirmos algum tipo de julgamento, devemos levar em consideração também a realidade das projeções que costumamos fazer, ou seja, é muito provável que o mal que vemos em nosso semelhante esteja, primeiramente, em nosso próprio mundo íntimo, contaminando nosso ponto de vista. Não é raro encontrarmos, por exemplo, pessoas a quem descrevemos como vilões, que são, na verdade, mais adiantados que nós, em termos de escala espiritual, mas que, no entanto, não fazem questão de esconder suas sombras, parecendo inferiores segundo nosso critério de julgamento. Nós, por nossa parte, podemos parecer quase perfeitos, porém, à custa da repressão de muitos aspectos sombrios de nossa personalidade. É muito difícil, então, num mundo onde o engano e o autoengano ainda predominam, estabelecer um juízo de valores que seja coerente com a realidade. Dessa forma, além do fato de jamais termos condições de conhecer todas as peripécias envolvidas num acontecimento para, então, avaliá-lo com propriedade, existe, também, a verdade de que nem sempre aquilo que julgamos como um mal seja realmente maléfico e vice-versa. Nosso ponto de vista é, efetivamente, muito estreito para cogitarmos emitir julgamentos. Por isso, o Mestre de Nazaré, constatando nossa visão frágil, aconselhou-nos a não julgar. Parece cada vez mais claro que Jesus nos dizia, na expressão simples do não julgueis, que essa faculdade ainda não nos está disponível, por nos faltar competência espiritual para tanto. A mesma recomendação nos apresenta o Espiritismo: O homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos? O Espiritismo ratifica essa advertência: Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as consequências. Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as consequências se fazem sentir. Ao invés de certezas fundamentadas em julgamentos frágeis, recorramos mais à prática da empatia, aquela que nos convida a entrar nos sentimentos dos irmãos de jornada, experimentando-lhes as dores e as vivências, sempre conscientes de que existe mais vantagem em ampliar nossa visão de vida, abertos às possibilidades, do que em nos sentirmos como os donos da verdade. Na vida, só é possível e válido o autojulgamento, porque somente o próprio indivíduo é capaz de avaliar tudo o que se passa em seu íntimo: o que lhe dói, o que lhe faz duvidar e sofrer, bem como o que lhe agrada e preenche o coração. Resumindo: Como é que você cuida os erros alheios e não cuida os seus próprios?  Como é que você é tão severo com as falhas do outro e sempre arruma uma desculpa pras suas? Como é que você fica tão indignado ao perceber os defeitos do próximo e se sente tão injustiçado quando apontam os seus defeitos? Dois pesos e duas medidas. Apontamos os defeitos dos outros numa tentativa ridícula de nos destacarmos, pois nos elevamos a nossos próprios olhos e diminuímos o próximo com nossas conclusões tortas e nossos julgamentos fraudulentos. Não se esqueça de que aqueles defeitos e erros que você, espírito imortal, não apresenta neste atual passeio terrestre, provavelmente já teve e cometeu em outras experiências. Sem falar que ninguém está livre de errar ainda pro futuro. Não vamos virar santos da noite para o dia. Não há fórmula mágica para a reforma íntima. Mas será que não podemos nos tornar desde já um pouquinho mais tolerantes? Não é por bondade que falo. Ao ser severo com alguém, você está sendo severo com você mesmo. Você entende isso? Então, para entendermos, para sermos benevolentes, indulgentes para com os erros de nossos irmãos, é preciso que, antes de tudo, nos conscientizemos dos nossos erros, das nossas imperfeições e das nossas limitações. A partir daí sim, teremos condições de compreender os erros dos outros. Até porque, quem tem telhado de vidro, não joga pedra no dos outros. Nossas imperfeições decorrem ora do desconhecimento da lei divina, ora de seu errado entendimento, ora de uma vivência em desacordo com ela. A Doutrina Espírita é uma doutrina de equilíbrio. Podemos fazer uma analogia do encardido da vidraça com nossos preconceitos que as vezes não deixam que enxerguemos com clareza certas situações. Afinal por que não devemos julgar nem ao menos os atos mais obscuros que nos deparamos? Seria certo o espírita se abster de qualquer opinião? Para analisarmos com mais calma cada pergunta dessas devemos primeiro lembrar que os espíritos nos indicam sempre a calma e a atitude pacifista. Isso nos “obriga” a ter uma atitude muitas vezes vista pelo mundo como covarde ou sem conteúdo. Mais importante que ter a razão é estar em paz, portanto é indispensável para nós espíritas a calma ao analisar as situações e nunca ter a arrogância de pensamento de acharmo-nos superiores a qualquer indivíduo. Somos todos imperfeitos a caminho da evolução moral numa grande família espiritual e para isso é necessário a boa convivência e o amor entre todos os membros desta família.

Muita Paz!

domingo, 5 de dezembro de 2021

 


DIA DA FAMÍLIA – Ensino espírita

Uma data para celebrar e homenagear a família e ressaltar sua importância na vida de cada indivíduo. O Dia nacional da Família é comemorado anualmente em 8 de dezembro, no Brasil. A família como elemento fundamental, é importante ser celebrada e homenageada. Mas, o que é a família? A família é a mais antiga instituição social criada pela humanidade. Tão antiga quanto os primeiros registros pré-históricos da humanidade, que datam de antes de 10.000 anos a.C. A família, além de uma antiga instituição social, é um agrupamento de seres humanos, que se unem pelo laço consanguíneo e pela afinidade, ou seja, a família é composta por pessoas que têm o sangue em comum ou que se unem porque gostam umas das outras. O estabelecimento das famílias foi a forma que o ser humano encontrou de viver de maneira mais segura, pois o agrupamento em família ajudava na proteção dos indivíduos contra inimigos e também facilitava a caça e a coleta de alimentos. O conceito de família celebrado na data é amplo e se estende para além da família tradicional, constituída por pai e mãe. A premissa parte da existência do amor, da ajuda mútua e da participação na formação de valores como educação, cultura, moral e ética de cada pessoa. Tipos de Família: Entre os familiares, é possível identificar dois graus de proximidade: família nuclear e família extensa. A família nuclear é normalmente composta pelos pais e irmãos, enquanto a família extensa é composta por avós, tios, primos, etc. No entanto, este conceito é flexível, já que muitas vezes os avós (ou outros parentes) podem morar na mesma casa, sendo considerados como família nuclear. Em outros casos, um ou os dois pais podem não estar presentes por algum motivo, não fazendo parte da família nuclear. Por sua vez, a família extensa ou alargada é compreendida como sendo composta também por avós, tios, primos e outras relações de parentesco. A família patriarcal é o mais antigo modelo familiar. Ainda nos primórdios da humanidade, o modelo patriarcal estabeleceu-se como o modelo familiar por excelência. Chamamos de patriarcal a família chefiada por um homem (o patriarca, ou seja, o pai), que tem por responsabilidade adquirir alimentos e cuidar da segurança de seus filhos e de sua esposa. Nesse modelo, no início, os homens caçavam para alimentar a esposa e os filhos, que ficavam sob os cuidados da mãe. Com a sedentarização do ser humano (quando os humanos abandonaram o estilo de vida nômade e passaram a viver em locais fixos), a agricultura passou a fazer parte do cotidiano humano, bem como a domesticação e criação de animais. O alimento não era mais coletado e caçado, e sim cultivado. Com isso, passou a ser função do patriarca, além da segurança da família, a criação dos animais e o cuidado e preparo da terra (lavra), enquanto as mulheres plantavam, colhiam, preparavam os alimentos e cuidavam dos filhos. Esse modelo patriarcal perdurou por milênios, recebendo ajustes de acordo com o desenvolvimento das sociedades. Na Constituição brasileira, a família é abrangente, pois considera diversas formas de organização baseadas na relação afetiva e na convivência. Na lei vigente, a família matrimonial compreende os casamentos civis e religiosos, podendo ser hétero ou homoafetivo. A família, mais do que um substantivo que traz um significado muito importante na vida de um ser humano, tem um sentido que vai além das definições que podemos encontrar em dicionários ou enciclopédias, ela é o primeiro grupo social do qual fazemos parte e, é a partir dela que começamos a construir a nossa identidade. Família é um conceito que significa estrutura, alicerce, onde tudo começa; é a base de todas as outras sociedades. Desde os primórdios da sociedade se constituiu a família, que é um núcleo muito importante na vida de cada um de nós, e onde encontramos apoio e amor. A família não nasce pronta, constrói-se. É o melhor laboratório para se exercitar o amor, aquele amor que Jesus nos falou. É na família que encontramos o cadinho especial no qual o fogo das lutas, o atrito das lides, o lixar das diferenças vão aperfeiçoando seus pares.  A família inicia-se com o matrimônio, e é teoricamente formada pelos pais e filhos. O amor recíproco entre eles, a confiança, a cooperação, o respeito, a obediência, compreensão e a tolerância mútuas são os preceitos básicos para que a família continue a existir. Constituída para dar segurança aos seus integrantes, a família é o primeiro contato de uma criança, suas relações com outras pessoas, onde aprende a se comportar bem, e como respeitar seu próximo. É nela que se inicia a vida, e é por meio de suas características que se define a personalidade e as escolhas de um cidadão, ditando a sua formação moral e ética. A família é o ponto de partida que influencia o comportamento de cada um no meio social. Na família encontramos os primeiros amigos. Aqueles que devem ser lembrados todos os dias, eternamente. Dificilmente as pessoas não se manterão dentro das regras e dos conceitos lhes ensinado no núcleo familiar. É bom lembrar, que regras e conceitos são melhores aprendidos quando exemplificados.  Não adianta chamarmos a atenção de nossos filhos por deixarem seus pertences jogados pelo chão, se às vezes fazemos isso também. Uma boa convivência familiar torna as pessoas mais unidas e mais amigas umas das outras, dividindo com elas problemas, alegrias e tristezas. Qual aquele que não se sente amado, quando é alvo da preocupação de um familiar? Dificilmente, vamos encontrar alguém que não deseja e não gosta de estar reunido com os seus familiares naqueles tradicionais almoços de domingo. Em uma concepção mais simples, podemos notar que mesmo as famílias consideradas desunidas, em um momento de ataque a qualquer dos seus membros por um agente externo, tende a se unir e partir em defesa do atacado. Independente de sua estrutura, a família deve constituir-se de união, ser o alicerce para nossa caminhada. As pessoas devem sempre procurar manter uma relação de amizade e respeito com todos de sua família, fazendo reuniões para se encontrarem, conversarem e se divertirem de forma saudável.

Visitar a casa dos avós, bisavós, tios e primos também é uma forma de convivência familiar, pois torna as pessoas mais unidas, mais amigas umas das outras. Seja no desenvolvimento pessoal, no processo de aprendizagem, no relacionamento ou qualquer outro tipo de formação, a família é considerada a base do indivíduo enquanto ser social, vivente em sociedade. Diante de um mundo repleto de maldade, violência e injustiça, vale refletir na importância da família em nossas vidas. Devemos demonstrar afeto e valorizar as pessoas que fazem parte dela. Em nossos pensamentos diários, observemos sempre se estamos dando o justo valor à Família. Um país melhor, mais feliz e, por consequência, uma Humanidade equilibrada dependem dos núcleos familiares bem constituídos, devidamente prestigiados por seus integrantes. A importância da família transcende a compreensão mais comum. Nela, a vida humana encontra o seu refúgio, Diga a sua família o quanto ela é especial para você! O Espírito Bezerra de Menezes, numa mensagem, deu ênfase ao nosso tema: “A existência na Terra é de luta, não há outra denominação melhor, mas a tranquilidade da Alma existe quando vemos que as Forças Benditas envolvem a família e os casais, elevando-os a patamares de compreensão, buscando as sementes que germinaram os frutos da semeadura, por intermédio dos filhos”.

REFLEXÃO:

O ser humano sem distinção de raça, sexo ou religião não prescinde de companhia para o seu desenvolvimento biológico, moral, social e espiritual. Na célula familiar não só nos reunimos com nossos credores ou devedores do passado, almejando um caminho para o progresso conjunto, como também nos preparamos para mais uma existência terrena, absorvendo, principalmente na infância, os conceitos e valores que irão moldar o nosso caráter moral futuro. Vejamos agora o que nos informa a questão 775 de O Livro dos Espíritos. Pergunta: Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família? Respondem os Espíritos: - Uma recrudescência do egoísmo. Passamos a maior parte do tempo em nossa moradia familiar. É nesse local abençoado que convivemos com os nossos familiares, com quem temos compromissos assumidos na atual reencarnação. Os Espíritos superiores nos ensinam que a família é uma instituição de cunho divino para que a vida se aprimore. Devemos analisar, periodicamente, como anda a qualidade das nossas relações no ambiente doméstico, que deve estar pautada pela ternura e pelo diálogo, com o escopo de facultar-nos os melhores aprendizados. Na atualidade, em virtude do materialismo vigente, há muita preocupação com os aspectos materiais do templo familiar. Com a acentuada criminalidade dos dias modernos, investimos em segurança para preservar o patrimônio, sendo que contratamos guarda-noturno, empresas de vigilância, seguro residencial e, quando possível, colocamos alarme e cerca elétrica. Quanto investimento para cuidar do aspecto material da vivenda familiar. Registre-se que tais cuidados são importantes e devem fazer parte da pauta das nossas decisões familiares. Todavia, à luz da veneranda religião espírita, temos que nos preocupar com o ambiente espiritual da nossa moradia. Reflitamos e que possamos ter mais vigilância na proteção espiritual do nosso reduto familiar, em nome da paz e da felicidade que desejamos para nós e para o mundo, em clima de fidelidade aos ensinos morais trazidos por Jesus, o modelo e guia de nossas vidas. Importante: a família também é feita de amigos. Por isso, vamos agradecer, viver e aproveitar os momentos que a vida nos reserva ao lado daqueles que nos amam.

Muita Paz!

domingo, 28 de novembro de 2021

 


Dois Caminhos

Ensino espírita

(Com base em texto extraído da Revista Espírita Allan Kardec, nº 39)

Clássica é a pergunta que Alice (em "Alice no País das Maravilhas") fez quando se viu diante de uma bifurcação: "Para onde vai este caminho, e para onde vai o outro caminho?". Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? Isso depende muito de para onde queres ir, respondeu o gato. Preocupa-me pouco aonde ir, disse Alice. Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas, replicou o gato. A vida é cheia de escolhas e decisões que nos levam por diferentes caminhos. Em toda a nossa existência, vamos andar por trilhas variadas, mudar a direção, fazer curvas, ir, voltar e não tem nada de errado nisso. Somos seres mutáveis e estamos o tempo todo tentando nos descobrir e nos conhecer. Quantas vezes em nossa vida nos deparamos com decisões sobre qual caminho seguir? E quantas vezes você acha que terá que enfrentar a mesma indecisão no próximo ano? Não importa de qual tempo estamos falando, as escolhas sempre farão parte das nossas vidas, desde as mais simples de decidir até aquelas que nos tiram horas preciosas de sono. O que é necessário é o discernimento de dar o melhor de si para seguir por um caminho de forma consciente. As bifurcações estão em nossas vidas o tempo todo. Assim que você acorda, mesmo que de forma inconsciente, provavelmente enfrentará diversas delas: ir tomar banho ou tomar café? Colocar uma calça ou um vestido? Usar o cabelo preso ou solto? Ir trabalhar de transporte público ou pegar o carro? São decisões mundanas e corriqueiras, mas não deixam de ser escolhas de qual caminho seguir! No entanto, as escolhas são mais brandas e não demandam tanta energia. Já em alguns casos maiores, as bifurcações podem parecer intimidadoras e extremamente difíceis. Na realidade, como já foi destacado, na nossa vida, dois são os caminhos que se apresentam para nossa escolha; o caminho da evolução e o caminho da degradação. O caminho da evolução, que é percorrido após a passagem pela porta estreita, é apertado, difícil, e são poucos os que conseguem segui-lo; é grande o número dos que não querem trilha-lo; mas, também, o único que pode salvar a todos que se arrependem. Já o caminho percorrido após a passagem pela porta larga, a da degradação, e, consequentemente leva à perdição, é mais fácil, mais espaçoso, sem regras, sem limitações, faculta os prazeres materiais, sem obediência às leis divinas; ou seja, tudo aquilo que Jesus rejeitou. Nele você encontrará mais amigos; porém, você será apenas mais um a caminhar. Agora, o caminho da evolução, que é o caminho do progresso, nós vemos com os olhos da alma e, por ser mais apertado, exige conhecimento, atenção, critério, raciocínio, para a devida aquisição da felicidade futura. Esse caminho passa pela renúncia e exige arrependimento. A consoladora Doutrina dos Espíritos elucida sobre a existência de duas possíveis condutas, permitindo-nos lentamente edificar os sentimentos nobres que a Divindade deseja que adquiramos: a primeira se dá pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida em si mesma; a segunda, através do estudo. E consta dos Evangelhos que existem duas portas que dão acesso aos caminhos pelos quais os homens podem enveredar, no decurso da vida terrena. É fácil saber se uma pedra foi retirada de um rio ou se foi quebrada em uma pedreira. As pedras de pedreira apresentam muitas quinas, são ásperas e irregulares, agressivas ao tato. As pedras de rio são lisas e roliças, já sofreram um polimento natural. Ao longo do tempo, a correnteza das águas vai se encarregando de atirá-las umas contra as outras, para arredondar-lhes as arestas. Na medida em que vão se tornando polidas, vai sendo reduzido o atrito entre elas, já não se ferem, deslizam harmoniosamente umas entre as outras, como esferas lubrificadas de um rolimã. O processo evolutivo espiritual das criaturas humanas pode ser comparado ao do burilamento das pedras de rio. O Espírito é criado puro e ignorante. Puro, porque não traz qualquer tendência para o mal. Ignorante, porque não adquiriu ainda qualquer conhecimento. Ao longo das reencarnações sucessivas, a correnteza da vida também nos atira uns contra outros; somos levados a conviver entre semelhantes. Em nossa infância espiritual, ainda como pedras brutas, essa convivência é marcada pelo atrito entre nossas arestas. A rusticidade do homem das cavernas nos mostra o que foram nossas primeiras encarnações; o instinto animal predominando sobre a razão e o sentimento, a matéria sobre o Espírito, o estado de guerra como condição permanente. Passaram-se séculos e milênios, abandonamos as cavernas, participamos da construção, do apogeu e da queda de diferentes impérios, vivenciamos diversas culturas. Com as conquistas da ciência, domesticamos a natureza, transformamos a paisagem ao nosso redor, descobrimos como tornar a existência mais confortável. Observando, no entanto, nosso mundo interior, nos deparamos com a presença incômoda e persistente de imperfeições atávicas, paleolíticas. A História nos revela que, mesmo após deixar as cavernas, o homem conservou traços do troglodita em sua intimidade espiritual. Pois foi nossa ignorância rústica que, diante da vacilação de Pilatos, exigiu o martírio do doce Jesus. Foram nosso orgulho e nosso egoísmo que produziram as guerras, os massacres das Cruzadas, as fogueiras da Inquisição e os horrores da Escravatura. Ingênuos os que supõem que não estavam lá. Assim, ao longo desses séculos, avançamos muito mais no progresso material, exterior, do que a jornada ética, íntima, do Espírito. “A evolução espiritual é contínua, não regride nunca, mas pode ser retardada em seu processamento se não aproveitar bem a oportunidade que Deus concede ao Espírito reencarnante”. Viver em sociedade é aspecto essencial desta oportunidade. Frequentemente nos sentimos inconformados por termos de conviver com pessoas que nos aborrecem, nos irritam, nos são antipáticas, mas essa convivência é um dos processos naturais do nosso burilamento. Tais pessoas são indispensáveis: elas nos incomodam exatamente em nossos pontos mais fracos, mais sensíveis, e nos apontam, portanto, quais sãos esses pontos, quais são nossas piores arestas: os que precisam de ajuda incomodam ao nosso egoísmo, os que julgamos melhores que nós nos ferem a vaidade e o orgulho, e assim por diante. Cada conflito é um alerta e um roçar polidor de arestas. Quanto mais ásperos somos, mais dolorosos são os atritos, pois a dor é consequência de nossos atos de desamor para com o próximo, nesta ou em outras existências. Diferentemente das pedras, entretanto, a criatura humana, sendo dotada de inteligência, consciência e livre-arbítrio, pode escolher caminho evolutivo menos doloroso. Jesus nos aponta o rumo: amarmo-nos uns aos outros. Nenhum de nós foi criado para sofrer e o amor pode livrar-nos da dor, pois, “ele nos cobre a multidão dos pecados”. A evolução é lei universal e irrevogável, mas dois caminhos nos são oferecidos para percorrê-la: dor ou amor. A prática do amor proporciona polimento indolor em nossas almas, suaviza-nos as arestas, desenvolve-nos o altruísmo, harmoniza nossa convivência com os semelhantes. A decisão é sempre nossa.

Reflexão:

O objetivo deste estudo é levar as pessoas a uma reflexão sobre a atual situação de inversão de valores que existe na sociedade. Sendo nós criaturas em fase de aperfeiçoamento, oscilamos entre a escolha por uma e outra “porta”, às vezes conseguindo vencer nossos maus pendores, outras vezes cedendo às nossas imperfeições. Nosso trabalho de reforma íntima visa a escolher, em definitivo, a “porta” do Bem. Deus, em Sua sabedoria e em Sua bondade, situa o Espírito encarnado em ambientes nos quais ele é naturalmente convidado à sublimação. Coloca-o em um contexto profissional, familiar e social em que precisa atender uma série de deveres. Se os atende, sacrificando para isso suas fantasias, caprichos e desejos, atravessa a sua porta estreita, a que lhe cabe naquela encarnação. É necessário e urgente que a criatura encarnada se empenhe em ser um profissional honesto e competente, um pai ou mãe presente e dedicado, um filho respeitoso e obediente, um aluno estudioso, um irmão compreensivo, um esposo fiel e afetuoso, um cidadão honesto etc.  Ela precisa atentar para os deveres de cada dia e cumpri-los, sem buscar desculpas para a conduta indigna. Como ensina o Espírito Lázaro, no item 7 do capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Ele também afirma que o dever é o mais belo laurel da razão. Nunca é tarde para mudar de caminho, por piores que tenham sido as estradas do erro percorridas. Esforcemo-nos por vencer as más tendências. Não há outra saída. Somente assim poderemos passar pela porta estreita e criar condições para a salvação de nossa alma imortal.

Muita Paz!

domingo, 21 de novembro de 2021

 


PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

ENSINO ESPÍRITA

Uma parábola é uma pequena história que ajuda a entender uma verdade complexa. Jesus contou esta parábola para explicar o relacionamento de Deus com o pecador. Você conhece a parábola do filho pródigo? O Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. No Evangelho de Lucas no capítulo 15: versículos de 11 a32. Primeiro vamos saber o que significa pródigo. Pródigo é aquele que esbanja, gasta mais do que possui ou necessita. Esbanjador, gastador ou perdulário. Por isso, o filho mais novo é o filho pródigo do homem nesta parábola. O tema deste estudo é a misericórdia. Os séculos passam, mas as grandes lições não envelhecem, pois retratam a eterna luta da alma humana para libertar-se do primarismo evolutivo. Esta parábola é uma dessas lições, e é um solene e formal desmentido às penas eternas. Ela ao mesmo tempo em que é uma amostra do grande amor de Deus por cada um de nós, também nos leva a refletir sobre o grande pecado da rebeldia e do orgulho que está inoculado em nós. Ela é o drama da evolução do Espírito, através de erros humanos, para a verdade divina.

Uma lição de arrependimento: A Parábola conta a história de um pai que possuía dois filhos. Em certa altura da vida, o filho mais novo do homem pede ao pai a sua parte na herança e parte para terras distantes gastando tudo o que tem em pecados e perdições, sem pensar no dia de amanhã. A ideia de viver de modo independente, sem ter que dar satisfações de seus atos, parece ter sido a grande ilusão deste jovem. E foi assim, aproveitando seus bens materiais de forma irresponsável, que acabou na miséria, e começa a passar necessidades, viver como um mendigo. Pra piorar a situação, a região onde estava foi afetada por uma grave crise. Só teve ajuda de um senhor, que o mandou ao campo, cuidar dos porcos. E nesta hora precisamos entender o contexto da época. Os judeus não comiam carne de porco, por considerar o animal impuro. Além disso, cuidar de animais já era visto como uma desonra, já que o serviço exigia a presença do pastor todos os dias, inclusive aos sábados. Desta forma, esses pastores não conseguiam seguir a lei religiosa, que determinava o repouso neste dia, que era dedicado ao Senhor. Para agravar ainda mais esta situação degradante, ele passava fome. Tinha vontade de comer o que era destinado aos porcos, mas nem isso conseguia. Para piorar ele estava em terra estrangeira e ninguém podia socorrê-lo, não tinha mais amigos, não tinha mais status, não tinha mais herança. O desejo mundano é passageiro, é ilusão, ele leva embora a alegria, ele arruína a vida, ele traz solidão. Foi quando chegou ao fundo do poço que se lembrou de seu pai. Na casa dele havia muitos empregados, e todos tinham pão com fartura, enquanto o jovem não tinha o que comer. Nesse momento vemos que ele sentiu saudade de casa. Ele descobriu que os empregados temporários de seu pai eram mais dignos do que ele, de modo que tais empregados diaristas tinha o que comer, e ele morria de fome. Nesta hora ele sentiu o arrependimento por suas atitudes impensadas e teve três atitudes na busca por restaurar sua vida: o arrependimento, a ação e a vontade de pedir perdão. Nesse exato momento aquele filho mais novo já não era mais o mesmo rapaz inconsequente que saiu da casa do pai. Ele havia sido transformado. O primeiro ato foi reconhecer que precisava mudar aquele quadro: “Levantar-me-ei e irei a meu pai”. Em seguida, a decisão de agir: “Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai”. Por fim, o pedido de reconciliação: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.” Seu pai o recebe com muita festa, feliz pelo filho estar de volta, fazendo um banquete para ele. Da parte do pai, observamos que, mesmo com toda a dor que sentia em seu coração, realizou o desejo do filho, ao repartir a herança e permitir que ele partisse. Em todo este tempo, aguardou ansiosamente pela volta do jovem. E isso fica claro quando a narração de Lucas diz que “estava ainda longe quando seu pai o viu, e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.” O pai o abraçou, não olhando para as condições em que seu filho estava se aproximando. O filho estava rasgado, descalço, era a personificação da miséria, mas o pai só olhou o arrependimento, e o acolheu em seus braços. Depois dessa acolhida, disse aos empregados que trouxessem uma túnica nova ao jovem, símbolo de honra; que lhe colocassem o anel no dedo, símbolo de autoridade; e a sandália para os pés, símbolo de que não era um escravo. O pai também manda preparar o bezerro cevado. Esse animal era um novilho guardado para ser usado somente na ocasião mais especial. Para o pai, haveria alguma ocasião mais especial do que essa? Afinal de contas “este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado”. Em nenhum momento na parábola o pai questionou as atitudes do filho, o que tinha feito e porque tinha saído de casa. Pelo contrário, demonstrou um amor que aos olhos humanos parece impossível. A parábola segue contando que o filho mais velho se aproximou da casa e, ao perceber a festa, se recusou a entrar por saber que a comemoração era para celebrar o retorno do irmão. Mas seu irmão mais velho rejeita-o. Não considera justo que o pai o receba com festas depois do que ele fez, uma vez que ele, o mais velho, sempre foi leal e fiel ao pai e nunca recebeu do pai uma festa como aquela. O pai insistiu, e alegou que mesmo estando o tempo todo ao lado do pai, nunca pode festejar com os amigos.

Explicação e significado da Parábola do Filho Pródigo

O segredo para interpretarmos as parábolas de Jesus é nos atentarmos à sua mensagem principal. Não precisamos atribuir significado a todos os elementos de uma parábola, mas devemos direcionar a nossa atenção para o que realmente Jesus estava ensinando.

O pai concede ao filho mais novo a posse de sua herança, mesmo que ele não estivesse próximo da morte. O pai poderia proteger o filho mais novo negando o dinheiro, pois sair gastando a herança era visivelmente um ato irresponsável. Mas ele concedeu, permitiu que ele fizesse aquilo com orgulho e imprudência, pois tinha os seus planos, sabia que aquilo seria necessário para que seu filho se redimisse dos seus atos. Se ele negasse o dinheiro, o filho ficaria revoltado e nunca se redimiria.

Assim como o pai entendeu a imprudência do filho e teve paciência com os seus erros, também Deus tem infinita paciência conosco, seus filhos pecadores. O pai da parábola não estava preocupado com o gasto da herança que ele havia juntado com tanto esforço, ele precisava que seu filho passasse por essa lição para que crescesse como um homem. Ele teve a paciência de esperar que seu filho passasse por isso e se arrependesse dos seus atos. A paciência de Deus tem por objetivo dar-nos tempo para percebermos nossos erros e nos arrependermos. Quando nós nos arrependemos verdadeiramente das nossas falhas, Deus nos acolhe de braços abertos. E foi exatamente isso que o pai da parábola fez, acolheu seu filho arrependido. Ao invés de repreendê-lo pelo seu erro, faz-lhe uma festa com um banquete. O filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e viu as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Então ele diz: “Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. (Lucas 15.32) O irmão mais velho acha-se logo um injustiçado, pois ele sempre teve zelo pelos bens materiais do pai, nunca gastou a sua herança, e o pai nunca havia lhe feito tamanha festa. Ele se achava superior por não ter desperdiçado os bens da herança. Ele era filho, mas se enxergava como um empregado. No original ele diz algo como: “estive trabalhando como escravo para ti”. Ele também tentava se auto justificar dizendo: “nunca desobedeci tuas ordens”. Não conseguia enxergar a conversão do irmão, não via que o sofrimento que ele passou o fez ver os seus erros. “Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado.” (Lucas 15.29-30). Neste caso, para o pai, o dinheiro era o menos importante, o importante era ter o seu filho de volta, convertido e arrependido.

É comum as pessoas acharem que somente quem reza todos os dias, vai à missa aos domingos e segue os mandamentos de Deus é amado por Ele. Isso não é verdade, e essa parábola mostra a grandeza do amor divino. O pai da parábola diz ao filho mais velho: “Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.” (Lucas 15.31). Isso mostra que o pai era profundamente grato ao filho mais velho, que o seu amor por ele era enorme e o que ele fazia pelo filho mais novo não mudava em nada o que ele sentia pelo mais velho. Se tudo que era dele, pertencia ao filho mais velho, o mais novo deveria conquistar os bens que perdeu em sua vida como pródigo. Mas jamais o pai negaria o acolhimento e o amor ao mais novo. Assim que ele apareceu em casa: Como é fácil nos sentirmos “injustiçados” (com inveja) quando outra pessoa “menos digna” é abençoada por Deus! Mas o arrependimento deveria ser motivo de grande alegria para todos nós. Quando largamos a inveja, vemos que Deus também nos dá muitas bênçãos que podemos aproveitar. Não temos motivo para sentir inveja.

Quando Jesus contou a Parábola do Filho Pródigo ele estava cercado por publicanos e pecadores que se reuniram para ouvi-lo. Os publicanos eram os cobradores de impostos; judeus que estavam a serviço do Império Romano. Os publicanos eram vistos pelo povo como traidores que extorquiam os próprios irmãos. Já os pecadores eram as pessoas moralmente marginalizadas e de má reputação na sociedade. Essas pessoas não possuíam um padrão de vida aprovado pelos religiosos da época, e, por isso, elas eram excluídas por eles. Da mesma forma como aquelas pessoas puderam ver a si mesmos enquanto Jesus contava a Parábola do Filho Pródigo, hoje nós também podemos nos identificar como se estivéssemos na frente de um espelho enquanto lemos essas palavras de Jesus. Esses versículos nos revelam algo muito profundo. Aqui entendemos que o controle sempre esteve nas mãos do pai. Perceba que enquanto o filho estava vivendo dissolutamente o pai estava fazendo provisão para o filho que retornaria. Enquanto o filho estava esbanjando, o pai estava cevando o novilho, deixando a roupa, o anel e a sandália preparados para o momento do retorno. Porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se (Lucas 15:24). Este versículo possui um significado muito importante que infelizmente muitas pessoas não percebem. Note os contrastes: morto, vivo; perdido, achado. A explicação dessas palavras é a seguinte: no sentido prático, o filho estava morto pois havia recebido toda sua parte da herança. Ele não fazia mais parte da família. Ele também estava perdido, pois havia sido destruído em suas loucuras, e desperdiçado tudo o que lhe poderia sustentar durante a vida. Com isto, entendemos que a parábola, como um todo, aponta para a soberania de Deus, que busca ativamente pecadores desprezíveis que não estavam procurando por ele.

A reflexão é: com qual dos dois filhos nos identificamos? Uma coisa é certa, não importa a resposta, o amor de Deus por nós é o mesmo, e Ele está sempre de braços abertos, pronto para nos acolher quando O buscamos com o desejo sincero em nossos corações. Quando olhamos para o filho mais novo talvez possamos dizer: esse sou eu. Ou, quando olhamos para o filho mais velho, talvez também possamos dizer: acho que estou me comportando como ele.

Muita Paz!


domingo, 14 de novembro de 2021

 


BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM OS OLHOS FECHADOS.

ENSINO ESPÍRITA

Olá, Amigos! Hoje vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se do tema BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM OS OLHOS FECHADOS. É importante dizer que esta frase não faz parte do maravilhoso Sermão do Monte, proferido por Jesus. Ela foi dita por Jean-Marie Baptiste Vianney, o cura d’Ars,  conhecido por seus dons sobrenaturais, através da imposição das mãos, e que devolvia a visão a cegos. Ela está inserida nas Instruções dos Espíritos, item 20, do Capítulo VIII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Sendo, antes de tudo, uma mensagem de fé e esperança. E que foi ditada com relação a uma pessoa com deficiência visual, a cujo favor se evocara o Espírito. O interessante é que, segundo alguns biógrafos, o padre  combateu com muito ardor as mesas girantes. Em Paris, um grupo de pessoas espíritas se reunia normalmente para o estudo dos ensinamentos dos Espíritos. Em uma noite do ano de 1863, um dos componentes do grupo levou para a reunião uma menina que havia ficado cega, com a intenção de rogar a intercessão dos amigos espirituais, em favor dela. Os demais companheiros do grupo aceitaram a sugestão. E, após os estudos de praxe, ocasião em que tiveram a oportunidade de buscarem o contato com a espiritualidade, através da mediunidade, um dos presentes lembrou-se de um Espírito muito amado na França, e resolveu evocar a presença de Jean-Marie Baptiste Vianney. E, para alegria de todos os presentes, o benfeitor espiritual se manifestou, e, utilizando-se das faculdades mediúnicas de um dos participantes da reunião, falou a todos os presentes, deixando uma mensagem de consolação e de esclarecimento. Eis a mensagem:

“Meus bons amigos, para que me chamastes? Terá sido para que eu imponha as mãos sobre a pobre sofredora que está aqui e a cure? Ah! Que sofrimento, bom Deus! Ela perdeu a vista e as trevas a envolveram. Pobre filha! Que ore e espere. Não sei fazer milagres, eu, sem que Deus o queira. Todas as curas que tenho podido obter e que vos foram assinaladas não as atribuais sendo aquele que é Pai de todos nós. Nas vossas aflições, volvei sempre para o céu o olhar e dizei do fundo do coração: “Meu Pai, cura-me, mas faze que minha alma enferma se cure antes que o meu corpo; que minha carne seja castigada, se necessário, para que minha alma se eleve ao teu seio, com a brancura que possuía quando a criaste”. Após essa prece, meus amigos, que o bom Deus ouvirá sempre, dadas vos serão a força e a coragem e, quiçá, também a cura que apenas timidamente pedistes, Em recompensa da vossa abnegação. Contudo, uma vez que aqui me acho, numa assembleia onde principalmente se trata de estudos, dir-vos-ei que os que são privados da vista deveriam considerar-se os bem-aventurados da expiação. Lembrai-vos de que o Cristo disse convir que arrancásseis o vosso olho se fosse mal, e que mais valeria lançá-lo ao fogo do que deixar se tornasse causa da vossa condenação. Ah! Quantos há no mundo que um dia, nas trevas, maldirão o terem visto a luz! Oh! Sim, como são felizes os que, por expiação, vêm a ser atingidos na vista! Os olhos não lhes serão causa de escândalo e de queda; podem viver inteiramente da vida das almas; podem ver mais do que vós que tendes límpida a visão! Quando Deus me permite descerrar as pálpebras a algum desses pobres sofredores e lhes restituir a luz, digo a mim mesmo: Alma querida, por que não conheces todas as delícias do Espírito que vive de contemplação e de amor?

Não pedirias, então, que se te concedesse ver imagens menos puras e menos suaves, do que as que te é dado entrever na tua cegueira! Oh! Bem-aventurado o cego que quer viver com Deus. Mais ditoso do que vós que aqui estais, ele sente a felicidade, toca-a, vê as almas e pode alçar-se com elas às esferas espirituais que nem mesmo os predestinados da Terra logram divisar. Aberto, os olhos estão sempre prontos a causar a falência da alma; fechados, estão prontos sempre, ao contrário, a fazê-la subir para Deus. Crede-me, bons e caros amigos, a cegueira dos olhos é, muitas vezes, a verdadeira luz do coração, ao passo que a vista é, com frequência, o anjo tenebroso que conduz à morte. Agora, algumas palavras dirigidas a ti, minha pobre sofredora. Espera e tem ânimo! Se eu te dissesse: Minha filha, teus olhos vão abrir-se, quão jubilosa te sentirias! Mas, quem sabe se esse júbilo não ocasionaria a tua perda! Confia no bom Deus, que fez a ventura e permite a tristeza. Farei tudo o que me for consentido a teu favor; mas, a teu turno, ora e, ainda mais, pensa em tudo quanto acabo de te dizer. Antes que me vá, recebei todos vós, que aqui vos achais reunidos, a minha bênção”. Amigos, que bela lição, não é mesmo? Primeiramente porque percebemos a humildade de quem se coloca na posição de um servo do Pai Celestial, dando a Ele todos os méritos da concessão da benção da cura. Ensina a dirigirmo-nos a Ele, e não a nenhum “santo” (lembrem-se, ele foi canonizado), para pedir a cura. Em segundo lugar, porque ele nos ensina que, as limitações encarnatórias são uma consequência da enfermidade no espírito, pois ele diz para orarmos assim: fazei que minha alma enferma se cure antes.

Para o melhor entendimento dessa mensagem, Kardec coloca uma nota de rodapé explicando o motivo dessa comunicação. E essa explicação do Codificador é importante porque ao se manifestar, o Espírito Vianney indaga se ele foi convocado para promover a cura de uma pessoa cega que se encontrava naquele ambiente. Ele demonstra piedade pela menina, mas diz humildemente que não pode curá-la sem que Deus o queira. No caso dessa jovem, Vianney aconselha a resignação e explica que os privados da visão têm a chance de viver a vida espiritual, podendo ver mais do que aquele que tem a boa visão, porque possui a facilidade de olhar para dentro de si e conhecer-se melhor, desenvolvendo assim a sensibilidade. Reflexão: Como ficou patenteado, a criança, embora estivesse amparada, não encontrou a solução para o seu problema. E, por que o Cura de Ars não curou aquela menina? Podemos imaginar: Ele não fez a cura porque não tinha poder para curá-la. Ele não quis curá-la. Ora, Vianney, durante a sua existência na Terra, vivenciou o Evangelho de Jesus. Trabalhava nas hostes do catolicismo, e era um exemplo da vivência cristã. Vianney era um desses espíritos generosos, que vêm à Terra unicamente para trabalhar em favor do semelhante. Durante a sua existência no nosso orbe, naturalmente amparado por benfeitores espirituais, realizou inúmeras curas, inclusive a cura de alguns cegos. Ora, se enquanto encarnado ele havia desenvolvido essa potencialidade capaz de efetuar uma cura, desencarnado também poderia fazê-lo, pois o espírito não perde as suas qualidades.

Então, nós podemos descartar a possibilidade de Vianney não ter poder para realizar aquela cura. Basta estudarmos um pouco a vida do Cura de Ars para sabermos que se tratava de um espírito generoso, fraternal, que se sensibilizava com o sofrimento alheio, e capaz mesmo de se sacrificar para ajudar o semelhante. Por certo, ele queria sim curar aquela criança. O cura de Ars, provavelmente, percebeu que as leis magnânimas do Criador haviam instituído para aquele espírito aquela expiação necessária. Pois, era necessário que a criança vivenciasse aquela dor, ou seja, a cegueira. Naturalmente, quando o benfeitor olhou para aquela menina não viu, como os companheiros do grupo, só o presente. Ele identificou o passado, observou o presente, e vislumbrou o futuro. Ao ver o passado, compreendeu  onde estava a causa do sofrimento presente, onde aquele espírito havia se equivocado. E, agora no presente, ele estava vivenciando a expiação necessária. E, vislumbrando o futuro, compreendeu a justiça de Deus, entendendo que, se aquele espírito Vivenciasse essa expiação necessária sairia da Terra vitorioso, quite com seus equívocos do passado. Por esse motivo, Vianney não pode interferir, em respeito e obediência aos códigos superiores da vida.

Agora, por que Vianney disse que são bem-aventurados os que não podem enxergar? Para nós entendermos essas palavras do Cura de Ars, precisamos compreender que existem dois tipos de cegueira: a cegueira física e a cegueira espiritual. Com relação à cegueira física, narram alguns evangelistas que, certa vez, Jesus, acompanhado por seus discípulos, e passando pelo tanque de Siloé, avistou um homem que era cego, e um dos discípulos, alertando o Mestre, disse que aquele homem era cego de nascença, e perguntou quem havia pecado, ele ou seus pais para que ele nascesse assim, e o Cristo respondeu que nem ele nem os seus pais. Ele nasceu assim para dar testemunho do Reino dos Céus. Jesus deixou os discípulos e caminhou na direção daquele homem cego. Cuspiu na terra, e com a saliva fez uma espécie de pasta e aplicou nos olhos daquele homem, e mandou-o se lavar no tanque. Então, ele lavou os olhos e, a partir daquele momento, estava curado. Então, aquelas pessoas que o conheciam de vista, como cego, perguntaram-lhe: Como te foram abertos os olhos? Respondeu ele: Aquele homem chamado Jesus ungiu-me os olhos e disse: Vai a Siloé e lava-te; então fui, lavei-me e fiquei vendo.

Com relação à cegueira espiritual, vamos acompanhar um jovem doutor da Lei: ele segue com uma pequena comitiva em direção a Damasco. O seu propósito é prender um ancião, de nome Ananias, seguidor de um carpinteiro chamado Jesus. Mas, quando ele está se aproximando da cidade, um fato inusitado acontece. Uma luz esplendorosa brilha no céu. Saulo de Tarso cai de joelhos na areia e percebe que aquela luz magnífica começa a tomar forma. É o Mestre Jesus que estava vindo ao seu encontro. E o Rabi da Galileia faz apenas uma pergunta: Saulo, Saulo! Por que me persegues? Naquele instante, vislumbrando aquele homem vestido de luz e, diante daquela indagação, Saulo compreendeu que estava errado, estava numa profunda escuridão. Aquele ser de luz era o Messias que havia de vir. Então, ele também pergunta: Senhor, o que queres que eu faça? Jesus vai ao encontro daquele homem no tanque de Siloé e o cura da cegueira física; e, igualmente vai ao encontro daquele doutor da Lei e o cura da cegueira espiritual. Agora, já podemos entender porque Vianney disse que são bem-aventurados os que têm os olhos fechados. Porque a cegueira física do presente é a remissão do espírito. E o remédio para o espírito é exatamente a própria dor que ele está enfrentando. É muito importante nós refletirmos sobre isso, porque, muitas vezes, nós chegamos à Casa Espírita, levados por alguém ou levados pela dor, em condições de sofrimento semelhantes a dessa menina da narrativa, e, por certo, os Benfeitores Espirituais irão nos ajudar. Mas, em se tratando da solução do nosso problema, da cura efetiva de nosso mal, nem sempre é possível que os Espíritos intercedam a nosso favor, isso porque, existem causas anteriores para o nosso padecimento atual.

E esse sofrimento que nós enfrentamos é a nossa necessidade, é o nosso remédio para o nosso próprio crescimento espiritual. Deus, que é infinitamente bom e justo, jamais permite uma doença ou qualquer dificuldade se elas não tivessem um objetivo salutar para o espírito. Vamos refletir: Quantos de nós não falimos pela nossa saúde perfeita, não é, mesmo? Fazemos uso do corpo saudável para gerar a dor alheia! Muitas vezes as expiações que vivemos hoje, em nossas vidas, partem desta premissa. Em avaliações para a próxima encarnação, os bons espíritos nos fizeram perceber o que em nós gerou a dor alheia, a nossa queda, obviamente. Então, os que conseguiram ser esclarecidos, até concordam com as limitações físicas, com o fim de impedir-lhe nova queda, e o planejamento reencarnatório traz estas limitações ou doenças, com o aval do próprio Espírito. O véu do esquecimento não nos permite lembrar disso, mas, há nossa participação neste processo de escolha das provas, como vemos na pergunta 258, do Livro dos Espíritos: Kardec pergunta:  Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e revisão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Resposta dos Espíritos: “Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.” Finalizando sua comunicação, Vianney consola a menina sofredora com palavras de ânimo, confiança no Pai Celestial. Recomenda-lhe a oração e a pensar em tudo que lhe foi dito naquela noite! Ou seja, um atendimento fraterno, uma consolação, papel tão precioso que a doutrina espírita tem! Consolar o sofredor, dando-lhe a visão da vida mais ampla, da realidade da pré-existência e pós-existência do espírito; de que em tudo há um porquê.

Sempre com base nos ensinamentos espíritas, esse atendimento fraterno abre amplas perspectivas para quem o procura, mostrando-lhe um roteiro de libertação e de paz, com o entendimento de que o sucesso depende dele, que deve promover, desde logo, o processo de reformulação interior. O trabalho não se propõe a solucionar os problemas que lhes sejam apresentados, mas a sugerir caminhos para a reabilitação. As recomendações que são feitas caminham ao lado das que este bondoso espírito fez à menina sofredora. A oração, seja só ou reunidos em família, no evangelho no lar; o estudo da doutrina, pensando, refletido suas questões à luz da mesma, tanto no lar, quanto na casa espírita; o passe, reequilibrando as energias e fortalecendo a alma; o trabalho no bem. Um benfeitor espiritual nos diz que “saúde é a perfeita harmonia da alma”, então, de um jeito ou de outro, são as nossas imperfeições que provocam desequilíbrios nos corpos sutis que, por influenciarem o corpo físico, este acaba sendo afetado por alguma doença. Assim, é importante pensar na cura e na saúde de maneira integral, envolvendo corpo físico, perispírito e espírito. De nada adiantará os melhores tratamentos médicos e espirituais se o Espírito não se modificar, não se transformar e passar a viver de maneira mais harmônica com as leis de Deus. Pode ser que durante um período a doença “desapareça” nos níveis material e perispiritual, mas, por ter a sua gênese na alma, mais cedo ou mais tarde ela voltará. O que para uma pessoa de “visão curta”, mais imediatista e materialista, pareceria uma falta de bondade de Deus por não conceder a cura, para outra mais espiritualizada a doença é como uma oportunidade de reajuste, de recomeço, em que poderá quitar débitos do passado e planejar um futuro melhor, em outras encarnações.

Assim, o paciente deve assumir uma postura ativa no seu tratamento, fazendo o que estiver em seu alcance para sua melhora, mesmo que não surta efeito no campo físico. Quantas pessoas desencarnam por causa de uma doença, de um câncer, por exemplo, mas chegam no plano espiritual curadas das chagas na sua alma? Portanto, quando uma pessoa adoece, é importante que ela busque a sua cura, sem esquecer de trabalhar a sua alma também. Apesar do sofrimento que a doença provoca, asserenar a mente e o coração, e se questionar: “o que essa doença quer me dizer?”, buscar o aprendizado que está por trás de cada dor e de cada situação difícil, na certeza de que Deus não quer que nenhum de seus filhos e suas filhas tenha um “sofrimento vazio”, um sofrer apenas por sofrer. Isso não condiz com a bondade e a misericórdia infinitas dEle. Quando a doença não é provocada por hábitos negativos que porventura o doente cultive no presente, tais quais os vícios (bebidas, drogas) ou sexo desregrado, ela tem sua causa em outras encarnações nas quais o indivíduo não teve uma conduta saudável, seja na sua conduta moral, seja nos hábitos que possuía e acabaram por danificar de algum modo o perispírito. Dessa forma, o que pode parecer um mal aos nossos olhos, é uma chance de renovação, enquanto o que parece ser algo positivo, nos traria perturbações e lágrimas num futuro distante. Confiemos na sabedoria de Deus e façamos nossa parte para uma vida mais saudável em todos os sentidos. Se formos acometidos por uma doença, é importante fazer o tratamento alopático e seguir as orientações médicas, e, para as pessoas religiosas, se fortalecer na fé e buscar um tratamento espiritual também vai ajudar no processo.

Eu fico por aqui.

Muita paz!

Aguardem na próxima semana, um novo estudo sobre ensino espírita.

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E não se esqueça: O Amanhã é sempre um dia a ser conquistado! Pense nisso! 

 

domingo, 7 de novembro de 2021

 


ENSINO ESPÍRITA

Olá, Amigos! Hoje vamos explanar mais um ensino espírita. Trata-se do tema BUSCAI E ACHAREIS. “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre”. (Mateus, 7: 7-8.) Com essas palavras, Jesus exortou à oração e à confiança em Deus, na certeza de que Ele não deixará, jamais, de atender às nossas necessidades, sejam elas coisas materiais ou espirituais, desde que façamos a nossa parte, diligenciando por obtê-las. Desta passagem Evangélica, destacamos três ações: pedir, buscar e bater; que apresentam como respostas: obter, achar e abrir. Não à toa, duas ações veem depois do pedir, que exigem esforços individuais de buscar e bater à porta (por ajuda). Assim, não basta pedir, tem que buscar e bater à porta, ou seja, temos que fazer a nossa parte. Esta é a síntese de: “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará”. Para que o céu ajude, o Mestre afirma que “todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre”. Muitos acham, equivocadamente, que Deus tudo fará por nós sem os nossos esforços e sem as nossas súplicas. Demonstram, assim, que não compreenderam as promessas do Evangelho. A razão do “pedir” não é informar a Deus o que necessitamos, tampouco lembrar de algo que tenha esquecido. Ele sabe de tudo a nosso respeito. Com o pedir, confessamos as nossas indigências e fraquezas, colocando-se em ato de humildade e fé, que criam as condições para receber a graça divina. Temos que pedir, buscar e bater! O progresso é filho do trabalho. A evolução espiritual rege-se pelas leis do trabalho e do progresso.

Em todos os estados de angústias física e espiritual, procuramos desesperadamente por Deus. Logo, o “pedir e obter” é reconfortante, porque toda vez que estamos com um problema o que mais queremos é alguém para nos ajudar. Com esta esperança, procuramos o tão almejado auxílio. “Segundo a compreensão moral, essas palavras de Jesus significam o seguinte: Pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos Bons Espíritos, e eles virão ajudar-vos, e como o anjo de Tobias, vos servirão de guias: pedi bons conselhos, e jamais vos serão recusados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta; mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que sofrerdes constituirão a punição do vosso orgulho. Se em tempos remotos algumas leis eram temporais, instituídas para determinada época e povo, o mesmo não ocorre com as lições legadas por Jesus. Elas ultrapassaram as barreiras do tempo, transcendendo povos, voando como verdades incontestáveis pelos séculos. São lições para o cotidiano da Humanidade, perfeitamente aplicáveis dentro e fora do seio das religiões. São ensinamentos de grande profundidade e que devem ser observados, para uma melhor organização da vida em sociedade. Há uma passagem no Capítulo XXV de O Evangelho Segundo o Espiritismo na qual o Mestre afirma: Buscai e achareis. Nesta orientação, o Cristo não nos limita só a busca no sentido espiritual, porque, se o mundo ficasse estagnado, se não houvesse a necessidade do progresso material, nós estaríamos, ainda, na Idade da Pedra.

Não haveria progresso se a Humanidade não tivesse buscado conquistas em todos os sentidos, para que a vida humana adquirisse outras características, nos proporcionando conforto, conhecimento, comodidade, facilidade, tecnologia, toda essa jornada evolutiva que o planeta Terra preenche, através dos homens de bem, de coragem, que lutaram para essas conquistas, nós estaríamos, ainda, naquela idade bem primitiva. Agora, em que consiste essa busca? No mundo em que nos encontramos, mundo este de provas e expiações, são muitas as nossas buscas. Quando nós começamos a nossa vivência terrena, desde o primeiro momento, buscamos o ar, a respiração; depois, vamos buscando a alimentação, e as buscas materiais da nossa vida vão surgindo de maneira automática. Nós, espíritas, que nos reunimos em torno do Evangelho de Jesus, temos como ponto comum essa busca, busca dos recursos espirituais. Essa mensagem traz uma notável máxima que, mesmo após dois mil anos, se aplica tranquilamente ao nosso dia a dia. É interessante notar que a atividade consiste em busca e pressupõe um certo esforço. Quem procura alguma coisa movimenta os recursos de que dispõe para encontrá-la. Buscai e achareis encerra em seu princípio a convocação para que nós façamos a nossa parte. Seria muito fácil para a espiritualidade colocar tudo pronto em nossas mãos, mas a iniciativa de fazer as coisas compete ao homem. É preciso que as pessoas cresçam por si mesmas. É o princípio básico da Lei do trabalho e, por consequência, da Lei do progresso, porque o trabalho deve conduzir e certamente o faz ao progresso, tanto com respeito ao progresso moral como também ao progresso intelectual. Trabalho, como ensina a espiritualidade, é toda ocupação útil.

A leitura edificante, o auxílio em obras sociais, o estudo e as pesquisas, o cuidado que dedicamos ao corpo físico, a conversa fraterna e edificante, enfim, quando bem empregamos o tempo estamos trabalhando, melhorando e, consequentemente evoluindo. A promessa do Cristo é que quem procura, acha. Assim, resta analisar qual é a busca pessoal. Cada ser, fazendo uso do seu livre-arbítrio, decide o caminho que deseja trilhar. Caso a criatura se decida pelas ilusões mundanas, terminará por vivê-las, em alguma medida. O resultado varia conforme os meios de que estiver disposta a lançar mão e o esforço que despender. Tudo tem um custo na vida, inclusive a preguiça e a inércia. Quem opta pelo comodismo arca com o elevado preço das oportunidades desperdiçadas. Considerando a efemeridade da vida humana, convém refletir bem a respeito do que se elege por meta. O que realmente compensa buscar com afinco? O que nós incessantemente buscamos, e com quais objetivos gastamos nossas energias? Buscai e achareis. Com essas palavras, Jesus exortou à oração e à confiança em Deus, na certeza de que Ele não deixará, jamais, de atender às nossas necessidades, sejam elas coisas materiais ou espirituais, desde que façamos a nossa parte, diligenciando por obtê-las. Após fazer aquela tríplice referência à solicitude com que devemos conduzir-nos, para que o céu nos ajude, o Mestre repete-a, afirmando categoricamente, que todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre. Isto é, que nos mexamos, que trabalhemos, até atingirmos o objetivo colimado.

Os Espíritos executores das obras divinas, mensageiros de Deus junto a nós, por sua vez, nos dão as forças de que necessitamos; eles nos inspiram; eles nos dão ideias. O amparo se faz. E nós o recebemos do plano espiritual na dose certa. A dificuldade em nós está em saber aproveitar. Em O Livro dos Espíritos nós temos uma questão que nos ajuda a entender esse princípio, é a de número 479, onde Kardec pergunta aos Espíritos: A prece é um meio eficaz para curar obsessão? E a resposta obtida foi: A prece é um poderoso socorro para todos os casos. Mas, crede que não basta que alguém murmure algumas palavras, para que obtenha o que deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Portanto, cumpre que o obsidiado faça, por sua parte, tudo o que se torne necessário para destruir em si mesmo a causa da atração dos maus espíritos. Quantos de nós pedimos aos Espíritos protetores, a Jesus e a Deus alguma coisa seguindo esse conselho, principalmente nos momentos de aflição? Mas por que nem sempre recebemos? Qual é a dificuldade? Onde está o empecilho? Nós pedimos algo e esse algo não vem, se nos foi dito buscai e achareis. O Cristo nos deu a rota, nos deu o manual, nos falou da lição, mas quem tem que executar somos nós. Buscai e achareis, ou seja, trabalhe. Através do trabalho nós vamos chegar ao progresso. Mas, o que é que eu vou buscar? Milagres? Vida contemplativa? Benesses de Deus? Não! O Pai nos dota de todos os recursos para vencermos em todos os sentidos: No sentido material, no sentido intelectual, no sentido espiritual. Mas essa vitória depende exclusivamente de nós.

Ninguém deliberadamente busca o sofrimento, pelo contrário, a nossa vida resume-se na constante busca da felicidade. Se sofremos e não queremos sofrer, precisamos buscar a causa do sofrimento para podermos evitá-lo. O sofrimento não é outra coisa senão a consequência imediata de uma atitude errada, seja nesta vida ou em vidas pretéritas. Para evitar e cair nas mesmas atitudes, devemos buscar o nosso vínculo com o Criador, por meio da prece. Não podemos projetar a solução dos nossos problemas nos outros, nas coisas e situações. Procuremos dentro de nós mesmos. Depende de cada um de nós a solução dos nossos problemas. Dessa forma, a máxima “buscai e achareis” ou “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará” é o princípio das leis do trabalho e do progresso. O trabalho é uma necessidade. Somos resultado das nossas obras, teremos delas o mérito e seremos recompensados de acordo com o que temos feito. Pela providência Divina, a natureza nos provê a matéria prima e os elementos para sermos transformados pelo uso da inteligência. Não deve ser interpretado como uma espécie de comodismo em que ficamos esperando algo cair do céu. Deus provê os recursos e devemos confiar na sua providência, mas essa confiança não nos eximi do trabalho a ser realizado. Há outra classe de pessoas que nada pedem a Deus. É a dos autossuficientes, que, confiando apenas em si mesmos, julgam tudo poderem conseguir só com os recursos de sua inteligência e operosidade. “Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6: 33). Assim, devemos acumular os tesouros no céu. Os tesouros eternos e imprescindíveis à felicidade do Espírito. A sabedoria está em sabermos utilizar os bens materiais sem nos escravizarmos a eles, priorizando a aquisição dos bens espirituais, pois onde está o “nosso tesouro aí estará o nosso coração”.  As quedas e frustrações que, na certa, virão a sofrer, incumbir-se-ão de abater-lhes o orgulho, fazendo que reconheçam suas limitações e se voltem para o Alto. Não sejamos, portanto, nem dos que se mantêm apáticos, inertes, esperando que Deus preveja e proveja tudo para eles; nem destes outros, arrogantes, presunçosos, que acreditam poderem prescindir do auxílio de Deus. Oremos, confiantes, e trabalhemos, perseverantes; assim procedendo, sempre acharemos quem nos estenda mãos amigas, e todas as portas abrir-se-nos-ão, pois não há obstáculos que não sejam removidos ante o empenho de uma vontade inquebrantável, aliada a uma fé viva e operante.

Eu fico por aqui.

Muita paz!

Aguardem na próxima semana, um novo estudo sobre ensino espírita.

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E não se esqueça: O Amanhã é sempre um dia a ser conquistado! Pense nisso!