INTRODUÇÃO
O objetivo desse Blog é levar você a uma reflexão maior sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio
necessário para uma vida saudável e produtiva.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Prezados irmãos e amigos. Não pretendo com esse Blog modificar o pensamento das pessoas. Não tenho a pretensão de ser dono da verdade, pois acredito que nenhuma religião ou seita detém o privilégio de monopolizá-la. Apenas estou transmitindo informações, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas do mundo em que vive, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas. Como disse Jesus, "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", ou seja, o plantio é opcional, você planta o que quiser, mas vai colher o que plantar. Por isto, muito cuidado com o que semear.
Pense nisso!

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domingo, 6 de fevereiro de 2022

 


A Escolha das provas

Um dos princípios da Doutrina Espírita é a reencarnação, entendida pelos orientadores espirituais como necessária à evolução humana, pois uma só existência corpórea é claramente insuficiente para que o Espírito possa adquirir todo o bem que lhe falta e de desfazer de todo o mal que traz em si. Para nos auxiliar no processo ascensional, Deus nos concede o livre arbítrio, uma vez que, se o homem tem liberdade de pensar, tem também a de agir. Podemos, então, afirmar que o ser humano é o árbitro do seu destino e que cada escolha, independentemente das suas motivações ou justificativas, acionam a lei de causa e efeito em qualquer plano de vida que se situe: o físico ou o espiritual. O uso do livre arbítrio provoca reações, no tempo e no espaço. As boas escolhas produzem progresso evolutivo, enquanto as escolhas infelizes geram provações ou expiações que se configuram como mecanismos evolutivos, moduladores da lei de causa e efeito, claramente consubstanciada no planejamento reencarnatório de cada indivíduo. Para melhor compreensão do assunto, vamos especificar a diferença que há entre prova e expiação: Mas, qual é o significado de prova? Pelo dicionário espírita L. Palhano Jr., encontramos: “situação aflitiva que atesta a capacidade do indivíduo para superar as próprias imperfeições morais”. Nós temos imperfeições morais? Temos! Todos nós temos imperfeições morais. A provação ou prova, é a batalha que nos ensina o trabalho, a nossa edificação espiritual. A expiação é uma pena que nos é imposta, por algo de errado que cometemos. Percebe-se, portanto, que a prova se assemelha a uma corrida de obstáculos que tem o poder de impulsionar o progresso humano. As provas sempre existirão, por se tratarem de desafios evolutivos.   A expiação, contudo, representa uma contenção temporária da liberdade individual, necessária à reeducação do Espírito que, melhor utilizando o livre arbítrio, reajusta-se às determinações das leis divinas. As provações podem ser difíceis, não resta dúvida, mas, por seu intermédio, o Espírito é colocado em situações que o afasta do estado de inércia em que ora permanece ou se compraz, proporcionando-lhe, ao mesmo tempo, oportunidades para que ele possa trabalhar a melhoria das suas atuais condições de vida. Vejamos a Questão 258 do Livro dos Espíritos. No estado errante, antes de nova existência corpórea, o Espírito tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida? E os Espíritos responderam: “Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio”. Questão 259. Se o Espírito escolhe o gênero de provas que deve sofrer, todas as tribulações da vida foram previstas e escolhidas por nós? Responderam os Espíritos: “Todas, não, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas. Escolhestes o gênero de provas; os detalhes são consequências da posição escolhida, e frequentemente de vossas próprias ações. Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, já sabia a que deslizes se expunha, mas não conhecia cada um dos atos que praticaria; esses atos são produtos de sua vontade ou do seu livre-arbítrio. O Espírito sabe que, escolhendo esse caminho, terá de passar por esse gênero de lutas; e sabe de que natureza são as vicissitudes que irá encontrar; mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam. Os detalhes nascem das circunstâncias e da força das coisas. Só os grandes acontecimentos, aqueles que influem no destino, estão previstos. Se tomas um caminho cheio de desvios, sabes que deves ter muitas precauções, porque corres o perigo de cair, mas não sabes quando cairás, e pode ser que nem caias, se fores bastante prudente. Se, ao passar pela rua, uma telha te cair na cabeça, não penses que estava escrito, como vulgarmente se diz.  Questão 262. Como pode o Espírito que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável pela sua escolha? Responderam os Espíritos: “Deus supre a sua inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança desde o berço. Mas deixa-lhe pouco a pouco a liberdade de escolher, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve. E então que ele muitas vezes se extravia, tomando o mau caminho, por não ouvir os conselhos dos bons Espíritos. É a isso que podemos chamar a queda do homem”. Se na vida terrena escolhemos muitas vezes as provas mais difíceis, com vistas a um fim mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe, e para quem a vida no corpo é apenas um incidente fugaz, não escolherá uma existência penosa e laboriosa, se ela o deve conduzir a uma felicidade eterna? Questão 266 de O Livro dos Espíritos: Não parece natural que os espíritos escolham as provas menos dolorosas? Responderam os Espíritos: Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando ele está liberto da matéria, a ilusão cessa e a sua maneira de pensar é diferente. O homem, submetido na Terra à influência das ideias carnais, só vê nas provas o lado penoso. É por isso que lhe parece natural escolher as provas que, do seu ponto de vista, podem substituir com os prazeres materiais. Mas na vida espiritual ele compara os prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê, e então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O espírito pode escolher a prova mais rude, e em consequência a existência mais penosa, com a esperança de chegar mais depressa a um estado melhor. Como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável, para se curar rapidamente. Aquele que deseja ligar o seu nome à descoberta de um país desconhecido, não escolhe um caminho coberto de flores, pois sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera, se for feliz. A doutrina da liberdade de escolha das nossas existências, e das provas que devemos sofrer, deixa de parecer extraordinária, quando se considera que os espíritos, libertos da matéria, apreciam as coisas de maneira diferente da nossa. Depois de cada existência, veem o progresso que fizeram e compreendem quanto ainda lhes falta em pureza, para a atingirem. Eis porque se submetem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, pedindo eles mesmos aquelas que podem fazê-los chegar mais depressa. Não há, pois, motivo para nos admirarmos de que o espírito não dê preferência à existência mais suave. No seu estado de imperfeição, ele não pode desfrutar a vida sem amarguras, que apenas entrevê. E é para atingi-la que procura melhorar-se. Não vemos diariamente exemplos de coisas parecidas? O homem que trabalha uma parte de sua vida, sem tréguas nem descanso, a fim de ajuntar o necessário para seu bem-estar, não desempenha uma tarefa que se impôs, com vistas a um futuro melhor? O militar que se oferece para uma missão perigosa, o viajante que não enfrenta menores perigos, no interesse da ciência ou de sua própria fortuna, não se submetem a provas voluntárias, que devem proporcionar-lhes honra e proveito, se as vencerem? A que o homem não se submete e não se expõe, pelo seu interesse ou pela sua glória? Todos os concursos não são provas voluntárias para melhorar na carreira escolhida? Não se chega a nenhuma posição social de elevada importância, nas ciências, nas artes, na indústria, sem passar pela série de posições inferiores, que são tantas outras provas. A vida humana é assim o decalque da vida espiritual. Nela encontramos, em menor escala, todas as peripécias daquela. Aqueles que dizem que, se pudessem escolher a sua existência, teriam pedido a de príncipes ou milionários, são como os míopes que não veem o que tocam, ou como as crianças gulosas, que respondem, quando perguntamos que profissão preferem: pasteleiros ou confeiteiros; da mesma maneira, o viajante, no fundo de um vale nevoento, não vê a extensão nem os pontos extremos da sua rota; mas, chegando ao cume da montanha, seu olhar abrange o caminho percorrido e o que falta a percorrer, vê o final de sua viagem, os obstáculos que ainda tem de vencer, e pode então escolher com mais segurança os meios de o atingir. O espírito encarnado é como o viajante no fundo do vale; desembaraçado dos liames terrestres, é como o que atingiu o cume. Para o viajante, o fim é o repouso após a fadiga; para o espírito é a felicidade suprema, após as tribulações e as provas. Todos os espíritos dizem que, no estado errante, buscam, estudam, observam, para fazerem suas escolhas. Não temos um exemplo disso na vida corpórea? Não buscamos muitas vezes, através dos anos, a carreira que livremente acabamos por escolher, porque a achamos a mais apropriada a nossos objetivos? Se fracassamos numa, procuramos por outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida. Não empregamos cada dia em escolher o que faremos no outro? Ora, o que são as diferentes existências corpóreas para o espírito, senão fases, períodos, dias da sua vida espírita que, como sabemos, é a vida normal, não sendo a vida corpórea mais do que transitória, passageira?

Muita Paz!

domingo, 30 de janeiro de 2022

 


Falência encarnatória

Esse nosso tema é muito curioso, pois fala sobre falência encarnatória. Em primeiro lugar, temos que entender o que é encarnação. Nós vivemos numa grande confusão de ideias a respeito da realidade espiritual e da realidade da vida no corpo físico. É importante nós sabermos que não somos seres humanos tendo experiências espirituais. Na realidade, nós somos seres espirituais tendo experiências humanas. Infelizmente as criaturas têm se apegado mais à vida do corpo físico. Explicar qual o objetivo da encarnação é elucidar a finalidade da vida, é esclarecer por que nascemos, é sinalizar o caminho que devemos trilhar, seja qual for a condição em que chegamos ao plano material do mundo onde vivemos. A questão indica duplo objetivo em nossa passagem pela carne, tanto na primeira vez quanto nas vezes seguintes, pelo processo das chamadas vidas sucessivas. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de executar a parte que lhe toca na obra da criação. A reencarnação é um instrumento pedagógico para o espírito, indispensável, pois, à sua evolução, para que ele saia de sua condição de simples e ignorante para alcançar um patamar moral superior, ou seja, chegar à perfeição.  A reencarnação é o momento de colocarmos em prática aquilo que aprendemos no mundo espiritual, quando teremos oportunidade de nos revermos e nos conciliarmos com nossos inimigos e de reencontrarmos antigos afetos do coração. Deus nos impôs a reencarnação para no mostrar o que temos de fazer para nós mesmos. Aquilo que devemos fazer não podemos passar para o outro; cabe-nos enfrentar os nossos deveres com a disposição que a fé nos faculta. Reencarnar dá trabalho. Requer intenso estudo de nossas necessidades espirituais. Quando nosso merecimento permite essa oportunidade, tem que contar também com a participação de engenheiros da espiritualidade que irão preparar o corpo, os pais, o local, a profissão, os futuros filhos e as condições de trabalho e resgate que nos serão oferecidos. Trata-se, portanto, de um verdadeiro investimento da espiritualidade. Naturalmente, há muitas expectativas de mentores e amigos que, de certa forma, “apostam” em nós. “Patrocinam” a nova chance que nos é proporcionada. Se em algum momento nos desviamos do caminho traçado, se nos distanciamos da rota, sonoros alarmes são disparados na espiritualidade. Claras e decisivas providências são adotadas para que ocorra o “redirecionamento” das nossas vidas. Para que não se percam os esforços e os objetivos a que nos propomos, os Espíritos se utilizam de meios para nos chamar a atenção. Esmeram-se os planejadores para otimizar a tentativa, oferecendo ao encarnante um corpo material adequadamente provido para as necessidades do programa encarnatório elaborado, e os trabalhadores da assistência fraterna para situá-lo no ambiente de interação, apropriado às exigências dos resgates, reparações e aprendizagem programadas. No entanto, estaremos redondamente enganados se concluirmos que a tolerância da espiritualidade não tem limites. As novas oportunidades geralmente não são muito suaves. E quando não as aproveitamos, ah! É melhor, como diriam os antigos, “colocar as barbas de molho”, pois daí para frente vem “chumbo grosso”. Se desperdiçarmos as derradeiras tentativas de recuperação dos amigos espirituais, é melhor nos prepararmos para futuras encarnações dolorosas e solitárias. Mas, para chegar a tal perfeição, o Espírito deve sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea. Porém, infelizmente, é alarmante, segundo alguns Mentores espirituais, a quantidade de Espíritos que retornam à Pátria espiritual, sem haverem conquistado progresso significativo. Enquanto na vida física, permanecem distantes da realidade espiritual que lhes é própria, preferindo viver na ventura fantasiosa dos prazeres mundanos, em detrimento dos imprescindíveis e inadiáveis esforços para o adiantamento moral que deveriam desenvolver, razão primordial da vida física. Falta-lhes o conhecimento e a fé para compreenderem a informação que nos deu Jesus, ao declarar que a verdadeira vida da criatura, não é a material, mas a espiritual, concreta, vibrante e verdadeira por toda a eternidade. Permanecem cegos e surdos aos impositivos da Lei de Progresso, conservando-se na condição de “infância espiritual”, arrastando-se penosamente por reencarnações sucessivas, incapazes de compreender a realidade que os aguarda além-túmulo. Por que isto acontece? Falta-lhes o interesse para saberem as respostas às três perguntas básicas, latentes na consciência de todos os intelectualmente capazes:  De onde viemos? Por que existimos? Para onde iremos após a morte? Alguns mais irônicos e incrédulos perguntarão: -Quem poderá respondê-las? Está claro que não será possível com meia dúzia de palavras explicar assunto de tal transcendência! Estas questões, entretanto, encontram-se completamente respondidas pela Doutrina Espírita; mas, da mesma forma que toda Ciência, ela deverá ser estudada, meditada e pesquisada para ser compreendida e praticada. Lamentavelmente, o lazer ocupa exagerado percentual do tempo da existência humana. Indiferentes ao conhecimento da realidade de si mesmos os homens não sabem como bem conduzir a própria vida e, ao chegar ao inevitável momento do retorno à Pátria Espiritual, encontram-se desorientados na condição de Espíritos despidos das vestes físicas. Decepcionados ante a realidade de que a morte não existe como destruição da vida, sentem-se aflitos e perdidos com a nova situação. Não encontrando o Céu que a mentirosa ficção lhes prometera com todas as suas delícias e privilégios, para cuja conquista nada fizeram, os desencarnados despreparados revoltam-se e, até que novas oportunidades encarnatórias lhes sejam oferecidas, perambulam neste estado em convívio interativo com os encarnados, ou são arrebanhados por falanges de Espíritos inferiores para serem iniciados, conforme suas índoles, nos caminhos do vício e do crime. Os Mentores espirituais dizem que, o Espírito, ainda na Espiritualidade, ao se preparar para o mergulho na carne, faz promessas de esforços, as quais, entretanto, ao contato com as vibrações da matéria, são desprezadas e esquecidas. Desconhecida a real finalidade da existência, não consegue avaliar quanto de prejuízo causa ao próprio porvir, entrando em verdadeira falência encarnatória.

 

domingo, 23 de janeiro de 2022

 


Como atingir a perfeição, Sendo imperfeito?

Olá, Amigos! Que tal começar mais uma semana com uma boa reflexão? Para isso, vamos explanar mais um ensino espírita, que trata de um tema que versa sobre a perfeição humana.

Nesse estudo, encontramos mais uma passagem do Evangelho de Jesus que, se entendida ao pé da letra, será tomada como um absurdo. “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mateus, cap. V, vv. 48). De certa forma, esta exortação do Mestre nos causa estranheza, pois, como pode alguém ser perfeito como o Criador o é? Deus é que possui a perfeição infinita em todas as coisas. Esta proposição tomada sem uma análise bem feita pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta. Afinal, o que é “ser perfeito”? Não errar? Ter sucesso? Agradar a todos? Ser sempre gentil, humilde? Não falar da vida alheia? Não julgar? Não sentir raiva? Quem consegue estar permanentemente em um estado quase que de “santidade”? No mundo, há uma busca de perfeição. O atleta quer ser perfeito, quer bater todos os recordes, o cientista quer fazer com perfeição as suas descobertas e pesquisas científicas. Ser “perfeito”, no entanto, não quer dizer sem defeito, pois perfeito quer dizer fazer bem feito aquilo que sabemos fazer. Precisamos ser cristãos que buscam a perfeição ou procuram fazer o melhor que podemos naquilo que realizamos. A perfeição constitui a meta de todo ser humano. Como proceder para alcançá-la, segundo Jesus, consiste: “Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem. Mostra Ele, desse modo, que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.” Perfeição caracteriza um ser ideal que reúne todas as qualidades e não tem nenhum defeito, e designa uma circunstância que não possa ser melhorada. Historicamente o termo perpassa pelo conceito de entelecheia (que se poder traduzir por "realização") cunhado por Aristóteles, ou seja, é a realização plena e completa, concluindo um processo transformativo de todo e qualquer ser. E o nosso destino é a perfeição relativa, pois a absoluta é exclusiva de Deus. Pelo conhecimento proporcionado pela Doutrina Espírita, sabemos que esse distanciamento que temos da perfeição diminui à medida que nos esforçamos para nosso auto aperfeiçoamento. E como o progresso é uma fatalidade, ainda que estacionemos, será por pouquíssimo tempo, considerando que temos uma eternidade pela frente. Esse convite de Jesus traduz a confiança, a paciência, que Deus deposita nas suas criaturas, independente da condição evolutiva de cada um. Ele não se dirige ao homem imperfeito e falível, mas ao homem do futuro, na sua condição de perfectibilidade. O tempo e o trabalho vão oportunizando a todos o processo transformador, qual ocorre com a pedra bruta. E do cascalho pesado emerge o diamante. Deus não tem pressa, pois tudo se ajusta com sabedoria, justiça e misericórdia, com o passar do tempo. Portanto, ofertemos ao próximo o que necessita para promover a sua mudança, mas aguardemos a ação do tempo, que constrói e reconstrói, num trabalho contínuo e permanente. E que mudemos em nós o que reprovamos no outro. A evolução é lenta, porque a natureza não dá saltos. Trazemos ainda muitas sombras do passado, com repetições no presente, o que nos exige muito esforço de superação, com serenidade, persistência, vigilância e oração. E que sejamos bondosos no trato com o próximo, pois é pela bondade que conquistamos a simpatia das pessoas e conseguimos abrir as portas que possam estar fechadas para nós. “Sede, pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito” – disse-nos Jesus Cristo. Entretanto, não nos conclama com essa assertiva a que tomemos ‘ares’ de perfeição presunçosa, e sim a que nos esforcemos para um crescimento gradual, com o qual o processo da vida vai nos dando habilidades cada vez maiores e melhores. O que é válido é a vontade de melhorar. Aquilo que nossa consciência determina por imperfeição podemos transformar em força que impulsiona para o desejo de nos sentirmos melhor, em paz e sem culpas por não alcançarmos o impossível. O que é específico de um ser cristão? Ele é um ser que vive o Cristo na sua vida, pois o Mestre Jesus é para nós amor divino, por isso o amor é a prática primeira e fundamental da vida cristã. O que torna um cristão perfeito não é a quantidade de orações que ele faz. O que o torna semelhante a Cristo não são as penitências que ele realiza. Tudo isso ajuda, aperfeiçoa, estimula, molda o nosso coração para vivermos a prática do amor.  Sem amor não somos nada! Por isso, se existe a busca da perfeição em tudo que os homens realizam, existe a perfeição do amor, e é a perfeição do amor que estamos buscando. A perfeição do amor consiste em aprender a amar os nossos inimigos. E quem são os nossos inimigos? São pessoas que não nos querem bem, que nos querem mal, que nos têm em conta de inimizade. Temos uma resposta para dar a elas: o nosso amor cristão; o querer bem a elas, rezar por elas.  “Rezai por aqueles que vos perseguem, por aqueles que vos fazem o mal, por aqueles que não vos querem bem”, é a resposta cristã. A nossa resposta não pode ser vingança mental, não podemos querer o mal daquela pessoa, desejar o mal para ninguém, isso não é perfeição do amor; pelo contrário, é o desvirtuamento da força do Evangelho em nós. Busquemos a perfeição, busquemos aperfeiçoar o amor de Deus em nós. Caprichamos em amar quem já é próximo de nós, quem já tem muita afeição por nós. Isso todos fazem, até os pagãos realizam melhor do que nós. A perfeição do amor cristão é saber amar quem não nos quer bem, é saber fazer o bem para quem nos fez o mal, é rezar por aqueles que não nos têm em conta e nos levam em conta de inimigos. Esse é o amor cristão, não é o amor do mundo. É muito importante nós analisarmos a colocação do verbo, que está no imperativo afirmativo, nos recomendando para que o ato seja realizado de imediato. “Sede perfeitos”! Jesus não disse para sermos perfeitos amanhã. A determinação do Mestre nos indica para agirmos hoje, no presente momento. O conceito de perfeição designa um estado plenamente realizado, ou seja, aquilo que é bem acabado em todos os detalhes; aquilo que não apresenta defeito; aquilo que é belo. Em Teologia, é a plena realização sob o ponto de vista moral realizado no bem, que compete a cada um possuir e atuar. Nestas condições, como alguém aqui na Terra poderá atingir esse patamar? Então, há  que se perguntar: Por que, sabendo da nossa fraqueza e das nossas imperfeições, Jesus pode dar essa ordem expressa? Acontece que essa perfeição que o Cristo nos ordena é aquela contida nos Seus ensinamentos, que nos conclama a amarmos os nossos semelhantes e a fazermos o bem sem exceção. Daí, nós podemos concluir que, o que é ordenado é uma perfeição a que a Humanidade é capaz de atingir, a que mais se aproxima de Deus. Isto quer dizer que, nós podemos ser perfeitos em alguns aspectos e noutros não. E, diante dessa verdade, devemos prestar contas ao Pai, dentro do melhor nível de evolução que pudermos alcançar. Todos nós temos o direito de buscar essa perfeição, mesmo aqueles espíritos mais rebeldes, que estão agarrados aos erros e aos vícios. Mas, para isso é preciso que nos despertemos para a necessidade desse momento e que tenhamos boa vontade para iniciar aquele bom combate de que Paulo de Tarso nos falou para desenvolvermos em nós, de forma gradativa e paciente, as mudanças para atingirmos essa evolução. Quando Jesus nos conta a Parábola do Bom Samaritano, por exemplo, faz-nos uma apologia do amor ao próximo, isento de preconceitos e de segundas intenções. Para Jesus, o primor espiritual resume-se na prática integral da caridade, aconselhando-nos, especialmente, a amar os que nos querem mal e nos prejudicam na trajetória existencial. O perdão das faltas alheias, mormente daqueles que nos perseguem, torna-se ação indispensável, infundindo-nos sentimentos nobres e facultando-nos a aquisição das demais virtudes que alicerçam os verdadeiros sentimentos fraternos que são: a benevolência, a abnegação e o devotamento. Se estivermos cumprindo tudo isso, temos a senha para aceitarmos o Convite à Perfeição. Sendo assim, podemos concluir que Jesus, ao fazer uma associação da perfeição com o amor – inclusive aos inimigos –, desejava caracterizá-la como sendo a benevolência extremada e, por isso mesmo, incondicional. E esse conceito de incondicionalidade é essencial no entendimento do que seja o perfeccionismo. Daí, nós concluirmos que, somos todos convocados pelo Mestre ao exercício do aperfeiçoamento, mas contemos com o tempo e a prática como fatores essenciais, e nunca com a perfeição como sendo ‘uma determinação martirizante e desgastante’, que faz a criatura dispender uma enorme carga energética para manter uma aparência irrepreensível. Repensemos o texto cristão, refletindo se estamos buscando o crescimento rumo à perfeição, ou se representamos possuir uma santidade oca, que não suporta sequer o toque da menor contrariedade. O Sede perfeitos constitui o apelo do divino Mestre para o nosso esforço permanente de evolução, como assinala a questão 115, de O Livro dos Espíritos, a obra basilar da Doutrina Espírita: “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes”, ou seja, sem conhecimento.

Muita Paz!

domingo, 16 de janeiro de 2022

 


A DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

A proposta da nossa reflexão de hoje, é muito desafiadora devido ao nosso estágio evolutivo. Como preâmbulo, é interessante observar que a aquisição das riquezas materiais tem sido a meta da esmagadora maioria dos homens. Neste estudo, vamos abordar importantes questões. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Por que uns são ricos e outros são pobres? Por que uns ganham muito dinheiro enquanto outros ganham pouco? Por que a sorte sorri para uns e fecha a cara para os outros? Por que uns nascem em berço de ouro e outros numa choupana? Estas são algumas, das muitas questões, que ainda não encontramos uma resposta satisfatória. Nosso propósito é, pois, refletir sobre estas questões, analisando-as sob a ótica espírita. Então, de que maneira a Doutrina Espírita pode auxiliar-nos na compreensão da desigualdade de renda apontada acima? O princípio da reencarnação, adotado pelo Espiritismo, é um forte argumento, que pode oferecer-nos alguma pista. É possível que os Espíritos que ora estão encarnados neste país já tenham vivido nos outros países mais desenvolvidos. Como não souberam utilizar a riqueza em favor do próximo, foram enviados para esta região para se reequilibrarem na lei do amor, passando pela prova da pobreza. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que preocupa muita gente. E, inutilmente se procurará resolvê-lo levando em conta apenas a vida atual. A desigualdade das riquezas é vista pela Doutrina Espírita como experiência necessária ao crescimento do espírito. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XVI, Kardec apresenta belas ideias em torno das desigualdades das riquezas, elencando três causas fundamentais para esse fenômeno social tão lamentável. A primeira delas encontra-se nas próprias diferenças existentes entre os indivíduos: nem todos são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar, afirma o codificador. E acrescenta que se toda a riqueza da Terra fosse dividida igualmente para todas as pessoas, feita essa divisão, o equilíbrio estaria desfeito em pouco tempo, pela diversidade dos caracteres e aptidões. E ele continua afirmando que se a riqueza da Terra fosse distribuída por igual a cada homem, cada um receberia uma parte mínima e insuficiente. Supondo-se que isso pudesse ser feito, em pouco tempo essa igualdade deixaria de existir, em virtude das diferenças individuais: uns a aumentariam, outros, talvez a maioria, a gastariam na satisfação de seus desejos, das suas necessidades materiais, e em pouco tempo a desigualdade de dinheiro retornaria entre os homens. Ele continua supondo que se cada um recebesse somente o necessário para viver, haveria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que ocasionam o progresso e o bem-estar da humanidade, pois desapareceria o estímulo que impulsiona as grandes descobertas e os empreendimentos úteis. Assim, conclui que Deus concentra a riqueza em alguns, para que esses a expandam em benefício de muitos, nas diversas maneiras, atendendo as diferentes necessidades. A fortuna é, pois um meio de evolução moral e “um meio de ação para o progresso”. Todos a experienciam, no decorrer das reencarnações, ora uns, ora outros, a fim de aprender a usá-la com inteligência e sabedoria. Se todos a tivessem ao mesmo tempo, ninguém trabalharia e a Terra não progrediria. Assim, todos a possuem, por sua vez e, segundo as revelações dos Espíritos, muitos temem tê-la, pelas consequências já sofridas, pelo mau uso que dela fizeram. A necessidade de os Espíritos viverem experiências corpóreas diferentes e conseguirem as coisas pelo próprio esforço seria uma segunda causa. Lembra Kardec que são necessárias as provas da pobreza e da riqueza para que os seres espirituais desenvolvam habilidades diferentes: resignação, perseverança, desprendimento, compaixão etc. são virtudes que serão construídas paulatinamente nas diferentes experiências, ora na abundância, ora na escassez. E, finalmente, a terceira causa das desigualdades: o egoísmo e a ganância humana, levando os homens a cometerem toda sorte de abusos, em detrimento daqueles que, por limitações intelectuais, familiares e culturais, não possuam os mesmos recursos para terem acesso aos bens da Terra. Na questão 806 de o Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta à Espiritualidade se a desigualdade das condições sociais é uma Lei Natural? Responderam os Espíritos: Não; é obra do homem e não de Deus. Kardec ainda insiste: Algum dia essa desigualdade desaparecerá? E obteve a seguinte resposta: Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia a dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social. Deus criou o homem simples e ignorante. Simples porque nada tinha, e ignorante porque nada sabia além das experiências registradas em seu instinto. Daí a diversidade de graus evolutivos, tendo em vista as desigualdades, criadas pelo próprio homem: na inteligência, na atividade e no trabalho. A reencarnação mostra a justiça divina. No que tange à riqueza, todos passaremos por ela, quer seja nesta vida ou em outras. Portanto, aos que nascem sob a Desigualdade das Riquezas em condições desfavoráveis ou até mesmo na miséria, a prova de fé e perseverança devem ser reafirmada todos os dias. É difícil, e até mesmo desnecessária, buscar as questões pregressas a esta vida, mas devemos ter a ciência de que nós escolhemos ou aceitamos as provas as quais passamos. Assim, um que não a tem hoje, já a teve ou terá noutra existência. Outro, que agora a tem, talvez não a tenha amanhã. Dessa forma, se há ricos e pobres é porque, sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. O uso das riquezas materiais deve ser moderado com a sabedoria e a caridade para que não caia em impulsos primitivos o levando ao mau uso dos recursos. Jesus nos ensinou que deveríamos nos preocupar em ajuntar os tesouros que a traça não corrói, a ferrugem não consome e o ladrão não rouba. Isto é, os tesouros que nos cumulam o espírito com a riqueza que levaremos para a eternidade e que nos abrirão as portas para o Reino de Deus, que é, na verdade, o reino dos valores espirituais. Tenhamos cuidado com o excessivo desejo de posse; reflitamos, primeiro, sobre os pressupostos espíritas. Eles foram codificados para auxiliar o pensamento do homem, a fim de que este se liberte das paixões materiais, conduzindo-o à conquista dos bens espirituais, os únicos que poderá levar ao partir para a vida dos Espíritos. Por isso, Se nos encontramos privados de riquezas, cuidemos de armazenar tesouros de paciência e resignação, buscando no trabalho e na prece a superação de nossas dificuldades, sem deixar de lutar com ânimo firme por melhorias e progressos em nossas vidas.

Muita Paz!

domingo, 9 de janeiro de 2022

 


A INVIGILÂNCIA

Ensino espírita

Sobre esse tema, que nos induz a refletir sobre a invigilância que nos abate nas obras do mundo, e que nos compete desenvolver, fazendo com que pequemos pelo exagero e a buscar o supérfluo, em detrimento daquilo que é essencial, fomos buscar no livro A Vida Escreve, do Espírito Hilário Silva, uma estória intitulada “O Lar das crianças”. Conta-nos assim o autor espiritual:

Amigos espirituais diversos, estávamos a postos. E os companheiros encarnados iam chegando. Seriam discutidos os estatutos para a fundação do lar de crianças, junto a grande organização espírita.

Mesa redonda. Cada qual poderia expender francamente seus pontos de vista.

Desabafo, franqueza. Antes, porém, o cafezinho. E, ao cafezinho, Augusto Franco, conselheiro da casa e dos mais experientes, argumentava: se Deus não se compadece da Humanidade, estaremos perdidos. O campo social é manicômio sem portas. Todos brincam de viver. Há por toda parte soberano desprezo ao trabalho, e o vício e a criminalidade vão crescendo. Abusos no cinema. Preguiça delituosa. Todas as bebidas liberadas. Maconha. Máquinas e empregados para todos os misteres. Residência superluxuosas. Festas inoportunas. Há domicílios com bilhares, bar interno, cinema próprio, salões de baile e piscinas, quando temos milhares de companheiros a quem falta o estritamente necessário. Altas rodas passam a noite no pif-paf.

Pais e mães abandonam meninos a criaturas mercenárias que, muitas vezes, lhes administram entorpecentes para estarem, durante a noite, mais à vontade. E, em consequência, temos a granel quadrilhas juvenis, tragédias passionais, crianças delinquentes e vagabundos inveterados. E alongou-se a crônica verbal. O ponderado orientador da casa, tantas vezes esteio firme na instituição, registrou com acerto todos os desacertos do mundo.  A pequena assembleia ouvia, ouvia. Nisso, porém, o horário avançou além do tempo previsto. E a nossa reunião? Perguntou Franco, percebendo que retardara. Os companheiros, todavia, pareciam desenxabidos. Todos monossilábicos. Creio seja melhor adiar, disse Cunha, o presidente da casa.

E Leivas, o tesoureiro, aderiu, aprovando com a cabeça. Outro dia, acrescentou D. Ricardina, a secretária. E todos os demais, à uma, pronunciaram a palavra “depois”. Franco, porém, não concordou. Sentia-se culpado e pedia escusas. Exigia. Que perdoassem pela comprida conversação, mas vivia espantado com os desastres morais. Não houve outro recurso senão atendê-lo. O prestimoso companheiro instava com tanta humildade que Felício Cunha buscou a papelada e, como de outras vezes, pronunciou a prece de abertura, rogando a inspiração de Jesus. Foram iniciados os estudos para o lançamento da obra, e, porque todos os amigos gaguejassem, como se estivessem receosos de expor o pensamento, Cunha foi claro. Augusto, falou, corajoso, creio que todos nós, sem prévia combinação, preferiríamos o entendimento para outra hora, a fim de não contrariarmos a você mesmo.

Ora essa! Como assim? E Cunha, abrindo um relatório; você é o autor da maior parte de nossos planos. Veja bem. Você quer uma casa complexa. Esperamo-la simples. Você quer um monumento. Aspiramos um lar. Você pede a construção de trinta e dois aposentos. Pretendemos apenas quinze, e olhe lá que vão abrigar muitas crianças.

Você solicita um salão de festas. Não queremos qualquer ruído inútil. Você reclama empregados pagos. Não tencionamos remunerar cooperador algum. Você julga que as crianças devem ser mantidas sem trabalho. Consideramos que todas devem estudar e servir, segundo a vocação e a capacidade delas, fazendo-se úteis o mais cedo possível. Você espera um parque de brincar, adornado com uma fonte luminosa.Nós tememos semelhante aquisição, que viria favorecer a irresponsabilidade infantil. Você planeja a compra de noventa globos e dez lustres para luzes elétricas. Estamos satisfeitos com quarenta lâmpadas simples. Você propõe a compra de muitos metros quadrados de ladrilhos brancos e azuis. Não contamos com material dessa espécie, crendo que os ladrilhos singelos nada deixam a desejar. Você indica várias peças de mármore. Escolhemos apenas cimento. Você diz que precisaremos de quarenta colchões de mola. Teremos colchões vulgares. Você especifica um número exagerado de pias e banheiros, tapetes e móveis. Sonhamos uma casa confortável, sem ser suntuosa, simples sem ser miserável, onde as crianças não sejam bibelôs para os nossos caprichos e, sim, nossos próprios filhos.

E como suspiramos por nossos filhos libertos dos prejuízos morais que vergastam a Terra, admitimos seja nosso dever não enganar a nós próprios, abraçando a realidade sem os perigos da fantasia, porque realmente, meu caro, o futuro vem aí. Augusto Franco, apanhado de surpresa, mastigou em seco, tossiu, pigarreou e disse desapontado: É, é, de fato vocês têm razão. E depois de um instante em silêncio, como se estivesse falando para dentro de si: Meu Deus, é muita coisa sobrando! Lima, contudo, o vice-presidente da casa, pediu que fosse adiado o debate geral do assunto, e Cunha, com aquiescência de todos, orou, calmo, encerrando a reunião.

REFLEXÃO:

Existe um ditado popular que diz que a simplicidade observa a Natureza sem usar óculos. De fato. A Natureza à nossa volta é sempre um exemplo de simplicidade e, ao mesmo tempo, de adequação e utilidade. Nada foi criado sem uma razão que a justifique. Tudo tem um objetivo na criação de Deus. Mas, apesar de assim ser, o homem busca sofisticar as coisas de sua vida, sem perceber  que o supérfluo não só não trás utilidade para quem o detém, como serve de instrumento de desvio, de desequilíbrio e de aquisição de falsas necessidades e anseios que iludem o homem. É natural que o homem busque viver com conforto. Mas não é natural que peque pelo excesso ou pelo exagero. O progresso da tecnologia humana leva as criaturas, muitas vezes, a verem necessidades onde elas realmente não existem. A buscarem mais o lazer do que o trabalho; mais o luxo do que a adequação das coisas; Mais a posse do que a real utilidade. No entanto, Jesus nos aponta o caminho da simplicidade e da justiça, quando nos ensina que não devemos nos afadigar pela posse do ouro ou pela posse de bens materiais. Antes, devemos procurar haurir os valores que nos servirão como esteio e sustentação na vida futura, na espiritualidade. De que adiantam posses, prazeres e luxo, conforto exagerado, se nada acrescentam na evolução espiritual. Ao abrir os olhos fora da matéria, o homem irá se deparar com a única bagagem que realmente lhe conta e lhe é útil naquelas paragens. A bagagem das obras realizadas e dos valores espirituais adquiridos no trabalho produtivo e profícuo, para a evolução da Humanidade e para auxílio dos irmãos do caminho. São estes os verdadeiros valores, a capacidade de sermos úteis à obra de Deus.

Assim, a simplicidade é um requisito essencial na vida do homem.. Deveria ser pensada todo dia, observada a cada instante. Qual o valor agregado das coisas? Deveríamos avaliar constantemente, para que fossemos capazes de viver com qualidade, viver com equilíbrio, viver com crescimento contínuo, viver com progresso espiritual. Mesmo diante da obra da caridade, os homens são levados eventualmente a pensar de forma supérflua. Quando visitamos igrejas ou templos de algumas seitas ou crenças, mesmo aquelas que se dizem cristãs, podemos observar a existência do luxo exagerado, do supérfluo, usados para darem a impressão de prosperidade e de progresso, para os desavisados do caminho. Ouro, mármore, granito, arquiteturas suntuosas nos ditos templos de Deus. E o nome e a imagem de Jesus adornando todo luxo descabido, quando ao contrário, o Mestre nazareno foi o exemplo de simplicidade, de humildade e da firmeza de propósitos. Acontece que, nós mesmos, de forma desapercebida,  criticamos intimamente, quando comparecemos a uma casa espírita muito simples, sem ornamentos, com apenas os utensílios necessários à obra da caridade. Aí, pensamos: poderíamos melhorar isso aqui; comprar novos móveis. Às vezes, essas considerações são justas e até refletem necessidades básicas, para que a obra da caridade seja feita. Mas às vezes não agregam valor para o fim que nos propomos trabalhar.

Nesta pequena estória, Hilário Silva faz um apanhado dos desacertos humanos e aponta como causa básica a busca pelo homem de coisas desnecessárias para a sua vida. A falta de percepção da simplicidade, que a Natureza, obra de Deus, nos aponta é a causa desse desvio de conduta, dessa supervalorização do supérfluo, do luxo, da posse, do preenchimento das horas vazias com ações vazias. Ao mesmo tempo, usa algumas comparações bastante fortes: ao invés de complexidade, a simplicidade; ao invés de monumentos, lares; ao invés do exagero, o adequado; conforto sem suntuosidade; simplicidade sem miserabilidade; realidade sem fantasia ou ilusão. Quantos de nós podemos afirmar que vivemos na simplicidade voluntária? Que nada guardamos que não seja útil? Que nada retemos que não seja necessário? Simplicidade não significa pobreza, nem pobreza é prova de simplicidade. Simplicidade é adequação de postura; é adequação de comportamento no uso das coisas que Deus nos concedeu por empréstimo, para desenvolvermos a capacidade de servir. Simplicidade é a busca da justiça na relação com o mundo, fazendo-se o bom uso dos recursos que nos foram destinados pelo Criador. Meditemos sobre isso!

Muita Paz!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

 


NOVO ANO

Vamos iniciar mais um ano, em que as esperanças de um futuro melhor para a Humanidade são renovadas. Nessa fase de transição  em que a Terra se encontra, na condição de um mundo de provas e expiatório, e se encaminhando para um mundo melhor, de regeneração, é necessário que estejamos preparados para vivenciarmos essa nova realidade do planeta. Para tanto, é preciso domar as más inclinações que ainda permanecem presentes em nossa personalidade espiritual, trazidos de um passado de dificuldades, para que estejamos credenciados a habitar o planeta regenerado. O Ano Novo que surge, apesar de ser uma simples alteração de calendário, traz o simbolismo de um novo tempo, de novas esperanças e de novas metas a serem alcançadas. Chama-nos a uma reflexão, convidando-nos a fazer um balanço das nossas atitudes, dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos que praticamos no ano que está se findando, o que ficou faltando fazer e o quanto poderíamos ter caminhado. Mais do que nunca se torna atual a recomendação de Santo Agostinho, trazida por Kardec na questão 919 de O Livro dos Espíritos, indicando o caminho do autoconhecimento como fundamental no processo de transformação que precisamos empreender enquanto espíritos imortais a caminho da perfeição. O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual., para nos ajudar a vencer essa etapa do nosso processo evolutivo. O Ano Novo que surge traz o simbolismo de um novo tempo, de novas esperanças e de novas metas a serem alcançadas, chama-nos a uma reflexão, convidando-nos a fazer um balanço das nossas atitudes, dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos que praticamos no ano que está terminando. Sabemos que todo processo transformador traz consigo uma quota de sacrifício e dificuldade a ser atendida. Havemos, portanto, como ensinou Jesus, sermos perseverantes na busca da tão sonhada transformação. O Rabi da Galileia, como nosso guia e modelo, mostrou-nos o caminho a ser seguido, nas lições e exemplos legados no Evangelho. O ano que se inicia é, portanto, uma oportunidade que não deve ser desprezada de continuarmos, com entusiasmo e confiança, a busca pela nossa elevação espiritual, partindo da maneira com que nos relacionamos com nossos semelhantes. São as situações com que nos defrontaremos no dia a dia que nos forjarão para vencermos aquelas mais complexas, que exigirão de nós um esforço maior.

A todos, desejo um Novo Ano repleto da paz e com muitas realizações no campo do espírito.

Muita Paz!

sábado, 25 de dezembro de 2021

 


Onde está Jesus nesse Natal? - (Para uma profunda reflexão) – Ensino espírita

“Glória a Deus nas Alturas. Paz na Terra, boa vontade para com os homens” (Lucas, 2:14).

Mais um ano se passou e estamos novamente diante do Natal, festividade que comemora o nascimento de Jesus, em nosso planeta. Como acontece normalmente, neste período que antecede as festas natalinas, há grandes movimentações quanto aos preparativos. As vitrines enfeitadas convidam as pessoas a se lembrarem da época dos presentes. A figura do Papai Noel, o bom velhinho, é um atrativo maior para as crianças. O consumismo sob pretexto de que esta época é de se presentear os parentes e amigos é estimulado. Nas famílias, nas organizações, nas escolas e em tantos outros lugares, inicia-se uma aproximação mais festiva, com brincadeiras como a do amigo oculto. Desejos de felicidade e prosperidade acontecem em grande quantidade nos locais que frequentamos, muito embora grande parte desses “Boas-Festas” e “Feliz Natal” ocorram mais por determinações da educação e dos costumes adquiridos, sendo expressos mais mecânica do que intencionalmente. As crianças, estimuladas pelos adultos, correm a escrever suas cartinhas pedindo os brinquedos de sua preferência para o “bom velhinho”, que é suposto entregar todos os presentes na noite de Natal, lenda que é reforçada junto aos pequeninos, ainda com a imaginação infantil aguçada, desviando sua atenção daquele que realmente é o centro de todas essas festividades: Jesus! Será o Natal uma festa puramente material? Certamente que não! O nascimento de Jesus, sem dúvida, é motivo de júbilo e deve ser comemorado pelos cristãos, inclusive com as festas tradicionais. Todavia, é importante que o caráter espiritual da data não seja relegado a um segundo plano. Não podemos esquecer o ensinamento deixado pelo Mestre, que fez do amor a Deus e ao próximo o mandamento maior. E, esse amor que o Cristo ensinou e exemplificou deve estar presente não apenas na noite de Natal, mas no nosso dia a dia, durante todo o ano. Jesus, quando indagado pelo doutor da lei sobre o que fazer para ganhar a vida eterna, Ele não apontou o caminho do formalismo religioso nem o conhecimento dos textos sagrados como a condição essencial para esse fim. Recomendou, isto sim, a vivência do amor ao próximo. Deixou claro que a prática desse amor não é prerrogativa de religiosos, mas de espíritos nobres, compassivos, que se apiedam do semelhante. O samaritano da parábola contada na ocasião era renegado pelos outros segmentos daquele povo. Porém, sabia amar. As comemorações do Natal são um momento oportuno para que façamos uma avaliação dos sentimentos que estamos praticando. Com toda certeza, se nos avaliarmos com sinceridade, constataremos que ainda enfrentamos dificuldades internas para atendermos integralmente a orientação de Jesus. No entanto, havemos que preservar, como fez o aniversariante do dia, até vencer o mundo e tornar-se um espírito puro. A reunião familiar nesse dia é muito importante, a alegria manifestada é válida, a mesa farta e os presentes também, desde que façamos de tudo isso um marco para nos tornarmos mais solidários, fraternos e amorosos com o próximo. Que valorizemos mais as verdadeiras conquistas, que são as do espírito. Aquelas que se constituem os verdadeiros tesouros de que falou Jesus, que a traça e a ferrugem não consomem nem os ladrões roubam. No entanto, devemos nos questionar se será esse o verdadeiro espírito do Natal. Qual, de fato, o significado do Natal para aquele que assimilou a luz do Evangelho, pelas portas da doutrina consoladora – o Espiritismo – codificada por Allan Kardec. Em primeiro lugar, Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo, o enviado de Deus para disseminar, junto à humanidade, o código de luz e de amor: o Evangelho. Mas você poderá pensar neste momento que esse é o entendimento geral. Todos comemoram o nascimento de Jesus no Natal. Isso é um fato! E, diante desse fato, perguntamos: Será mesmo? Relembrando a vida do Mestre e suas atitudes, quando aqui esteve entre nós, pôde-se perceber que esta foi simples e humilde, tendo como maior exemplo dessa humildade as próprias condições de seu nascimento, ocorrido numa estrebaria, onde teve seu corpinho envolto em panos simples e colocado numa manjedoura, que nada mais era do que uma estrutura feita de madeira, em que se depositava o alimento dado aos animais, conhecida também pelo nome de cocho. Sim, um cocho! Diferente da visão da manjedoura que estamos acostumados a ver, transmitida pelo imaginário de artistas ao longo desses dois milênios, Jesus ficou deitado num monte de feno que foi colocado nesse local onde os animais se alimentavam. A simbologia da manjedoura transcende o nosso entendimento ainda diminuto, em relação à grandiosidade de Jesus expressa na mais pura humildade. Era ele ali colocado como que a dizer: “Eu trago o verdadeiro alimento para todos aqueles que se encontram infelizes, cansados e abatidos. Eu trago a esperança e a fé que aliviará todo o peso do fardo pesado sobre seus ombros”.Cresceu humilde, tornando-se aprendiz de carpintaria, ofício exercido por seu pai, José, com o qual supria as necessidades de sustento e subsistência de sua família. Conviveu com a gente simples do caminho e, quando iniciava sua missão de levar à humanidade sua mensagem de amor e perdão, não prescindiu de convocar pescadores humildes e ignorantes para seus discípulos, bem como aqueles que viviam em padrões não aceitos à época, sendo considerados como a escória, como o publicano Mateus. Foi nesses corações simples que Jesus iniciou seu trabalho de construção do Reino de Deus na Terra, distante do luxo, da pompa dos amplos salões da nobreza do poder da época. Com o passar do tempo, diante das necessidades artificialmente criadas pelas novas demandas da civilização moderna, fomos nos concentrando mais nesses aspectos exteriores do que na real celebração do nascimento do Mestre, o que nos desviou do real sentido do Natal. Natal, na visão do espírita, não deve ser de exclusão, mas sim de inclusão. Não estamos impedidos de estender ao nosso grupo familiar e de amigos as benesses do conforto que lhes possamos ofertar. Devemos viver no mundo como aqueles que atendem as condições de vida do mundo, porém que isso não nos impeça de vivenciar o Natal como um momento de iluminação do Espírito imortal e, também, de elevação do sentimento de gratidão ao Mestre Divino, pelo seu amor que empenhou em nosso favor, vindo pessoalmente trazer-nos a “Boa-Nova”. Que tenhamos a consciência de que a festa de Natal é a celebração do aniversário de Jesus, que, como em toda festa de aniversário, deve ser ele o alvo principal de todas as atenções. No Natal de Jesus, o presente que Ele mais espera de nós todos é que apliquemos aqueles ensinos que nos trouxe, em nossas ações no dia a dia. Que possamos abraçar a todos e, perdoando sinceramente aqueles que nos ofenderam, elevemos uma prece de reconhecimento, gratidão e júbilo por termos a iluminação de nosso entendimento, através do registro em nossas almas da palavra esclarecedora do Mestre dos mestres. “Natal é qualquer dia em que uma pessoa busca outra, para chamá-la de irmão e tratá-la assim”.

“Para quem busca o Cristo sempre é Natal”. A cada dia, a cada hora, a cada momento Jesus renasce em nós, quando seguimos os seus ensinamentos. Guardemo-Lo em nossos corações. Que esse estado de espírito se conserve em todos os dias de nossas existências e saibamos sempre estender mãos amigas ao próximo.

Natal! Boa Nova! Boa vontade!

Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.

O Natal com Jesus é espalhar o amor, é espalhar a paz, a misericórdia e o perdão! Que o perdão e a compreensão, superem as amarguras e as desavenças.

Muita Paz!